História Antiga

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Palavra do Professor-autor


A História Antiga percorre o período desde a escrita de 4.000 a.C. a 3.500 a.C. até a queda do Império Romano 476 d.C. e início da Idade Média. Estudar História Antiga ajudará o estudante a entender melhor o aspecto da nossa cultura atual.

O objetivo desta disciplina é proporcionar ao estudante o instrumento conceitual básico necessário para a compreensão dos problemas referentes à História Antiga; discernir os elementos constitutivos das diversas estruturas da origem do homem como do surgimento das civilizações da Antiguidade Ocidental e suas interações espaciais e temporais numa perspectiva de longa duração; avaliar o sentido das transformações nas civilizações antigas analisando as permanências e mudanças na complexidade do mundo ocidental antigo; entender a Gênese econômica, política e cultural da antiguidade clássica. Grécia: estruturas políticas e sociais, Roma: estruturas políticas e sociais, as lutas sociais e civis, o Império. Possibilitar a elaboração de síntese e comparação da estrutura social, econômica e política que caracterizam as diversas civilizações.

É importante salientar que o conteúdo desta disciplina terá como fundamentação pedagógica, a pedagogia critica, que considera o estudante como sujeito da aprendizagem. Visando a educação ao desenvolvimento da autoconsciência dos educandos. Para tanto, almeja-se um distanciamento crítico e a produção quotidiana de conhecimento. Analisando os textos e documentos sobre o período com revisão historiográfica. Permitindo aos estudantes  uma visão  crítica  da  sociedade  através  de  produções  historiográficas  com  diferentes  posturas teórico-metodológicas. Fornecendo aos estudantes instrumentos adequados à análise e compreensão do estudo da História, que lhes possibilitem o exercício da pesquisa e magistério.

Bons estudos!

Os Autores

Carlos Rafael Vieira Caxile, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP. Mestre em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP.Graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal do Ceará- UFC. Pesquisador do Núcleo de História e Memória da Educação (NHIME) da Faculdade de Educação (FACED-UFC). Colaborador da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA (professor horista); Faculdade da Aldeia de Carapicuiba-FALC (professor horista); Faculdade Vale do Jaguaribe-FVJ e Universidade Federal do Ceará (UFC).

Waldech César Rocha Júnior, possui graduação em história pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2007). Atua no Ensino Médio e Pré-Vestibular. Professor do SESC SOBRAL. Ministra aulas para o Instituto de Estudos e Pesquisas Vale do Acaraú/IVA.

Ambientação

A Historiografia divide a História da humanidade em períodos, como Pré-História, História Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. No período da Pré-história entende-se como o período desde o surgimento do homem, o surgimento da escrita, a utilização da pedra como instrumento de trabalho, a utilização da linguagem oral, a criação de animais, a manipulação com o fogo e a prática da agricultura. A Antiguidade começa com a escrita e termina com a queda do Império Romano, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, o crescimento das artes e o surgimento das ciências.

O estudo da História Antiga, além de trazer conhecimento dará a oportunidade para você enquanto estudante a realizar à produção autônoma de conhecimento. Visa-se à compreensão das estruturas econômicas, sociais, políticas e ideológicas da antiguidade e à crítica dos discursos sobre a antiguidade na sociedade contemporânea.

Prezado estudante solicitamos a leitura do livro: História Antiga: contribuições Brasileiras. Este livro oferece um painel da produção nacional sobre a chamada História Antiga. Embora relativamente recente no panorama historiográfico brasileiro, o estudo da Antiguidade fincou sólidas raízes em nosso meio acadêmico, produzindo pesquisas originais e inovadoras que, não apenas se mostram em sintonia com a vasta produção internacional, mas conferem à produção em solo brasileiro em caráter específico e único.

Trocando ideias com os autores

Agora é o momento de você estudante trocar ideias com os autores mencionados abaixo.

As Primeiras Civilizações

A origem das Espécies

Após a leitura das obras, escolha uma e faça uma resenha.





Sugerimos que você faça a leitura da coleção Repensando a História, com o título “As Primeiras Civilizações”, que tem por objetivo desenvolver a visão crítica por meio da discussão, análise e reformulação constante dos temas históricos. Pretende estimular a participação de todos no processo de elaboração do saber histórico, apresentando um tratamento desmistificador de visões consagradas e abordando questões que fazem parte do dia-a-dia das pessoas 'comuns' sistematicamente postas à margem da história.

LEVEQUE, Pierre. As Primeiras Civilizações: da idade da pedra aos povos semitas. São Paulo: edições 70, 2009.

Propomos a leitura da obra “A origem das Espécies”, na qual aborda que as ideias gerais da Teoria da Evolução das Espécies sofreram, aos poucos, alterações e aperfeiçoamentos. Todavia, as teses do evolucionismo subsistem até hoje, e o nome de Darwin ficou ligado a uma das mais notáveis concepções do espírito humano. Na base da teoria evolucionista de DARWIN está a luta pela vida. Somente os mais fortes e os mais aptos conseguem sobreviver e a própria natureza se incumbe de proceder a essa seleção natural.

DARWIN, CHARLES ROBERT. Coleção a obra-prima de cada autor: texto integral: A origem das espécies. São Paulo: Martin Claret. 570 p.

Problematizando

“Ao longo de todo o período Paleolítico, o homem desenvolveu uma série de habilidades físicas e técnicas que lhe permitiram aprimorar a sua vida na terra. Contudo, o aspecto rústico destes instrumentos lhe permitia realizar um campo bastante limitado de intervenções na natureza. Em geral, o indivíduo desse período histórico assegurava sua sobrevivência coletando alimentos oferecidos pela natureza ou realizando outras atividades, como a pesca e a caça.”

Com alterações climáticas os ancestrais paleolíticos deslocaram de lugar a procura de um lugar com melhores condições de vida. Com o passar dos anos os grupos humanos adquiriram saberes devido a sua habilidade de raciocínio. Sabia distinguir os tipos de alimentos, construir suas próprias ferramentas e embarcações.

Suponhamos que você está ministrando uma aula sobre o referido assunto, e seus alunos lhes questionem como você responderia?

O que melhorou na vida dos seres humanos com a adoção dessas habilidades? Qual a relação entre alterações climáticas e mudanças de comportamentos? Qual a relação entre mudança de comportamentos e desenvolvimento intelectual?




Pré- História

1

Conhecimentos

  • Compreender a origem dos seres humanos.
  • Habilidades

  • Reconhecer as experiências dos ancestrais humanos e seu desenvolvimento no decorrer do tempo.
  • Atitudes

  • Posicionar-se criticamente diante das teorias sobre a origem da humanidade.
  • Unidade 1

    Histórico da Pré - História

    Há cerca de três milhões de anos, num acampamento no Quênia, perto da costa leste do lago Turkana, chamado anteriormente lago Rudolf, um ser humano primitivo pegou um seixo, e com alguns golpes transformou-o num instrumento. O antes era um acidente da natureza transformou-se numa peça tecnológica a ser usada na modelagem de um galho para desenterrar raízes ou para retalhar a carde de um animal morto. Abandonado logo em seguida pelo seu criador, o implemento de pedra ainda existe, um elo inquebrantável com os nossos ancestrais; junto com muitos outros, esse implemento está preservado no museu nacional do Quênia, em Nairóbi. É palpitante pensar que as mãos que hoje podem segurar essa ferramenta e as mentes que podem contemplá-la, partilhem da mesma herança genética das mãos que a moldaram e da mente que a concebeu.

    Na nossa busca das origens da humanidade não se pode escapar a um persistente estado de excitação que afeta a todos, profissionais ou não, porque parece existir uma curiosidade universal sobre o nosso passado, ou seja, sobre como um ser pensante, sensível e cultural, emergiu de um tronco primitivo que quase macacos antropoides.

    Você já parou para pensar, quais foram as circunstâncias evolucionárias que moldaram esse antigo antropoide numa criatura alta, ereta e altamente inteligente, que através da tecnologia e determinação veio a dominar o mundo?

    Esta é a pergunta que fazemos a nosso respeito. Não se trata de pura e simples curiosidade porque, sem dúvida, a chave para o nosso futuro reside num verdadeiro entendimento sobre o tipo de animal que somos.

    Desde que os primeiros sinais de consciência lampejaram nas mentes de nossos longínquos antepassados, os seres humanos tem ponderado sobre a sua relação com o mundo. Dessa forma, podemos pensar que os primeiros seres humanos, a mais ou menos três milhões de anos atrás, tenham tido consciência de si mesmos como parte integrantes de seu ambiente de vida de fato, eram caçadores e colhedores que sobreviviam somente se respeitassem o ambiente no qual viviam. Mesmo assim, eles já poderiam ter iniciado a prática de procurar assegurar um tratamento mais favorável a si mesmos.

    Mas, com o passar dos tempos, emergiram finalmente os humanos modernos – Homo sapiens – criaturas que, a um observador leigo, devem parecer muito perversas. Diferentemente de qualquer outro animal, guerreamos contras nós mesmos. Conscientes das consequências, devastamos o nosso planeta, e parecemos acreditar que essa destruição poderá ser pra sempre. E achamos melhor ignorar as profundas marcas da injustiça conscientemente imposta, tanto entre as nações, como também, dentro delas mesmas. De certo modo, são os seres humanos que agora dominam o planeta: nossa grande inteligência criativa nos dá o potencial para fazermos qualquer coisa que almejamos.

    Unidade 1

    Homo Sapiens

    Talvez a espécie humana apenas seja um grande erro biológico, tendo evoluído além do que permitia o seu desenvolvimento em harmonia consigo mesma e com o mundo que a cerca. Essa é uma possibilidade. Cientistas, escritores e outros têm tentado explicar por que a humanidade busca o autoaniquilamento. A ideia proposta é a de que o homem é potencialmente agressivo.

    O cerne do argumento a favor dessa agressividade consiste na afirmação de que, partilhando uma herança comum com o reino animal, por força temos e demonstramos um extinto agressivo. E a noção é elaborada com a sugestão de que, em determinado momento de nossa história evolutiva, deixamos de ser seres vegetais, parecidos com certos antropoides, e nos tornamos matadores, com paladar para saborear não apenas caças, mas também nossos semelhantes.

    Sem dúvida, fazemos parte do reino animal. E é verdade que em certo ponto de nossa evolução nos distanciamos dos hábitos alimentares comuns aos grandes primatas e passamos a incluir uma porção considerável de carne no nosso cardápio. Mas, uma séria interpretação biológica desses fatos não leva à conclusão de que matar esteja em nossos genes, apesar de toda a raça humana ter aderido à caça como parte de seu modo de vida. Sustentamos que os humanos não poderiam ter evoluído de modo extraordinário como o fizeram, se nossos ancestrais tivessem sido criaturas fortemente cooperativas.

    A chave para a transformação de uma criatura social, semelhante ao antropoide, num animal cultural que vive numa sociedade estruturada e organizada é o compartilhar, o compartilhar de trabalhos e alimentos. O alimentar-se de carne foi importante no sentido de impelir nossos ancestrais para o caminho da humanidade, mas somente como parte de um todo de mudanças socialmente orientadas que envolviam a coleta de plantas alimentícias e a partilha de presas.

    Unidade 1

    O que você acha, será que a história humana recente é caracterizada pelo conflito e não pela convivência?

    A resposta a essa pergunta talvez seja a mudança do modo de vida de caça e coleta para o cultivo da terra, mudança que começou há 10 mil anos atrás, e que envolveu uma alteração dramática no relacionamento que os indivíduos tinham, tanto com o mundo ao seu redor, como entre eles mesmos.

    O caçador colhedor faz parte da ordem natural; agora um lavrador, necessariamente, quebra essa ordem. Mas, o mais importante é que as comunidades sedentárias de cultivo tem a possibilidade de acumular bens, e fazendo assim, precisam protegê-los. Aí pode estar à razão do conflito humano, razão essa potencializada no mundo materialista em que vivemos hoje.

    Se pensarmos honestamente jamais conseguiremos saber o que de fato aconteceu com os nossos ancestrais na sua jornada em direção a humanidade moderna: as evidencias são bem dispersas. Por exemplo: apenas uma pequena proporção dos locais de acampamento, ocupados a dois milhões de anos, foi preservada por condições ambientais favoráveis. Daqueles que de fato sobreviveram, somente, uma pequenina fração será algum dia descoberto, permanecendo o restante como registro enterrado e mudo do passado. E tudo o que podemos   esperar  encontrar  nesses sítios de ocupação  que são  descobertos, são alguns  poucos  implementos de pedra e alguns fragmentos de ossos fossilizados; um pequeno testemunho daquilo que foi cenário de uma complexa atividade social e cultural.

    Apesar das limitadas informações sobre as primeiras culturas humanas, estamos agora testemunhando uma grande evolução no estudo da pré-história. O que fora antes uma busca mais ou menos isolada, feita por caçadores de fósseis e de ferramentas de pedra, é agora o foco de um movimento integrado por cientistas de muitas disciplinas.

    Hoje em dia, qualquer encontro cientifico sobre nossas origens poderá contar com a participação de arqueólogos (que pesquisam instrumentos de pedra), paleoantropologos (que procuram os primeiros fósseis humanos), geólogos (que estudam o ambiente de antigos locais de vida), tafonomistas (que investigam o modo de enterramento dos ossos e sua subsequente fossilização), antropólogos ( que se dedicam ao conhecimento do modo de vida das sociedades “simples” contemporâneas), etólogos ( que estudam o comportamento dos primatas) e psicólogos (que podem estar interessados no desenvolvimento do cérebro humano). Isso parece ser uma colcha de retalhos; entretanto, ao se tecer um conjunto de fios desses conhecimentos, é possível criar-se um quadro completo sobre as origens humanas.

    No entanto, cada disciplina, não apenas contribui com fatos que podem ser incorporados ao nosso entendimento da evolução humana, mas, também, por  conta das  diferentes  formas de interagir e das múltiplas abordagens, possibilita novas perguntas, que antes eram inconcebíveis.

    Unidade 1

    Nossa visão da evolução humana tem sido transformada nos últimos anos. Agora está claro que a linha ancestral que levou os seres humanos modernos estende-se, talvez, até 5 a 6 milhões de anos atrás. Também está claro que por uma grande parte desse tempo nossos ancestrais compartilharam seu ambiente com dois tipos de criaturas com as quais foram muito aparentados, mas que por fim se extinguiram. Esses primos evolucionários são chamados australopitecineos; um deles era de construção frágil, enquanto que o outro era bem mais robusto.

