Fundamentos Metodológicos do Ensino de História

Fundamentos Metodológicos do Ensino de História

Guia de Navegação

Direciona para o início do arquivo.

Direciona para página anterior.

Direciona para próxima página.

Direciona para o sumário.

Busca por páginas ou palavras.

Ferramentas

Aciona os recursos de acessibilidade.

Direciona para ajuda com a navegação.

Direciona para a avaliação do material didático.

Ícones

Identifica videos.

Identifica atividades.

Identifica textos que ampliam o conceito destacado.

Identifica a biografia do autor.

Identifica imagens.

Identifica aúdios.

Identifica um livro sugerido para leitura.

Identifica datas.

LINKS :Sempre que uma parte do texto aparecer na cor azul, há um link que leva você para página relacionada com o assunto.

Palavra do Professor-autor

Olá, seja muito bem-vindo (a)!

Caro estudante,

Este material foi desenvolvido com o objetivo para a sua melhor compreensão, resultando numa aprendizagem. Foi elaborado com muito prazer e dedicação, trazendo assim, uma linguagem bastante simples, de fácil assimilação.

O livro é composto por quatro capítulos tendo diferentes ênfases nos demais tópicos. Tentamos proporcionar uma reflexão dos pressupostos teórico-metodológicos sobre a História, seu ensino e sua prática.

Esperamos que você aprecie bastante a leitura e que possa cada vez mais adquirir conhecimento. Isso é para nós uma satisfação fazer parte desse processo.

Desejamos sucesso na sua trajetória!

Os autores!

Marcus Fabio Lima Ferreira possui Mestrado em Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista-UNESP (1995). Bacharelado em Matemática pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR (1987), Especialização em Estatística Aplicada a Meteorologia pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB (1988). Atualmente é Professor Assistente VII do Curso de Matemática da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA em Sobral. Coordenador Regional da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas - OBMEP-CE. Coordenador do Curso de Especialização em Didática da Matemática das Faculdades INTA, e Professor dos Cursos de Graduação: Enfermagem, Fisioterapia, Engenharia Civil e Engenharia de Produção. Áreas de atuação: História da Matemática, da Física e da Astronomia, Teoria dos Números e Filosofia da Ciência e Biomatemática. Tem o pseudônimo de Fabius BONNET.

Maria da Conceição Erenice Farias Lima, possui Especialização em Didática da Matemática e também Especialização em História do Brasil. Bacharelado em Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA e Licenciatura em História pelas Faculdades INTA. Atualmente, Professora do Curso de Pedagogia: Presencial/EAD das Faculdades INTA. Atua principalmente nas seguintes áreas: Didática e Filosofia da Matemática, Teoria e Filosofia da História, Teoria do Conhecimento, Filosofia da Ciência, entre outros interesses.

Ambientação

Olá, bem-vindos a disciplina!

A disciplina Fundamentos Metodológicos do Ensino de História nos requer bastante pesquisa, estudo e debates. É uma ferramenta indispensável para a construção do seu aprendizado como discente e em seguida docente, quer seja da educação infantil, fundamental ou médio. Muito embora não termine por aí, ela se torna cada vez mais presente ao longo da nossa trajetória.

Como bem é chamada a disciplina, você se deparará com reflexões sobre: fundamentos, metodologias, prática e ensino, por isso se torna bastante interdisciplinar, dada a sua amplitude de aspectos divergentes, indo da teoria á pratica educacional. E para a construção desses entrelaçamentos, os diálogos vislumbram desde filósofos, historiadores à pedagogos entre outros estudiosos.

Diante disso, é importante que tenhamos em mente que as transformações no ensino acompanham o percurso da história de um país, de uma sociedade, de uma região ou local. E assim, procuraremos cada vez mais melhorarmos nossa prática em sala de aula, sabendo das particularidades e das diversidades que existem em nossa realidade.

Para aprimorar seus conhecimentos sugerimos a seguinte leitura de: O ensino de História e a criação do fato. Uma obra produzida por alguns historiadores brasileiros, dentre eles Jaime Pinsky. Nela você encontrará uma discussão sobre o ensino de história no Brasil e também como próprio título enfatiza: a criação do fato histórico. Os autores irão apresentar visões de como os historiadores criam esses fatos históricos e como isto é apresentado no livro didático, enquanto verdades.

PINSKY, Jaime (Org.). O ensino de história e a criação do fato. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2004.

Bons estudos!

Trocando ideias com os autores

Agora, sinta-se convidado a se debruçar em minhas duas sugestões de leituras abaixo.

Propomos a leitura de algumas obras.

O que é história

História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas.

Guia de Estudo

Após a leitura das obras, escolha uma e faça uma resenha crítica e realize uma postagem na sala virtual através do fórum de discussão.

Boa leitura!

A historiadora brasileira Vavy Pacheco Borges traz nessa obra uma visão sobre o mundo da história. É uma leitura bastante simples e prazerosa de se ter inicialmente. A autora ao longo das páginas apresenta as várias definições que a história receberá em determinadas épocas, e sua função. Dentro desse processo, o leitor se deparará também com uma história da história, abordagem teológica, materialista, e ainda comtemplando o cenário da história no Brasil. É um livro básico, indispensável para entendermos essa ciência.

BORGES, Vavy P. O que é história. 2ª edição. São Paulo: Brasiliense, 2011.

Sugerimos a leitura da obra História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. O autor reúne profissionais da área e suas experiências, na qual lança novas luzes sobre o trabalho do professor, questiona certas práticas de sala de aula e propõe outras mais eficazes para despertar o interesse dos estudantes.

KARNAL, LEANDRO (ORG.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. 6. ed. São Paulo: Contexto. 2016.

Problematizando

Leia e analise o texto abaixo:

(...) A primeira proposta de História do Brasil elaborada pelo Instituto e que repercutiu no ensino de História destacava a contribuição do branco, do negro e do índio na constituição da população brasileira. Apesar de valorizar a ideia de miscigenação racial, ela defendia a hierarquização que resultava na ideia da superioridade da raça branca.

Privilegiava o Estado como o principal agente da história brasileira, enfatizando alguns fatos essenciais na constituição do processo histórico nacional, as façanhas marítimas, comerciais e guerreiras dos portugueses, a transferência e o desenvolvimento das instituições municipais portuguesas no Brasil, o papel dos jesuítas na catequese e as relações entre a Igreja e o Estado.

A História era relatada sem transparecer a intervenção do narrador, apresentada como uma verdade indiscutível e estruturada como um processo contínuo e linear que determinava a vida social no presente. [...]

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais. 1997, p. 20

Problematizar algo, ou determinada situação requer um conhecimento prévio do assunto, para que as questões tenham coerência e fundamento. Por isso, que se faz necessário às leituras solicitadas. Qual a relação que você pode estabelecer com o texto acima e a realidade escolar existente? Quais as mudanças que são perceptíveis na prática docente e no que se refere o texto? Pense nisso!

Após a leitura faça uma reflexão e responda as questões acima destacadas, compartilhando com seus colegas na Sala Virtual, através da participação no fórum

Introdução à História

1

Conhecimentos

  • Conhecer os elementos básicos que são introdutórios para a ciência histórica, atrelado a isso, o trabalho do historiador, as fontes e sua aproximação com o tempo.


  • Habilidades

  • Identificar as diversas concepções de história dadas ao longo de sua trajetória.
  • Reconhecer as diversas fontes que orientam o trabalho do historiador.
  • Atitudes

  • Desenvolver e aplicar um olhar crítico sobre as fontes históricas na prática cotidiana.
  • Unidade 1

    O que é História

    Todos nós concordamos de imediato que o mundo que vivenciamos hoje não é nada parecido com o que nossos pais, avós, bisavós viveram. A facilidade da tecnologia atualmente nos proporciona a comunicação através de apenas um celular, pois você pode falar com quem quiser, a qualquer hora e lugar. Uma internet que nos faz viajar para qualquer país, podendo escolher em visitar um museu, um centro histórico, ou simplesmente conhecer a arquitetura de uma cidade grega. Enfim são as inúmeras possibilidades que o homem contemporâneo possui para escolher.

