Titulo do Livro
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Sumário

Guia do Estudante

Ambientação

Aqui o estudante irá observar que todo o texto do material didático tem um ícone que servirá de orientação para seu estudo, onde poderá ter uma visão panorâmica sobre o conteúdo a ser estudado.

Trocando ideias com os autores

A intenção é que seja feita a leitura de obras indicadas pelo professor-autor numa perspectiva de dialogar com os autores de relevo nacional e/ou mundial.

Problematizando

É apresentada uma situação problema onde será feito um texto expondo uma solução para o problema abordado, articulando a teoria e a prática profissional.

Aprendendo a pensar

O estudante deverá analisar o tema da disciplina em estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-autor do material didático.

Explicando melhor com a pesquisa

Este momento torna-se indispensável , porque o professor sugere a leitura de pesquisas científicas, artigos, teses e dissertações, com a intenção de desenvolver a percepção sobre o conhecimento científico.

Leitura obrigatória

Este ícone apresenta uma obra indicada pelo professor-autor que será indispensável para a formação profissional do estudante.

Pesquisando na Internet

O espaço virtual é um dos maiores repositórios de informações em diversos temas científicos. Portanto, o estudante deverá buscar na internet uma investigação científica em sites acadêmicos relacionados ao tema em estudo.

Saiba mais

Neste ícone será encontrado sugestões de aprofundamento da disciplina em outro espaço. Pesquisas divulgadas, em formato de entrevistas, com o próprio autor da investigação.

Vendo com olhos de ver

A finalidade deste ícone é apresentar um vídeo ou um filme, conforme a indicação do professor-autor do conteúdo, com o objetivo de contextualizar a linguagem cênica com a linguagem escrita (audiovisual).

Revisando

É uma síntese dos temas abordados com a intenção de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem.

Autoavaliação

Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o estudante aprendeu durante a disciplina.

Bibliografia

Indicação de livros e sites que foram usados para a constituição do material didático da disciplina.

Palavra do Professor-Autor

O que é o homem? Esta não é uma pergunta meramente curiosa, mas intrigante. Não é uma pergunta a ser descartada como irrelevante, mas de fundamental importância por inquirir a significação do que somos essencialmente. Ela penetra no âmago de todos os seres humanos requerendo a verdade acerca de si mesmo e do outro. Esta questão fez parte das primeiras intuições filosóficas que se desenvolveram entre os gregos. Mas é também anterior à própria filosofia e encontrou expressão nas mais diversas formas de religião por meio do mito.

A verdade é que o homem é o único ser no mundo que, por possuir autoconsciência advinda da sua racionalidade, não consegue viver sem questionar a si mesmo à razão da sua existência. O homem não consegue viver feliz sem conhecer essa verdade. O maior de todos os sofrimentos é aquele que penetra no íntimo da alma humana; é aquele produzido pela falta de significado último. Sem esta perspectiva clara, tudo o mais se torna efêmero, descartável e a vida perde a sua vivacidade.

O mundo moderno experimenta elevado desenvolvimento científico tecnológico que se traduz numa vida mais confortável - para alguns -, dando ao homem maior poder econômico e capacidade de aquisição de bens, acentuando cada vez mais o consumismo. Acreditou-se (alguns ainda acreditam) que todas essas benesses advindas do desenvolvimento científico dariam ao homem uma vida feliz, comumente chamada de bem-estar. Nesta vida não faltaria alimentação para a população mundial, todas as enfermidades encontrariam a cura, o homem experimentaria um alto nível de desenvolvimento racional, chegando ao esclarecimento, as nações se consolidariam em ligas de nações que constituiriam uma legislação universal, válida para todos, e a paz perpétua se tornaria uma realidade.

É inegável o contributo da ciência. Graças a ela milhares de doenças, que antes conduziriam milhares de pessoas ao túmulo, hoje são superadas graças às maravilhas da medicina moderna. Mas ainda estamos muito longe daquilo que os racionalistas pensaram ser um sonho iminente. A fome persiste em muitos lugares. A AIDS continua dizimando milhares na África. Estima-se que 60% da população foi afetada. As guerras não cessaram e o homem ainda é um ser em constante angústia. Qual o destino da raça humana? Existe algum destino para a nossa espécie? O que devem esperar as gerações futuras dos nossos filhos e netos? E as gerações posteriores às deles?

O prolongar da vida, a saúde física e mental, boas condições financeiras, embora constituam alvos a serem conquistados, ainda não sintetizam tudo aquilo que o homem necessita para viver feliz. A angústia existencial, o tédio, bem como o sofrimento emocional, advirão sempre e levarão muitos a um estado existencial deplorável e à infelicidade. Conhecer o sentido da vida humana fornecerá uma blindagem emocional e espiritual capaz de proteger o eu da fragmentação e autodestruição diante do sofrimento.

Nesse contexto, a disciplina Antropologia Teológica, que na sua constituição interdisciplinar contribuirá na formação acadêmica e humana, irá problematizar temáticas que conduzirão o estudante a uma reflexão permitindo-o conhecer uma perspectiva, uma tentativa de resposta à questão fundamental sob a luz da Revelação e da tradição teológica judaico-cristã. A referida disciplina expõe o problema da existência humana, sua origem, o valor da vida humana, o sofrimento, o significado da vida e da morte, o que fazer e o que esperar.

Desejo, sinceramente, que através destes estudos você consiga atribuir maior valor à sua própria existência e à dos outros.

O autor

Biografia do autor

Antonio Gonçalves Sobreira


Professor Sobreira

É graduado em Teologia, graduando em Filosofia, mestre em Teologia Bíblica, Especialista em Psicopedagogia, Ciências da Educação, e mestrando pela Lusófona em Educação.

Atualmente é coordenador do curso de Teologia das Faculdades INTA e docente na área da Teologia sistemática e da disciplina Antropologia Teológica.

Ambientação

O que é Antropologia Teológica?

Trata-se de uma disciplina que estuda o ser humano a partir da Revelação de Deus encarnado na humanidade através de Jesus Cristo.

Bíblia

O estudo da Antropologia Teológica fundamenta-se nas Escrituras Sagradas e na teologia cristã e propõe-se a pensar o ser humano a partir destas fontes, permitindo formar uma cosmovisão e integrando o conhecimento da filosofia e da teologia cristã.


Clique e Acesse: Biblia Sagrada. Editora: Paulus, 2005

Trocando ideias com os autores
Introdução a Antropologia Teologica
Ladaria, 2007

Prezado estudante, você agora é convidado a conversar com os autores das obras indicadas abaixo, fazendo uma reflexão sobre a Antropologia Teológica.

Para aprofundamento do assunto, sugerimos a leitura desta obra que aborda os conceitos necessários à compreensão do conteúdo referente à disciplina Antropologia Teológica.

O autor apresenta vários temas como: o mundo e sua criação, o homem como imagem de Deus, na Bíblia e na tradição, a constituição do homem como ser pessoal e social, o homem pecador e o pecado original, o homem na graça de Deus, a graça como transformação interior do homem, a plenitude da obra de Deus e a plenitude do homem.

O humano integrado
Rubio, 2011

Sugerimos também a leitura da obra O Homem Integrado: abordagens de Antropologia Teológica, a qual aborda uma visão associada do homem e da vida cristã, mostrando a transformação religiosa no mundo atual. Apresenta características como individualismo, imediatismo sem se preocupar com os próprios atos, e as perspectivas de decompor conceitos da cultura moderna (ou pós-moderna). Tudo isso causa, ao mesmo tempo, a fartura de tendências religiosas e a falta de diálogo, crítica e religiosidade.

Imagem humana a semelhança de Deus
Souza, 2010

Outra leitura sugerida é a da obra Imagem Humana à Semelhança de Deus. Esta faz uma ponderação que parte da fé para pensar sobre a condição humana levantando questionamentos sobre quem é o homem e qual o seu destino no plano de Deus. Aborda a antropologia teológica dos padres da Igreja, indicando um esclarecimento sobre a criação do ser humano nas Escrituras Sagradas e, em seguida, analisa como o filósofo e teólogo Mestre Eckhart concebe a alma e seu percurso em direção à Unidade.

Após a leitura das obras, faça uma síntese das ideias e identifique algumas semelhanças e diferenças entre elas. Se esses conceitos são diferentes, em que consistem tais diferenças? E se são semelhantes, em que consistem tais semelhanças?

Problematizando

Uma das grandes questões implicadas no estudo da Antropologia Teológica é se existe um significado para a vida humana, como indivíduo e como espécie (humana). Se tal sentido de fato existe, como conhecê-lo? A Antropologia Teológica se diferencia da Antropologia trabalhada em cursos de Sociologia ou Filosofia. A Antropologia como ciência é o estudo do homem envolvendo suas dimensões sociais, biológicas culturais, incluindo sua origem, comportamento, desenvolvimento cultural, social e físico. A Antropologia Teológica atua numa esfera dupla procurando articular o conhecimento racional e o conhecimento teológico, priorizando o último, que trata da fé na Revelação divina. Para a Antropologia Teológica, a existência de Deus é um fato inquestionável. O mundo e a vida humana resultam de uma criação divina, fruto de um plano arquitetado pelo Criador. A vida, portanto, é obra de um Criador amoroso que tudo fez com perfeição.

Mas o mundo em que vivemos não é perfeito. A dor e o sofrimento encontram-se espalhados por toda parte. A vida humana é violada ainda na sua infância, muitas vezes. Se o mundo foi criado perfeito, como explicar a imperfeição atual? Todos os dias, seres humanos morrem, muitos por acidentes dos mais variados, outros são assassinados, levados por moléstias. Então o homem lúcido olha para o mundo e pergunta: qual o sentido de tudo isso? Há um sentido maior para a vida humana ou estamos simplesmente sujeitos às leis da natureza que controlam a vida biológica no planeta com o nascer e o morrer? Se Deus existe, então existe um sentido para a vida humana. Mas se Deus não existir, não há sentido algum para nada. O que a Revelação tem a dizer sobre estas questões complexas?

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Origem e Desenvolvimento da Antropologia

CONHECIMENTO

Conhecer a origem e o significado da disciplina.

HABILIDADE

Saber conceituar cada etapa do desenvolvimento histórico da disciplina.

ATITUDE

Ser um cidadão ético nas relações sociais.

Origem e desenvolvimento da Antropologia Teológica

O que é Antropologia Teológica?

Todas as ciências são “ciências humanas”, no sentido de serem produzidas pelo intelecto humano; sejam as ciências da natureza ou as ciências humanas, todas são criações do homem. Diferenciam-se pelo objeto de estudo, mas em todo caso, todas têm como sujeito o próprio homem. O conhecimento científico é caracterizado pelo método que procura conhecer a realidade com rigor e elevado grau de certeza.

O conhecimento filosófico é de caráter especulativo e questionador, procura dar conta das questões de caráter universal, estimula o crescimento do conhecimento, embora não possa pôr os pés no porto seguro da verdade absoluta, pois isso resultaria na sua morte. Em outras palavras, o grau de certeza do conhecimento filosófico é relativamente menor do que o produzido pela ciência, mesmo porque, quanto mais se trata de questões em nível universal, menos eficaz se torna o método científico. Já o conhecimento teológico baseia-se numa irrestrita confiança na Revelação de Deus, crê que ela é infalível, ou seja, não pode errar em seus temas abordados e que é uma expressão da verdade maior que é Deus.