    As duas formas de australopitecineos e o Homo ancestral partilham de pelo menos duas coisas: primeira, descendiam de um ancestral comum, uma pequena criatura semelhante a um antropoide, chamada Ramapithecus, que surgiu pela primeira vez há pelo menos 12 milhões de anos e que viveu na Europa, Ásia e África e andavam em posição ereta.

    Atualmente, não se tem certeza de quais as pressões evolucionárias que permitiram ao Ramapithecus diferenciar-se nos seus descendentes australopitecineos e Homo, um processo que, a propósito, parece ter acontecido apenas na África e nem um dos outros continentes nos quais ele viveu. Mas devido à nova abordagem no estudo do passado da espécie humana e do grande volume de descobertas fósseis, pode-se começar a fazer suposições sobre as sutis diferenças de comportamento que separavam esses três primos evolucionários, conhecidos em conjunto como homínidas.

    Inicialmente, seus modos de viver não eram tão diferentes; mas, aos poucos, a crescente complexidade social da linhagem Homo teria conduzido a um divisor evolucionário cada vez maior entre o Homo e os australopitecíneos. A adoção de uma alimentação carnívora, combinada a coleta de plantas alimentícias, foi parte importantíssima no aperfeiçoamento da organização social e na forma de vida que dominou a existência humana até uns 10 mil anos atrás, quando os indivíduos começaram a explorar a potencialidade do cultivo da terra.

    Desde então, a história é bem conhecida: a Revolução Agrícola foi seguida pela Revolução Industrial (último século); e isso levou a revolução tecnológica dos dias de hoje. E com essas dramáticas mudanças no estilo de vida dos seres humanos vieram uma explosão populacional de uns 10 milhões de pessoas, ás vésperas da Revolução Agrícola, o mundo apresenta hoje uma população muito grande, mais de sete bilhões de pessoas, dois terços das quais estão morrendo de fome.

    Se a distribuição geográfica é um sinal de sucesso, o homem, então, é bem sucedido: do nosso berço evolucionário, na África agora ocupamos literalmente todos os cantos do mundo. Onde quer que a vida seja possível, lá está o homem. Graças a uma inusitada adaptabilidade, que foi elementar na nossa evolução, nenhuma outra espécie habita tão grande variedade de ambientes.

    Unidade 1

    Foi a 70 milhões de anos, que evoluíram os primeiros primatas, pequenas criaturas semelhantes ao rato, que abandonaram a vida no chão e foram viver nas copas das árvores: foi a partir desse início simples que evoluíram os macacos, os antropoides e os humanos – nos partilhamos de uma herança primata com os macacos e os antropoides, e também com criaturas menores, tais como o lêmure-camundongo e o diminuto poto.

    Descobertas recentes na África demonstram que os hominídeos há dois milhões e meio de anos que viriam a evoluir nos modernos humanos, partilhavam o seu mundo com primos próximos, os hominídeos que, por alguma razão ou outra, estavam destinados ao esquecimento evolucionário.

    Em determinado momento histórico, a opinião comum sustentava que os vários pré-humanos primitivos ajustavam-se todos a um simplório esquema de constante progressão direta de um tronco semelhante ao dos antropoides até os humanos da atualidade. Essa concepção vingou porque se baseava, ainda que de modo inconsciente, do pondo de vista, de que a emergência final do Homo sapiens estava de certa forma, predeterminada. Todos os “quase homens”, “pré-humanos”, “macaco-homens”, ou como quer que fossem chamados, representavam, apenas, passos de uma caminhada, onde ao final o produto seria perfeito.

    A história da evolução humana, de uns 2 a 3 milhões de anos atrás, envolveu quatro personagens principais. O primeiro, mas não necessariamente o  primeiro  em  importância  no tempo, foi o hominídeo cuja característica principal era a de que seus descendentes eram os humanos modernos. Embora não se possa ter certeza, porque não há esqueletos completos, esse antigo precursor dos humanos tinha em torno de 1,50 m de altura. Além disso, mantinha-se ereto como os humanos da atualidade. O tamanho de seu cérebro era cerce de dois terços do cérebro humano médio atual. O segundo hominídeo, não muito diferente, não era tão alto, e possuía um cérebro menor. O terceiro era um indivíduo mais corpulento, mais ou menos com 1,50 m de altura, mas com o cérebro bem menor do que o nosso ancestral direto. Por último, tem-se a menor criatura de todas elas, e uma das mais obscuras em termos de registro fóssil.

    Australopithecus-africanus

    Unidade 1

    Esses personagens da história têm nomes, quais são? Pode-se começar com os dois do meio. Devido a importantes semelhanças entre eles, ambos estão agrupados no mesmo gênero, Australopithecus, mas ao individuo mais esbelto e dado o nome cientifico de africanus, enquanto que para a criatura robusta adota-se o nome específico de boisei. Esses rótulos são, na pior das hipóteses, convenientes, sem serem enganosos.

    O primeiro personagem constitui-se num problema. Embora não seja, do ponto de vista anatômico, muito diferente dos seus primos hominídeos, há fortes razões para se acreditar que entre eles tenha existido significativa distância de comportamentos. E foi a sofisticação comportamental que em grande parte impeliu esses ancestrais humanos em direção ao longo caminho para a humanidade. Em temos evolucionários, a velocidade com que essa caminhada foi realizada causou espanto: marcos biológicos eram alcançados e ultrapassados com grande rapidez. A criatura estava num estado tão dinâmico evolutivamente, que é mais trabalhoso do que útil, identificar qualquer estágio particular por meio de nomes específicos definidos. A questão principal é que essa criatura estava a caminho dos humanos atuais, Homo Sapiens sapiens .

    O último da lista é um elo com o passado, o mais antigo de todos os ancestrais – Ramapithecus. Explorando as margens das florestas, há cerca de nove ou doze milhões de anos. Configura-se então a partir daí, uma grande lacuna fóssil, que vai até mais ou menos quatro milhões de anos  atrás; e é  somente  no  estádio  dos  últimos  dois a três  milhões de anos  que aparecem

    fósseis hominídeos suficientes para que se possa começar a pensar com sensatez sobre o assunto. Essa fissura é frustradora porque, enquanto de um lado há somente uma criatura, Ramapithecus, do outro, encontra-se uma coleção considerável de hominídeos: o Australopithecus africanus, o Australophitecus boisei, o primitivo Homo e a forma tardia do Ramapithecus. Se saltasse adiante no tempo, até chegar a três quarto de um milhão de anos atrás, ir-se-ia descobrir que a coleção foi reduzida, novamente, a um único representante, uma criatura chamada Homo erectus. A história dessa diversidade inicial, seguida de uma eliminação drástica, é a história da evolução humana.

    Sabe-se que o Ramapithecus não era, de modo algum, uma criatura que vivia dentro de estreitos limites geográficos: ele vivia onde hoje é a Europa a Ásia e África. Sabe-se, também, que o Homo erectus ocupava essas mesmas áreas geográficas. Mas os elementos principais da história, a diversificação e a eliminação, no período durante o qual diferentes tipos de hominídeos viveram lado a lado, parecem ter existido apenas na África. Pode ser que restos fossilizados de australopitecíneos permanecem enterrados nas colinas da Europa e da Ásia.

    Por que foi que o tronco ancestral básico, Ramapithecus diversificou-se para gerar os membros da família hominídea? E por que somente no Continente Africano? Por que a linha Homo foi tão bem sucedida? E por que forças provocaram a extinção das duas espécies de Australopithecus?

    Unidade 1

    Essas interrogações ainda estão sem resposta. A preocupação de saber o que se passou é muito grande, é uma irresistível curiosidade sobre nossas origens.

    O que era, na verdade, ser quase humano, fazer artefatos de pedra e madeira, viver em grupos sociais organizados e partilhar do mundo com seres que também eram mais humanos do que antropoides, mas que levavam a vida de modo diferente? Provavelmente jamais o saberemos. Podemos até fazer suposições e a ampla abordagem de pesquisas, incluindo o estudo do antigo e do moderno, está começando a dar alguma materialidade a essas suposições. Mas mesmo que essas suposições fossem absolutamente certas, não há como ter de fato certeza.

    A tarefa dos estudiosos não se diferencia muito da tentativa de juntar as peças de um quebra-cabeça tridimensional, com muitas peças perdidas, e com aquelas poucas que se tem a mão deteriorada. O quebra-cabeça é multimensional, porque, contra um fundo da evolução física dos ancestrais humanos, também tenta construir uma panorâmica de seus comportamentos e de sua vida social.

    O cerne do problema, então, é o registro de fósseis: os fragmentos de ossos que sobreviveram às muitas atividades destruidoras do ambiente, e que se preservaram, permitindo dessa forma sua descoberta por uma equipe de pesquisadores. Da mesma forma que encontrar uma peça-chave, num quebra cabeças pode contribuir a encaixar em seus devidos lugares muitas outras peças que estavam difíceis de encaixar, assim a feliz descoberta de um extraordinário fóssil, no sítio de Turkana Leste, em fins de 1972, demonstrou ser um elemento importantíssimo na composição de um novo quadro da evolução da humanidade.

    De muitas maneiras esse crânio fóssil, denominado de 1470, que é seu número índice nos Museus Nacionais do Quênia, confirmou certas ideias iniciais sobre a trajetória da evolução, ideias que pareciam razoáveis em termos de um cenário biologicamente sólido da pré-história humana, mas que precisavam das evidências importantes de um espécime até certo ponto completo.

    Macro Evolução

    Unidade 1

    Em termos de descoberta fóssil, o 1470 tem um predecessor, um indivíduo que foi encontrado no início de 1961, na chamada Garganta Olduvai, na Tanzania. Essa descoberta foi importante porque, mesmo o crânio não estando completo, estava evidente, que se tratava de um hominídeo bastante avançado, que viveu a cerca de um milhão e três quartos de anos: foi chamado de Homo habilis. Constituiu essa a primeira evidência de que os primeiros membros da linhagem humana foram contemporâneos dos australopitecíneos, e, não seus descendentes, como se acreditava. Embora empolgante, a descoberta do Homo habilis permaneceu incompleta. Para que a teoria da evolução humana recém-desenvolvida fosse convincente, era necessário que se descobrisse uma espécime mais completa. Isso se deu com a descoberta do 1470.

    Como o Homo habilis do Olduvai, o 1470 tem um crânio grande, e também pode, sem equivoco, ser colocado na trajetória evolutiva dos seres humanos atuais. Na verdade, existem muitas razões para classificá-lo como Homo habilis : os crânios do Olduvai e do Turkana são remanescentes da mesma espécie. Mas o principal detalhe sobre o 1470, é que ele viveu há pelo menos dois milhões de anos e, talvez, quase três. E possuía um cérebro maior que o do Homo habilis original, do Olduvai.

    Esse volumoso crânio confirmou duas coisas. Primeira: que a linha ancestral humana, Homo, originou-se bem antes do que grande parte das pessoas suspeitava, talvez até mesmo um milhão de anos antes. Segunda: uma vez que a história   do  Homo estende-se tanto, retroativamente, quer dizer que esses indivíduos eram contemporâneos de alguns dos primeiros australopitecineos.

    Isso impossibilita pensar que nossos ancestrais diretos sejam descendentes evolucionários dos australopitecineos – primos, mas não descendentes. Os pesquisadores acreditavam que, embora o robusto Australopithecus pudesse ter sido uma ramificação da via principal da evolução humana, seu primo mais frágil, o Australopithecus africanus estava caminhando ao longo da rota principal para, enfim, dar origem à linha Homo.

    A partir dessa peça crucial de evidência, a recém-surgida teoria das origens do homem ganhou força. Era possível agora predizer que algum dia pesquisadores desenterrariam espécimes primitivos de indivíduos do gênero Homo, talvez com idade de quatro ou cinco milhões de anos. A teoria afirma que há cerca de cinco a seis milhões de anos, o tronco ancestral, Ramapithecus, diversificou-se de súbito em várias linhagens diferentes, talvez, porque alterações do clima ou outras mudanças ambientais formaram novas espécies biológicas e diversificaram nesse mesmo período, reforçando a ideia de uma transformação ambiental geral. Se isso procede, significa que quanto mais se aproxima do tempo da especiação, torna-se cada vez mais difícil distinguir os restos fósseis de um tipo de hominídeo do outro: todos tenderão a se parecer mais e mais com o ancestral hominídeo, a partir do qual eles evoluíram, e, assim, por consequência, serão cada vez mais parecidos uns com outros.

    Unidade 1

    Com a grande quantidade de achados fósseis da África Oriental, desde a descoberta do 1470, no ano de 1972, foi corroborada essa previsão – de fato incluem exemplos de Homo primitivos, com idade aproximada de quatro milhões de anos! Há alguns anos atrás, ninguém em seu juízo perfeito teria acreditado ser isso possível. Mas é possível, e a prova está aí, para todos verem – e se emocionarem, pois é inspirador perceber que nossos ancestrais diretos habitavam na terra há tanto tempo. Também, alguns fósseis de grande importância foram descobertos e desenterrados ao leste do Turkana; essas descobertas ofereceram os mais completos e os mais antigos exemplos do Homo Erectus os ancestrais mais imediatos da humanidade que, por alguma razão a respeito da qual apenas é possível fazer suposições, atravessaram a estreita faixa de terra que une a África à Ásia, dando início a presente dominação do mundo pela humanidade.

    Antigas Civilizações

    2

    Conhecimentos

  • Conhecer as antigas civilizações na sua diversidade, social, política e econômica.
  • Habilidades

  • Reconhecer as esferas: político, econômico, social e cultural das civilizações mesopotâmica, egípcia e hebraica.
  • Atitudes

  • Posicionar-se criticamente diante das antigas civilizações na sua diversidade.
  • Unidade 2

    Mesopotâmia

    Três mil anos a.C. testemunha um considerável número de unidades urbanas desenvolvendo-se em torno do Tigre e do Eufrates. Historiadores como Paul Garelli elencaram para o período que vai de 2700 a 2100 a.C., uma grande lista de reis em lugares como Lagash, Umma, Kish, Ur, Uruk, Akad, Gatium e Elan.

    Fonte: http://www.historia.templodeapolo.net/

    Em Uruk foi encontrado vestígios de um templo que tinha mais de dois mil metros quadrados. Perto dele foi erguido um monte artificial (zigurate) com 11 metros de altura, edificado com tijolos e enfeitados com pedaços de cerâmica. Utilizando uma escada chega-se ao pequeno templo, no alto; as paredes são construídas com tijolos brancos e madeira importada, os altares localizados nas extremidades e outros detalhes mostram o requinte e a técnica da construção.