    Clio, Musa da História e da Criatividade.
    Fonte da imagem: http://www.esteticas.unam.mx/revista_imagenes/

    Este é um exemplo do que a história pode tratar em uma de suas investigações, elaborando o processo de mudanças e permanências em uma sociedade de determinada época. Sabendo que todos somos sujeitos históricos, sejam mulheres, homens, crianças, pois quando tomamos decisões, praticamos algo com a convivência em grupo, em família, na escola ou outros lugares. Mas, essa visão nem sempre foi assim, apenas era considerada a história de grandes homens, chamados de heróis, pautada em feitos relevantes na política.

    Mas afinal, o que é história? Você já parou para pensar? Tal pergunta intrigou muitos pensadores na procura de resposta, assim como: O que é Matemática? O que é Filosofia? O que é Ciência?

    Partimos então, para a etimologia da palavra história. Esta é de origem grega historía que quer dizer procura no sentido de, procurar saber, Heródoto (485-425 a.C.), é considerado o pai da história dado a esta um sentido investigativo.


    Heródoto
    Fonte da imagem: http://escola.mmo.co.mz/
    wpcontent/uploads/herodoto.jpg

    Assim, para o historiador antigo Heródoto com mais de 2.500 anos, a história era uma investigação das ações realizadas pelos indivíduos. Uma pesquisa, que procurava saber o que ocorrera no passado. Porém, também tinha o aspecto de narrativa, de relato do que encontrava durante a busca.

    Ao longo das transformações no mundo, a história adquiriu vários significados trazendo múltiplas facetas, construindo, desde então, a história da própria história.

    Atualmente, alguns historiadores procuraram enfatizar três ideias divergentes sobre o significado da história, que são: história como área de conhecimento, história fictícia e história do processo vivido.

    A história como área do conhecimento

    Veja abaixo alguns exemplos de definição de história dado por grandes historiadores:

    Unidade 1

    Marc Bloch
    Fonte da imagem: http://zip.net/bctbKD

    O historiador francês Marc Bloch (1886-1944) trouxe questões inovadoras para o âmbito da história, para o ofício do historiador. É um dos pais da chamada Escola dos Annales. Sua frase se tornou célebre, disse:
    “A história é a ciência dos homens no tempo”

    Sérgio Buarque
    Fonte da imagem: http://zip.net/bxtcKj

    O historiador e sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) um dos intelectuais com bastante influência até hoje, se o autor sobrevive ao tempo, imagine sua obra. Apresentou uma nova maneira de pensar a história do Brasil, pelas suas raízes. Disse:

    “A história é o estudo do que os homens do passado fizeram da maneira pela qual viviam, das ideias que tinham”.

    A história é primordialmente dinâmica, sendo assim, ela procura compreender as ações das sociedades humanas em seus espaços e tempos, do passado mais remoto aos nossos dias. História como disciplina, como ciência é área do conhecimento.

    A história como ficção

    Etimologicamente do latim fictione, declinação de fictio, de fingire, que significa fingir, modelar, inventar. São histórias criadas pelos indivíduos que trazem uma realidade imaginária, como por exemplo, em poemas, prosas, novelas, livros etc.

    O Pequeno Príncipe,
    do francês Antoine de Saint-Exupéry,
    publicada em 1943 nos Estados Unidos.

    Todavia isso não impede que algumas destas histórias, obras ficcionais possam ter um conteúdo parcialmente de momentos reais de alguma época.

    Observe um trecho do poema Autopsicografia de Fernando Pessoa.

    O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente.[...]

    Unidade 1

    A história como processo vivido

    Isso nos recorda de imediato o que já mencionamos aqui, uma palavra relevante para a história, a vivência. O que é vivido, experimentado, as emoções humanas, quer sejam individuais ou coletivas, através da memória podemos “refazê-las” relembrando algo ás vezes esquecido que fora praticado por alguém ou por um grupo social.

    Por mais que sejam três sentidos e propósitos diferentes, estão relacionados. Dependendo do que você queira estudar, pesquisar é que surgem as necessidades de diálogos.

    Para que serve a História?

    A Esfinge e as pirâmides do Antigo Egito,
    um dos monumentos mais visitados do mundo.
    Fonte da imagem: https://goo.gl/nuc8TL

    Diante de um mundo que enaltece a prática, é comum em nosso cotidiano encontrarmos pessoas que fazem perguntas do tipo: Para que serve isso? Qual a finalidade? Para que se estudar isso? No âmbito da história ouvimos demais frases clichês, como por exemplo: a história estuda o passado; quem gosta de passado é museu. Essa visão extremamente vaga da história, que a torna algo que estuda ruínas, antiquários é bastante ultrapassada e que está bem distante da realidade. Temos que descontruir essa ideia errônea da história, quer seja em nossas conversas, em sala de aula, na família e no trabalho.

    Chegada do homem à Lua, em 1969.
    Momento que propiciou novas descobertas
    na História ciência.
    Fonte da Imagem: http://goo.gl/6aN1Tb.

    O que foi apresentado sobre o que é história já demostra que a história é um conhecimento dinâmico, e por isso, precisa-se estar atualizando as informações, opiniões, com o passar das mudanças no processo histórico. O que sabemos de povos primitivos, das civilizações antigas, de colonizações é consequentemente aprimorado, modificado dado o profundo trabalho do historiador. Assim, como nós passamos por várias transformações ao longo de nossa vida, desde o embrião à fase adulta, a história também se conduz desta forma.

    Com a história podemos compreender a nossa trajetória desde o que fizemos, traduzindo o passado; o que praticamos com determinadas atitudes, evidenciando o presente; o que vamos fazer, modificar, e permanecer, aquilo que o futuro vai mostrar à nossa sociedade. Isso acontece simultaneamente com todas as pessoas em todos os lugares do mundo.

    Sabendo que essas mudanças no individuo, nas gerações impulsionam o surgimento dos “acontecimentos” ou “eventos” históricos, sociais, políticos, econômicos, culturais, entre outros elementos, num determinado país, cabe a história interpretar essas relações e evidências das experiências humanas num fluxo contínuo, desde o aparecimento do homem aos dias atuais.

    A história nos possibilita uma reflexão sobre o presente a partir de indagações feitas ao passado. Procura nos despertar para a tomada de uma consciência histórica, apontando para a importância que cada ser em sociedade possui independente de classe social, de gênero, escolaridade etc.

    Unidade 1

    O conhecimento histórico é interdisciplinar, já que tudo tem uma história por trás, às vezes ainda escondida, às vezes nas entrelinhas, nos bastidores, mas que o historiador provoca e traz à tona. É por meio de diálogos com outras áreas do conhecimento, como por exemplo, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a Geografia, etc., que a História delineia a dimensão humana das interações.

    Conhecendo a história da humanidade, podemos entender melhor as transformações que ocorrem ao nosso redor, até mesmo as mais distantes possíveis quer sejam do tempo, ou do lugar.

    As Fontes Históricas

    Carta de Pero Vaz de Caminha.
    Fonte imagem: http://escolakids.uol.com.br

    Como podemos estudar e observar essas transformações na sociedade? De maneira simples já respondemos que é através do trabalho do historiador com as chamadas fontes históricas. Mas o que são então, as fontes históricas? É o que mostraremos agora.

    Por muito tempo o debate foi acirrado entre pensadores sobre a postura do historiador e o que seria considerado uma fonte histórica. Hoje há uma variedade de fontes ou documentos históricos, com as quais os historiadores podem interpretar analisar esses registros humanos. Isso começa desde os vestígios do passado deixados pelos primeiros seres humanos na Terra até a contemporaneidade.

    As fontes podem ser escritas, materiais e iconográficas ou orais. Dentre tantos tipos de fontes históricas presentes, vejamos alguns exemplos do quadro abaixo:

    Fontes Históricas.
    Créditos da imagem: https://historia10.wordpress.com/category/uncategorized/page/5

    Representantes de grupos de Griots
    são contadores de histórias.
    São tradicionais na cultura africana.
    Fonte de imagem:
    http://wypr.org/post/three-generations-griots

    Os documentos históricos podem ser escritos, orais, sonoros, visuais, constituindo, portanto, a chamada cultura material. Durante o estudo, as pesquisas podem ser encontradas como documentos oficiais, particulares ou públicos: leis, contratos, dados estatísticos, etc. As fontes orais: entrevistas, relatos, experiências que trazem alguma informação sobre o objeto da sua pesquisa.

    O historiador de posse das fontes pode interpretar, colher as informações e organizá-las de maneira diferente de qualquer outro profissional que fará uma pesquisa. O olhar diante das fontes ou documentos históricos depende da sua busca, do ponto de vista sobre o tema, do diálogo feito com outras fontes simultaneamente, etc.