Sujeitos e objetos das ciências:

Ciências naturais

Sujeito=homem; objeto=natureza

Ciências humanas

Sujeito=homem; objeto=homem

Teologia

Sujeito=homem; objeto=Deus/Revelação

A Antropologia como estudo reflexivo do homem existe desde a época dos sofistas, Sócrates, Platão e Aristóteles, quando se descobriu que a questão fundamental e decisiva é “conhece-te a ti mesmo”. A partir de então, a pesquisa filosófica terá em mira o estudo do homem, das capacidades, dos deveres, do sentido e do fim da vida humana. No entanto, a filosofia jamais conseguiu adquirir um conhecimento satisfatório do homem. Vários questionamentos até hoje permanecem ainda sendo um profundo mistério para todos.

• De onde vim?

• Quem sou?

• Para onde vou?

• Qual o meu destino?

• Qual o significado da vida humana?

• Qual o valor do homem?

• Por que sofremos?

• Por que existe o mal?

Uma definição filosófica antiga para o homem é que ele é um animal racional e político. Certamente trata-se de uma boa definição, mas não é completa. O certo é que da resposta a essa pergunta depende o sentido da vida humana e da morte. Decifrar o problema da existência é conhecer a condição humana e sua situação atual.

A teologia e o homem

A Teologia, como um saber que procura articular o conhecimento da fé com o conhecimento filosófico (razão), pretende explicar o significado do mundo e do homem; é a mais antiga de todas as filosofias. Sempre se ocupou com o homem, pois a Revelação é sua fonte principal para que alimente a verdade.

Na Grécia, Teologia era o estudo dos deuses, inicialmente era mitológica. O mito serviu para explicar e dar significado à vida do homem naquele período. Os poetas gregos, narradores do mito, foram chamados de teólogos porque proferiam um discurso acerca dos deuses. Mas ainda não era uma ciência ou uma disciplina acadêmica.

A Teologia como disciplina acadêmica veio a se consolidar com o pensamento cristão, especialmente com Agostinho, bispo de Hipona. Tal pensamento foi elaborado a partir das reflexões dos chamados “pais da igreja” que conjugaram a filosofia grega (razão), principalmente Platão e Plotino, com o pensamento cristão (fé). A Teologia procura fazer uma conciliação entre a fé cristã e o pensamento filosófico. No período patrístico, quem mais obteve êxito foi o filósofo e teólogo Agostinho de Hipona, que fez uma espécie de conciliação entre a fé cristã e o neoplatonismo; sem dúvida por encontrar elementos que pareciam intercambiáveis em tais estruturas de pensamento.

Posteriormente, no Período Escolástico, São Tomás de Aquino dialogou com Aristóteles. Alguns dizem que ele cristianizou Aristóteles. No período moderno surgem várias teologias de cunho antropológico. Embora a Teologia seja o estudo de Deus, ela sempre se ocupou com o homem, pois busca compreender melhor a história da salvação, que por sua vez são os gestos efetuados por Deus para a salvação do homem. A novidade advinda do surgimento da teologia é que agora os conteúdos da revelação são expressos e significados com o auxílio da razão filosófica, a qual lhe empresta os instrumentos e a linguagem que se estrutura em torno do conceito para comunicar a verdade divina.

A Teologia acredita que a vida tem um sentido transcendental porque o mundo é inteligível e racional. Assim, deve haver também uma razão última para a vida humana. A teologia crê que esta “razão última”, esse significado maior, encontra-se num princípio exterior ao homem, que pode ser encontrado de forma intuitiva pela razão e, mais profundamente, pela fé na Revelação.

Teísmo e ateísmo

O teísmo é uma perspectiva filosófica teológica que crê no Ser superior, causa do mundo sensível e invisível; explicação maior da existência do cosmo. Este ser comumente é chamado de Deus. Na cosmologia cristã o universo não é eterno, mas foi criado por uma mente superpoderosa, uma inteligência superior e transcendente chamada Deus. É curioso notar que na filosofia grega antiga o cosmo considerado infinito e eterno não era uma criação dos deuses. Hoje, olhando para as melhores teorias cosmológicas, acredita-se que o universo teve origem e ainda está em expansão. Um exemplo é a teoria que ficou conhecida como Big Bang, proposta por Georges Lemaître, e trata sobre a origem do Universo, embora ele tenha chamado como "hipótese do átomo primordial”.

Assim, na perspectiva científica, o universo teve origem, exatamente o que o livro do Gênesis afirma, com o diferencial que no Gênesis a causa da origem do universo é Deus, enquanto que na Ciência não se sabe qual foi a causa da origem do universo. Parte da comunidade científica não acredita na existência de um Ser criador. O ateísmo nega a existência de Deus; para os ateus, o mundo racional não precisa de sentido.

Mas conhecer o sentido do mundo é uma exigência da própria razão. Se o mundo é inteligível, inteligível deve ser a sua causa, pois um mundo racional não poderia ter uma causa irracional. Se a causa do mundo é racional, então o mundo possui um sentido racional. Se esse “sentido” encontra-se no próprio homem, esse já o teria encontrado no uso pleno da sua racionalidade sem lançar mão da fé. Como ainda não fez, é bastante plausível lançar mão da fé e aceitar a revelação que Deus faz de si mesmo. A razão nos ajuda a saber o que é o homem, qual o seu significado e o que é a fé.

A antropologia teológica trabalha temas como: o homem enquanto imagem de Deus (a divinização do homem), o pecado original, a natureza humana, a libertação cristã, as virtudes (fé, esperança, caridade, alegria) e o destino eterno do homem. Todos os assuntos estão situados no vasto contexto do debate teológico atual.

Breve transcurso histórico da disciplina

A Antropologia, palavra que se origina do grego anthropos (homem, ser humano) e logos (estudo), surgiu com o filósofo grego Heródoto, no século V a.C. Por ser o primeiro, pelo que se sabe, ao tratar sistematicamente do tema, é considerado o pai da Antropologia. Ao longo da história, porém, esta ciência passou por grandes mudanças, gerando várias correntes. Destacamos três delas:

a) A Antropologia Filosófica pagã (mais aberta ao transcendente). Os filósofos antigos buscavam a autonomia da razão, mas não desprezavam, ou negavam, a possibilidade da existência de divindades e até as levavam em conta, chegando até mesmo à divinização do cosmo.

b) A Antropologia Teológica (de índole judaico-cristã) é a que estuda o homem tendo como referência fundamental Deus. Passou-se da centralização no cosmo divinizado (fase pagã) para Deus quando o cristianismo suplantou a visão grega da realidade e colocou tudo o que existe na relação com o Deus revelado (fase cristã).

A antropologia teológica trabalha questões como: quem é o homem, sua origem, sua natureza, suas virtudes e torpezas, sua autotranscendência e seus limites; suas aspirações e linguagem, comportamentos, mas tudo à luz da revelação divina. Visa-se chegar a algo fundamental: o ser humano é capaz de merecer Deus, de acolhê-lo e conviver em comunhão e parceria com Ele.

Há um pressuposto para esta vertente da Antropologia: Deus não é uma fantasia ou um agregado mental na vida humana. Ele integra a própria estrutura humana e lhe confere a vocação transcendente que impulsiona o ser humano a ir além de si, a aspirar ao infinito, a reconhecer suas limitações (fraqueza, enfermidade, erro, morte, pecado) que o desafiam a respeito do sentido da vida, do sofrimento, da morte e da pós-morte.

Deus dá ao ser humano a capacidade de reconhecer o valor de tudo o que existe e de transcender à realidade do aqui-agora por um valor maior e mais plenificador. É exatamente esta busca do transcendente, que o humaniza de modo maravilhoso, isto é, quanto mais ele se insere em Deus e no projeto Dele, mais encontra a felicidade. E é esta extraordinária capacidade que o faz, também, humanizar tudo no cosmo, estudá-lo, manipulá-lo e canalizar todas as suas riquezas em vista da felicidade, um desejo insaciável que faz parte de seu ser como gente.

c) A Antropologia Filosófica Secularista. Realiza a mudança da centralização em Deus para a centralização no homem, mas sem Deus. Este passo ocorreu na época moderna em consequência da secularização e do ateísmo, este último desenvolvido no seio da filosofia europeia e, especialmente, pelo comunismo. Mas esta vertente tem seus inícios já no Renascimento (século XVI), Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem. O espírito humano abre-se a um novo modo de ver e agir. Dá-se um violento contraste com o modo precedente de entender todas as coisas e acontecimentos, que tinham Deus como centro de tudo e de todo interesse humano, e passa a considerar o homem como centro de tudo. Acontece, portanto, a passagem do teocentrismo para o antropocentrismo.

Os mais importantes filósofos dessa virada histórica do modo de pensar o sentido e a razão de ser do homem são Descartes, Hume, Spinosa, Hobbes e Kant. Mas este último, Immanuel Kant, sem dúvida, é quem atinge o ápice do pensamento independente da referência a Deus ao afirmar que o homem não é mais simplesmente o ponto de partida, mas também o ponto de chegada da reflexão filosófica e de toda a história. É ele quem abre as possibilidades para que dali em diante muitos filósofos deem continuidade, aprofundem e motivem a levar à prática o secularismo ateu.

A Antropologia Teológica hoje

Sempre em busca

Não há dúvida (e o cotidiano comprova): a humanidade continua sua busca do sentido da vida e da história, do sentido da existência do cosmo e de tudo o que nele existe, especialmente do próprio ser humano na complexidade da história desse cosmo. Multiplicam-se, sem cessar, artigos, livros, filmes, canções, obras de arte, que alimentam o debate levando-se em conta a existência de Deus nesta trama misteriosa do mundo e da vida humana ou negando-a, ridicularizando-a e considerando toda e qualquer religião como uma invenção prejudicial ao ser humano.

Entretanto, a teologia cristã continua a afirmar que o ser humano somente encontra sua verdadeira explicação e compreensão no mistério do Verbo encarnado, isto é, no Filho de Deus que assumiu a condição humana na história com o nome de Jesus de Nazaré. Segundo a Revelação, o ser humano, criado à imagem e semelhança do próprio Deus, dispondo de liberdade, rompeu com o seu Criador (pecado original), Deus, porém, não somente não o abandonou, mas deixou plasmada na natureza própria do ser humano a necessidade de Deus e o impulso natural para buscá-lo.

Ele concedeu à liberdade humana a graça do chamado incessante para restabelecer a união homem-Deus, Deus-homem. Depois de manifestar-se de muitos modos ao longo da história, quando chegou à plenitude do tempo, na linguagem bíblica, Deus deu-lhe a maior prova de amor, o seu próprio Filho divino em forma humana (cf. Hebreus 1, 1; 1 João 4, 9-10), que viveu entre os homens com plenitude, como o ser humano perfeito, por ser ao mesmo tempo “verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”.

É pelo Cristo que o ser humano é “justificado” (recupera a justiça perdida pelo pecado). E é a partir Dele, Nele, com Ele e por Ele, que o ser humano vive da graça do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É em direção a Cristo, o referencial humano-divino que, na liberdade, o ser humano procura alcançar progressivamente e com o impulso da graça que Ele nos alcançou, “o estado adulto, a estatura de Cristo em sua plenitude” (Efésios 4,13). É este o cerne da Antropologia Teológica cristã.

É a partir do olhar antropológico-teológico que detectamos o que a Revelação diz sobre o ser humano no contexto da obra da criação: uma criatura feita no tempo e que não teve existência espiritual antes da corpórea para usufruir da felicidade neste mundo e da glória de Deus na vida eterna. Os textos bíblicos pretendem mostrar o propósito de Deus, no relacionamento com os homens e, mais ainda, a sua experiência no mundo como ser humano e, consequentemente, a identidade do ser humano assim enriquecido na comunhão com Deus. Esta o prepara de modo privilegiado para a comunhão consigo mesmo, com os outros e com a natureza.