    Os próprios dirigentes dos templos se organizavam em sua força de trabalho, que às vezes atuavam como arquitetos, engenheiros, mestres-de-obras em nome dos deuses que representavam na terra.

    Possivelmente, a “casa divina” foi o primeiro lugar onde se desenvolveu uma especialização de atividades, ao contrário da tarefa realizada coletivamente pelos habitantes das aldeias neolíticas. Ao especializar-se o artesão, pedreiro, pintor, tecelão ganha em habilidade e, portanto, em produtividade, porém passa a depender daqueles que organizam a atividade produtiva, já que ele não realizará sozinho todas as atividades necessárias a sua alimentação e produção de vestiário e moradia. É uma passagem importantíssima, pois ressalta a transição de uma economia de autossuficiência individual ou em grupo para uma estrutura que contempla trabalhadores braçais de um lado e organizadores da força de trabalho de outro.

    Unidade 2

    Perdendo parte de sua liberdade – ao tornar-se dependente -, o trabalhador a cede ao sacerdote do templo que, aos poucos, vai se fortalecendo e explorando aqueles que, na maioria das vezes, passam a serem seus trabalhadores e não mais do templo ou do deus.

    Devido a essa nova situação, era comum os sacerdotes dispuserem das terras lavradas pelos seus trabalhadores, confiscarem animais e utensílios, além de remunerarem os trabalhos deles no limite da sobrevivência. Também na Suméria os templos e zigurates foram construídos a custa do trabalho de boa parte da população.


    A divisão social do trabalho

    A exploração da mão de obra de uma parcela da sociedade por outra cria, pela primeira vez na humanidade, divergências determinadas pela função econômica exercida pelo indivíduo no grupo.

    É importante ressaltar que não está se falando de antagonismos pessoais, mas de oposições socialmente determinadas, impessoais, portanto o sacerdote não explorava o artesão pelo simples fato de ser um mau elemento, mas de possuir um mau caráter. Na verdade, ele desempenhava o papel de organizador do processo de trabalho, em nome de cuja racionalidade agia.

    Porém havia uma contradição: os sacerdotes representavam um deus determinado, um templo determinado, não uma região, uma cidade. Os trabalhos públicos, os grandes empreendimentos não religiosos como, por exemplo, a construção de canais-eram atividades que afetavam áreas ligadas a vários templos. Por isso, surgiram os dirigentes não vinculados aos templos, àqueles que posteriormente iriam se tornar os reis.

    Juntamente com os monarcas, os sumérios também tinham um chefe para batalhas, que eram atividades bastante úteis para o setor comercial quanto para a obtenção de novas terras.


    Suméria

    Unidade 2

    O rei passa a atuar junto com a religião. Dá dinheiro para a construção e decoração de templos, fornece matérias primas e às vezes também mão de obra. Em troca, busca a legitimação de seu poder, que, advindo dos homens, vai ganhando caráter divino.

    Por se apresentar e ser reconhecido como representante dos deuses, ao monarca cabia grande parte das terras das tribos sobre as quais tinha influência, além de tributos que eram o modo alternativo dos presentes oferecidos aos chefes tribais. Em casos de guerra, lhes eram destinados parte dos impostos dos saques efetuados, ocasionando uma grande concentração de riqueza.

    Nesse período ainda não há unificação política: as cidades têm organizações de poder independentes, embora sejam interdependentes na esfera econômica. Diferentemente do Egito, onde uma cultura unificada corresponde a uma única chefia, na Mesopotâmia isso não ocorrerá tão cedo: pelo contrário, assistiu-se a um desfilar de reinos e reis que lutaram entre si, não pela hegemonia, mas por um espaço político-econômico próprio.

    A cultura, porém, estava em plena ebulição. Administrar uma cidade exigia mais que disposição e preocupação divina: exigia instrumentos adequados, que se desenvolveram de forma extraordinária na Mesopotâmia.


    Letras e contas

    Numa aldeia neolítica, a transmissão oral e pessoal bastava para a comunicação de um pequeno grupo. Mas em agrupamentos maiores, em que nem todos se conheciam e em que uma construção poderia durar mais de uma geração, a simples transmissão oral não era mais satisfatória. Tornava-se necessário encontrar formas interpessoais e objetivas. Um sinal deixado por alguém não podia se transformar numa obra aberta, a mercê de diversas interpretações, mas devia se um símbolo específico que significasse uma mensagem específica. Pois, se tratava não de concepções ou teorias, mas de largura de canais, de altura de paredes, de quantidade de cereais, de volume de água e assim por diante.

    Ou seja, a complexidade e a objetividade das relações econômicas que se estabelece, devido a sua amplitude em termos de espaço e tempo, vão exigir cálculos precisos e anotações claras, enfim, registros inteligíveis não somente para quem os fazia como para outros participantes ou coordenadores do projeto comum.

    Escrita cuneiforme

    Esse tipo de escrita (cuneiforme) contudo não se constitui numa exaustiva reprodução do objeto a ser representado; bastava traçar a figura do que se queria representar de forma esquemática para se saber a que se queria referir.

    Unidade 2

    Transmissão Cultural

    Cada geração tinha de encontrar formas de passar à outra geração o conjunto de conhecimentos já adquiridos e codificados. O saber ia se tornando mais complexo, mais especializado, necessitando dessa forma de veículos adequados para sua transmissão.

    A obtenção da língua falada, veículo básico de transmissão cultural, poderia acontecer no espaço da própria família, o que não ocorria com a língua escrita. O jovem tinha de saber o significado de cada um dos fonogramas utilizados, centenas deles. Este estudo só poderia ser realizado em locais destinados a isso e dentro de um único padrão.

    Os padrões de mensuração também precisaram ser definidos: arrecadar ou pagar tributos, fixar volumes e medidas ou mesmo comercializar sem estabelecer padrões era impossível.

    Dessa forma, na Suméria estabeleceram-se padrões mais cuidadosos, referências mais precisas quando o comércio passa a se desenvolver e os impostos têm de ser arrecadados. Padrões e referências objetivas dependiam de transmissão formal de sistema de ensino.

    Também, ensinava-se a dividir o dia em doze horas duplas e o ano baseado no ciclo da lua. Com o atual calendário hebraico, de vez em quando criava-se um 13º mês para corrigir as discrepâncias acumuladas.

    Ensinavam-se noções de volume, daí se aprendiam as principais operações aritméticas. A relação da circunferência de um circulo com o seu diâmetro era estabelecida em três, o que na prática servia para calcular o conteúdo de um celeiro cilíndrico, deduzindo-se eventuais espaços vazios.

    Criou-se um padrão de trocas. Intercambiar bens e serviços através do escambo trazia muitos inconvenientes. Instituiu-se, portanto, antes a cevada e depois os metais (como o cobre) como padrão para pequenas somas, e a prata para grandes valores. Ainda não era a moeda formal, com peso e valor constante, mas já se monetarizava a economia, produzindo-se para o mercado (para trocar o produto por prata) e cobrando-se juros por empréstimos feitos. Dessa forma, os comerciantes se enriquecem e se fortalecem, passando a ter maior influência política, o que provocou mudanças significativas na Suméria.

    O Código de Hamurábi

    Hamurábi, grande chefe militar do século XVIII a.C., preocupou-se , após efetuar importantes conquistas militares, de unificar a legislação.

    O resultado não podia ser melhor, já que o Código não é somente um modelo de jurisprudência, mas de língua babilônica. Não é, no entanto, um projeto de transformações sociais. Muito pelo contrário, legisla a partir da existência de três classes distintas: os ricos, os povos e os escravos. Os primeiros com mais privilégios e “obrigações”; os ricos pagavam mais tributos, mas  a  prática de um  delito  contra  eles seria  punido  de forma  bastante  severa; os escravos que tinham seus direitos restringidos pela lei, podiam casar-se com uma mulher livre e possuir bens, porém eram marcados como animais, já que não deixavam de ser propriedade.

    A mulher possuía considerável independência com relação ao marido, administrando o dote que ganhava do pai quando se casasse, podendo, inclusive, assumir cargos públicos e demandar em juízo. O esposo tinha o direito de puni-la em caso de infidelidade e de tomar uma esposa secundária (concubina), a qual, porém, não teria os mesmos direitos da primeira. Os filhos homens herdavam os bens do pai, que deixava sempre um dote para a filha.

    Unidade 2

    As terras e outras propriedades poderiam pertencer ao Estado, ao templo ou a particulares. Todos tinham de permitir a passagem de dutos de água pelas suas propriedades, como também, zelar pela manutenção dos canais, mas fora isso os particulares tinham liberdade formal para dispor de seus bens.

    As terras reais eram cultivadas mediante um complexo sistema de posso/propriedade, que incluía desde rendeiros (que pagavam um aluguel pelos lotes) e colonos (que pagavam em espécie) até homens de corveia (que não tinham título regular) e funcionários públicos (que em troca ofereciam seus serviços ao rei).

    “Há os que encontrem identificação entre o que ocorria na Mesopotâmia e o sistema feudal; trata-se, porém, de uma identificação fácil, mas leviana, de identificar o que não é escravista, capitalista ou socialista como feudal. Basta ler um pouco sobre feudalismo e fazer uma ligeira apreciação dos documentos babilônicos para ver que se trata de formações sociais muito diferentes” (PINSKY, Jaime, 1994, p. 90).

    A importância do comércio pode ser evidenciada pelo papel que tinha o tamkarum, mistura de mercado, atacadista, usuário e funcionário do governo. Auxiliava na arrecadação de taxas, fazia compras em nome do rei e emprestava dinheiro para os agricultores. As taxas muitas vezes eram difíceis de serem pagas, pois encontra-se em documentos ocasiões em que o rei decretava a abolição das dívidas dos súditos para tranquilizar a população e possibilitar a continuidade das atividades produtivas. Hamurabi, no seu código, intervém energicamente na economia, estabelecendo regras de trabalho, valores para aluguéis e arrendamento de terras e animais, salários e normas comerciais.

    Não se trata, contudo, de um Estado consolidado, organizado para durar muito. Sua estrutura administrativa consistia apenas num poder regional, mesmo assim frequentemente questionado pelos vizinhos, ou seja, existia estados mesopotâmicos e não um Estado mesopotâmico solidamente unificado.

    Contudo, em outros aspectos a unificação existia. As línguas semíticas não variavam muito; a cultura é semelhante, a atividade econômica praticamente semelhante: agricultores nos campos, artesãos e comerciantes nas cidades.

    Egito

    O desenvolvimento do Egito tem bases bastante concretas. O rio Nilo ofereceu condições potenciais, que foram aproveitadas pela força de trabalho dos camponeses egípcios – os felás, organizados por um poder centralizado, no período faraônico. Trabalho e organização foram, pois, as principais características da civilização egípcia. O rio ao mesmo tempo em que fertilizava também inundava. A cheia era mais violenta nas áreas mais ribeirinhas e em menor escala as mais distantes. Dessa forma, torou-se necessário organizar a distribuição de água de forma mais ampla, com o objetivo de se evitar a formação de alagados e pântanos em algumas regiões e terrenos secos. A solução foi a organização do trabalho de forma coletiva e solidária, intensa e organizada.

    É verdade que a civilização egípcia começou a ser construída com o trabalho organizado a partir de condições geográficas favoráveis. Mas a civilização não é uma dádiva dessas condições geográficas, do Nilo, uma vez que surge quando o homem atua, modificando e domando a natureza.

    Unidade 2

    Uma truta que chega a um riacho límpido, de água corrente e fria, dotado de vegetação que lhe sirva de alimento, recebe uma dádiva da natureza: isso é História Natural.

    “Um grupo humano que se organiza mediante o trabalho para explorar as condições favoráveis de uma determinada região, alterando-a no processo de extração de sua substância, é algo muito diferente: é História Social.” (PINSKY, 1994, p. 90)

    Ao se observar o mapa do Egito, pode-se notar duas grandes regiões: o delta e o vale. Este, acompanhando o rio por mais de dois mil quilômetros, constituindo-se numa estreita faixa de não mais de dez quilômetros de terras adequadas ao cultivo. Já o delta, forma-se numa espécie de triangulo com duzentos quilômetros de lado, apresentando uma rica vegetação e bastante água. O delta é uma região rica e muito povoada, localizado próximo ao mar, sendo o vale mais isolado, depende essencialmente do rio como única forma de comunicação entre as aldeias distantes.

    Os primeiros reis egípcios, faraós, se diziam, por isso, senhores das duas terras, do delta e do vale, diferença essa reconhecida e respeitada por todos.

    Faraó
    Faraó

    Apesar das diferenças e das divergências havia uma grande preocupação com a unidade. Qualquer divisão ocasionava menor capacidade de explorar a natureza, de tirar dela os alimentos e outras necessidades básicas. Também implicava perder a capacidade de construir templos e monumentos.

    A grande duração da civilização egípcia fez com que durante muito tempo vivessem à sobra de suas pirâmides. As grandes pirâmides foram construídas, efetivamente, no Antigo Império Egípcio; a de Quéops foi construída por volta de 2800. Ramsés II, no Novo Império, um dos momentos gloriosos do Egito, reinou no século XIII, ou seja, 1500 anos após a construção da grande pirâmide e mais de mil anos antes de Cristo. As pirâmides e outros monumentos misturavam realidade com mito, reproduzindo ideias de imortalidade e lembravam da força que se baseava na unidade.

    Pirâmides
    Pirâmides

    Cercado de desertos por quase todos os lados, o Egito antigo manteve, durante toda a sua existência algumas características advindas da diversidade produzidas ao longo de milênios. Surpreendentemente sua cultura resistiu ao contato com os assírios, persas, macedônicos e romanos.

    Unidade 2

    O líder macedônico, Alexandre, quando chegou no Egito aceitou a sagração segundo os rituais dos templos egípcios, a cidade que fundou Alexandria, ficava junto do Egito e não no Egito, segundo expressões da época. Isso significa que o país continuou o mesmo, com os felás, os templos, as múmias e a linguagem escrita: sobrepondo-se somente à estrutura do Egito a estrutura do invasor.

    O felá que aprendeu a dominar o rio acabou sendo domado pelo faraó. Realizava sua parte no trabalho coletivo, mas não tinha controle sobre o resultado de sua obra. Nem como camponês que tinha parte de sua produção subtraída, nem como braçal que lutava contra as cheias do rio Nilo. O felá vivia no seu canto, na sua região, fazendo parte do todo, mas sem conseguir perceber esse todo. Dominado material e ideologicamente pela estrutura de poder, temia a investida dos soldados, os sacerdotes e os impostos e taxas arrecadados pelos escribas. Dessa forma, nenhum invasor quis alterar essa força de trabalho útil e mansa. Isso implicava não modificar outros elementos do Egito Antigo, como a língua e a religião, as formas de organização local e as técnicas de plantio e irrigação.