    Unidade 1

    Sobre o uso da fonte oral, a historiadora Carla Pinsky na obra “Fontes históricas” nos mostra o quanto esta dialoga com outras disciplinas e que pode ser aplicada em diferentes áreas do conhecimento.

    O trabalho com a história oral se beneficia de ferramentas teóricas de diferentes disciplinas das ciências humanas, como a Antropologia, a História, a Literatura, a Sociologia e a Psicologia, por exemplo. [...] ela pode ser aplicada nas mais diversas áreas: na Educação, na Economia, nas Engenharias, na Medicina etc. [...] (PINSKY, 2008).

    Nas palavras do historiador Marc Bloch (2001) define essas linhas: “O passado é, por definição, um dado que nada mais modificará. Mas, o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se transforma e aperfeiçoa-a” (BLOCH, 2001. p. 75). Diante disso, torna-se importante ressaltar que determinado assunto pode vir a ser modificado na sua interpretação, pois as descobertas que o homem faz ao longo de suas pesquisas podem trazer algo ainda desconhecido.

    O historiador e os domínios da História

    Pesquisa em digitalização de
    documentos organizada pelo historiador José Reis.
    Fonte da imagem:https://uranohistoria.blogspot.com.br/

    A história possui diversas áreas que compõem hoje seu campo historiográfico. As contribuições, as divergências e escolhas dos historiadores sobre qual caminho seguir diante de inúmeras possibilidades históricas. É muito comum encontrarmos esses aspectos quando nos deparamos com questões do tipo:
    teoria, escrita e metodologia da história.

    O historiador Ciro Flamarion Cardoso traz em sua obra Domínios da história uma abordagem densa sobre os diversos campos que a história especificamente dominará em suas pesquisas atuais. Dentre esses domínios podemos citar: a História Econômica, História Social, História Política, História das Ideias, História Cultural, História Oral, etc.Observe o quadro abaixo:

    O campo histórico
    Créditos da imagem:menrvatemplodosaber.blogspot.com.b

    A historiadora Sandra Jatahy Pesavento traz um importante texto sobre a história cultural e o papel do historiador:

    (...) no campo da História Cultural, o historiador sabe que a sua narrativa pode relatar o que ocorreu um dia, mas que esse mesmo fato pode ser objeto de múltiplas versões. A rigor, ele deve ter em mente que a verdade deve comparecer no seu trabalho de escrita da História como um horizonte a alcançar, mesmo sabendo que ele não será jamais constituído por uma verdade única ou absoluta. O mais certo seria afirmar que a História estabelece regimes de verdade, e não certezas absolutas (PESAVENTO, 2005, p. 51).

    Unidade 1

    Atualmente, percebemos com mais nitidez que a História e seu ensino refletem entre outras coisas, as características continuamente de rupturas e permanências. No livro didático, ou na prática docente, por exemplo, encontramos conteúdos, metodologias, e posicionamentos diferentes conforme as linhas e tendências da produção historiográfica.

    Por isso, é importante não somente o historiador enquanto pesquisador, mas também, como professor investigar e fazer essas análises, sabendo que as próprias bases das propostas curriculares de História objetivam cada vez mais uma espécie de sintonia entre os domínios da História Contemporânea com seu ensino.

    O tempo na historia

    Podemos dizer de maneira objetiva que a história é o estudo do homem, de suas ações ao longo do tempo em um determinado espaço geográfico. Porém, eis a pergunta: o que é o tempo? É possível defini-lo?

    Esse questionamento é essencialmente filosófico, é bastante antigo e intrigou pensadores de diferentes épocas. Durante o século V, por exemplo, Santo Agostinho (354-430) foi um dos grandes filósofos medievais do cristianismo a se preocupar com essa problemática. Veja um trecho de seu questionamento, escrito em sua obra Confissões:

    Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei. (AGOSTINHO, 1996. p. 322)

    Essa é apenas uma pálida demonstração diante da magnitude da obra agostiniana. Agostinho mostra assim a dificuldade que é definir o tempo, não é possível medi-lo, e com isso sua obra ficou bem conhecida e citada quando o assunto é o tempo. Na história então há registros de muitas temporalidades, como explicar esse enigma, e consequentemente passaram a existir várias formas de concebê-lo. Se algum de nós já parou para pensar deve ter desistido de uma compreensão satisfatória, de imediato. Mas, o que percebemos no senso comum é que o tempo é considerado algo implacável, uma produção de fatos do passado, presente e futuro.

    Quantos de nós já presenciamos expressões comuns do tipo: Perdi a hora! Estou atrasada! Como o tempo passa rápido! Estou com falta de tempo! O tempo é ouro! Enfim, seria muitos aqui se fôssemos continuar nos exemplos. Observe um recorte da música: Não tenho tempo, do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro.

    Unidade 1

    Eu não tenho tempo
    Eu não sei voar
    Dias passam como nuvens
    Em brancas nuvens
    Eu não vou passar
    [...]

    Eu não tenho medo
    Eu não tenho tempo
    De me ouvir cantar
    Eu não tenho medo
    Eu não tenho tempo
    De me ver chorar (2x)
    [...]

    As expressões e a canção acima representam exemplos de maneiras diversas que as pessoas pensam e sentem sobre o tempo em seu cotidiano. Para exemplificar isso, em uma sala de aula um estudante pode considerar que está demorando demais para terminar, enquanto para outro, a aula foi curta, o tempo foi pouco, são percepções sentidas diferentemente, e assim acontece em tantas situações da nossa vida, isto é, percebemos a passagem do tempo. Naturalmente isso nos levou a diferentes unidades para medir o tempo, como: hora, minuto e segundo, dia, noite, ano, mês, etc. O que nos permitiu elaborar calendários.

    Entretanto, fisicamente tudo isso são intervalos de tempo, visto que modernamente a grandeza tempo, não pode ser definida. O físico alemão Albert Einstein (1879-1955) mostrou que o tempo estar intrinsecamente ligado ao espaço.

    Agora, é claro que isso é compreendido igualmente quando a percepção for dada pelo relógio, já que as horas, os minutos e segundos são medidas no tempo do instrumento. Em outras palavras nós convivemos com o dia, noite, ano, nascimento, crescimento, envelhecimento e morte, porém pouco sabemos do tempo.

    Para que as civilizações antigas medissem o tempo, criaram os calendários e relógios bem diversificados. Isso foi uma forma de subsidiar as necessidades que os povos tinham na época. E ao longo das mudanças e descobertas humanas esses instrumentos foram se tornando cada vez mais eficientes e práticos.

    Existem algumas formas de dividir o tempo que ficaram conhecidas como: tempo cronológico tempo geológico e tempo histórico. Cada civilização em determinada época possui uma interpretação e uma maneira particular de lhe dar com o tempo em seus grupos. Vamos aqui mostrar o que significa cada um destes com algumas respectivas imagens para melhorar a compreensão.

    Comecemos pelo tempo cronológico, que etimologicamente vem do grego (chronos, tempo, seguido de logos, estudo). Assim, cronologia é o estudo do tempo. Os registros históricos mostram que os primeiros povos marcavam o tempo por meio dos ciclos naturais, entre as observações de mudança de dia e noite, acompanhados do posicionamento dos corpos celestes. Isso facilitou que homens de culturas diferentes percebessem quando seria o tempo de fazer a colheita, semeadura, orações, rituais entre outros eventos.

    Unidade 1

    Essa necessidade de controlar o tempo fez com que surgissem os primeiros calendários e relógios nas sociedades antigas. Veja alguns exemplos de calendários.

    A Pedra do Calendário ou Pedra do Sol. Fonte de imagem: http://www.culturamix.com/cultura/

    Os astecas criaram a chamada Pedra do Calendário ou Pedra do Sol. Trata-se de uma pedra gigantesca descoberta em 1790 na cidade do México. Essa seria a forma como esse povo interpretava o tempo. Se observar a imagem, você verá que na figura destacada no centro é o deus Sol, e ao seu redor estão os vinte dias do calendário sagrado, chamado de vintenas. O curioso é que seriam 18 meses, sendo que existiriam no final cinco dias para a meditação. Essas são algumas das hipóteses dos estudiosos. Hoje essa escultura pode ser apreciada no Museu de Antropologia mexicano.

    Alguns calendários são baseados em observações astronômicas, enquanto outros tipos mostram variações que até mesmo chegam a serem transmitidos através da tradição, da oralidade de um povo

    .