Este mesmo olhar de comunhão, assim plena, considera o homem como “imagem e semelhança de Deus” e tem a Jesus como a imagem verdadeira do Pai, e nós, como seu reflexo. E o ser humano como “imagem de Deus” (imago Dei) carrega em si as marcas do Criador, do Filho Redentor e do Espírito Santificador, principalmente em sua capacidade de conhecer e amar o Pai, por meio do Filho, no amor do Espírito Santo e como cocriador e cooperador em seu Plano de Amor sobre o mundo e a humanidade.

A estrutura básica do ser humano segundo a fé

Um dos diferenciais da Antropologia Teológica judaico-cristã, em relação às outras antropologias, é seu modo de entender e explicar o ser humano como um organismo psicofísico resultado da estreitíssima união entre corpo e espírito.

São Paulo, formado para ser rabino, em sua carta aos Tessalonicenses fala do ser humano como corpo-alma-espírito: “Que o espírito, a alma e corpo de vocês sejam conservados de modo irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23). É evidente que para ele a Antropologia não existia como discurso reflexivo. Somente depois, e de forma muito lenta, com a influência da cultura grega, é que se chegou ao seu início e, posteriormente, ao seu desenvolvimento.

Expliquemos um pouco, mas com os termos em hebraico, grego, latim e português, esta visão integrada do homem, segundo a visão hebraica e que Paulo utiliza na carta aos Tessalonicenses:

a) Corpo (bâsar, sarx, caro = corpo de carne) é a nossa realidade física, biológica); b) O termo espírito, ruach em hebraico, tem seu correspondente no grego pneuma e em latim spiritus, e significa sopro divino, energia vital presente no homem e nos animais. É a dimensão vital similar a de todos os demais seres vivos.

O termo alma (nephesh, psychè, anima) é o homem na sua integralidade - (Cf. Gênesis 2.7). Também pode referir-se à dimensão psíquica, afetiva, intelectiva e relacional. Pode referir-se à autoconsciência, do afeto-relacionamento, da liberdade, da vontade, do senso ético, da busca do bem, do belo, da verdade e da felicidade. Mas nunca nas Escrituras o termo se refere a uma entidade imaterial que sobreviva fora do corpo após a morte.

O termo espírito também pode referir-se, em alguns textos, à dimensão transcendente espiritual; é a dimensão exclusiva do ser humano, fruto da criação direta de Deus (sopro-ruach, ser vivente em Deus e para Deus), que assegura a possibilidade de comunicação e comunhão com Ele. Alguns interpretam a distinção corpo, alma e espírito, feita por Paulo, como uma diferenciação que o apóstolo faz de dois aspectos da mesma alma: enquanto princípio de animação do corpo e enquanto elemento puramente espiritual que sobrepassa sob forma de inteligência e vontade.

Esta reflexão é importante porque houve na história do cristianismo uma confusão entre os intérpretes e estudiosos, alguns afirmando que Paulo tinha uma visão tricotômica do ser humano, isto é, um composto de três partes separáveis, enquanto outros defendiam a concepção dualista de corpo e alma, duas partes separáveis. Na concepção hebraica, as três realidades se apresentam como dimensões integradas, formando uma unidade, um todo. Mas, sob a influência da filosofia grega, sofrida durante o período patrístico, principalmente com o teólogo-filósofo Santo Agostinho, concluiu-se que a alma e o espírito são imortais, ao passo que o corpo é corruptível. Porém, esta não era a crença da Igreja cristã primitiva (período apostólico), que depositava toda a sua esperança na doutrina da ressurreição. A ressurreição de Jesus é a garantia de que um dia todos os que morreram serão ressuscitados, uns para a vida eterna, outros para o juízo, conforme observamos no seguinte trecho: “Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou”. (1 Coríntios 15:16). O outro diz o seguinte: “E, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm”. (1 Coríntios 15:14).

Na reflexão tradicional e oficial da teologia cristã, o predomínio da cultura greco-latina na teologia fez acontecer uma divisão entre “corpo e alma” e uma fusão entre espírito e alma, embora na Revelação sejam coisas distintas. Com isso, quando se fala em “alma” entende-se uma compreensão errônea, pois espírito (ruach) não é o mesmo que alma (nephesh), “ser vivente” (cf. Gen. 2.7). Um espírito, no sentido original, é apenas fôlego de vida (ruach), não é uma entidade consciente que possa viver fora do corpo como um ser autônomo.

Segundo os documentos do Magistério da Igreja, a alma é espiritual e dotada de imortalidade. Ora, se a alma é espiritual, não pode ser corrompida, pois sendo espírito, dotado de existência própria, autônoma e independente da matéria, não se extingue com a corrupção do corpo. Percebe-se que os ensinamentos do Magistério da Igreja destoam do puro e original ensinamento bíblico que em parte alguma afirma a imortalidade da alma ou que ela possa existir “fora do corpo” como um ser consciente e autônomo. Pelo contrário, o único ser que possui imortalidade é Deus: “O único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém” (1Timóteo 6:16). Como visto anteriormente, o ensinamento de que a alma é imortal não tem origem na tradição judaico-cristã, nem nas Escrituras, mas foi absorvido da filosofia grega, que aprendeu de uma antiga religião, o orfismo. Esta foi adaptada ao cristianismo no período patrístico, desenvolvido por teólogos como Agostinho, Tomás de Aquino, dentre outros.

Bate-Papo com Gerson Pires

O Prof. Msc. Antonio Gonçalves Sobreira recebe o Prof. Dr. Gerson Pires para um bate-papo envolvente acerca das temáticas dispostas na disciplinas de Antropologia Teológica. A conversa gira em torno dos conceitos de Antropologia e Teologia, dos campos que esta disciplina abrange, além de gerar um debate significativo acerca dos espaços que Deus e as religiões ocupam hoje no imaginário social.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Bate-Papo com Gerson Pires

O Prof. Msc. Antonio Gonçalves Sobreira recebe o Prof. Dr. Gerson Pires para um bate-papo envolvente acerca das temáticas dispostas na disciplinas de Antropologia Teológica. A conversa gira em torno dos conceitos de Antropologia e Teologia, dos campos que esta disciplina abrange, além de gerar um debate significativo acerca dos espaços que Deus e as religiões ocupam hoje no imaginário social.

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Bate-Papo com Gerson Pires

O Prof. Msc. Antonio Gonçalves Sobreira recebe o Prof. Dr. Gerson Pires para um bate-papo envolvente acerca das temáticas dispostas na disciplinas de Antropologia Teológica. A conversa gira em torno dos conceitos de Antropologia e Teologia, dos campos que esta disciplina abrange, além de gerar um debate significativo acerca dos espaços que Deus e as religiões ocupam hoje no imaginário social.

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Bate-Papo com Gerson Pires

O Prof. Msc. Antonio Gonçalves Sobreira recebe o Prof. Dr. Gerson Pires para um bate-papo envolvente acerca das temáticas dispostas na disciplinas de Antropologia Teológica. A conversa gira em torno dos conceitos de Antropologia e Teologia, dos campos que esta disciplina abrange, além de gerar um debate significativo acerca dos espaços que Deus e as religiões ocupam hoje no imaginário social.

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Aula com Arnaldo Sá

O professor Me. em Teologia Bíblica Arnaldo Sá nesta videoaula introduz os conceitos de Antropologia Teológica, cultura. Após a análise da Antropologia como o estudo ou reflexão acerca do ser humano, o vídeo mostra a abrangência e importância da disciplina no contexto das ciências modernas, e aborda o conceito de cultura como a totalidade da produção humana durante toda a história. O conhecimento dos elementos que constituem a cultura leva ao entendimento de como se constroem os variados estudos antropológicos, culminando na Antropologia Teológica e no enfoque dos grandes temas que ele aborda.

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Transcurso Histórico da Antropologia Teológica

O Professor Me. em Teologia Bíblica Arnaldo Sá nesta videoaula apresenta os conceitos básicos da Teologia de interesse para os estudos antropológicos. Analisa as fases de desenvolvimento da Antropologia no que diz respeito às visões metafísicas do homem: Antropologia Filosófica pagã, Antropologia Teológica cristã e Antropologia Filosófica secularista. Em seguida, conceitua as diversas visões de mundo quanto à crença na divindade: teísmo, deísmo, panteísmo, agnosticismo, ceticismo e ateísmo. Concluiu com reflexões sobre a definição platônica de Deus e textos bíblicos que tratam do mesmo tema.

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2
O Sentido Metafísico do Homem

CONHECIMENTO

Conhecer as interpretações mais aceitas acerca do sentido metafísico do homem elaborado pela filosofia e teologia.

HABILIDADE

Ser capaz de argumentar, em nível conceitual, identificando a interpretação teocêntrica e justificar sua coerência interna como a explicação mais plausível para a autotranscendência humana.

ATITUDE

Assumir atitude crítica acerca do conhecimento adquirido provocando reflexões e autoconhecimento no estudante.

O sentido metafísico do homem

O que é a vida? Tem ela algum significado? De onde procedem tantas profanações contra a vida? Tantas agressões, injustiças, violências, vícios e maldades? O homem perdeu o sentido da sua própria existência?

O cristão que tem fé sabe o sentido da sua existência. E quem não tem fé, será possível somente pela razão obter conhecimento seguro sobre o sentido do homem? Para responder a esta pergunta, examinaremos a experiência singular e universal da autotranscendência.

Mas afinal, o que vem a ser a autotranscendência?

Transcender é ultrapassar os limites, chegar a um alto grau de superioridade. Autotranscendência é o movimento pelo qual o homem supera, sistematicamente, a si mesmo, a tudo que adquiriu, tudo que crê, pensa e realiza.

Ao examinar a atividade cognitiva, vemos que nossa busca do saber é insaciável e inexaurível. Queremos sempre conhecer mais sobre o homem e sobre o mundo. Nossa vontade nunca se satisfaz. Possui uma poderosa tendência para a autotranscendência, que nunca se aplaca. Isso também ocorre no campo das paixões. Existe nas grandes paixões uma intenção transcendente que não pode proceder senão da atração infinita da felicidade.

O próprio corpo humano é um corpo que transcende a própria natureza da corporeidade e torna-se epifania do espírito. A autotranscendência é uma das características mais nítidas no ser humano. É um movimento e todo movimento tem uma direção, tende para uma meta. Qual o seu alvo, ao projetar-se para além da situação presente?

O sentido do homem

Praticamente todos os filósofos e teólogos do passado e de hoje cuidaram desse problema e chegaram a três conclusões básicas:

• Interpretação egocêntrica

• Interpretação filantrópica

• Interpretação teocêntrica

Qual interpretação possui maior credibilidade?

Interpretação egocêntrica

A autotranscendência tem como objetivo primário o aperfeiçoamento do sujeito que se autotranscende. Já apresentada pela filosofia grega e renascentista, foi retomada pela filosofia moderna e contemporânea, sobretudo pela corrente existencialista, a partir de F. Nietzsche.

Na obra Assim falou Zaratrusta e em todos os seus escritos, o F. Nietzsche sustenta que a vida em geral é um esforço constante de superação a si mesmo.

E a própria vida, anuncia Zaratustra, confiou-me este segredo: Veja, disse, eu sou a continua, necessária superação de mim mesmo.

(...)

A vida quer subir, e subindo quer superar a si mesma. (NIETZSCHE, 1998, pgs. 92,106).