    Faraó

    Semelhantemente a outros grupos, o início da civilização era atribuído a um único indivíduo, Menés, que teria sido o primeiro rei da primeira dinastia, o herdeiro dos deuses, assim como aquele que revelou aos egípcios a agricultura, o artesanato e a escrita.

    Faraó Menes
    Faraó Menes

    Não há nenhuma comprovação documental disso, nem poderia haver, uma vez que unificar um reino implica num certo nível de desenvolvimento material e de organização social. A lenta e dificultosa unificação decorreu de um processo onde a centralização administrativa passou a ser necessária para a maior racionalização do trabalho. Mesmo assim, durante muito tempo, Alto e Baixo Egito constituiu-se como dois países quase separados, governados de forma central.

    Um dos símbolos do poder faraônico, a coroa cerimonial, que combina duas cores distintas: a alta mitra branca do sul, com a touca vermelha do norte. Também o papiro, vegetação dos charcos do delta, associada ao lótus, do vale, em outro símbolo do poder.

    O mito confunde-se com a realidade do rei legitima-se pela sua origem divina. Isso é uma característica de muitos povos, mas entre os egípcios adquire uma expressão literal: o rei não tem apenas origem divina, ele expressa o próprio deus. Mais do que comandante dos exércitos ou superior juiz, o faraó é o símbolo vivo da divindade.

    Ao longo dos tempos, o faraó foi identificado com diferentes deuses: inicialmente com o falcão, Hórus; depois Hórus-Rá, e no Novo Império, em Tebas, Amon-Rá. Depois de morto transfigura-se em Osíris.

    Sob a ótica do egípcio, somente um deus imortal explica uma natureza vivificada de vida do rio. O faraó morria como individuo, mas não como deus vivo; igualmente as águas do Nilo passavam para não voltar mais, entretanto, o rio continuava no mesmo lugar, sempre igual, criando e permitindo a vida.

    Vida, rio, deus, faraó – de certa forma, tudo se confundia, era a mesma coisa. Graças ao poder divino do faraó as colheitas eram abundantes: o Nilo era o ponto de partida de toda a prosperidade, tinha de respeita-lo. Nas  inscrições, o  nome  do  rei  seguido  pelos  sinais  “vida,

    Unidade 2

    saúde, força”, cuja presença demonstrava um desejo não apenas em seu favor, mas também, por seu intermédio, em favor de todo o reino e seus habitantes. O seu papel em favor do seu povo é que assegurava ao faraó a vida eterna.

    O faraó, na verdade, vivia uma vida dupla: publicamente era um deus vivo, objeto de adoração e culto, apresentando-se sempre formalmente e distante, trajes rituais, barba postiça, joias e insígnias sagradas. Já na sua vida particular cultivava sua família – na maioria das vezes compostas de várias mulheres, entre as quais irmãs e meias-irmãs – e permitia-se ser apenas um rei.

    Uma civilização original

    A relação entre ciência, religião e arte é estreita e bastante significativa no Egito. As convicções dos egípcios sobre os reis mortos propiciam grande desenvolvimento científico, já que, sem o conhecimento da matemática, geometria, mecânica e outras construções como as pirâmides seriam impossíveis. Também a pintura, a arquitetura, a escultura e a arte de embalsamar, entre outras artes, progrediram para dar forma às convicções religiosas.

    Há uma singularidade da civilização egípcia que merece ser destacada. Enquanto na Mesopotâmia a unidade era a cidade, no Egito, depois de unificado, passou a ser o reino. Materialmente e ideologicamente, a identidade do egípcio assentou-se no conjunto  de  aldeias

    e de nomos reunidos sob a tutela do rei-deus, enquanto na Mesopotâmia ela se dava localmente.

    O grande tamanho do Egito foi a base de sua força. Mas, foi também o que causou o esmagamento de seu povo. Muitos esforços foram empregados para manter a unidade da terra do faraó; uma complexa administração foi mantida à custa de muito trabalho e a submissão do felá foi massacrante. Porém, os hieróglifos e as pirâmides, os templos e os sarcófagos, o primeiro modelo de administração centralizada no mundo e uma fascinante religião são patrimônio da humanidade.

    Hebreus

    Os hebreus desenvolveram sua civilização mil anos antes de Cristo. Não apresentando, assim, a antiguidade da civilização egípcia e mesopotâmica, mesmo convivendo de maneira estreita com essas duas civilizações (na proto-história dos hebreus, Moisés tira o seu povo do Egito no século XIII e Nabucodonosor da Babilônia destrói o templo de Jerusalém em 586).

    A religião judaica moderna, advinda daquelas praticadas pelos hebreus antigos, tem um calendário que já se aproxima dos seis mil anos. No entanto, essa datação não refere-se às origens da civilização hebraica. Ela é resultado de uma reunião de homens que determinaram, a partir de cálculos feitos tendo por base textos bíblicos, a idade do universo.

    Unidade 2

    A civilização hebraica constitui uma ponte entre as civilizações do Oriente Próximo e a civilização ocidental. Por meio dela, o ocidente conhece mito, ciência, práticas sociais, e valores de povos de toda a região. Estudos feitos a partir da Bíblia, obtiveram referências que descobertas arqueológicas depois confirmaram.

    A Bíblia conta a história de Abrahão e Sara: os dois eram casados, mas Sara não engravidava. Então, ela pegou uma de suas criadas, chamada Hagar, e a entregou como concubina ao marido para que pudessem ter filhos. Hagar tem um filho, chamado Ismael. Sendo que, depois, Javé (Deus) anuncia que Sara engravidaria. O casal não acredita por conta de já terem idades bem adiantadas, ele com cem anos e ela com noventa. Mas, como para o Deus Hebreu tudo era possível, o filho nasce e chama-se Isaac. Os irmãos não se dão muito bem, e Sara solicita ao marido que expulse de casa a concubina e seu filho. O patriarca recusa, mas Deus intervém e, Hagar e Ismael partem para o deserto. Final da história: de Isaac descendem todos os hebreus, e de Ismael descendem os povos do deserto, os árabes.

    Através dessa passagem narrada no Gênesis, os estudiosos entenderam algumas coisas dentre elas:

    • O homem possuía uma esposa principal e podia dispor de concubinas;
    • Marido;
    • A herança não era transmitida identicamente para filhos de esposas legitimas e concubinas.

    Esses três princípios do direito da família faziam parte do Código de Hamurábi, o que reitera a origem mesopotâmica dos hebreus e legitima a interpretação bíblica dos especialistas.

    O estudo do povo hebreu também é importante, principalmente, por causa do monoteísmo ético que surgiu e se desenvolveu entre eles, constituindo-se em ponto de partida do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

    Normalmente fala-se do Egito, da Babilônia, da Assíria, de Roma etc., e fala-se dos hebreus e não de Judá, Israel ou outro nome de Estado Político. Não que os hebreus não tivessem um Estado: mas ele não teve grande importância e seriam um dos numerosos pequenos reinos desaparecidos na história, não fosse o monoteísmo ético e de uma religião onde o conhecimento era uma forma de aproximação com deus, daí a necessidade de escrever e documentar tudo.

    Juízes e Monarcas

    De 1200 a.C. à 1030 a.C. o povo hebreu desenvolveu um sistema tribal onde inexistia a propriedade particular de bens de produção. Os governantes não se faziam muito presentes no cotidiano da população, apenas em ocasiões especiais como  em  guerras, que  se davam  quase sempre

    Unidade 2

    contra os filisteus. Sansão foi o mais conhecido dos juízes. Os juízes eram líderes que possuíam de certa forma as mesmas funções de outros chefes militares instituídos por federações tribais.

    Segundo a Bíblia, os anciães de Israel vêm a Samuel, juiz, na ocasião, e solicitam um rei. Então Samuel conversa com o seu Deus, e esse discorda da ideia, alegando uma série de mazelas que aconteceria com o reino: o rei apropria-se dos jovens, e os transforma em soldados e cocheiros; exigindo dízimos, expropriaria animais e servos e os colocaria a seu serviço. E, então, colocaria o povo a seu serviço, na condição de servos.

    Percebe-se nessa passagem da Bíblia, uma valiosa transcrição da transição de uma sociedade tribal sem poder centralizado e métodos coercivos de trabalho para uma monarquia com o poder centralizado, onde a organização exige mão de obra disciplinada a serviço da organização que precisa alimentar o restante da população que não produzem.

    Com Saul, instaura-se a monarquia entre os hebreus. Porém nessa ocasião já havia uma divisão entre tribos do norte (Israel) e as do sul (Judá) e Saul não alcança seu intento de atrair Judá ao seu reino. Morre nessa tentativa.

    A mitificação de Salomão vem do fato dele ter sido o construtor do famoso templo de Jerusalém, ponto de referência espiritual e material do povo, tanto quando foi construído como depois. O templo tornou-se uma espécie de símbolo nacional.

    Com o templo, Salomão proporciona ao poder de Iavé um local sagrado. Inicialmente, Iavé habitava os desertos do sul. Depois, aos poucos Iavé mudou para a terra de Canaã, permanecendo lá, e não saindo dela. Iavé era um deus “nacional” que não gostava de ser adorado fora de seu país. Terras estranhas não eram muito bem aceitas, por serem consideradas impuras. A ligação material com a terra era tão forte que quando Naamã, general arameu, foi curado por Eliseu e quis agradecer a Iavé, levou para o seu país, no lombo de duas mulas, um pouco da terra de Canaã, sobre o qual ergueu um altar.

    Pode-se concluir através da leitura de alguns textos, que Iavé habitava os santuários e depois, de forma especial, o santuário do templo. E em outros fala-se no céu como habitat de Iavé. Salomão quando levantou o templo, buscou localizar fisicamente Iavé, mantê-lo em seu palácio e submete-lo aos interesses da monarquia.

    Davi tem mais sucesso. Organizou o pequeno reino de Judá, constituído de hebreus da tribo de Judá e de cineus, iemareus e outros povos não hebreus, sediados na cidade de Hebron. Davi estendeu seu poder derrotando os filisteus e conquistando a cidade de Jerusalém, a qual transforma em capital do reino.

    Mandou construir um palácio, e percebendo que faltava algo de muito importante em seu reinado: reconhecimento religioso. Então trouxe a “arca da aliança” para Jerusalem com muita pompa. E com isso legitima o seu poder “pela graça de deus”, fortalecendo-o mais e mais.

    Unidade 2

    A organização do Estado torna-se mais complexa e cara; os mercenários, que formavam parte mais importante do exército de Davi, recebiam soldos, assim como tinha de haver recursos para as edificações que eram bastante luxuosas. A solução para cobrir os gastos era manter o expansionismo, conquistar e saquear, o que passou a ser feito com bastante sucesso.

    Grécia e Roma

    3

    Conhecimentos

  • Compreender a importância da organização social política e econômica da Grécia e Roma Antiga.
  • Habilidades

  • Identificar as transformações econômicas, sociais, políticas e culturais presentes em Roma e na Grécia Antiga.
  • Atitudes

  • Posicionar-se criticamente quanto ao desenvolvimento social, político, econômico e cultural de Roma e Grécia Antiga.
  • Unidade 3

    Cidades-Estados

    Segundo Ciro Flamarion Cardoso as principais características das cidades-estados eram:

    • A tripartição do governo em uma ou mais assembleias, conselhos, e um determinado número de magistrados escolhidos – na maioria das vezes anualmente – entre os homens elegíveis;
    • A participação direta dos cidadãos no processo político: implicando a existência de decisões coletivas, votadas depois de discussões (nos conselhos e/ ou nas assembleias), que eram obrigatórias para todos os cidadãos, ou seja, aqueles com plenos direitos;
    • A inexistência de uma separação absoluta entre órgãos de governo e de justiça, ainda, a religião e os sacerdócios integravam o Estado.

    “Quanto ao primeiro ponto, uma vez admitida a tripartição em assembleias (s), conselhos (s) e magistraturas, é preciso admitir também uma enorme diversidade no relativo aos nomes, ao número, a composição, aos poderes, aos métodos de escolha, ao funcionamento e ás relações entre aquelas instâncias básicas. Isto tanto no espaço quanto no tempo, isto é, ao considerarmos diferentes cidades-Estados na mesma época, ou uma mesma cidade-estado em momentos sucessivos de sua evolução constitucional.” (CARDOSO, 1994, p 08).

    Cidades-Estados
    Cidades-Estados

    A soberania dos cidadãos dotados de plenos direitos era imprescindível para a existência da cidade-estado. A proporção desses indivíduos em relação à população total dos homens livres dependendo do regime político variava bastante, sendo pequena nas aristocracias e oligarquias e maior nas democracias. O lugar em que os cidadãos exerciam sua soberania variava: em Atenas era a Assembleia Popular (a Eclésia), em Roma um conselho (o Senado).


    Unidade 3

    “(...) a cidade-estado desconhecia o principio da separação dos poderes que informa as repúblicas modernas e também as corporações fechadas (relativamente) que são os exércitos e muitas igrejas atuais. Embora houvesse órgãos que podemos chamar de “tribunais”, certos casos eram julgados pelos conselhos ou assembleias. Os estrategos (strategoi) atenienses, eleitos anualmente, mas reelegíveis, eram líderes políticos e também generais, assim como os cônsules romanos. Os sacerdotes eram o que nos chamaríamos de magistrados ou funcionários do Estado, e os magistrados de mais alta hierarquia de Roma, sem ser especificamente sacerdote, levavam a cabo sacrifícios e tentavam adivinhar a vontade dos deuses.” (CARDOSO, 1994, p 09)


    O regime da cidade-estado em múltiplas variantes existiu na Grécia entre os séculos VIII ou VII a.C. e o final do século IV a.C., descontando os períodos tirânicos em cada cidade; e na Roma Republicana. Com relação aos Etruscos, é difícil estabelecer uma cronologia precisa provavelmente nos séculos V e IV a.C.

    Afirma Ciro Flamarion Cardoso que certas variáveis são essenciais quando se tenta comparar a trajetória das Cidades-estados antigas: população, extensão territorial, disponibilidade de recursos, grau de urbanização, etc.