    Quando estudamos percebemos que os calendários são convenções humanas, em que diferentes civilizações e épocas estabeleceram seus próprios critérios para a contagem do tempo: dias, noites, mês e ano. Portanto, esses fatores dos temporais vão depender da cultura, da religião, de todas as crenças de um povo. Como podemos ver nesses outros exemplos, de calendários: judaico, cristão e muçulmano, no quadro abaixo:

    Fontes Históricas.
    Créditos da imagem: http://crescimentoemcristo.blogspot.com.br/

    Numa rápida observação do quadro de calendário anterior, vemos que os cristãos têm como base o nascimento de Jesus no mundo ocidental, e que ainda hoje utilizamos em nosso calendário anual. Enquanto que o calendário judaico é marcado pela criação do mundo por Deus, os dias começam ao anoitecer, conforme é descrito na Bíblia, em Gênesis. No calendário dos muçulmanos é datado a partir da história desse povo durante a migração do profeta Maomé da cidade Árabe Meca para Medina. Esse trajeto, ou acontecimento ficou conhecido como Hégira.


    Unidade 1

    Entretanto, o calendário cristão foi utilizado por vários povos. E para explicar essa dimensão alguns pesquisadores apresentam hipóteses, dentre elas: seria a forma do calendário ser solar, que tem como base o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol. E seria a disseminação e força do cristianismo em países da Europa após o século V.

    A contagem do tempo através do instrumento relógio é bastante antiga. Os documentos históricos apontam que os primeiros relógios utilizavam como ponto referencial os fenômenos naturais. Esses seriam a partir das projeções de: água, sol ou areia.

    O relógio de Sol, por exemplo, data de aproximadamente quatro mil anos. Tendo sido criado pelos egípcios de pedra, que traz no centro um “T”. A posição do “T” determinava ou indicava a hora a partir da sombra dada na parte superior. Depois sem usar a luz do Sol, outro conhecido era o relógio de água, ou clepsidra. Em se tratando da contagem pelo instrumento via areia, era o que conhecemos e usamos de adorno em casas, a saber: a ampulheta. Esta foi utilizada bastante durante as viagens marítimas e também nas Igrejas, um instrumento de medir o tempo em fração, assim marcava os pequenos intervalos.

    Essas três formas passaram a ser adotadas por várias sociedades depois, que acabaram gerando modificações nos mesmos. Veja as imagens abaixo:

    Sabemos o quão presente é em nossa vida a medida do tempo, em horas, minutos e segundos. Mas nem sempre foi assim. Durante o século XVI é que surgem os primeiros relógios mecânicos sendo encontrados em locais públicos como praças e igrejas para que todos os habitantes da cidade pudessem ver. Basta olharmos a nossa volta que percebemos as tantas modificações que o relógio passara. Podemos já de imediato exemplificar os diversos tipos, modelos e cores, que se traduzem num relógio de parede, de bolso, de mesa, de celular etc.

    O quadro abaixo é um exemplo de tempo geológico que é interpretado como sendo desde o presente até a formação da Terra, a partir de uma escala da linha do tempo.

    Unidade 1

    Tabela de Escala geológica do tempo.

    Com as mudanças na crosta terrestre o homem conseguiu dividir resumidamente essa escala em éon, eras, períodos, épocas e idades em milhões ou bilhões, seguidos com seus principais acontecimentos ocorridos ao longo das transformações biológicas, assim, torna-se uma escala bastante ampla.

    Éon:

    A palavra em português éon é oriunda do termo em grego aion, que significa "era" ou "força vital".

    O tempo cronológico e o tempo geológico, embora sejam fundamentais para a compreensão humana da vida na Terra e sua passagem na história, não é objetivo da história. O tempo histórico busca uma abordagem e foco diferentes de ambos, trazendo em períodos da existência humana, na qual se manifestam uma variedade de eventos. Estes possuem caracteristicamente fatores importantes que devem ser considerados como: o contexto, as mentalidades, a estrutura, a economia enfim, o que rege a vida do indivíduo em sociedade.

    As transformações na História.
    Fonte da imagem: http://blogprofleo.blogspot.com.br/

    As gerações, as tradições e culturas manifestadas em sociedades diversas marcam um tempo, um modo de viver, de sentir e de pensar que possibilitam significado a vida. Isso faz com que existam diferentes tempos históricos, é esse que o historiador trabalha em suas pesquisas. Assim, percebemos o homem enquanto sujeito que modifica o lugar e que simultaneamente é modificado pelo lugar que está inserido.

    Unidade 1

    Se pensarmos e voltarmos no tempo durante a década de 60 ou 80, rapidamente verificamos as transformações desde então. Isso pode ser percebido através do estilo de vestimentas, nas músicas produzidas da época, na educação escolar e universitária, nas reformas políticas, nos movimentos sociais, entre outros. O resultado é que nenhuma época é igual à outra, vão sempre possuir fatores divergentes em vários aspectos.

    O tempo histórico é o único que pode possibilitar ao historiador perceber essas mudanças, eventos em qualquer momento ou lugar. Diferentemente das outras divisões do tempo, este não é linear, nem regular, nem contínuo, mas sim, constituído de diferentes durações.

    Agora, é claro que a periodização da história é fundamental para compreensão dessas mudanças, sendo considerada apenas para fins didáticos. Essa divisão de períodos tradicional é bastante conhecida pelos estudantes. Veja a imagem a seguir:

    Divisão tradicional da história. Fonte da imagem: http://menrvatemplodosaber.blogspot.com.br/

    A divisão tradicional da história gera debates entre historiadores, pois para alguns, essa forma de apresentação valoriza os chamados fatos políticos e acontecimentos apenas da história europeia, isso faz com que não citem outras sociedades, como por exemplo, a África, além de taxar de pré-história uma dada época.

    Mas hoje, há uma concordância com relação a ideia de que todos os povos de qualquer época ou lugar possuem história, mesmo que não haja domínio da escrita. Desse modo podem existir tantas divisões, quanto os recortes, as ideologias, etc. Evidentemente que a periodização com datas exatas dos acontecimentos humanos é imprudente e um acinte a história pensar assim, evidentemente sabendo que não há um rompimento fiel de quando termina ou começa exatamente as mudanças de um dado período.

    Podemos afirmar sem dúvidas que o tempo histórico não segue uma precisão dos relógios ou calendários, mas vai, além disso. É comum encontrarmos em alguns historiadores uma definição para tempo histórico. Este caracteristicamente pode apresentar-se como sendo de longa, média ou curta duração. Cabe ao historiador fazer os desdobramentos dos acontecimentos indo e voltando no tempo, sem se tornar prisioneiro dele. E ao homem, enquanto sujeito da história, compreender que o tempo passa para todos, porém não passamos por ele da mesma maneira ou intensidade.

    Políticas e Leis para o Ensino de História

    2

    Conhecimentos

  • Conhecer alguns aspectos das Políticas Educacionais e Leis voltadas para o Ensino de História.
  • Habilidades

  • Identificar as principais mudanças no ensino de História ao longo dos anos.
  • Atitudes

  • Construir noções sobre o desenvolvimento da historicidade do ensino de história.
  • Unidade 2

    Políticas Educacionais

    O que são Políticas Educacionais? Elas envolvem um conjunto de políticas públicas voltadas para programas sociais com participação de entes públicos ou privados. Seu papel é assegurar benefícios à sociedade civil através de direitos adquiridos, como o acesso a educação pública e de qualidade.

    Todos os governos possuem políticas públicas de incentivo e aprimoramento da Educação, essas ações estabelecem instrumentos para garantir a qualidade no processo de formação do ensino.

    Os Estados são responsáveis por distribuírem e regularem a participação dos recursos a partir de programas e projetos específicos, por exemplo, implementando as diretrizes para a formação de professores, desenvolvendo os parâmetros para os currículos ou elaborando os padrões de qualidade do ensino. Tais medidas se transformam em leis, diretrizes ou parâmetros após uma votação no Legislativo (vereadores, deputados e senadores), essas leis em questão serão tema de nosso estudo.

    Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional

    A Constituição de 1988 estabeleceu o modelo republicano no Brasil com uma democracia representativa, isso significa dizer, que a constituição ampliou em todas as esferas os direitos dos brasileiros, inclusive na área da educação, tornando a educação um direito universal e de igualdade, sem qualquer discriminação, cabendo ao Estado à obrigação de assegurá-la e promovê-la.

