História das Américas I
História das Américas I

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Palavra do Professor-Autor

Em História das Américas I, o estudante poderá conhecer os modos de vida dos primeiros habitantes do continente americano desde a época que antecede a colonização, até adentrar o período da chegada dos europeus e o início da colonização.

Neste módulo, alguns povos são destacados pela sua evolução cultural, chamados de povos de alta. Os maias, astecas e incas foram responsáveis pela elaboração arquitetônica de templos, tendo se destacado também nas esferas política, econômica e religiosa. Com a chegada dos espanhóis sofreram influências da cultura europeia, bem como a perda do domínio de seus territórios.

A miscigenação é um fator a ser considerado importante, pois evidencia o surgimento de uma nação que se constitui a partir do cruzamento entre brancos, “índios” e negros. Isso proporcionou a diversificação de riquezas culturais refletidas na contemporaneidade.

Acredito que a leitura realizada a partir desse módulo e as sugestões de livros, filmes e documentários, possam contribuir para o amadurecimento enquanto estudante de história, despertando a criticidade sobre os assuntos tratados e o olhar para o reconhecimento de sujeito construtor de sua história.

A autora

Luciane Azevedo Chaves, mestre em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Especialista em História do Brasil pelo Instituto Superior de Teologia Aplicada (2011). Possui graduação em História Licenciatura Plena pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA (2007). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Social, atuando principalmente nos seguintes temas: educação; memória e história oral; cultura; trabalho e ensino de história.

Ambientação

Olá, seja bem-vindo!

A disciplina História das Américas I nos permite conhecer os povos que habitaram o continente americano em períodos anteriores à colonização das Américas, em especial espanhola e portuguesa, bem como os períodos que se estendem ao processo de colonização. Através dos vestígios deixados, podemos compreender a história de nossos antepassados, como viviam, de que se alimentavam e quais contribuições deixaram para os povos posteriores a sua existência.

Estudar América I significa compreender os fatos acontecidos no passado com os primeiros habitantes das Américas. Portanto, compreendendo a relação da história com o passado e com o presente, podemos refletir como essas civilizações construíram a sua própria história.

Percebendo a desconstrução e reconstrução de culturas que caracterizam a identidade de um povo, isso ocorre no período em que os europeus ainda não haviam chegado ao continente americano, na construção dos impérios das civilizações da Mesoamérica, desde o processo de apogeu a decadência, bem como a mistura de culturas que permitiram agregar conhecimentos, mas que também afetou a identidade de vários povos.



O estudante desta disciplina terá a possibilidade de conhecer um pouco da história de seus antepassados, percebendo que a miscigenação faz parte de sua história e embora tenha acontecido de forma imposta e por diversas vezes desumana, a mistura de etnias proporcionou essa diversidade cultural que forma a identidade dos povos da América.

Bons estudos!

Trocando ideias com os autores

Agora é o momento de você trocar ideias com os autores.

Capítulos de História Colonial 1500-1800.

Raiz do Brasil

Após a leitura das obras,escolha uma e faça uma resenha e comente com seus colegas na sala virtual

Propomos a leitura da obra Capítulos de História Colonial 1500-1800. Capistrano de Abreu publicou, em 1907, a mais objetiva, a mais fluente obra básica sobre a história dos trezentos anos de domínio português no Brasil. Creio que os Capítulos, o Descobrimento do Brasil e seu Desenvolvimento no século XVI (1883), e os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil representam as três principais obras do grande mestre. – José Honório Rodrigues, na Introdução à 5a. edição de Capítulos de História Colonial (1500-1800).

ABREU, Capistrano de. Capítulos da história colonial, 1500 – 1800. 7 ed., São Paulo, editora da Universidade de São Paulo, 1988.

Nunca será demasiado reafirmar que Raiz do Brasil inscreve-se como uma das verdadeiras obras fundadoras da moderna historiografia e ciências sociais brasileiras. Tanto no método de análise quanto no estilo da escrita, tanto na sensibilidade para a escolha dos temas quanto na erudição exposta de forma concisa, revela-se o historiador da cultura e ensaísta crítico com talentos evidentes de grande escritor. A incapacidade secular de separarmos vida pública e vida privada, entre outros temas desta obra, ajuda a entender muito de seu atual interesse. E as novas gerações de historiadores continuam encontrando, nela, uma fonte inspiradora de inesgotável vitalidade. Todas essas qualidades reunidas fizeram deste livro, com razão, no dizer de Antônio Candido, 'um clássico de nascença'.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26 ed., São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

Problematizando

Dentre as discussões abordadas na disciplina História das Américas I, é importante evidenciar os conflitos entre os povos que ocorriam tanto por questões relacionadas à imposição de poder como por razões de ordem religiosa. Em nossa contemporaneidade, nações tem se digladiado em nome do poder e da divergência política, econômica e religiosa. Diante disso, será que os conflitos atuais entre as nações há similaridades com os povos da América colonial?

Baseado no questionamento reflita e responda realizando uma postagem na sala virtual de aprendizagem através do fórum de discussão.

Mesoamérica

1

Conhecimentos

  • Compreender quem eram os povos mesoamericanos, como viviam e se organizavam política, econômico e socialmente, bem como conhecer o contexto histórico que envolve os povos existentes antes do processo de colonização europeia em 1519.
  • Habilidades

  • Analisar as antigas civilizações da América, o processo de formação dos primeiros grupos humanos organizados socialmente desde o nomadismo ao sedentarismo e a dominação de uns sobre os outros.
  • Atitudes

  • Incitar o estudante a desenvolver a criticidade sobre as relações de poder existentes desde as primeiras civilizações que acarretaram o processo de dominação e mistura de culturas entre os povos antigos da América.
  • Unidade 1

    Introdução

    Ao nos debruçarmos nesse estudo é importante refletirmos o que de fato vem a ser Mesoamérica. Para isso, é preciso conhecer o contexto histórico que envolveu os povos existentes antes do processo de colonização europeia em 1519.

    Desse modo, implica pensar quem eram esses povos? Como viviam? Como se organizavam na esfera social, econômica e religiosa? Havia uma sobreposição de poder entre os grupos existentes?

    O termo Mesoamérica é designado para fazer referência às antigas civilizações da América que teriam evoluído culturalmente e se disseminado de formas diferenciadas durante épocas distintas. Alguns estudiosos como o alemão Eduard Seler consideraram que nessa região existiram povos nativos de “elevada cultura”, isso considerando o período em que viveram. (BETHELL, 2004, p. 28).

    A MESOAMÉRICA ANTES DE 1519

    Situada entre as vastas massas de terra continental da América do Norte e da América do Sul, a Mesoamérica (uma área de 906 mil quilômetros quadrados) apresenta um aspecto nitidamente ístmico com várias características geográficas notáveis, como os golfos de Tehuantepec e de Fonseca ao lado do Pacífico e da Península de Yucatán e o Golfo de Honduras do lado do mar dos Caraíbas. Essa região, onde se desenvolveram as altas culturas, revela talvez maior diversidade ecológica e geográfica do que qualquer outra de tamanho análogo do mundo.

    [...] Em alguma época, a alta cultura da Mesoamérica disseminou-se de forma atenuada para algumas das sub-regiões do planalto norte (como em La Quemada e em Calchihuites em Zacatecas).No entanto, de modo geral o norte árido sempre foi o lar permanente dos belicosos chichimecas que várias vezes ameaçaram a existência dos povoados mesoamericanos do norte.

    Fonte: BETHELL, Leslie. História da América latina: América Latina Colonial. v. 1, 2 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília, DF: Fundação Alexandre de Gusmão, 2004, p. 26-27.

    Chichimecas:

    Grupos com várias etnias, famílias linguísticas. Nome atribuído aos povos seminômades, que habitavam o norte do atual território mexicano. Seu sentido remete a ¨ bárbaro¨, costumeiramente usado na Europa. Para definir esses povos. O nome foi adotado pelos conquistadores espanhóis com um tom pejorativo. Atualmente apenas um grupo étnico é denominado de chichimecas. Muitos desses povos estão extintos e outros, apesar de originariamente serem chi-chimecas, mantém atualmente uma identidade separada, como os coras, os yaquis e os otomis. (VIDE).

    Fonte: Disponível em:http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/chichimecas/4354/>. Acesso em: 10 maio 2016.

    Povos Mesoamericanos

    Leslie Bethell (2004) sinaliza que os primeiros povos teriam chegado às Américas por volta de 3.500 a.C, através do Estreito de Bering, mas ressalta a existência de indícios de sua chegada ainda em 2000 a.C, onde se localiza o México. Alguns estudos arqueológicos enfatizam que a datação de sua chegada seria 9000 a.C. Nesses possíveis períodos teriam existido os primeiros grupos humanos americanos, formados por coletores e caçadores. A prática agrícola dos povos mesoamericanos ocorreria por volta de 5000 a.C. Conforme vestígios encontrados nas cavernas de Tamaulipas e em Cozcatlán, é possível evidenciar algumas das práticas agrícolas, tendo iniciado primeiramente o cultivo da abóbora, seguido da pimenta malagueta, feijão e milho.

    Essas civilizações antigas, porém avançadas traziam um conhecimento arquitetônico, onde, posteriormente teriam surpreendido espanhóis como Hernán Cortez. Dentre essas civilizações, identificamos os povos Omecas que se destacaram pela grandiosidade de construções erguidas em estruturas gigantescas de pedras. Saunders (2005) coloca que tal civilização teria surgido por volta do ano de 1250 a.C e havia criado um estilo de arte, organizado uma religião e construído a primeira arquitetura de caráter cerimonial na região.

    Unidade 1

    Mapa de sítios Omecas
    Fonte:: Disponível em:http://povosdaantiguidade.blogspot.com.br/2010/07/olmecas.html.Acesso em: 10 maio 2016.