    “Atenas era uma Cidade-estado muito grande no contexto grego, tendo unificado toda a Ática. Em contraste a pequena ilha de Amorgos (uma das Cíclades) tinha sua superfície dividida entre três ínfimas poleis. Na medida em que podemos afirmar, tendo em vista uma documentação muito deficiente, parecia que, abaixo de um certo limite de extensão, população e recursos – que, porém, não é possível determinar em cifras precisas -, a cidade-Estado não conseguia estabilidade político-social e tinha dificuldade em manter sua independência. No polo oposto, mesmo sendo verdade que a conquista ou o domínio (direto ou indireto) sobre territórios estrangeiros trazia grandes vantagens às cidades-estados maiores, capazes de se expandir pelas armas, a incorporação contínua de novas terras e novos cidadãos acabaria tornando inviável o funcionamento dessa nova política, na qual era muito importante a possibilidade de uma participação pessoal direta: foi o que aconteceu no caso da República romana, embora ninguém saiba dizer com exatidão quando foi atingido o limite superior (isto é, o ponto acima do qual Roma deixou de ser viável como cidade-Estado), nem defini-lo quantitativamente.” (CARDOSO, 1994, p. 10-11 ).

    Sem dúvida, houve cidades-estados instáveis e efêmeras. Porém, aquelas mais documentadas como Atenas, Esparta, Roma e Corinto, por mais que atravessassem momentos de conflitos sócio-políticos muitas vezes graves e passando por muitas transformações, conheceram séculos de estabilidade, com forte sentimento de identidade entre os cidadãos. Mesmo nas cidades-estados democráticas, como Atenas, os líderes políticos saíram das filas da aristocracia e, de fato, elas não eram igualitárias. Houve, portanto, fatores que garantiram a hegemonia dos grupos sociais dominantes, de forma que a desigualdade social fosse tida por legitima – até certo ponto pelo menos – pelas grandes massas da população, incluindo os não-cidadãos.

    A Grécia Antiga: “poleis”

    Por volta de 2200 - 2100 os migrantes de língua indo-europeia chegam à Grécia continental e às ilhas do Mar Egeu. Os novos povoadores sofreram influências das culturas locais – especialmente da civilização minoana ou cretense – e foi no contexto de tal contato cultural que se iniciou a civilização grega.

    A civilização do Período Tardio do Bronze chamada micênica desenvolveu-se durante a segunda metade do II milênio a.C, na Grécia continental, com influxos que atingiram outras ilhas do Egeu, a costa da Síria e da Ásia Menor e, para ocidente, a Sicília e o Sul da Itália. Essa civilização caracterizava-se principalmente pela existência de centros palacianos na maioria das vezes fortificados – Iolco na Tessália, Tebas e Gla na Beócia, a acrópole da futura Atenas na Ática, Tirinto e Micenas na Argólida, Pilos no sudoeste do Peloponeso, Cnosso em Creta. Os palácios serviam também de locais para armazenamento de produtos obtidos por meio da tributação e prestações de trabalho.

    Na Grécia dos tempos homéricos e do início da época Arcaica, existiam aglomerações urbanas, onde na agorá a população reunia-se para escutar sem direito a intervenção os chamados dos aristocratas. Afirma Ciro Flamarion Cardoso:

    Unidade 3

    “No entanto, os debates não conduziam ao que tudo indica a qualquer decisão por voto, e a noção da polis como uma comunidade de cidadãos não surgira ainda. As posições cidadão/estrangeiro e livre/ escravo, tão típicas posteriormente das poleis gregas, só existiam embrionariamente, sem clareza.” (CARDOSO, 1994, p 19)

    O genos era o centro da organização social, constituído, geralmente, pela família aristocrática que se julgava descender de um herói ou de um deus – uma extensa família patriarcal onde vários casais viviam sob a autoridade de um único chefe. Cada genos era o centro onde organizava-se uma “casa” real ou nobre, o oikos, que reunia indivíduos – além da família, diversas categorias de agregados livres e de escravos – e bens variados: terras, rebanhos, o palácio, objetos de metal, tecidos, etc; todos e tudo obedecendo ao chefe do genos. Fora do Oikos, tem-se: demiurgos: trabalhadores da coletividade; e com um certo  prestigio  social  vem os: artesãos especializados, profetas, médicos, arautos, poetas, cantores, etc; trafegavam de uma casa a outra sempre que solicitados seus serviços; camponeses, sem terras, que alugam quando precisavam sua força de trabalho e não eram muito bem vistos.

    A constituição da polis aristocrática deu-se com o desaparecimento da monarquia, substituída por magistrados eleitos pela nobreza de sangue entre seus próprios membros, persistindo o Conselho, anteriormente órgão consultivo do rei, nesse momento o núcleo da vida política. Essas transformação deu-se entre a segunda metade do século VIII a.C. e o início do século seguinte:

    “significou, por um lado, uma subordinação do genos e do oikos à comunidade (seguida do enfraquecimento destas formas tradicionais de organização pré-urbana), e por outro lado há indícios de que, de algum modo, os aristocratas se apoderaram das terras melhores e mais extensas. O surgimento da polis também esteve vinculado a um vigoroso aumento da população.” (CARDOSO, 1994, p 21)

    Este crescimento demográfico, juntamente com um grande progresso tecnológico, artesanal e comercial, contribuiu para a rápida urbanização.

    Na sua topografia, uma polis, no seu centro urbano, normalmente dividia-se em duas partes: a acrópole, centro religioso, e a asty ou cidade baixa, local de reuniões e de negócios, chamada de ágora. E um  terceiro  elemento  o  porto. Por  fim, a  área  rural, repleta  de  aldeias  (khôra)

    formava a cidade-estado. Mas para os gregos uma cidade-estado era formada pela comunidade e seus cidadãos.

    Proprietários e despossuídores

    “Quando as cidades-estados gregas começam a ser mais bem iluminadas pelas fontes escritas, nós a achamos, na Época arcaica (séculos VIII-VI a.C), em plena crise social e política (stásis), entregues à luta entre facções. A raiz primeira desta crise parece ser o resultado da combinação do aumento topográfico (contínuo durante toda essa fase da história grega) com a circunstância de estarem muitas das melhores terras monopolizadas pela aristocracia de sangue, que dispunha de todo o poder político e judiciário.”

    Pensando na luta de classes entre proprietários e despossuídos, credores e devedores, o desenvolvimento da polis dependeu também de outros fatores, dentre eles: a urbanização, a divisão do trabalho, a importância crescente da economia mercantil. Nos séculos VII e VI a.C houve um crescimento considerável das exportações de cerâmicas, a importação de artigos de luxo orientais, o surgimento de templos e outros monumentos, e deu-se o início da economia monetária e de implementação de um sistema técnico, especificamente helênico.

    Unidade 3

    “Ao mesmo tempo consequência da crise agrária, para a qual constituía uma saída, e fator de progresso econômico diversificado, a colonização grega foi um dos acontecimentos essenciais dos séculos arcaicos, embora com ímpeto menor e outras modificações se estendessem igualmente aos séculos clássicos (V e VI a.C). Sem dúvida, foi a busca de terras cultiváveis que, em primeiro lugar, levou expedições fundadoras gregas ao Mediterrâneo Ocidental, ao norte da África, ao norte do Egeu, à Propôntida (atual mar de Mármara) e ao Ponto Euxino (designação antiga do mar negro), num extraordinário movimento de multiplicação das poleis helênicas – cujo número chegaria a aproximadamente 1.500 a 2.000. O próprio fato de que comunidades gregas tenham passado a existir em todo o contorno do mediterrâneo e de seus anexos, porém, intensificou muito a navegação e o comércio.” (CARDOSO, 1994, p 25)


    A apoikía, como chamava-se a colônia grega típica, era uma cidade-Estado independente, fundada, normalmente, por uma metrópole que enviava um guia ou fundador (oikistés) e financiava a expedição. Buscava-se uma fértil planície litorânea, cujas terras eram divididas entre os primeiros colonos, primeiramente, igualitariamente, logo depois, com a chegada de novas levas de imigrantes, não mais.

    A intervenção das autoridades metropolitanas era evidente: não se tratava de migrações organizadas em caráter espontâneo.

    “Platão via nos homens desprovidos de recursos um perigo, já que ambicionavam os bens dos ricos, e na colonização uma expulsão benigna, para que a polis deles se desembaraçasse. Uma tradição conservada por Heródoto acerca da fundação de Cirene mostra que, pelo menos em certos casos, o governo da cidade-estado designava por sorteio as pessoas que deveriam partir; uma inscrição do século IV a.C. confirma a autenticidade da afirmação e adiciona outras informações: a penalidade para quem se negasse a partir quando designado era a morte, acompanhada de confiscos dos bens; além dos escolhidos pela sorte, eram aceitos voluntários.” (CARDOSO, 1994, p 26)


    Isso tudo ressalta os aspectos agrários da crise, e da colonização como uma possível solução. Mas também estão presentes outras motivações como o aprovisionamento em metais. Razões econômicas: buscas de terras onde estabelecer cidadãos pobres, sim; mas também, controle de portos comerciais e minas de ouro, cortes de madeira para a construção naval.

    Na história da colonização grega todas as possibilidades aconteceram. Os gregos algumas vezes se estabeleceram por meio de acordos amigáveis com os nativos, outras vezes explorando-os como servos. Também, existiu colônias que por sua vez fundaram colônias. “Grupos de colonos enviados por uma cidade iniciavam um estabelecimento e posteriormente eram expulsos por recém-chegados.” (CARDOSO, 1994, p 27)

    Unidade 3

    As repercussões políticas tiveram, em seu conjunto, os fatores como: crise agrária, colonização, urbanização, progressos tecnológicos, expansão do artesanato e da economia mercantil. A diferenciação de tais fatores levou também a uma distinção das reivindicações. Os pobres interessavam-se principalmente pela abolição das dívidas – e sua consequência, o fim da escravidão ou servidão por dívidas – e a divisão de terras. Aos indivíduos mais abastados, mas que não pertenciam à aristocracia tradicional importava sobretudo conseguir a fixação das leis por escrito e alguns direitos políticos.

    “Na medida em que os problemas fundamentais das massas populares não eram cabalmente solucionados pelas transformações políticas já mencionadas, abria-se a possibilidade do surgimento de um regime político peculiar: a tirania. A partir de meados do século VII a.C., e por mais de cem anos, diversos lideres populares, quase sempre de origem nobre, tomaram o poder pela força ou ardilosamente” (CARDOSO, 1994, p 29)

    Os tiranos chegaram ao poder de diversos modos: reis que buscavam livrarem-se da tutela dos aristocratas; magistrados eleitos que pela força permaneceram no poder ao expirar seu mandato; e, por fim, líderes militares de boa popularidade que deram golpes de estado. Três características do regime aparecem claramente:

    • O governo do tirano era pessoal;
    • Sua legitimidade e sua base social vinham do fato da proteção dos populares contra a classe dominante;
    • O Tirano era um nobre ou descendente de um nobre.

    Após o término da era dos tiranos inicia-se o período clássico (séculos V e IV a.C.). Nesse período houve evoluções divergentes, em direção à democracia, e às vezes para regimes oligárquicos. Estas evoluções foram influenciadas tanto pelo resultado as lutas sociais e políticas internas como também da intervenção das Cidades-estados maiores, umas nas outras e no regime das menores. Esparta era a principal Cidade-estado oligárquica e contra as tiranias e democracias. Atenas, por sua vez, era a defensora dos regimes democráticos.

    “Conhecemos bem mal as instituições democráticas fora de Atenas. A mais antiga das democracias gregas seria a de Quio, anterior mesmo à ateniense. É, sobretudo por inscrições que sabemos terem as cidades democráticas órgãos grosso modo análogos aos de Atenas – Eclésia ou assembleia popular, Bulé ou Conselho, magistrados eleitos ou sorteados -, mas entrevemos algumas diferenças: menor poder dos tribunais, inexistência de remuneração por atividades políticas, inexistência do ostracismo (salvo em Siracusa antes de 405 a.C. e em Argos). No século IV a.C., anteriormente a intervenção da Macedônias, havia mais poleis democráticas do que oligarquias na Grécia.” (CARDOSO, 1994, p 35)

    Unidade 3

    As cidades-estados tanto as democráticas como as oligarcas tinham Assembleias populares, conselhos e magistrados. Mas as condições de acesso à cidadania plena eram bem variadas. Havia uma diferença entre os cidadãos passivos, excluídos dos direitos políticos tanto quanto os estrangeiros residentes (metecos) e os escravos, e cidadãos ativos, cujo número variava.

    Geralmente, era o critério de fortuna ou renda anual que faziam a diferença entre as duas categorias de cidadãos. Nas oligarquias, frequentemente a assembleia popular tinha poderes restritos, sendo o Conselho o órgão mais importante.

    Tem-se notícia de existência de associações que englobavam certo número de cidades-estados. As mais antigas foram as anfictiónias, organizadas em torno de um santuário pan-helênico para o culto comum. Cada antifictiona tinha um Conselho integrado por representantes das cidades membros, mas não possuíam funções propriamente políticas, já que apenas cuidavam de acordos diplomáticos.

    Um acordo ou associação militar feito em principio para a defesa o qual englobava várias cidades e que permaneciam independentes chamava-se simaquia. A mais conhecida foi a simaquia de peloponésia, também conhecida como Liga de Peloponeso, formada no século VI a.C. por iniciativa de Esparta.

    “que se ligou à maioria das cidades oligárquicas peloponésias por tratados bilaterais, às vezes complementados por outros tratados das demais cidades entre si. Uma exceção de peso foi Argos, polis democrática e tradicional inimiga de Esparta, a qual se recusou a participar. O nome oficial desta simaquia – “os lacedemônios e seus aliados” – mostra bem que, embora os membros mantivessem em principio sua autonomia interna, o predomínio espartano era claro.” (CARDOSO, 1994, p 36)

    O Conselho da liga era convocado por magistrados de Esparta (éforos) e cada cidade nele tinha um voto.

    O Grande surto da escravidão e das relações mercantis que predominou o final do período arcaico prolongou-se pelo século V a.C. No século seguinte, começou a crise nas cidades-estados gregas. A longa guerra do Peloponeso que caracterizou-se pela frequência em que os campos dos inimigos eram devastados, as colheitas destruídas, as árvores cortadas. A propriedade, muito parcelada, tendeu a concentrar-se. Especuladores compravam as terras arruinadas a preço bem baixo, seja para recuperá-las e revendê-las, ou para praticar a agricultura de exportação com mão de obra escrava.