    Um dos parágrafos centrais da Constituição sobre a educação diz a seguinte afirmativa (Titulo II e seção I): “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Nesse tópico fica claro os deveres do Estado para com as pessoas, ou seja, é um direito social adquirido e não um favor, pelo contrário, sendo a educação um direito universal, sem qualquer restrição, ela pode e deve ser exigida dos órgãos competentes o cumprimento da Lei quando esse direito for violado ou desrespeitado.

    Em relação à educação como um direito democrático, o § 2 no art. 205 compreende: “o ensino basear-se-á em princípios, como os da igualdade de acesso e permanência na escola, liberdade de aprender, ensinar, pensar e expressar-se, pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, gratuidade nos estabelecimentos oficiais, valorização do magistério por meio de plano de carreira e concurso público, gestão democrática do ensino e garantia de padrão de qualidade”. Nesse sentido, uma educação democrática é aquela que possui o compartilhamento de responsabilidades e decisões, a fim de uma maior participação e transparência de cada um no coletivo.

    A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, sancionada a 20 de dezembro de 1996 foi regulamentada a partir desses princípios e orientações curriculares. Na LDB contém as Bases que vão orientar os educadores no seu trabalho pedagógico e na inovação do próprio ensino, assim como, reflete os desafios e esperanças que movem tantos educadores.

    Unidade 2

    Os Parâmetros Curriculares Nacionais

    A constante transformação da sociedade nas últimas décadas impulsionou uma reforma no quadro curricular, em vista de acompanhar as renovações nas áreas do conhecimento. Tal mudança impõe uma revisão nos conteúdos curriculares para atualizar o trabalho cotidiano dos professores, uma orientação que aponta constantemente para a necessidade de construir uma nova educação. Em meio a essa necessidade surgiram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que buscam adaptar e inovar a estrutura do ensino.

    Dentre as propostas dos PCN foram incluídas as diversidades culturais, regionais e políticas para obter um currículo flexível diante da pluralidade existente do país. O objetivo parte da necessidade de respeitar e construir referências regionais e nacionais comuns ao processo educativo em todas as partes do Brasil. Com isso, pretende-se criar condições que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários para o exercício da cidadania.

    Breve contextualização da História como disciplina escolar

    “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (Paulo Freire)

    Começamos por dizer que a pergunta do que seria disciplina escolar, é bastante complexa, polêmica em seu conceito. Essa não será nossa intenção nesta abordagem, mas sim, de mostrar um breve contexto e a existência desse debate entre os autores.

    Assim, como em outras disciplinas escolares, por exemplo, a Matemática, a Geografia, a Filosofia, Biologia etc., a História também faz parte do cotidiano do estudante no ambiente educacional. Um sistema que obedece a uma carga horária, organização, produção de conhecimento específico na escola, que difere do acadêmico.

    Os Parâmetros Curriculares Nacionais ao expor sobre o ensino de História e Geografia, logo no início traz a seguinte informação:

    A partir da constituição do Estado brasileiro a História tem sido um conteúdo constante do currículo da escola elementar. O Decreto das Escolas de Primeiras Letras, de 1827, a primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil, estabelecia que:

    Os professores ensinariam a ler, a escrever, as quatro operações de aritmética [...], a gramática da língua nacional, os princípios de moral cristã e de doutrina da religião católica e apostólica romana, proporcionadas à compreensão dos meninos; preferindo, para o ensino da leitura, a Constituição do Império e História do Brasil. (BRASIL, 1997, p.18)

    A história como disciplina escolar vem sofrendo diversas mudanças em seu campo de conhecimento. A mesma, antes pautada na criação de grandes heróis, culturas, crenças e elites, aponta hoje um conhecimento objetivo fundamentado na teoria e métodos didáticos reflexivos. Esses novos métodos se deve as transformações econômicas, políticas e culturais que influenciaram intrinsecamente na construção do conhecimento da História. Tendo como aliados outras áreas de conhecimento, como a Filosofia, Teologia e a História que obteve novas possibilidades na sua metodologia. Com esse relacionamento usou a partir daí novas reflexões sobre a investigação e a crítica histórica, criando eixos atuantes fundamentando-se no positivismo marxismo.

    Unidade 2

    Entretanto, por muito tempo durante a Idade Média o ensino da história teve suas bases num conhecimento teológico apoiado pelas igrejas cristãs, construiu-se uma História Bíblica repassada aos estudantes apenas com abstrações construídas nesse contexto.

    Esses modelos educativos influenciados pela igreja foram aos poucos substituídos por modelos baseados no iluminismo, onde houve reformas que pautavam-se num eixo mais realista inspirados na ciência moderna através dos conhecimentos históricos e geográficos, trazendo a partir daí uma história baseada na humanidade, explorando a origem das nações.

    Com a Revolução Francesa uma série de debates intelectuais surgiu acerca da história no ensino educacional, visando uma nova formação de cidadão e reflexões sobre a civilização e o progresso da humanidade. Esse processo de equilíbrio entre as dimensões erudita e filosófica é que tornou possível a implementação da história como disciplina escolar, constituída como história cientifica que se preocupa em apresentar aos estudantes o passado glorioso da nação venerando a pátria.

    Hoje quando nos deparamos com a leitura da LDBEN encontramos um quadro com várias finalidades e objetivos para a história enquanto disciplina escolar. Estes estão pautados na LDBEN – Lei n. 9324, de 20 de dezembro de 1996 (Brasil, 1996), PCN- História e Geografia: 1ª a 4ª séries (BRASIL, 1997), e Resolução CNE/CEB n. 2, de 7 de abril de 1998 (Brasil, 1998).

    Veja os dois quadros que essa Lei estabelece para as séries iniciais da educação brasileira.

    Objetivos para o 1º ciclo (1ª e 2ª séries)

  • Comparar acontecimentos no tempo, tendo como referência anterioridade, posterioridade e simultaneidade;
  • Reconhecer algumas semelhanças e diferenças sociais, econômicas e culturais de dimensão cotidiana, existentes no seu grupo de convívio escolar e na sua localidade;
  • Reconhecer algumas permanências e transformações sociais, econômicas e culturais nas vivências cotidianas das famílias, da escola e da coletividade, no tempo, o mesmo espaço de convivência;
  • Caracterizar o modo de vida de uma coletividade indígena, que vive ou viveu na região, distinguindo suas dimensões econômicas, sociais, culturais, artísticas e religiosas;
  • Identificar diferenças culturais entre o modo de vida de sua localidade e o da comunidade indígena estudada;
  • Estabelecer relações entre o presente e o passado;
  • Identificar alguns documentos históricos e fontes de informações, discernindo algumas de suas funções.
  • Unidade 2

    Objetivos para o 2º ciclo (3ª e 4ª séries)

  • Reconhecer algumas relações sociais, econômicas, políticas e culturais que a sua coletividade estabelece ou estabeleceu com outras localidades, no presente e no passado;
  • Identificar as ascendências e descendências das pessoas que pertencem à sua localidade, quanto à nacionalidade, etnia, língua, religião e costumes, contextualizando seus deslocamentos e confrontos culturais e étnicos, em diversos momentos históricos nacionais;
  • Identificar as relações de poder estabelecidas entre a sua localidade e os demais centros políticos, econômicos e culturais, em diferentes tempos;
  • Utilizar diferentes fontes de informaçês para leituras críticas;
  • Valorizar as ações coletivas que repercutem na melhoria das condições de vida das localidades.
  • Os PCN e o Ensino de História

    Em geral, a proposta de ensino em História apresenta reflexões amplas para estimular o debate do fato histórico e a sua importância na transformação social. Objetiva levar os educadores a refletirem sobre a presença da História no currículo e a debaterem a contribuição do estudo da História na formação dos estudantes.

    Os Parâmetros do ensino em História estão organizados de acordo com as concepções curriculares para o ensino de História no Brasil, quanto às suas características, importância e conceitos essenciais para o saber escolar. O ensino em História deve ser capaz de situar acontecimentos históricos e localizá-los em seu tempo e espaço, identificando as relações sociais e outras formas de manifestações, reconhecer que o conhecimento histórico é parte de um conhecimento interdisciplinar e, ainda compreender que as histórias individuais são partes integrantes de histórias coletivas. Assim, o objetivo geral do currículo no ensino de História seria aquele que relaciona método e conteúdo a partir de articulações com temas transversais.