    Templos religiosos, surgidos inicialmente em San Lorenzo teria sido a referência da arquitetura Olmeca. Conforme Leslie Bethell em La Venta também podemos constatar uma estrutura arquitetônica minuciosamente planejada com “[...] pirâmides rebocadas de barro, túmulos circulares e alongados, altares entalhados na pedra, grandes compartimentos de pedra, fileiras de colunas de basalto, tumbas, sarcófagos, estelas, colossais cabeças de basalto e outras esculturas menores. [...]”. (BETHELL, 2004, p.28).

    Os Olmecas acreditavam na vida após a morte, então construíram diversos templos religiosos. A adoração de deuses animais era comum entre esses povos. O deus jaguar, por exemplo, representava o deus da chuva. Essa civilização havia construído uma estrutura urbana em locais como: Tlatilco e Zacatenco, onde se localiza a cidade do México.

    Essa civilização mesoamericana teria se destacado não apenas na construção de templos, mas atribuía-lhes também o desenvolvimento da agricultura, os sistemas de irrigação, a elaboração de calendário e escrita. De acordo com Saunders alguns vestígios arqueológicos revelaram uma civilização mergulhada na produção artesanal de metal, a cerâmica e confecção de joias. (SAUNDERS, 2005, p.133).

    Desse modo, a civilização olmeca, cuja existência remete a um tempo anterior aos maias e asteca, difundiu-se no Golfo do México bem próximo da fronteira com os Estados Unidos. O que podemos constatar é que esses povos teriam se destacado através do desenvolvimento da agricultura, da arquitetura e do comércio com uma estrutura econômica sólida.

    Além dos olmecas, outras civilizações mesoamericanas constituíram legados, como os maias de Yucatán, os chontals de Tabasco, os totonacas de Veracruz, os toltecas do Planalto Central Mexicano, mas dentre esses povos os escravos (astecas) obtiveram maior destaque atribuído ao seu domínio sobre os demais povos mesoamericanos. Estabeleceram seus domínios precisamente em Tenochtitán por volta de 1325. Os chichimecas chegariam ao território mexicano demonstrando certa resistência as práticas agrícolas, ao meio de vida urbana e a religiosidade dos povos nativos, bem como tudo que englobava a cultura dos toltecas.

    Chichimecas

    Era o nome genérico dado pelos astecas à vários povos seminomades, que habitavam o norte do atual território mexicano

    É importante ressaltar que os chichimecas também denominados de mexicas ou astecas, tinham convicção de estarem retornando a terras já habitadas por seu grupo e seu retorno não seria provisório. Numa passagem de um documento antigo escrito pelos mexicas e destacado por Bethell, é constante a repetição de um trecho que diz “Estamos retornando do norte, estamos voltando para o lugar onde vivíamos”. (BETHELL, 2004, p. 36).

    Alguns pesquisadores como James Lockhart e Schwartz (2010) abordam no livro A América Latina na época colonial quatro categorias que identificavam os povos mesoamericanos ou pré-colombianos como povos sedentários, subdivididos em: sedentários imperiais, sedentários não imperiais, povos semissedentários e povos não sedentários.

    Unidade 1

    Os povos semissedentários praticavam a agricultura e viviam em aldeias durante alguns anos num determinado local. Quando realizavam seu deslocamento levavam consigo seus modos de vida que não se perdiam com a realização do deslocamento. A prática da caça e a da pesca fazia parte da cultura desses povos. Tais grupos humanos viviam em regiões constituídas hoje pelo Chile, Colômbia e Norte do México. (LOCKHART; SCHWARTZ, 2010)

    CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS CULTURAS INDÍGENAS

    Nenhum povo era totalmente sedentário ou totalmente nômade. Vários dos grupos maias, cujas cidades, governos provinciais e sistemas de tributação parecem situá-los completamente na categoria de povos centrais, praticavam ao mesmo tempo a agricultura rotativa em vez da permanente e, de outras maneiras, também apresentavam características de grupos semissedentários. [...] Em geral, pode-se dizer que os europeus concentraram suas atividades de forma desproporcional em áreas com população indígena totalmente sedentária, e que outros povos só os atraíam na medida em que se assemelhassem àquela. Os povos semissedentários despertavam, assim, interesse apenas secundário, e a tentativa de tratar com grupos mais móveis foi um último recurso.

    Portanto, as terras dos povos sedentários deveriam ser a primeira e principal arena do crescimento da sociedade latino americana no século XVI.

    Fonte: LOCKHART, James; SCHWARTZ, Stuart B. A América Latina na época colonial. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, p. 58-59.

    Nos povos semissedentários a agricultura era praticada principalmente por mulheres, enquanto os homens dedicavam-se as funções de caçadores e guerreiros. Desse modo, percebemos que tais povos tinham uma divisão de trabalho. É importante ressaltar a sua habilidade com arco e flecha, essa potencialidade lhes era favorável principalmente quando precisavam entrar em combate com invasores. Tal habilidade foi reconhecida pelos europeus que se apropriaram dessas características dos grupos semissedentários, aliando-se a eles no intuito de combaterem outros grupos insatisfeitos com sua presença. Os povos tupis são exemplo de semissedentários que se relacionaram tanto com espanhóis como com portugueses. (LOCKHART, 2010, p. 75 -76).

    Tupi:

    Família linguística indígena. Os principais grupos no Brasil são: tupi-guarani (54), monde(5), tupari(5) e 8 subgrupos, todos do tupi-guarani. O tupi tem um total de 76 línguas, das quais várias já extintas, como a urumi, a jorá, arikem, a turiwára. Línguas faladas em território brasileiro: surui, a tembé, a kaybí, a parakanã. Em outros países: omagua( Peru) , a ñandeva ( Paraguai) e a guarayu ( Bolivia).

    Fonte: Disponível em: Acesso em: 10 de maio 2016.

    Entre os povos sedentários e imperiais destacavam-se os astecas e incas onde habitavam a região central do México e dos Andes. A base de sua economia estava concentrada na agricultura, cultivando milho, batata e cereais. Eram constituídos por grupos familiares e de aldeamento. Nesses povos a prática agrícola tinha intensa presença masculina, isso evidencia que havia uma organização familiar consolidada na economia agrícola.

    Unidade 1

    A respeito dos povos sedentários e não imperiais, como exemplo, temos os povos chibchas e arauaques. Os primeiros se concentraram na região hoje constituída pela Colômbia, mais precisamente nos vales da cadeia oriental dos Andes. Hierarquicamente estão divididos entre: governantes dinásticos, nobres, plebeus e escravos. Apesar de não serem povos que tivessem construído grandes impérios como os incas e astecas, possuíam um governante, porém, as alianças mudavam frequentemente. Os segundos habitavam no arquipélago de grandes ilhas, ao Norte do Caribe. Possuíam uma estrutura social menos organizada que os primeiros, mas com relação à agricultura, apresentaram maior domínio.

    Os povos não sedentários geralmente possuíam poucos e na maioria das vezes nenhum excedente de produção. Apenas deixavam o nomadismo quando eram capturados como prisioneiros ou quando se misturavam a outros povos. Os caçadores e coletores viviam em sua maioria no sul da América do Sul principalmente nas planícies da Argentina, Uruguai, também habitavam na costa sul do território chileno e no deserto do Chacono, Paraguai e na Bolívia.

    Podemos então constatar que todos os povos americanos realizaram ao longo de sua existência algum tipo de expressão artística e intelectual. Com exceção dos nômades, os povos mesoamericanos possuíam estruturas sociais que lhe permitiram viver em grupos divididos hierarquicamente. Fossem vivendo em aldeias ou em estruturas arquitetônicas organizadas em formas de cidades, algo em comum entre os povos mesoamericanos eram as práticas agrícolas, sendo constituídas como principal base de sua economia.

    Diferenças e semelhanças entre Andinos e Mesoamericanos

    Os mesoamericanos e andinos eram conhecedores de uma cultura agrícola. Contemplavam alimentos básicos de sua sobrevivência: o milho, o chili (pimenta picante, típica da culinária mexicana) e o algodão, porém, ao povo andino faltava-lhes o cacau, produto cultivado apenas na Mesoamérica e que se tornou como um item de suma importância para o comércio daquela região. Mas, os andinos também tinham itens típicos de sua região como a batata e a coca narcótica, entre outras culturas propícias em terras de altitudes como as andinas. Nas regiões andinas podiam ser criados animais como lhama e a alpaca, importantes para o fornecimento de carne, bem como serviam de suporte para o transporte de cargas. Conforme enfatiza Lockhart e Schwartz (2010) “[...] os camelóides domésticos naturais do

    Os andinos possuíram em seus territórios grande quantidade de prata, e isso lhes proporcionou maior destaque que os mesoamericanos. Os andinos se destacaram na produção de objetos e isso, inicialmente despertou nos europeus um interesse maior pelas terras onde se localiza o Peru. Bethell (2004) destaca que embora os mesoamericanos fossem conhecedores do ouro, da prata, do cobre e do chumbo foram com os minerais que realizaram maior produção de utensílios como: martelos, facas, raspadeiras entre outros instrumentos. Por outro lado, os mesoamericanos obtiveram maior relevância na escrita, mas como enfatiza Lockhart e Schartz (2010) os dois povos possuíam a chamada “arte esotérica” que não duraria muito tempo logo após a chegada dos europeus.

