Fisiologia Básica

Fisiologia Básica

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Palavra do Professor-autor

Olá, sejam bem-vindos!

Você sabe o que vai estudar na Fisiologia Humana? Na Fisiologia Humana estuda-se o funcionamento do corpo humano, abordando os processos físicos e químicos.

Para estudar um organismo não basta apenas conhecer os órgãos que o constituem, é importante conhecer todo o processo de funcionamento e as atividades desenvolvidas por cada estrutura.

Nesta disciplina você terá um material de fácil entendimento com ilustrações que ensejam ao conhecimento, e uma visão panorâmica de alguns sistemas do corpo humano. O material é composto por nove unidades: Sistema celular (sanguíneo), Sistema Circulatório, Sistema Cardíaco, Sistema Neurofisiologia, Sistema Endócrino, Sistema Regulador, Sistema Gastrintestinal, Sistema Renal e Sistema Reprodutor.

Para o seu sucesso no aprendizado sugerimos que complemente o seu conhecimento em literaturas modernas, nas quais também nos embasamos.

Bons Estudos!!

A autora!

Professora Janaísa Gomes Oliveira, Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade da Região da Campanha-Bagé – RS (1999) e Mestrado em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande-RS (2005). Especialista em Administração Hospitalar – NAERP-SP (2002), Especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória (2009) Inspirar Cesumar – PR e Doutora em Gerontologia Biomédica – PUC-RS (2013). Tem experiência na área de Fisioterapia, atuando principalmente nas seguintes áreas: saúde comunitária, educação interdisciplinar, geriatria, pneumologia e área ambiental e atividade física. Atualmente como docente do curso de Fisioterapia e atuando junto à pós-graduação no Instituto Superior de Teologia Aplicada –INT – Sobral- CE, como Coordenadora da Iniciação Científica.

Ambientação

Bem vindos a disciplina de Fisiologia Básica

Nosso corpo é uma máquina capaz de realizar os mais diferentes trabalhos, nele estão compreendidos mais de 100 trilhões de células todas trabalhando harmonicamente entre si e os mais variados tipos de órgãos, compondo os 13 sistemas do corpo humano, funcionando para dar um equilíbrio biológico para todo o sistema.

Mas, como as células, órgãos e sistemas interagem ou funcionam para equilibrar fisiologicamente o nosso corpo? E para responder a essa pergunta é que entra em cena a fisiologia humana. Como o próprio nome já nos diz ela vem estudar como o corpo humano funciona, ou seja, a fisiologia dedica-se ao estudo do funcionamento do organismo dos seres humanos.

Nela vamos conhecer cada sistema que compõe o corpo humano e como eles se relacionam proporcionando um ambiente estável para o bom funcionamento da estrutura física. Entendo o sistema circulatório e o seu papel no organismo, compreendendo o sistema celular sanguíneo, bem como os tipos de células sanguíneas: hemácias, leucócitos entre outras, iremos entender como ocorre a pequena e grande circulação e o papel de veias e artérias. Outro ponto bastante importante a ser observado é o sistema endócrino. Como ocorre a produção de hormônio pelo organismo, como por exemplo, a insulina. Qual o seu papel no processo de digestão dos alimentos?

A nossa intenção não é apenas informar-lhes a respeito de determinado assunto, e sim situá-los no mundo em que vocês sejam capazes de interagir através do conhecimento científico e através desse conhecimento quebrar verdades que permeiam o senso comum. Portanto, vamos entrar no maravilhoso mundo do funcionamento do corpo humano e o seu papel relevante para a Educação Física e como ela pode nos ajudar na construção de saberes relacionados a ela.

Bons estudos!

Trocando ideias com os autores

Prezados(as) Estudantes, agora é o momento de trocar ideias com os autores.

Propomos a leitura de algumas obras.

Fisiologia Humana

Fisiologia Humana

Após a leitura das obras, escolha uma e escreva sobre os pontos que mais foram relevantes para você.

Sugerimos que leia a obra Fisiologia Humana, os autores trazem características-chave: organização por sistemas corporais, com ênfase no conhecimento central; exemplos clínicos; quadros de ciência básica; quadros de resumo frequentes; capítulos de fisiologia aplicada; questões de escolha múltipla com respostas explicativas e seções codificadas por cores, para ajudar a navegar pelo texto.

KIDD,CECIL; BLEKELEY, ASA G.H; DEVIES, ANDREW. Fisiologia humana. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Propomos também a leitura da obra Fisiologia Humana do autor Guyton, excelente para estudantes das áreas de ciências biológicas e de saúde. É de grande ajuda como consulta rápida para profissionais. Leitura fácil e rápida, com texto bastante abrangente. Atenção especial para a parte de fisiologia dos esportes que é muito bem elaborada.

GUYTON, Arthur C. Fisiologia Humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

Problematizando

Sabemos que o bom funcionamento do corpo humano depende de várias condicionantes: alimentação, uma boa noite de sono, uma vida social regrada e dentre tantas outras, o exercício físico.

O exercício físico pode nos trazer inúmeros benefícios como: o ganho de massa muscular, um bom nível de flexibilidade e resistência a determinados tipos de doença é sabido também que os ganhos psicossociais também são grandes como: a melhora da autoestima, depressão e ansiedade e também melhora da capacidade de se cuidar.

Dentre tantas doenças, a prática de atividade física ajuda a prevenir e combater doenças como diabetes, osteoporose, hipertensão e infarto. Diante do exposto, como a falta de exercício físico pode aumentar o índice dessas doenças na população gerando um gasto com o dinheiro público para combatê-las? E como a prevenção e o combate a essas doenças pode diminuir o gasto com essas doenças gerando um impacto positivo na economia?

Após a leitura, faça uma reflexão e responda as questões e compartilhe com seus colegas na sala virtual.

Sistema Celular (Sanguíneo)

1

Conhecimentos

  • Conhecer o conceito do sistema celular sanguíneo bem como os tipos de células sanguíneas.
  • Entender e conhecer como é composto o sangue, especificando sua parte sólida e líquida das células específicas e envolvidas no mesmo.

  • Habilidades

  • Após embasamento na literatura o acadêmico desenvolverá capacidade de identificar os tipos celulares sanguíneos e sua aplicabilidade clínica.
  • Atitudes

  • Desenvolver conhecimento técnico científico no âmbito fisiológico, a fim de entender os processos fisiológicos do organismo humano.
  • Unidade 1

    Conceito

    O sangue é um tecido líquido, de cor vermelha que circula pelo organismo humano por meio das artérias e veias. Um adulto tem cerca de 5,5 litros de sangue, cuja função é transportar oxigênio e nutrientes para todos os órgãos, além de captar e eliminar o gás carbônico e detritos resultantes do metabolismo. O sangue desempenha um papel muito importante na homeostase, o estado de equilíbrio do organismo, este também possui, ainda, células especializadas na defesa orgânica contra substâncias estranhas e microrganismos. Sua análise por métodos de laboratório dá importantes pistas para o diagnóstico de muitas patologias.

    O sangue é formado por duas partes distintas, uma líquida e outra sólida, e que são claramente identificadas por meio de um método de laboratório denominado centrifugação. A porção líquida do sangue é o plasma, que possui cor amarelada, translúcido e um pouco viscoso. Nele, estão presentes as substâncias, como sódio, potássio, colesterol e vitaminas em suspensão, que representam 10% de seu volume total, e os outros 90% são constituídos de água. A porção sólida do sangue é vermelha e na maior parte desta, estão as células sanguíneas. A figura 01 (clique e veja) nos mostra essa divisão.

    Células Sanguíneas

    As células sanguíneas são de três tipos: as hemácias, os leucócitos e as plaquetas. Todas estas têm um tempo de vida predeterminado e, por isso, precisam ser substituídas por outras novas num processo contínuo realizado pela medula de alguns ossos, como o fêmur, o esterno e as costelas. A medula óssea tem grande capacidade de produção, em um único dia pode dar origem a cerca de seis bilhões de células sanguíneas.

    O processo de produção de células sanguíneas é denominado hematopoese, que acontece na medula óssea vermelha, também denominada tecido hematopoético.

    A forma habitual de analisar as células sanguíneas é por meio do esfregaço, método de laboratório segundo o qual uma gota de sangue é espalhada na superfície de uma lâmina e observada ao microscópico.

    Hemácias (eritrócitos)

    As hemácias são células em forma de disco, não possuem núcleo, o que as tornam incapazes de se reproduzir. Por esse motivo, o volume das hemácias no sangue é totalmente dependente da produção da medula óssea. As hemácias formam mais ou menos 45% da parte sólida do sangue. Há cerca de cinco milhões delas em cada milímetro cúbico de sangue humano. A figura 02 (clique e veja) nos mostra um exemplo de como é a forma das hemácias.

    Unidade 1

    É chamada de porcentagem de hemácias no sangue de hematócrito, que é um dos parâmetros mais importantes do hemograma, tipo de exame de sangue dos mais realizados. A diminuição das hemácias no sangue, geralmente é identificada por um baixo hematócrito, é sinal de anemia.

    Fig. 02: Forma das hemácias.

    As hemácias possuem hemoglobina ( ou glóbulos vermelhos ou eritrócitos), proteína com pigmento vermelho responsável pelo transporte da maior parte do oxigênio no sangue, cerca de 97% ao todo. É interessante registrar que o gás carbônico, na sua maior parte, é transportado diluído no citoplasma das hemácias ou em solução no plasma.

    Quando as hemácias envelhecem e vão perdendo sua função, são filtradas, destruídas e eliminadas pelo baço, órgão situado na parte superior do abdome, do lado esquerdo, entre o estômago e o diafragma. O baço é também um armazenador de glóbulos vermelhos, além de ser muito rico em glóbulos brancos, o que determina sua participação na defesa do organismo. Quando lesionado, o baço apresenta intenso sangramento.

    Gênese das Células Sanguíneas

    As hemácias iniciam suas vidas na medula óssea, por meio de célula simples, chamada como célula-tronco hematopoética pluripotente, da qual se derivará todas as células do sangue circulante. Como podemos observar na Figura 03 (clique e veja), as divisões sucessivas das células pluripotentes formam as células sanguíneas periféricas. De modo que essas células se multiplicam, há uma pequena parcela que se permanecesse exatamente como as células pluripotentes originais, ficariam retidas na medula óssea como reserva, embora seu número diminua com a idade. Assim, a maioria das células-tronco que se reproduziram diferencia-se formando outras células, como visto na figura X. As células em estágio intermediário são bastante parecidas com as células-tronco pluripotentes, mesmo depois de estarem comprometidas com uma linhagem particular de células, sendo chamadas como células-tronco comprometidas.

    Unidade 1

    O crescimento e a reprodução das diferentes células-tronco são controlados por múltiplas proteínas, denominadas indutores de crescimento. Um destes é a interleucina-3, que promove o crescimento e a reprodução de praticamente todos os diferentes tipos de células-tronco comprometidas, e os outros induzem o crescimento de apenas tipos específicos destas células.

    Os indutores promovem o crescimento das células, mas não sua diferenciação. Essa função é de outro grupo de proteínas chamadas de indutores de diferenciação. Cada um desses indutores determina a diferenciação de um tipo de células-tronco comprometidas, em um ou mais estágios de desenvolvimento em relação com a célula final adulta.

    Estágios da diferenciação das células da linhagem vermelha

    A primeira célula que pode ser dita como pertencente à linhagem vermelha é o proeritroblasto, tidos como ponto de origem na Figura 04. Na presença de estimulação de forma apropriada, uma grande quantidade dessas células são formadas por células-tronco CFU-E.

    Uma vez formado, o proeritrobasto, se dividirá por diversas vezes até que forma-se muitas hemácias maduras. As células da primeira geração são denominadas eritroblastos basófilos, por se corarem com substâncias básicas, é neste estágio que a célula só acumula pequena quantidade de hemoglobina. Nas gerações a frente, como mostra a figura 04, as células tornam-se preenchidas com hemoglobina na concentração de cerca de 34%, o núcleo irá se condensar para um tamanho pequeno e seu resíduo final é absorvido ou excretado pela célula. Ao mesmo tempo, o retículo endoplasmático também será absorvido. A célula então, nesse estágio, é designada reticulócito, por que ainda contém uma pequena quantidade de material basofílico, que consiste em remanescentes do aparelho de Golgi, das mitocôndrias e de algumas outras organelas citoplasmáticas. Durante este estágio de reticulócito, as células saem da medula óssea, entram nos capilares sanguíneos por diapedese, e, que modificam sua conformação para poder passar pelos poros das membranas capilares.

    O material basófilo remanescente no reticulócito desaparece, normalmente, em cerca de um ou dois dias, e a partir disso, a célula passa a ser referida como hemácia madura. Por ter um curto período de vida, os reticulócitos, a sua concentração entre as outras células da linhagem vermelha, em condições normais, é de menos que 1%.

    Fig. 04: Formação das hemácias normais e características dos glóbulos vermelhos em diferentes tipos de anemia.

    Regulação da produção das células da linhagem vermelha do sangue

    A massa total de células sanguíneas da linhagem vermelha no sistema circulatório é regulada dentro de limites estreitos, de modo que haja um número adequado de hemácias sempre disponível para o transporte adequado de  oxigênio  dos  pulmões  para os  tecidos, e  que não

    sejam tão numerosas a ponto de impedir o fluxo sanguíneo. Veja a figura 05, o mecanismo de controle.

    Unidade 1

    A oxigenação tecidual é o regulador mais essencial da produção das hemácias, qualquer condição que cause diminuição da quantidade de oxigênio transportado para os tecidos normalmente, irá aumentar a intensidade desta produção. Por esse motivo, quando uma pessoa fica extremamente anêmica, como consequência de hemorragia ou de outra condição clínica, a medula óssea, de imediato, começa a produzir grande quantidade de hemácias. Além disso, a destruição de muitas porções de medula óssea, por qualquer meio, em especial pela terapia por raios X, irá levar a uma hiperplasia da medula óssea remanescente, e irá caracterizar a tentativa de suprir a demanda por hemácias pelo organismo.

    Fig. 05: Função do mecanismo da eritropoetina para aumentar a produção de células da linhagem vermelha quando a oxigenação está diminuída.

    Outro exemplo é nas grandes altitudes, que a quantidade de oxigênio no ar é rarefeita, e dessa forma o oxigênio é transportado para os tecidos em quantidades relativamente baixas, e com isso há um aumento significativo da produção de hemácias. Nesse caso, não é a concentração das hemácias no sangue que controla a sua produção, mas sim a quantidade de oxigênio transportado para os tecidos em relação a demanda tecidual por oxigênio.

    Há também várias patologias circulatórias que causam a redução do fluxo sanguíneo, e particularmente as que promovem a redução na absorção do oxigênio pelo sangue quando ele passa pela hematose, também podem aumentar a intensidade de produção das hemácias. Como exemplo, isto é aparente na insuficiência cardíaca crônica e em muitas doenças pulmonares, onde ocorrerá hipóxia tecidual, e resultante disso, a produção de hemácias aumentará, e assim também os hematócritos e no geral, o volume total de sangue.

    Maturação das hemácias

    Com a contínua necessidade de reposição das hemácias, as células eritropoéticas da medula estão entre as células que realizam crescimento e reprodução mais rápidos de todo o corpo. Assim, a maturação e intensidade de produção são acentuadas e afetadas pelo estado nutricional do indivíduo.

    Unidade 1

    Há duas vitaminas importantes para a maturação final das células da linhagem vermelha, são elas a vitamina B12 e o ácido fólico. Ambas são essenciais para a síntese de DNA, já que cada uma delas é necessária por modos diferentes para a formação de trifosfato de  timidina, que

    é uma das unidades essenciais na produção do DNA. Já a deficiência em vitamina B12 ou de ácido fólico, resultará na diminuição do DNA, e assim na falha de maturação nuclear e da divisão celular. E, além disso, as células eritroblásticas da medula óssea, não conseguirem proliferar com rapidez e nem produzirem hemácias maiores que as normais, que são referidas como macrócitos, e têm membrana muito frágil, irregular, grande e ovalada, em vez da forma de disco habitual. Estas podem entrar na corrente sanguínea normalmente e carregar oxigênio, porém por serem frágeis, apresentam sobrevida curta. Dessa forma a falta dessas substâncias, provocará uma falha de maturação durante o processo da eritropoese.

    A formação da Hemoglobina

    A síntese de hemoglobina começa nos proeritrobastos e prossegue até mesmo no estágio de reticulócitos. E dessa forma, quando os reticulócitos deixam a medula óssea e entram na corrente sanguínea, continuam formando quantidade diminutas de hemoglobina, até que depois de um dia ou mais, se transformem em hemácias maduras.

    Fig. 06: Esquema de formação da hemoglobina.

    A figura 06, nos mostra etapas químicas básicas da formação da hemoglobina. Primeiramente, a succinil-CoA, vinda do ciclo de Krebs, irá se ligar a glicina para formar a molécula pirrol. Assim, quatro pirróis se combinam para formar a protoporfirina IX, que irá se combinar com o ferro para formar a molécula do heme, e por fim, cada molécula de heme se combina com a longa cadeia polipeptídica denominada de globina, que é sintetizada nos ribossomos, e forma a subunidade da hemoglobina, que é chamada de cadeia de hemoglobina, como mostra a figura 07. Quatro destas cadeias se ligam frouxamente para formar a molécula completa ou matura de hemoglobina.

    Fig. 07: Estrutura básica da molécula de hemoglobina, mostrando uma das quatro cadeias heme que por sua vez, se ligam para formar a molécula de hemologina

    Unidade 1

    Combinação de hemoglobina com oxigênio

    A característica mais importante da molécula de hemoglobina consiste em sua capacidade de combinação, que é frouxa e reversível, com o oxigênio. Essa em relação com a respiração faz jus a função primária da hemoglobina no organismo, que reside em sua capacidade de se combinar com o oxigênio nos pulmões e assim, liberá-lo de imeditado nos capilares teciduais periféricos, e a tensão gasosa do oxigênio é muito mais baixa que nos pulmões.

    O oxigênio não se combina com as duas valências positivas do ferro na molécula de hemoglobina, o que ocorre é que ele se liga frouxamente a uma das ligações de coordenação do átomo de ferro, e suas ligações são extremamente frouxas para que sejam reversíveis com facilidade. O oxigênio também não se transforma em oxigênio iônico, mas é transportado na forma de oxigênio molecular para os tecidos, que devido a sua frouxa ligação prontamente reversível, ele é liberado nos líquidos teciduais e ainda na sua forma molecular.

    Anemias

    Anemia significa a deficiência de hemoglobina no sangue, ela pode ser causada pela redução do número de hemácias ou pela redução do teor celular de hemoglobina. Abaixo será discutido brevemente alguns tipos de anemia e suas causas, fisiologicamente.

    Anemia Megaloblástica: Como discutido anteriormente sobre a vitamina B12 e o ácido fólico, e o fator intrínseco da mucosa gástrica, pode-se compreender esse tipo de anemia facilmente, que a perda de um desses fatores supracitados pode levar a uma produção lentificada dos eritroblastos da medula óssea, e assim as hemácias crescem de  forma anômalas, excessivo, e

    são chamadas de megaloblastos. A atrofia da mucosa gástrica, ou a perda do estômago após uma gastrectomia total, pode levar ao desenvolvimento desse tipo de anemia.

    Por Perda Sanguínea: Depois de uma hemorragia rápida, o corpo irá repor a porção líquida do plasma em um a três dias, mas isso leva à diminuição da concentração de células vermelhas da linhagem sanguínea. Se não houver outra hemorragia, a concentração das hemácias irá se normalizar dentro de três até seis semanas.

    Anemia Aplásica: Há uma aplasia da medula óssea e está relacionada com a falta de medula óssea funcionante, como por exemplo, a pessoa que se expõe a uma radiação gama, originada de explosão de artefato nuclear, provavelmente, essa terá destruição completa de sua medula óssea e em poucas semanas, por anemia letal. Também no caso do tratamento excessivo com raios X, certos produtos químicos industriais, e até mesmo fármacos/medicamentos que o indivíduo possa vir a ser sensível, produzem o mesmo efeito.

    Unidade 1

    Anemia Hemolítica: Há anormalidades nas hemácias, e muitas dessas são congênitas e tornam essas células frágeis a ponto de se romperem com muita facilidade quando passam pelos capilares, e especificamente pelo baço, desta forma as hemácias são destruídas muito mais rápido do que podem ser formadas, causando um déficit das mesmas e resultando em uma anemia grave.

    Leucócitos

    Os leucócitos são células sanguíneas especializadas nos processos de defesa do nosso corpo. Seu nome deriva da palavra grega leukos, que significa branco, dessa forma nos leva a sua outra denominação: glóbulos brancos. Alguns deles são capazes até de sair dos vasos sanguíneos para atuar nos tecidos adjacentes. Seis tipos de glóbulos brancos estão presentes no sangue: são os neutrófilos polimorfonucleares, eosinófilos polimorfonucleares, basófilos polimorfonucleares, monócitos, linfócitos e, ocasionalmente, plasmócitos.

    Normalmente, um homem adulto possui de cinco a dez mil leucócitos por milímetro cúbico de sangue. Alguns desses leucócitos podem ter em seu citoplasma grânulos com enzimas, sendo, neste caso, chamados de granulócitos. Quando não possuem os tais grânulos, os leucócitos são denominados agranulócitos. Os do tipo granulócitos se subdividem em: neutrófilos, eosinófilos e basinófilos.

    Gênese dos Leucócitos

    Os granulócitos e os monócitos são formados somente na medula óssea. Os linfócitos e os plasmócitos são produzidos, na maior parte, nos tecidos linfogênicos, como em especial, nos linfonodos, no baço, no timo, nas tonsilas e em outros diversos bolsões de tecidos linfóide, em outras partes do corpo, como na medula óssea e nas chamadas placas de Peyer, que estão por baixo do epitélio da parede do intestino.

    Os linfócitos formados na medula óssea ficam armazenados até que sejam necessários no sistema circulatório. Quando há a necessidade, vários fatores provocam  com que  estes sejam liberados. Normalmente, há uma quantidade aproximada do triplo do número de leucócitos circulantes, que está armazenada na medula. Tal quantidade representa o suprimento para cerca de seis dias dessas células.

    Os linfócitos são armazenados, na maior parte, nos tecidos linfoides, exceto por um pequeno número que está sendo temporariamente transportado pelo sangue. Na figura 33-1, podemos ver que os megacariócitos também são formados na medula óssea, e lá se fragmentam, e são conhecidos como plaquetas ou trombócitos, que passam para o sangue, e tem importância ímpar na coagulação sanguínea.

    Unidade 1

    Os leucócitos apresentam funções e funcionalidade da seguinte forma: entram nos espaços teciduais por Diapedese; movem-se pelos espaços teciduais por movimento amebóide; são atraídos para as áreas de inflamação por quimiotaxia.

    Os neutrófilos e macrófagos na defesa contra infecções

    Os neutrófilos são leucócitos em maior número num indivíduo normal. Seu núcleo é formado por vários lóbulos e, por esse motivo, também são chamados de segmentados. O citoplasma dos neutrófilos possui vários grânulos com enzimas que podem matar bactérias. Assim, quando o organismo é vítima de uma infecção, especialmente uma infecção bacteriana, a medula óssea recebe estímulo para produzir neutrófilos de forma mais acelerada, resultando em maior quantidade de neutrófilos jovens e imaturos no sangue, cujos núcleos não são segmentados como nas formas maduras.

    No entanto, esses neutrófilos são denominados bastões, por sua forma de bastão encurvado. O número de bastões presentes no resultado de um hemograma representa um dado importante para o diagnóstico de infecções mais graves. Assim também, como os blastos, outro exemplo de células jovens pode estar presentes excepcionalmente em infecções e em leucemias.

    A Fagocitose

    É a função mais importante desempenhada pelos neutrófilos e macrófagos, que significa ingestão celular do agente agressor. Os fagócitos devem ser seletivos quanto ao material que é fagocitado, se contrário, células e estruturas normais do corpo podem vir a ser ingeridas. A ocorrência de fagocitose depende de três procedimentos seletivos, que serão mostrados logo abaixo.

    1. A maioria das estruturas naturais nos tecidos tem superfícies lisas que resistem à fagocitose. Portanto, se a superfície é áspera, essa probabilidade de fagocitose aumenta.
    2. A maioria das substâncias naturais do corpo tem revestimentos protéicos protetores que repelem os fagócitos. De forma inversa, a maioria dos tecidos mortos e das partículas estranhas ao corpo não apresenta esse revestimento protetor, o que faz sujeitos à fagocitose.
    3. O sistema imune do corpo desenvolve anticorpos contra os agentes infecciosos, como as bactérias. Estes anticorpos aderem às membranas bacterianas e tornam estas especialmente suscetíveis para a fagocitose. Para que ocorra, a  molécula do  anticorpo  tam-

    bém se combina com o produto chamado de C3, da cascata de complemento, que é uma parte adicional do sistema imune. As moléculas C3 se prendem a receptores da membrana do fagócito, iniciando o processo de fagocitose. Esse processo de seleção e de fagocitose é referido ou chamado como opsonização.

    Fagocitose pelos neutrófilos e pelos macrófagos

    Os neutrófilos que penetram nos tecidos já são células maduras, capazes de iniciar imediatamente a fagocitose. Ao se aproximar da partícula a ser fagocitada, o neutrófilo primeiro se prende na partícula e depois disso, emite pseudópodos em todas as direções ao redor da partícula. Os pseudópodos se encontram no outro lado e se fundem. Isso cria uma câmara fechada contendo a partícula fagocitada, e então, a câmara se invegina para a cavidade citoplasmática, daí forma uma vesícula fagocítica que flutua livremente no citoplasma. Um neutrófilo pode, geralmente, fagocitar cerca de três a 20 bactérias antes de ser inativado e morrer.

    Unidade 1

    Já os macrófagos são o produto final dos monócitos que penetram nos tecidos vindos do sangue. Quando ativados pelo sistema imune, eles são fagócitos muito mais potentes que os citados anteriormente, os neutrófilos, são capazes de fagocitar, geralmente, até 100 bactérias Eles têm a capacidade de envolver partículas muitos maiores, até mesmo hemácias inteiras, ou caso necessário, parasitas da malária, enquanto os neutrófilos não são capazes. Depois da digestão das partículas, os macrófagos, podem eliminar os produtos residuais e sobrevivem e funcionam por muito mais meses.

    Papel dos neutrófilos e macrófagos na inflamação

    Quando ocorre alguma lesão tecidual, seja ela causada por bactérias, traumas, agentes químicos ou outra forma, é liberada substâncias pelos tecidos danificados e causam diversas alterações secundárias nos tecidos não lesionados ao redor. Esse complexo de alterações é chamado, propriamente de inflamação.

    É caracterizado, primeiramente, por uma vasodilatação dos vasos sanguíneos locais, e com consequente aumento do fluxo sanguíneo no local; ocorre um aumento da permeabilidade dos capilares, permitindo assim, a saída de grande quantidade de líquidos para os espaços intersticiais; a coagulação do líquido ocorre nos espaços intersticiais devido as quantidades excessivas de fibrinogênio e outras proteínas advindas dos capilares; a migração de grande quantidade de granulócitos e monócitos para os tecidos, e por fim, dilatação das células teciduais.

    Alguns dos muitos produtos teciduais que causam essas reações incluem a histamina, a bradicinina, a serotonina, as prostaglandina, diversos produtos da reação do sistema de complemento, produtos da reação do sistema de coagulação sanguínea e várias substâncias designadas como linfocinas, que são liberadas pelas células T sensibilizadas.

    Essas várias substâncias ativam fortemente o sistema macrofágico, e em algumas horas, os macrófagos começam a devorar os tecidos destruídos. Algumas vezes, esses, os macrófagos, podem lesionar as células teciduais ainda vivas.

    Eosinófilos

    Os eosinófilos são células que atuam nos processos alérgicos e em parasitoses. Nessas situações, os eosinófilosaumentam de número no sangue, este fenômeno é chamado por eosinofilia. Normalmente constituem cerca de 2% de todos os leucócitos encontrados no sangue, estes são fagócitos fracos, apresentam quimiotaxia, mas em comparação com os neutrófilos, eles não dão proteção significativa contra os tipos usuais de infecção.

    Portanto, os eosinófilos geralmente são produzidos em grande escala em pessoas com infecções parasitárias e migram em grande número para os tecidos acometidos pelos parasitas. Apesar da maioria dos parasitas serem demasiadamente grande para ser fagocitada pelos eosinófilos ou qualquer outra célula fagocítica, os eosinófilos se prendem aos mesmos e por meio de moléculas de superfícies especiais, liberam substâncias que matam muitos tipos de parasitas.Também possuem a propensão especial de se concentrarem nos tecidos em que ocorrem reações alérgicas, como nos tecidos peribrônquicos dos pulmões em pessoas com asma e na pele após reações alérgicas cutâneas. Este fenômeno é causado pelo fato de muitos mastócitos e basófilos participarem das reações alérgicas.