    Os Parâmetros Curriculares Nacionais reconhecem a realidade brasileira como diversa, por isso será no próprio cotidiano das escolas, em sua realidade local, na soma de contradições e condições, que são construídos os currículos reais. São grupos de professores e alunos, de pais e educadores, em contextos peculiares que formulam e colocam em prática as propostas de ensino. Essa realidade concreta oferece parâmetros e instrumentos para o trabalho cotidiano da escola.

    As novas propostas curriculares de história incorporam características para o ensino fundamental e médio. Essas características abordam, por exemplo, fundamentações e métodos teóricos da disciplina e do conhecimento, preocupando-se também com a verdade sobre o currículo dos professores além de redefinir seu papel com autonomia no ensino a cada nível. Neste contexto, aponta a importância do construtivismo, sem esquecer, entretanto, que o aprendizado é um processo continuo incorporado ao conhecimento prévio que o estudante obtinha e que deverá ser integrado a um processo.

    Os Parâmetros Curriculares Nacionais dentre tantas observações, objetiva mostrar que é na ação educadora entre os sujeitos, professor e estudante que se constrói um saber próprio. Veja:

    Unidade 2

    No processo de ensino-aprendizagem, o professor é o principal responsável pela criação das situações de trocas, de estimulo na construção de relações entre o estudado e o vivido, de integração com outras áreas de conhecimento, de possibilidade de acesso dos alunos a novas informações, de confrontos de opiniões, de apoio ao estudante na recriação de suas explicações e de transformação de suas concepções históricas. (BRASIL, MEC. 1998, p.40).

    Essas novas situações apresentam um ensino onde seja possível identificar propostas para cada um dos diferentes níveis de ensino. As mudanças no ensino da história acometem também os estudantes nos quatro primeiros anos do ensino onde existe uma limitação e um conceito de história baseado na criação, heróis e datas comemorativas que remetem personagens que procurava apresentar a história.

    Assim, quando falamos das novas propostas de ensino da história, temos a preocupação de apresentar um ensino baseado em métodos e conhecimentos teóricos, substituindo os estudos sociais pelo ensino de história e geografias das séries iniciais. Portanto, é importante que você saiba que o ensino da história seja trabalhado de maneira progressiva, criando uma linha de estudo que vai do ensino fundamental ao médio, assim é possível que as temáticas sejam introduzidas desde o primeiro ano, criando um eixo onde serão incorporadas noções básicas desde a cultura até as noções de tempo dentro da história.

    Entretanto, essa noção de tempo não deve ser apenas cronológica. Nas séries iniciais apresenta-se uma noção de tempo que será desenvolvida através dos fatos de forma gradual, ao mesmo tempo em que estabelece concepções baseadas na história do tempo, presente e passado, fazendo uma correlação entre elas na noção de tempo, espaço e futuro.

    O ensino nessas séries deve ser ministrado por professores com uma boa formação, onde a história seja apresentada de forma teórica com métodos que buscam completar os conhecimentos adquiridos, e que se posicionam num estágio de construção do conhecimento para objetividade da história, aprofundado o estudo com base num contexto histórico-cultural.

    Sugestões para ensinar a História

    3

    Conhecimentos

  • Conhecer algumas características que o ensino de História pode ser desenvolvido na prática docente.
  • Habilidades

  • Identificar diversas maneiras de trabalhar o ensino de História com os estudantes na escola.
  • Atitudes

  • Utilizar uma variedade de metodologias e recursos didáticos durante a prática do ensino de História em sala de aula.
  • Unidade 3

    A escolha do método a ser utilizado

    “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova” Mahatma Gandhi

    Existe um método específico para o ensino de história? Como saber se estou usando a melhor didática em sala de aula? Essas são algumas das perguntas que um professor repetidamente faz diante de suas preocupações educacionais.

    Tanto o ensino, como os métodos em história passou por muitas transformações, contradições, formulações e redefinições num debate intenso, como vimos, durante o período militar, nas lutas profissionais da década de 60, e no processo de democratização do país nos anos 80 entre outros momentos. Entendendo que esses questionamentos não são acabados ou prontos, mas sim, que acompanham ou devem estar no ritmo das transformações em sociedade.

    O método chamado tradicional consiste em o estudante apenas memorizar o conteúdo com perguntas e respostas, repetição oral dos textos e reprodução do livro didático, transformando o estudante em um mero reprodutor do conhecimento. Esse método de ensino esteve presente por muitos anos na educação, mas entre a década de 80 e 90 os docentes começam a discutir estes procedimentos, no decorrer dos anos houve a transformação para o método inovador.

    Um método inovador é oposto a essas ideias, pois acredita que o ensino, a metodologia do professor, deve ir muito além do que apenas decorar datas ou fatos da história. Este propõe uma visão ampla, dinâmica da prática assim como, da teoria aplicada em sala de aula e deve possibilitar ao estudante um longo processo de desenvolvimento de reflexão e crítica.

    Entretanto, será você enquanto professor escolher qual caminho seguir na sua prática diária de sala de aula. Compreendendo que tudo que queremos fazer temos que ter em teoria, em pensamento, determinado procedimento que irei adotar para chegar ao meu objetivo, e isso vale para qualquer situação que encontramos das mais simples às mais complicadas.

    Planejando a aula

    Tudo que almejamos com melhor qualidade e bons resultados requer uma palavra básica: Planejamento. Seja nas ações mais simples às difíceis do nosso cotidiano, como por exemplo, traçar um plano de estudo, de construção de uma casa, prédio, uma gravidez, o orçamento de uma empresa, enfim, se fomos aqui elencar todos as maneiras seria interminável.

    Em nosso caso, faremos uma apresentação de um plano de aula. Você terá esse contato experimentalmente quando estiver exercendo sua profissão como docente. Como um processo complexo e dinâmico, o ensino e aprendizagem nos exige antecipadamente uma boa organização da estrutura de um plano de aula. Esse se constitui por alguns elementos principais, que são: tema, objetivo(s), conteúdo, metodologia, recursos, avaliação e referências.

    Unidade 3

    O conteúdo dever ser pensado em como ensinar, e você enquanto professor deverá objetivar as competências que serão alcançadas pelos estudantes ao final da aula, quais os procedimentos que serão utilizados na sala de aula e como irá mensurar o aprendizado do estudante.

    O plano de ensino contribui para o desenvolvimento, pois há uma maior contextualização dos conteúdos e a metodologia do professor mais dinâmica, pois ao colocar em prática o que foi planejado poderá encontrar várias dificuldades que o fará visualizar outras possibilidades de ensino, isso levará o docente reconhecer a importância de avaliar a sua própria prática pedagógica.

    Acrescentando também, os dados de identificação: a escola, público alvo, nome da disciplina e do professor. Assim, o plano de aula se torna um sistematizador, um passo inicial para que todas as atividades sejam lançadas a turma que você for trabalhar. E esse papel vai lhe subsidiar para que possa vir a obter resultados esperados e, portanto, uma boa aula.

    Veja esse trecho retirado do livro História na sala de aula, organizado pelo historiador brasileiro, Leandro Karnal:

    O processo do conhecimento é a grande aventura e o grande desafio que o educador enfrenta quando prepara as suas aulas e quando as desenvolve com seus alunos [...] qual é o modelo que devemos procurar como historiadores e como professores de história? ( KARNAL, 2008, p.75)

    Essas palavras expressam perfeitamente nossa discussão. A prática do professor em sala de aula traduz sua vivência pessoal, suas ideias, conceitos e tendências a determinados modelos de ensino ou de conduta. O plano de ensino dá possibilidades para o professor atuar em sala de aula, mas é bem particular, pois depende do conteúdo programático que será abordado e a realidade com o qual os estudantes se encontram.

    Veja a seguir duas sugestões para você ensinar a História em sala de aula. Todavia, esses são apenas exemplos, diante de tantas possibilidades que o professor pode pensar em utilizar em sua prática com os alunos.

    Aplicando imagem e cinema em sala de aula

    Comece a leitura atenta do trecho abaixo retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais de História, e em seguida ao quadro com alguns pontos, quando se referem a didática do Professor e algumas situações em sala de aula.