    Unidade 1

    [...] Nem fica claro que a escrita mesoamericana, na forma praticada quando os espanhóis chegaram, tivesse intenção ou capacidade de captar a prosa corrente. No entanto, a Mesoamérica tinha papel, tinta, escribas profissionais e veneração pela escrita. Sem dúvida não foi por acaso que muitos povos mesoamericanos adotaram o alfabeto europeu para vários tipos de comunicação e registros em seus próprios idiomas a partir do século XVI, enquanto os andinos em geral não o fizeram ou, pelo menos, as buscas até agora só revelaram poucas evidências de que o tenham feito. (LOCKHART; SCHWARTZ, 2010 p.71)

    Com a chegada dos europeus a escrita dominante passou ser a espanhola tornando as expressões de linguagem dos povos andinos e mesoamericanos cada vez mais distantes de sua realidade, tanto é que os mesoamericanos aderiram à linguagem europeia. Enquanto aos andinos, não sabe se aderiram a essa escrita, pois poucos vestígios se têm a respeito. No México existiam subclasses de plebeus chamados de macebaualli considerados como escravos que teriam chegado a estas condições por serem cativos de guerras, ou por viverem em situações de dificuldades econômicas, bem como por serem órfãos. Há constatação da existência de escravos que chegavam ainda crianças nos grupos de plebeus e passavam a viver em locais chamados de calpulli. (LOCKHART, SCHWARTZ, 2010)

    Os povos “imperiais”

    Não há dúvida de que existia uma classe especial de escravos que podiam ser comprados ou vendidos. A origem deste grupo é, no entanto, muito parecida com a de outros dependentes: cativos de guerras, pessoas com grande dificuldade econômica, órfãos. [...] Nos Andes (onde pelo que sabemos não havia verdadeiros escravos, os dependentes tinham um nome especial, yana, e um conjunto bem definido de direitos e obrigações para com seus senhores.

    Como no México não tinham terras no ayllu. Em geral, a força nem participavam do trabalho obrigatório da comunidade. Variava de grandes administradores ricos e influentes ao mais desprezível trabalhador braçal. Embora se saiba menos de sua origem do que da de seus análogos mexicanos, pelo menos em alguns casos os yanas distinguiam-se, na etnia ou no idioma, do corpo principal de membros do ayllu.

    Ayllu:

    Agrupamento de famílias originárias da região andina. Essas famílias eram unidas por vínculos: sanguíneos, ancestrais, religiosos e de trabalho. Os incas se vincularam a esses grupos no intuito de constituir uma organização política e econômica mais consistente.

    Fonte: LOCKHART, James; SCHWARTZ, Stuart B. A América Latina na época colonial. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, p.64.

    A forma de escravidão da Mesoamérica era bem diferente da europeia, pois escravos mesoamericanos, tomando como referência os mexicas, vendidos não passavam a ser propriedades daqueles que os compravam, sendo resgatados por parentes ou por outro escravo. Outro fator relevante é que os filhos de escravos não tinham a condição dos pais, mas por outro lado o escravo poderia ser sacrificado aos deuses, assim desejasse o senhor que o tinha em tal condição. (BETHELL, 2004, p. 51)

    Os sacrifícios realizados aos deuses não eram apenas com humanos. Os povos andinos realizavam sacrifícios de animais como as lhamas que faziam parte da economia andina. Tais animais eram simbolicamente sepultados com os mortos, juntamente com outros artefatos que deveriam levá-los ao outro mundo. Desse modo, os sacrifícios e rituais considerados sagrados, eram práticas constantes entre os povos tanto da Mesoamérica como das regiões Andinas.

    Tanto os mesoamericanos como os andinos, ao serem conquistados pelos europeus, realizavam acordos para que pudesse manter a identidade dos grupos, sobretudo a dinastia dos governantes. O casamento também era uma alternativa para estabelecer a união entre os povos conquistados da nobreza, bem como os conquistadores. Outras formas de acordo realizadas geralmente entre grupos mais frágeis eram acordos de lealdade e obediência, isso porque acreditavam ser a melhor saída para a suavização dos tributos.

    Unidade 1

    Vale ressaltar que esses acordos inicialmente realizados não se sustentaram por muito tempo e os embates entre conquistadores e conquistados logo apareceriam, pois além dos tributos pagos os povos das Américas se depararam com a imposição religiosa e uma administração de governantes que seguiam as leis ditadas pelos costumes europeus.

    Desse modo, adentrar no universo desses povos implica em desvendar culturas repletas de enigmas e misticismo. Sua organização política e socioeconômica bem como as realizações artísticas e intelectuais evidencia a existência de povos de conhecimentos evoluídos para a época em que viveram. Isso leva a pensar como haviam adquirido tais habilidades como, por exemplo, agricultura, artesanato, arquitetura e comércio.

    Cada povo com suas peculiaridades deixaram uma cultura que proporciona a estudiosos um universo de questões. Suas contribuições para a sociedade são constatadas não apenas na culinária, nas vestimentas e nos imensos templos de pedra, mas nos modos de vida de um povo, embora miscigenado (mistura de raças, de povos de diferentes etnias, ou seja, relações inter-raciais), que lutou para que suas raízes não fossem perdidas.

    Assista ao Documentário

    História da Mesoamérica: Disponível em http://www.dailymotion.com/video/x1s39k6_historia-da-mesoamerica-discovery-channel_shortfilms

    Mistérios da civilização Olmeca: Disponível em:https://www.youtube.com/embed/50OGdPUTGO8

    Maias

    2

    Conhecimentos

  • Compreender como se constituiu a formação, o Império Maia e como se organizavam nas esferas política, econômica e social, bem como entender o processo de formação dessa civilização durante os Períodos Pré-Clássico, Clássico e Pós - Clássico.
  • Habilidades

  • Reconhecer a Alta cultura Maia a partir de seus costumes, suas contribuições no campo da Medicina, da Matemática, Astrologia e na Arquitetura urbana.
  • Atitudes

  • Estimular o pensamento crítico do estudante a avaliar de que forma a existência desses povos influenciaram as gerações do presente.
  • Unidade 2

    Alta cultura Maia

    O que se sabe a respeito dos maias é que teriam se estendido pela península de Yucatán, em planícies e em locais montanhosos das regiões mexicanas de Tabasco e Chiapas. E também estendido domínio pela Guatemala, Belize e partes de El Salvador e de Honduras (BETHELL, 2004, p.31). O período que se estendeu a dominação maia costuma ser estudado em três fases: pré- clássica (1.800 a.C. – 200 d.C.), clássica (entre os séculos II e X) e pós-clássica (séculos X a XVI). As pesquisas arqueológicas informam que esses povos teriam sido nômades e praticado a pesca e a coleta de alimentos, posteriormente se tornariam sedentários, vindo a praticar a agricultura que se tornou a principal atividade econômica.

    Fonte: Disponível em:< http://historiadomundo.uol.com.br/maia/mapa-do-imperio-maia.htm>. Acesso em 20maio 2016.

    As descobertas arqueológicas a respeito desta civilização apontam para a existência de mais de cinquenta centros maias. Alguns estão dispostos no mapa, entre eles: Tikal, Uaxactún, Piedras Negras, Ouiriguá em Guatemala; Copán em Honduras; Nakum em Belize; Yaxchilán, Palenque e Bonampak em Chiapas; Dzibilchaltún, Cobá, Labná, Kabah, Uxmal e Chichén-Itzá na Península de Yucatán.

    Bethell coloca que a sociedade maia estava constituída tanto pelo povo comum como pelos plebeus. Representando posição mais elevada estavam: os governantes, os sacerdotes e os guerreiros que exerciam alta patente. O governante político era chamado de Halach Uinic. Nos século III e XI, os maias viveram um período de apogeu econômico e cultural organizando-se em cidades-estados, como: Palenke, Copan, Tikal, entre outras. Quando os espanhóis chegaram a América, essa civilização milenar e de alta cultura se encontrava em decadência.

    Na agricultura produziam principalmente o milho, mas produtos como o tomate, o feijão, o algodão, a batata e o cacau também costumavam ser cultivados. Além da agricultura praticavam a caça e a pesca, isso resultava numa complementação da economia agrícola. De acordo com alguns estudiosos, durante o período clássico o grande contingente da população maia teria sido de camponeses, enquanto o urbanismo teria ficado a cargo dos sacerdotes.

    Essa civilização desenvolveu duas línguas: a maia, predominante na região dos povos de Yucatán e da Guatemala e a quiché, falada no restante do território e na América Central. Essa linguagem proporcionou a elaboração de uma escrita composta de fonemas e imagens. Conhecedores da astronomia costumavam fazer estudos sobre os planetas e os eclipses solares. Seu conhecimento matemático permitiu a elaboração de vários calendários, além de terem descoberto o zero como unidade de medida. Como podemos perceber esses povos possuíam um conhecimento peculiar sobre a astronomia e eram bem evoluídos para sua época

    Unidade 2

    Associado aos calendários estava o sistema matemático que os fazia funcionar. Este era conhecido como notação barra-e-ponto, e, provavelmente, surgiu pela primeira vez entre Zapotecas do Oaxaca. Diferente do sistema decimal atual, os maias usavam um sistema vigesimal, no qual havia um ponto= 1, uma barra = 5, e uma concha estimada = 0. A genialidade estava em fazer o valor do número depender de sua posição, não como alhures, tendo que inventar cada vez mais compridos, como 100, 1.000, 1.000.000. No sistema maia de notação por posição, um número infinito de valores poderia ser expresso meramente combinando pontos, barras e conchas em diferentes posições.

    SAUNDERS, Nicholas J. Américas antigas: as grandes civilizações. São Paulo: Masdras, 2005.p. 73.

    Dentre os calendários mais utilizados pelos maias estava o Tzolkin ou Tonalamátl, elaborado com base no ano solar, era consultado para as celebrações religiosas. O Haab, um calendário anual, era utilizado juntamente com o Tzolkin. A escrita maia com características fonéticas se constituía entre as mais bem elaboradas dos povos da Mesoamérica. Essa escrita era considerada complexa pelo fato de representar mais de um significado. O fato de terem desenvolvido uma escrita significava era para os maias uma benção divina. Vale ressaltar, que nem todos tinham acesso à leitura, cabendo a uma pequena parcela o privilégio de aprender a ler e escrever.

    É importante pensar, o que revelavam os textos escritos por esse povo de conhecimentos tão evoluídos para a época?

    De acordo com estudiosos, os escritos maias contavam histórias de eventos cotidianos, registravam a passagem do tempo e relatavam minuciosamente os cultos religiosos. Grande parte desses escritos foram destruídos pelos espanhóis que os consideravam ilegítimos, alegando que se tratavam de uma civilização pagã.