    Unidade 1

    Basófilos

    Os basófilos, também envolvidos em processo alérgicos e inflamatórios, liberam histamina, bem como pequenas quantidades de bradicinina e serotonina são pouco numerosos e mais escassos no sangue. Esses, também liberam heparina no sangue, uma substância que pode impedir a coagulação sanguínea.

    Basófilos tem um papel importante em alguns tipos de reações alérgicas, porque o tipo de anticorpo que causa as reações alérgicas, a imunoglobina E (IgE), tem propensão especial para se prender aos basófilos. Então, quando o antígeno específico para o anticorpo IgE específico consequentemente irá reagir com anticorpo, a fixação que é um resultado do antígeno ao anticorpo promove a ruptura do basófilo, liberando assim uma quantidade enorme de histamina, bradicinina, serotonina, heparina, substância de reação lenta da anafilaxia e diversas enzimas lisossômicas. Essas substâncias causam reações vasculares e teciduais locais, responsáveis pela maioria das manifestações alérgicas.

    Linfócitos

    Os linfócitos são células redondas de núcleo grande, sendo os glóbulos brancos mais numerosos no sangue, depois dos neutrófilos. Existem vários tipos de linfócitos: o tipo B, T citotóxico e o T auxiliar, que não são distinguíveis entre si morfologicamente e só podem ser precisamente identificados por métodos sofisticados.

    Os linfócitos têm funções importantes, como reconhecer agentes infecciosos, regular a defesa do organismo e produzir anticorpos que atuam na defesa do corpo, destruindo as células infectadas. São eles que rejeitam órgãos transplantados, porque não reconhecem as células daquele órgão como próprias do organismo e, assim, as atacam . Também são responsáveis pela memória imunológica, característica que permite ao corpo agir muito rapidamente quando temos alguma infecção pela segunda vez, dessa forma é compreensível a forma da vacina. Os linfócitos aumentam proporcionalmente em infecções virais, o que possibilita distin-

    guir uma infecção viral (que há aumento dos linfócitos) de uma bacteriana (aumento de segmentados e bastões) pelo hemograma, mesmo não sendo uma regra absoluta.

    Plaquetas

    A plaquetas ou trombócitos, não são exatamente células, mas sim pequenos fragmentos de células maiores da medula óssea (megacariócitos), e portanto, não possuem núcleo. No organismo humano há cerca de 150 a 300 mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue. Quando o número é mais baixo que o parâmetro mínimo, indica risco de sangramento, porque as mesmas participam nos processos de coagulação sanguínea.

    Elas têm diversas características funcionais de células completas, mesmo que não tenham núcleos e não possam se reproduzir. No citoplasma das plaquetas, existem fatores ativos como:

    • Moléculas de actina e miosina, que são proteínas contráteis semelhantes às encontradas nas células musculares, além de outra proteína contrátil, a trombostenina, que pode causar contração das plaquetas;
    • Resíduos do retículo endoplasmático e do complexo de Golgi que sintetizam várias enzimas e especialmente armazenam grande quantidade de íons cálcio;
    • Mitocôndrias e sistemas enzimáticos capazes de formar trifosfato de adenosina, ou seja, ATP, e também difosfato de adenosina, ADP;
    • Sistemas enzimáticos que sintetizam prostaglandinas, ou por hormônios locais que causam várias reações vasculares e outras reações teciduais locais. Uma importante proteína que é chamada de fator estabilizador de fibrina, que tem função na coagulação sanguínea e, por último, um fator de crescimento que faz com que as células do endotélio vascular, células da musculatura lisa vascular e fibroblastos se multipliquem e crescem, produzindo crescimento celular que, às vezes, ajuda a reparar as paredes vasculares lesadas.

    Coagulação Sanguínea no Vaso Lesado

    É um mecanismo para a hemostasia. O coágulo começa a se desenvolver em até 15 a 20 segundos em traumas mais graves, e entre um a dois minutos se o trauma for pequeno. São quatro as substâncias ativadoras, produzidas pela parede vascular traumatizada, pelas plaquetas e pelas proteínas sanguíneas que se aderem a parede vascular traumatizada iniciam o processo de coagulação. A figura 08 nos mostra este processo.

    Fig. 08: Processo de coagulação em um vaso após lesão.

    Dentro de três a seis minutos após a ruptura do vaso, se abertura não for tão extensa, toda a abertura do vaso é preenchida pelo coágulo. Após 20 minutos a uma hora, o coágulo se retrai, fechando ainda mais o vaso. As plaquetas também têm um papel importante nessa retração do coágulo.

    Sistema Circulatório

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    Conhecimentos

  • Entender e conhecer como é composto o sistema circulatório, e sua importância para o bom funcionamento da bomba cardíaca.
  • Compreender a função do sistema circulatório, bem como as artérias, veias e capilares sanguíneos e suas respectivas funções.

  • Habilidades

  • Embasado da leitura anterior, será possível o acadêmico identificar os tipos de circulações sanguíneas essenciais para a irrigação e oxigenação dos tecidos, órgãos e vasos.

  • Atitudes

  • Desenvolver conhecimento técnico científico no âmbito fisiológico, a fim de entender os processos fisiológicos da circulação sanguínea.
  • Unidade 2

    Introdução ao Sistema Circulatório

    A função da circulação é a de atender às demandas impostas pelos tecidos, levar nutrientes, além de remover os resíduos e ainda transportar hormônios para outra parte do organismo, dessa forma é essencial para a manutenção de um ambiente favorável à vida e função ótimas das células.

    O sistema pode ser realizado pelo sangue no coração e nos inúmeros vasos que transportam o sangue. Para que o sangue possa chegar ao seu destino, ou seja, aos diferentes órgãos ele deve ser, de forma constante, propelido ao longo das artérias e veias. A bomba responsável por essa força é o coração.

    Figura 1: Lita Oliveira, arquivo da internet. Acesso em 23/06/14. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Embora o funcionamento do sistema circulatório seja frequentemente complexo, há três considerações básicas e comuns às funções do sistema. São os seguintes:

    O total de sangue para cada tecido do corpo é de forma quase precisa controlado em relação às necessidades do tecido. Quando ativos, os tecidos precisam de um fluxo muito maior se comparado quando em repouso, de até 20 a 30 vezes quando ativos. No entanto, o coração não pode aumentar seu débito em mais do que quatro a sete vezes. Portanto, não é possível aumentar simplesmente o débito cardíaco. Para tal necessidade os vasos de cada tecido fazem uma monitorização continuamente da necessidade dos tecidos, tais como a quantidade disponível de nutrientes e o acúmulo de produtos resultado da excreção dos tecidos, e por sua vez, controlam o fluxo de forma precisa e com garantia de somente utilizar o necessário à atividade daquele tecido. Além dessa regulação, há o controle nervoso da circulação que permite outros meios para o controle do fluxo sanguíneo para os tecidos.

    O débito cardíaco é controlado principalmente pelo fluxo tecidual. Ao passar pelo tecido, o sangue retorna imediatamente para o coração através das veias. Felizmente, o coração responde a todas essas demandas bombeando o sangue quase que totalmente de volta às artérias. Neste sentido, o coração funciona de forma autônoma, garantindo às demandas dos órgãos, tecidos e sistemas. No entanto o coração não é perfeito em sua forma de responder, às vezes ele necessita de ajuda, essa vem em forma de sinais do sistema nervoso, para contribuir com o bombeamento do fluxo sanguíneo necessário.

    Unidade 2

    Em geral, a pressão arterial é controlada independentemente, quer do controle local, quer do controle do débito total. O próprio sistema é provido de extenso mecanismo de regulação da pressão arterial. Para isto, conta com uma barragem de reflexos nervosos, no qual irá possibilitar alterações para a regulação da pressão para os níveis considerados normais.

    Circulação Pulmonar e Sistêmica

    Podemos dizer que o músculo cardíaco tem sua função comparada a duas distintas bombas com funções especificas, ou seja, a porção direita do músculo cardíaco, no qual faz o bombeamento do sangue diretamente para os pulmões, chamada pequena circulação ou circulação pulmonar, e a porção esquerda que faz o bombeamento do sangue para os tecidos periféricos, chamada de circulação sistêmica ou grande circulação.

    A pequena circulação, melhor designada circulação pulmonar, origina-se no ventrículo esquerdo de onde o sangue é impulsionado para as artérias pulmonares e segue por uma enorme trama de capilares no pulmão. Observam-se nesse processo, as hemoglobinas que são as moléculas presentes nas hemácias, estas recebem moléculas de oxigênio (O2), tornando-se mais enriquecidas desse elemento e menos saturadas de gás carbônico (CO2). Esse sangue chega de volta para o coração através das veias pulmonares chegando ao átrio esquerdo e com alta velocidade transferido para o ventrículo esquerdo.

    Após os eventos acima relatados, se inicia a grande circulação, sendo o sangue propelido pelo ventrículo esquerdo para as tramas arteriais e tecido dos organismos. A grande circulação origina-se no ventrículo esquerdo, de onde sofre o bombeamento para rede de capilares do corpo. As devidas trocas, de sangue então retorna pelas veias até o átrio direito.

    Figura 2: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Sangue

    O sangue é o meio líquido que circula pelo organismo através do sistema circulatório, transporta diversas substâncias essenciais à vida.

    Unidade 2

    A movimentação do sangue no sistema circulatório depende da ação da bomba cardíaca e da condução pelas diversas artérias, veias e capilares. O sangue sai dos pulmões rico em oxigênio, o mesmo é transportado para os tecidos, onde é liberado  no  tecido  pelos  capilares. Ao retor-

    nar dos tecidos o sangue vem conduzindo o CO2 e todos os resíduos do metabolismo celular. Os elementos contidos no sangue são os leucócitos, as plaquetas e as hemácias.

    A principal função das hemácias é levar o oxigênio dos pulmões para os tecidos e trazer o dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. Ou seja, com a ajuda da enzima carreadora hemoglobina, o oxigênio é transportado pelas hemácias, através das ligações químicas. O mesmo ocorre com o dióxido de carbono para eliminação pelos pulmões.

    Os leucócitos têm a função de proteção, ou seja, são fundamentais no sistema protetor do organismo, são móveis pois tem a possibilidade de locomoção para locais onde sua ação seja necessária.

    As plaquetas são corpúsculos ou fragmentos denominadas megacariócitos, formadas na medula óssea. Elas têm a forma de discos diminutos arredondados, e na realidade, não representam células e sim corpúsculos celulares. Os magacariocitos se fragmentam em plaquetas, que são então soltas na circulação.

    As plaquetas são de extrema relevância na hemostasia e para a coagulação do sangue. No caso de lesão do endotélio de um vaso sanguíneo, as plaquetas são ativadas, aderem ao local da lesão e aglutinam-se umas às outras. Ao passo que liberam substâncias que ativam outras plaquetas, assim geram aglutinação de agentes plaquetários, que obstruem o local da lesão do vaso e, em última análise, promovem a interrupção da perda sanguínea. Essa é a principal função das plaquetas no fenômeno de hemostasia.

    Artérias, veias e capilares sanguíneos

    São os tubos nos quais o sangue circula pelo corpo, observe na figura abaixo as principais artérias e veias do corpo humano.

    Artérias

    Definidas por Aristóteles em 350 a.C. como sendo tubos contendo ar, as artérias são cilíndricos, com elasticidade, por onde o sangue circula em direção a periferia do corpo.

    As artérias podem, dependendo do seu calibre, serem classificadas em artérias grandes, artérias pequenas e as arteríolas. As com grande calibre de seu diâmetro interno de 7 mm; as de médio calibre, entre 2,5 e 7 mm; as de pequeno, entre 0,5 e 2,5 mm; as arteríolas, com menos de 0,5 mm de diâmetro interno.

    Unidade 2

    Quanto a estrutura e a função, as artérias classificam-se em: elásticas ou de grande calibre; distribuidoras de tamanho médio; as arteríolas, estas são as menores em diâmetro e as que oferecem maior resistência a passagem do sangue, contribuem, assim, para a normalização do fluxo até os capilares.

    As artérias podem ser classificadas em superficiais ou profundas. As superficiais são originadas no músculo e sua função é nutrir a pele; por isso mesmo, são de menor espessura e distribuídas de forma irregular. As quase totalidades das artérias são profundas, ou seja, são funcionais, pois nesta localização elas estão protegidas. A figura 3 (clique e veja) mostra o ramificação das artérias.

    Veias

    São tubos nos quais o sangue flui da periferia para o sistema central, ou seja, para o coração. As veias são a sequência dos capilares e servem de meio de transporte do sangue que já realizou as devidas trocas com os tecidos, levando o sangue da periferia para o coração.

    As veias têm paredes menos espessas em relação às artérias, pois suporta uma pressão sanguínea mais fraca, levando dos tecidos o sangue para o coração. Como trazem sangue centripetamente e contra a gravidade, as veias apresentam um sistema de valvas que servem para impedir o refluxo de sangue, além da atuação dos músculos esqueléticos que auxiliam a chegada do sangue ao coração. Como trabalham sob baixa pressão as veias apresentam uma camada muscular pouca desenvolvida e com poucas fibras elásticas. As veias de pequeno calibre são denominadas de vênulas.

    De acordo com sua localização na camada corpórea, as veias podem ser classificadas em superficiais e profundas.

    As veias localizadas superficialmente são as subcutâneas, na maioria, visíveis por transparências na pele, tendo maior calibre nos membros superiores e inferiores e no pescoço. Servem para drenagem da circulação onde se localizam e servem também para desafogar a circulação profunda.

    As veias localizadas profundamente podem ser únicas, isto é, não realizam o acompanhamento de alguma artéria ou satélites quando acompanham uma artéria.

    Capilares

    Os capilares são os vasos de menor calibre, são encontrados entre as artérias e veias. É onde se realiza as trocas entre os tecidos e o sangue. Sua distribuição é unanime no corpo, e sua ausência é rara. Seu estudo é feito na histologia.

    As arteríolas se espalham em ramos cada vez mais finos, formando uma trama muito extensa, o que torna uma facilidade para as trocas o sangue e os tecidos. São formados somente por uma camada de célula, sendo por este motivo que localizam em todo o organismo. Os nutrientes chegam através do sangue e os capilares possuem uma função essencial observe: PH (Pressão hidrostática) – é alta no início dos capilares, isto permite a expulsão dos nutrientes de água e gases.

    O coração está ligado diretamente às artérias e veias. As artérias possuem paredes grossas, estas fazem a condução do sangue que flui do coração para o corpo.

    Unidade 2

    Em resumo, o sangue primeiramente sai do coração, é conduzido pelas artérias maiores, estas se dividem em ramos menores. Ao chegar aos tecidos às artérias são ainda mais finas, então chamadas de arteríolas, estas se dividem em vasos ainda mais finos, os capilares, estes então se ramificam nos tecidos, após retornam a se fundirem para a formação das veias, depois vênulas e seguindo até formarem as veias de grande calibre.

    Sistema Arterial

    O sistema arterial é composto por todas as artérias do corpo, sendo a designação de vasos válidos tanto para as artérias como para as veias, aqui descreveremos este sistema.

    O interior dos vasos arteriais é recoberto por uma camada de células interpostas entre o músculo liso e o sangue, camada designada de endotélio. O endotélio, além de proteger o vaso de uma possível adesão de plaquetas e leucócitos, é responsável pela regulação do tônus vascular e pela pressão arterial através da liberação de substâncias vasoativas. Estas substâncias agem de forma relaxante sobre o endotélio, como o óxido nítrico (NO), o hiperpolarizante do endotélio (EDHF) e a prostaciclina (PGI2). Existem também que causam constrição do endotélio, que é o caso da angiotensina II, as endotelinas e as espécies reativas de oxigênio (ERO) e o tromboxano.

    Sistema Venoso

    As veias têm origem em minúsculas vênulas, que recebem o sangue dos capilares. As veias convergem umas sobre as outras, formando veias progressivamente maiores até formar as duas principais veias que coletam o sangue do corpo, a veia cava superior e a veia cava inferior. Estas drenam sangue para o coração. Aproximadamente 65% do volume sanguíneo total estão contidos no sistema venoso.

    Sistema Cardíaco

    3

    Conhecimentos

  • Compreender a função do coração, bem como sua constituição, entender o processo de irrigação, inervação e ciclo cardíaco.
  • Entender e conhecer a composição e o funcionamento propriamente dito da bomba cardíaca e identificar sua importância na regulação da ritmicidade cardíaca.
  • Habilidades

  • Será possível identificar as características anatômicas/fisiológicas e funcionais do coração, suas inter-relações com o processo de controle da frequência e condução do impulso cardíaco, bem como, os processos clínicos/patológicos envolvidos no processo.
  • Atitudes

  • Desenvolver conhecimento técnico científico no âmbito fisiológico, a fim de entender os processos fisiológicos do coração humano.
  • Unidade 3

    Conceito de Sistema Cardíaco

    O coração é um órgão muscular, no qual tem a função de levar sangue primeiramente para os pulmões, depois para os órgãos e tecidos. Está localizado um pouco mais à esquerda no mediastino, no sentido antero posterior, observa-se que o ápice do coração é acentuadamente localizado à esquerda. O órgão coração tem forma de cone, é um órgão pequeno, tem tamanho aproximado do punho fechado, cerca de 12 cm de comprimento, 9 cm em sua largura na região mais ampla e 6 cm de espessura. Sua massa é, em média de 250g, nas mulheres adultas, e 300g nos homens adultos.

    Figura 1: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    O coração é constituído principalmente de três diferentes tipos musculares: músculo ventricular, músculo atrial e fibras que conduzem a carga elétrica do músculo, são excitatórias especializadas. Os músculos atrial e ventricular tem sua contração semelhante ao do músculo estriado esquelético, com a diferença na duração da contração que é maior. No entanto, as fibras condutoras especializadas tem sua contração apenas mais fraca, isto se deve por conterem poucas fibrilas contráteis; em vez disso, elas apresentam ritmicidade e velocidades variáveis de condução, proporcionando um sistema próprio de excitação para o músculo cardíaco e um sistema de transmissão para a condução controlada do sinal excitatório cardíaco por todo o coração.

    Figura 2: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Unidade 3

    Faces

    Com formato de pirâmide, o coração tem uma base, um ápice e três faces: A base do coração fica na parte posterior e é formada pelo átrio esquerdo, câmara que recebe diretamente o sangue que chega ao coração abastecido de oxigênio advindo dos pulmões.

    A face inferior ou diafragmática fica no lado oculto e é formada principalmente pelo ventrículo direito e pelo ventrículo esquerdo, e os que separam é o septo interventricular. O ventrículo direito e esquerdo são grandes câmaras que bombeiam o sangue para os pulmões e para o corpo respectivamente.

    A face anterior ou esternocostal está localizada na frente do coração, logo atrás do esterno e das costelas, e é onde se localiza o ventrículo direito. Já a face esquerda ou pulmonar é formada principalmente pelo grande ventrículo esquerdo, o qual está posicionado na concavidade (impressão cardíaca) do pulmão esquerdo.

    O pericárdio

    O coração é envolvido e protegido por um saco de paredes triplas de tecido conjuntivo chamado pericárdio. Este é composto por duas partes, o pericárdio fibroso e o pericárdio seroso.

    Pericárdio Fibroso

    Forma parte externa do saco que envolve o coração e é composto por resistente tecido conjuntivo fibroso. Ele tem três funções principais:

    Proteção: o pericárdio fibroso é forte o suficiente para promover contra traumas a uma estrutura tão vital como é o coração.

    Fixação: há fixação fibrosa entre esta parte do pericárdio e o esterno e o músculo diafragma. Além disso, o pericárdio fibroso funde-se com as longas paredes dos vasos que passam através dele para o coração. Esta fixação ajuda a ancorar o coração às estruturas ao seu redor.

    Prevenção da dilatação: Como o pericárdio fibroso não é elástico, ele não permite que o coração dilate com o sangue além de um certo limite de segurança.

    NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Unidade 3

    Pericárdio Seroso

    O pericárdio seroso envolve o coração da mesma maneira que a pleura faz com o pulmão. Esta parte do pericárdio é uma fina membrana que tem duas partes contínuas uma com a outra, a lâmina visceral e a lâmina parietal.

    O pericárdio parietal reveste a face interna do pericárdio fibroso e reflete para as faces do coração na raiz dos grandes vasos, para formar o pericárdio visceral.

    Entre as duas lâminas de pericárdio seroso, localiza-se a cavidade pericárdica preenchida por uma pequena quantidade de líquido pericárdico. A presença desta fina camada de fluido, com o aspecto escorregadio das camadas do pericárdio seroso, permite o livre movimento das câmaras do coração dentro do pericárdio quando o coração bate. Se a cavidade pericárdica for preenchida por uma quantidade excessiva de líquido, como pode ocorrer em infecções ou inflamações, o coração fica comprimido no interior do pericárdio fibroso e torna-se incapaz de funcionar corretamente. Em casos extremos, isto é conhecido como tamponamento cardíaco e há risco de vida.

    Câmaras do Coração

    O coração é dividido em quatro câmaras: dois átrios com paredes finas, que recebem o sangue venoso, e dois grandes ventrículos de paredes espessas, que bombeiam o sangue para todo o sistema arterial.

    Figura. 3 - Estrutura do coração e o fluxo de sangue pelas câmaras cardíacas. GUYTON, 1997. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Os ventrículos

    Os dois ventrículos constituem a maior parte do músculo do coração, sendo o esquerdo maior e mais forte que o direito. O ventrículo direito está localizado ventralmente, formando grande parte da superfície frontal do coração, enquanto o esquerdo fica atrás e abaixo, compreendendo grande parte da superfície inferior. O ápice do coração é formado pela ponta do ventrículo esquerdo.

    Unidade 3

    O ventrículo direito recebe sangue do átrio direito, sendo evitado o refluxo do sangue pela válvula localizada entre o átrio e ventrículo direito (atrioventricular). O líquido, sangue, é então bombeado pela contração do músculo ventricular para cima através da válvula pulmonar e, dele, para os órgãos pulmonares. O sangue que advém do átrio esquerdo desemboca no ventrículo esquerdo, chegando a este através do orifício atrioventricular esquerdo, que suporta a válvula atrioventricular esquerda. A força das contrações do ventrículo então bombeia o sangue através da valva aórtica para a artéria aorta, a principal do corpo humano.

    Os átrios

    Os átrios são duas câmaras menores e de paredes finas do coração. Eles estão situados sobre os ventrículos, separados pelas valvas atrioventriculares.

    Todo o sangue venoso do corpo é direcionado para o átrio direito do coração por duas grandes veias, a veia cava superior e a veia cava inferior. O seio coronário, a veia que coleta o sangue venoso dos tecidos do coração, também drena para o átrio direito.

    O seu interior tem a parte posterior de parede lisa e a anterior de parede rugosa. Estas duas áreas estão separadas por uma chanfradura conhecida como crista terminal.

    A parede anterior rugosa é mais espessa que a posterior, sendo composta pelos músculos pectíneos, os quais dão aspecto de pente à parede interior. A fossa oval é uma depressão na parede adjacente ao átrio esquerdo (septo interatrial). Os músculos pectíneos expandem-se até a aurícula do átrio direito, uma projeção da câmara atrial. Esta projeção do átrio fica em volta da principal artéria do coração, a aorta, e age aumentando a capacidade do átrio direito.

    Aberturas no Átrio Direito

    A veia cava superior, que recebe sangue da metade superior do corpo, desemboca na parte superior da área lisa do átrio direito. A veia cava inferior, que recebe sangue da parte inferior do corpo, desemboca na parte inferior do átrio direito. A veia cava superior não tem valva para impedir o refluxo sanguíneo. A veia cava inferior tem valva rudimentar e pouco funcional. A abertura do seio coronário fica entre a abertura da veia cava inferior e a abertura que permite a passagem de sangue para o ventrículo direito (o óstio atrioventricular).

    Átrio Esquerdo

    O átrio esquerdo é menor que o átrio direito e forma a principal parte da base do coração. Tem formato aproximadamente cuboide e possui paredes lisas, exceto no revestimento da aurícula esquerda, que é áspera em função das elevações do músculo. As veias pulmonares, que conduzem sangue rico em oxigênio de volta aos pulmões, desembocam na parede posterior do átrio esquerdo. Não há valvas nestes orifícios. No septo interatrial, localiza-se a fossa oval no lado direito.

    Unidade 3

    Válvulas

    A função das válvulas pode ser observada na figura ao lado. As válvulas átrio ventriculares, estas não permitem o retorno do sangue dos ventrículos para os átrios, enquanto acontece a sístole e as válvulas semilunares, ou seja, as válvulas  aórtica  e  pulmonar  impedem  o  refluxo

    das artérias aórtica e pulmonar para os ventrículos durante o momento que acontece a diástole.

    NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Essas válvulas citadas fecham-se e abrem-se de forma passiva, ou seja, elas se fecham quando um gradiente retrógrado de pressão empurra o sangue para trás e abrem-se quando um gradiente de pressão anterógrado força o sangue a seguir avante. Por razões anatômicas óbvias, o fechamento das delgadas e tênues válvulas A-V não requer quase nenhum refluxo, enquanto o das muito mais pesadas válvulas semilunares requer um refluxo bastante forte por alguns milissegundos.

    Há diferenças entre a operação das válvulas aórtica e pulmonar e a das válvulas A-V. Em primeiro lugar, as altas pressões que abatem nas artérias no final da sístole forçam as válvulas semilunares a se fecharem, em comparação com o fechamento suave das válvulas atrioventriculares. Segundo, devido à sua menor abertura, ejeção em alta velocidade do sangue através das válvulas aórtica e pulmonar é bem maior do que pelas válvulas A-V, muito maiores.

    Assim, também devido ao fechamento súbito e à rápida ejeção, as bordas das válvulas semilunares estão sujeitas a desgaste mecânico muito maior que as válvulas A-V, que também são sustentadas por cordas tendíneas. Pela anatomia das válvulas aórtica e pulmonar, fica evidente que elas estão adaptadas para suportar esse trauma físico extra.

    Unidade 3

    Irrigação do Coração

    Duas artérias coronárias, direita e esquerda, são responsáveis pela irrigação do coração. Elas correm no seio coronário, que separa os átrios dos ventrículos. Usualmente a coronária esquerda é mais calibrosa que a direita e é preponderante, isto é, sua área de distribuição é maior. Os ramos e a distribuição das artérias coronárias passaram a ser objeto de estudos minuciosos com o advento do cateterismo cardíaco e da cineangiografia, sofisticando métodos auxiliares de diagnóstico das doenças coronarianas.

    A coronária esquerda fornece o ramo interventricular anterior e o ramo circunflexo. Este último anastomosa-se com a artéria coronária direita.

    A coronária direita origina o ramo marginal e o ramo interventricular posterior que se anastomosa com o ramo interventricular anterior da coronária esquerda.

    Inervação

    A inervação do coração se dá de duas formas diferente; a inervação extrínseca, que advém dos nervos localizados fora do coração e a outra inervação a intrínseca que é localizada no próprio órgão cardíaco.

    A extrínseca origina-se do sistema nervoso autônomo (SNA), ou seja, do sistema simpático e do parassimpático, onde o sistema simpático do coração recebe os nervos cardíacos. Já as fibras do parassimpático que chegam ao coração provêm pelo nervo vago do qual derivam os nervos parassimpáticos.

    O sistema de condução do coração ou a via extrínseca é o fator mais importante do ritmo e dos batimentos do coração. É caracterizada pela circulação elétrica no coração, rítmica, que se dá nas fibras musculares especializadas do coração, são as células de auto excitação e auto ritmicas.

    O controle da atividade do coração é feito através do vago (inibindo) e do simpático (estimulando). Estes nervos agem sobre uma formação situada na parede do átrio direito, o nó sinoatrial, considerado como o “marca passo” do coração. Daí, ritmicamente, o impulso espalha-se ao miocárdio, resultando contração. Este impulso chega ao nó atrioventricular, localizado  na  porção  inferior do  septo  interatrial, e se  propaga  aos  ventrículos  através dos fascículos atrioventriculares. As vias de condução e inervação do coração podem ser observadas na figura abaixo.

    Unidade 3

    Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Ciclo Cardíaco

    O ciclo cardíaco é a denominação do período inicial de um batimento até o momento inicial do batimento posterior. Cada ciclo é iniciado pela iniciação própria de um potencial de ação pelo nodo sinoatrial, ou sinusal, sinusal, ou sinoatrial. Esse  nodo  está  localizado no átrio  direito na parede superior, próximo à abertura de veia porção superior, e o potencial de ação passa rapidamente por ambos os átrios e, daí, pelo feixe A-V  até os  ventrículos. Contudo, devido ao arranjo especial do sistema de condução dos átrios para os ventrículos, há um retardo de mais de 1/10 de segundo na ligação do impulso entre os átrios para os ventrículos. Isso possibilita aos átrios contraírem-se antes dos ventrículos, desta forma acontece o bombeamento do sangue para os respectivos ventrículos antes das muito potentes contrações ventriculares. Os átrios atuam, portanto, como bombas e eles proporcionam, então, a principal força de movimentação do sangue ao longo do sistema vascular.