A meta é sempre o homem, mais exatamente o super-homem. O homem deve ser superado. Para realizar-se plenamente, o homem precisa romper todos os grilhões da metafísica, da moral e da religião. Deve eliminar qualquer ideia de Deus. Deus está morto.

Nietzsche, Sartre e Heidegger concordam que na vida presente o homem encontra-se numa situação precária, alienada, decaída. Existe no homem uma intenção de libertar-se da ignorância, do erro, do medo e das paixões. Mas este esforço de autotranscendência não quer ser uma imersão em algum outro ser diferente de si.

Crítica à interpretação egocêntrica

Essa interpretação afirma a realidade da autotranscendência em nível pessoal, o que é positivo. Mas ainda permanece insolúvel o problema do como levar a cabo o processo de autotranscendência. Os filósofos acima citados confiam tal iniciativa a forças humanas, porém a experiência humana ensina que nossos esforços são sistematicamente frustrados, não alcançam nunca o saber, nem o ter, nem o poder. A autotranscendência se torna então um esforço vão e insensato?

Interpretação Filantrópica

O objetivo da interpretação filantrópica é o aperfeiçoamento da comunidade humana, isto é, da humanidade. A partir de Marx e Comte, numerosos autores viram na autotranscendência um movimento de superação dos limites do individualismo e do egoísmo e uma tentativa de criar uma nova humanidade, liberta das misérias individuais e das desigualdades sociais, em condições de alcançar a felicidade perfeita.

Marcuse (1965 apud MONDIN, 1977, p.79) escreve o seguinte:

O ser do homem é sempre mais do que seu ser atual, supera qualquer situação e encontra-se, portanto, em discrepância inarredável com esta: discrepância que exige um constante esforço de superação, ainda que o homem não chegue nunca a repousar na posse de si mesmo e do mundo.

Para este autor, a transcendência do homem tem caráter puramente histórico e temporal (não metafísico e sobrenatural): é um projetar-se da sociedade para um futuro melhor que o presente.

Crítica à interpretação filantrópica

Há uma dimensão positiva na interpretação filantrópica: reconhece na superação de si mesmo uma dimensão social. Mas reconhecer o componente social não significa que não comporte também um elemento pessoal. Não se pode simplesmente ignorar tudo quanto se afirma sobre a concepção egocêntrica, como fazem todos os marxistas. Portanto, a solução que Marx e seus discípulos oferecem não pode ser aceita.

Atribuir ao movimento de autotranscendência metas fascinantes e espetaculares que somente poderão ser atingidas pela humanidade num futuro remoto, como fazem Marx, Comte, Bloch, Marcuse e tantos outros, significa deixar completamente desalentadas e desenganadas as esperanças reais do homem de hoje, que além do nível social e coletivo, espera também no nível individual e pessoal que elas venham a se realizar para cada um deles.

O significado da existência não pode estar simplesmente no próximo (sociedade). Todos os fenômenos desse mundo estão destinados a decair com o tempo, não podendo conferir um sentido permanente às coisas. Para encontrar um significado é necessário pressupor uma instância permanente.

Interpretação Teocêntrica

Seu objetivo último é Deus: quem autotranscende separa-se de si mesmo para alcançar a Deus. O homem sai constantemente de si mesmo e ultrapassa os limites da própria realidade porque é impelido por uma vontade superior, Deus. Este, graças à sua generosidade, bondade, perfeição, onipresença, polariza em si todas as criaturas, especialmente o homem.

Entre os mais insignes representantes desta linha de interpretação figuram os nomes de Platão, Aristóteles, Plotino, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Spinosa, Kant, dos filósofos do passado; Scheler, Karl Rahner, Teilhard de Chardin, De Finance, Barbotin, Pannemberg, Lonergan, entre os estudiosos de hoje.

Para K. Rahner (1966 apud B. MONDIN, 1977), o homem é um ser essencialmente aberto. Esta infinita abertura consiste essencialmente na autotranscendência que impele o homem sempre para frente. Mas não se trata de uma abertura para o vazio, nem tampouco para um futuro que jamais se tornará realidade, mas uma abertura que desfecha no Absoluto (Deus). Este Absoluto vai ao seu encontro como único capaz de abrangê-la e consolidá-la. O Supra-essencial, aquilo que a transcende, é o que lhe confere estabilidade, significado, futuro e movimento último. A essência da criatura espiritual não é por isso diminuída, mas atinge seu valor final, sua consistência última, e progride.

A característica fundamental do homem é a autotranscendência, que ele qualifica como abertura ilimitada para o mundo. A interrogação sobre Deus encontra-se, portanto, dentro do horizonte do homem. A subjetividade transcendental do homem fica mutilada ou suprimida se não se estende para o inteligível, o incondicionado, o bem do valor.

Para Mondin (1977), a interrogação sobre Deus encontra-se dentro do horizonte do homem. Existe no seu horizonte uma região para o divino, um santuário para uma santidade última. O ateu pode declará-lo vazio. O agnóstico pode dizer que esta busca não chegará a lugar nenhum. Mas todas estas negações pressupõem a centelha em nossa argila, nossa orientação inata para o divino.

A interpretação teológica da autotranscendência é interessante e fascinante. Parece capaz de oferecer uma resposta conclusiva à busca de sentido, implica na tendência do homem autotranscender-se continuamente, enquanto o reconduz àquele que é o fundamento de todos os sentidos e valores, Deus. Mas muitos filósofos acreditam que Deus é um ser indemonstrável, que é uma invenção da mente humana. E aí?

Karl Rahner afirma que a interpretação do movimento de autotranscendência não pressupõe nenhuma demonstração da existência de Deus, mas, ao contrário, mostra que é precisamente este movimento que fornece um documento claro em favor da realidade de Deus.

Sendo a autotranscendência um movimento, exige um sentido, uma meta. Como vimos anteriormente, nem o indivíduo nem a humanidade podem fornecer o sentido exigido. Resta-nos, portanto, reconhecer que o sentido da autotranscendência situa-se fora do homem. Este sentido é o próprio Deus.

Não sai o homem dos limites do próprio ser para mergulhar no nada, mas sai de si mesmo para abrigar-se em Deus, que é o único ser capaz de levar o homem à perfeita e perene realização de si mesmo. Por isso, muitos filósofos erram ao contrapor a transcendência horizontal à transcendência vertical. Existem fundados motivos para sustentar que a transcendência horizontal somente adquire sentido e realidade através da transcendência vertical.

Segundo Mondin (1977), a revelação bíblica ensina-nos que Deus, não obstante nossas quedas, culpas, friezas e hostilidades, quis igualmente dar satisfação às nossas aspirações de nos tornar como Ele, inserindo-nos em sua própria divindade, tanto na vida presente (terrena) como na vida futura (eterna).

Para o cristão, o sentido verdadeiro e conclusivo do homem é o próprio Deus; esta certeza, porém, não está em contraste e sim em perfeita sintonia com as perspectivas da razão humana; encontra confirmação no estudo do sentido profundo que encerra em si mesmo a própria experiência onipresente da autotranscendência.

Assim, o sentido maior para a vida humana não pode ser conseguido pela filosofia humana, por especulações do raciocínio, mas somente por meio da Revelação divina. Através desta é possível conhecer o plano divino por trás de todas as coisas, do universo, do mundo e do homem; há um propósito maior.

Deus, um ser livre, quis criar o mundo e o homem. Quis que o homem fosse criado à sua imagem e semelhança, conferindo um status superior, acima de todas as outras coisas criadas. Deus o fez livre, semelhante a Si, conferindo a liberdade. Sem a Revelação, sem Deus, é impossível saber qual o sentido da existência humana. Se alguém arriscar dizer que não há sentido para a existência humana, tal raciocínio é nulo, pois a mente racional exige um sentido para todas as coisas.

Evolução do Homem

O capelão das Faculdades INTA e professor do Curso de Teologia, Gerson Pires, apresenta uma aula dinâmica e envolvente acerca do conceito de “Homem”, sua criação e desenvolvimento. Tendo como pano de fundo as escrituras sagradas, os planos de Deus para o homem são analisados sob a óptica da trajetória deste homem no percurso de sua existência.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Evolução do Homem

O capelão das Faculdades INTA e professor do Curso de Teologia, Gerson Pires, apresenta uma aula dinâmica e envolvente acerca do conceito de “Homem”, sua criação e desenvolvimento. Tendo como pano de fundo as escrituras sagradas, os planos de Deus para o homem são analisados sob a óptica da trajetória deste homem no percurso de sua existência.

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Evolução do Homem

O capelão das Faculdades INTA e professor do Curso de Teologia, Gerson Pires, apresenta uma aula dinâmica e envolvente acerca do conceito de “Homem”, sua criação e desenvolvimento. Tendo como pano de fundo as escrituras sagradas, os planos de Deus para o homem são analisados sob a óptica da trajetória deste homem no percurso de sua existência.

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O Sentido Metafísico Do Homem

O professor Me. em Teologia Bíblica Arnaldo Sá nesta videoaula questiona sobre uma antiga indagação da humanidade: “Existe sentido na vida”? Se há um significado último, uma finalidade para a presença do homem no Cosmos, qual será esse propósito? Afinal, que é o homem? Analisa as respostas da Filosofia e da Teologia e apresenta três diferentes interpretações como possíveis soluções ao problema. A interpretação egocêntrica, defendida por Nietzsche e seus seguidores; a interpretação filantrópica, sugerida por August Comte; e, a terceira, a interpretação teocêntrica, que aponta um caminho direcionado à Divindade.

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Temas Especiais em Antropologia Teológica

Neste vídeo o Professor Me. em Teologia Bíblica Arnaldo Sá apresenta os temas mais importantes da disciplina. Inicia-se uma breve discussão sobre as origens, passando-se à visão teológica da criação do homem e da mulher como seres especiais feitos à imagem e semelhança de Deus. Na sequência, apresenta-se a queda do homem que, amparado pela graça divina, pôde ser consolado com a esperança do perdão. São tratados ainda os temas: a natureza do homem, seu estado na morte e ser destino eterno.

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Temas da Antropologia Teológica

CONHECIMENTO

Aprofundar o conhecimento sobre os temas fundamentais da antropologia teológica.

HABILIDADE

Identificar e compreender as principais questões controversas discutidas nos diversos temas fundamentais da antropologia teológica, articulando com a experiência prática.

ATITUDE

Articular o conhecimento teológico com práticas mais conscientes e valorativas do homem em seus contextos sócio-cultural e religioso.

Temas especiais em Antropologia Teológica

A doutrina da imago dei, ou seja, da semelhança do homem com Deus, é o tema fundamental da Antropologia cristã e lhe abrange todos os aspectos, de modo que se poderia, a partir dessa Ciência, desenvolver uma doutrina completa do homem. Esse assunto foi tratado por quase todos os teólogos e muitos escolásticos até Tomás de Aquino.

Abordar-se-á o tema à luz da Antiguidade e da Idade Média, no período em que os pensadores cristãos, ao interpretar a mensagem cristã à luz da filosofia platônica, desenvolveram uma hermenêutica antropológica.

A doutrina da imago dei no Antigo Testamento

A doutrina do homem considerado imagem de Deus é o núcleo central da antropologia do Velho Testamento. É encontrada nos primeiros capítulos do Gênesis. O texto fundamental é Gênesis 1:26-27: “E Deus disse: façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança... Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus”.

As melhores interpretações dadas pelos teólogos acerca desse versículo são:

a) A posição privilegiada que cabe ao homem como ponto alto e conclusivo da criação;

b) A função de representar o Criador no mundo.