    Eram conhecedores da folha de tabaco que além de ser utilizada em rituais religiosos, possuía componentes capazes de eliminar cicatrizes e problemas respiratórios. Os registros históricos apontam que os maias teriam sido os primeiros mesoamericanos a cultivar tal folha. Conforme documentos do século X, nas estelas (Coluna ou placa de pedra reservada para fazer inscrições) da cidade de Uaxactún, na Guatemala há pinturas que retratam a prática do fumo. Esse costume se tornou frequente entre os conquistadores europeus. Isso evidencia o processo de aculturação correspondente à mistura de culturas com hábitos diferenciados.

    Alexandre Guida Navarro coloca em seu artigo A civilização maia: contextualização historiográfica e arqueológica, que o período clássico foi considerado pelos estudiosos tradicionais, como o inglês J. Eric S. Thompson e americano Sylvanus G. Morley, a época de esplendor da civilização maia. Denominado de teocrático, devido ao poder ser administrado pelos sacerdotes. Mas o que caracterizaria esse período? Os estudos historiográficos mais tradicionais apontavam para uma civilização que teria se firmado na concepção de passividade e homogeneização de sua cultura, porém estudos mais recentes realizados no sítio arqueológico de Tikal, revelaram resquícios de ruínas de parapeitos e trincheiras, evidenciando ocorrências de guerra, demonstrando também que os maias não teriam sido uma sociedade pacífica.

    Unidade 2

    Ao falar sobre o período Pré-Clássico, Navarro aponta para uma época mais modesta, principalmente na arquitetura, isso em comparação ao período Clássico que havia se destacado nesse quesito. Sobre o período Pós-Clássico, foi caracterizado por sua decadência cultural e artística. Cada um deles representa momentos distintos da civilização maia, do esplendor a decadência, expressaram através de sua cultura, nesse caso a arquitetura, seus modos de viver e pensar de cada época.

    O fim do período clássico Maia foi complexo e confuso, talvez uma combinação de superpopulação, desnutrição, seca, doenças e interferências estrangeiras. Qualquer que tenha sido a causa exata, a última Estela maia datada foi exatamente erguida em 15 de janeiro de 909 d.C., na cidade de Tominá; após isso nunca mais se ouviu falar dos reis maias clássicos. O que se seguiu foi uma era durante a qual as grandes cidades eram abandonadas, ou tinham mais que uma pequena população abrigada nelas. Houve um colapso populacional na região de Petén, pois os milhões que moravam lá um século antes tinham abandonado suas casas.

    Alguns se mudaram para as terras altas da Guatemala, enquanto outros, que se identificam hoje como maias putún (e que se chamavam de Itzá), mudaram-se do norte como para a região da costa de Campeche e Tabasco, para formar grupos políticos independentes e se estabelecer ao redor de lagos no coração de Petén, mais provavelmente na ilha de Tayasal.Uma consequência das mudanças para as terras altas da Guatemala foi que a civilização maia de Quiche se tornou um grupo proeminente, dominando seus contemporâneos de Tzutujil, Kekchi e Caakchiquel de sua capital em Gumaraaj (geralmente conhecida pelo seu nome asteca, Utatlán) (SAUNDERS, 2005, p. 85).

    Um fator digno de relevância mencionado por Saunders (2005) para essa discussão é que no fim do período clássico muitas cidades foram abandonadas. As evidências levantadas pelos pesquisadores remetem a ocorrência de secas intensas, provocando crises na agricultura. As disputas de poder também são evidenciadas. Sendo assim, o final do período clássico é caracterizado uma fase complexa para a civilização maia.

    Unidade 2

    Religião, Medicina e mistura de culturas

    Os maias acreditavam que a vida se dava de forma cíclica, sendo assim, cada fase era representada pelos elementos da natureza que findavam e recomeçavam em novas fases. Assim como nas demais culturas dos povos mesoamericanos, o sol era o relógio natural que caracterizava o início e fim de cada ciclo de vida humana. Desse modo, para os maias os seres vivos tinham três fases de vida marcadas pelo tempo de nascer, progredir e morrer.

    O livro sagrado dos maias era chamado de Popol Vuh, relata a criação dos seres do universo entre eles os humanos. Os primeiros homens teriam sido criados sem consciência de si e da adoração aos deuses. Insatisfeitas, as divindades teriam lançado um dilúvio, pondo fim nos primeiros grupos humanos. Logo criaram homens de madeira que também foram extintos e, finalmente vieram os homens criados a partir do milho, um alimento sagrado, então estes permaneceram.

    Os seres humanos teriam sido criados no intuito de adorar aos deuses. Os sacrifícios faziam parte de um ritual de adoração, consumado a partir do derramamento do sangue humano, geralmente de mulheres virgens, escravos e inimigos e de animais. O sangue era o alimento que acalmava as divindades. Desse modo, a existência humana era fundamental para os deuses, pois sua vida dependia da veneração humana. Saunders coloca que os rituais maias se configuravam em rituais de passagem, mas também de humilhação, no caso, por exemplo, dos prisioneiros de guerra, esse sangue também significava a legitimação associada a fertilidade desse povo. “O sangue humano era um líquido precioso que ligava o Universo com os reis vivos e com o cosmos”. (SAUNDERS, 2005, p. 85).

    Na administração da cidade além do chefe supremo, existiam os Batabs, pertencentes à nobreza, eram escolhidos para exercer atividades militares, estes homens costumavam ser submetidos a testes para constatar se estavam aptos a desenvolver tal função. Os Batabs estavam subordinados a um chefe militar denominado de Nacon. Havia também Tupil espécie de policial e os Ah Holpopob que exerciam a função de conselheiros políticos e mediadores entre o povo e seu governante das cidades-estados.

    Dessa forma, assim como em outras civilizações, os maias possuíam uma hierarquia social comandada pelo Ahaucan (supremo sacerdote), juntamente com o Halach Uinic (chefe supremo), os Mazehualob, eram camponeses que constituíam a grande maioria da população, os Putunes eram formados pelos mercadores vindos de outras regiões mexicanas, costumavam ser marginalizados pelos maias. Abaixo da hierarquia social estavam os escravos que serviam aos senhores, porém não trabalhavam na produção. Costumavam serem prisioneiros de guerra.

    É importante refletir que ao longo do tempo cada civilização sofreu influências de outros povos, isso acarretou na formação de outras civilizações. A junção desses povos também contribuiu para as misturas de culturas, algumas aprimoram os conhecimentos adquiridos, no caso dos maias, conforme descobertas arqueológicas, teriam sofrido influências dos toltecas que habitaram nas regiões de Yucatán e Guatemala.

    Unidade 2

    Os maias não haviam recuperado seu antigo esplendor. Não obstante, alguns pequenos reinos ― Quiché e Cakchiquel nas montanhas da Guatemala, Uxmal e Chiché - Itzá, Mayapán e Tulum na penísula de Yucatán ― revelaram alguns sinais de prosperidade. A chegada de origem tolteca a Yucatán e à Guatemala contribuiu para essa revivescência. Os que se dirigiam a Guatemala chegaram como seguidores de Gucumatz, a tradução do nome de Quetzalcóatls tinham inclinações mais guerreiras que religiosas. Na Guatemala ― segundo o Livro Sagrado dos quichés ― Gucumatz e seus seguidores dominaram os maias. Dessa maneira, ocorreu uma nova mistura de povos e culturas. Os guatemaltecos foram “toltecizados” em diversos graus. Em Yucatán aconteceu algo muito parecido.Foi criada a chamada Liga de Mayapán, que abrangia esta cidade, Chichén–Itzá e Uxmal. A influência dos toltecas foi tão forte na região que as pirâmides e outros templos e palácios do Período Pós – Clássico de Chichém – Itzá foram construídos à imitação dos da metrópole de Tula. No entanto, nem o novo sangue nem os elementos culturais que haviam chegado do planalto central do México produziram uma revivescência do mundo maia. Seu destino era sobreviver, mas sem esplendor, até a época da conquista espanhola, que foi concluída, em 1525, na Guatemala e em 1546 em Yucatán. (BETHELL, 2004, p.35).

    No fim do período clássico os maias foram dominados pelos toltecas, povos que viviam no norte da Mesoamérica. A tomada da cidade de Chichén Itzá pelos toltecas determinou seu monopólio, e estabeleceu a sociedade maia-tolteca na cidade de Tula, próxima a atual cidade do México. Essa mistura de culturas deu continuidade ao chamado período Pós – Clássico, porém os maias não conseguiram recuperar seu esplendor, onde posteriormente, no século XV, seriam dominados pelos espanhóis.

    Os maias conheciam profundamente as propriedades medicinais das plantas, isso lhes proporcionou a manipulação de medicamentos naturais capazes de curar e prevenir doenças e “males do espírito”. Ao descrever as cidades maias, Leon Pomer menciona no livro ‘História da América’ Hispano-indígena, que Frei Bartolomeu de Las Casas relatou em um documento à existência de hospitais estruturados e acessíveis a população. Há relatos também de Hernán Cortéz de ter se deparado com boticas (farmácias) e jardins botânicos, onde se cultivavam plantas medicinais e praticavam estudos e experiências com ervas e raízes. Essa civilização havia registrado seu conhecimento medicinal em livros que descreviam, por exemplo, as maneiras de manipulação dos remédios, bem como o tratamento recomendado para cada doença. Possuíam materiais cirúrgicos, cuidavam de fraturas e luxações sendo também conhecedores da anestesia e da assepsia. (POMER, 1983, p. 22).

    Essa civilização acreditava que para estar bem era preciso manter o equilíbrio do corpo e do espírito. Desse modo, estavam sempre preocupados com a saúde, pois estando harmonizados transmitiriam tal harmonia ao meio ambiente. Os tratamentos mais praticados eram: infusões, sangrias, banhos purificadores, bem como o consumo de plantas de natureza medicinal. Cabia aos sacerdotes realizar tais tratamentos que estavam relacionados a transes e magias.