    Pressão Arterial

    A expressão pressão arterial é utilizada para a representação da pressão exercida contra a parede das artérias durante um ciclo cardíaco. A pressão sistólica (PAS) ocorre durante o momento de contração do ventrículo esquerdo, durante a ejeção de 70 ml a 100 ml de sangue para a artéria aorta.

    Em um indivíduo saudável, a PAS é de aproximadamente 120 mmHg (milímetro de mercúrio) este número representa uma estimativa da força de trabalho do coração, no qual esta força é exercida pelo coração contra as paredes das artérias durante a sístole ventricular.

    A fase de relaxamento do ciclo cardíaco é representada pela pressão arterial diastólica (PAD), é quando os valores da pressão arterial são reduzidos entre 70mmHg e 80mmHg, e este representa a resistência das artérias periféricas ou qual a facilidade do sangue flui pelo corpo para arteríolas e para os capilares.

    Na maioria dos órgãos o fluxo sanguíneo é mantido relativamente de forma constante, isto se dá por meio de adaptações no próprio órgão. Essa regulação do fluxo sanguíneo se explica por diversas causas, incluindo a regulação arterial central, a renal e a miogênica.

    Regulação central: é a regulação para atender a demanda imposta ao sistema cardiovascular, e é regulada principalmente pelo sistema nervoso simpático (SNS) e do sistema nervoso parassimpático (SNP). Estes dois sistemas recebem as informações dos barorreceptores que se localizam na artéria carótida e no arco aórtico, e dos quimiorreceptores que ficam na carótida e na aorta, para estes ajustes na pressão arterial.

    Unidade 3

    O controle renal: O sistema renina-angiotensina-aldosterona age como um regulador hormonal no controle da pressão arterial está ligado ao desenvolvimento de anormalidades como a hipertensão arterial. A renina é uma enzima liberada pelos rins, esta converte o angiotensinogênio em angiotensina I, que é convertida em angiotensina II. Uma vez ativada a cascata, a angiotensina I e a angiotensina II ativam as estruturas alvos, como; vasos, rins, coração etc. Este processo atua na estabilização hemodinâmica para evitar o acréscimo excessivo da perfusão sistêmica.

    O controle miogênico: baseia-se na adaptação muscular de se organizar rapidamente e reagir sob ações internas, quando há um aumento da pressão nos vasos, a tensão nos vasos tende a aumentar, com isto o músculo liso expande. Isto leva a abertura de canais livres de sódio e de cálcio, levando a uma reação contrátil no mesmo. Ou seja, este mecanismo miogênico é a capacidade muscular de responder de forma  própria, mecanicamente, o  aumento  da pressão interna, expandindo, aumenta o diâmetro dos vasos sanguíneos mantendo o fluxo constante.

    Hipotensão Arterial

    Ocorre quando existe uma queda significativa nos valores da pressão arterial relativa ao valor considerado basal. Porém, não há um limite bem definido para o diagnóstico de hipotensão, isto diz respeito a cada pessoa, os valores tensionais inferiores a 90/60 mm/Hg explicam em sua maioria exemplificam esta anormalidade.

    Alguns artigos e livros associam os sintomas ortostáticos a quedas tensionais, em geral o valor >=20/10 mm Hg é mais relevante do que o valor da diminuição da pressão sanguínea. A hipotensão se dar mais comumente sob a forma de hipotensão postural (ou ortostática), que é a diminuição brusca nos valores da pressão arterial causado por mudanças de decúbito, quando uma pessoa muda da posição deitada para a posição em pé, ou vice versa. Os sintomas da hipotensão são passageiros e ocasiona visão embaçada, dor de cabeça, tonturas, síncope, sensação de desmaio, fraqueza, sonolência.

    Hipertensão Arterial

    A pressão arterial pode ser definida como a força aplicada sobre as artérias. A pressão arterial distribui-se de modo contínuo e simétrico entre um valor mínimo e um valor máximo, o que torna difícil estabelecer um ponto de corte acima do qual o individuo passa a ser considerado hipertenso. Na verdade, a definição de hipertensão arterial tem de certo modo uma natureza estatística: trata-se de um desvio da normalidade, no qual os níveis pressóricos dos indivíduos acometidos situam-se cronicamente acima de um determinado limite estabelecido por convenção. O limite  atualmente  adotado é  o de  135 mm/Hg para a  pressão  sistólica e de 85 mmHg para a pressão diastólica. É comum o uso exclusivo do nível de pressão diastólica como critério diagnóstico, embora o efeito deletério da hipertensão sistólica esteja bem estabelecido.

    Sistema Neurofisiologia

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    Conhecimentos

  • Compreender o conceito de neurofisiologia e a organização anatômica do sistema nervoso e suas divisões e funções;
  • Entender o processo de armazenamento de informações e os principais níveis funcionais do sistema nervoso central;
  • Conhecer a anatomia fisiológica da sinapse química e elétrica, a fadiga da transmissão sináptica e seus efeitos.


  • Habilidades

  • Reconhecer, com suas singularidades, os diferentes contextos neurofuncionais e com os conhecimentos prévios sobre a dinâmica anatofuncional neurológica.
  • Atitudes

  • O aluno desenvolverá capacidade de aprender continuamente, tanto em sua formação quanto em sua prática diária, compreendendo os diversos acometimentos de ordem neurofuncional nos diferentes níveis de complexidade.
  • Unidade 4

    Conceito

    As funções orgânicas, bem como a integração do animal no meio ambiente estão na dependência de um sistema especial denominado de sistema nervoso. Isto significa que este sistema controla e coordena as funções de todos os sistemas do organismo, recebe os estímulos aplicados à superfície do corpo e é assim capaz de interpretá-los e desencadear respostas adequadas a estes estímulos.

    Fig. 01: Neurônio e sua anatomia.

    O sistema nervoso é composto por trilhões de células de diversos tipos, além de vasos sanguíneos e algum tecido conjuntivo. As células nervosas condutoras de estímulos elétricos são os neurônios. Elas são as mais importantes funcionalmente, porém formam aproximadamente apenas 10% das células do sistema nervoso. Já as células da gliais são maioria, e em conjunto com os vasos sanguíneos e o tecido conjuntivo, oferecem um arcabouço de sustentação, proteção e nutrição aos neurônios.

    O neurônio é formado por um corpo celular e dois tipos de prolongamento ou fibras nervosas, que são: os dendritos são curtos e trazem os estímulos até o corpo celular; e os axônios, que podem ser longos e levam o estímulo do corpo celular para longe dele. Podemos ver este exemplo na figura 1.

    Os axônios são envolvidos por uma bainha gordurosa, a bainha de mielina, que faz isolamento elétrico e permite que os estímulos sejam conduzidos de modo mais rápido e eficiente. Os estímulos chegam aos neurônios através dos dendritos, passam para o corpo celular e então para seus axônios.

    A região onde dois neurônios se juntam é denominada sinapse, onde ocorrerá reações químicas com substâncias chamadas neurotransmissores, que possibilitam a transmissão do estímulo para outro neurônio ou para um músculo ou víscera. A sinapse é demonstrada na figura 2 (clique e veja).

    Unidade 4

    Com uma visão macroscopicamente, o sistema nervoso apresenta dois tipos de substâncias: a cinzenta, que é composta pelos corpos dos neurônios, e a substância branca, formada  pelos axônios que transmitem os estímulos de um lado para o outro. Num corte de cérebro podemos diferenciar nitidamente as duas substâncias.

    Organização anatômica do sistema nervoso

    Em uma visão anatômica do sistema nervoso, o mesmo é dividido em duas porções:

    Sistema nervoso central (SNC), que é responsável pelas funções mais complexas, como a interpretação de estímulos, o desencadeamento das respostas abstratas, assim como o raciocínio.

    Sistema nervoso periférico (SNP), este, por sua vez, capta estímulos de todas as partes do corpo e do meio externo, enviando-os depois ao SNC que produzirá respostas e transmitirá de volta ao SNP, e as encaminha para todos os órgãos do corpo. Aqui pode ser observada uma divisão entre vias aferentes, que trazem informações em direção ao sistema nervoso central, e as vias eferentes, que levam as respostas em direção aos órgãos efetuadores. Pode ser observado ainda, que existem neurônios que só participam das vias aferentes, no caso dos sensitivos, e outros que só participam das vias eferentes, os neurônios motores, um neurônio do SNP não pode ser ao mesmo tempo sensitivo e motor.

    Fisiologia do Sistema Nervoso

    Para melhor entendimento desta unidade de estudo, é essencial que se saiba os princípios que regem os potenciais de membrana e a transmissão de sinais pelos nervos e pelas junções neuromusculares.

    Sistema Nervoso - Divisão Sensorial

    Muitas atividades do sistema nervoso se iniciam pelas experiências sensoriais que excitam os receptores, sejam eles visuais, auditivos, táteis, ou de outros tipos. Estas experiências sensoriais podem provocar reações no encéfalo imediatamente ou podem ser armazenadas no mesmo, sob a forma de memória, por minutos, semanas ou até mesmo anos, e assim pode determinar reações do organismo em data futura.

    Podemos ver na figura 3 (clique e veja), a porção somática do sistema sensorial, esta transmitirá a informação sensorial vinda de receptores que estão localizados em toda a superfície do corpo e de algumas estruturas profundas. Essa informação ou estímulo chega ao sistema nervoso central pelos nervos periféricos e é conduzida imediatamente para múltiplas áreas sensoriais que estão localizadas em todos os níveis da medula espinhal, na formação reticular do bulbo, da ponte e do mesencéfalo, no cerebelo, no tálamo e em áreas do córtex cerebral.

    Unidade 4

    Sistema Nervoso - Divisão Motora

    O sistema nervoso tem uma função importante que é a de controlar as diversas atividades do corpo. Essa função é realizada pelo controle de alguns órgãos específicos, como: da contração dos músculos esqueléticos apropriados, por todo o corpo; da contração da musculatura lisa dos órgãos internos; da secreção de substâncias químicas pelas glândulas exócrinas e endócrinas que agem nas diferentes  parte do corpo. Todas estas atividades são coletivamente chamadas de funções motoras do sistema nervoso, os músculos e as glândulas são denominadas efetores, porque são estas as estruturas anatômicas que verdadeiramente executam as funções ditadas pelos sinais nervosos.

    A Função Integrativa do Sistema Nervoso

    Esta função se torna uma das mais importantes do sistema nervoso, que é a de processar a informação eferente, de modo que sejam efetuadas as devidas respostas mentais e motoras. Mais de 99% de toda a informação sensorial é descartada pelo cérebro como irrelevante e sem importância. De modo geral, não percebemos as partes do corpo que estão em contato com nossas vestimentas, assim como a pressão que a cadeira exerce sobre o nosso corpo quando estamos sentados ou sentamos. Desta forma, a atenção é atraída apenas para objeto ocasional em nosso campo de visão e mesmo o ruído perpétuo que nos cerca é normalmente relegado ao subconsciente.

    Porém, quando esta informação é importante, ela é imediatamente canalizada para regiões integrativas e motoras apropriadas do cérebro, para poder provocar as respostas desejadas. A canalização e o processamento da informação são chamados de funções integrativas. Desse modo, se a pessoa encostar a mão no fogo, a resposta instantânea adequada é a de afastar a mão. Seguem assim outras respostas associadas, como mover o corpo inteiro para longe do fogo, ou até mesmo um grito.

    As Sinapses na Função Integrativa

    A sinapse, como dito  anteriormente, é o ponto de contato entre dois neurônios. Estas  determinarão  as  direções  em que os  sinais  nervosos se  distribuirão pelo  sistema  nervoso.

    Algumas delas transmitem sinais de um neurônio para o outro com facilidade, enquanto outras com mais dificuldade. É considerado também que sinais facilitatórios ou inibitórios vindos de diferentes áreas do sistema nervoso podem controlar a transmissão das sinapses, algumas vezes abrindo as sinapses para a transmissão, e em outras, fechando as mesmas.

    Ainda assim, enquanto determinados neurônios pós-sinápticos respondem com grande número de impulsos, outros respondem com menos. Portanto, as sinapses executam uma ação seletiva, esta atua, algumas vezes, bloqueando sinais fracos, enquanto permitem que sinais mais fortes passem e, ainda assim, selecionando e amplificando determinados sinais fracos e com frequência transmite tais sinais em muitas direções em vez de enviá-los apenas para uma direção única.

    Unidade 4

    A memória: armazenamento de informação

    Como dito anteriormente, apenas uma pequena fração das informações sensoriais provocam uma resposta motora imediata, até mesmo se considerarmos as mais relevantes. Porém, a maior parte destas informações é armazenada para o controle futuro das atividades motoras e para uso nos processos cognitivos. O armazenamento, na maior parte, ocorre no córtex cerebral e mesmo as regiões subcorticais do encéfalo e a medula espinhal podem armazenar pequenas quantidades de informação.

    Este armazenamento é o processo que chamamos de memória, e é também uma função das sinapses. Quando determinados tipos de sinais sensoriais passam por  sequência  de sinapses, a cada vez, estas se tornam mais capazes de transmitir o mesmo tipo de sinal em outras oportunidades, esse processo é chamado de facilitação. Depois que os sinais sensoriais passam numerosas vezes por sinapses, as mesmas ficam tão facilitadas que podem também promover a transmissão de impulsos pela mesma sequência de sinapses até que ocorra uma ausência da aferência sensorial. Isso proporciona ao indivíduo a percepção de estar experimentando as sensações originais, embora essas percepções sejam apenas memórias das sensações.

    Por fim, uma vez que as informações tenham sido armazenadas sob a forma de memória, elas passam a ser parte de um mecanismo de processamento do cérebro, para um uso futuro das mesmas sob a forma de pensamento, ou seja, os processos cognitivos cerebrais comparam as novas experiências sensoriais com as memórias armazenadas.

    Os principais níveis funcionais do SNC

    O sistema nervoso humano herdou capacidades funcionais de cada um dos estágios evolutivos humanos, e a partir desta herança, você conhecerá três níveis principais do sistema nervoso central, que têm características específicas, que são: o nível da medula espinhal, nível cerebral inferior (ou nível subcortical) e o nível cerebral superior (ou nível cortical)

    Nível Medular

    É concebida, muitas vezes, a medula espinhal como sendo uma via de passagem para os sinais vindos da periferia do corpo em direção ao encéfalo, ou na direção oposta, do encéfalo e de volta ao corpo, porém isto não é verdade.

    Unidade 4

    Os circuitos  neurais  intrínsecos  da medula são responsáveis por: movimento de marcha; reflexos que afastam partes do corpo do objeto ou local que causam dor; reflexos que enrijecem as pernas para sustentar o corpo contra a gravidade e reflexos que controlam os vasos sanguíneos locais, gastrointestinais ou excreção urinária. Portanto, os níveis supraespinhais geralmente não operam pelo envio de sinais diretamente para a periferia do corpo, mas sim enviando aos centros de controle da medula espinhal, ele comanda esses centros para que realizem suas funções.

    Nível Cerebral Inferior (Subcortical)

    A maioria das atividades subconscientes do corpo é controlada por regiões encefálicas subcorticais (no bulbo, na ponte, no mesencéfalo, no hipotálamo, no tálamo, no cerebelo e nos gânglios da base). Dessa forma, o controle subconsciente da pressão arterial e da respiração é executado principalmente pelo bulbo e pela ponte. O controle do equilíbrio é função combinada das porções mais antigas do cerebelo, juntamente com a formação reticular bulbar, da ponte e do mesencéfalo. Além destes, muitos padrões também são controlados, como a raiva, excitação, resposta sexual, reação à dor e reação ao prazer, estes podem continuar ocorrendo mesmo depois de haver uma grande destruição de grande parte do córtex cerebral.

    Nível Cerebelar Superior (Cortical)

    O córtex cerebral é a região extremamente grande de armazenamento de memórias, este nunca funcionará sozinho e sim sempre em associação com as estruturas subcorticais do sistema nervoso central. Sem o córtex cerebral as funções dos centros subcorticais são em geral imprecisas. O vasto reservatório de informação cortical normalmente converte essas funções em operações determinadas e precisas.

    Deste modo, o córtex cerebral é essencial para a maior parte dos nossos processos mentais, porém não pode funcionar sozinho. São as estruturas subcorticais e não o córtex que iniciam o estado de vigília no córtex cerebral, assim promovendo a abertura do banco de memória para ser acessado pela maquinaria do pensamento, que está presente no encéfalo. Ainda assim, cada porção do sistema nervoso executa funções específicas. Porém, é o córtex que abre o mundo de informações armazenadas para que seja explorado pela mente.

    As Sinapses no SNC

    Cada impulso pode ser bloqueado, na sua transmissão de um neurônio para o outro, ou pode ser transformado de impulso único em impulsos repetitivos, ou ainda assim, pode ser integrado a impulsos vindos de outros neurônios, para gerar padrões de impulsos muito complexos em neurônios sucessivos. Estas funções são classificadas como funções sinápticas dos neurônios.

    Unidade 4

    Anatomia Fisiológica da Sinapse

    Na figura 4, podemos ver um esquema de neurônio motor anterior típico que é encontrado no corpo anterior da medula espinhal. Este neurônio é composto por três partes principais, que são: o corpo celular que constitui a maior parte do neurônio; o axônio único que se estende do corpo celular, deixa a  medula espinhal e se  incorpora a nervos periféricos; e os dendritos, que são numerosas projeções ramificadas do corpo celular, que se estendem para áreas adjacentes da medula.

    Nos dendritos são encontrados cerca de 10.000 a 200.000 pequenos terminais pré-sinápticos, nas superfícies dos dendritos e do corpo celular do neurônio motor, cerca de 80% a 95% estão situados nos dendritos e apenas cerca de 5% a 20% no corpo celular. Esses terminais são as porções terminais de ramificações de axônios de diversos outros neurônios. Muitos desses terminais são excitatórios, secretam substâncias transmissoras que estimulam o neurônio pós-sináptico. Porém, outros terminais pré-sinápticos são inibitórios, ou seja, secretam substâncias transmissoras que inibe o neurônio pós-sináptico.

    Fig. 04: Neurônio motor anterior típico. Com um único axônio. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Sinapses Químicas e Elétricas

    Quase todas as sinapses utilizadas para a transmissão de sinais no sistema nervoso central da espécie humana são sinapses químicas. Nessas estruturas, o primeiro neurônio secreta por seu terminal a substância química, um neurotransmissor, e este, por sua vez, irá atuar em proteínas receptoras presentes na membrana do neurônio subsequente, para promover excitação, inibição ou ainda modificar de outro modo a sensibilidade dessa célula. Algumas dessas substâncias mais conhecidas são: acetilcolina, norepinefrina, epinefrina, histamina, ácido gama-aminobutírico (GABA), glicina, serotonia e glutamato.

    As sinapses elétricas são caracterizadas por canais que conduzem eletricidade de uma célula para a próxima. A maior parte dessas sinapses consiste em pequenas estruturas tubulares proteicas chamadas de junções comunicantes, que permitem o movimento livre dos íons de uma célula para outra. Apenas um pequeno número dessas junções podem ser encontradas no sistema nervoso central. Porém, é por meio delas e de outras junções similares que os potenciais de ação são transmitidos de fibra muscular lisa para a próxima no músculo liso, e de célula muscular cardíaca para a próxima célula do mesmo.

    Fadiga da Transmissão Sináptica

    Quando as sinapses excitatórias são repetidamente estimuladas com alta frequência, o número de descargas do neurônio pós-sináptico é inicialmente muito alto, porém a frequência de disparo começa a diminuir progressivamente nos próximos milisegundos ou segundos, fenômeno esse chamado de fadiga da transmissão sináptica.

    Unidade 4

    Esta fadiga é caracterizada extremamente da função sináptica, porque quando certas áreas do sistema nervoso são superexcitadas, a fadiga faz com que percam tal excesso de excitabilidade após algum tempo. Como por exemplo, a fadiga é provavelmente o meio mais importante pelo qual o excesso de excitabilidade do cérebro durante convulsão epiléptica, é por fim assim superado e então o ataque cessa. Dessa maneira, o desenvolvimento da fadiga é mecanismo protetor contra a atividade neuronal excessiva.

    Este mecanismo de fadiga consiste principalmente na exaustão parcial ou completa dos estoques de substâncias transmissora nos terminais pré-sinápticos. Os terminais excitatórios em muitos neurônios podem armazenar neurotransmissores excitatórios suficientes para promover cerca de 10.000 potenciais de ação, e o neurônio transmissor pode ser esgotado por estimulação de apenas poucos segundos ou minutos. Este processo de fadiga causa outros dois fatores: a inativação progressiva de muitos dos receptores de membrana pós-sinápticos e o lento desenvolvimento de concentrações anormais de íons na célula neuronal pós-sináptica.

    Efeitos do pH na Transmissão

    Os neurônios em sua maioria respondem com alta intensidade às mudanças de pH do líquido intersticial que os circunda. De um modo geral, a alcalose aumenta acentuadamente a excitabilidade neuronal.

    Como por exemplo, quando há um aumento do pH do sangue arterial do normal de 7.4 para 7,8 a 8,0 provoca em geral convulsões epilépticas, devido ao aumento da excitabilidade de alguns ou de todos os neurônios cerebrais. Esse acontecimento pode ser demonstrado muito bem ao se solicitar a pessoa predisposta a convulsões epilépticas que faça hiperventilação. A hiperventilação provoca queda dos níveis de dióxido de carbono e, assim, eleva o pH o sangue momentaneamente, portanto, mesmo a elevação do pH por esse curto tempo pode muitas vezes precipitar ataque epiléptico.

    Desse modo, a acidose deprime a atividade neuronal de modo drástico; a queda do pH de 7,4 para níveis inferiores a 7,0, geralmente provoca estado comatoso. Por exemplo, nos casos de diabetes muito grave ou acidose urêmica, o estado de coma quase sempre se desenvolve.

    Efeito a Hipóxia na Transmissão Sináptica

    A excitabilidade neuronal é também muito dependente do suprimento adequado de oxigênio. A cessação da disponibilidade de oxigênio, por apenas alguns segundos, pode provocar completa ausência de excitabilidade de alguns neurônios. Esse fenômeno é observado quando o fluxo sanguíneo cerebral é temporariamente interrompido, porque em cerca de 3 a 7 segundos a pessoa já fica inconsciente.

    Unidade 4

    Efeitos dos Fármacos sobre a Transmissão Sináptica

    Diversos fármacos aumentam a excitabilidade dos neurônios, e outros a diminuem. Por exemplo, umas drogas bem conhecidas como a cafeína, teofilina e teobromina, encontradas no café, no chá e no cacau respectivamente, aumentam todas as excitabilidade neuronal, provavelmente por reduzirem o limiar de excitação dos neurônios.

    A maioria dos anestésicos aumenta o limiar para excitação da membrana neuronal, e assim reduz a transmissão sináptica em  muitos  pontos do sistema  nervoso. Devido  ao  fato  de que grande parte dos anestésicos é especialmente lipossolúvel, tem sido afirmado que algumas dessas substâncias podem mudar as características físicas das membranas neuronais, respondendo menos aos agentes excitatórios.

    O Retardo Sináptico

    Durante a transmissão do sinal neuronal do neurônio pré-sináptico para o neurônio pós-sináptico, certa quantidade de tempo é consumida no processo da (I) descarga da substância transmissora pelo terminal pré-sináptico, (II) difusão do neurotransmissor para a membrana pós-sináptica, (III) ação do neurotransmissor no receptor de membrana, (IV) ação do receptor promovendo o aumento da permeabilidade da membrana e (V) difusão do sódio para o neurônio, aumentando o potencial pós-sináptico excitatório até nível alto o suficiente para provocar o potencial de ação.

    O período mínimo requerido para que todos esses eventos ocorram, mesmo quando grande número de sinapses excitatórias é estimulado simultaneamente, é em torno de 0,5 milissegundos. Esse atraso é chamado de retardo sináptico. Os neurofisiologistas podem medir o tempo de mínimo retardo entre uma salva de impulsos aferentes em conjunto de neurônios e os consequentes disparos eferentes. Da medida do tempo de retardo, pode ser estimado o número de neurônios em série presentes num circuito.

    Sistema Endócrino

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    Conhecimentos

  • Compreender o conceito do termo endocrinologia, sua função, bem como importantes glândulas endócrinas e seus hormônios;
  • Conhecer o processo de secreção e armazenamento dos hormônios, a função dos hormônios hipofisário, ocitócico e os efeitos do hormônio tireoideo sobre os mecanismos do organismo.
  • Entender e conhecer a importância do sistema endócrino na manutenção da homeostase das espécies.


  • Habilidades

  • Identificar as características e os principais tipos de hormônios, local de produção, suas glândulas secretoras e sua ação na dinâmica corporal.
  • Atitudes

  • Desenvolver conhecimento científico sobre os efeitos fisiológicos, decorrentes da influência hormonal, a fim de entender sua aplicabilidade clínica.
  • Unidade 5

    Conceito

    Etimologicamente, “endocrinologia” (“endo” + “crinos” + “logos”) é o estudo das secreções internas.

    Figura 1: GUYTON, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição.

    Um conceito fundamental da fisiologia é o de homeostase; o sistema endócrino é o principal implicado na manutenção da constância do meio interno, do ser e da espécie, face às variações e ameaças ambientais. Caracteriza-se pelo seu dinamismo, precisão e adaptabilidade.

    Classicamente, a função endócrina correspondia à ação de substâncias hormonais produzidas por determinada célula que, após travessia na circulação sanguínea, exerce ação reguladora em outras células. Sabe-se, hoje, que sistemas altamente complexos, redes hormonais, regulam o crescimento, metabolismo corporal, reprodução, comportamento, etc.

    A regulação hormonal da função celular faz apenas parte de um amplo espectro de comunicações químicas, que é do foro da neurobiologia, biologia celular e imunologia. Os processos celulares e moleculares, associados a toda a fisiologia hormonal, não são distintos dos processos parácrinos e autócrinos, imunomoduladores, neurotransmissores, fatores de crescimento, etc. É hoje sobejamente conhecido que o sistema endócrino interatua com o sistema nervoso, imunitário e outros reguladores funcionais.

    Natureza do Hormônio

    O hormônio é uma substância química que é secretada para os líquidos corporais por uma célula ou por um grupo de células que exerce efeito de controle fisiológico sobre outras células do organismo.

    Alguns são hormônios locais, enquanto outros são hormônios gerais. Dentre os exemplos de hormônios locais destacam-se a acetilcolina, liberada nas terminações nervosas parassimpáticas e esqueléticas; a secretina, é liberada pela parede duodenal e transportada pelo sangue até o pâncreas, onde provoca secreção pancreática aquosa;

    Unidade 5

    A colecistocinina, liberada pelo intestino delgado e transportada até a vesícula biliar, onde provoca sua contração, e até o pâncreas, onde induz a secreção de enzimas; e muitos outros. Obviamente, esses hormônios exercem efeitos locais específicos, daí a sua denominação de hormônios locais.

    Alguns hormônios gerais afetam todas ou quase todas as células do organismo; como exemplo, podemos citar o hormônio do crescimento do lobo anterior da hipófise, que induz o crescimento de todas ou de quase todas as partes do organismo, e o hormônio tireoideo da glândula tireoide, que aumenta a velocidade da maioria das reações químicas em quase todas as células do corpo.

    Todavia, outros hormônios só afetam tecidos específicos, denominados tecidos alvo por serem os únicos a possuir os receptores específicos que irão fixar os respectivos hormônios, afim de iniciar suas ações.

    Glândulas Endócrinas importantes e seus Hormônios

    A seguir, faremos uma introdução sobre os importantes hormônios secretados por essas glândulas, com suas ações mais relevantes:

    Hormônios do lobo anterior da hipófise:

    1. Hormônios do crescimento: promove o crescimento de quase todas as células e tecidos do organismo.
    2. Corticotropina: provoca a secreção de hormônios corticosuprarrenais pelo córtex suprarrenal.
    3. Hormônio tireo-estimulante: induz a secreção de tiroxina e de trilodotironina pela glândula tireoide.
    1. Hormônio folículo-estimutante: determina o crescimento de folículos nos ovários antes da ovulação; promove a formação de esperma nos testículos.
    2. Hormônio luteinizante: desempenha importante papel na ovulação; além disso, induz a secreção de hormônios sexuais femininos pelos ovários e de testosterona pelos testículos.
    3. Prolactina: promove o desenvolvimento das mamas e a secreção de leite.

    Hormônio do Lado Posterior da Hipófise

    Vasopressina (antidiurético): leva a retenção de água pelos rins, com aumento no teor de água no organismo; além disso, se presente em elevadas quantidades, provoca constrição dos vasos sanguíneos, levando assim ao aumento da pressão arterial.