O homem foi criado imagem e semelhança de Deus; isso é algo dito acerca unicamente do homem, ou seja, todos os demais seres, embora criaturas de Deus, não foram feitos imagem do Criador. Somente o homem possui essa particularidade. Ser imagem e semelhança de Deus o coloca acima das outras coisas e no topo da criação, numa posição superior aos animais. Os teólogos discutiram em que consistia essa imagem e essa semelhança.

Basicamente, o que se conclui é que o homem possui características próprias da divindade como: inteligência racional, personalidade, liberdade e governo. Estes aspectos foram compartilhados pelo Criador apenas com o homem. Os animais possuem vida, movimento, alguma forma de inteligência, mas agem por instintos e não por razão. Eles não sabem de si, apenas o homem sabe de si, ou seja, possui autoconsciência e por meio da razão exerce domínio sobre a natureza, manipulando-a e adaptando-a às suas necessidades. Deve fazê-lo com respeito e responsabilidade, pois não é o proprietário definitivo da natureza, apenas um administrador.

Como bom governante, deve ter sabedoria para usufruir e ao mesmo tempo preservar a natureza a fim de que os recursos naturais não venham a ser exauridos, prejudicando as gerações futuras. Todo administrador sabe que prestará contas da sua administração.

Segundo a Revelação, Deus criou o homem distinto dos animais, criou-os à sua semelhança. Talvez pareça antiquado crer nisso no mundo moderno. Mas somente é assim porque as mídias televisiva e escrita manipularam a opinião popular com as ideias da teoria da evolução, agindo com parcialidade sem apresentar outras posições, como o “criacionismo” e a teoria do “design inteligente” que, além de apresentarem fortes argumentos a favor de uma inteligência superior criadora, apontam as fraquezas e contradições da teoria evolucionista. Mostra-se para o público em geral que a teoria da evolução é uma verdade incontestável, algo que está muito longe da verdade. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos da América revelou que 40% dos cientistas americanos acreditam que o mundo veio à existência instantaneamente, como descrito na Bíblia, e não por meio de uma evolução de bilhões de anos.

O conceito da imago dei é importantíssimo, pois enobrece a existência humana e contribui para uma maior valorização do homem. A vida como um todo, e especialmente a vida humana, deve ser respeitada. Se todos são imagem de Deus, todos merecem ser valorizados e tratados com dignidade.

Outro aspecto que podemos abstrair de tal conceito é que o homem foi criado originalmente à imagem do Criador. Assim, na origem, essa imagem foi refletida com perfeição, visto que fora criado perfeito. Após a queda (pecado original), a natureza humana foi corrompida, tornando-se pecaminosa e má. Podemos deduzir que o pecado corrompeu aquelas faculdades que refletiam a imagem do Criador, embora não as tenha eliminado por completo. Por essa razão, o homem, que fora criado perfeito, hoje pode atingir elevado índice de dessemelhança e corruptibilidade. Quanto mais se aliena do Criador, mais corrompido e dessemelhante se torna. É o caso daqueles capazes de praticar os crimes hediondos.

O pecado original

É inegável, nesse planeta, a presença da dor, do sofrimento, das maldades e da morte. A própria vida, tão revestida de brilho e beleza, extingue-se dando lugar às enfermidades e sombras.

Vemos, por um lado, pessoas capazes de atos gentis, amáveis, altruístas, e, por outro, pessoas cruéis, capazes de cometer crimes inacreditáveis ao ser humano.

Como explicar que toda a humanidade está envolvida em dor e sofrimento? Como explicar este contraste? Por que a natureza humana abriga sentimentos e princípios tão antagônicos? Como explicar o fato de existir, em um mundo tão belo, um planeta tão rico em vida, e, paralelamente, haver desgraças, infortúnios, fome e miséria?

Os teólogos, ao estudarem a Revelação, encontram uma resposta, em mais de uma perspectiva. A explicação dada pela Revelação é que o mundo está todo envolto em “pecado”. O pecado representou a queda de uma posição espiritual, física e moral elevada para uma condição decaída e inferior. Este tema é estudado na teologia como pecado original. E é abordado e interpretado nas seguintes perspectivas:

Interpretação jurídica

Deus criou o homem à sua imagem. Deus é um ser pessoal e moral. Ser moral significa ter capacidade de fazer diferença entre o bem e o mal, capacidade de escolher e decidir, de conhecer e seguir certos princípios, normas e leis, bem como de desobedecer a tais princípios. Deus é um ser moralmente perfeito e bom, pois suas escolhas sempre são boas e corretas. Ele criou o homem com a mesma qualidade, deu-lhe ordens, porém o homem as desobedeceu, vindo a tornar-se culpado diante da lei que requer punição ao desobediente, recebendo a justa condenação.

A teologia hebraica-cristã ensina que Deus criou o homem perfeito. No princípio o homem não possuía nenhuma propensão para o mal. Foi o mau uso do livre-arbítrio que o fez violar ou desobedecer as leis divinas. O primeiro ato de desobediência é chamado de pecado original. Ao pecar, o homem se tornou culpado diante de Deus, merecedor de uma justa condenação.

A doutrina do pecado original somente é possível dentro de uma concepção “de liberdade humana”. Deus criou o homem como ser livre, havia escolha. O homem não estava controlado (obrigado) por nenhuma lei exterior. A única motivação para obedecer devia ser o amor ao seu Criador. O homem, originalmente, tinha uma vida de santidade, ou seja, estava apartado do mal. O pecado acarretou consequências terríveis. São Paulo claramente explica: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5.12).

Pecado, nessa perspectiva, é visto como “transgressão da lei”. Os padres, sobretudo Tertuliano e Agostinho, afirmam tal doutrina. Todos os homens estão coenvoltos num pacto especial que Deus estipulara com Adão, na sua autoridade de chefe moral do gênero humano: o pacto fazia depender a conservação e a perda dos dons sobrenaturais diretamente do comportamento de Adão.

Portanto, se Adão não tivesse pecado, teria transmitido a seus descendentes, além da existência física, também uma elevada condição moral e espiritual. Ao ser dotado de razão e liberdade, o homem também se tornou responsável por suas ações; essa responsabilidade envolvia não apenas o cuidar de si propriamente, mas dos seus descendentes que herdariam as suas características. O homem foi criado como uma “unidade corporativa”. O que afetou o primeiro homem afetou a todos, pois todos estavam, de alguma forma, unidos ao primeiro, pela natureza comum herdada.

Assim, todos os seres humanos, ao nascerem, são culpados em virtude da consequência universal do pecado de Adão. Já nascem condenados, antes mesmo de praticarem qualquer pecado voluntário, por isso todos morrem. A morte é a condenação que sobrevém ao pecador pelo julgamento divino contra o pecado. Esta interpretação do pecado original é chamada de teoria jurídica.

Interpretação histórico-ontológica

Nessa interpretação do pecado original, admite-se uma unidade fundamental de todos os homens em Adão: uma certa presença física, ontológica de toda natureza humana em Adão, ou seja, uma certa “união real de todos os homens” na sua primeira origem. Segundo Mersch (1954) apud Mondin (1977), a universalidade da ação de Cristo pressupõe a universalidade do pecado, a redenção é universal; houve, portanto, uma queda universal.

A humanidade foi criada em uma singular unidade. Com seu pecado, Adão não perdeu apenas a sua união com Deus, mas também prejudicou gravemente a unidade da natureza humana. Depois do pecado de Adão, Deus ainda mantém sua oferta de salvação por meio da graça salvadora manifestada em Seu Filho Jesus Cristo. Recusar esta oferta constitui a essência do pecado original.

Teoria existencial do pecado original

Para o teólogo R. Bultmann (1968, p. 220 apud MONDIN, 1977, p. 213), “Qualquer interpretação da Palavra de Deus implica uma pré-compreensão da realidade da parte do homem.” Deus, como criador, estimula o homem a depositar Nele sua confiança, a entregar-lhe a própria vida. Solicita a não fazer depender a própria existência e a felicidade das coisas deste mundo, mas do cumprimento da vontade divina.

Mas o homem, não suportando viver na insegurança diante de Deus, procura a segurança da própria existência e se empenha em obtê-la, quer vivendo simplesmente no mundo disponível, na preocupação ou no prazer dos sentidos, quer procurando intencionalmente sua glória diante de Deus com a observância formal da lei.

A essência do pecado original está justamente nisso: em procurar obter, mais do mundo do que de Deus, a segurança da própria existência. Pecado significa querer viver de si mesmo, com as próprias forças, e não numa radical doação a Deus, àquilo que Deus exige.

De acordo com Bultmann (1953, p.223 apud MONDIN , 1977, p. 214): “O verdadeiro pecado consiste na atitude fundamental do homem, na vontade de obter a própria justiça e de gloriar-se diante de Deus.” Qual o elemento sedutor do mundo? Diversamente de Deus, ser disponível. Mas por que o homem incorre na tentação? Por que tem medo da insegurança da sua existência quando procura sua vida em Deus?

Deus, de fato, não está nunca “disponível” ao homem, e sim diante dele. Deus é somente uma possibilidade enquanto o homem se mantém aberto ao encontro indisponível com Ele. Concordantemente, afirma Schmithals (1972, p. 83 apud MONDIN, 1977, p. 215): “De tal insegurança, que se apresenta no seu aspecto de terror e ameaça, o homem escapa refugiando-se no mundo das coisas disponíveis.”

Mas o homem que se abandona no mundo torna-se escravo deste. O pecado é uma fraqueza da sua natureza. O homem nasce num mundo corrompido, cheio de falsas aspirações; ao atingir a maturidade da razão, assume a culpa concreta. Torna-se corresponsável.

O teólogo K. Barth (1948, p. 44 apud MONDIN, 1977, p. 217) “considera o pecado uma desintegração da própria natureza humana”. Vemos aqui um retorno à ortodoxia protestante. Somente por obra da Revelação o homem adquire consciência de sua condição de pecador.

Como seria verdadeiramente possível perceber o pecado e reconhecer-nos pecadores se Deus mesmo não tivesse dito ao homem que ele pecou?

A natureza do pecado segundo K. Barth

Nessa incapacidade do homem tomar conhecimento da própria culpa, Barth vê o aspecto mais grave do pecado. Sendo o pecado apresentado apenas pela Revelação, sendo Jesus a maior revelação de Deus, somente Jesus Cristo revelaria ao homem em que consiste a natureza do pecado.

Jesus Cristo manifestou absoluta confiança, obediência e submissão ao Pai. Assim o pecado do homem consiste em orgulho, desobediência e na incredulidade. Jesus se fez servo; nós queremos a emancipação, poder e domínio. Jesus se submeteu ao julgamento divino; nós queremos ser juízes. Jesus, inocente, se fez culpado por causa dos pecados da humanidade; nós, na condição de julgados, queremos assumir a condição de juízes.

Jesus submeteu-se às leis de Deus (elas definem o bem e o mal), nós mesmos queremos estabelecer o critério de bem e mal. Queremos julgar a nós mesmos, enquanto somente Deus é juiz. E apenas sua vontade é norma do bem e do mal. À luz da Palavra de Deus, o pecado arruinou a essência do homem, fazendo-o permanecer sob a ameaça do nada. O pecado é um evento pessoal; a responsabilidade somente pode ser atribuída a quem o comete. Não podemos dizer que herdamos o pecado de Adão. Não é transmitido hereditariamente, mas provém do sujeito.