    O cotidiano dos maias estava voltado a atividades no campo. Apesar de a agricultura ser uma atividade masculina, as mulheres realizavam tarefas no campo, mas era na tecelagem que estava concentrada grande parte de sua rotina diária, às quatro horas da manhã e findavam os trabalhos no início da noite, quando iam para casa. Costumeiramente realizavam atividades como: cortes de árvores, construção de cercas, revolvimento e aração do solo, semeadura dos campos.

    Unidade 2

    Os maias, povo místico e responsável por uma cultura sofisticada, possuía conhecimentos científicos que lhes permitiram desenvolver técnicas avançadas para a época, como por exemplo, a construção dos templos e pirâmides, a elaboração de calendário e de um sistema matemático. É importante refletir como essa civilização havia adquirido tais conhecimentos. Contudo, sabe-se que a misturas de culturas contribuiu para a ampliação desse saber, porém, não são suficientes para justificar a grandiosidade de seu legado.

    Assista ao Documentário sobre os povos maias

    Os Maias: Construindo um Império: Documentário History Channel PT. Disponível em: https://www.youtube.com/embed/hFo2D_Ycz3E

    Astecas

    3

    Conhecimentos

  • Compreender como se constituiu a formação do Império Asteca e como se organizavam nas esferas política, econômica, social e religiosa. O estudante deverá entender o processo de formação desse povo e suas influências culturais.
  • Habilidades

  • Analisar a Alta cultura Asteca a partir de seus costumes, suas contribuições no campo da arquitetura urbana e como se organizavam socialmente.
  • Atitudes

  • Instigar o pensamento crítico do estudante a avaliar de que forma a existência desses povos influenciaram as gerações do presente.
  • Unidade 3

    Alta cultura Asteca : os eleitos do Sol

    Falar sobre os astecas implica em lembrar que esse povo foi marcado por uma organização política e militar, sendo considerado um povo de alta cultura, essa conceituação também se estendeu aos incas. Desse modo, estudiosos como historiador Jorge Ferreira (1988) alertam para o fato de que perceber apenas esses povos como mais evoluídos foi um conceito estabelecido no período da colonização. Na verdade, todos os povos americanos que aderiram à agricultura teriam conhecimentos que lhes permitiram se destacar culturalmente. Essa característica não pode ser atribuída apenas a dois desses grupos, pois isso significaria desmerecer aqueles que também adotaram a agricultura em seus modos de vida.

    É importante salientar que ao longo de sua existência os astecas também viveram períodos de dominação assim como os demais povos mesoamericanos. Isso é outro ponto a ser refletido, pois ao designar o termo alta cultura apenas a esses povos implica em dizer que teriam desenvolvido uma política hegemônica sobre as comunidades da região.

    O termo” pré-colombiano”, por sua vez, pode ser analisado como uma forma de criticar a tendência que aponta os benefícios da colonização europeia. A expressão supõe que estas sociedades não tem história e que, no máximo, a história se inicia com a chegada do europeu civilizado e portador de cultura.

    Significa, também, que o marco da história da América é a chegada de Colombo, da mesma forma que a de Cabral no Brasil, simbologia da inserção da América no mundo americano carecia de histórias e formas de viver, e sua chegada é o marco inicial destes atributos.A abordagem histórica num prisma europocentrista (pensamento que coloca a Europa como “centro” do mundo e considera os valores, as culturas e os povos não europeus como exóticos ou menos importantes) não apenas cria os conceitos de “bárbaro” e “primitivo”, como também transforma o colonizador europeu no sujeito histórico por excelência.

    FERREIRA, Jorge Luiz. Incas e Astecas: culturas pré-colombianas. Série Princípios, 2. ed., São Paulo: Editora Ática,1988, p. 9.

    A partir de 1224 a. D, com a queda do Império Tolteca, ocorreu a dispersão dos povos e o surgimento de cidades-Estados. Nesse período, os Astecas instauraram seu governo e construíram uma cidade-Estado que lhes proporcionou uma organização social caracterizada pela formação de exército, isso permitiu o surgimento como diz Ferreira de “soldados-camponeses”. Com a fundação da capital asteca Tenochtitlán em 1325, essa civilização marcou o início de um governo hegemônico, estabelecendo seu poder sobre as demais cidades. Ao se aliar com as cidades de Texcoco e Tlacopán, constituiu a “Tríplice Aliança”. Essas alianças permitiram que os astecas pudessem se expandir militarmente e estabelecer domínios sobre outros povos da Mesoamérica.

    Unidade 3

    Fonte: Disponível em:http://paseandohistoria.blogspot.com.br/2010/12/la-expansion-de-los-aztecas.html. Acesso em: 14 maio2016.

    No mapa acima é possível perceber a dimensão de seu “Império” que se estendia pelas cidades de Tuxpan, Huaxyacão, Tehuantepec e a capital Tenochtitlán. Esse território se configura no atual México, localizado entre o Golfo do México e Oceano Pacífico. Os astecas, também denominados de mexicas possuíam um governante supremo, pertencente de uma das tribos, que nomeava indivíduos para governar as demais cidade-Estados, submetidas a seu domínio. Tais governantes eram denominados de tatloques (tlatoani); os chefes militares eram os teteuctin; já os chamados pipiltins eram representados pelos nobres e os macehualtin eram os plebeus e servos. Estes últimos eram forçados a trabalhar para os tlatoque e a pagar tributos a eles. (BETHELL, 2004, p. 37).

    Na hierarquia central do poder asteca, estavam também os nobres funcionários e os sacerdotes. É importante ressaltar que seus cargos não eram determinados pelas suas riquezas. Para serem respeitados, era de suma importância ter prestígio e posição social, sendo a riqueza algo que viria a somar a posição na qual ocupava diante da sociedade. (FERREIRA, 1988, p.18).

    A origem dos astecas fundamenta-se no mito do surgimento de duas divindades Quetzalcóatl e Huitzilopochtli. O primeiro, o rei Tula, em estado de embriaguez tomou-lhe a irmã como esposa, vindo a ficar posteriormente perturbado com sua atitude. Tal perturbação levou-o ao suicídio numa fogueira e, a partir dessa ação, se tornou uma divindade, Quetzalcóatl, a serpente emplumada ou pássaro com traços de serpente. A história do rei Tula representa “ [...] a busca pelo homem de algo mais que o existir”[...]. (FERREIRA, 1988, p.18).

    Os deuses costumavam ser associados aos elementos da natureza, como o deus Huitzilopochtli. Considerado o deus sol e da guerra, representou a quinta idade de existência do povo asteca. Segundo Ferreira (1988), o surgimento do deus sol caracterizou a luta, a determinação pela vida, pois ainda na barriga da mãe foi rejeitado por seus irmãos. De acordo com o mito, Huitzilopochtli nasce prematuro e mata os irmãos que ameaçavam constantemente a vida de sua mãe, isso por ter gerado um bastardo.

    Os astecas acreditavam que tanto os homens poderiam se tornar deuses, como deuses se tornarem homens. A relação desse povo com a morte ocorria de maneira natural, pois acreditavam que a vida não cessava com a morte do corpo e assim poderiam dar continuidade através da reencarnação. No processo reencarnatório poderiam vir tanto no corpo de um humano como no de um animal.

    A VIDA E A MORTE

    No que entendemos por vida após morte, dispomos de informações imprecisas, mas sabemos que o direito a uma vida futura não estava associado a uma retribuição moral, nem à ideia de recompensa ou castigo eterno.

    Unidade 3

    O direito à imortalidade estava ligado ao tipo de morte. Assim os que morriam nos sacrifícios e os guerreiros que pereciam nas batalhas morriam sob o signo de Uitzilopochtli e tornavam-se os “companheiros do Sol”. Após um cortejo de quatro anos pelo caminho do Sol, retornavam a terra reencarnados em colibris. Há informações de que as mulheres que morriam no parto tinham o mesmo destino. Os que morriam sob o signo de Tlatoc eram aqueles que pereciam por processos ligados a água – afogamentos, relâmpagos, doenças etc. Para estes, o futuro reservava o “jardim da abundância”, do sossego, da felicidade sem-fim. Estas formas de pensar a vida após a morte refletiam os anseios das reais condições de existência material dos homens, ou seja, a morte sobre o signo de Tlatoc era o paraíso do aldeão, ocorrendo o mesmo para o guerreiro que morria sob os auspícios de Uitzilopochtli. (FERREIRA, 1988, p.31)

    O estabelecimento da ordem universal não era de responsabilidade apenas dos deuses, pois necessitavam dos homens para estabelecer a harmonia entre o mundo material e imaterial. Os astecas acreditavam que os sacrifícios poderiam estabelecer esta ordem, e ao serem ofertados, estariam salvando todo seu povo de serem extintos. Pensavam que o fim de uma era, poderia ser adiado com o sangue dos sacrificados. O deus Sol precisava de alimento e o líquido vermelho que o sustentava deveria ser derramado em sacrifício.

    Desse modo, o sacrifício não era interpretado pelos astecas como um ato de crueldade, mas como uma necessidade para manter a ordem do universo. A prática mais comum de sacrifício era a retirada do coração do indivíduo ainda vivo. No ritual do sacrifício, o sacrificado ingeria bebidas alucinógenas, a partir desse momento, os sacerdotes começavam o ritual.

    Os mexicas acreditavam que o universo vivia em constante instabilidade, e que a cada 52 anos o mundo sofreria terríveis catástrofes, levando a sua extinção. Aos sacerdotes competia o papel de encontrar explicações e meios de salvá-los de um desastre natural. De acordo com as pesquisas realizadas sobre esse povo, os sacrifícios humanos eram a alternativa para que o universo e a humanidade continuassem a viver em harmonia.