    Ocitocina: ocasiona a contração do útero na mulher durante o parto, possivelmente ajudando expelir o recém-nascido, contraem também as células miopiteliais nas mamas, expulsando o leite, quando o lactente suga.

    Hormônio do Córtex Suprarrenal

    1. Cortisol: exerce múltiplas funções metabólicas no controle de metabolismo proteico, dos carboidratos e das gorduras.
    2. Aldosterona: leva a uma redução da excreção pelos rins do sódio, aumentando a excreção do potássio, aumentando assim, o sódio corporal, enquanto diminuía quantidade de potássio.

    Unidade 5

    Hormônio da Glândula Tireoide

    Tiroxina e triiodotironina: levam a um aumento na velocidade das reações químicas do organismo, ocasionando assim, o nível geral do metabolismo corporal.

    Calcitonina: provoca o depósito de cálcio nos ossos, reduzindo assim, a quantidade de cálcio no meio extracelular.

    Hormônios de Langehans do Pâncreas

    1. Insulina: determina a entrada de glicose em quase todas as células do corpo, controlando, o metabolismo da maioria dos carboidratos.
    2. Glucagon: aumenta a quantidade hepática de glicose nos líquidos corporais circulantes.

    Hormônio dos Ovários

    1. Estrogênio: estimulam crescimento e desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos, das mamas e das particularidades sexuais secundárias.
    2. Progesterona: torna o revestimento uterino apto a receber o ovo fertilizado e prepara as mamas para secreção de leite.

    Hormônio dos Testículos

    1. Testosterona: causa estimulação do crescimento dos órgãos sexuais masculinos; além de promover o desenvolvimento das características secundárias do homem.

    Hormônio da Glândula Paratireoide

    1. Paratormônio: determina a concentração de íons cálcio no líquido extracelular ao controlar (a) a absorção intestinal de cálcio, (b) a excreção de cálcio pelos rins, e (c) a liberação de cálcio no osso.

    Hormônio da Placenta

    1. Gonadotropina: favorece o crescimento do corpo lúteo e a secreção de estrogênio e progesterona no corpo lúteo.
    2. Estrogênio: promove o crescimento dos órgãos sexuais da futura mamãe e tecidos do feto.
    3. Progesterona: favorece o desenvolvimento do endométrio antes da fertilização no útero, além de promover o desenvolvimento de alguns tecidos e órgãos fetais; e promove o crescimento do aparelho secretor das mamas da mãe.
    4. Somatomamotropina humana: promove, provavelmente, o desenvolvimento dos tecidos fetais e ajuda no desenvolvimento das mamas da mãe.

    Unidade 5

    Química dos Hormônios

    Do ponto de vista químico, os hormônios pertencem a três tipos básicos:

    1. Hormônio esteroides: Todos estes hormônios têm uma estrutura parecida à do colesterol, e em sua maioria derivam do próprio colesterol. São excretados (a) pelo córtex suprarrenal (cortisol e aldosterona), (b) pelos ovários (estrogênio e progesterona), (c) pelos testículos (testosterona), e (d) pela placenta.
    2. Derivados de aminoácido tirocina: Dois grupos de hormônios derivam do aminoácido tirosina. Os dois hormônios tireoideos, a tiroxina e a triiodotironina, são formas iodetadas de derivados da tiroxina. E os hormônios da suprarrenal, no caso a noraepinefrina e epinefrina, são catecolaminas, também derivadas das tirosina.
    3. Proteínas ou peptídeos: Todos os demais hormônios endócrinos importantes são proteínas, peptídeos ou derivados imediatos deles. Os hormônios do lobo anterior da hipófise são proteínas; os hormônios do lobo posterior hipófise, o hormônio antidiurético e a ocitocina, são peptídeos, contendo cada um, apenas oito aminoácidos. Por fim, a insulina, o glucagon e o paratormônio são grandes polipeptídeos.

    Secreção e armazenamento dos Hormônios

    A proteína sintetizada pelo retículo endoplasmático quase nunca representa o hormônio final. Na verdade, é maior que o hormônio ativo e recebe o nome de pro-hormônio. Na sequência, essa grande proteína é clivada, passando a uma proteína menor, denominada pró-hormônio. Este, por sua vez, é transportado pelas vesículas endoplasmáticas para o aparelho de Golgi, onde ocorre a clivagem de outro fragmento da proteína, com a consequente formação do hormônio proteico ativo final. A seguir, estes grânulos permanecem armazenados no compartimento citoplasmático da célula endócrina até que um sinal específico, como um sinal nervoso, outro sinal hormonal ou algum sinal químico ou físico local, ocorra provocando sua secreção.

    Início da Secreção Hormonal após o estímulo e tempo de duração da ação

    Cada um dos diferentes hormônios possui seu próprio inicio e duração de ação característica - cada um adaptado para sua função de controle.

    As quantidades de hormônios necessárias o controle da função metabólica e endócrina são incrivelmente pequenas.

    Unidade 5

    O fator importante a ser controlado não costuma ser a velocidade na qual a secreção ocorre, mas o grau de atividade do órgão alvo. Por conseguinte, somente quando a atividade do órgão alvo aumenta até um nível apropriado é que um feedback sobre a glândula torna-se suficientemente potente para controlar a secreção de hormônio. Nos casos em que o órgão alvo não reage ao hormônio, a glândula endócrina quase sempre irá realizar uma secreção maior de seu hormônio até que, eventualmente, o órgão alvo alcance o nível apropriado de atividade, porém à custa de secreção excessiva do hormônio regulador.

    Receptores para Hormônios e sua ativação

    Os hormônios endócrinos quase nunca atuam diretamente sobre os mecanismos intracelulares, controlando as células; na verdade, eles quase sempre combinam primeiro a receptores hormonais, localizados na célula ou no seu interior.

    Para os diversos hormônios, as localizações dos receptores são:

    1. Na membrana celular ou em sua superfície: Os receptores da membrana são, em sua maior parte, específicos para essa estrutura.
    2. No citoplasma: Os receptores para os diversos hormônios são quase exclusivamente encontrados no citoplasma.
    3. No núcleo: Os receptores para determinados hormônios metabólicos tireoides (tiroxina e triiodotironina ) são encontradas nessa estrutura.

    Em geral, o número de receptores numa célula alvo não o pertence constante dia após dia, ou até mesmo, minuto após minuto, uma vez que as próprias proteínas receptoras são geralmente destruídas e substituídas por novas, pelo mecanismo de síntese protéica da célula.

    O Hormônio Hipofisário e seu controle pelo Hipotálamo.

    A hipófise também conhecida pela glândula pituitária, é uma pequena glândula com cerca de 1 cm de diâmetro e peso de 0,5 a 1 g. localizada na Cela Túrcica, na base do cérebro, está conectada ao hipotálamo pelo Pedúnculo da Hipófise.

    A origem do lobo anterior da hipófise a partir do epitélio faríngeo explica a natureza epiteloide de suas células, enquanto a origem do lobo posterior a partir do tecido neural esclarece o grande número de célula do tipo glial nessa glândula.

    A hipófise, fisiologicamente, pode ser dividida em duas partes distintas, o lobo anterior, que secretam seis hormônios importantes, e o lobo posterior, que secretam dois hormônios importantes.

    O Hormônio do crescimento: promove o crescimento ao afetar a síntese proteica, assim como a multiplicação e a diferenciação celular.

    Corticotropina: atua controlando a secreção de alguns outros hormônios córtico–suprarrenais, por que no metabolismo da glicose, proteínas e gorduras.

    Tireotropina: controla a velocidade de secreção da tiroxina, e por sua vez, a tiroxina controla a velocidade das reações químicas em todo o organismo.

    Unidade 5

    A prolactina: promove o crescimento da mama e a produção de leite.

    Dois hormônios gonadotrópicos distintos, o Hormônio folículo-estimulante e o hormônio luteinizante, controla o desenvolvimento das gônadas e suas atividades de reprodução.

    Os dois hormônios secretados pela neuro-hipófise desempenham outros papeis:

    Hormônio antidiurético (vasopressina): controla a secreção de água na urina, e dessa maneira favorece a quantidade de água nos líquidos corporais.

    A ocitocina: ajuda a liberar o leite das glândulas mamárias para os mamilos durante a sucção e possivelmente, participa do parto ao final da gravidez.

    Hormônio Ocitócico

    Uma substância ocitócica é a que causa a contração do útero grávido. O hormônio ocitocina, como sugere o seu nome, estimula poderosamente o útero grávido, sobretudo ao final da gestação. Muitos obstetras acreditam que esse hormônio, seja, em parte, o responsável pelo nascimento do bebê. Essa suposição apoia-se nos seguintes fatos:

    No animal hipofisectomizado, o tempo do parto é prolongado, indicando um possível efeito da ocitocina durante o parto;

    A quantidade de ocitocina no plasma eleva-se durante o trabalho de parto, sobretudo durante o último estágio;

    A estimulação do colo na fêmea grávida induz sinais nervosos que passam para o hipotálamo e causam secreção aumentada da ocitocina;

    A ocitocina age especialmente na lactação, cujo efeito é muito mais certo do que seu possível papel no parto. Na lactação, a ocitocina induz a passagem do leite dos alvéolos para os dutos, de modo que o bebê possa sugá-lo.

    A sucção do mamilo provoca sinais que são transmitidos ao cérebro. Por fim, esses sinais chegam aos neurônios de ocitocina, causando a liberação da ocitocina. A seguir o hormônio elevado pelo sangue para as mamas, onde causam a contração das células miopiteliais, que se situam por fora dos alvéolos e que formam uma rede, circundando-os. Em menos de 1 minuto depois da secção o leite flui e desce.

    Efeitos do Hormônio Tireoideo sobre os mecanismos específicos do organismo

    Efeitos sobre o metabolismo dos carboidratos: O hormônio tireoide estimula quase todos os aspectos do mecanismo dos carboidratos, incluindo a rápida captura de glicose pelas células, aumento da glicose e da gliconeogênese, aumento da absorção pelo tubo gastrintestinal e, inclusive, elevando a secreção da insulina, com os consequentes efeitos secundários no metabolismo dos carboidratos. Todos esses efeitos resultam provavelmente do aumento global das enzimas ocasionado pelo hormônio tireoideo.

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    Efeito sobre o metabolismo das gorduras: Praticamente todos os processos do metabolismo das gorduras também são intensificados sobre influência do hormônio tireoideo. Como as gorduras são a principal fonte de energia a longo prazo, suas reservas de gordura do organismo sofrem maior grau de depressão em relação aos outros elementos teciduais.

    Efeito sobre as gorduras plasmáticas e hepáticas: O aumento do hormônio tireoideo diminui a quantidade de colesterol, de fosfolipídios e de triglicerídios no plasma, embora eleve os ácidos graxos. Por outro lado, a secreção diminuída de hormônio tireoideo eleva muito a concentração do colesterol, triglicerídios e fosfolipídios e quase sempre causa a quantidade excessiva de gordura no fígado.

    Efeito sobre o metabolismo das vitaminas: Como o hormônio tireoideo aumenta as quantidades de numerosas e diferentes enzimas, e como as vitaminas são partes essenciais de algumas enzimas ou coenzimas, o hormônio tireoideo provoca aumento das necessidades de vitaminas.

    Efeito sobre o metabolismo basal: Como o hormônio tireoideo aumenta o metabolismo de quase todas as células, a quantidade excessiva desse hormônio pode, em certas ocasiões, elevar o metabolismo basal até 60 a 100% acima do normal.

    Efeito sobre o peso corporal: A produção acentuada de hormônio tireoideo diminui quase sempre o peso corporal, enquanto a forte redução de sua produção aumenta quase sempre o peso corporal. Esses efeitos nem sempre são observados, visto que o hormônio tireoideo aumenta o apetite, o que pode contrabalançar a alteração do metabolismo.

    Efeito sobre o sistema cardiovascular: O aumento do metabolismo dos tecidos determina a utilização de oxigênio mais rápida do que o normal, além de causar liberação de substratos que degradam o metabolismo dos tecidos em quantidade maior do que a normal. Esses efeitos produzem vasodilatação na maioria dos tecidos, como o consequente aumento do fluxo sanguíneo. O fluxo sanguíneo na pele aumenta, em virtude de maior necessidade de eliminação de calor. Com tal aumento, o débito cardíaco também aumenta atingido por vezes 60% ou mais acima de seu valor normal na presença de hormônio tireoideo em quantidade excessivas, mais caindo para apenas 50% de seu valor normal no hipotireoidismo grave.

    Volume sanguíneo: O hormônio tireoideo provoca ligeiro aumento de volume sanguíneo, é provavelmente que esse efeito resulte, pelo menos em parte, da vasodilatação que ocasiona o aumento de sangue no sistema circulatório.

    Unidade 5

    Pressão arterial: Em geral, não ocorre nenhuma modificação da pressão arterial média. Entretanto, devido ao aumento do débito sistólico em cada batimento cardíaco e ao aumento do fluxo do sangue nos tecidos entre os batimentos, a pressão do pulso se eleva, com o aumento da pressão sistólica e redução na diastólica.

    Efeito sobre a respiração: O aumento do metabolismo intensifica a utilização de oxigênio e a formação de dióxido de carbono: esses efeitos aumentam a frequência e a profundidade da respiração.

    Efeito sobre o tubo gastrintestinal: Além de aumentar o apetite e a ingestão de alimentos, o hormônio tireoideo também aumenta a velocidade de secreção dos sulcos digestivos, como no tubo digestivo com sua motilidade. Com a frequência, verifica-se a presença de diarreia. A falta de hormônio tireoideo causa constipação.

    Efeito sobre o sistema nervoso central: O hormônio tireoideo, aumenta a rapidez da aceleração, mas com frequência, também a dissocia. A falta de hormônio tireoideo diminui essa função. O indivíduo hipertireoideo está sujeito a apresentar nervosismo extremo e tendências psiconeuróticas, como complexo de ansiedade, preocupação extrema ou paranoia.

    Efeito sobre a função dos músculos. Um ligeiro aumento na secreção do hormônio tireoideo determina vigorosamente reação muscular, todavia, quando a quantidade de desse hormônio se torna alta, ocorre fraqueza muscular devido ao catabolismo excessivo as proteínas. A falta de hormônio tireoideo faz com que a reação dos músculos seja extremamente lenta, com relaxamento lento após a contração.

    Efeito sobre o sono. Devido ao efeito exaustivo do hormônio tireoideo sobre a musculatura e o sistema nervoso central, o indivíduo hipertireoideo tem quase sempre a sensação de fadiga constante; entretanto, devido aos efeitos excitatórios do hormônio tireoideo sobre as sinapses, o sono torna-se difícil. Por outro lado a sonolência extrema é típica de hipotireoidismo.

    Efeito sobre outras glândulas endócrinas. O acréscimo da secreção do hormônio tireoideo acelera a velocidade de secreção da maioria das glândulas endócrinas, mas também aumenta a necessidade por hormônios dos tecidos.

    Efeito do hormônio tireoideo sobre a função sexual. Para que a função sexual seja normal, a secreção de hormônio tireoideo também precisa ser aproximadamente normal. Nos homens, a falta de hormônio tireoideo tende a causar perda total da libido; por outro lado, grandes excessos de hormônios quase sempre causam impotência. Nas mulheres, a falta de hormônio tireoideo produz com frequência menorragia e polimenorreia, isto é, sangramentos menstruais excessivos e frequentes. Apesar de estranho, a falta de hormônio tireoideo em outras mulheres podem causar períodos irregulares e, em certas ocasiões, até mesmo amenorreia total. Como o homem a mulher hipertireóidea também está sujeita a redução acentuada da libido. Para tornar o quadro mais confuso ainda, a oligomenorreia, isto é, redução acentuada do sangramento menstrual, é comum na mulher hipertireoidea, resultando ocasionalmente em amenorreia.

    A ação do hormônio tireoideo sobre as gônadas não pode ser atribuída a uma função específica, mas provavelmente resulta de combinação de efeitos metabólicos diretos sobre as gônadas e de efeito excitatório e inibidores operando por meios dos hormônios adeno hipofisários que controlam as funções sexuais.

    Unidade 5

    Os Hormônios Corticosuprarrenais

    As glândulas suprarrenais situam-se nos polos superiores de ambos os rins e pesam cada um cerca de 4 g. Cada glândula é formada por duas partes diferentes, a medula suprarrenal e o córtex suprarrenal. A medula suprarrenal localiza-se na parte central e corresponde a 20% da glândula, está ligada de forma funcional ao sistema simpático; secreta os hormônios epinefrina e a norepinefrina, de acordo com a ativação simpática.

    O córtex suprarrenal secreta os hormônios corticosteroides. Todos esses hormônios são sintetizados do colesterol, e todos possuem formas químicas semelhantes.

    Os dois tipos de hormônios corticosuprarrenais, são secretados pelo córtex suprarrenal. Além desses hormônios ocorre secreção de pequenas quantidades de hormônios sexuais (androgênicos), que exercem aproximadamente função similar no organismo. Em normalidade, esses hormônios androgênios são de pouca importância: com tudo em certas anormalidades do córtex suprarrenal, podem ser secretados em quantidades extremas, podendo resultar em efeitos masculinizante.

    Os mineralocorticoides são considerados como a porção “protetora da vida” dos hormônios córticos suprarrenais: os glicocorticoides são igualmente necessários, permitindo ao indivíduo suportar os efeitos deletérios dos " estresses " físicos e mentais intermitentes da vida.

    Efeitos renais e circulatórios da aldosterona

    A função mais importante da aldosterona é promover o transporte de sódio e de potássio através de algumas regiões das paredes dos túbulos renais e, em menor grau, os íons de hidrogênio.

    A aldosterona tem a função na concentração do sódio extracelular, enquanto o potássio é excretado na urina. Altas concentrações de aldosterona no plasma pode diminuir a perda de sódio na urina, ao mesmo tempo, a perda de potássio na urina aumenta por várias vezes. A ausência total de secreção de aldosterona pode causar perda urinária de 20g de sódio no dia.

    Efeito da Aldosterona sobre as Glândulas Salivares, Sudoríparas e a absorção intestinal

    O efeito das glândulas salivares é importante, pois favorece a conserva do sal quando ocorre excreção excessiva de saliva. Já sobre as glândulas sudoríparas é importante para conservar o sal corporal em lugares quentes.

    A aldosterona também aumenta muito a absorção intestinal de sódio, sobretudo no cólon, evitando, a perda de sódio nas fezes.

    A ausência de aldosterona, a absorção de sódio no intestino pode ser muito deficiente, resultando em deficiência de absorção de ânios e de água. O cloreto de sódio e a água não absorvidos resultam em diarreia, com maior perda de sal no organismo.

    Unidade 5

    Funções dos Glicocorticoides

    Efeito do cortisol está na estimulação do gliconeogênese. Já o efeito metabólico do cortisol e dos outros glicocorticoides consiste na capacidade de favorecer a gliconeogênese (carboidratos em proteínas e em algumas outras substâncias) feita no fígado, com aumento da velocidade da gliconeogênese por até 6 a 10 vezes. Esse aumento resulta principalmente de dois efeitos distintos do cortisol.

    Efeito do Cortisol sobre o metabolismo das gorduras

    Embora o cortisol possa causar ligeiro grau na mobilização dos ácidos graxos do tecido adiposo, os  indivíduos com secreção excessiva de cortisol quase  sempre  desenvolve  um  tipo peculiar de obesidade, com gordura excessiva no tórax e na cabeça, resultando em tronco semelhante ao do búfalo e em face arredondada de "lua cheia". Os estudos efetuados a este respeito sugeriram que essa obesidade resulte da estimulação em excesso da ingestão dos alimentos, de modo que alguns tecidos produzem gordura com velocidade maior que sua mobilização e oxidação.

    Hormônios Glucagon e Insulina

    O pâncreas desempenha função digestiva e secreta dois importantes hormônios, a insulina e o glucagon. O pâncreas é constituído por tecidos principais: os ácinos, que fazem a secreção do suco digestivo no duodeno, e as ilhotas de Langerhans, que secretam insulina e o glucagon diretamente no sangue. As ilhotas contêm três tipos de células principais, as células Alfa, Beta e Delta.

    As células Beta constituem cerca de 60% de todas as células, localizam-se no meio de cada ilhota e secretam a insulina. As células de Alfa, que correspondem a cerca de 25% do total, secretam o glucagon. As células Delta, que formam cerca de 10% do total, fazem a secreção da somastotatina.

    A insulina tem papel importante no armazenamento das reservas energéticas em excesso. No caso de carboidratos em quantidades excessivas, a insulina armazena em forma de glicogênio. Induz, também, ao armazenamento da gordura no tecido adiposo. Além, de todos os carboidratos em altas quantidades que não podem ser  armazenados  sob forma de glicogênio são convertidos, sob o estímulo da insulina, em gorduras, e, também, armazenados no tecido adiposo. Já nas proteínas, a insulina exerce um efeito direto em levar a captação dos aminoácidos pelas células e sua conversão em proteínas. Além disso, o hormônio inibe a degradação das proteínas que já se encontram presentes nas células.

    Glucagon e suas funções

    O glucagon é um hormônio secretado pelas ilhotas de Langerhans quando o nível de glicemia está diminuído, possui várias funções, opostas às da insulina. Dentre as funções destaca-se a de elevar o nível de glicemia, níveis oposto da insulina. O glucagon é também conhecido como "Hormônio Hiperglicêmico”.

    Unidade 5

    Efeitos sobre a glicose e seu metabolismo: Os dois principais efeitos são; (1) degradação do glicogênio hepático (glicogenólise) e (2) elevação da gliconeogênese no fígado. Ambos os efeitos aumentam a disponibilidade de glicose para outros órgãos do corpo.

    O efeito mais notável do glucagon está na sua capacidade de promover a glicogenólise hepática, o que por sua vez, aumenta o nível de glicemia em poucos minutos. Mesmo após o esgotamento de todo o glicogênio hepático sob a influência do glucagon, a infusão contínua desse hormônio ainda causa hiperglicemia contínua.

    Somatostatina – Seu efeito sobre a secreção da insulina e do glucagon

    O hormônio somatostatina é secretado pelas ilhotas de Langerhans, este possui efeitos inibidores da secreção de insulina e de glucagon, exerce vários fatores inibidores agindo de forma local nas próprias ilhotas, sua função se baseia no controle e nos níveis de insulina no organismo. Assim, o efeito da somatostatina está no sentido de deprimir o glucagon e a insulina, ou seja, diminui a utilização dos nutrientes absorvidos pelos tecidos, impedindo, assim, a rápida exaustão dos alimentos e tornando-os disponíveis por maior período.

    É preciso lembrar que a somatostatina é a mesma substância conhecida como hormônio do crescimento, secretado pelo hipotálamo, que suprime a secreção adeno-hipofisária de hormônio de crescimento.

    Fisiologia do Sistema Regulador

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    Conhecimentos

  • Entender e conhecer os sistemas que todos os órgãos, sem exceção, possuem, e os tecidos do organismo, que desempenham funções relevantes na manutenção do equilíbrio do organismo.


  • Habilidades

  • Reconhecer, com suas singularidades, os diferentes sistemas que mantém a homeostase, com os conhecimentos prévios sobre sua influência no equilíbrio corporal.
  • Atitudes

  • O aluno desenvolverá capacidade de aplicar na pratica às funções reguladoras essenciais a saúde humana.
  • Unidade 6

    Mecanismos Homeostáticos dos principais sistemas funcionais

    Homeostasia

    O termo homeostasia é usado pelos fisiologistas para correlacionar as condições quase constantes no meio interno do organismo. Todos os órgãos, sem exceção, e os tecidos do organismo desempenham funções que contribuem para manter estas alterações e de forma adequada a manter o equilíbrio do organismo. Por exemplo, os pulmões proveem oxigênio ao líquido que circunda a célula para suprir a demanda de oxigênio que foi utilizado pelas células, os rins mantêm as concentrações de íons constantes, e o sistema gastrintestinal fornece nutrientes.

    Uma grande parte deste texto trata de maneira pela qual cada órgão ou tecido favorece a manutenção da homeostasia. Delinearemos os diferentes sistemas funcionais e suas contribuições funcionais para a homeostasia e, discutiremos a teoria básica dos sistemas que operaram em suporte um do outro.

    Fluido Extracelular – o sistema circulatório do sangue

    O fluido extracelular é transportado através de todas as partes do corpo em dois estágios. O primeiro estágio é a movimentação do sangue pelo corpo nos vasos sanguíneos, e o segundo é a movimentação de fluido entre os capilares sanguíneos e os espaços intercelulares entre as células dos tecidos.

    Todo sangue na circulação sanguínea atravessa o circuito circulatório inteiro em média uma vez a cada minuto quando o corpo está em repouso e até seis vezes por minuto quando a pessoa está extremamente ativa.

    Fígura 1: Organização geral do sistema circulatório3. DÂNGELO, J. C. Anatomia humana básica. São Paulo: Editora Atheneu: 2009.

    Quando o sangue passa pelos capilares sanguíneos, também ocorre troca contínua de fluidos extracelular entre a parte plasmática do sangue e o fluido intersticial que preenche os espaços intercelulares. As paredes dos capilares são permeáveis à maioria das  moléculas no plasma do sangue, com exceção das grandes moléculas de proteínas plasmática.

    Unidade 6

    Portanto, grandes quantidades de fluidos e de seus constituintes dissolvidos difundem-se em ambas as direções entre o sangue e os espaços dos tecidos. Este processo de difusão é causado pelo movimento cinético das moléculas no plasma e no fluido intersticial, isto é, o fluido e as moléculas dissolvidas estão em movimento contínuo em todas as direções dentro do plasma e do fluido nos espaços intercelulares, e também através dos poros dos capilares.

    Poucas células estão localizadas a mais de 50 micrômetros de um capilar, o que assegura a difusão de qualquer substância dos capilares para as células em poucos segundos. Assim, o fluido extracelular em toda parte do corpo – tanto no plasma quanto no fluido intersticial – está continuamente sendo misturado, mantendo quase completa homogeneidade do fluido extracelular do corpo.

    Origem dos nutrientes no fluido extracelular

    Sistema Respiratório: O sangue captura nos alvéolos os oxigênios necessários para as células. A membrana entre os alvéolos e o lúmen dos capilares pulmonares, a membrana alveolar, tem apenas 0,4 a 2,0 micrômetros de espessura, e o oxigênio se difunde por movimento molecular através dos poros desta membrana para o sangue da mesma maneira que a água e os íons se difundem através das paredes dos capilares dos tecidos. (Clique e veja a figura 2)

    Trato Gastrintestinal: Uma grande parte do sangue bombeado pelo coração também flui através das paredes do trato gastrintestinal. Aqui, diferentes nutrientes dissolvidos, incluindo carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos, são absorvidos do alimento ingerido para o fluido extracelular no sangue.

    Figura 3: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Fígado e outros Órgãos que realizam funções primordialmente Metabólicas: Nem todas as substâncias absorvidas pelo trato gastrintestinal podem ser usadas na forma absorvida pelas células. O fígado altera quimicamente muitas dessas substâncias para formas mais utilizáveis, e que outros tecidos do corpo – células adiposas, mucosas gastrintestinal, rins e glândulas endócrinas – contribuem para modificar as substâncias absorvidas ou armazenadas até que sejam necessárias.

    Unidade 6

    Sistema Musculoesquelético: Às vezes nos perguntamos: Como o sistema musculoesquelético se enquadra nas funções homeostáticas do corpo? A resposta é óbvia e simples: Se não existissem os músculos, o corpo não poderia obter os alimentos necessários para a nutrição. O sistema musculoesquelético também proporciona proteção contra o ambiente adverso e mobilidade, sem a qual todo organismo, com seus mecanismos homeostáticos, poderia ser destruído instantaneamente.

    Remoção dos produtos finais do metabolismo

    Remoção do Dióxido de Carbono pelos Pulmões: Ao mesmo tempo em que o sangue capta o oxigênio nos pulmões, o dióxido de carbono é liberado do sangue para os alvéolos pulmonares; o movimento respiratório do ar para dentro e para os pulmões carrega o dióxido de carbono para a atmosfera. O dióxido de carbono é o mais abundante de todos os produtos finais do metabolismo.

    Rins: A passagem do sangue pelos rins remove do plasma a maior parte das outras substâncias além do dióxido de carbono, que são necessárias para as células. Estas substâncias incluem diferentes produtos finais do metabolismo celular, tais como a ureia, e o ácido úrico; também incluem excessos de íons de água dos alimentos que podem ter se acumulado no fluido extracelular.

    Os rins realizam sua função primeiramente por filtrar grandes quantidades de plasma através dos glomérulos para os túbulos e depois reabsorve para o sangue aquelas substâncias necessárias ao corpo, como glicose, aminoácidos, quantidades adequadas de água e muitos dos íons. A maioria das outras substâncias  que não são  necessárias  para o organismo, principalmente os produtos metabólicos finais como a ureia, é pouco reabsorvida e passa pelos túbulos renais para a urina.