    Unidade 3

    “a urbanização se acentuava: Atenas passou a concentrar 50% da população da Ática, e na cidade um número considerável de pessoas empobrecidas viviam dos desembolsos crescentes do Estado. A dependência do cereal importado se acentuou. É verdade que os aspectos econômicos da crise do século IV a.C. são poucos claros e as vezes contraditórios, não havendo unanimidade a respeito pois indubitavelmente existiram também elementos de progresso e expansão” (CARDOSO, 1994, p 39)


    A partir do século de 380 a.C, alguns dos parâmetros básicos da sociedade grega sofreram rápida mudança, que em cinquenta anos conduziria ao fim das cidades-estados. O aparecimento de novos centros e elementos de poder político e militar surgiram e influenciaram consideravelmente a situação.


    “Se a hegemonia espartana após 404 a.C. significara até certo ponto a continuidade de padrões relativamente tradicionais de guerra e de política, após a segunda década do século IV a.C. o uso crescente da cavalaria, as mudanças no sistema hoplítico, após a segunda década do século IV a.C. o uso crescente da cavalaria, as mudanças no sistema hoplítico e o número cada vez maior de mercenários, minando a equação tradicional do exército com o “povo em armas”, a ascensão da hegemonia de Tebas e em seguida o grande peso de uma monarquia macedônica muito fortalecida nos negócios gregos, revelaram ser fatores radicalmente novos” (CARDOSO, 1994, p 39)

    As polis estavam em pleno desacordo com o desenvolvimento constante da integração econômica e cultural da Grécia, como também dos perigos externos.


    Roma

    Os romanos herdaram dos etruscos o urbanismo, “baseado em ritos de fundação que delimitavam o território “sagrado” da cidade”. O sítio de Roma, no momento, em que surgiram as primeiras cidades etruscas, caracterizava-se por aldeias latinas independentes. Algumas dessas aldeias reuniam-se numa federação de caráter religioso e defensivo. Por volta de 575 a.C., as aldeias uniram-se numa comunidade urbana, marcado por um processo de remanejamento do espaço: abandono de determinados cemitérios, construção e pavimentação do Fórum (centro cívico e mercado), abertura de ruas regulares, edificações de templos e edifícios públicos.


    “O estudo da cerâmica, em especial, mostra três fases da urbanização primitiva de Roma: a primeira, relativamente lenta, entre 575 e 530 a.C; a segunda –de rápida e máxima expansão – entre 530 a 500 a.C; e a terceira, de estagnação e talvez ligeiro declínio, entre 500 e 450 a.C.” (CARDOSO, 1994, p 61)

    Unidade 3

    No período monárquico a organização básica da civitas romana no período monárquico: Rei, Conselho, de anciãos (Senado) e assembleia de cúrias (comitia curiata), sendo que estas últimas, de início, subdivisões das três tribos que eram responsáveis pela cobrança de impostos e ao recrutamento militar. Adotavam as técnicas hoplitas de combate no século VI a.C e a consequente distinção censitária, atribuída ao segundo rei etrusco de Roma, Sérvio Túlio, entre os que não podiam e os que podiam financiar o seu equipamento militar. Houve a substituição das tribos “étnicas” por quatro tribos urbanas de tipo topográfico.

    A República romana

    Em meados do século V a.C., a situação política e social de Roma, apresentava uma aristocracia de proprietários de terras – os patrícios -, organizados em extensas famílias (gentes) estruturados em torno de um culto familiar, monopolizava a vida política e praticavam empréstimos pré-monetários que muitas vezes levavam ao endividamento, podia matar os devedores, vendê-los como escravos fora do território romano, ou então usá-los como mão de obra servil para cultivar as terras e pastorear os rebanhos dos nobres, ao lado dos clientes, trabalhadores rurais e soldados a serviço de uma gens nobre, em troca de ajuda e proteção.

    “os endividados e clientes eram recrutados no seio da plebe, multidão sem organização gentílica cuja origem parece ter sido variada: migrantes atraídos pela prosperidade da Roma etrusca, talvez

    grupos cuja situação foi resultante de uma diferenciação econômico-social interna, etc.” (CARDOSO, 1994, p 63-64)

    A primeira metade do século V a.C. foi marcada pela luta entre patrícios e plebeus, travada num contexto de uma retomada do crescimento econômico e da urbanização em seguida à depressão e ruralização. Os plebeus pobres reivindicam a abolição das dívidas e da servidão por dívidas e repartição das terras, já os ricos, almejavam o acesso às instâncias do poder. Chegou-se a uma divisão censitária do corpo dos cidadãos em várias categorias. Ocorreu também a abolição das dívidas e da servidão por dívidas, possibilitando à expansão do escravismo, solidamente instalado no início do século III a.C, ao deixarem de disponibilizarem-se como mão-de-obra dependente os camponeses endividados.

    Uma das iniciativas dos plebeus consistiu em criar instituições propriamente plebeias – o tribunato da plebe, os edis da plebe e a assembleia dos plebeus. Os tribunos da plebe eram dotados de inviolabilidade pessoal e residencial, adquiriram o direito de vetar as decisões dos magistrados e outros órgãos republicanos e de impedir alguma ação, por ventura, contra plebeu simplesmente posicionando-se desfavoravelmente. Dessa forma, tornaram-se protetores eficazes da plebe; com o tempo o concilium plebis deu origem à assembleia das tribos (comitia tribuna), um dos órgãos legislativos de grande importância na Roma republicana.

    Unidade 3

    As classes dominantes, por sua vez, adotaram métodos de controle social e político muito eficazes. Por exemplo: o complicado sistema de votação na assembleia do exército ou comitia centuriata, principal assembleia dos primeiros tempos da República, de forma a impossibilitar qualquer tipo de participação dos cidadãos menos abastados nela presentes. Outro método foi a institucionalização da clientela, que perdeu o sentido puramente econômico e adquiriu o de um apoio eleitoral.

    O patriciado com sua família extensa ou gens, e depois a própria plebe, constituíram estamentos sociais com estruturação jurídica bem institucionalizada.


    “o casamento entre patrícios e plebeus foi autorizado em 445 a.C. e foi-se constituindo, pela união das famílias plebeias ricas com as patrícias, uma nova aristocracia, a nobilitas, não institucionalizada juridicamente em estamento, mas que constava de um grupo reduzido e exclusivo de famílias: aqueles cujos membros, depois de terem exercido as magistraturas mais elevadas, tinham ingressado no órgão máximo da República, o Senado.” (CARDOSO, 1994, p 66-67)



    De 233 a 133 a.C., os mais altos magistrados, os cônsules foram duzentos, porém saíram apenas de 58 famílias, cinco destas forneceram cinquenta e dois cônsules. As nobilitas somente renovava seus quadros, com o ingresso de homens novos, em forma lenta e limitada. Esses homens novos vinham da mais alta classe censitária, os equestres ou cavaleiros.

    “De fato, tanto a nobilitas quanto os cavaleiros tinham fortunas, sobretudo agrárias; os senadores e seus parentes, como os equestres, não desdenhavam dedicar-se à exploração das minas, ao comércio marítimo e ao empréstimo a juros, ao arrendamento de impostos provinciais ou de obras públicas e a outras atividades rendosas, pessoalmente ou por meio de testas-de-ferro que podiam ser, eventualmente, os seus libertos.” (CARDOSO, 1994, p 67)

    Na realidade, o nome oficial da cidade-estado romana, “o senado e o povo de Roma”, caracterizava bem a hierarquia num governo oligárquico. Na Roma republicana o poder soberano encontrava-se mais no Senado e nos magistrados do que nas assembleias populares.

    As magistraturas romanas caracterizavam-se – com exceção da ditadura – por sua colegialidade e por poder qualquer magistrado opor-se a iniciativa de outro magistrado do mesmo tipo. Entre as magistraturas havia aquelas investidas do imperium e das potestas, e aquelas que apenas recebiam as potestas. Consistindo esta numa forma de autoridade legal que dava aos seus beneficiários poderes administrativos, a possibilidade de ditar o Direito e de impor suas prescrições. O imperium era um amplo direito de comando militar e civil de natureza sagrada, garantido pelo direito à consulta dos auspícios, permitindo aos seus detentores decidirem sobre a vida e morte de um indivíduo, além da possibilidade de comandarem as legiões, de exercer funções judiciais e de convocar e consultar o Senado e as assembleias.

    Unidade 3

    O Senado era constituído por trezentos membros vitalícios recrutados inicialmente entre os ex-magistrados, votava e perdera o direito de recusar ou impedir as leis votadas nas assembleias. Porém, nele encarnava-se a continuidade da República e os costumes dos antepassados, como também uma forte autoridade moral. Era o centro da República e se ocupava de todos os assuntos importantes.

    As assembleias, a mais antiga a comitia curiata ou assembleia por cúrias, teve seus poderes restringidos a concessão do imperium às magistraturas superiores e a certas questões religiosas. As principais atribuições desta assembleia, no período considerado, eram eleitorais – elegia os magistrados com imperium e os censores, decidiam quando começar ou terminar uma guerra, e decidiam pelos apelos dos condenados à morte. As funções legislativas passaram a pertencer, sobretudo à assembleia dos cidadãos repartidos nas 35 tribos de Roma, ou comitia tribuna, que elegia os magistrados inferiores, ratificava os tratados de paz e votava muitas das leis; reuniam-se na sua forma original de concilim plebis ou assembleia da plebe, elegia também os edis e tribunos da plebe. Tanto a assembleia das centúrias quanto a das tribos reuniam-se apenas quando convocadas por um magistrado e somente podiam aceitar ou rejeitar os projetos de resolução que lhes fossem submetidos, sem a possibilidade de emendá-los. (CARDOSO, 1994)

    Crise na Cidade Romana

    As grandes conquistas romanas permitiram desviar as tensões agrárias pela possibilidade de colonização, mas também, introduziu um elemento de descontentamento, devido ao monopólio do ager publicus pelos cidadãos mais abastados.

    “Ao mesmo tempo, a mobilização quase permanente de enormes contingentes de cidadãos ao longo de muitas décadas, os efeitos econômico-sociais da expansão romana e da exploração das províncias, o avanço das grandes propriedades cultivadas por escravos, fizeram-se sentir através de uma violenta crise agrária. Aqueles dos italianos que não haviam recebido a cidadania romana, e que, no entanto estavam intimamente associados a Roma pelas exigências de tropas e impostos que esta lhe fazia, manifestavam crescente descontentamento.” (CARDOSO, 1994, p 71)

    E por fim, uma incompatibilidade crescente se fazia sentir entre as instituições da civitas romana – uma Cidade-estado – e o fato de que, no final da Republica romana, governava quase todas as regiões banhadas pelo Mediterrâneo.

    Todas essas dificuldades contribuíram em proporções e combinações variadas para a crise final da Republica romana. Contribuindo também a tentativa dos irmãos Gragos no sentido de restabelecer a pequena e média propriedade rural – base do recrutamento e da vida cívica – e a sedimentação de uma forma disfarçada de monarquia (133-27 a.C.)

    Explicando melhor com a pesquisa

    Caro estudante, sugerimos a leitura da pesquisa de: Walter A. Neves; Danilo V. Bernardo; Maria Mercedes M. Okumura. Intitulado: A origem do homem americano vista a partir da América do Sul: uma ou duas migrações?

    Até meados da década de 1990, predominava na literatura especializada que o Novo Mundo teria sido colonizado por três levas distintas, todas com origem no nordeste asiático. Na segunda metade da década, dois modelos alternativos começaram a desfrutar de grande popularidade entre a comunidade acadêmica internacional. O primeiro deles, denominado "Modelo dos Dois Componentes Biológicos Principais", baseado na variabilidade craniométrica de populações nativas americanas extintas, sugere que a América teria sido colonizada por pelo menos duas populações morfologicamente distintas vindas do nordeste asiático.

    O segundo, gerado por pesquisas sobre a variabilidade do DNA mitocondrial e do cromossomo Y de populações indígenas atuais, defende que o continente americano teria sido colonizado por apenas uma migração, também de origem asiática. Alguns especialistas acreditam que a compatibilização desses dois modelos é simples: as duas morfologias que se sucederam no tempo no Novo Mundo são resultado de um processo microevolutivo local, independente daquele que ocorreu, em paralelo, na Ásia. Uma outra maneira de compatibilizar os dois cenários é assumir que morfologia craniana e linhagens de DNA são entidades evolutivamente independentes, com histórias, modos, tempos e tendências próprias. Este  trabalho  apresenta




    novas evidências de que dois padrões morfológicos cranianos de fato se sucederam no Novo Mundo. Um relacionado às populações mais antigas (paleoíndias) e um relacionado a populações arcaicas e agrocerâmicas. Esses resultados são analisados à luz da discussão acima caracterizada.

    Propomos a leitura da pesquisa de José Ernesto Moura Knust, intitulada: "SENHORES DE ESCRAVOS, SENHORES DA RAZÃO Racionalidade Ideológica e a Villa Escravista na República Romana (séculos II e I a.C)".

    Nos séculos finais da República Romana algumas transformações importantes se deram na economia rural italiana. O crescimento da demanda por produtos agrícolas (seja pelo crescimento urbano, seja pelo surgimento de mercados provinciais ou ainda pelas crescentes demandas do exército) juntamente com a incorporação de uma grande massa de escravos como mão-de-obra rural fizeram necessárias transformações nas relações de produção e na administração da mão-de-obra pelas classes proprietárias romanas. Dois tratados escritos sobre "as coisas do campo" neste período sobrevieram aos nossos dias e a partir deles podemos analisar como essas transformações se deram; são eles o De Agri Cultura de Marco Pórcio Catão e o De Re Rustica de Marco Terêncio Varrão.

    Leitura Obrigatória

    Prezado estudante, sugerimos a leitura da obra “100 textos de história antiga”. Um dos grandes problemas no ensino da História Antiga é a dificuldade de aproximá-la do nosso cotidiano. Para muitos, antiguidade chega a ser confundida com mitologia, para outros não passa de um abstrato modo de produção. Através desta obra estudantes e professores poderão ver de que forma os antigos construíam cidades, definiam propriedades, escravizavam seus semelhantes, adoravam seus deuses ou faziam história.

    PINSKY, Jaime (ORG.). 100 textos de história antiga. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2009.

    Após a leitura da obra, faça uma resenha.

    Pesquisando na Internet

    Prezado estudante, você é convidado a fazer uma investigação na Internet sobre tema correlacionado aos conteúdos estudados. Faça uma pesquisa em torno do assunto: “O homem: suas origens, natureza e futuro”.

    Após a pesquisa, faça um texto dissertativo.