    Desse modo, ressalta-se que embora os astecas acreditassem na vida após a morte, havia momentos em que procuravam retardá-la. Através de oferendas e sacrifícios, solicitavam aos deuses um tempo maior de existência, pois acreditavam que morrer não seria suficiente para extinguir a vida de sofrimento adquirida na última encarnação. (SOBRINHA, 2010, p. 121).

    Arquitetura, religião e organização social

    A estrutura urbana constitui o traço marcante da civilização asteca. Em sua arquitetura como já mencionado, era comum encontrar monumentos: como praças, canais, templos e pirâmides. Tais construções surpreenderam os europeus, pois sua estrutura se constituía em obras monumentais. Essas construções eram compostas de pinturas, esculturas e mosaicos que revelavam as características do povo asteca, bem como suas crenças, seus costumes e a hierarquia social. Através da arte, revelava também a religião tanto o lado glorioso como o sombrio.

    Unidade 3

    Em relação ao tributo era uma obrigação de todos os mexicas, independentemente de posição social. Apenas os sacerdotes, os nobres, crianças e velhos, indigentes e escravos estavam isentos de tributos. A forma de pagamento poderia ocorrer tanto em espécie como através de trabalhos. É importante salientar que o pagamento realizado ao Tlatoani implicava uma tributação ao Estado e não ao governante.

    Um fator importante a ser destacado é como era percebida essa organização social. Alguns estudiosos como Jorge Ferreira, as denominavam de classe social, outros como Lewis H. Morgan desconsiderava a ideia de classe social, pois segundo seus estudos, os astecas se colocavam diante dos espanhóis como grupos indígenas e isso, descarta a possibilidade de serem percebidos como classe, sendo assim, muitos estudiosos aceitaram a tese levantada por Morgam de que os astecas não deveriam ser vistos como reinos e Estados, mas como tribos que possuíam laços de consanguinidade.

    Classe Social:

    É um grupo constituído por pessoas com padrões culturais, políticos e econômicos semelhantes. O fator financeiro é uma das características mais marcantes na definição de uma classe social.

    Fonte: Disponível em: . Acesso em: 16 maio2016.

    Essa ideia de classe seria retomada novamente por pesquisadores como Manuel M. Moreno, Arturo Monzón, entre outros, isso devido a enorme diferenciação econômica dos povos, mas recentemente alguns pesquisadores entre eles Pedro Carrasco, concluíram que a sociedade asteca baseava-se numa economia de subsistência e que o termo classe não seria um conceito apropriado, uma vez que se tratava de “entidades comunais”. Desse modo, os termos “estratos”, “estados” ou “setores” seriam mais apropriados. (BETHELL, 2004, p. 41-42).

    Estratos:

    No sentido atribuído ao texto, trata-se de uma classificação dos indivíduos a partir de suas condições socioeconômicas: estrato social.

    Fonte: Disponível em:http://www.dicio.com.br/estrato/. Acesso em: 16 de maio 2016.

    Sobre a expansão do Estado, existem autores como Miguel León-Portilla, que acreditava que os mexicas expandiram seu “império” através da interação homem com o universo, por meio do culto aos deuses, dos sacrifícios e das guerras militares. Descartando as evidências levantadas pela teoria maxista de que o Estado mexica teria se expandido a partir das construções hidráulicas, onde intensificavam suas energias na busca de mão de obras para a realização dos trabalhos hidráulicos.

    Bethell (2004) acredita que as construções hidráulicas foram importantes para o desenvolvimento da metrópole asteca, mas ressalta que concentraram seu poder de dominação nos rituais sagrados e sacrifícios aos deuses. A vida voltada para o cosmos refletia o traço principal que daria destaque á civilização mexica ou como são conhecidos, povo do quinto sol.

    É verdade que a construção de diques, aquedutos e caminhos elevados sobre os terrenos pantanosos facilitou enormemente o desenvolvimento da metrópole asteca. Mas pode-se-á dizer que essas constituíram uma das principais realizações do grupo dominante a justificar seu domínio despótico sobre o restante dos mexicas? Se insistirmos em descobrir algo que (em termos do modo asiático de produção) pudesse ser descrito como um empreendimento imponente e impressionante, termos de buscar em outra parte. Os pipiltin haviam forjado sua própria “imagem”, que, acima de tudo, confirmava sua missão de manter a vida de sua própria era cósmica) ajudava a restaurar a energia divina, conciliando os deuses o dom vital das águas. Para cumprir esse destino, as preocupações básicas do grupo dominante passaram a ser o culto dos deuses, o sacrifício humano e as guerras para obter cativos e impor o domínio asteca. Nessa perspectiva, a edificação e a restauração dos templos e a organização e a eficiência do exército, sustentadas por uma ideologia complexa eram as realizações mais impressionantes do grupo dominante dos mexicas. (BETHELL, 2004, p. 49).

    Unidade 3

    Desde muito cedo os mexicas aprendiam a adorar seus deuses. Quando crianças eram envolvidas no misticismo de seu povo a partir do ritual do batismo, se fazia um estudo astrológico para saber sobre a sorte através do signo do recém-nascido. Caso o signo não correspondesse a uma boa sorte, outro estudo astrológico era realizado até chegar num signo auspicioso. Soustelle (1990, p. 194) afirma que:

    Depois de quarto ritos de água, quatro vezes a parteira apresentava a criança ao céu, invocando o sol e as divindades astrais. Assim, o número sagrado regia os gestos tradicionais. A última fórmula também invocava a terra, esposa divina do sol. E, agarrando o escudo e as flechas, a oficiante implorava aos deuses para que o menino se tornasse um guerreiro corajoso, [...] A cerimônia de batismo das meninas era semelhante à do menino, mas não se apresentava a criança ao sol, deus dos homens e dos guerreiros; [...] Terminados os ritos, escolhia-se e anunciava-se o nome da criança.

    As crianças astecas de famílias com hierarquia mais elevada eram educadas dos três aos 15 anos por grupos familiares de hierarquia mais simples, isso porque seus pais não dispunham de tempo para dedicar a educação de seus filhos. Desde cedo os meninos eram incentivados a serem grandes guerreiros, é tanto que no ritual do batismo masculino, havia uma preocupação em pedir aos deuses que a criança se tornasse corajosa e guerreira. Nesses grupos familiares havia uma divisão de gênero com relação à educação das crianças, sendo os meninos educados pelos pais e as meninas pelas mães. (SOBRINHA, 2010, p.118).

    Os jovens podiam contrair o matrimônio aos 20 anos de idade, onde deveriam se desligar das atividades relacionadas à educação, para assim constituírem família. Os meninos da escola de guerra, por exemplo, deveriam pedir autorização aos mestres para se desligarem. A oficialização do desligamento era oficializada através de uma cerimônia ofertada pela família. Como se pode perceber, em cada fase considerada importante de suas vidas eram realizadas cerimônias, algumas duravam dias, como a do casamento, comemorado durante cinco dias. Outro fator a ser levado em consideração além das formalidades das cerimônias e do valor atribuído a elas eram os rituais. O do casamento, por exemplo, havia todo um estudo astrológico para saber se a felicidade dos noivos seria próspera. Desse modo, os astros eram consultados para saber se os signos dos noivos eram compatíveis.

    Ao descrever o ritual do casamento, Soustelle (2010) relata que os noivos sentados numa esteira um ao lado do outro, ficavam próximos a um fogão, onde recebiam presentes ofertados pelos pais. Logo depois, o celebrante amarrava o manto do noivo a saia da noiva, isso simbolizava a oficialização do casamento. Depois, como símbolo de união, comiam pãezinhos de milho.

    Dos povos da Mesoamérica os astecas se destacaram como um povo que construiu não somente templos monumentais, mas toda uma estrutura urbana que se configurava num enorme centro administrativo. Fosse império, reino ou qualquer outra denominação que pudesse lhe ser atribuído, é fundamental destacar que sua organização política e socioeconômica atraiu os olhares e o espanto dos espanhóis ao aportarem em terras latinas americanas.

    Mas é importante lembrar que para ser consolidado o expansionismo mexica, outros grupos étnicos foram incorporados a eles pela força militar. Isso evidencia que os astecas eram um povo belicoso e que a expansão de seu monopólio custou milhares de vidas. Embora as cidades conquistadas tivessem seus governantes, estes estavam sobre o domínio mexica e deviam pagar-lhes tributos ao governante supremo da capital asteca Tenochtitlán. Esse poder desencadeou inimizades entre aqueles povos em que os astecas não conseguiram dominar, como os tlaxcalanos do Planalto Central e os totonacas. Sendo estes os primeiros a se aliar aos espanhóis, apontando-lhes a existência e o poder dos mexicas, que havia se destacando pela sua estrutura política, religiosa e socioeconômica.

    Com a chegada de Hernán Cortés ao México, os povos da Mesoamérica sofreram as consequências do processo de colonização que dizimou uma diversidade de povos entre eles, os astecas. Alguns pesquisadores como Jorge Ferreira acreditam ter havido um genocídio na América. Segundo suas pesquisas na Mesoamérica antes da colonização existiriam aproximadamente 25 milhões de pessoas, sendo que em 100 anos depois haveria apenas 1milhão de nativos. Um conjunto diversificado de povos, línguas e culturas aos poucos foram se perdendo diante da colonização espanhola que tratou logo de estabelecer seus costumes, impondo uma cultura, uma religião e uma língua eurocêntricas.

    Genocídio

    Extermínio de um grupo étnico ou religioso, uma cultura e/ou civilização etc.: o genocídio dos índios das Américas. Massacre que atinge um grande número de pessoas (populações ou povos). Ação de aniquilar grupos humanos através da utilização de diferentes formas de extermínio como: a pobreza ou a fome em certas regiões do mundo; sequestro permanente de crianças e refugiados etc.

    Fonte: Disponível em:http://www.dicio.com.br/genocidio/. Acesso em: 14 maio de 2016.