    Regulação das funções corporais

    Sistema Nervoso: O sistema nervoso é composto de três partes principais: a parte de aferência sensorial, o sistema nervoso central (ou parte integrativa) e a parte de eferência motora. Os receptores sensoriais detectam o estado do corpo ou o estado do meio ambiente. Por exemplo, os receptores na pele informam o organismo quando um objeto toca a pele em qualquer ponto.

    Os olhos são os órgãos sensoriais que dão a imagem visual do ambiente. Os ouvidos também são órgãos sensoriais. O sistema nervoso central é composto do cérebro e da medula espinhal. O cérebro pode armazenar informações, gerar pensamentos, criar ambição e determinar as reações do organismo em resposta às sensações. Os sinais apropriados são então transmitidos através da eferência motora do sistema nervoso para executar os desígnios da pessoa.

    Unidade 6

    Um grande segmento do sistema nervoso é chamado de sistema autônomo. Ele opera em um nível subconsciente e controla muitas funções dos órgãos internos, incluindo o nível de atividade de bombeamento pelo coração, movimentos do trato gastrintestinal e secreção de muitas das glândulas do corpo.

    Sistema Hormonal de Regulação: Há no corpo oito principais glândulas que secretam substâncias químicas chamadas hormônios. Os hormônios são transportados no fluido extracelular para todas as partes do corpo para participar da regulação da função celular. Por exemplo, o hormônio da tireoide aumenta as taxas da maioria das reações químicas em todas as células, assim contribuindo para restabelecer o ritmo da atividade corporal. A insulina controla o metabolismo da glicose; hormônios adrenocorticoides controlam o metabolismo dos íons sódio, íons potássio e de proteínas; e o hormônio paratireoideo controla o cálcio e o fosfato dos ossos. Assim, os hormônios são um sistema de regulação que complementa o sistema nervoso. O sistema nervoso regula principalmente as atividades musculares e secretórias do organismo, enquanto o sistema hormonal regula muitas funções metabólicas.

    Reprodução

    Às vezes a reprodução não é considerada uma função homeostática. Entretanto, ela realmente contribui para a homeostasia através da geração de novos seres em substituição aos que estão morrendo. Isto pode parecer um uso pouco rigoroso do termo homeostasia, mas ilustra, em última análise, que essencialmente todas as estruturas do corpo são organizadas para manter a autonomia e a continuidade da vida.

    Sistemas de controle do corpo

    O corpo humano possui milhares de sistemas de controle. O mais intricado deles é o sistema de controle genético que opera em todas as células para o controle da função intracelular, bem como da função extracelular.

    Muitos outros sistemas de controle operam dentro dos órgãos para controlar funções de partes individuais destes; outros ainda por todo o corpo para controlar as inter-relações entre os órgãos. Por exemplo, o sistema respiratório, operando em associação com o sistema nervoso, regula a concentração de dióxido de carbono no fluido extracelular. O fígado e o pâncreas regulam a concentração de glicose no fluido extracelular, e os rins regulam as concentrações de hidrogênio, sódio, potássio, fosfato e de outros íons no fluido extracelular.

    Exemplos de mecanismos de controle

    Regulação das Concentrações de Oxigênio e Dióxido de Carbono no Fluido Extracelular: Pelo fato de o oxigênio ser umas das principais substâncias necessárias para as reações químicas nas células, o organismo dispõe de um mecanismo de controle especial para manter a concentração de oxigênio quase constante no fluido extracelular. Esse mecanismo depende principalmente das características químicas da hemoglobina, que está presente em todas as hemácias.

    Unidade 6

    A hemoglobina combina-se com o oxigênio na passagem do sangue pelos pulmões. Quando o sangue passa pelos capilares dos tecidos, a hemoglobina devido à sua alta afinidade química pelo oxigênio, não o libera ao fluido tecidual se já houver oxigênio demais no local. Mas, se a concentração de oxigênio estiver baixa demais, uma quantidade suficiente é liberada para restabelecer uma concentração adequada. Portanto, a regulação da concentração de oxigênio nos tecidos depende principalmente das características químicas da própria hemoglobina. Esta regulação é chamada de função de tamponamento do oxigênio pela hemoglobina.

    A concentração de dióxido de carbono no fluido extracelular é regulada de forma muito diferente. O dióxido de carbono é o principal produto final das reações oxidativas nas células. Se todo o dióxido de carbono formado nas células se acumulasse continuadamente nos fluidos teciduais, a ação de massa do próprio dióxido de carbono rapidamente deteria todas as reações de conversão de energia nas células. Porém, uma concentração mais alta que o normal de dióxido de carbono no sangue excita o centro respiratório, fazendo com que a pessoa respire rápido e profundamente. Isto aumenta a expiração de dióxido de carbono e, portanto, remove o excesso do gás do sangue e dos fluidos. Este processo continua até que a concentração volte ao normal.

    Regulação da Pressão Sanguínea Arterial: Vários sistemas contribuem para regulação da pressão sanguínea arterial. Um deles, o sistema barorreceptor, é um sistema simples e excelente exemplo de um mecanismo de controle de ação rápida. Nas paredes da região de bifurcação das artérias carótidas, no pescoço, e também no arco da aorta, no tórax, encontram-se vários receptores nervosos, chamados barorreceptores, que são estimulados pelo estiramento da parede arterial. Quando a pressão arterial sobe demais, os barorreceptores enviam salvos de impulsos nervosos para o tronco cerebral. Aqui, estes impulsos inibem o centro vasomotor, o qual, por sua vez, diminui o número de impulsos nervosos transmitidos deste centro, através do sistema nervoso simpático, para o coração e vasos sanguíneos. A redução desses impulsos ocasiona a diminuição da atividade de bombeamento do coração e também a dilatação dos vasos sanguíneos periféricos, permitindo aumento do fluxo sanguíneo nos vasos.

    Ambos os efeitos diminuem a pressão arterial, trazendo-a de volta ao valor normal. Inversamente, uma pressão arterial abaixo do normal reduz o estímulo dos receptores de estiramento, permitindo ao centro vasomotor uma atividade mais alta, causando assim, vasoconstrição e aumento do bombeamento cardíaco, com elevação da pressão arterial de volta ao normal.

    Unidade 6

    Faixas normais e características de importantes constituintes do Fluido Extracelular

    Os mais importantes são os limites além dos quais anormalidades podem causar a morte. Por exemplo, um aumento da temperatura corpórea de apenas 7º C acima da normalidade pode levar a um ciclo vicioso de aumento do metabolismo celular que destrói as células. Outro exemplo, é a estreita faixa de equilíbrio acidobásico no corpo, com um valor normal de pH de 7,4 e valores letais com apenas 0,5 unidades de pH acima ou abaixo do normal. Outro importante fator é a concentração de íons potássio, pois quando esta cai para menos de um terço da normal, o individuo provavelmente sofre paralisia em consequência da dos nervos de conduzir impulsos. Alternativamente, se a concentração de íons potássio aumentar para duas ou mais vezes em relação à normal, o músculo cardíaco provavelmente será gravemente deprimido. Também, quando a concentração de íons cálcio cai abaixo da metade do normal, o individuo provavelmente tem uma contração tetânica dos músculos do corpo por causa da geração espontânea de um excesso de impulsos nervosos nos nervos periféricos. Quando a concentração de glicose cai abaixo do normal, o indivíduo geralmente desenvolve uma irritabilidade mental extrema e, às vezes, até mesmo convulsões.

    Esses exemplos devem dar uma ideia da necessidade e da extrema importância do grande número de sistemas de controle que mantém o corpo funcionando na saúde; ausência de qualquer um desses controles pode resultar em sério mau funcionamento do corpo ou em morte.

    Características dos sistemas de controle

    Os exemplos antes apresentados de mecanismos de controle homeostáticos são apenas uns poucos das muitas centenas de milhares existentes no corpo; todos eles possuem determinadas características comuns. Essas características comuns serão explicadas nas páginas seguintes.

    Características de Feedback Negativo da maioria dos sistemas de controle

    A maioria dos sistemas de controle do organismo age por feedback negativo, o que pode ser bem explicado pela revisão de alguns dos sistemas de controle homeostático mencionados anteriormente.

    Na regulação da concentração de dióxido de carbono, uma alta concentração do gás no fluido extracelular aumenta a ventilação pulmonar. Isto, por sua vez, diminui a concentração de dióxido de carbono no fluido extracelular, pois os pulmões eliminam maiores quantidades de dióxido de carbono do organismo. Em outras palavras, a alta concentração de dióxido de carbono inicia eventos que diminuem a concentração até a normal, o que é negativo ao estímulo inicial. Inversamente, a queda na concentração de dióxido de carbono causa um feedback para aumentar a concentração. Esta resposta também é negativa em relação ao estímulo inicial.

    Unidade 6

    Nos mecanismos de regulação da pressão, ou uma pressão baixa faz com que uma série de reações promova a elevação da pressão. Em ambos os casos, estes efeitos são negativos em relação ao estímulo inicial.

    Portanto, em geral, se algum fator se torna excessivo ou deficiente, um sistema de controle inicia um feedback negativo, que consiste em uma série de alterações que recuperam o valor médio do fator, mantendo, assim, a homeostasia.

    Ganho de um sistema de controle

    O grau de eficácia com que um sistema de controle mantém as condições constantes é determinado pelo ganho do feedback negativo. Por exemplo, admita-se que grande volume de sangue foi transfundido em pessoa cujo sistema de controle dos barorreceptores para a pressão não esteja atuando, e que a pressão arterial se eleve de seu valor normal de 100 mm Hg até 175 mm Hg. Em seguida, admita-se que esse mesmo volume de sangue seja transfundido na mesma pessoa, quando seu sistema barorreceptor estiver atuante e, nesse caso, a pressão só se eleva por 25 mm Hg. Assim, o sistema de controle por feedback produziu "correção" de -50 mm Hg, isto é, de 175 mm Hg para 125 mm Hg. Contudo, ainda persiste um aumento da pressão de +25 mm Hg, o que é chamado de "erro", e que significa que o sistema de controle não é 100% eficaz em impedir a variação da pressão.

    Os ganhos de outros sistemas fisiológicos de controle são muito maiores que o do sistema barorreceptor. Por exemplo, o ganho do sistema regulador da temperatura corporal é de cerca de -33. Por conseguinte, pode-se ver que o sistema de controle da temperatura corporal é muito mais eficaz que o sistema barorreceptor.

    O Feedback Positivo pode, às vezes, causar ciclos viciosos e morte

    O feedback positivo pode ser chamado, também, como “ciclo vicioso”, no entanto, a verdade é que um grau pequeno de feedback positivo poderá ser compensado por feedback negativo e seus controles no organismo, com esta situação não será desenvolvido ciclo vicioso.

    O parto é outro caso em que o feedback positivo desempenha um papel valioso. Quando as concentrações do útero se tornam ainda mais fortes para que a cabeça do bebê comece a empurrar o colo uterino, o alongamento do colo envia sinais através do músculo uterino para o corpo, causando contrações ainda mais fortes.

    Outro importante mecanismo que se utiliza do feedback positivo é a geração de sinais neurais, assim representado. Ou seja, quando a fibra nervosa é estimulada, este estímulo causa a liberação de um pequeno influxo de íons sódio, através dos canais de passagem do sódio da membrana neural, para dentro da fibra. Tais íons entram na fibra e modificam o potencial da membrana, o que gera uma abertura de mais canais, ocasionando uma maior variação do potencial de ação, e assim por diante. Assim, com um inicio considerado pequeno, ocorre a explosão de influxos de sódio que dá inicio ao potencial de ação. Consecutivamente a estes eventos, o potencial de ação excita os pontos de sódio adiante, ponto adiante, o que causa um progresso do sinal ao longo de toda a fibra, ou seja, no comprimento da fibra.

    Unidade 6

    Alguns exemplos de mecanismos de controle

    Regulação do Bombeamento Cardíaco

    Quando uma pessoa se encontra em repouso, o coração bombeia apenas 4 a 6 litros de sangue por minuto. Durante o exercício intenso, pode ser necessário que esse coração bombeie de quatro a sete vezes essa quantidade. Os meios básicos de regulação do volume bombeado são: regulação cardíaca intrínseca, em resposta às variações no aporte do volume sanguíneo em direção ao coração e controle da frequência cardíaca e da força de bombeamento pelo sistema nervoso autônomo.

    Regulação da Temperatura

    A regulação da temperatura se dará por influência do hipotálamo, ou seja, quando o corpo tem sua temperatura diminuída os músculos tendem a se friccionarem para aumentar a temperatura. Inversamente, quando o corpo aumenta sua temperatura é através da evaporação do suor que há o resfriamento, por meio da evaporação. No entanto, para que estes controles funcionem é necessário que os termorreceptores do corpo enviem sinais para o hipotálamo de como está a temperatura corporal para sua devida adequação, para baixo ou para cima.

    Regulação da Glicemia

    A insulina e o glucagon são produzidos pelo Pâncreas, estas duas substâncias agem na regulação de açúcar no sangue. Com o aumento na concentração de glicose sanguínea a insulina age com ação hipoglicemiante, e inversamente, quando há queda na concentração de açúcar no sangue o glucagon age com ação hiperglicemiante.

    Para a manutenção da concentração adequada de açúcar no sangue é necessário à atuação desses dois hormônios, ou seja, a homeostase. E para que isto ocorra é necessária à sinalização pelo organismo dos níveis de açúcar no mesmo.

    Sistema Gastrintestinal

    7

    Conhecimentos

  • Entender as funções motoras do intestino, o controle neural, os movimentos e a irrigação sanguínea gastrintestinal;
  • Compreender o processo da digestão e do funcionamento dos órgãos componentes do trato e seus órgãos anexos.

  • Habilidades

  • Identificar aspectos e princípios químicos e fisiológicos de natureza digestiva, o aparecimento de processos moleculares, etapas sua funcionalidade para a preservação do processo digestivo, suas mudanças químicas do organismo e até o funcionamento vital.
  • Atitudes

  • Desenvolver alguns conceitos fundamentais sobre o sistema gastrintestinal, capacitá-lo e torná-lo apto a analisar, descrever, identificar, caracterizar, relacionar e classificar diversos processos digestórios.
  • Unidade 7

    Sistema Gastrintestinal

    O sistema gastrintestinal é composto pelo trato digestório e pelos órgãos anexos. O trato digestório é um tubo que se estende da boca ao canal anal, chamado também de canal alimentar. Fazem parte desse sistema as seguintes estruturas: boca, faringe, estômago, esôfago, intestino grosso e o delgado, reto e o ânus.

    Figura 1: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    O tubo digestivo abastece de forma intermitente o organismo de água, eletrólitos e os nutrientes. No entanto, para que isto ocorra de forma adequada, é necessário o movimento do tubo digestivo;

  • a secreção dos sucos gástricos e a digestão alimento; a absorção dos alimentos; a circulação do que foi absorvido pelo sangue e pelos órgãos para serem absorvidas nesses órgãos; e o controle pelo sistema nervoso e pelo sistema hormonal.
  • Divisão do Sistema Gastrintestinal

    O sistema digestivo está composto por diversos órgãos que se agrupam com funções específicas, os órgãos são: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino grosso e delgado e as glândulas anexas (salivares, mucosas, fígado e pâncreas) que tem função na mastigação, ingestão e digestão dos alimentos.

    O sistema digestivo é visto sob três aspectos: Segmentar, Funcional e Topográfico.

  • Segmentar: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino grosso e o delgado, fígado e as glândulas anexas.
  • Segmentar: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino grosso e o delgado, fígado e as glândulas anexas.
  • Funcional: Porção ingestiva (boca, faringe e esôfago);
  • Porção Digestiva: estômago, intestino delgado e o fígado;
  • Porção Egestiva: intestino grosso;
  • Porção Ingestiva: está constituída pelos segmentos encarregados pela condução dos alimentos (boca, faringe e esôfago).
  • Unidade 7

  • Porção Digestiva: é formada pelos elementos que fazem a função de digestão do alimento. Onde digestão é o processo de desdobramento das partes assimiláveis pelo organismo do alimento (estômago e intestino delgado).
  • Porção Egestiva: é o segmento que tem a função de eliminar os resíduos alimentares (intestino grosso).
  • Topográfica: supradiafragmática (boca, faringe e 9/10 do Esôfago);
  • Infradiafragmática (1/10 do Esôfago, do estômago e os intestinos grosso e delgado).

  • Boca

    É o primeiro segmento do sistema digestivo, apresenta uma forma aproximadamente oval, estando dividida em duas porções pelas arcadas dentárias, essas divisões são; o vestíbulo da boca e a cavidade bucal, apresentando também os dentes, a gengiva, a língua e as glândulas salivares.

  • Vestíbulo da Boca: apresenta uma forma de fenda, situado entre as faces internas dos lábios e das bochechas de um lado e os dentes com as gengivas do outro. O vestíbulo faz conexão com a cavidade da boca propriamente dita através do espaço retromolar.
  • Cavidade Bucal: apresenta-se como um quadrilátero, comunica-se com o exterior por uma fenda existente nos lábios quando unidos a “Rima Bucal” e com a faringe através do “Istmo da Garganta” também chamado “Istmo das Fauces”. A cavidade bucal apresenta 6 (seis) lados: anterior, posterior, superior, inferior e laterais direita e esquerda.
  • Dentes: são estruturas duras, esbranquiçados, que tem a função de apreensão, dilaceração e trituração dos alimentos.
  • Gengiva: a gengiva é constituída por um tecido fibroso denso, ricamente vascularizado, que envolve os processos dos alvéolos dos ossos maxilares e dos ossos da mandíbula.
  • Língua: A língua é o principal órgão do paladar, tendo função importante na articulação da palavra, na mastigação e na deglutição.
  • Figura 2: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Unidade 7

  • Glândulas Salivares: tem a função de embebição do alimento, ou seja, do bolo alimentar, ajudando na deglutição. A saliva produto por elas excretado é proveniente de três glândulas distintas; parótida, submandibular e sublingual, estas são consideradas as grandes glândulas salivares, no entanto existem outras menores com a mesma função e que se localizam na face interna dos lábios e nos palatos duro e mole; No homem em um período de 24 horas a produção de saliva pode chegar entre 1 a 1,5 litros; os ruminantes no mesmo período chegam a produzir mais ou menos 20 litros.
  • Faringe

    A faringe é um conduto músculo-membranáceo, de forma cônica assemelhando-se a um funil, de base superior e vértice inferior, sendo órgão do sistema respiratório e digestivo.

    Situa-se na parte anterior da coluna vertebral e posterior da cavidade nasal, cavidade bucal e laringe, continuando-se inferiormente com o esôfago, inicia na base do crânio até a sexta vértebra cervical.

  • Divisão: a faringe não apresenta limites nítidos entre suas porções, porém, no entanto ao se traçar planos horizontais ao longo de seu eixo pode-se dividi-la em: nasofaringe ou rinofaringe, orofaringe e laringofaringe.
  • Nasofaringe: é o segmento da faringe mais superior que faz comunicação com a cavidade nasal através das coanas. O seu limite superior é dado pela base do crânio e o inferior pelo palato mole; na sua lateral encontra-se o óstio faríngeo que comunica a nasofaringe com o ouvido médio.
  • Orofaringe: é o segmento da faringe que faz comunicação com a cavidade bucal pelo istmo das fauces ou istmo da garganta. Estende-se do palato mole ao ádito da laringe; é na orofaringe que ocorre o cruzamento das vias respiratórias e digestiva.
  • Laringofaringe: é o segmento da faringe que se comunica com a laringe e com o esôfago. Estende-se do ádito da laringe até a 6ª vértebra cervical que corresponde à borda inferior da cartilagem cricóide.
  • A faringe comunica-se, portanto com as estruturas vizinhas através de 7 (sete) orifícios, ou seja: coanas, óstios faríngeos, istmo da garganta, ádito laríngeo e ádito esofágico.

    A musculatura da faringe pode ser de dois tipos: constrictores e elevadores.

    Esôfago

    O esôfago é um tubo músculo membranáceo medindo aproximadamente 25 cm de comprimento, com a função de fazer a condução do alimento até o estômago. Encontra-se situado por diante da coluna vertebral e por trás da traqueia e da artéria aorta. Inicia-se a altura da cartilagem cricóide (6ª vértebra cervical) terminando ao nível da cavidade abdominal à altura da 11ª vértebra torácica.

    Divisão: ao longo de seu percurso, o esôfago se relaciona com diferentes partes do corpo humano, para melhor objetivar uma esquematização, o mesmo é dividido em 4 porções.

    Unidade 7

    • Porção Cervical: relacionada com o pescoço.
    • Porção Torácica: relacionada com o tórax.
    • Porção Diafragmática: quando atravessa o músculo diafragma.
    • Porção Abdominal: pequena parte que se liga ao estômago.
    • Estreitamentos: as estruturas anteriormente, ao se relacionarem com o esôfago exercem pressões sobre superfície externa do mesmo, que repercute internamente diminuindo sua luz, são cinco: cricóide, aórtico, brônquico, diafragmático e cardíaco.

    O esôfago se constitui por uma externa de fibras musculares que estão dispostas em sentido longitudinal e outra camada no sentido circular. O bolo alimentar transita pelo esôfago, no sentido faringe-estômago, devido aos movimentos peristálticos e pela ação da gravidade.

    Divisão do Abdome

    O abdome encontra-se dividido por intermédio de quatro linhas traçadas na parede externa da cavidade abdominal, com isso, evidenciam-se as diversas vísceras ali situadas. Das quatro linhas, duas são vertical com início na metade da clavícula passando pelo mamilo e terminado no meio dos ligamentos inguinais de cada lado. As outras duas são horizontais; uma situada acima do umbigo e que margeia os rebordos inferiores das últimas costelas; a outra situada abaixo, que une as cristas ilíacas ântero-superiores.

    Estômago

    É o órgão mais dilatado, situa-se entre o esôfago e tem inicio no intestino delgado, na cavidade abdominal, ocupa as regiões epigástricas, hipocôndrio esquerdo e mesogástrica.

    Figura 3: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Forma: tem a forma variável de acordo com vários fatores:

    Com o estado de plenitude ou de vacuidade.

    Com a fase da digestão;

    Com a musculatura da região;

    Com o biótipo.

    Unidade 7

    Divisão: para se estudar a superfície externa do estômago, deve-se traçar sobre a mesma duas linhas na horizontal, uma na parte superior e outra na parte inferior; a linha horizontal superior deve passar pela “Incisura Cardíaca” reentrância ou depressão formada pela terminação da borda esquerda do esôfago com o estômago; a linha horizontal inferior deve passar pela “Incisura angular”, esta incisura representa o ponto em que a pequena curvatura do estômago deixa de ser vertical para se horizontalizar, com isso obtêm-se a seguinte divisão do estômago:

  • Fundo: segmento em forma de cúpula localizado na parte de cima da linha horizontal superior, representa o espaço vazio do estômago, que normalmente encontra-se cheio de ar.

  • Corpo: segmento situado entre as linhas horizontais, representa a maior porção do estômago, apresentando uma face anterior ou ventral e outra posterior ou dorsal.

  • Região Pilórica: porção do estômago situada entre a linha horizontal inferior e o início do intestino delgado. A esse nível ao se traçar uma linha oblíqua partindo da incisura angular de maneira que forma com a linha horizontal inferior um ângulo de aproximadamente 60º, divide-se essa região em dois segmentos - Antro (unido ao corpo) e Canal Pilórico (que se continua com o intestino delgado).

  • Analisando-se o estômago como um todo o mesmo apresenta ainda uma grande curvatura que corresponde a sua borda esquerda, uma pequena curvatura a sua borda direita; um orifício superior o Óstio Cárdico, provido de um esfíncter resultante da  condensação das fibras circulares do esôfago e outro orifício inferior o Óstio Pilórico, cujo esfíncter resulta da condensação de fibras circulares do estômago.

    Estruturalmente pode-se observar a porção interna do mesmo sob dois aspectos: Macroscópico onde em estado de vacuidade, a sua mucosa apresenta-se franjeada por grossas pregas longitudinais, que tem por função aumentar a capacidade do órgão, isto por que em estado de plenitude estas pregas desaparecem. Microscópico onde verifica-se as glândulas gástricas disseminadas por toda a sua mucosa que podem se apresentar de três tipos:

  • Cardíacas: encontrada na porção cárdica com a função de produzirem mucina.

  • Fúndicas ou Gástricas: situadas no fundo do corpo do estômago, apresentando células mucosas que produzem mucina, células pépticas que secretam pepsinogênio e as células parietais que secretam ácido clorídrico.

  • O estômago apresenta a função de absorção dos sais minerais, álcool, açúcar e de algumas drogas; não sendo o principal órgão da digestão, papel destinado ao intestino delgado.

    Intestino Delgado

    É um tubo sinuoso medindo aproximadamente 7 a 9 metros de comprimento, estendendo-se do óstio pilórico à válvula ileocecal apresentado uma posição central na cavidade abdominal, é dividido em três segmentos distintos; o duodeno, o jejuno e o íleo.

    Unidade 7

    Duodeno: é o menor segmento, mede cerca de 25 cm ou o equivalente a doze dedos colocados juntos e transversalmente; tem forma que lembra a letra “C” onde na sua concavidade encontra-se encaixado o pâncreas podendo ser dividido em quatro partes: superior, descendente, horizontal ou inferior e ascendente sendo a sua porção mais importante a descendente, pois, nela encontra-se a desembocadura do conduto pancreático principal e colédoco formando uma ampola que desemboca na papila duodenal maior e o conduto pancreático acessório que desemboca na papila duodenal menor.

    Jejuno e Íleo: são os segmentos que continuam o duodeno e desembocam no intestino grosso, seu limite não é bem definido, porém se considera o Jejuno como sendo as alças intestinais mais superiores, ou seja, 2/5 superiores e o Íleo as alças intestinais inferiores correspondendo aos 3/5 inferiores; no Jejuno a absorção ocorre mais ativamente.

    Figura 4: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Estruturalmente o intestino delgado encontra-se constituído por três camadas: a externa é uma camada serosa que corresponde a lâmina visceral do peritônio; a camada média é uma camada muscular, apresentando fibras longitudinais de músculo liso e fibras circulares; a camada interna também denominada túnica da mucosa, apresenta rugas circulares que apresentam-se em maior número no jejuno rarefazendo-se no íleo.

    Pâncreas

    É uma glândula mista, apresentando uma secreção endócrina lançada na corrente circulatória (insulina e glucagon) e uma exócrina (suco pancreático) lançado na luz do duodeno. Essa glândula encontra-se situada na cavidade abdominal estendendo-se do duodeno ao baço ocupando as regiões epigástrica e o hipocôndrio esquerdo.

    Figura 5: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

    Unidade 7

  • Divisão: o pâncreas é composto por três porções, ou seja, cabeça (porção encravada no duodeno), corpo (porção intermediária) e cauda (porção que se liga ao baço).
  • Condutos: o pâncreas lança seu produto na porção descendente do duodeno através de dois condutos:
    • Pancreático principal: que se abre na papila maior do duodeno;
    • Pancreático acessório: que se abre na papila menor do duodeno.

    Fígado

    O fígado situa-se na cavidade abdominal ocupando as regiões: hipocôndrio direito, epigástrica e a porção do hipocôndrio esquerdo. O fígado também é uma glândula mista sendo considerada no corpo humano a maior. Como órgão de secreção interna (função glicogênica em particular) lança o seu produto na corrente circulatória, já a sua secreção externa (função biliar) é levada ao duodeno através de um sistema de conduto especial que se une originando um conduto único, o conduto colédoco que desemboca na segunda porção do duodeno, juntamente com o conduto pancreático acessório.

  • Divisão: o fígado encontra-se divido em 4 (quatro) lobos, sendo os dois maiores denominados de lobo direito e lobo esquerdo e os dois menores o lobo quadrado e o lobo caudado. Os lobos se dividem em unidades menores chamadas lóbulos onde tem origem os condutos (ductos) hepáticos. Os ductos à medida que se dirigem para a superfície externa do fígado vão se reunindo a fim de formarem dois condutos que se exteriorizam com a denominação de conduto hepático direito e conduto hepático  esquerdo que logo  após sua  saída, unem-se para formar
  • o conduto hepático comum, que por sua vez une-se ao conduto cístico advindo da vesícula biliar, então constituírem o conduto colédoco que vai desembocar juntamente com o conduto pancreático principal na papila maior do duodeno.

  • Produção da Bile: assim que as partículas de gordura entram em contado com a mucosa do duodeno e jejuno, levam a secreção da Colecisticinina que segue por via sanguínea até o fígado; as células hepáticas são por sua vez estimuladas a produzirem a bile, com a finalidade de atuarem sobre as gorduras, tornando-as assimiláveis; quando não há necessidade de grande quantidade de bile a mesma segue para a vesícula biliar onde é acumulada tornando-a mais concentrada.