Na visão de K. Barth, o pecado de Adão tem sobre os pecados dos outros apenas uma prioridade cronológica, mas nenhuma prioridade ontológica. Ele aceita o dado da universalidade do pecado. Mas acredita que a Revelação apenas diz que todos os homens são pecadores, não afirmando que isso tenha acontecido por culpa de Adão. Todos são pecadores porque se comportam como Adão.

Participação na vida divina

Um conceito bem familiar à teologia cristã é aquele chamado “graça de Deus.” A Revelação mostra que Deus sempre quis estabelecer um relacionamento de intimidade especial com o homem, chamando-o a um gênero de vida superior. Este relacionamento singular incide profundamente no sentido da existência humana e no próprio ser do homem que assume um caráter divino.

Embora o homem tenha recusado esta amizade, a bondade e a misericórdia de Deus são tão grandes que Ele quer tornar a oferecer aos homens a sua amizade. E o fez enviando-nos seu próprio Filho. Aos que reconhecerem em Jesus Cristo o Filho de Deus e o amarem incondicionalmente, Ele os faz participarem de sua vida divina. Desta forma, a participação na vida eterna decorre prioritariamente de um dom maravilhoso concedido gratuitamente ao homem, que para usufruí-la precisa responder positivamente a esta graça.

Nesse aspecto, os esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam, não possuem em si mérito algum. Os méritos são do próprio Filho de Deus que se entregou em sacrifício pela humanidade, conquistando o direito legal de salvar a tantos quantos aceitem sua mediação. O papel das boas obras, nesse contexto, é mais efeito do que causa de salvação, ou seja, aqueles que foram alcançados pela graça divina produzirão boas obras. O apóstolo Paulo ensinava aos Efésios que pela graça somos salvos, o que é um dom de Deus e não nosso, já que somos criação Dele para as boas obras.

A natureza do homem segundo o texto bíblico

A Antropologia do Novo Testamento que se inspira no Antigo Testamento ensina que o homem é mortal. O homem foi criado, segundo Gênesis 2:7, da combinação do pó da terra e do fôlego de vida. Dessa união harmônica, o criador fez a alma vivente, ou seja, o ser vivente, o homem. Se a natureza humana existe de forma integrada, ao desfazer suas partes com a morte, desaparece o que chamamos “natureza humana”.

Segundo essa perspectiva bíblica antropológica, o homem não existe como um ser dicotômico (dividido) em corpo e alma. A visão bíblica vê o homem como um ser integrado em suas partes. A Revelação informa que o homem foi criado para viver eternamente. Mas sua imortalidade era condicional a uma vida em harmonia com os preceitos de Deus. Tais preceitos morais estão espalhados por toda a Bíblia. Parte deles foi sintetizada em dez mandamentos (cf. Êxodo 20) e estes ainda foram resumidos em dois grandes mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo.

Como visto no tópico anterior, o homem veio a transgredir e a consequência da queda foi a morte. Esta é uma espécie de desestruturação daquelas partes que antes foram perfeitamente ordenadas pelo Criador e postas em plena harmonia e funcionamento. Essa desestruturação implica na separação da matéria e da energia vital soprada pelo Criador, resultando na morte do homem. Com a separação das partes, o todo perde a sua forma e deixa de existir. A matéria, ou o cadáver, não é mais homem. O que chamávamos de homem não mais existe.

Outra perspectiva sobre o tema, não compartilhada pelo autor deste material, ensina que o homem é um ser dicotômico, ou seja, está constituído de corpo e de uma alma imortal, uma vez que a alma é responsável pelo aspecto racional do homem. Sendo esta não material, mas espiritual, não está sujeita à morte, pois é tida como indestrutível. Esta perspectiva é muito popular e é a que mais se divulgou no meio religioso, como o catolicismo, protestantismo e espiritismo, dentre muitas outras religiões mundiais.

O destino do homem

O destino do homem é um tema que interessa à Antropologia Teológica, afinal, está intimamente relacionado com o sentido da vida humana. Sobre este assunto a Revelação oferece um ensinamento claro e preciso.

A Bíblia não ensina a crença em uma vida na morte, nem em espíritos desencarnados, ou que almas boas vão para o céu e as más vão para o inferno após a morte. Essas doutrinas foram desenvolvidas posteriormente pelo cristianismo, já no período patrístico, e desenvolvidas depois, por toda a Idade Média, em função de infiltrações da filosofia, como o neoplatonismo, cujas crenças acerca da imortalidade da alma derivaram do orfismo e pitagorismo, mas não faziam parte das crenças do cristianismo primitivo (entenda primitivo como primeiro). Os profetas e apóstolos nada ensinaram sobre este assunto.

Num estágio mais avançado da Revelação, profetas como Isaías e Daniel falaram acerca da ressurreição física dos mortos (Daniel 12:2-3). Durante muito tempo, a esperança do povo de Deus (Israel) consistiu em viver na sua própria terra, Canaã, colhendo e usufruindo seus frutos, tendo uma vida próspera e longa, na prática da justiça (Isaías 65:17-25). Não se vê nenhum ensinamento sobre almas num paraíso celestial.

Posteriormente, com o aparecimento de Jesus de Nazaré e seus apóstolos, foi elaborado o texto do Novo Testamento que reflete os ensinamentos do Antigo Testamento. Estes ensinaram, em harmonia com os profetas, que haveria um juízo final, onde os mortos ressuscitariam para serem julgados e receberiam sua recompensa segundo suas obras no último dia. Não ensinaram que almas separadas do corpo seriam recompensadas na morte. Acreditavam que os corpos ressuscitariam no último dia, ou seja, no dia do juízo final. Marta, irmã de Lázaro, sabia que seu irmão retornaria no último dia, conforme vemos em João 11:24: “Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.”

Assim, os primeiros cristãos não acreditavam que receberiam o céu ou o inferno por ocasião da morte. Tampouco acreditavam num estado intermediário onde almas aguardariam pacientemente, ou em tormentos, o dia do juízo final.

A vitória sobre a morte

Ao pensar acerca do destino do homem, necessariamente pensa-se na morte. A ameaça da morte é uma constante na vida de todos os seres humanos que vivem neste planeta. Ninguém escapa da ameaça do “não-ser”. Um dia todos morrerão. Fica então a pergunta carregada de expectativa: haverá alguma coisa depois da morte? Como saber com certeza? Se há algo, o que devemos esperar? Uma vida melhor ou pior que a atual?

Estamos num campo onde as ciências não podem nos ajudar, este é o terreno da religião. A própria filosofia nos decepciona, pois também não consegue responder a estas questões com segurança, ainda porque a metafísica está fora de moda na filosofia moderna. Mas onde a ciência e a filosofia falham miseravelmente, a palavra de Deus nos socorre e anuncia uma verdade altamente consoladora. A morte é uma cessação da vida, mas não tem a última palavra; Deus tem.

O cristianismo é uma religião cujas esperanças se prolongam para além da morte. Uma das suas crenças centrais é que Jesus Cristo superou a morte quando ressuscitou ao terceiro dia. Os ensinos de Jesus tinham como pano de fundo a premissa de que a vida eterna é uma possibilidade real, transcendendo os confins do tempo e do espaço.

Os apóstolos e os demais seguidores de Jesus sabiam que Ele era o caminho para a vida eterna. Jesus certa vez disse que Ele era “o caminho, a verdade e a vida”. Durante seu ministério, testemunhas viram Jesus trazer à vida alguns mortos; estes relatos históricos estão registrados nos evangelhos. Os seguidores de Jesus tinham esperança de superarem a morte e receberem a vida eterna por meio Dele. Os cristãos sabiam qual era o destino final do homem, a vida eterna, bem-aventurada, desfrutada no santo gozo da contemplação infinita do belo e perfeito Deus, em comunhão com todos os justos.

Mas isso não retira o aspecto tremendo e terrível da morte. Como qualquer outro, o cristão ainda chora a perda dos seus entes queridos. O próprio Jesus chorou quando seu amigo Lázaro morreu. Jesus “começou a apavorar-se e a angustiar-se” (Marcos 14:34) quando começou a se aproximar da morte. “A minha alma está triste até a morte”. Mas Jesus não teme a morte como um covarde. Não tem medo dos homens maus, nem das dores que suportaria. Mas tem medo da morte em si, pois é o grande poder do mal. A morte nada tem de divino, é algo horrível. Jesus ora ao Pai com toda angústia de um humano diante da morte, a grande inimiga.

Jesus morreu, mas não foi derrotado definitivamente pela morte. Ele triunfaria sobre tudo e sobre todos, inclusive sobre a morte. Já antes, havia anunciado que após três dias iria ressuscitar dos mortos. De fato ocorreu, após sua crucificação, ao terceiro dia ele ressuscitou dos mortos e foi visto por mais de quinhentas pessoas durante um período de quarenta dias.

A ressurreição de Jesus não ocorreu como um acontecimento isolado, único e singular. Sua ressurreição foi a principal entre muitas que ainda haveriam de ocorrer. Foi uma antecipação do destino de toda a humanidade. O próprio Jesus disse, em João 5:25-29:

Em verdade, em verdade, vos digo: vem a hora – e é agora – em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem, viverão. Assim como o Pai tem a vida em si mesmo e lhe deu o poder de julgar, porque é filho do homem. Não vos admireis com isto: vem a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação.

Sobre o intervalo de tempo passado entre o dia da morte e o dia da ressurreição, é necessário dizer que esse “tempo” não existe para os mortos. Tempo e espaço existem para os vivos que deles têm consciência. Na morte cessa toda a consciência, portanto não existe “tempo”. Ao tomarem parte da ressurreição, os mortos não terão consciência que estiveram mortos durante anos ou séculos. Em Eclesiastes 9:3-5,10 vemos o seguinte: “Sua memória jaz no esquecimento e para sempre não tem eles parte em coisa alguma que se faz debaixo do sol [na terra]”. Ou seja, os mortos não têm consciência e não há, portanto, possibilidade alguma de manterem contato conosco. Não há uma porta de comunicação entre os vivos e os mortos. Todas as crenças que dizem ser isso possível não têm base na Palavra de Deus.

O significado da morte

O significado que a teologia tradicional atribui à morte é ser um tributo que o homem deve pagar em consequência do pecado original. Com base nisso, em I Coríntios 15:21-22 há o seguinte: “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida”.

A queda espiritual do primeiro homem, Adão, o representante da raça humana, resultou na sua morte e, consequentemente, na morte de todos os seus descendentes. Jesus Cristo, o segundo representante da raça humana, pagou os débitos da humanidade com sua própria morte e garantiu a ressurreição de toda a humanidade. Por meio dele o cristão tem a esperança de uma vida nova, de uma vida eterna. A morte é vista como uma coisa negativa, um inimigo que deve ser vencido.

Esta interpretação dada pelo cristianismo primitivo contrapõe-se àquelas dadas por religiões espiritualistas que ensinam a existência de espíritos de mortos desencarnados. Estas religiões veem a morte como algo natural, tratando-se apenas de uma passagem desta dimensão para outra melhor. Essa crença tem seu aspecto perigoso, pois se a morte é uma simples mudança de plano, pessoas que realmente acreditam nisso, em situação de profunda tristeza e desespero, podem achar conveniente dar cabo de sua própria vida a fim de experimentarem coisas melhores em outra vida.