    É tarefa do professor criar situações de ensino para os alunos estabelecerem relações entre o presente e o passado, o particular e o geral, as ações individuais e coletivas, os interesses específicos de grupos e as articulações sociais. (BRASIL, 1998)

    Unidade 3

  • Questionar os alunos sobre o que sabem, quais suas ideias, opiniões, dúvidas e/ou hipóteses sobre o tema em debate e valorizar seus conhecimentos;
  • Propor novos questionamentos, fornecer novas informações, estimular a troca de informações, promover trabalhos interdisciplinares;
  • Desenvolver atividades com diferentes fontes de informação (livros, jornais, revistas, filmes, fotografias, objetos etc.) e confrontar dados e abordagens;
  • Trabalhar com documentos variados como sítios arqueológicos, edificações, plantas urbanas, mapas, instrumentos de trabalho, objetos cerimoniais e rituais, adornos, meios de comunicação, vestimentas, textos, imagens e filmes;
  • Primeira Missa no Brasil - Pintura de Victor Meirelles.
    Fonte da imagem:
    https://www.rs21.com.br/noticias/os-516-
    anos-da-primeira-missa-no-brasil/

    O conhecimento em sala de aula, a sua produção, não se limita apenas ao livro didático. E isso não se trata exclusivamente da disciplina História, mas como em qualquer outra, na Matemática, na Biologia, na Filosofia etc. É um saber que deve dialogar com outras possibilidades que às vezes a própria tecnologia dispõe. Isso é bem expressado em nossos Paramentos Curriculares Nacionais:

    Rádio, livros, enciclopédias, jornais, revistas, televisão, cinema, vídeo e computadores também difundem personagens, fatos, datas, cenários e costumes que instigam meninos e meninas a pensarem sobre diferentes contextos e vivências humanas. Nos Jogos Olímpicos, no centenário do cinema, nos cinquenta anos da bomba de Hiroshima, nos quinhentos anos da chegada dos europeus à América, nos cem anos de República e da abolição da escravidão, os meios de comunicação reconstituíram com gravuras, textos, comentários, fotografias e filmes, glórias, vitórias, invenções, conflitos que marcaram tais acontecimentos. (BRASIL, 1998, p.38).

    O professor pode trabalhar com imagem, música e cinema assim como, outras formas que subsidiem sua aula a se tornar significativa e não apenas repetição de livros, trazendo assim, uma nova representação da história, com maneiras diferentes de ensinar o conteúdo proposto. Consequentemente, levanta o véu de uma história, vista apenas como mera escrita, que por muito tempo fora assim, pois só se poderia usar o papel e a escrita como fonte.

    Bem, mas é importante ressaltar que o uso da imagem não pode ser simplesmente de caráter ilustrativa de fatos, personagens ou objetos. Tem que ultrapassar essa visão, cabe ao professor procurar maneiras de trabalhá-la como: investigação, pesquisa e confronto com o texto. Embora no ensino de história não haja tantas referências sobre o uso de imagens, mas como é utilizado atualmente, e está em discussões entre os historiadores, portanto, é bastante válido.

    Atualmente além da iconografia, a música e cinema ganham espaço tanto na pesquisa como no ensino de história. As fontes audiovisuais podem se tornar aliadas do professor durante suas aulas. Mas, como já dissemos aqui, todos esses documentos devem ser usados com cautela. O cinema, por exemplo, traz um produtor, uma época que fora produzido e uma história que pode ser ficção ou não. Quem pode consequentemente trazer um caráter ideológico, novelesco, enfim, as várias representações e implicações do mundo cinematográfico para a história.

    Unidade 3

    O professor deve ser cauteloso, pois o cinema em sala de aula não deve ser visto como um espetáculo que traduz a verdade dos eventos históricos, cabe ao professor, fazer as escolhas e antes de usá-lo ou apresentar aos estudantes, deve trabalhar anteriormente com a teoria, com o tema da aula. Em seguida, os estudantes podem fazer o confronto das ideias do que foi abordado pelo professor com o filme.

    Explicando melhor com a pesquisa

    Sugerimos que leia o artigo intitulado Fundamentos e Métodos do Ensino de História: algumas reflexões sobre a prática. O autor enfatiza que a sua atuação como professor, pesquisador e formador envolve uma constante reflexão sobre o perfil do estudante, os objetivos do curso, a metodologia utilizada, os resultados esperados e as experiências vivenciadas para que possamos reavaliar o trabalho pedagógico desenvolvido e discutir os princípios e metas do Projeto Político Pedagógico e direcionar ações para seu aprimoramento.

    Após a leitura do artigo faça um resumo do assunto abordado e compartilhe com seus colegas na sala virtual.

    Leitura Obrigatória

    Caro estudante, propomos a leitura do livro intitulado: O saber histórico na sala de aula. Produzido pela autora e historiadora brasileira Circe Bittencourt. É bastante indicado tanto para professores, como também para os universitários que se interessam pela questão do ensino. Reúne uma discussão atual sobre as formulações e modificações de conteúdos e métodos no ensino de história. Por isso, é fundamental que você possa apreciar e saber se posicionar diante das situações educacionais do Brasil, da sua região ou da sua cidade durante seu processo de experiência em sala de aula.

    BITTENCOURT, Circe M. F. (Org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

    Após a leitura da obra indicada faça uma resenha crítica e faça uma postagem na sala virtual de aprendizagem.

    Pesquisando com a Internet

    Para ampliar seus conhecimentos sobre a disciplina, sugerimos que você faça uma pesquisa sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais: História/ Geografia.

    Após a sua pesquisa disserte com suas palavras qual foi o objetivo da Secretaria da Educação ao elaborar esse material?

    Saiba Mais

    Visando um melhor aprendizado, sugerimos que leia a entrevista com a historiadora portuguesa Isabel Barca, que tem como tema: O ensino de História.

    Concedida pela Revista Escola, ao longo da entrevista Isabel Barca inseri alguns elementos importantes para o professor utilizar em sala de aula, e também como o mesmo pode estabelecer um diálogo, e ou conexões importantes entre o passado e o presente. Vale a pena! Leia e faça suas análises!

    Após a leitura da entrevista transcreva qual a contribuição que a historiadora trouxe para você enquanto estudante?.

    Vendo com os olhos de ver

    Caro (a) estudante!

    Sugerimos que assista ao vídeo Fundamentos Teóricos e Metodológicos da História. , o vídeo apresenta a análise do papel docente no Ensino de História, refletindo o porquê e para quê ensinar e aprender no ensino fundamental.

    Após assistir o vídeo faça seus comentários na sala virtual sobre a importância do ensino de História no Ensino Fundamental.

    Propomos que assista aos vídeos abaixo, pois é apresentado o tempo histórico, tempo cronológico, instrumentos para medir a passagem do tempo e tipos de calendário e como identificar os séculos.

    Após assistir os vídeos faça um texto sobre o que você assimilou em relação ao tempo.

    Revisando

    No decorrer dos estudos vimos que a história é primordialmente dinâmica. Sendo assim, ela procura compreender as ações das sociedades humanas em seus espaços e tempos, do passado mais remoto aos nossos dias. História como disciplina, como ciência, e área do conhecimento.

    Com o conhecimento da história podemos compreender a nossa trajetória, traduzindo o passado; o que praticamos com determinadas atitudes, evidenciando o presente; o que vamos fazer, modificar, e permanecer, aquilo que o futuro vai mostrar à nossa sociedade. Isso acontece simultaneamente com todas as pessoas em todos os lugares do mundo.

    Existem algumas formas de dividir o tempo que ficaram conhecidas como: tempo cronológico, tempo geológico e tempo histórico. Cada civilização em determinada época possui uma interpretação e uma maneira particular de lidar com o tempo em seus grupos.

    É importante que o ensino da história seja trabalhado de maneira progressiva criando uma linha de estudo que vai do ensino fundamental ao médio. Assim é possível que as temáticas sejam introduzidas desde a primeira série, criando um eixo onde serão incorporadas noções básicas desde cultura até as noções de tempo dentro da história.

    O recurso com a iconografia, à música e cinema ganham espaço tanto na pesquisa como no ensino de história na atualidade. As fontes audiovisuais podem se tornar aliadas do professor durante suas aulas.

    Autoavaliação

    1. Sobre a história responda:
      1. sua etimologia.
      2. o que estuda.
      3. os domínios historiográficos.
    2. Observe a música: Como uma onda de Lulu Santos e Nelson Motta.
    3. Nada do que foi será

      De novo do jeito que já foi um dia

      Tudo passa

      Tudo sempre passará

      A vida vem em ondas

      Como um mar

      Num indo e vindo infinito

      Tudo que se vê não é

      Igual ao que a gente

      Viu há um segundo

      Tudo muda o tempo todo

      No mundo

      Não adianta fugir..(..)