  • Meios de Fixação: o fígado mantém-se em posição graças a pressão abdominal, a veia cava inferior e a uma série de ligamentos:

  • O ligamento redondo do fígado: que une o fígado à parede abdominal sendo um resquício da veia umbilical do feto.

  • Ligamento venoso do fígado: resquício do ducto venoso do feto.

  • Ligamento falciforme: que une o fígado ao músculo diafragma.

  • Ligamentos coronários: expansões laterais do ligamento falciforme e que une superiormente o fígado ao músculo diafragmático.

  • Ligamentos triangulares: porção terminal dos ligamentos coronários.
  • Unidade 7

    Intestino Grosso

    É o segmento digestório que vai da terminação do íleo ao ânus. Mede aproximadamente 1,5 a 2 metros ocupando uma posição lateral ao intestino delgado assemelhando-se a uma moldura de um quadro.

  • Característica do Intestino Grosso: é mais calibroso e menor que o intestino delgado. Apresenta boceladuras, que são dilatações limitadas por profundos sulcos transversais. A sua musculatura longitudinal condensam-se em certas regiões para formar as tênias que são em número de três e que convergem para o apêndice cecal (vermiforme). Apresenta formações gordurosas denominadas apêndices epiploicos, mais abundantes no cólon transverso, descendente e sigmoide.

  • Divisão: o Intestino Grosso encontra-se dividido em: Ceco (cecum), Cólon Ascendente, Cólon transverso ou horizontal, Cólon Sigmoide ou Ileopélvico e Reto (ampola retal).

  • Cécum: compreende o inicio do segmento do intestino grosso, corresponde a porção do intestino que se situa abaixo transversalmente, no qual passa imediatamente acima da válvula ileocecal. Apresenta a forma de uma ampola ou fundo de saco ou bolsa cecal, situada na fossa ilíaca direita.

  • Apêndice Vermiforme: encontra-se emergindo da extremidade interna do cécum destaca-se um conduto estreito e comprido, mede de 2 a 20 cm de comprimento, rico em linfonodos; sua localização é facilitada pelas tênias que convergem em sua direção.
  • Cólons: considerando os cólons em conjunto, sabe-se que eles iniciam-se logo acima da válvula ileocecal e terminam a nível da 3ª vértebra sacral.

  • Ascendente: começa logo acima da válvula ileocecal e termina em nível da face inferior do fígado, onde forma em ângulo reto a Flexura Cólica Direita ou Ângulo Hepático.

  • Transverso: é o segmento do intestino grosso que cruza do hipocôndrio direito para o esquerdo, terminando a nível da face inferior do baço onde forma um novo ângulo ou seja, a Flexura Cólica Esquerda ou Ângulo Esplênico.

  • Descendente: segmento se estende da flexura cólica esquerda à crista ilíaca anterossuperior esquerda.

  • Sigmoide: segmento se estende da espinha ilíaca à 3ª vértebra sacral, ocupa toda a fossa ilíaca esquerda, apresenta a forma de um “S”.

  • Funções: não obstante a absorção, se verificar no intestino grosso e no delgado uma função de absorção, feita, sobretudo em relação à água (grande quantidade). Serve também de depósito da matéria fecal que continuamente vai sendo produzida.

  • Reto: é a continuação do cólon sigmoide, medindo aproximadamente 12 cm de comprimento, situado a partir da 3ª vértebra sacral. Apresenta uma porção dilatada, a ampola retal que termina no canal anal, e este no esfíncter anal.
  • Unidade 7

    Peritônio

    O peritônio é a membrana serosa que reveste a parte interna das paredes abdominais. Esta membrana serosa constitui nos homens um saco sem comunicar-se com o meio externo do corpo; na mulher existe uma continuação do saco com as membranas das tubas uterinas, havendo, portanto comunicação do meio interno com o externo.

  • Divisão: O peritônio está constituído por dois folhetos:
    • Parietal: que está colada às paredes abdominais, face inferior do diafragma e recobre as estruturas pélvicas.
    • Visceral: que recobre totalmente as vísceras, como o estômago e os intestinos.
  • Função: o peritônio serve para manter as vísceras em sua posição e para a distribuição vascular através de suas dobras.

  • Ligamentos: são pregas do peritônio visceral que ligam um órgão à parede abdominal, normalmente vascular.

  • Meso: é toda prega peritonial, rica em vasos sanguíneos, que unem um órgão do sistema digestivo, à parede abdominal.

  • Omento ou Epiplon: prega peritonial que une um órgão a outro, pode-se identificar o pequeno omento ou gastro-hepático e o grande omento ou gastro-cólico.
  • Princípios Gerais de Motilidade Gastrintestinal

    As funções motoras do intestino são executadas pelas diferentes camadas de músculo liso.

    Músculo liso gastrintestinal: sua função como sincício. As fibras musculares lisas isoladas no tubo gastrintestinal têm entre 200 e 500 mV de comprimento e 2 e 10 mV de diâmetro, e estão dispostas em feixes de até 1.000 fibras paralelas. Na camada muscular longitudinal, esses feixes estendem-se longitudinalmente pelo tubo intestinal; na camada muscular circular, estendem-se ao redor desse tubo. No interior dos feixes, as fibras são conectadas eletricamente umas às outras por meio de grande número de funções abertas que permitem o movimento com baixa resistência. Por conseguinte, os sinais elétricos podem passar rapidamente de uma fibra para outra.

    Cada feixe de fibras musculares lisas é separado do próximo por tecido conjuntivo frouxo; todavia, os feixes fundem-se entre si em numerosos pontos, de modo que, na realidade, cada camada muscular representa uma malha ramificada de feixes musculares lisos. Por conseguinte, cada camada muscular funciona como um sincício, isto é, quando um potencial de ação é desencadeado nas diferentes partes da massa muscular, dirige-se em geral em todas as direções pelo músculo. Todavia, a distância percorrida depende da condição de excitação do músculo; algumas vezes, cessa depois de alguns milímetros e, outras vezes, percorre muitos centímetros ou até mesmo toda a extensão do tubo intestinal. Além disso, existem algumas ligações entre as camadas longitudinais e circulares, de modo que a excitação de uma das camadas excita habitualmente a outra.

    Unidade 7

    Os íons cálcio e contração muscular: ocorre em resposta à entrada do cálcio na fibra muscular. Acredita-se que, no músculo liso, os íons cálcio, ao atuarem através do mecanismo de controle da calmodulina, ativam os filamentos de miosina nas fibras, gerando forças de atração entre esses filamentos e os de actina, resultando na contração.

    Contração tônica do músculo liso gastrintestinal: em geral, o músculo liso do tubo gastrintestinal exibe contração tônica, bem como contrações rítmicas. A contração tônica é contínua, não está associada a modulação elétrica básica de ondas lentas, mas quase sempre duram vários minutos à horas.

    Função Gastrintestinal e o seu Controle Neural

    O tubo gastrintestinal apresenta sistema nervoso próprio, o sistema entérico. Esse sistema situa-se totalmente na parede intestinal, começa no esôfago até o ânus. A quantidade de neurônios nesse sistema é da ordem de cerca de 100.000.000, quase exatamente igual ao número em toda a medula espinhal, ilustrando, assim a sua importância na função gastrintestinal.

    O sistema entérico se constitui por dois plexos: o externo, plexo mioentérico ou plexo de Auerbach; e o outro um plexo interno, o submucoso ou plexo de Meissner.

    O controle parassimpático do intestino: é dividido em craniana e sacra. À exceção das fibras parassimpáticas para a boca e a região faríngea do tubo alimentar, as fibras cranianas são transmitidas pelos nervos vagos quase inteiramente. Essas fibras fornecem extensa inervação para o esôfago, o estômago, o  pâncreas e a  primeira  metade do intestino grosso (porém com pouca inervação para o intestino delgado).

    O parassimpático sacro origina-se no segundo ao quarto segmentos sacros da medula espinhal e passa, pelos nervos pélvicos, para a metade distal do intestino grosso. As regiões sigmoide, retal e anal do intestino grosso são consideravelmente mais supridas por fibras parassimpáticas do que as outras porções. Essas fibras funcionam especialmente nos reflexos de defecação.

    Inervação simpática: As fibras simpáticas para o tubo gastrintestinal têm inicio na medula espinhal, nos segmentos T-5 e L-2. As fibras pré-ganglionares, após deixarem a medula espinhal, entram nas cadeias simpáticas e passam, através delas, para os gânglios situados fora delas, como o gânglio celíaco e os vários gânglios mesentéricos.

    Tubo Gastrintestinal e seus movimentos

    Acontecem dois tipos de movimentos no tubo gastrintestinal: movimentos propulsivos, que propulsionam o alimento pelo tubo digestivo com velocidade apropriada para que ocorram a digestão e a absorção e movimentos de mistura, que mantêm o conteúdo intestinal sempre misturado.

    Os movimentos propulsivos (peristaltismo): o movimento propulsivo básico do tubo gastrintestinal é o peristaltismo. Um anel contrátil aparece em torno do intestino, e, a seguir, move-se para adiante: esse movimento é análogo a colocar os dedos ao redor de um tubo distendido, apertando-os e movendo-os para frente, ao longo do tubo. Naturalmente, qualquer material que estiver à frente do anel contrátil será movido para adiante. O peristaltismo é pro-

    Unidade 7

    priedade inerente de muitos tubos de músculo liso sincicial. Por conseguinte, o peristaltismo ocorre no tubo gastrintestinal, nos dutos biliares, em outros dutos glandulares do organismo, nos ureteres e em muitos outros tubos de músculo liso do organismo.

    Movimentos de mistura: os movimentos de mistura ao longo das partes do tubo alimentar se diferenciam. Em algumas áreas, os movimentos peristálticos provocam a maior parte da mistura, o que ocorre principalmente quando a progressão do conteúdo intestinal para frente é bloqueada por um esfíncter, de modo que a onda peristáltica só pode misturar e comprimir o conteúdo intestinal, em vez de propeli-lo para frente, Outras vezes, ocorrem contrações constritivas locais. Essas constrições duram, em geral, apenas alguns segundos; a seguir, novas constrições aparecem em outros pontos do intestino, "cortando" os conteúdos aqui e ali. Esses movimentos peristálticos e constritivos são modificados em diferentes partes do tubo gastrintestinal para propulsão e mistura adequada.

    Irrigação Sanguínea Gastrintestinal

    O sistema gastrintestinal é composto por uma trama muito extensa de vasos sanguíneos, tal sistema é denominado circulação esplênica. Inclui o fluxo sanguíneo pelo tubo alimentar, pelo baço, pâncreas e fígado. A distribuição desse sistema é tal que todo o sangue que flui pelo intestino, baço e pelo pâncreas chega imediatamente até o fígado. Chegando ao fígado, flui pelos finos canais sinusoides e, por fim, deixa o órgão pelas veias do fígado, as hepáticas, que desembocam na veia cava geral da circulação.

    Esse fluxo secundário de sangue passando pelo fígado permite que as células dos retículos endoteliais, que recobrem os finos sinusoides hepáticos, remover as bactérias e demais  partículas  que  possam ter  penetrado no  sangue a partir do tubo gastrintestinal, não permitem assim, a entrada de algum agente nocivo ao organismo.

    Sistema Renal

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    Conhecimentos

  • Conhecer a constituição do sistema renal, entender como se processa a composição e eliminação dos líquidos corporais, e suas relações com a regulação do Sistema Renina-angiostensina.
  • Entender o processo que se dá a insuficiência renal e quando ocorrerá o transplante renal.

  • Habilidades

  • O estudante será capaz de analisar, descrever, identificar, caracterizar, relacionar e classificar diversos processos regulados pelos rins na regulação da pressão arterial e na excreção de quantidades variáveis de sódio e água.
  • Atitudes

  • Desenvolver alguns conceitos fundamentais sobre a excreção de produtos indesejáveis do metabolismo e substâncias químicas estranhas, drogas e metabólitos hormonais;
  • Discorrer sobre os procedimentos usados no controle da regulação da pressão arterial, e na aplicação prática destes conhecimentos na clínica.
  • Unidade 8

    Conceito

    O metabolismo das células resulta em substâncias nocivas ao organismo, como por exemplo, o gás carbônico, a ureia, a creatinina e o ácido úrico. Essas toxinas, ou também chamadas de "lixo celular", caem na corrente sanguínea, de onde são recolhidas para serem eliminadas do nosso organismo. Os dois sistemas responsáveis por esse trabalho são: o respiratório, que elimina o gás carbônico e o sistema urinário, que é encarregado da excreção das demais substâncias nocivas, da regulação do volume de água no organismo e do pH sanguíneo, ou seja, a urina também é um veículo de excreção. A figura abaixo nos mostra uma breve anatomia do sistema renal (fig. 01).

    Fig. 01: Anatomia geral dos rins e sistema urinário. Dângelo, J. G. Anatomia humana básica. São Paulo: Editora Atheneu: 2009.

    Órgãos do Sistema Renal

    O sistema renal (ou urinário) compreende os órgãos responsáveis pela formação da urina, os rins, e outros associados a este, são destinados a eliminação da urina: ureteres, bexiga urinária e uretra.

    Rins são dois órgãos pares localizados profundamente no abdome, ao nível da décima segunda vértebra torácica e das três primeiras vértebras lombares, próximo à parede abdominal posterior, na região conhecida como retroperitônio. Tem cerca de 10 centímetros e uma forma que lembra a um grão de feijão. Os rins fazem uma coleta seletiva no organismo, filtrando o sangue, desprezando as toxinas e as substâncias presentes em excesso e reabsorvendo o que pode ser reaproveitado. Dessa forma, a água e sais minerais em excesso, bem como outras substâncias que poderiam ser nocivas, permanecem dentro dos rins e vão formar a urina, que será eliminada através de um sistema de túbulos que a levará por fim, para fora do corpo.

    Cada rim tem uma abertura em sua borda medial, chamada de hilo renal, nessa abertura passam a artéria e a veia renal, para suprimento sanguíneo, e também passa a pelve renal, estrutura que coleta a urina produzida (clique e veja a figura 2), estes em conjunto constituem o pedículo renal. A artéria e a veia renal são ligadas à artéria aorta parte descendente e à veia cava inferior. Neles está situada a glândula suprarrenal, pertencente ao sistema endócrino.

    Unidade 8

    Por sua vez, os rins estão envolvidos por uma cápsula fibrosa e, quase sempre, é abundante o tecido adiposo perirenal, constituindo a cápsula adiposa. Em um corte macroscópico frontal que o divide em duas metades, anterior e posterior, pode-se examinar uma das metades e observar ao longo da periferia do órgão uma porção mais pálida, chamada de córtex renal, que se localiza numa segunda porção, mais escura a medula renal. Estas projeções do córtex têm a forma de colunas, as colunas renais, e separam as porções cônicas da medula denominadas de pirâmides renais.

    São constituídos por aproximadamente um milhão de unidades microscópicas funcionais chamadas de néfrons, que são responsáveis pela filtração do sangue e pela formação da urina. O processo de formação começa quando o sangue chega ao rim pela artéria renal e a partir daí, a artéria vai se dividindo mais e mais até formar os finos capilares que se enovelam, constituindo um emaranhado de vasos, o glomérulo, que está envolvido pela cápsula glomerular (ou de Bowman), que é a primeira porção funcional do néfron; e o conjunto formado pelo enovelado vascular e a cápsula é denominado corpúsculo renal.

    Ureter é definido como um tubo muscular que une o rim à bexiga. Partindo da pelve renal, constituindo a sua extremidade superior dilatada, tem um trajeto descendente, acoplado à parede posterior do abdome e penetra na pelve para terminar na bexiga, desembocando na mesma pelo óstio ureteral. Este tubo tem capacidade de se contrair e realizar movimento peristálticos.

    Bexiga é uma bolsa muscular (músculo detrusor) localizada posteriormente à sínfise púbica e que funciona como reservatório para a urina. Quando  distendida, a bexiga  torna-se globosa e cresce superiormente, podendo invadir a cavidade abdominal.

    Quando o volume de urina chega a aproximadamente 300 mililitros, suas paredes se distendem e provoca um estímulo nervoso que se traduz na vontade de urinar. Podemos controlar essa necessidade por um período de tempo, já que temos domínio parcial sobre uma estrutura muscular chamada de esfíncter uretral, que só deixa a urina passar quando está relaxado. Por isso, é possível acumular muito mais do que 300 mililitros de urina. Porém, quando acima de 800 mililitros, nossos esforços são insuficientes, o sistema nervoso comanda o reflexo de micção, com o relaxamento do esfíncter e a contração do músculo da bexiga, e a urina é expelida independentemente da vontade.

    Nesta, há três aberturas que formam um triângulo em sua parede, chamado de trígono vesical, formado por duas aberturas dos ureteres e a abertura interna da uretra. Quando a bexiga está cheia, é comprimida as aberturas dos ureteres, assim impedindo o refluxo de urina para os ureteres e os rins.

    Uretra constitui o último segmento das vias urinárias. Após atravessar o esfíncter uretral, ela chega nesta parte. No homem, ela se abre no pênis, e na mulher, se abre na vulva, sendo, por isso, mais curta que a do homem. A uretra mais curta também facilita a entrada de bactérias do exterior para a bexiga, tornando as mulheres mais vulneráveis à infecção da bexiga, chamada de cistite. Porém, em ambos os sexos é um tubo mediano que estabelece a comunicação entre a bexiga urinária e o meio exterior. Ainda, no homem, é um meio comum para micção e ejaculação, já na mulher, serve apenas à excreção da urina.

    Unidade 8

    Várias Funções dos Rins na Homeostase

    Muitas pessoas estão familiarizadas com uma função importante dos rins que é de eliminar do corpo o material indesejado que é ingerido ou produzido pelo metabolismo, mas uma segunda função é em especial crítica, que é controlar o volume e a composição dos líquidos corporais. Os rins possuem múltiplas funções como: excretar produtos indesejáveis do metabolismo e substâncias químicas estranhas; regular o equilíbrio de água e eletrólitos; regular a osmolalidade dos líquidos corporais e da concentração de eletrólitos; regular pressão arterial; regular equilíbrio ácido-base; secreção, metabolismo e excreção de hormônios; gliconeogênese.

    Excreção produtos indesejáveis do metabolismo e substâncias químicas estranhas, drogas e metabólitos hormonais: Os rins são os meios primários para a eliminação de produtos indesejáveis do metabolismo que não são mais necessários ao corpo. Esses produtos incluem ureia (do metabolismo dos aminoácidos), creatinina (da creatina muscular), ácido úrico (dos ácidos nucléicos), produtos finais da quebra da hemoglobina (como a bilirrubina) e metabólitos de vários hormônios. Esses produtos indesejáveis devem ser eliminados do corpo tão rapidamente quanto são produzidos. Os rins também eliminam a maioria das toxinas e outras substâncias estranhas, que são tanto produzidas pelo corpo como ingeridas, como pesticidas, drogas e aditivos alimentícios.

    Regulação da Pressão Arterial: Os rins têm um papel dominante na regulação da pressão arterial a longo prazo pela excreção de quantidades variáveis de sódio e água. Os rins também contribuem para a regulação a curto prazo da pressão arterial pela secreção de fatores ou substâncias vasoativos, tais como a renina, que leva a formação de produtos vasoativos.

    Regulação o Equilíbrio de água e eletrólitos: Para a manutenção da homeostase, a excreção de água e eletrólitos deve ser cuidadosamente combinada com os respectivos ganhos. Caso o ganho exceda a excreção, a quantidade de água e eletrólitos no corpo aumentará. Caso o ganho seja menor que a excreção, a quantidade de água e eletrólitos no corpo diminuirá.

    Regulação do Equilíbrio Ácido-Base: Os rins contribuem para a regulação do equilíbrio ácido-base, junto com os pulmões e os tampões dos líquidos corporais, pela excreção de ácidos e regulação dos estoques de tampões dos líquidos corporais. Os rins são a única forma de eliminar certos tipos de ácidos do corpo, tais como os ácidos sulfúrico e fosfórico, gerados pelo metabolismo das proteínas.

    Regulação da Produção de Eritrócitos: Os rins secretam a eritropoetina, que estimula a produção de hemácias. Um importante estímulo para a secreção de eritropoetina pelos rins é a hipoxia. Os rins normalmente produzem e secretam quase toda a eritropoetina da circulação. Pessoas com doença renal grave ou que tiveram seus rins removidos e fazem hemodiálise, desenvolvem anemia grave como resultado da diminuição da produção de eritropoetina.

    Síntese da Glicose. Durante o jejum prolongado, os rins sintetizam glicose a partir de aminoácidos e outros precursores, um processo conhecido como gliconeogênese. A capacidade dos rins em adicionar glicose ao sangue durante períodos prolongados de jejum equivale àquela do fígado.

    Unidade 8

    Na doença renal crônica ou na insuficiência renal aguda, essas funções de manutenção da homeostase são interrompidas e anormalidades graves dos volumes e da composição do líquido corporal ocorrem rapidamente. Com a insuficiência renal total, potássio, ácidos, líquidos e outras substâncias se acumulam no corpo causando a morte em poucos dias, a não ser que intervenções clínicas, tais como a hemodiálise (discutida logo abaixo), sejam iniciadas para restaurar, ao menos parcialmente, o equilíbrio corporal de líquidos e eletrólitos.

    Néfron: Unidade Funcional do Rim

    Como dito anteriormente, cada rim contém cerca de um milhão de néfrons, cada um capaz de formar urina, e o mesmo, não se regenera. Após os 40 anos de idade, o número de néfrons funcionais diminui cerca de 10% a cada 10 anos, dessa forma, com 80 anos, muitas pessoas têm 40% a menos de néfrons funcionais. Essa perda não põe risco à vida porque alterações adaptativas nos néfrons remanescentes os permitem excretar a quantidade apropriada de água, eletrólitos e produtos residuais. Cada néfron contém um grupo de capilares glomerulares chamado glomérulo, pelo qual grandes quantidades de líquidos são filtradas do sangue, e um longo túbulo, no qual o líquido filtrado é convertido em urina no trajeto para a pelve renal, como mostra a figura 3 (clique e veja).

    O glomérulo contém uma rede de capilares glomerulares que se unificam e se anastomosam e que, comparados com outros capilares têm uma pressão hidrostática alta. Os capilares glomerulares são cobertos por células epiteliais, e todo o glomérulo está envolvido pela cápsula de Bowman. O líquido filtrado dos capilares glomerulares flui para o interior da cápsula de Bowman e então para o interior do túbulo proximal, que se situa na zona cortical renal, podendo ser observado na figura 4 ao lado.

    Fig. 04: Segmentos tubulares do néfron. DÂNGELO, J. C. Anatomia humana básica. São Paulo: Editora Atheneu: 2009.

    A partir do túbulo proximal, o líquido flui para o interior da alça de henle a qual mergulha no interior da medula renal. Cada alça consiste em um ramo descendente e ascendente. As paredes do ramo descendente e da parte inferior do ramo ascendente são muito finas e, portanto são chamadas de segmento fino da alça de Henle. Depois desta porção ascendente da alça ter retornado parcialmente de volta ao córtex, as paredes tornam-se mais espessas e são denominadas segmento espesso do ramo ascendente, no final deste está um segmento curto, que é uma placa na parede do túbulo, conhecido como  mácula  densa, esta  tem um papel importante no controle da função do néfron. Depois da mácula densa, o líquido entra no túbulo distal, que, como o túbulo proximal, situa-se no córtex renal. Este é seguido pelo túbulo conector e o túbulo coletor cortical, que levam ao ductor coletor cortical.

    Unidade 8

    As partes iniciais de oito a dez ductos coletores corticais se unem para formar um único ducto coletor maior que se dirige para a medula e forma o ducto coletor medular. Estes dustos coletores se unem para formar ductos progressivamente maiores que se esvaziam na pelve renal por meio das extremidades das papilas renais. Em ambos os rins, há cerca de 250 grandes ductos coletores, cada um dos quais coletam urina de aproximadamente 4.000 néfrons.

    Formação da Urina

    As taxas de diferentes substâncias que são excretadas pela urina representam a soma de três processos renais exemplificados na Figura 05, estes são, filtração glomerurar, reabsorção de substâncias dos túbulos renais de volta para o plasma e secreção de substâncias do plasma para os túbulos renais. Podendo ser expresso desta forma:

    Taxa de excreção urinária = Taxa de filtração - Taxa de reabsorção + Taxa de secreção
    EXCREÇÃO = FILTRAÇÃO - REABSORÇÃO + SECREÇÃO

    A formação da urina começa quando há uma grande quantidade de líquido quase sem proteína que é filtrado nos capilares glomerulares para dentro da cápsula de Bowman. A grande parte dessas substâncias no plasma, exceto as proteínas, serão livremente filtradas, assim que a concentração dessas substâncias no filtrado glomerulararda cápsula de Bowman é a mesma do plasma.

    Quando o líquido filtrado sai da cápsula e flui nos túbulos, ele é alterado pela reabsorção de água e solutos específicos para retornar aos capilares peritubulares ou pela secreção de outras substâncias dos capilares peritubulares até os túbulos.

    Fig. 05: Processos renais que determinam a composição da urina. DÂNGELO, J. C. Anatomia humana básica. São Paulo: Editora Atheneu: 2009

    Sistema Coletor e Cálculos Renais

    Este sistema serve para conduzir a urina para fora do rim e do corpo, não tem função de reabsorver de água ou outras substâncias.

    Unidade 8

    O processo de eliminação é iniciado nos cálices renais, que recebem a urina recém-formada vinda dos túbulos coletores. Para cada pirâmide renal existe um cálice menor, que se liga diretamente ao ápice da pirâmide. Os cálices se juntam formando cálices maiores, e estes vão se unir para compor a pelve renal, que se projeta para fora do rim através do hilo renal, dentro desta e dos cálices é que o cálcio eliminado pelo rim pode se precipitar, formando concreções únicas ou múltiplas; os cálculos renais. A chamada litíase renal pode ser acompanhada de grande dor quando um cálculo fica impactado, preso, no sistema coletor.

    Volume de Urina

    O homem adulto produz, em média, 1.500 mililitros de urina por dia, dependendo é claro, da quantidade de água ingerida. Muitas condições patológicas como: hipotensão, desidratação extrema e perda sanguínea, entre outras, podem diminuir drasticamente o débito urinário (volume de urina eliminado). Quando são eliminados de 50 a 250 mililitros de urina por dia, tem-se uma condição denominada oligúria. A diminuição do débito urinário para menos de 50 mililitros é chamada de anúria, ambas são condições de grave repercussão e podem trazer danos irreversíveis ao organismo e à função renal.

    Diálise

    É um meio de depuração artificial do sangue usando um sistema de filtragem seletiva diferente do sistema normal do rim. Na hemodiálise, o sangue do paciente passa por membranas seletivas na máquina de diálise, onde os produtos do metabolismo avançam então para a solução de diálise, que é trocada continuamente e descartada. Depois  desse  processo, o sangue purificado passa novamente para o paciente. Normalmente as sessões de diálise ocorrem em dias alternados. Na denominada diálise peritonial ambulatorial, uma solução é infundida na cavidade peritonial do paciente por um cateter implantado cirurgicamente. O próprio peritônio serve como membrana filtradora. Esse procedimento é repetido algumas vezes ao dia.

    Insuficiência Renal

    Os néfrons não são renováveis. Passamos toda a vida com os mesmos néfrons que nascemos. Por isso a importância dos cuidados com a função renal. É interessante notar, porém, que quando há perdas grandes da quantidade de néfrons (na retirada de um rim, por exemplo) os néfrons remanescentes se adaptam e passam a funcionar mais intensamente como forma de compensação.

    Por essa razão, podemos doar um rim para transplante ( desde que ele seja normal) sem o risco de danos à nossa função renal global. Para que haja insuficiência renal, é necessária a perda média de 80% dos néfrons. No entanto, vale salientar: em doenças comuns não tratadas, como a diabetes e a hipertensão, isso pode ocorrer rapidamente.

    Transplante Renal

    Em casos irreversíveis de insuficiência renal, podemos realizar o transplante renal, com a implantação de um rim de doador (vivo ou cadáver) que realizará as funções que o órgão do paciente não mais era capaz de manter. Em geral, não se retira o rim ou os rins insuficientes da pessoa a ser transplantada. O rim doado é colocado na  pelve, e suas  artérias  e  veias são ligadas às artérias e veias renais do paciente, assim como seu ureter é ligado à bexiga. Só se transplanta um único rim para o paciente, uma vez que somente um deles com função normal pode dar conta de todos os processos fisiológicos renais fundamentais para o organismo. Isso permite a doação de um rim por uma pessoa viva, pois tanto o doador quanto o receptor podem sobreviver com um só rim.