Esta perspectiva parece poder retirar o valor intrínseco da própria vida, valorizando o que ainda não existe e desvalorizando a vida presente, que foi dada como dom de Deus. Existem registrados vários casos em que seitas místicas cometeram suicídios coletivos baseando-se em tais crenças. Homens-bomba entregam-se ao suicídio por acreditarem em uma vida melhor na pós-morte. No entanto, nem todos que acreditam em tais crenças chegarão a atitudes tão radicais porque o instinto de sobrevivência e o apego à vida quase sempre falam mais alto. Além do mais, bons leitores das Escrituras sabem que o suicídio é um ato contrário à vontade de Deus e por isso evitarão atitudes exageradas ou fanáticas.

A vida eterna: imortalidade da alma ou ressurreição?

Como se deve conceber a vida eterna? Será uma realidade absolutamente nova, conferida ao homem no momento da sua morte, ou trata-se de uma realidade que implica numa continuação com a precedente que ele possuía durante a vida terrena? Esta vida bem-aventurada será desfrutada por uma alma incorpórea ou por um ser corpóreo?

Afirma Mondin (1977, p.382) que:

A posição da teologia católica e do magistério jamais variou nesse ponto. Tem ensinado constantemente que a vida eterna é entendida, antes de tudo, como imortalidade da alma e, secundariamente, como reassunção do corpo no momento da ressurreição final.

Também a teologia protestante pronunciou-se quase sempre a favor da imortalidade da alma. Mas durante os últimos decênios, vem-se tornando sempre mais considerável, entre os autores evangélicos, o número dos que não mais aceitam esta doutrina. Sustentam que a teoria da imortalidade da alma é uma teoria filosófica, abstraída pela igreja antiga do pensamento grego para dar expressão ao ensinamento bíblico sobre o destino último do homem. O fato é que a Bíblia, em parte alguma, afirma a imortalidade da alma, mas promete ao homem a ressurreição de todo o seu ser.

O mais autorizado e influente defensor desta posição é Oscar Cullmann. Em um famoso ensaio intitulado “Imortalidade da alma ou ressurreição dos mortos” sustenta as seguintes teses:

1. A concepção bíblica da morte é fundamentada sobre uma história da salvação (a de Cristo) e não pode, portanto, deixar de diferir totalmente da concepção grega. O filósofo grego Sócrates (que acreditava na imortalidade da alma) esperou a morte como libertação do corpo e das mazelas inerentes a este. Cristo, por outro lado, sente horror a este acontecimento e procura subtrair-se a ele. Rogou ao Pai que passasse o cálice, ou seja, não desejava a morte. Por que esta diferença? Certamente porque ambos tinham compreensões diferentes do que era a morte ou da vida pós-morte.

2. Para os primeiros cristãos, a alma não é imortal em si, mas assim se torna graças unicamente à ressurreição de Jesus Cristo, “o primogênito entre os mortos” e “graças à fé em Cristo”.

3. A antropologia do Novo Testamento não é a mesma do pensamento grego, mas, antes, liga-se à judaica. As divergências principais referem-se à própria concepção da bondade da natureza humana e às relações entre corpo e alma. Enquanto para o pensamento grego a natureza é intrinsecamente boa, para o Novo Testamento “corpo e alma são bons enquanto criados por Deus; ambos são maus na medida em que o poder do pecado toma posse deles. Mas ambos podem e devem ser libertados pela força de vida do Espírito Santo. A libertação aqui não é libertação da alma do corpo; ambos são libertados do poder da morte, que é a carne.

Até aqui percebemos que a questão se há ou não vida após a morte não possui uma única resposta, nem mesmo entre os teólogos cristãos. O homem consciente da morte se pergunta: Ela constitui ou não o fim de todo ser humano? À primeira vista a resposta parece ser sim, pois todas as pessoas que conhecemos possuem uma estrutura físico-psicológica que cessará por ocasião da morte.

Para quem defende que após a morte ainda sobreviverá uma essência, ou a alma, a morte do corpo não representa a morte do ser inteiramente, apenas do seu aspecto físico ou corpóreo. Mas como vimos, esta é uma resposta cuja base está na filosofia grega, embora presente em muitas religiões do mundo.

Para os cristãos primitivos, aqueles que viveram no século I, herdeiros da pregação de Cristo e dos apóstolos, a resposta para a questão se há ou não vida após a morte era um contundente “sim”. Haveria uma vida pós-morte, mas no sentido de que os mortos ressuscitariam no último dia da história humana. Não acreditavam que houvesse “vida na morte”, ou seja, enquanto mortos, não poderiam viver de alguma forma. Morte é interpretada como antítese da vida. Seria um contrassenso afirmar que um morto vive. Se vive, não está morto. O correto era afirmar como Jesus afirmou: “Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (João 11:25). Jesus não disse que seu amigo Lázaro, enquanto morto, estava vivendo em algum lugar. Durante os quatro dias que assim permaneceu, não fez nenhum passeio astral viajando pelo espaço cósmico, pelo paraíso, inferno ou purgatório. Jesus afirmou categoricamente que Lázaro estava, de fato, morto. Mas ele iria ressuscitá-lo, ou seja, iria trazê-lo de volta à vida.

Nessa perspectiva, é incorreto afirmar que haja qualquer alma no céu ou no inferno. Não faria sentido algum condenar uma pessoa a um pesado castigo sem antes haver um justo julgamento. Para os que defendem a existência da alma imortal, aqueles que nessa vida agiram mal e morreram sem salvação estão nesse momento ardendo nas profundezas do inferno, sendo afligidas continuamente sem alívio algum, e tudo isso sem terem ainda passado pelo julgamento final. Essa imagem é grotesca e conspira contra o caráter santo e justo de Deus. É difícil compreender e aceitar como um Deus justo e amoroso poderá lançar em torturas infindáveis aqueles que havia criado como filhos amados.

Somente uma má interpretação das Escrituras poderia levar alguém a ensinar tais doutrinas. Mas é exatamente isso que acontece com muitos que tomam figuras de linguagens como algo literal e assim, ao interpretarem o “fogo eterno” ou o “fogo que não se apaga”, dão uma interpretação errônea, considerando que este fogo seja eterno em sua “duração”, quando sabemos que é eterno nos seus “efeitos”. E isso é algo completamente diferente.

O destino eterno do homem, na teologia cristã, depende da sua decisão e da sua resposta ao plano da salvação. Uma resposta negativa implicará na perda da vida eterna. Uma resposta positiva resultará na aquisição da vida eterna. Para os que acreditam na alma imortal, os que perdem a salvação, sua sorte é terrível, pois não podendo morrer ou ser destruída, a alma terá que sofrer para todo o sempre. Isso é terrivelmente cruel e injusto.

Por outro lado, há o entendimento de que não existe alma imortal, e que é o homem “inteiro” que ressuscitará para ser julgado; caso seja condenado, sofrerá a morte eterna, e sendo mortal, será então destruído, logo, para sempre não viverá. Nessa perspectiva, o sofrimento dos injustos e maus terá um fim. O fogo eterno não é eterno em duração, ou seja, não ficará aceso indefinidamente, mas apenas até cumprir sua finalidade. As consequências do fogo é que são eternas, pois nunca mais os que forem consumidos tornarão a viver novamente.

Sendo a morte o fim da vida, dos projetos, das atividades, das interações e relações, do amor e afeto, e por isso seja algo tão indesejado, nos causa angústia pensar que teremos de enfrentá-la algum dia. Por outro lado, a fé cristã nos proporciona a esperança de uma superação, de uma vitória sobre a morte. Essa fé nos diz que a morte é um fim, mas um fim “provisório” e que a palavra final e definitiva será dada por Deus. A fé cristã foi fundada sobre a promessa de superação da morte como algo definitivo e a perspectiva de uma vida eterna. E como afirma Mondin (1977), “para o cristão, a morte deve constituir o último ato de fé no Deus que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos”.

Explicando melhor com a pesquisa

Caro estudante, propomos que você leia o artigo intitulado: “Pecado: fragmentação do ser humano numa sociedade em mudanças.”, dos autores Lucas Antonio Mazzochini e Geraldo Luíz Borges Hackmann. Essa proposta servirá como material de apoio para que você possa aumentar seus conhecimentos, principalmente sobre como o pecado pode se manifestar e alcançar o homem na atualidade.

O trabalho supracitado discorre sobre a vertente do pecado na atualidade, fazendo menção à pós-modernidade e ao papel do ser humano em meio a uma “aldeia global”, na qual a sociedade do movimento irá trabalhar com o conceito de realidade líquida, onde o indivíduo é posto a todo momento diante das mudanças do mundo.

Além de toda essa discussão, o material traz como um dos focos a questão do livre arbítrio que, de acordo com a Antropologia Teológica, se for exercido através de uma má escolha, poderá culminar no pecado.

Leitura Obrigatória
Antropologia Teológica
PIRES, 2013.

O estudo de Antropologia Teológica propicia ao estudante uma cosmovisão teológica bíblica. Fundamentado no conceito de ser humano na Revelação Divina, tem como hipótese informações abstraídas da própria Revelação, além de outras visões teológicas sobre a essência da natureza humana, promovendo o diálogo entre Teologia e Educação.

Propomos a leitura da obra Antropologia Teológica do professor Gerson Pires, o autor analisa o conceito de ser humano também a partir de outras visões antropológicas (cultural, científica, filosófica) bem como a origem do ser humano, apresentando fatos que demonstram como surgiu e quais os privilégios disponibilizados pela Revelação. Portanto, o objetivo do estudo é atualizar o conceito de ser humano dando oportunidade de ampliar seus conhecimentos acerca das diferentes visões que se tem de homem na sociedade contemporânea.

Pesquisando na Internet

Para aprofundamento dos conteúdos desta disciplina, você, estudante, deverá realizar uma pesquisa na Internet, em site de revistas eletrônicas, artigos, monografias e teses sobre o tema: “Desenvolvimento humano na pós-modernidade”.

Após sua pesquisa, faça um resumo crítico e comente com seus colegas.

Saiba Mais

Para ampliar seus conhecimentos sobre a questão da Imago Dei, leia o artigo intitulado “O DESTINO DO HOMEM NO PLANO DE DEUS”: uma análise da antropologia patrística sobre a “imagem e semelhança”, do autor José Neivaldo de Sousa. Veja o resumo do artigo logo abaixo.

“Há duas tradições bíblicas que narram a criação do homem. A primeira (Gn 1.26-27) apresenta o homem feito à “imagem e semelhança” do Criador; a segunda (Gn 2.7) descreve como o ser humano veio à “vida”. Narrativas diferentes, porém com um único objetivo: apresentar a origem do homem a partir de Deus. O plano de Deus é que o homem viva e seu destino seja de acordo com os desígnios do Criador, eis a razão porque foi criado à sua “imagem e semelhança”.

Pecado é tudo aquilo que se opõe ao plano divino. Ao pecar, o homem perdeu o objetivo para o qual foi criado e a única imagem que ele vê é a sua própria, por isso a imagem de Deus ficou ofuscada e o acesso à comunhão divina obstruído. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, não apagou de vez sua imagem na alma humana e a prova disso é Jesus Cristo, o Filho unigênito, perfeita imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15) enviado para resgatar e recapitular tudo. O tema bíblico da imagem e semelhança é central na Antropologia dos primeiros pensadores cristãos.

Vendo com os olhos de ver

Prezado estudante, indicamos aqui um filme como sugestão para que você possa aprofundar seus conhecimentos acerca do que vem sendo estudado nesta disciplina.

Noé
Noé

O filme chama-se Noé e é dirigido por Darren Aronofsky. Conta a história de Noé (Russell Crowe), que vive com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll) em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador dizendo que deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins). Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila (Emma Watson), que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca para abrigar os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.