      A partir da música responda:

      1. Qual relação é estabelecida entre as ondas do mar e a noção do tempo?
      2. Você concorda com a canção? Apresente a seu avô e analise a reação dele.
    4. Em sua casa escolha um objeto que possa ser considerado relíquia ou patrimônio da sua família e elabore as informações sobre ele.
      1. Qual o tipo de objeto?
      2. Em que época foi feito?
      3. A quem pertencia?
      4. Por que ele foi escolhido?
    5. Procure os álbuns de família e faça um paralelo com as diferentes gerações até os dias de hoje. Escolha um recorte para a pesquisa.
    6. Construa uma linha do tempo com alguns dos principais acontecimentos da sua vida. Indique o período que foi marcante para você ter vivido, não esqueça de destacar o início e fim.
    7. Observe as duas imagens:
    8. Jantar no Brasil (família rica),
      pintura do francês Jean-Baptiste Debret.
      Créditos da imagem:
      http://www.historianet.com.br/
      Quadro A Pátria do artista brasileiro Pedro Bruno.
      A obra hoje é exposta no Museu da República.
      Fonte: http://museubenjaminconstant.blogspot.com.br/

      Após as observações e análises das pinturas, elabore um rol de informações que você considera que o historiador poderia de posse delas extrair. Simulando como seria a investigação deste com essas fontes históricas.

    9. Apresente uma discussão sobre o tempo, suas divisões, dando ênfase ao tempo histórico e a questão da periodização.
    10. Para o professor ministrar uma aula é necessário planejamento. Imagine, caso você não seja professor ainda, que irá fazer isso em determinada instituição. Então, você precisará elaborar seu plano de aula de história. Só que serão anos diferentes e assim terá que elaborar planos e temáticas variadas. Faça um plano de aula para cada nível de ensino abaixo, e escolha o tema que irá abordar.
      1. Educação Infantil;
      2. Ensino Fundamental;
      3. Ensino Médio;
    11. Entrevistar pessoas é uma forma de nos aproximarmos de informações de uma determinada época e lugar. E como sabemos é um procedimento da História Oral. Agora, você vivenciará isso na prática.
      1. pergunte a você mesmo o que gostaria de saber sobre sua cidade, por exemplo.
      2. época seria seu foco e quem faria parte desse documento ou que vai ser entrevistado.
      3. elabore seu roteiro e quais perguntas serão feitas as pessoas entrevistadas?
    12. Leia com atenção o trecho do programa nacional do livro didático (PNLD):
    13. (...) explorar a maior quantidade de conteúdos conceituais. Boa é a obra didática que auxilia o professor e o aluno no trabalho com a metodologia da produção do conhecimento histórico, sempre adequada ao nível de escolaridade a que se destina a coleção. (..)

      Você refletindo:

      1. Em sua opinião, essa orientação do MEC é válida para o ensino de História? Explique.
      2. O livro didático substituiu o trabalho dinâmico entre professores e alunos em sala de aula?

    Bibliografia

    AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de J. Oliveira Santos e Ambrósio de Pina. Coleção Os Pensadores, São Paulo: Nova Cultural, 1996.

    BITTENCOURT; Circe M. F. Ensino de História: Fundamentos e Métodos. São Paulo. Ed Cortez, 2004.

    __________. (Org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2009.

    BLOCH, M. Apologia da História ou o ofício do Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

    BORGES, Vavy P. et al. O ensino de história: revisão urgente. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004.

    BRASIL, MEC. Secretaria de educação fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

    CADIOU, François et al. Como se faz a História: Historiografia, Método e Pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2007.

    CARR, E. H. O que é História? Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978.

    FONSECA, Thais Nívia de L. História e ensino de história. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

    __________ e VEIGA, Cynthia G. (org.) História e Historiografia da Educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

    FONSECA, SELVA GUIMARÃES. Caminhos da história ensinada. 8. ed. Campinas: Papirus, 2005.

    KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2016.

    LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

    PESAVENTO, S. História e História Cultural. 2 ed. Belo Horizonte: autêntica, 2005.

    PINSKY, Jaime (Org.). O ensino de história e a criação do fato. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2004.

    PINSKY, Carla Bassanezi. Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2008.

    __________ e LUCA, Tania R. de (orgs). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.

    RAMOS, Alcides F.; PATRIOTA, Rosangela e PESAVENTO, Sandra J. Imagens na história. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2008.

    Bibliografia Web

    BARCA, Isabel. O ensino de história. Revista Nova Escola, 2016. Disponível em: http://novaescola.org.br/fundamental-2/isabel-barca-fala-ensino-historia-743165.shtml - Acesso em 17/05/2016.

    BRASIL - Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024 – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2014.86 p. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/%20arquivos/pdf/L10172.pdf - Acesso em: 16/05/2016.

    CARDOSO, C. e VAINFAS, R.(orgs). Domínios da História: ensaios de metodologia. Rio de Janeiro, Campus, 1997. Disponível em https://docs.google.com/a/historiaoffline.com/file/d/0Bz1t_fdKV2oYZGNMVEN1U2RSLVE/edit?pref=2&pli=1. Acesso em: 06/05/2016.

    PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. História e Geografia – Ensino de primeira a quarta série. Brasília. MEC/SEF, 1997.Disponível: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf Acesso em: 12/05/2016.

    PEIXOTO, Maria do Rosário da C. Ensino como pesquisa: um novo olhar sobre a história no ensino fundamental como e por que aprender/ensinar. Rev. História e Perspectivas, Uberlândia (53): 37-70, jan./jun. 2015. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/historiaperspectivas/article/view/32765/17709. Acesso: 12/05/2016.

    PINSKY, Jaime (Org.). O ensino de história e a criação do fato. 14. ed. São Paulo: Contexto, 2014. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=-MxnAwAAQBAJ&pg=PT3&dq=O+ensino+de+hist%C3%B3ria+e+a+cria%C3%A7%C3%A3o+do+fato&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=O%20ensino%20de%20hist%C3%B3ria%20e%20a%20cria%C3%A7%C3%A3o%20do%20fato&f=false Acesso: 15/05/2016.

    SERRAZES. Karina Ellizabeth. Fundamentos e Métodos do Ensino de História: algumas reflexões sobre a prática. Anais Eletrônicos do XXII. ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA, da ANPUH- S.P. Santos, 2014. Disponível em: http://www.encontro2014.sp.anpuh.org/resources/anais/29/1399843734_ARQUIVO_ANPUH2014.pdf

    Vídeos

    Fundamentos Teóricos e Metodológicos da História. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pd52kZOgV1o

    O que é história? Tempo histórico e tempo cronológico. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=v1YKhBUCSjc

    História Geral: O tempo histórico e os diferentes calendários. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-7MyIJHpE-E

    O tempo antes do relógio. Disponível em:
    https://www.youtube.com/watch?v=hG2SR6gx2wo

    Créditos

    Diretor Presidente das Faculdades INTA

    • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

    Pró-Diretor de Inovação Pedagógica

    • Prof. PHD João José Saraiva da Fonseca

    Coordenadora Pedagógica e de Avaliação

    • Profª. Sonia Henrique Pereira da Fonseca

    Professores conteudistas

    • Marcus Fábio Lima Ferreira
    • Maria da Conceição Erenice Farias Lima

    Assessoria Pedagógica

    • Sonia Henrique Pereira da Fonseca

    Design Instrucional

    • Sonia Henrique Pereira da Fonseca

    Transposição Didática

    • Evaneide Dourado Martins
    • Cileya de Fátima Neves Moreira

    Revisora de Português

    • Neudiane Moreira Félix

    Revisora Crítica/ Analista de qualidade

    • Anaísa Alves de Moura

    Diagramadores

    • Fábio de Sousa Fernandes
    • José Edwalcyr Santos

    Diagramador Web

    • Luiz Henrique Barbosa Lima

    Produção Audiovisual

    Editor

    • Francisco Sidney Souza de Almeida

    Operador de Câmera

    • José Antônio Castro Braga

    Núcleo de Tecnologia da Informação Faculdades INTA

    • Desenvolvimento de Material Didático para a EAD e Objetos de Aprendizagem para Ensino Presencial

    Avalie nosso material didático