    Incas

    4

    Conhecimentos

  • Compreender como se constituiu a formação do Império Inca e como se organizavam nas esferas política, econômica, social e religiosa, bem como entender o processo de expansão dos territórios incas e sua organização como comunidade familiar.
  • Habilidades

  • Analisar a Alta cultura Inca a partir de seus costumes, de suas crenças religiosas, percebendo seu poder de dominação acarretado pela expansão territorial.
  • Atitudes

  • Instigar o pensamento crítico do estudante à avaliar de que forma a existência desses povos influenciaram as gerações do presente.
  • Unidade 4

    Alta cultura Inca: o expansionismo e a comunidade familiar

    No final do século XIII d.C, os incas chegavam ao Vale de Cuzco, onde atualmente se localiza o norte do Equador e estendendo-se até o Sul do Chile. Seria no século XV d.C, entre as Montanhas Andinas e o Planalto do Pacífico, que esse povo iniciaria sua expansão territorial e assim, dariam início ao que passou a ser considerado como um grande Império. Esse expansionismo acarretou na dominação de outros povos que traziam consigo outros costumes e línguas.

    Fonte: Disponível em:http://visaodemundos.blogspot.com.br/2013/10/trabalho-de-historia-escolastica-rosa.html. Acesso em 18maio 2016

    Os andinos, como também são denominados os incas, pelo fato que se estabeleceram nos Andes. Bethell (2004) informa que os europeus teriam denominado de quíchua língua dos povos incas, onde em sua derivação quíchua significa vale. Mas, os incas costumavam denominá-la de runa simi, “língua do povo”. De acordo com Jorge Ferreira, ao chegarem ao Vale de Cuzco, posteriormente viria a ser a cidade mais importante do império, os Incas liderados por Manco Cápac se aliaram a três tribos étnicas: Sahuasiiiray liderada por Ayar Cachi, Allcahuisa sobe o comando de Ayar Uchu e Maras liderada por Ayar Auca. A junção das três tribos significou o início e a consolidação da supremacia inca. Sobre os surgimentos dessas tribos, há também uma versão contada a partir do mito dos quatro irmãos órfãos. Conforme menciona Ferreira:

    [...] Conta a lenda que de uma caverna a 30 km ao sul do vale saíram quatro irmãos: Ayar Cachi, Ayar Uchu, Ayar Auca e Ayar Manco, também conhecido como Manco Cápac. Sem pais, terras, em extrema pobreza, teriam migrado pelo vale sem rumo certo, até que Ayar Cachi, voltando à caverna, transforma-se ia em Huaca ¬― entidade divina local―, ficando petrificados seus irmãos Ayar Uchu, Ayar Auca. Manco Cápac, o último irmão, lançando no ar seu bastão de ouro, e simbolizando com isso o fim da vida errante e sem rumo, tomaria sua irmã como esposa e, reunindo as populações dispersas que viviam em plena “barbárie” no vale, teria lhes dado acesso a formas “civilizadas” de viver. No mito da caverna, Manco Cápac é, pois, o fundador do Império Inca e herói civilizador de toda a humanidade. (FERREIRA, 1988, p. 37).

    O mito procura explicar o surgimento dos três povos, destacando a luta pela sobrevivência e elevação da etnia inca como aquela, na qual se sobressaiu entre as demais tribos. Mas, o poder desse povo ocorreria quando a expansão do território se consolidasse juntamente com os tributos cobrados aos povos nos quais dominaram.

    Mas o que determinou a expansão desses povos?

    A expansão do Estado também dependeu da produção da pesca, da coleta de produtos e do aproveitamento das regiões, de pisos ecológicos a partir das áreas e climas diferenciados. Conforme John Murra (1997), os andinos haviam ampliado uma política de domínio que chamou de “política de duplo domínio”. Tal política implicou na prática de deslocamentos de grupos para determinadas regiões dos Andes. Cada região possuía um piso específico que proporcionava o cultivo de certos alimentos. Há 3.000 mil metros, por exemplo, podia ser cultivado milho e batata. Em outros locais de altitude mais elevada, o solo e o clima eram mais propícios à pastagem. Em áreas de altitudes menos elevadas de clima quente e úmido podia ser cultivado a coca e o algodão. Dessa forma, a antiga prática do deslocamento foi utilizada como estratégia de fortalecimento de seu controle político.

    Conforme Ferreira (1988), a expansão do império Inca se iniciou com a derrota dos chancas, na primeira metade do século XV. Com essa derrota, acarretou no enfraquecimento daqueles povos que disputavam o controle dos Andes Centrais. Essa vitória acarretou no fortalecimento dos Incas, proporcionando-lhes maiores vitórias a partir de novas invasões. Isso culminou para a unificação da região andina central.

    Unidade 4

    Os incas estavam organizados numa comunidade familiar de produção agrícola denominada de ayllu. Essas comunidades produziam para o coletivo e era chefiado por um Kuraka, chefe local da comunidade, que estava subordinado ao Kuraka supremo dos incas. Competia a esse chefe cuidar e organizar a produção, manter a segurança do ayllu e alimentar órfãos, viúvas entre outros desprovidos de condições para se manterem.

    Ao tomar posse dos territórios conquistados, as terras do ayllu eram divididas entre o Estado, as terras de culto ao deus Sol e a comunidade. As terras que antes eram comunais passavam a ser exploradas e subordinadas pelo Estado, bem como os tributos. Existiam três formas de tributos: o primeiro era pago através de trabalhos coletivos, realizados nas terras do deus Sol, o segundo se convertia em trabalho pessoal nas terras no Estado, e o terceiro era denominado de mita, o tributo têxtil, isso implicava na entrega de boa parte da produção de tecelagem ao chefe supremo dos incas.

    Os incas não possuíam uma escrita elaborada, para registrar os acontecimentos de sua época utilizavam o quipo, uma espécie de nós de cordas de lã. Através desses cordões conseguiam contabilizar os tributos, a quantidade de mercadorias, bem como sua entrada e saída, a quantidade de animais e o recenseamento da população.

    Mas todos compreendiam essa linguagem? Como conseguiam interpretar o significado de cada nó, sendo que tinham tamanhos diferentes e cores variadas?

    Os quipucamayucs eram os responsáveis por realizar a interpretação dos códigos desses cordões. Cada cordão tinha um significado diferente, desse modo, os quipucamayucs se aprimoravam num determinado tipo de cordão. A contagem dos números era realizada pelos nós e os significados atribuíam-se as cores. Os “nós” das extremidades representavam as unidades, acima estavam às dezenas e centenas e assim, numa sequência onde, do menor para o maior os valores eram acrescidos. As cores poderiam ter mais de um significado, por exemplo, o amarelo representava tanto ouro como o milho. Na realização do recenseamento demográfico a contagem dos “nós” acontecia a partir de uma ordem hierárquica; primeiro vinham os homens, então seguia na sequência mulheres e crianças.

    Quipucamayucs:

    Significa “guardiães dos quipos ou quipus”.A principal característica de uma guardião era possuir uma excelente memória, Não podiam cometer erros nem omitir informações, caso contrário, seriam punidos com a pena de morte. Cada quipucamayuc especializava-se na leitura de determinada categoria de cordões: religiosos, militares, econômicos, demográficos, etc. Eram também responsáveis pela instrução de seus seus filhos, para que posteriormente pudessem lhes sucedessem.

    Fonte: Disponível em:http://povosdaantigaamerica.blogspot.com.br/2013/02/civilizacao-inca.html. Acesso em: 18 maio 2016.

    Sobre o calendário Inca

    O calendário inca era constituído de trinta dias. Para cada mês era realizado um festival com temáticas relacionadas às colheitas realizadas durante o ano ou as entidades religiosas.

    Mês Gregoriano Mês Inca Tradução
    Janeiro Huchuy Pacoy Pequena colheita
    Fevereiro Hatun Pocoy Grande colheita
    Março Pawqar Waraq Ramo de flores
    Abril Ayriwa Dança do milho jovem
    Maio Aymuray Canção da colheita
    Junho Inti Raymi Festival do Sol
    Julho Anta Situwa Purificação terrena
    Agosto Qapaq Situwa Sacrifício de purificação geral
    Setembro Qaya Raymi Festival da rainha
    Outubro Uma Raymi Festival da água
    Novembro Ayamarqa Procissão dos mortos
    Dezembro Qapaq Raymi Festival magnífico

    Unidade 4

    E Cuzco (é uma cidade no Peru situado no sudeste do Vale de Huatanay ou Vale Sagrado dos Incas, na região dos Andes) havia um observatório responsável pela elaboração de informações que se configuraram base do calendário inca. Havia uma estrutura arquitetônica composta por dezesseis torres: oito delas mantinham-se direcionadas para o nascente e oito direcionadas ao poente. É importante salientar que essas torres possuíam alturas desiguais e que a sombra projetada possibilitava observar com exatidão a posição dos solstícios, enquanto as colunas zodiacais permitiam definir os equinócios.

    Fonte: Disponível em: . Acesso em: 18maio 2016.

    Incas: crenças religiosas e costumes

    Dentre os deuses incas dois deles: Viracocha e Sol eram os mais venerados. No universo inca ambos se completavam. Viraconha representava tudo relacionado à criação e ao processo civilizador do universo, enquanto o Sol, que significava a fonte de vida, estava relacionado ao céu, ao fogo e serra, bem como tudo aquilo que se referia ao alto, ao que estava acima das cabeças dos humanos. Viracocha simbolizava a terra, água e tudo que estava sobre e abaixo da terra. (FERREIRA, 1988, p. 54).

    Na lista a seguir, alguns dos deuses venerados pelos incas.