Filme Noé
Titulo Original: Noah
Título no Brasil: Noé
Data de Estreia: 04/04/2014
Gênero: Épico
País de origem: EUA
Duração: 138 minutos
Ano de lançamento: 2014

Assista ao filme Noé e faça uma análise crítica destacando aspectos relevantes que tenham relação com algum tema discutido na disciplina, em seguida elabore um resumo e comente com seus colegas.

Revisando

A Antropologia Teológica trata do estudo do homem e sua relação com Deus. Teve sua mudança em duas transições: a do cosmo para Deus, quando o teocentrismo cristão suplantou a visão grega da realidade, e a outra foi no antropocentrismo, de Deus para o homem, o que ocorreu na época moderna em consequência da secularização e do ateísmo. Repentinamente, Deus desaparece de cena e cede lugar ao homem, dando surgimento ao Antropocentrismo.

Durante o estudo da primeira unidade, vimos como tal disciplina se desenvolveu ao longo da história. A Teologia como disciplina acadêmica veio a se consolidar com o pensamento cristão, especialmente com Agostinho. Tal pensamento foi elaborado a partir das reflexões dos chamados “pais da igreja” que conjugaram a filosofia grega (razão) com o pensamento cristão (fé). Vimos como a Teologia procura fazer uma conciliação entre a fé cristã e o pensamento filosófico racional. No período patrístico quem mais êxito obteve foi o filósofo e teólogo Agostinho de Hipona, que fez uma espécie de conciliação entre a fé cristã e o neoplatonismo.

Na segunda unidade estudamos o sentido metafísico do homem, destacando a autotranscendência como o caminho a ser percorrido a fim de entendermos o sentido último da existência humana. Vimos como a interpretação teocêntrica destaca-se em relação às demais elaboradas pela filosofia, caso da interpretação egocêntrica e filantrópica. A interpretação teocêntrica se impõe como a melhor explicação para o movimento interior da autotranscendência no homem. Como todo movimento, há sempre uma direção e tem como alvo o ser absoluto transcendente que é Deus. Assim o homem encontra a sua plena realização ao unir-se à fonte maior, ao Supremo Bem e à realidade absoluta e universal que significa a existência de todas as coisas.

Na terceira unidade trabalhamos vários temas da Antropologia Teológica. Vimos como a Imago Dei fornece um significado maior para o homem criado imagem e semelhança de Deus, impregnando um valor inestimável a cada ser humano. Vimos que o pecado, uma rebelião interna contra as leis divinas, representa uma alienação e um afastamento de Deus, e foi a causa de todos os males que existem no planeta. O pecado é também um estado de natureza com a qual todos os seres humanos nascem, uma propensão natural para o mal. Ele acarretou diversas consequências para o gênero humano, a pior delas foi a morte.

Por meio do pecado o homem se tornou mortal, sujeito à corrupção, sofrimento e morte. Esta é a consequência final e o pagamento para o pecado, cujo salário é a morte. Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus. Ao mesmo tempo em que há uma condenação para o homem, há também uma promessa de salvação e vida eterna. A promessa é: aos que têm fé, será possível vencer até mesmo a morte. É uma fé incondicional no poder do Filho de Deus, que resgatou a humanidade por meio dos seus sofrimentos.

Há uma escatologia (um desfecho final) prevista na Revelação. A raça humana não vagará indefinidamente nesse espaço-tempo nas condições atuais. Portanto, o destino final do homem está implicado no destino de toda a raça humana, e este destino eterno será realizado no final de todas as coisas, quando também haverá a renovação de tudo por ocasião da segunda vinda de Cristo, segundo suas palavras no Evangelho de João 14. 1-3.

Por fim, a Antropologia Teológica mantém seu olhar firme na Revelação, sempre disposta a responder as questões mais cruciais referentes à questão do significado último da existência humana. Responde as perguntas existenciais mais profundas: De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?

Podemos perceber ao longo dos nossos estudos que a questão mais complexa a ser respondida é a que diz respeito à questão “o que é o homem”. Sobre este tema se debruçaram filósofos e teólogos, além de outros acadêmicos. É notória a complexidade do tema visto que várias ciências o estudam e ainda não esgotaram tudo aquilo que poderiam afirmar acerca do assunto.

Em virtude da complexidade que é o homem, no qual estão presentes aspectos como o racional, emocional, político, econômico e cultural, parece que todos estes ainda não conseguem dar conta do que seja o homem. Um ser incompleto, inacabado, sempre em construção, sempre um “vir a ser”. Um ser caracterizado fundamentalmente pela liberdade, que pensa por si mesmo, pelo menos é o que se espera de um homem esclarecido, no dizer do filósofo Immanuel Kant, embora alguns homens permitam que outros pensem por eles. O homem também é um ser religioso, com uma vocação às questões transcendentais. O homem quer sempre ser mais do que é no presente. Embora seja mortal, aspira a imortalidade. Não encontrando resposta para suas inquietações no mundo sensível, busca-o no mundo espiritual. Ele quer encontrar o sentido último para sua vida, para o mundo.

Apesar de confusas, contraditórias, preconceituosas e até supersticiosas, como algumas religiões podem se configurar, as boas religiões parecem oferecer ao homem algo além do que é oferecido pelas ciências. É claro que alguém dirá que a promessa da religião de uma vida eterna é mera ilusão. Mas o homem parece necessitar de ilusões? Ou seria esperança? Não se trata de qualquer ilusão/esperança; algumas são extremamente nocivas, mas uma ilusão que quer se tornar sonho, esperança de um futuro melhor. Se Deus, o grande Criador, foi tão bondoso em nos conferir a vida, e uma vida superior, em virtude da nossa racionalidade, também nos conferiu a capacidade de sonhar, de ter fé e esperança. Se a natureza não faz nada em vão, como dizia Aristóteles, não daria ao homem uma potência ou um atributo para o qual nenhuma utilidade teria. A natureza teria criado coisas inúteis, isso é inconcebível para a razão.

Esperar dias melhores, crer que o futuro nos trará uma forma de vida mais autêntica e feliz que a atual, fundamentada em promessas de ordem espiritual, não significa desprezar a vida atual ou deixar de viver o presente, como afirmam alguns, mas querer ser melhores do que somos.

A Teologia cristã oferece uma perspectiva, um sonho, uma esperança de vida eterna, mas não para por aí. Ela também ensina a valorizar a vida humana, ensina a viver em liberdade não transgredindo ou violando as leis que protegem a vida e o bem-estar físico-espiritual. Ou seja, ensina o homem a ser ético nas suas relações interpessoais, ensina lições profundas de humanidade para com o outro, elabora uma ética baseada no amor ao próximo, um amor altruísta que se praticado ao modo de Jesus de Nazaré, transformaria o mundo.

Ainda que se descartasse o aspecto sobrenatural, presente na religião, restaria muita coisa útil, como a matização de princípios morais tão caros à humanidade. Mais aí já não seria religião, apenas uma filosofia, pois o que caracteriza definitivamente a religião é tratar das questões transcendentais.

Autoavaliação

Com base no conteúdo estudado procure elaborar uma dissertação na qual você possa responder as seguintes perguntas:

Quem sou? Qual o sentido da vida humana? Qual o seu valor? Qual o seu destino?

Escreva em Fonte Arial, tamanho 12, espaço entre linhas 1,5. Duas laudas.

Bibliografia

BRAKEMEIER, Gottfried. O ser humano em busca de identidade: Contribuições para uma Antropologia Teológica. Editora: Sinodal, 2002

BÍBLIA SAGRADA. Editora: Paulus, 2005.

LADARIA, Luis F. Introdução à Antropologia Teológica. São Paulo: Loyola, 5ª. Ed. 2011.

MONDIN, Battista. Antropologia Teológica: História, problemas, perspectivas. São Paulo: Paulinas, 1977.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

PIRES, Gerson. Antropologia Teológica. Sobral: Egus, 2013.

RUBIO, Alfonso Garcia. O Homem Integrado: abordagens de Antropologia Teológica. 5ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

SOUZA, José Neivaldo de. Imagem Humana à Semelhança de Deus. São Paulo: Paulinas, 2010.

JE SAIS; JE CROIS. Que é o homem: ensaio de antropologia cristã. São Paulo: Editora Flamboyant, 1960.

Bibliografias da Web

BÍBLIA SAGRADA. Disponível em https://www.bibliaonline.com.br/ Acesso em: 15/08/2014.

MAZZOCHINI, L. A.; HACKMANN; G. L. B. Pecado: fragmentação do ser humano numa sociedade em mudanças. Disponível no site:

http://revistaseletronicas.pucrs.br/fo/ojs/index.php/teo/article/view/5807/4225. Acesso em: 17/05/14.

SOUZA, José Neivaldo. O Destino do Homem no Plano de Deus: Uma Análise da Antropologia patrística sobre a "imagem e semelhança". Rev. Pistis Prox, Teol. Pastor, Curitiba, v. 1, n. 1, p. 119-145, 2009. Disponível em:

http://www2.pucpr.br/reol/index.php/pistis?dd99=pdf&dd1=2482

Filmes

ARONOFSKY; Darren. Noé. [Filme]. Produção e direção de Darren Aronofsky. Estados Unidos. 2014. 138 min. Color. Son.

Torpeza

Torpezas: Característica do que é torpe, infame, indigno, impudico; BAIXEZA: "...porque traído pela torpeza e as ambições humanas..., Indecência, obscenidade

Corpóreo

Que diz respeito ao corpo; característico ou que pertence ao corpo: gesto corpóreo.

PERÍODO PATRÍSTICO

O termo “patrístico” vem da palavra latina pater, “pai”, e tanto designa o período referente aos pais da igreja quanto às ideias características que se desenvolveram ao longo desse período. O termo é não inclusivo; ainda não havia surgido na literatura algum termo inclusivo que fosse aceitável por todos. Os termos a seguir relacionados são encontrados com frequência e devem ser registrados.

- Período Patrístico – Esse termo representa algo definido de forma vaga que frequentemente é considerado como o período a partir do término dos documentos do Novo Testamento (c. 100) até o decisivo Concílio da Calcedônia (451).

- Patrístico – Normalmente, esse termo significa o ramo do estudo teológico que trata do estudo dos “pais” (patres) da igreja.

- Patrologia – Esse termo já significou literalmente “o estudo dos pais da igreja”, mais ou menos, da mesma forma que “teologia” significava “o estudo de Deus” (theos). Entretanto, em anos recentes, a palavra sofreu uma alteração em seu significado. Agora, ela se refere a manuais de literatura patrística, como aquele do célebre acadêmico alemão Johannes Quasten, que fornece a seus leitores fácil acesso às principais ideias dos escritores patrísticos e a alguns dos problemas de interpretação associados a elas.

O período foi da maior importância para o esclarecimento de uma série de questões. A tarefa fundamental era delimitar a relação existente entre cristianismo e judaísmo. As cartas de Paulo, no Novo Testamento, são uma prova da importância desse ponto no primeiro século da história cristã, à medida que várias questões práticas e doutrinárias passaram a ser consideradas. Os cristãos gentios (isto é, os não judeus) eram obrigados a circuncidar-se? Como o Antigo Testamento deveria ser corretamente interpretado?

Leia mais em: http://jbhistoria.blogspot.com.br/2006/06/o-perodo-patrstico-c-100-451-parte-i.html

Orfismo

Doutrina dos mistérios órficos, oriundos das tradições gregas e do culto a Dioniso Zagreu, a qual preconizava a ascese a fim de acelerar a libertação da alma, através de transmigrações sucessivas.

Epifania

Manifestação do Espírito.