    Prezado estudante, você é convidado a fazer uma investigação na Internet sobre tema correlacionado aos conteúdos estudados. Faça uma pesquisa em torno do assunto: “Histórias e fatos da Grécia Antiga.”.

    Após a pesquisa, faça um texto dissertativo.


    Saiba mais

    Prezado estudante agora vamos ler a entrevista com Ciro Flamarion Cardoso, com o tema “O Egiptólogo Nacional”. Poucos são os historiadores nacionais que podem se posicionar com tal título. O professor Ciro Flamarion Cardoso, nome que possui ampla produção bibliográfica, é apontado pela comunidade acadêmica como digno de tal denominação.

    Vendo com os olhos de ver

    “Muitos cientistas acreditam que os primeiros seres humanos surgiram na África Oriental. Se isso for verdade, por que os humanos são encontrados em quase todos os lugares do mundo? Qual a razão de sermos diferentes um dos outros? Sugerimos que assista o “Documentário A origem do homem” entenderemos as respostas para essas e outras questões, utilizando as mais recentes pesquisas nos campos da genética e antropologia. Qual foi a causa do grande êxodo desses seres humanos? Como conseguiram povoar quase toda a extensão da Terra? Como nossos corpos adaptaram-se com o passar do tempo ao meio ambiente?”

    Propomos também que assista ao filme Cleópatra. “O filme narra a ascensão e o declínio de Cleópatra, rainha do Egito, sua luta para defender o império das ambições políticas e territoriais de Roma, e seu relacionamento com Júlio César e Marco Antônio.”

    Após assista os vídeos, escolha um e faça uma resenha crítica.

    Revisando

    No decorrer desta disciplina vimos a origem da humanidade, que surgiu de um tronco primitivo de quase macacos antropoides. A linha ancestral que levou os seres humanos modernos estende-se, talvez, até 5, 6 milhões de anos atrás. Grande parte desse tempo nossos ancestrais compartilharam seu ambiente com dois tipos de criaturas com as quais foram muito aparentados, mas que por fim se extinguiram. Esses primos evolucionários são chamados australopitecineos; um deles era de construção frágil, enquanto que o outro era bem mais robusto. As duas formas de australopitecineos e o Homo ancestral partilham de pelo menos duas coisas: primeira, descendiam de um ancestral comum, uma pequena criatura semelhante a um antropoide, chamada Ramapithecus, que surgiu pela primeira vez há pelo menos 12 milhões de anos e que viveu na Europa, Ásia e África; e segundo ficavam e andavam em posição ereta.

    A história da evolução humana, de uns 2 a 3 milhões de anos atrás, envolveu quatro personagens principais. O primeiro, mas não necessariamente o primeiro em importância no tempo, foi o hominídeo cuja característica principal era a de que seus descendentes eram os humanos modernos. Esse antigo precursor dos humanos tinha em torno de 1,50 m de altura. Além disso, mantinha-se ereto como os humanos da atualidade. O tamanho de seu cérebro era cerce de dois terços do cérebro humano médio atual. O segundo hominídeo, não muito diferente, não era tão alto, e possuía um cérebro menor. O terceiro era um indivíduo mais corpulento, mais  ou menos  com 1,50 m de altura, mas  com o  cérebro bem  menor  do  que o nosso ancestral direto. Por último, tem-se a menor criatura de todas elas, e uma das mais obscuras em termos de registro fóssil.

    Esses personagens da história têm nomes, quais são? Pode-se começar com os dois do meio. Devido a importantes semelhanças entre eles, ambos estão agrupados no mesmo gênero, Australopithecus, mas ao individuo mais esbelto e dado o nome cientifico de africanus, enquanto que para a criatura robusta adota-se o nome específico de boisei.

    No início de 1961, na chamada Garganta Olduvai, na Tanzânia foi descoberto um crânio de um hominídeo bastante avançado, que viveu a cerca de um milhão e três quartos de anos: foi chamado de Homo habilis . Constituiu essa a primeira evidencia de que os primeiros membros da linhagem humana foram contemporâneos dos australopitecíneos, e, não seus descendentes, como se acreditava. Embora empolgante, a descoberta do Homo habilis permaneceu incompleta. Para que a teoria da evolução humana recém-desenvolvida fosse convincente, era necessário que se descobrisse uma espécime mais completa. Isso se deu com a descoberta do 1470. Mas o principal detalhe sobre o 1470, é que ele viveu há pelo menos dois milhões de anos e, talvez, quase três. E possuía um cérebro maior que o do Homo habilis original, do Olduvai.

    Esse volumoso crânio confirmou duas coisas. Primeira: que a linha ancestral humana, Homo, originou-se bem antes do que grande parte das pessoas suspeitava, talvez até mesmo um milhão de anos antes. Segunda: uma vez que a história do Homo estendem-se tanto, retroativamente, quer dizer que esses indivíduos eram contemporâneos de alguns dos primeiros australopitecineos. Isso impossibilita pensar que nossos ancestrais diretos sejam descendentes evolucionários dos australopitecineos – primos, mas não descendentes. Os pesquisadores acreditavam que, embora o robusto Australopithecus pudesse ter sido uma ramificação da via principal da evolução humana, seu primo mais frágil, o Australopithecus africanus estava caminhando ao longo da rota principal para, enfim, dar origem à linha Homo.

    Três mil anos a.C. um considerável número de unidade urbanas desenvolvendo-se em torno do Tigre e do Eufrates. Uma grande lista de reis em lugares como Lagash, Umma, Kish, Ur, Uruk, Akad, Gatium e Elan. Em Uruk foi encontrado vestígios de um templo que tinha mais de dois mil metros quadrados. Perto dele foi erguido um monte artificial (zigurate) com 11 metros de altura, edificado com tijolos e enfeitados com pedaços de cerâmica. Como em Uruk, na Suméria os templos e zigurates também foram construídos à custa do trabalho de boa parte da população os grandes empreendimentos não religiosos – como, por exemplo, a construção de canais – eram atividades que afetavam áreas ligadas a vários templos. Por isso, surgiram os dirigentes não vinculados aos templos, àqueles que posteriormente iriam se tornar os reis.

    O rei passa a atuar junto com a religião. Dá dinheiro para a construção e decoração de templos, fornece matérias-primas e ás vezes também mão de obra. Em troca, busca a legitimação de seu poder, que, advindo dos homens, vai ganhando caráter divino. A cultura, porém, estava em plena ebulição. Administrar uma cidade exigia mais que disposição e preocupação divina: exigia instrumentos adequados, que se desenvolveram de forma extraordinária na Mesopotâmia.

    O desenvolvimento do Egito tem bases bastante concretas. O rio Nilo ofereceu condições potenciais, que foram aproveitadas pela força de trabalho dos camponeses egípcios – os felás, organizados por um poder centralizado, no período faraônico. Trabalho e organização foram, pois, as principais características da civilização egípcia.

    Os primeiros reis egípcios, faraós, se diziam, por isso, senhores das duas terras, do delta e do vale, diferença essa reconhecida e respeitada por todos. Apesar das diferenças e das divergências havia uma grande preocupação com a unidade. Qualquer divisão ocasionava menor capacidade de explorar a natureza, de tirar dela os alimentos e outras necessidades básicas. Também implicava perder a capacidade de construir templos e monumentos.







    Cercado de desertos por quase todos os lados, o Egito antigo manteve, durante toda a sua existência alguma característica advinda da diversidade produzida ao longo de milênios. Surpreendentemente sua cultura resistiu ao contato com os assírios, persas, macedônicos e romanos.

    Os hebreus desenvolveram sua civilização mil anos antes de Cristo. Não apresentando, assim, a antiguidade da civilização egípcia e mesopotâmica, mesmo convivendo de maneira estreita com essas duas civilizações (na proto-história dos hebreus, Moisés tira o seu povo do Egito no século XIII e Nabucodonosor da Babilônia destrói o templo de Jerusalém em 586).

    A civilização hebraica constitui uma ponte entre as civilizações do Oriente Próximo e a civilização ocidental. Por meio dela, o ocidente conhece mito, ciência, práticas sociais, e valores de povos de toda a região. Estudos feitos a partir da Bíblia obtiveram referencias que descobertas arqueológicas depois confirmaram.

    O estudo do povo hebreu também é importante, principalmente, por causa do monoteísmo ético que surgiu e se desenvolveu entre eles, constituindo-se em ponto de partida do judaísmo, do cristianismo e do islamismo.

    De 1200 a.C. à 1030 a.C. o povo hebreu desenvolveu um sistema tribal onde inexistia a propriedade particular de bens de produção. Os  governantes não  se faziam muito  presentes no  cotidiano da população, apenas em ocasiões especiais como em guerras, que se davam quase sempre contra os filisteus. Sansão foi o mais conhecido dos juízes. Os juízes eram líderes que possuíam de certa forma as mesmas funções de outros chefes militares instituídos por federações tribais.

    Aprendemos também as principais características das cidades-estados: a tripartição do governo em uma ou mais assembleias, conselhos, e um determinado número de magistrados; a participação direta dos cidadãos no processo político: implicando a existência de decisões coletivas, votadas depois de discussões (nos conselhos e/ ou nas assembleias); a inexistência de uma separação absoluta entre órgãos de governo e de justiça. Era imprescindível para a existência da Cidade-estado a soberania dos cidadãos dotados de plenos direitos. A proporção desses indivíduos em relação a população total dos homens livres dependendo do regime político variava bastante, sendo pequena nas aristocracias e oligarquias e maior nas democracias. O lugar em que os cidadãos exerciam sua soberania variava: em Atenas era a Assembleia Popular (a Eclésia), em Roma um conselho o senado.

    O regime da Cidade-estado em múltiplas variantes existiu na Grécia entre o século VIII ou VII a.C e o final do século IV a.C. descontando os períodos tirânicos em cada cidade; e na Roma Republicana. Com relação aos Etruscos, é difícil estabelecer uma cronologia precisa – provavelmente nos séculos V e IV a.C.

    As Cidades-estados tanto as democráticas como as oligarcas tinham Assembleias populares, conselhos e magistrados. Mas as condições de acesso à cidadania plena eram bem variadas.

    O Grande surto da escravidão e das relações mercantis que predominou o final do período arcaico prolongou-se pelo século V a.C. No século seguinte, começou a crise nas cidades-Estados gregas. A longa guerra do Peloponeso que caracterizou-se pela frequência em que os campos dos inimigos eram devastados, as colheitas destruídas, as árvores cortadas. A propriedade, muito parcelada, tendeu a concentrar-se.

    A partir do século de 380 a.C, alguns dos parâmetros básicos da sociedade grega sofreram rápida mudança, que em cinquenta anos conduziria ao fim das cidades-Estados.

    No período monárquico a organização básica da civitas romana era: Rei, Conselho, de anciãos (Senado) e assembleia de cúrias (comitia curiata). Adotavam as técnicas hoplitas de combate no século VI a.C e a consequente distinção censitária, atribuída ao segundo rei etrusco de Roma, Sérvio Túlio, entre os que não podiam e os que podiam financiar o seu equipamento militar. Houve a substituição das tribos “étnicas” por quatro tribos urbanas de tipo topográfico.

    Em meados do século V a.C., a situação política e social de Roma, apresentava uma aristocracia de proprietários de terras – os patrícios -, organizados em extensas famílias (gentes) estruturados em torno de um culto  familiar, monopolizava  a  vida  política e  praticavam empréstimos pré-monetários que muitas vezes levavam ao endividamento, podia matar os devedores, vendê-los como escravos fora do território romano, ou então usá-los como mão de obra servil para cultivar as terras e pastorear os rebanhos dos nobres, ao lado dos clientes, trabalhadores rurais e soldados a serviço de uma gens nobre, em troca de ajuda e proteção.

    A primeira metade do século V a.C. foi marcada pela luta entre patrícios e plebeus, travada num contexto de uma retomada do crescimento econômico e da urbanização em seguida à depressão e ruralização. Os plebeus pobres reivindicam a abolição das dívidas e da servidão por dívidas e repartição das terras, já os ricos, almejavam o acesso às instancias do poder. Chegou-se a uma divisão censitária do corpo dos cidadãos em várias categorias. Ocorreu também a abolição das dívidas e da servidão por dívidas, possibilitando à expansão do escravismo, solidamente instalado no início do século III a.C, ao deixarem de disponibilizarem-se como mão-de-obra dependente os camponeses endividados.

    Uma das iniciativas dos plebeus consistiu em criar instituições propriamente plebeias – o tribunato da plebe, os edis da plebe e a assembleia dos plebeus. Os tribunos da plebe eram dotados de inviolabilidade pessoal e residencial, adquiriram o direito de vetar as decisões dos magistrados e outros órgãos republicanos e de impedir alguma ação, por ventura, contra plebeu simplesmente posicionando-se desfavoravelmente. Dessa forma, tornaram-se protetores eficazes da plebe; com o tempo o concilium plebis deu ; origem à assembleia das tribos (comitia tribuna), um dos órgãos legislativos de grande importância na Roma republicana.

    O final do período republicano romano advém de combinações variadas. Contribuindo também a tentativa dos irmãos Gragos no sentido de restabelecer a pequena e média propriedade rural – base do recrutamento e da vida cívica – e a sedimentação de uma forma disfarçada de monarquia.




    Autoavaliação

    1. Há cerca de três milhões de anos, num acampamento no Quênia, perto da costa leste do lago Turkana, chamado anteriormente lago Rudolf, um ser humano primitivo pegou um seixo, e com alguns golpes transformou-o num instrumento. Quais consequências esse acontecimento trouxe para a humanidade? Comente.
    2. A humanidade emergiu de um tronco primitivo de quais criaturas? E quais circunstâncias permitiram esses seres se desenvolverem e dominarem o mundo?
    3. Nossa visão da evolução humana tem sido transformada nos últimos anos. Agora está claro que a linha ancestral que levou os seres humanos modernos estende-se, talvez, até 5, 6 milhões de anos atrás. Também está claro que por uma grande parte desse tempo nossos ancestrais compartilharam seu ambiente com dois tipos de criaturas com as quais foram muito aparentados, mas que por fim se extinguiram? Como são chamados esses ancestrais? Como eram constituídos fisicamente e como se comportavam?
    4. Como eram os Australopithecus? Quais eram as suas principais características? E os Ramapithecus como eram fisicamente? De que gostavam?
    5. O que foi encontrado na Tanzânia em 1961? Qual a importância dessa descoberta?
    6. O que é o fóssil 1470?
    7. O que foram os zigurates?
    8. Como atuavam os dirigentes dos templos mesopotâmicos?
    9. A custa de que foram construídos os templos e zigurates mesopotâmicos?
    10. Qual o papel desempenhado pelo rei mesopotâmico?
    11. O que foi o código de Hamurabi?
    12. Quem foram os felás egípcios?
    13. A civilização egípcia é fruto de que?
    14. Quem foram os faraós?
    15. A civilização hebraica foi desenvolvida a partir de que valores?
    16. Por que o estudo do povo hebreu é importante?
    17. Quais eram as principais características das cidades-estados grega e romanas?
    18. Quais eram as principais cidades-estados gregas? Quais suas diferenças e semelhanças?
    19. Em que contexto cultural iniciou-se a civilização grega?
    20. O que foi a civilização micênica?
    21. Descreva a Grécia dos tempos homéricos?
    22. Por que as cidades-estados gregas chegaram ao fim?
    23. Aponte as principais características do período monárquico romano.
    24. O que foi a República Romana?