    Fisiologia do Sistema Reprodutor

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    Conhecimentos

  • Entender e conhecer a constituição e função específica dos “sistemas reprodutor feminino e masculino”, bem como, as transformações hormonais que transparecem nas características internas e externas nos homens e mulheres.


  • Habilidades

  • Identificar as características anatômicas/fisiológicas das organelas sexuais femininas e masculinas, suas inter-relações com os processos de divisão celular e cromossômica, bem como, os processos clínicos/patológicos envolvidos no processo.
  • Atitudes

  • Desenvolver conhecimento técnico científico no âmbito fisiológico, a fim de entender os processos fisiológicos destes sistemas.
  • Unidade 9

    Sistema reprodutor Masculino

    As funções reprodutoras masculinas se dividem em três grandes subdivisões, são elas: espermatogênese (formação do espermatozoide); desempenho do ato sexual masculino; regulação das funções reprodutoras masculinas por vários hormônios. Em associação com essas funções reprodutoras estão os efeitos dos hormônios sexuais sobre os órgãos acessórios do sistema em questão, o metabolismo celular, crescimento e outras funções do corpo.

    Anatomia

    A figura 01 ao lado nos mostra várias partes do sistema reprodutor masculino, e apresenta abaixo a estrutura detalhada do testículo e do epidídimo. O testículo é composto por até 900 túbulos seminíferos convolutos, onde há a formação do esperma, cada um tem cerca de mais de 1 metro de comprimento. Então, o esperma é lançado no epidídimo, que é outro tubo convoluto, de aproximadamente 6 metros. No epidídimo será realizada a condução ao canal deferente, que se alarga na ampola do canal deferente, antes do canal entrar no corpo da glândula prostática.

    Há também, duas vesículas seminais, uma de cada lado da próstata, que desembocam na terminação prostática da ampola e os conteúdos da ampola e das vesículas seminais passam para o ducto ejaculatório e são conduzidos, pelo corpo da glândula prostática para serem desaguados na uretra interna. Ainda nos ductos prostáticos há a recepção do conteúdo da glândula prostática e o conduzem para o ducto ejaculatório, e então para a uretra prostática.




    Por fim, a uretra é o último local de conexão dos testículos com o exterior, nela contém muco proveniente de grande número de pequenas glândulas uretrais, localizadas em toda sua extensão e, em maior quantidade, das glândulas bulbouretrais localizadas próximas da origem da uretra.

    Fig. 01: Sistema reprodutor masculino e estrutura interna do testículo. . Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Unidade 9

    Espermatogênese

    Na gestação, durante a formação do embrião, as células germinativas primordiais migram para os testículos e tornam-se células germinativas imaturas, chamadas de espermatogônias que situam-se em duas ou três camadas das superfícies internas dos túbulos seminíferos, como mostra a primeira imagem da figura 02 ao lado, num corte transversal. As espermatogônias passam por divisões mitóticas na puberdade, proliferando e diferenciando-se continuamente pelos estágios, exibidos na figura 02, ao lado.

    Fig. 02: Secção transversal de um túbulo seminífero. Estágios de desenvolvimento dos espermatozoides das espermatogônias. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Estágios da Espermatogênese

    A espermatogênese ocorre nos túbulos seminíferos durante a vida sexual ativa, como um resultado da estimulação pelos hormônios gonadotrópicos da glândula hipófise anterior, e começa, aproximadamente, entre os 12 e 14 anos de idade, e continua pela maior parte do restante da vida, porém se reduz acentuadamente na velhice.

    Fig. 03: Divisões celulares durante a espermatogênese. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Unidade 9

    No primeiro estágio da espermatogênese, as espermatogônias migram entre as células de Sertoli em direção ao lúmen central dos túbulos seminíferos. As células de Sertoli são grandes, com envoltório citoplasmático exuberante que envolve a espermatogônia em desenvolvimento, durante todo o trajeto até o lúmen central do túbulo.

    A espermatogônia que cruza a barreira até a camada das células de Sertoli é progressivamente modificada e alargada, para formar, assim, os grandes espermatócitos primários, como exemplifica a figura 03 (Clique e Veja a figura). Cada um deles passa por divisão meiótica para formar dois espermatócitos secundários. Depois de alguns dias, estes também se dividem formando espermátides, que são, eventualmente, modificadas transformando-se em espermatozoides, ou, esperma.

    Espermatogônia e Cromossomos Sexuais

    Em cada espermatogônia, um dos 23 pares de cromossomos carrega a informação genética que determina o sexo do possível concepto. Esse par é composto de um cromossomo X, chamado de cromossomo feminino, e um cromossomo Y, denominado masculino.

    Durante a divisão meiótica, o cromossomo Y masculino vai para uma espermátide, que irá se tornar esperma masculino, e o cromossomo Y feminino vai para a outra espermátide, que passará a ser esperma feminino.

    Desta forma, o sexo do concepto é determinado, eventualmente, pelo tipo de esperma, entre os dois descritos posteriormente, que fertilizará o ovo.

    Estrutura do Esperma

    Como discutido antes na espermatogênese estas espermátides ainda apresentam as características usuais de células epitelioides, mas começam a se diferenciar com grande rapidez e se alongam formando os espermatozoides. Na figura 03 (Clique e Veja a figura) podemos ver que cada espermatozoide é composto pela cabeça e pela cauda. Na parte externa dos dois terços anteriores da cabeça se encontram o capuz espesso, chamado de acrossomo e que é formado principalmente pelo aparelho de Golgi, nele contém enzimas semelhantes às encontradas nos lisossomos de células típicas, incluindo a hialuronidase (que digere filamentos de proteoglicanos dos tecidos), e potentes enzimas proteolíticas (que digerem proteínas). Essas enzimas têm papel fundamental, dando a capacidade que o esperma entre no óvulo e o fertilize.

    A cauda do esperma, chamada de flagelo, tem três componentes principais: o esqueleto central, que é constituído por 11 microtúbulos, chamado coletivamente de axonema; a membrana celular fina recobrindo o axonema; e, por fim, o conjunto de mitocôndrias envolvendo o axonema na porção proximal da cauda, que é chamada de corpo da mesma.

    Fatores Hormonais Estimulantes da Espermatogênese

    A função dos hormônios na reprodução é de fundamental importância para a espermatogênese, como veremos a seguir cinco hormônios essenciais para tal processo.

    Unidade 9

    A testosterona, secretada pelas células de Leydig, localizadas no interstício do testículo (pode ser visualizado na figura 02), é essencial para o crescimento e a divisão das células germinativas testiculares, que se constituem no primeiro estágio da formação do esperma. O hormônio luteinizante, secretado pela hipófise anterior estimula as células de Leydig a secretar a testosterona.

    O hormônio folículo-estimulante, também é secretado pela hipófise anterior, e estimula as células de Sertoli, para que ela atue na conversão das espermátides em espermatozoides, desse modo, sem esta estimulação não ocorreria esse processo. Os estrogênios formados a partir da testosterona pelas células de Sertoli, quando são estimuladas pelo hormônio folículo-estimulante, são também essenciais para a espermiogênese.

    O hormônio de crescimento é necessário para controlar as funções metabólicas basais dos testículos. O hormônio de crescimento, por si, promove a divisão precoce das espermatogônicas; em sua ausência, como no caso dos anões hipofisários, a espermatogênese seria severamente deficiente ou ausente, ocorrendo, dessa forma, infertilidade.

    Maturação do Espermatozoide no Epidídimo

    O espermatozoide requer muitos dias para passar pelo túbulo do epidídimo, com 6 metros de comprimento, após a sua formação nos túbulos seminíferos. O espermatozoide retirado dos túbulos seminíferos e das porções iniciais do epidídimo não é móvel e não pode fertilizar o óvulo. Porém, após o espermatozoide permanecer no epidídimo por 18 a 24 horas, ele desenvolve a capacidade de locomoção, mobilidade, mesmo que muitas proteínas inibitórias no líquido epididimário ainda impeçam a mobilidade final, até mesmo depois da ejaculação.

    Fisiologia do Espermatozoide Maduro

    Os espermatozoides normais móveis e férteis são capazes de apresentar movimentos flagelares em meio líquido com velocidades de 1 a 4 mm/min. A atividade do espermatozoide é muito aumentada em meio neutro ou ligeiramente alcalino, como o existente no sêmen ejaculado, mas é muito deprimida em meio ligeiramente ácido, pois meio fortemente ácido pode causar a morte rápida do espermatozoide.

    A atividade do espermatozoide aumenta muito com a elevação da temperatura, mas isso também aumenta sua atividade metabólica, fazendo com que a sua vida se encurte consideravelmente. Embora o espermatozoide possa viver por muitas semanas no estado reprimido nos ductos genitais dos testículos, a expectativa de vida do espermatozoide ejaculado, no trato genital feminino, é somente de 1 a 2 dias.

    Função das Vesículas Seminais

    Cada vesícula seminal é um tubo tortuoso revestido por epitélio secretor que secreta material mucoso contendo frutose, ácido cítrico e outras substâncias nutritivas em abundância, bem como grande quantidade de prostaglandinas e fibrinogênio. Durante o processo de emissão e de ejaculação, cada vesícula seminal esvazia seu conteúdo no ducto ejaculatório, imediatamente após o canal deferente ter despejado os espermatozoides. Isso aumenta muito o volume do sêmen ejaculado, e a frutose e outras substâncias no líquido seminal têm valor nutritivo considerável para os espermatozoides ejaculados, até o momento em que um espermatozoide fertilize o óvulo.

    Unidade 9

    As prostaglandinas auxiliam na fertilização de duas maneiras, primeiramente, reagindo com o muco cervical feminino, tornando-o mais receptivo ao movimento do espermatozoide e, segundo, induzindo contrações peristálticas reversas para trás, no útero e nas trompas de Falópio, movendo os espermatozoides ejaculados em direção aos ovários, poucos espermatozoides alcançam as extremidades superiores das trompas de Falópio em 5 minutos.

    Próstata e sua Função

    A próstata tem papel fundamental na reprodução, esta secreta um líquido fino, leitoso, que contém cálcio, íon fosfato, uma enzima de coagulação e uma pró-fibrinolisina. Durante a emissão, a cápsula da próstata se contrai simultaneamente com as contrações do canal deferente, de modo que o líquido fino e opaco da próstata seja adicionado ao sêmen.

    Esse líquido tem como característica ideal ser levemente alcalino, sendo um fator importante para fertilização bem sucedida do óvulo, uma vez que o líquido do canal deferente é relativamente ácido, possibilitando a presença de ácido cítrico e de produtos finais do metabolismo do espermatozoide e, em consequência, auxiliando a inibir a fertilidade do espermatozoide.

    As secreções vaginais femininas também são ácidas, com pH de 3,5 a 4. O espermatozoide não adquire a mobilidade necessária até que o pH dos líquidos que o envolvem atinjam valores de, aproximadamente, 6,0 a 6,5. Desta forma, é provável que o líquido prostático ligeiramente alcalino ajude a neutralizar a acidez dos outros líquidos seminais durante a ejaculação, e, assim, aumentando a mobilidade e fertilidade do espermatozoide.

    Espermatozoides e Fertilização do Óvulo

    A capacitação dos espermatozoides é necessária para que ocorra a fertilização do óvulo, embora estes sejam considerados "maduros" quando deixam o epidídimo, sua atividade é mantida sob controle por múltiplos fatores inibitórios secretados pelo epitélio do ducto genital. Portanto, quando lançados inicialmente no sêmen, eles são incapazes de fertilizar o óvulo, porém, ao entrar em contato com os líquidos do trato genital feminino, ocorrem múltiplas mudanças que ativam o espermatozoide para os processos finais de fertilização. Essas alterações conjuntas são chamadas de capacitação do espermatozoide que, normalmente, requerem de 1 a 10 horas. Abaixo você entenderá estas mudanças.

    Os líquidos das trompas de Falópio e do útero eliminam os vários fatores inibitórios que suprimem a atividade dos espermatozoides nos ductos genitais masculinos.

    Enquanto os espermatozoides permanecem no líquido dos ductos genitais masculinos, eles estão continuamente expostos a muitas vesículas flutuantes dos túbulos seminíferos, que contém grande quantidade de colesterol. Esse colesterol é continuamente adicionado à membrana celular que cobre o acrossomo do espermatozoide, fortalecendo essa membrana e impedindo a liberação de suas enzimas. Depois da ejaculação, os espermatozoides depositados na vagina se movem para cima na cavidade uterina, afastando-se das vesículas de colesterol, e dessa forma, gradualmente, perdem nas próximas horas, a maior parte do excesso de colesterol, resultando que a membrana da cabeça dos espermatozoides fica muito mais fraca.

    Unidade 9

    A membrana dos espermatozoides fica também muito mais permeável aos íons cálcio, e assim, o cálcio entra no espermatozoide em abundância, mudando a atividade do flagelo, dando a ele um potente movimento de chicote, ao contrário de seu movimento prévio ondulante e fraco. Além disso, os íons cálcio causam alterações na membrana celular que cobre a ponta do acrossomo, e tornando possível a liberação rápida e fácil das enzimas pelo acrossomo, à medida que os espermatozoides penetram a massa de células granulosas que envolvem o óvulo.

    Sistema Reprodutor Feminino

    As funções reprodutivas femininas podem ser divididas em: preparação do corpo da mulher para a concepção e a gravidez; e, o período da gravidez em si. A figura 4 (Clique e veja) que nos mostra o aparelho reprodutor feminino.

    Anatomia e Fisiologia dos Órgãos Sexuais Femininos

    Podemos ver nas figuras 5 e 6 os principais órgãos do aparelho reprodutor feminino humano. A reprodução começa com o desenvolvimento dos óvulos nos ovários. No meio de cada ciclo sexual mensal, um só óvulo é expelido do folículo ovariano para a cavidade abdominal próxima das aberturas fimbriadas das duas trompas de Falópio. Esse óvulo cursa por uma das trompas de Falópio até o útero, se, no caso, tiver sido fertilizado por espermatozoide, o óvulo se implanta no útero, onde se desenvolve no feto, na placenta e nas membranas fetais, e por fim, um bebê.

    Fig. 05: Órgãos reprodutores femininos. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Durante a vida fetal, a superfície externa do ovário é coberta pelo epitélio germinativo, que embriologicamente é derivado do epitélio das cristas germinativas. À medida que o feto feminino se desenvolve, óvulos primordiais migram para a substância do córtex ovariano. Cada óvulo reúne em torno de si uma camada de células  fusiformes do  estroma  ovariano, que  é o tecido de suporte do ovário, fazendo com que adquiram características epitelioides, que são chamadas de células da granulosa.

    Unidade 9

    O óvulo circundado por camada única de células da granulosa é denominado folículo primordial. Nesse estágio, o óvulo é ainda imaturo e é preciso que ocorram mais que duas divisões celulares, antes que ele possa ser fertilizado por um espermatozoide, nessa fase, o óvulo é denominado oócito primário.

    Fig. 06: Estruturas reprodutoras feminina. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Durante todos os anos reprodutivos da vida adulta, entre cerca de 13 e 46 anos de idade, 400 a 500 folículos primordiais se desenvolvem o bastante para expelir seus óvulos, sendo um por mês; o restante degenera e se tornam atrésicos. Ao fim da capacidade reprodutora, na menopausa, apenas uns poucos folículos primordiais permanecem nos ovários e, mesmo assim, se degeneram em pouco tempo.

    Sistema Hormonal Feminino

    O sistema hormonal feminino consiste em três hierarquias de hormônios, que são: o hormônio de liberação hipotalâmica, o hormônio liberador de gonadotropinas (GnRH); os hormônios sexuais hipofisários anteriores, o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), ambos secretados em resposta à liberação de GnRH do hipotálamo; e, os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona que são secretados pelos ovários, em resposta aos dois hormônios sexuais femininos da hipófise anterior.

    Todos esses hormônios são secretados com intensidades drasticamente diferentes, durante as diferentes partes do ciclo sexual feminino mensal. A figura 7 (Clique e veja) nos mostra um gráfico com as concentrações aproximadas nas variações dos hormônios gonadotrópicos hipofisários anteriores FSH e LH (as duas curvas inferiores) e dos hormônios ovarianos estradiol (estrogênio) e progesterona (as duas curvas superiores).

    A quantidade de GnRH liberada pelo hipotálamo aumenta e diminui de modo bem menos drástico durante o ciclo sexual mensal. Esse hormônio é secretado em pulsos curtos, em média uma vez a cada 90 minutos, tanto nas mulheres como nos homens.

    Unidade 9

    Ciclo Ovariano Mensal e Função dos Hormônios Gonadotrópicos

    Os anos reprodutivos normais da mulher se caracterizam por variações rítmicas mensais da secreção  dos  hormônios  femininos, e  correspondem  a  alterações  nos ovários  e nos outros órgãos sexuais. Este padrão rítmico é denominado ciclo sexual mensal feminino, ou simplesmente, ciclo menstrual. O ciclo dura cerca de 28 dias. Em algumas mulheres pode ser curto como 20 dias ou longo como 45 dias, embora o ciclo de duração anormal esteja, com frequência, associado com menor fertilidade.

    Há dois resultados significativos do ciclo sexual feminino, primeiro, apenas um só óvulo, nas condições normais, é liberado pelos ovários a cada mês, de maneira que normalmente apenas um só feto, por vez, começará a crescer. E segundo, o endométrio uterino é preparado com antecedência para implantação do óvulo fertilizado em um momento determinado do mês.

    Ovários e Efeitos dos Hormônios Gonadotrópicos

    As mudanças ovarianas que ocorrem durante o ciclo sexual dependem inteiramente dos hormônios gonadotrópicos FSH e LH, secretados pela hipófise anterior. E na ausência destes, os ovários permanecem inativos, como ocorre durante toda a infância, quando quase nenhum hormônio gonadotrópico é secretado. Entre 0 e os 12 anos de idade, a hipófise começa a secretar progressivamente mais FSH e LH, levando ao início de ciclos sexuais mensais normais que começam entre 11 e 15 anos de idade. Esse período é chamado de puberdade e o primeiro ciclo menstrual é denominado menarca. O FSH (Folículo estimulante) e o LH (Hormônio luteinizante) são pequenas glicoproteínas com pesos moleculares em torno de 30.000.

    Fase Folicular do Ciclo Ovariano - Crescimento do Folículo Ovariano

    Na figura 8 podemos ver os estágios progressivos do crescimento folicular nos ovários. Quando uma criança do sexo feminino nasce, cada óvulo é circundado por camada única de células da granulosa; o óvulo, com esse revestimento de células da granulosa, é denominado folículo primordial.

    Fig. 08: Estágios do crescimento folicular no ovário, mostrando também a formação do corpo lúteo. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011.

    Durante toda a infância, acredita-se que as células da granulosa ofereçam nutrição para o óvulo e secretam um fator inibidor da maturação do oócito que mantém o óvulo parado em seu estado primordial, no estágio de prófase da divisão meiótica. Em seguida, depois da puberdade, quando FSH e LH da hipófise anterior começam a ser secretados em quantidades significativas, os ovários, em conjunto com alguns dos folículos em seu interior, começam a crescer.

    O primeiro estágio de crescimento folicular é o aumento moderado do próprio óvulo, cujo diâmetro aumenta por duas a três vezes. Então segue-se o crescimento de outras camadas das células da granulosa em alguns dos folículos, conhecidos como folículos primários.

    Unidade 9

    Após uma semana ou mais de crescimento, antes de ocorrer à ovulação, um dos folículos começa a crescer mais do que os outros; os outros cinco a 11 folículos em desenvolvimento involuem, tornando-os, assim, atrésicos.

    Esse processo de atresia é importante, pois normalmente permite que apenas um dos folículos cresça o suficiente todos os meses para ovular o que, no geral, evita que mais de uma criança se desenvolva em cada gravidez. O folículo único atinge diâmetro de 1 a 1,5 centímetro na época da ovulação, quando é denominado folículo maduro.

    Pico de LH e Ovulação

    O LH é necessário para o crescimento folicular final e para ovulação. Sem esse hormônio, até mesmo quando grandes quantidades de FSH estão disponíveis, o folículo não progredirá ao estágio de ovulação.

    Cerca de 2 dias antes da ovulação, a secreção de LH pela hipófise anterior aumenta bastante, por seis a 10 vezes e com pico em torno de 16 horas antes da ovulação. O FSH também aumenta por cerca de duas a três vezes ao mesmo tempo, ambos agem sinergicamente causando a rápida dilatação do folículo, durante os últimos dias antes da ovulação. O LH tem ainda efeito específico nas células da granulosa e tecais, convertendo-as em células secretoras de progesterona. Desta forma, a secreção de estrogênio começa a cair cerca de 1 dia  antes da ovulação,

  • enquanto quantidades cada vez maiores de progesterona começam a ser secretadas. Sem o pico pré-ovulatório inicial do LH, a ovulação não ocorreria.
  • Fig. 09: Mecanismo postulado da ovulação. Guyton, A. C. e Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª Edição. Editora Elsevier, 2011

    Na figura 09 acima podemos ver um esquema do início da ovulação, onde ilustra o papel da grande quantidade de LH secretado pela hipófise anterior. O LH causa rápida secreção dos hormônios esteroides foliculares, contendo progesterona. Dentro de algumas horas ocorrem dois eventos, sendo ambos necessários para ovulação. Primeiro, a cápsula do folículo começa a liberar enzimas proteolíticas dos lisossomos, o que causa a dissolução da parede capsular do folículo e o consequente enfraquecimento da parede, resultando em mais dilatação do folículo e a degeneração do estigma.

    Unidade 9

    Por segundo, e simultaneamente, ocorreu rápido crescimento de novos vasos sanguíneos na parede folicular e, ao mesmo tempo, são secretadas prostaglandinas nos tecidos foliculares, causando vasodilatação. Por fim, a combinação da dilatação folicular e da degeneração simultânea do estigma faz com que o folículo se rompa, liberando o óvulo.

    Fase Lútea do Ciclo Ovariano - Corpo Lúteo

    Durante as primeiras horas depois da expulsão do óvulo do folículo, as células da granulosa e tecais internas remanescentes se transformam rapidamente, para células luteínicas. Elas aumentam em diâmetro por duas a três vezes e ficam repletas de inclusões lipídicas que lhes dão aparência amarelada. Esse processo é chamado de luteinização, e a massa total de células é denominada corpo lúteo, como mostrado na figura 08. Também há um desenvolvimento do suprimento vascular no corpo lúteo.

    As células da granulosa no corpo lúteo desenvolvem vastos retículos endoplasmáticos lisos intracelulares, que formam grandes quantidades dos hormônios sexuais femininos, progesterona e estrogênio. As células tecais formam basicamente os androgênios, androstenediona e testosterona, ao invés dos hormônios sexuais femininos.

    O corpo lúteo cresce normalmente até cerca de 1,5 centímetro em diâmetro, atingindo esse estágio de desenvolvimento de 7 a 8 dias após a ovulação. Então ele começa a involuir efetivamente, perde suas funções secretórias, bem como sua característica  lipídica amarelada, cerca de 12 dias depois da ovulação, passando a ser o corpus albicans que, durante as semanas subsequentes, é substituído por tecido conjuntivo e absorvido ao longo de meses.

    A Função Luteinizante do LH

    A alteração das células da granulosa e tecais internas em células luteínicas depende essencialmente do LH secretado pela hipófise anterior. De fato, é a função que dá nome ao LH, luteinizante que significa amarelado. A luteinização também depende da extrusão do óvulo do folículo. Um hormônio local, ainda não caracterizado no líquido folicular, denominado fator inibidor da luteinização, parece controlar esse processo até depois da ovulação.

    Fase Folicular e Fase Lútea

    A cada 28 dias, podendo variar para mais ou para menos, os hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior fazem com que cerca de 8 a 12 novos folículos comecem a crescer nos ovários. Um desses folículos finalmente amadurece e ovula no 14º dia do ciclo. Durante o crescimento dos folículos é secretado, principalmente, estrogênio.

    Entretanto, depois da ovulação, as células secretoras dos folículos residuais se desenvolvem em corpo lúteo que secreta grande quantidade dos principais hormônios femininos, estrogênio e progesterona. Após duas semanas, o corpo lúteo degenera, quando então os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, diminuem bastante, surgindo a menstruação. Então, um novo ciclo ovariano se segue.

    Explicando melhor com a pesquisa

    Sugerimos a leitura do artigo “Alterações neurológicas fisiológicas ao envelhecimento afetam o sistema mantenedor do equilíbrio” de Aline Estrela Meireles, Lívia Maria de Souza Pereira, Thalita Galdino de Oliveira, Gustavo Christofoletti, Adriano L. Fonseca.

    O estudo objetivou realizar uma revisão sobre as alterações neurológicas do envelhecimento, especificamente no que se refere ao sistema mantenedor do equilíbrio humano. Por meio dos artigos analisados, foi possível constatar alterações diversas sobre o equilíbrio estático e dinâmico, e que afetam diretamente a qualidade de vida do idoso. Este trabalho objetivou alertar a comunidade científica sobre a importância de se prevenir/minimizar os riscos de quedas na população idosa e como nós profissionais de Educação Física podemos contribuir na prevenção e no tratamento em questão.

    Propomos também a leitura do artigo “Resposta Fisiológica do Corpo às Temperaturas Elevadas: Exercício, Extremos de Temperatura e Doenças Térmicas” de Maristela Gomes de Camargo e Maria Montserrat Diaz Pedrosa Furlan. O estudo objetivou descrever os mecanismos de produção e perda de calor do organismo humano, a interferência dos fatores físicos e ambientais no processo de termorregulação, bem como as doenças térmicas decorrentes do calor excessivo e como nós podemos intervir nessas condições proporcionando um melhor conforto durante a atividade.

    Após a leitura dos artigos, escolha um e descreva os pontos mais relevantes e disponibilize na sala virtual.

    Leitura Obrigatória

    Sugerimos a leitura da obra Fisiologia Humana: uma abordagem integrada. A edição oferece ampla cobertura da fisiologia molecular perfeitamente integrada à abordagem tradicional de sistemas com base na homeostase. Foram incorporadas técnicas já testadas em sala de aula em todo o texto, reunindo ainda novas descobertas científicas, técnicas de biotecnologia e tratamentos de doenças.

    SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 2. ed. Porto Alegre, RS: Manole, 2003.

    Após a leitura da obra, faça uma resenha e disponibilize na sala virtual.

    Pesquisando com a Internet

    Prezado estudante, você é convidado a fazer uma investigação na Internet sobre tema correlacionado aos conteúdos estudados. Faça uma pesquisa em torno do assunto: como ocorre o processo de contração e hipertrofia muscular e qual o papel das mitocôndrias, DNA, RNA e células satélites nesses processos?

    Após a sua pesquisa faça um texto argumentativo e disponibilize na sala virtual.

    Saiba Mais

    Propomos que leia a entrevista com Maurílio Sampaio fisiologista no futebol. Nesta entrevista você vai saber quais são as atribuições da fisiologia do esporte e entender se fisiologista pode atuar na área do preparador físico.

    Após a leitura da entrevista, faça um texto sobre o que você entendeu e disponibilize na sala virtual.

    Vendo com os olhos de ver

    Sugerimos que assista ao documentário Corpo Humano – A incrível máquina humana. O Corpo Humano é constituído por diferentes partes, entre elas, a pele, os músculos, os nervos, os órgãos, os ossos etc. Cada parte do corpo humano é formada por inúmeras células que apresentam formas e funções definidas. Nesse documentário você verá como essas diferentes estruturas se relacionam para manter um equilíbrio vital para o nosso organismo.

    Propomos que assista ao vídeo Fisiologia do Exercício, no qual vamos compreender como ocorrem as adaptações agudas e crônicas da ampla gama de condições aperfeiçoadas pelo exercício físico. Como funciona o coração antes, durante e após o exercício, como se dá o consumo de vo2 e suas implicações para o organismo. Compreendendo assim como o organismo se adapta fisiologicamente ao estresse agudo do exercício físico e ao estresse crônico do treinamento físico.

    Após assistir aos vídeos, escolha um e faça um texto com suas considerações e disponibilize na sala virtual.

    Revisando

    A primeira unidade de estudo discorre sobre as principais características do Sistema Celular Sanguíneo, fazendo uma breve introdução sobre os componentes da parte liquida e sólida do sangue, bem como, especificando as células envolvidas nos aspectos estruturais e funcionais. As células sanguíneas são de três tipos: as hemácias, os leucócitos e as plaquetas. Todas estas têm um tempo de vida predeterminado e, por isso, precisam ser substituídas por outras novas num processo contínuo realizado pela medula de alguns ossos, como o fêmur, o esterno e as costelas. Também, aponta-se referências sobre o método de contagem da porcentagem de hemácias no sangue , pelo hematócrito, que é um dos parâmetros mais importantes do hemograma, tipo de exame de sangue dos mais realizados. A diminuição das hemácias no sangue, geralmente é identificada por um baixo hematócrito, é sinal de anemia. Anemia significa a deficiência de hemoglobina no sangue, os principais tipos de anemias existentes são: anemia Megaloblástica, por perda sanguínea, anemia aplásica, anemia Hemolítica. Finalizando o texto com a aplicabilidade prática do conhecimento, nas ciências da saúde, mais especificamente no processo saúde-doença.

    A segunda unidade de estudo descreve o funcionamento do sistema circulatório, desde o caminho do sangue que primeiramente sai do coração, é conduzido pelas artérias maiores, até estas se dividirem em ramos menores. Os vasos sanguíneos mais comuns são: artérias, arteríolas, veias e vênulas. Assim, o sangue ao chegar aos tecidos, às artérias se estreitam, denominando-se arteríolas, que se dividem em vasos mais finos, os capilares, estes então se ramificam nos tecidos, após retornam a se fundirem para a formação das veias, depois vênulas e seguindo até formarem as veias de grande calibre. Sendo o músculo cardíaco responsável pela força que o sangue é propelido via esses vasos até o coração. O sangue é bombeado diretamente para os pulmões, chamada pequena circulação ou circulação pulmonar, e do sangue para os tecidos periféricos, chamada de circulação sistêmica ou grande circulação.

    A terceira unidade de estudo apresenta detalhadamente o processo de trabalho que o coração faz, para manter a homeostase celular e adequada a oxigenação arterial, necessárias para a integridade das estruturas envolvidas na transmissão do impulso cardíaco.

    O coração é um órgão muscular, no qual tem a função de levar sangue primeiramente para os pulmões, depois para os órgãos e tecidos. Está localizado um pouco mais à esquerda no mediastino, no sentido antero posterior, observa-se que o ápice do coração é acentuadamente localizado à esquerda. É constituído principalmente de três diferentes tipos musculares: músculo ventricular, músculo atrial e fibras que conduzem a carga elétrica do músculo, são excitatórias especializadas.

    Os músculos atrial e ventricular tem sua contração semelhante ao do músculo estriado esquelético, com a diferença na duração da contração que é maior. No entanto, as fibras condutoras especializadas têm sua contração apenas mais fraca, isto se deve por conterem poucas fibrilas contráteis; em vez disso, elas apresentam ritmicidade e velocidades variáveis de condução, proporcionando um sistema próprio de excitação para o músculo cardíaco e um sistema de transmissão para a condução controlada do sinal excitatório cardíaco por todo o coração.

    As válvulas átrio ventriculares, estas não permitem o retorno do sangue dos ventrículos para os átrios, enquanto acontece a sístole e as válvulas semilunares, ou seja, as válvulas aórtica e pulmonar impedem o refluxo das artérias aórtica e pulmonar para os ventrículos durante o momento que acontece a diástole. A extrínseca origina-se do sistema nervoso autônomo (SNA), ou seja, do sistema simpático e do parassimpático, onde o sistema simpático do coração recebe os nervos cardíacos. Já as fibras do parassimpático que chegam ao coração provêm pelo nervo vago do qual derivam os nervos parassimpáticos.

    O ciclo cardíaco é a denominação do período inicial de um batimento até o momento inicial do batimento posterior. Cada ciclo é iniciado pela iniciação própria de um potencial de ação pelo nodo sinoatrial, ou sinusal, ou sinoatrial. A expressão pressão arterial é utilizada para a representação da pressão exercida contra a parede das artérias durante um ciclo cardíaco. A pressão sistólica (PAS) ocorre durante o momento de contração do ventrículo esquerdo, durante a ejeção de 70 ml a 100 ml de sangue para a artéria aorta.

    A quarta unidade de estudo faz uma revisão sobre as principais estruturas do sistema nervoso e sobre o complexo mecanismo de captação, processamento e transmissão das informações, até resultar na memória propriamente dita do ser humano. Assim, as funções orgânicas, bem como a integração do animal no meio ambiente estão na dependência de um sistema especial denominado de sistema nervoso. Isto significa que este sistema controla e coordena as funções de todos os sistemas do organismo, recebe os estímulos aplicados à superfície do corpo e é assim capaz de interpretá-los e desencadear respostas adequadas a estes estímulos. As células nervosas condutoras de estímulos elétricos são os neurônios. A região onde dois neurônios se juntam é denominada sinapse, onde ocorrerá reações químicas com substâncias chamadas neurotransmissores, que possibilitam a transmissão do estímulo para outro neurônio ou para um músculo ou víscera.

    O sistema nervoso é dividido em duas porções: Sistema nervoso central (SNC), que é responsável pelas funções mais complexas, como a interpretação de estímulos, o desencadeamento das respostas abstratas, assim como o raciocínio. O Sistema nervoso periférico (SNP), este, por sua vez, capta estímulos de todas as partes do corpo e do meio externo, enviando-os depois ao SNC que produzirá respostas e transmitirá de volta ao SNP, e as encaminha para todos os órgãos do corpo. A Função Integrativa do Sistema Nervoso é uma das mais importantes do sistema nervoso, que é a de processar a informação eferente, de modo que sejam efetuadas as devidas respostas mentais e motoras. Mais de 99% de toda a informação sensorial é descartada pelo cérebro como irrelevante e sem importância.

    Portanto, as sinapses executam uma ação seletiva, esta atua, algumas vezes, bloqueando sinais fracos, enquanto permitem que sinais mais fortes passem e, ainda assim, selecionando e amplificando determinados sinais fracos e com frequência transmitem tais sinais em muitas direções em vez de enviá-los apenas para uma direção única. O armazenamento de informações, na maior parte, ocorre no córtex cerebral. Este armazenamento é o processo que chamamos de memória, e é também uma função das sinapses. Quando determinados tipos de sinais sensoriais passam por sequência de sinapses, a cada vez, estas se tornam mais capazes de transmitir o mesmo tipo de sinal em outras oportunidades, esse processo é chamado de facilitação. O córtex cerebral é a região extremamente grande de armazenamento de memórias, este nunca funcionará sozinho e sim sempre em associação com as estruturas subcorticais do sistema nervoso central. Sem o córtex cerebral as funções dos centros subcorticais são em geral imprecisas.

    Quase todas as sinapses utilizadas para a transmissão de sinais no sistema nervoso central da espécie humana são sinapses químicas. Nessas estruturas, o primeiro neurônio secreta por seu terminal a substância química, um neurotransmissor, e este, por sua vez, irá atuar em proteínas receptoras presentes na membrana do neurônio subsequente, para promover excitação, inibição ou ainda modificar de outro modo a sensibilidade dessa célula. Algumas dessas substâncias mais conhecidas são: acetilcolina, norepinefrina, epinefrina, histamina, ácido gama-aminobutírico (GABA), glicina, serotonina e glutamato. Quando as sinapses excitatórias são repetidamente estimuladas com alta frequência, o número de descargas do neurônio pós-sináptico é inicialmente muito alto, porém a frequência de disparo começa a diminuir progressivamente nos próximos milisegundos ou segundos, fenômeno esse chamado de fadiga da transmissão sináptica.

    A excitabilidade neuronal é também muito dependente do suprimento adequado de oxigênio. A cessação da disponibilidade de oxigênio, por apenas alguns segundos, pode provocar completa ausência de excitabilidade de alguns neurônios.

    A quinta unidade de estudo discorre sobre os diversos hormônios envolvidos na homeostase, local de produção, suas glândulas secretoras e sua ação na dinâmica corporal. O sistema endócrino é o principal implicado na manutenção da constância do meio interno, do ser e da espécie, face às variações e ameaças ambientais. Caracteriza-se pelo seu dinamismo, precisão e adaptabilidade.

    Alguns são hormônios locais, enquanto outros são hormônios gerais. Entre os hormônios locais destacam-se a acetileolina, liberada nas terminações nervosas parassimpáticas e esqueléticas; a secrelina é liberada pela parede duodenal e transportada pelo sangue até o pâncreas, onde provoca secreção pancreática aquosa; a colecistocinina, liberada pelo intestino delgado e transportada até a vesícula biliar, onde provoca sua contração, e até o pâncreas, onde induz a secreção de enzimas; e muitos outros. Esses hormônios exercem efeitos locais específicos, daí a sua denominação de hormônios locais.

    A proteína sintetizada pelo retículo endoplasmático quase nunca representa o hormônio final. Na verdade, é maior que o hormônio ativo e recebe o nome de pro-hormônio. Cada um dos diferentes hormônios possui seu próprio inicio e duração de ação característica, cada um adaptado para sua função de controle. As quantidades de hormônios necessárias o controle da função metabólica e endócrina são incrivelmente pequenas.

    O fator importante a ser controlado não costuma ser a velocidade na qual a secreção ocorre, mas o grau de atividade do órgão alvo. Por conseguinte, somente quando a atividade do órgão alvo aumenta até um nível apropriado é que um feedback sobre a glândula torna-se suficientemente potente para controlar a secreção de hormônio. Nos casos em que o órgão alvo não reage ao hormônio, a glândula endócrina quase sempre irá realizar uma secreção maior de seu hormônio até que, eventualmente, o órgão alvo alcance o nível apropriado de atividade, porém à custa de secreção excessiva do hormônio regulador.

    Os hormônios endócrinos quase nunca atuam diretamente sobre os mecanismos intracelulares, controlando as células; na verdade, eles quase sempre combinam primeiro a receptores hormonais, localizados na célula ou no seu interior.

    Para os diversos hormônios, as localizações dos receptores são: membrana celular ou em sua superfície; no citoplasma; no núcleo. A aldosterona tem a função na concentração do sódio extracelular, enquanto o potássio é excretado na urina. Altas concentrações de aldosterona no plasma pode diminuir a perda de sódio na urina, ao mesmo tempo, a perda de potássio na urina aumenta por várias vezes. A ausência total de secreção de aldosterona pode causar perda urinária de 20g de sódio no dia.

    O corpo humano possui milhares de sistemas de controle. O mais intricado deles é o sistema de controle genético que opera em todas as células para o controle da função intracelular, bem como da função extracelular.

    Na sexta unidade de estudo aborda muitos outros sistemas de controle operam dentro dos órgãos para controlar funções de partes individuais destes; outros ainda por todo o corpo para controlar as inter-relações entre os órgãos. Por exemplo, o sistema respiratório, operando em associação com o sistema nervoso, regula a concentração de dióxido de carbono no fluido extracelular. O fígado e o pâncreas regulam a concentração de glicose no fluido extracelular, e os rins regulam as concentrações de hidrogênio, sódio, potássio, fosfato e de outros íons no fluido extracelular.

    Regulação da Pressão Sanguínea Arterial: Vários sistemas contribuem para regulação da pressão sanguínea arterial. Um deles, o sistema barorreceptor, é um sistema simples e excelente exemplo de um mecanismo de controle de ação rápida. Nas paredes da região de bifurcação das artérias carótidas, no pescoço, e também no arco da aorta, no tórax, encontram-se vários receptores nervosos, chamados barorreceptores, que são estimulados pelo estiramento da parede arterial. Quando a pressão arterial sobe demais, os barorreceptores enviam salvos de impulsos nervosos para o tronco cerebral.

    A sétima unidade de estudo faz uma descrição detalhada sobre os órgãos que compõem o sistema gastrintestinal , com suas respectivas constituição anatômica e funções específicas. Enfatiza-se que os movimentos de mistura ao longo das partes do tubo alimentar se diferenciam. Em algumas áreas, os movimentos peristálticos provocam a maior parte da mistura, o que ocorre principalmente quando a progressão do conteúdo intestinal para frente é bloqueada por um esfíncter, de modo que a onda peristáltica só pode misturar e comprimir o conteúdo intestinal, em vez de propeli-lo para frente.

    O sistema gastrintestinal é composto por uma trama muito extensa de vasos sanguíneos, tal sistema é denominado circulação esplênica. Inclui o fluxo sanguíneo pelo tubo alimentar, pelo baço, pâncreas e fígado. A distribuição desse sistema é tal que todo o sangue que flui pelo intestino, baço e pelo pâncreas chega imediatamente até o fígado.

    A oitava unidade de estudo, discorre detalhadamente sobre os principais processos renais tais como: a Regulação do Equilíbrio Ácido-Base, regulação da Produção de Eritrócitos, Síntese da Glicose. Também, apresenta-se a importância da formação e eliminação da urina. Convém lembrar que na doença renal crônica ou na insuficiência renal aguda, essas funções de manutenção da homeostase são interrompidas e anormalidades graves dos volumes e da composição do líquido corporal ocorrem rapidamente. Com a insuficiência renal total, potássio, ácidos, líquidos e outras substâncias se acumulam no corpo causando a morte em poucos dias, a não ser que intervenções clínicas, tais como a hemodiálise (discutida logo abaixo), sejam iniciadas para restaurar, ao menos parcialmente, o equilíbrio corporal de líquidos e eletrólitos.

    A nona unidade de estudo apresenta detalhadamente aspectos anatômicos e fisiológicos das respectivas estruturas femininas e masculinas, entre os aspectos relevantes destaca-se: o ciclo ovariano/menstrual, as ações hormonais desencadeadas pelo estrogênio, progesterona e testosterona.

    Autoavaliação

    1. As hemácias são células em forma de disco, não possuem núcleo, o que as torna incapazes de se reproduzir. Qual a função do baço em relação às hemácias?
    2. A partir de liberações de substâncias pelos tecidos danificados são causadas diversas alterações secundárias nos tecidos não lesionados ao redor. Cite três características presentes nesse tipo de inflamação.
    3. O sangue é formado por duas partes distintas, uma líquida e outra sólida, e que são claramente identificadas por meio de um método de laboratório denominado centrifugação. A porção líquida do sangue é chamada de plasma. Quais as características visíveis do plasma após a centrifugação?
    4. O músculo cardíaco tem sua função comparada a duas bombas distintas com funções especificas. Descreva a circulação pulmonar e a circulação sistêmica respectivamente.
    5. São corpúsculos ou fragmentos de denominadas megacariócitos, formadas na medula óssea. Têm a forma de discos diminutos arredondados. A que se refere essa afirmativa?
    6. As veias são a sequência dos capilares e servem de meio de transporte do sangue que já realizou as devidas trocas com os tecidos, levando o sangue da periferia para o coração. De acordo com sua localização na camada corpórea, as veias podem ser classificadas em superficiais e profundas. Diferencie-as.
    7. O coração é um órgão muscular, no qual tem a função de levar sangue primeiramente para os pulmões, depois para os órgãos e tecidos. Qual a localização precisa do coração?
    8. Diferencie inervação extrínseca de inervação intrínseca.
    9. O ciclo cardíaco é a denominação do período inicial de um batimento até o momento inicial do batimento posterior, explique cada fase.
    10. Explique a anatomia fisiológica da sinapse.
    11. Cite três estruturas do nível cerebral inferior e pelo menos uma função de cada uma dessas.
    12. Cite as diferenças das sinapses químicas e elétricas.
    13. O hormônio é uma substância química que é secretada para os líquidos corporais por uma célula ou por um grupo de células que exerce efeito de controle fisiológico sobre outras células do organismo. Dentre os tipos de hormônios destacam-se os gerais e os locais. Dê exemplos de cada um respectivamente.
    14. Hormônios endócrinos praticamente não atuam diretamente sobre os mecanismos intracelulares, controlando as células; eles quase sempre combinam primeiro a receptores hormonais. Quais são as localizações dos receptores?
    15. Promover o transporte de sódio e de potássio através de algumas regiões das paredes dos túbulos renais e, em menor grau, os íons de hidrogênio é a função mais importante de um determinado hormônio. Como esse hormônio é conhecido?
    16. Como age o sistema hormonal de regulação?
    17. Descreva o sistema barrocetor.
    18. Cite exemplos de mecanismos de controle e a consequência se estes não funcionarem.
    19. O sistema gastrointestinal é composto pelo trato digestório e pelos órgãos anexos. O trato digestório é um tubo que se estende da boca ao canal anal, chamado também de canal alimentar. Quais estruturas fazem parte desse sistema?
    20. O estômago é o órgão mais dilatado, situa-se entre o esôfago e tem início no intestino delgado, na cavidade abdominal. Ele tem formas variáveis de acordo com alguns fatores. Cite quais são os fatores.
    21. Qual glândula é considerada mista, apresentando uma secreção endócrina lançada na corrente circulatória (insulina e glucagon) e uma exócrina (suco pancreático) lançado na luz do duodeno?
    22. Explique a função de eliminação de substâncias indesejadas do corpo.
    23. Explique como ocorre a síntese de glicose a partir do sistema renal.
    24. Explique o processo da formação da urina.
    25. Como ocorre a espermatogênese?
    26. Explique a estrutura e função da vesícula seminal.
    27. Explique os estágios do crescimento do ciclo ovariano.

    Bibliografia

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    DANGELO, J.C.; FATTINI, C.A. Anatomia humana sistêmica e segmentar. Ed. Atheneu, 2ª Edição, São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto e Belo Horizonte, 2005.

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    MOORE, K. L. e DALLEY, A. F.: Anatomia, orientada para a clínica. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

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    MAURÍLIO, Sampaio. Fisiologista no Futebol. Entrevista In: FC, Jan/2016. Disponível em: http://fcesporte.com/entrevista-com-maurilio-sampaio-fisiologista-futebol/ Acessado em 01/08/2016

    MEIRELES, A. E.; PEREIRA, L. M. de S.; OLIVEIRA, T. G. de; et. all. Alterações neurológicas fisiológicas ao envelhecimento afetam o sistema mantenedor do equilíbrio. Ver. Neurocienc , 2010. Disponível em: http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/1723/1286 Acessado em 26/07/2016.

    Hematopoese:

    Formação dos glóbulos vermelhos do sangue, que se produz principalmente na medula dos ossos.

    Hematopoético:

    Adj. Relativo à hematopoese.

    Hematócrito:

    Volume ocupado pelos glóbulos vermelhos num dado volume de sangue, em percentagem. (O hematócrito normal é de cerca de 40%.)

    Citoplasma:

    Parte fundamental, transparente, viva, da célula, que contém o núcleo, os vacúolos, e outras organelas.

    Plasma:

    A parte líquida do sangue constituída pelo soro e pelo fibrinogênio. / A substância orgânica fundamental das células e tecidos.

    Proeritroblasto:

    Célula grande de aproximadamente 16 micrometros, seu núcleo é esférico e central, retículo endoplasmáticos pouco desenvolvido tendo de um a dois nucléolos.

    Eritroblastos basófilos:

    Célula menor que o proeritroblastos, nucléolos não visíveis, cromatina parcialmente aglomerada e sofre mitose.

    Hemoglobina:

    A hemoglobina é uma proteína que está presente no interior das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) e que tem como função principal transportar o oxigênio dos pulmões para as células do corpo.

    Basofílico:

    É um termo técnico usado por histologistas vindo de basófilo que são um tipo de célula. Eles fazem parte da porção do sangue responsável pelas defesas ou imunidade do organismo. Eles são avaliados pelo hemograma e ajudam na detecção de várias doenças.

    Diapedese:

    Medicina Hemorragia cutânea ou exsudação de sangue. / Passagem de glóbulos brancos através das paredes de vasos capilares.

    Hematose:

    Transformação, no aparelho respiratório, do sangue venoso em sangue arterial, pela rejeição do gás carbônico e penetração do oxigênio.

    Hipóxia tecidual:

    É a diminuição do aporte de oxigênio ou baixa concentração de oxigênio nos tecidos.

    Comatoso:

    Devirado de coma, um derivado porem um adjetivo que caracteriza o estado de coma.

    Acidose Urêmica:

    É o excesso de acidez no sangue caracterizada por uma concentração anormalmente baixa de carbonatos.

    Eritropoéticas:

    Adj relativo a Eritropoese.

    Trifosfato de timidina:

    Abreviada como dTTP é um nucleótido formado polo nucleósido desoxitimidina esterificado cun grupo de tres fosfatos. A molécula consta do azucre desoxirribosa unido á base nitroxenada timina por enlace N-glicosídico entre o carbono 1' do azucre e o nitróxeno em posição 1 da base, e um grupo de tres fosfatos esterificados no carbono 5' e unidos entre si por enlace anhidro.

    Timidina:

    É uma molécula (também conhecida como nucleosídeo) que é formada quando uma timina é ligada a um anel de desoxirribose.

    Eritropoese:

    A eritropoese é o processo de formação dos eritrócitos, que respeitadas as fases de vida do animal, ocorre no interior da medula óssea, e é controlada por um hormônio estimulante chamado eritropoetina.

    Reticulócitos:

    Hemácia amarela, de estrutura granulosa e filamentosa.

    Protoporfirina:

    Na EPP, há a formação excessiva de um tipo particular de porfirina, conhecida como protoporfirina, que é produzida pela medula óssea vermelha. A protoporfirina se acumulha nas células vermelhas do sangue, no fígado e na pele, que se torna extremamente sensível à luz.

    Heme:

    Heme ou hematina é uma molécula complexa, ferruginosa,que é parte essencial da hemoglobina, que é uma proteínaexistente nas hemácias.

    Pseudópodos:

    Med. Extrusão do protoplasma de certos protozoários que, avolumando-se, acaba arrastando o corpo, fazendo seu deslocamento ou servindo a envolver partículas de que se alimentam.

    Vesícula Fagocítica:

    Também conhecido como Fagossoma é a vesícula formada quando uma célula fagocita ou uma organela da própria célula, que permanece envolvida por uma pequena quantidade de membrana proveniente da membrana plasmática. Esta recebe as enzimas específicas dolisossomo que é englobado a ela.

    Intersticiais:

    Substância fundamental intercelular.

    Peribrônquicos:

    Que está em torno de brônquio ou brônquios.

    Hemostasia:

    O termo hemostasia refere-se ao conjunto de mecanismos pelos quais se mantêm o sangue fluido dentro do vaso, sem coagular (trombose) nem extravasar (hemorragia).

    Centripetamente:

    Curto espaço.

    Bulbouretrais:

    É uma glândula situada debaixo da próstata.

    Divisões Mitóticas:

    Relativas a mitose, processo pelo qual as células eucarióticas dividem seus cromossomos entre duas células menores do corpo.

    Citoplasmatico:

    Relativo a citoplasma.

    Ritmicidade:

    Melhoria passageira, coisa de instantes.

    Esternocostal:

    Relativo ou pertencente ao esterno e às costelas. Situado entre o esterno e as costelas.

    Atrioventriculares:

    Relativo a uma câmara superior e a um ventrículo do coração.

    Sístole:

    Movimento de contração do coração e das artérias, responsável pelo impulso que faz circular o sangue.

    Diástole:

    Movimento de dilatação do coração e das artérias.

    Gradiente retrógrado:

    Significado não encontrado.

    Anterógrado:

    Que se move ou se estende para a frente.

    Cineangiografia:

    É um procedimento diagnóstico invasivo, isto é, será necessário que um tubo (cateter) seja introduzido até o seu coração. Este procedimento visa conhecer qual é a condição de irrigação das artérias coronarianas, se existem obstruções e qual o grau destas obstruções.

    Gliais:

    São células não neuronais do sistema nervoso central que proporcionam suporte e nutrição aos neurônios.

    Subcorticias:

    Que fica debaixo do córtex ou casca.

    Anastomosa:

    Ligar formando anastomose: anastomosar as fibras musculares.

    Sistema nervoso autônomo:

    Sistema responsável pelo controle das funções viscerais como pressão arterial, motilidade do trato gastrointestinal, vesical e sudorese.

    Fascículos:

    É um conjunto de fibras musculares esqueléticas cobertas por perimísio, um tipo de tecido conjuntivo. Fibras musculares especializadas no coração que transmitem impulsos elétricos a partir do nó atrioventricular (nó AV) para as fibras de Purkinje são também fascículos.

    Nodo sinoatrial:

    É uma estrutura anatômica localizada na parede ântero-superior do átrio direito, lateralmente à abertura da veia cava superior. Atua como um marcapasso, controlando a frequência dos batimentos, é responsável pelo automatismo cardíaco.

    Sinusal:

    É uma estrutura anatômica do coração que faz parte do sistema cardionector, responsável pela função de marcar o passo natural, ou seja, produz seu próprio potencial de ação, que é o estímulo elétrico.

    Sistólica:

    Geralmente este valor é denominado de pressão arterial máxima, e é correspondente ao valor medido no momento em que o ventrículo esquerdo bombeia uma quantidade de sangue para a aorta.

    Diastólica:

    Normalmente este valor é conhecido como a pressão arterial mínima, correspondente ao momento em que o ventrículo esquerdo volta a encher-se para retomar todo o processo da circulação.

    Distal:

    É o mesmo que remoto ou periférico, ou seja, mais afastado do centro.

    Angiotensinogênio:

    É uma proteína circulante, de origem principalmente hepática, parte do sistema renina angiotensina aldosterona. É o substrato de ação da renina. A renina retira do angiotensinogênio um fragmento de dez aminoácidos chamado angiotensina I, que tem ligeiras propriedades vasoconstritoras.

    Gânglio Celíaco:

    É um par de massas de formato irregular composto de tecido nervoso e localizado no abdômen superior. Parte da subdivisão simpática do sistema nervoso autônomo (SNA), o gânglio celíaco é o maior gânglio do SNA, inervando a maior parte do trato digestivo.

    Gânglios Mesentéricos:

    É um ligamento em forma de leque que dá suporte ao jejuno e ao íleo.

    Angiotensina I:

    É um peptídeo que faz parte do sistema renina angiotensina aldosterona. É formado a partir da ação da enzimarenina sobre a angiotensinogênio.

    Pressóricos:

    Algo que está fora de um limiar pré-estabelecido.

    Sobejamente:

    Demasiadamente, excessivamente.

    Acetilcolina:

    É o neurotransmissor utilizado pelos neurônios que inervam os músculos. A estimulação dos receptores Ach nos músculos resulta na sua contração.

    Secretina:

    É um hormônio polipeptídeo com 27 aminoácidos produzida pelas células S do duodeno em resposta a um pH entre 2 e 4,5 (muito ácido).

    Colecistocinina:

    É um hormônio humano, gastro-intestinal. Seu principal efeito é a estimulação da secreção pancreática de enzimas.

    Iodetadas:

    Adj de iodeto que é a designação genérica dos sais e ésteres do ácido iodídrico e dos compostos do iodo com outros elementos.

    Suprarrenal:

    São glândulas vitais para o ser humano, já que possuem funções muito importantes, como regular o metabolismo do sódio, do potássio e da água, regular o metabolismo dos carboidratos e regular as reações do corpo humano ao stress.

    Pro-hormônio:

    São substâncias que quando metabolizadas pelo nosso corpo se transformam em esteroides anabolizantes ativos.

    Somastotatina:

    É um hormônio protéico produzido pelas células delta do pâncreas, em lugares denominados Ilhotas de Langerhans. Intervém indiretamente na regulagem da glicemia, e modula a secreção da insulina e glucagon.

    Eritropoetina:

    É uma hormona de glicoproteína que controla a eritropoiese, ou a produção de células vermelhas do sangue.

    Pituitária:

    Também conhecida como hipófise é uma pequena glândula localizada em um espaço ósseo chamado sela túrcica. A hipófise está conectada diretamente ao hipotálamo, proporcionando um elo entre o cérebro e o sistema endócrino. A glândula pituitária é dividida em duas partes: a anterior e a posterior.

    Eletrolitos:

    O termo eletrólito significa que este íon é carregado eletricamente e se move para outro eletrodo negativo (cátodo) ou positivo (ânodo).

    Hipotálamo:

    É uma estrutura que se localiza abaixo do tálamo, na região do diencéfalo, juntamente com o epitálamo e o tálamo. Os corpos mamilares, túber cinéreo, infundíbulo e quiasma óptico são estruturas do hipotálamo.

    Aldosterona:

    É um hormônio do grupo dos esteróides, produzido nas glândulas suprarrenais, cuja capacidade mineralocorticoide o torna o principal controlador da absorção/excreção de sódio e potássio, atuando na regulação dos fluídos corpóreos. Sua ação diminui a excreção de sódio e aumenta a excreção de potássio pelos rins, sudorese e saliva.

    Ânios:

    São átomos encontrados na natureza, resultados de reações onde esses átomos se tornam negativos ao ganharem elétrons em sua orbital, tornando-se íons negativos. E são esse íons os responsáveis pelo equilíbrio do metabolismo de nosso corpo proporcionando mais energia e proteção.

    Bulbo:

    É a porção inferior do tronco encefálico, juntamente com outros órgãos como o mesencéfalo e a ponte, que estabelece comunicação entre o cérebro e a medula espinhal.

    Ponte:

    É uma estrutura pertencente ao tronco cerebral.

    Cúpula:

    É uma abóbada hemisférica (metade de uma esfera) ou esferoide.

    Colédoco:

    É um ducto que transporta a bilis.

    Prostática:

    É uma glândula exócrina que faz parte do sistema genital masculino.

    Vídeos

    O Corpo Humano – A incrível máquina humana. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JenPQCY5vwI

    Fisiologia do Exercício. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rQWlhTICfA0

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