    Bibiliografia

    ALVES, Laura. Coleção História Ilustrada: Grécia Antiga. Rio de Janeiro: EDIOUR,2009.

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    CARDOSO, Ciro F. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. São Paulo: Ed. Ática. 1998.

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    __________. Sociedades do Antigo Oriente Próximo. São Paulo: Ática, 1986.

    __________. Trabalho Compulsório na Antiguidade. Rio de Janeiro: Graal, 1984.

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    Vídeos

    A ORIGEM DO HOMEM – Discovery Chanel. Direção de Andrew Piddington. Estados Unidos, 2002. Gênero: Documentário. Filme on-line dublado (100 minutos).

    CLEÓPATRA. Direção de Joseph L. Mankiewicz. Estados Unidos, 1963. Gênero: Histórico Drama. Filme on-line dublado (1074 minutos).

    Siexo: Pedra tosca de pequenas dimensões, utilizada no empedramento de certas obras; calhau.

    Carde: desenrede; destrince; penteie.

    Antropoides: Diz-se dos macacos que mais se assemelham ao homem.

    O ‘Projeto Homo sapiens Revisitado’ é uma tentativa — em vão — de alavancar o avanço do humano em relação a sua origem, evolução e futura bancarrota. O mundo é coisa antiga (que o digam os geólogos), e, por isso, diversos entraves favorecem o desfavorecimento de evidências sensatas.

    Todavia, intenso, doloroso e saudosista, o presente estudo conseguiu reunir informações úteis para possíveis hipóteses sobre a posição do homem no planeta e o real significado de seus atos. Não se trata, pois, de pessimismo; e sim de uma constatação da realidade. Ante a tortura das tendências e dos impulsos, os realizadores do ‘Projeto Homo sapiens Revisitado’ admitem que as semelhanças em relação aos fatos em estudo e as torpezas em se tratando das conclusões extraídas não são, em hipótese alguma, mera coincidência.

    O ser humano tem muitas definições, sejam elas biológicas, sociais, políticas, filosóficas et caetera. À luz da biologia, o homem é classificado como Homo sapiens (sic), ou seja, “homem racional” (sic), “homem sábio” (sic). É um primata bípede a fazer parte da superfamília Hominoidea, juntamente com outros símios não menos importantes, a saber, chimpanzés, gibões, gorilas e orangotangos (além de outras espécies atualmente extintas — ou ainda não catalogadas em virtude do receio humano pela concorrência).
    Disponível em: http://ateus.net/artigos/miscelanea/homo-sapiens-revisitado/

    Os fósseis são registros arqueológicos deixados no solo ou no subsolo, são restos de animais e plantas que se conservaram de maneira natural ao longo de milhões ou até bilhões de anos.
    http://www.brasilescola.com/geografia/os-fosseis.htm

    Ramapithecus: Macaco ido cuja única evidência que temos da sua existência são dentes e fragmentos de mandíbula encontrados na Índia em 1932, é creditado com uma idade de 14 milhões de anos. Na primeira, foi considerado um antepassado do homem, mas agora foi descartada essa teoria.
    http://es.wikipedia.org/wiki/Ramapithecus
    http://www.diclib.com/ramapithecus/show/es/es_wiki_10/19647#ixzz3cfUpIByC

    Homínidas: Família (Hominidae) de mamíferos da ordem dos Primatas, a que pertence o gênero humano.

    Os lêmures são mamíferos conhecidos por seus grandes olhos e por ter o corpo parecido com o dos macacos. Pertencem ao grupo de animais chamados primatas, com os lóris, os társios e os macacos. Existem cerca de dezoito espécies, ou tipos, de animais da família dos lêmures.
    http://escola.britannica.com.br/article/481722/lemure

    HOMINÍDEO Mais conhecidos como a classe de orangotangos, chimpanzés e gorilas que mais se assemelha ao comportamento dos humanos, estima-se que os hominídeos surgiram cerca de 4 milhões de anos atrás, que já trazia consigo como principal característica a bipedia (a maneira como nós humanos andamos, apoiados em duas pernas).
    http://www.o-que-e.com/o-que-e-hominideos/

    O Ramapithecus também é considerado por muitos como sendo um ancestral do homem, conclusão tirada somente a partir de alguns dentes e fragmentos de maxilar, únicos fósseis disponíveis, isto pode parecer inicialmente suficiente, ao leigo que acredita que a teoria da evolução é tratada com seriedade, se forem aplicados critérios e técnicas científicas para se chegar a tais conclusões, mas o que poucos sabem é que nem sempre estes critérios ou técnicas existem ou podem ser aplicados, e quando alguns poucos critérios ou técnicas são aplicados, muitas vezes geram uma margem de erro tão grande que não permitem ser classificados como científicos, esta afirmação pode ser comprovada por um dos mais embaraçosos casos da história da teoria da evolução, o Homem Nebraska.
    http://www.cyberbr.net/mitosfatos/evol/ramapithecus.htm

    Espécime é qualquer exemplar ou amostra de material ou ser vivo. Em geologia, uma pedra pode ser um espécime, uma amostra de rocha metamórfica. No sentido biológico, um espécime se refere ao um único animal, planta ou micro-organismo usado como representativo da espécie que pertence para o estudo das propriedades de uma população.

    Homo habilis: A designação de "hábil" provém do facto de terem sido encontradas ferramentas primitivas em conjunto com os vestígios fósseis comprovativos da sua existência. O habilis terá vivido entre 2,4 e 1,5 milhões de anos. Assemelha-se em muitos aspetos aos .
    http://www.infopedia.pt/$homo-habilis

    Especiação: Processo de formação de novas espécies biológicas. Mecanismo evolutivo que leva à formação de espécies.

    Homo Erectus: Homem ereto.

    Homo Erectus

    Zigurate: Torre gigantesca, de várias plataformas superpostas, dos templos caldeus e babilônicos, semelhante à de Babel, a que se refere a Bíblia, e cuja invenção é atribuída aos sumerianos.
    http://www.lmc.ep.usp.br/people/hlinde/Estruturas/ur.htm

    SUMÉRIOS: Segundo os relatos históricos e as descobertas arqueológicas as civilizações da Mesopotâmia já encontrava-se no vale mesopotâmico por volta de 5.000 a.C., advindos de uma região montanhosa ao norte do Mar Cáspio. Dentre esse povos destacam-se os sumérios, que foram a primeira civilização a estabelecer-se na Baixa Mesopotâmia, mais especificamente na cidade de Susa, a leste do vale. Nessa região os sumérios construíram uma cultura admirável e suas descobertas serviram como base para diversos povos da Antiguidade.

    A estrutura social dos Sumérios organizava-se em torno de grandes cidades, como as cidades de Ur, Kish, Nippur e Uruk. Essas grandes cidades eram distribuídas arquitetonicamente ao redor das burocracias sacerdotais e dos templos. As terras em torno das cidades eram tratadas por sistemas de irrigação que funcionavam a partir de rios próximos. Era uma civilização muito evoluída considerando-se as tecnologias disponíveis na época. Possuíam embarcações, veículos com rodas e fornos caseiros. Além disso, o cobre e o bronze eram trabalhados por volta de 4000 a. C. por meio de processos de fundição desenvolvidos pelos sumérios. Minérios, metais e pedras preciosas foram obtidos por meio de embarcações e de empreitadas por caravanas.
    Saiba mais disponível em : http://www.infoescola.com/historia/sumerios/

    Escrita cuneiforme: é a designação geral dada a certos tipos de escritas feitas com auxílio de glifos em formato de cunha. É juntamente com os hieróglifos egípcios o mais antigo tipo de escrita, tendo sido criado pelos Sumérios na antiga Mesopotâmia por volta de 3.500 a. n.E.

    Escrita Cuneiforme

               Fonte: http://geo5.net/sistemas-de-escrita/

    Corveia: Trabalho gratuito que os servos prestavam ao senhor feudal durante certo número de dias.

    Felás: eram camponeses do antigo Egito que trabalhavam presos à terra e em obras públicas.

    Civilização Egípcia:

    Uma das civilizações mais importantes da história Antiga. Desenvolveu-se na região do Crescente Fértil, mais exatamente no nordeste a África, uma região caracterizada pela existência de desertos e pela vasta planície do rio Nilo. A parte fértil do Egito é praticamente um oásis muito alongado, proveniente das aluviões depositadas pelo rio. Nas montanhas centrais africanas, onde o Nilo nasce, caem abundantes chuvas nos meses de junho a setembro provocando inundações frequentes nas áreas mais baixas ( O “Baixo Nilo”). Com a baixa do Nilo o solo libera o humo, fertilizante natural que possibilita o incremento da agricultura. Para controlar as enchentes e aproveitar as áreas fertilizadas, os egípcios tiveram de realizar grandes obras de drenagem e de irrigação, com a construção de açudes e de canais, o que permitiu a obtenção de várias colheitas anuais.
    Leia mais em : http://www.culturabrasil.org/egito.htm

    Faraó era o título atribuído aos reis (com estatuto de deuses) no Antigo Egito. O termo de origem egípcia que significava propriamente "casa elevada", indicando inicialmente o palácio real. Este termo, na realidade, não era muito utilizado pelos próprios egípcios. No entanto, devido à inclusão deste título na Bíblia, mais específicamente no livro do "Êxodo", os historiadores modernos adotaram o vocábulo e generalizaram-no.

    Os assírios, assim como grande parte dos povos do antigo Oriente Médio, era um povo de guerreiros rudes e camponeses, possuíam a justiça baseada no código estabelecido no século XVIII a.C., pelo rei Hamurabi da Babilônia.

    A Macedônia e um reino situado ao norte da Grécia. A população da Macedônia era formada por agricultores a pastores que eram governados pelos grandes proprietários de terra e de escravos.

    Nomo era uma divisão administrativa do Antigo Egito. A palavra nomo deriva do grego nomos(plural: nomoi). Para se referirem a estas regiões administrativas os egípcios usaram primeiro a palavra sepat e mais tarde, durante o período de Amarna.

    Soldos: Remuneração dada em atribuição aos trabalhos realizados por alguém - salário, pagamento.

    Efêmera é o mesmo que efêmero, um termo grego que significa “apenas por um dia”. Refere-se a algo passageiro, transitório, de curta duração.

    Agorá: é um termo grego que significa a reunião de qualquer natureza, geralmente empregada por Homero como uma reunião geral de pessoas. A ágora parece ter sido uma parte essencial da constituição dos primeiros estados gregos.

    O génos (plural gene) era um tipo de organização social da Grécia Antiga, durante o período da idade antiga. Era uma espécie de classe social.

    O Genos era um tipo de organização social da Grécia Antiga, durante o Período Homérico. Eram uma espécie de clãs ou grandes famílias. Cada geno era chefiado pelo homem mais velho e o poder era passado do pai para o filho primogênito. Tal organização surgiu na região da Grécia Antiga, logo após o evento denominado 1ª Diáspora Grega.

    O oikos ou casa, como unidade social, embora pouco maleável e interativa, acabaria por se tornar uma pedra basilar na estrutura social helénica.

    Asty: é o termo usado pelos antigos gregos para designar a parte da cidade ( polis ), onde os cultos cívicos e os órgãos políticos são agrupados. Em outras palavras, é a principal cidade do território da cidade.

    Khôra: era o território da polis fora da cidade propriamente dita. O termo foi utilizado em filosofia por Platão para designar um receptáculo, um espaço ou um intervalo no seu diálogo Timeu.

    Época arcaica: fase que segue a época geométrica da arte grega e que cobre os séculos VIIo e VIo a.C. É durante esse período que nascem as ordem dórica e jônica, que se estabelecem definitivamente em torno de 600 a.C.

    Stásis: o estado de equilíbrio ou inatividade causada por forças opostas iguais.

    Oikistés: É a palavra grega que significa a fundação de uma nova colônia.

    Quio ou Quios é uma ilha do mar Egeu, pertencente à Grécia, com uma área de cerca de 900 Km2. Sua capital é a cidade homônima de Quio,que é um porto comercial.

    Anfictiónias: Confederação das antigas cidades gregas para fins políticos ou religiosos de interesse geral: a chegada ao poder da dinastia macedônia, os amphictionies perdeu um pouco de seu poder político.

    Os etruscos foram os antecessores dos romanos na Península Itálica, formando o povo que ocupou boa parte do centro e do norte da Itália no primeiro milênio antes de Cristo. Foram pioneiros na construção de cidades na região e influenciaram a arquitetura e a engenharia romanas.

    Os etruscos foram responsáveis pela introdução da cultura grega em Roma. Por meio de escavações arqueológicas em cidades como Florença, Bolonha e Pisa, entre outras, têm-se encontrado vestígios de templos, muralhas e obras de artesanato que evidenciam um considerável planejamento urbano.
    http://www.klickeducacao.com.br/bcoresp/bcorespmostra/0,5991,POR-9239-h,00.html

    O curiata comitia foi uma das primeiras assembleias populares de Roma. Há algum debate a respeito de quando começou, mas provavelmente o curiata comitia começaram a se reunir imediatamente antes da criação da República (antes de 509 a C), quando Roma ainda era governada por reis.

    Potestas é uma palavra latina que significa poder, competência ou faculdade. Ela é um importante conceito no direito romano.

    Censores: Magistrado romano cuja função consistia em fazer o recenseamento dos cidadãos, investir os proprietários e zelar pelos costumes.
    Pessoa encarregada pelo governo de examinar as publicações, as peças teatrais, as exibições etc.
    Crítico: censor impiedoso.

    Ager publicus designa o conjunto de bens imóveis pertencentes ao Estado romano, constantemente aumentados devido aos confiscos de terras aos vencidos, sobretudo depois da Segunda Guerra Púnica.

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