    DEUSES INCAS

    VIRACOCHA: (Ilha Viracocha Pachayachachi), (Esplendor originário, Senhor, mestre do mundo), foi a primeira divindade dos antigos Tiahuanacos, proveniente do Lago Titicaca. Como o seu homônimo Quetzalcoatl, surgiu da água, criou o céu e a Terra e a primeira geração de gigantes que viviam na obscuridade. O culto do Deus criador supunha um conceito intelectual e abstrato, que estava limitado à nobreza. Semelhante ao Deus Nórdico Odín, Viracocha foi um deus nômade, e como aquele, tinha um companheiro alado, o condor Inti, grande profeta. INTI: (o Sol), chamado "Servo de Viracocha", exercia a soberania no plano superior ou divino, do mesmo modo que um intermediário, o Imperador, chamado "Filho de Inti", reinava sobre os homens. Inti era a divindade popular mais importante: era adorado em muitos santuários pelo povo inca, que lhe rendiam oferendas de ouro, prata e as chamadas virgens do Sol. MAMA QUILLA: (Mãe Lua), Esposa do Sol e mãe do firmamento, dela se tinha uma estátua no templo do Sol. Essa imagem era adorada por uma ordem de sacerdotisas, que se espalhava por toda a costa peruana. PACHA MAMA: "A Mãe Terra", tinha um culto muito idolatrado por todo o império, pois era a encarregada de propiciar a fertilidade nos campos. MAMA SARA: (Mãe do Milho), MAMA COCHA: (Mãe do Mar).

    Fonte: Disponível em:http://povosdaantigaamerica.blogspot.com.br/2013/02/civilizacao-inca.html.Acesso em: 18maio 2016.

    Unidade 4

    Os incas procuraram promover uma unificação religiosa entre os povos dos Andes Centrais, impondo-lhes a adoração dos deuses Sol e Viracocha. Acreditavam que o deus Sol poderia lhes ajudar em combates e que seu rei era descendente desse deus. Para que pudessem adquirir energias espirituais do deus sol, buscavam na natureza a energização, como por exemplo, ao mascarem a folha de coca, acreditavam estar adquirindo suas qualidades espirituais.

    Dentre os templos construídos para a adoração de suas divindades estão: O Templo do deus Sol em Cuzco, o templo de Vilkike, o templo de Aconcágua e o de Titicaca. É importante salientar que tais construções possuem uma arquitetura em pedras, encaixadas com bastante precisão, e isso é algo que tanto impressionou os espanhóis ao chegarem a terras andinas como levantou questões pelos pesquisadores a respeito dos procedimentos realizados para construírem com tamanha precisão tais monumentos. No texto abaixo, destaca-se uma descrição da cidade de Cuzco, no período da chegada dos espanhóis, a partir do olhar do espanhol Sancho de La Hoza.

    Ela está repleta de palácios senhoriais, pois nela não vive qualquer pessoa pobre. Cada senhor ali constrói a sua casa, mesmo não tendo que residir nela permanentemente. A maioria dessas habitações é feita de pedras, outras têm a metade de sua fachada desse material. Há também muitas casas de tijolos, e elas estão dispostas em boa ordem, ao longo de ruas entrecruzadas regularmente, muito estreitas, todas pavimentadas, e sulcadas no meio por uma calha de pedra. O único defeito dessas ruas é serem estreitas, pois de cada lado da calha há lugar somente para um cavaleiro. Essa cidade está situada na encosta da montanha, estendendo-se até a planície. A praça, quase inteiramente plana, é quadrada e pavimentada. Em torno dela há quatro casas que são as principais da cidade: estas são pintadas e construídas em pedras entalhadas. (LA HOZA, apud FAVRE, 1990, p. 65).

    Ainda é possível observar do alto da montanha a antiga cidade do império inca, bem como sua estrutura urbana que se mistura a traços da arquitetura europeia. Duas culturas que se entrelaçaram: colonos e colonizadores evidenciam a mistura de povos marcados pela imposição do poder de uma cultura sobre a outra. Com a chegada dos espanhóis, Cuzco perderia em 1535 seu status de dominação e riqueza para Lima, a capital da colônia espanhola.

    Os incas tinham em sua contagem de tempo cinco Idades, cada uma representava um período vivido pela civilização que se renovava ciclicamente com o desaparecimento e surgimento das sociedades. A primeira Idade foi denominada de “Homens de Viracocha”, as guerras, as pestes e rebeliões dariam fim a esses primeiros povos. A segunda Idade é representada pelos “Homens Sagrados” cujo fim seria de queimarem juntamente com o Sol. A Terceira Idade, representada pelos “Homens Selvagens”, havia chegado ao fim com dilúvio, a Quarta Idade a dos “Homens Guerreiros”, entraria em decadência e a Quinta Idade, a dos Incas, significou o surgimento de uma etnia de regeneração.

    Assim como os astecas, esses povos também acreditavam na vida após a morte, o tempo cíclico sinaliza esse retorno através do surgimento de outras civilizações que dariam continuidade aos povos andinos. Implica pensar também que cada idade teve o seu momento e que o legado deixado se perpetuaria com os demais povos.

    Unidade 4

    Além das atividades agrícolas, das construções monumentais e dos rituais de adoração e sacrifício aos deuses, os incas eram um povo dedicado à produção de artesanatos como esculturas de cerâmica, tecelagem e pinturas em tecidos. Essas manifestações artísticas retratavam os modos de vida de seu povo, os mitos e a natureza andina. Na produção da tecelagem, de acordo com estudiosos, possuíam técnicas bem desenvolvidas para a época. As vestimentas retratavam a hierarquia inca e cada tipo de lã era utilizada de acordo com a posição social. As mais delicadas eram destinadas para o soberano inca e os sacerdotes.

    No intuito de compreender os movimentos dos astros para se situarem nas atividades agrícolas e religiosas, os incas acreditavam que cada fenômeno natural tinha um significado. Através da observação dos astros poderiam prever os tempos de plantio e de colheita, bem como os períodos de chuva e de seca. Os eclipses, por exemplo, eram interpretados como mau presságio, isso deixava as populações andinas em grande temor.

    No mundo religioso incaico havia as chamadas acllas, “sacerdotisas do Sol”. Tratava-se de mulheres escolhidas para serem esposas do deus Sol. A escolha fundamentava-se no seguinte critério: serem belas, nobres, virgens e dotadas de conduta moral, pois somente assim poderiam ser ofertadas nos rituais de sacrifícios. Algumas chegavam a se tornar esposas do rei Inca, bem como de outros homens.

    A hierarquia social designava quem estava apta a se tornar esposa do deus Sol, as sacerdotisas ofertadas a deusas Lua e Terra, por exemplo, se encontravam num escalão inferior aquelas destinadas ao deus Sol. Desse modo, a hierarquia religiosa inca colocava as divindades masculinas num patamar mais elevado que as divindades femininas. Competia às sacerdotisas também o papel de preservar a moral e a harmonia do Império, tanto é que eram denominadas de demamaconas, na língua quéchua señoras madres. Juntamente com os sacerdotes realizavam atividades como cerimônias religiosas.

    Assim como os povos astecas, os incas construíram um império a partir da junção com outros povos. De nômades a sedentários, esses povos deixaram um legado, embora muitos tenham sido exterminados pelos espanhóis e tenham passado por um processo de aculturação. Ainda é possível contemplar muito de seu legado através da arquitetura de pedra de Machu Picchu no Peru ou das pirâmides do Sol e da Lua, símbolos dos rituais de oferenda e sacrifício aos deuses, no México. Seus traços, presentes também nos modos de vida dos povos andinos e mexicanos através da música, das vestimentas, entre outros refletem a memória de um povo de cultura elevada. Costumeiramente chamados: povos de alta cultura.

    Aculturação:

    Conjunto de mudanças ocorridas quando dois povos entram em contato e passam a transmitir elementos de uma cultura para a outra.

    Guia de estudo

    Guia de estudo

    Assista ao documentário, Peru Eterno e procure perceber quais dos costumes incas ainda predominam nos modos de vida dos povos andinos. Discuta com a turma sobre suas percepções.

    1. Peru Eterno parte 1-4
    2. Peru Eterno parte 2-4
    3. Peru Eterno parte 3-4
    4. Peru Eterno parte 4-4

    A “conquista” e a colonização da América pelos espanhóis

    5

    Conhecimentos

  • Conhecer a História dos primeiros povos americanos durante o processo de “conquista” e colonização da América pelos espanhóis, e compreender a reconstrução da identidade desses povos a partir da mistura de culturas, a imposição da cultura europeia como dominante e as contribuições deixadas às sociedades posteriores.
  • Habilidades

  • Analisar os embates entre os espanhóis e os povos nativos, o processo de colonização, bem como exploração do território mexicano e andino e o sentido do termo “conquista”.
  • Atitudes

  • Estimular o pensamento crítico do estudante sobre a miscigenação, valorizando a diversidade cultural dos povos da América e a imposição da cultura europeia.
  • Unidade 5

    A conquista espanhola

    Conquista

    Embora seja constante a presença da palavra “conquista” nos textos da historiografia sobre a América Latina, trago-a entre aspas por considerar que processo de ocupação dos territórios da América Latina tenha se dado de forma imposta. Acredito que o termo mais apropriado seria de invasão.

    Qual seria a filosofia de uma empresa ultramarina espanhola do século XVI ao aportarem em terras desconhecidas? De acordo com o pensamento de um dos primeiros historiadores das Índias, Francisco López de Gómara, “Sem colonização não há uma boa conquista, e se a terra não é conquistada, as pessoas não serão convertidas. Portanto, o lema do conquistador deve ser colonizar.” (BETHELL, 2004, p. 135).

    O pensamento de Gómara está relacionado com a reflexão do conquistador espanhol Hernán Cortés, onde acreditava que a “conquista” só se daria por meio da colonização. É importante refletir sobre o significado de conquista, levando em consideração o contexto da época, pois tanto poderia estar relacionada a colonizar como a saquear. Neste caso, trata-se do primeiro significado. Diante disso, a colonização possibilitaria maiores lucros pelo fato de tomarem posse de um território a ser explorado. O desejo por riquezas, especiarias exóticas estimulava a Coroa espanhola a explorar novos mundos.

    Oscar Jesus Aquino (1990) coloca que o sentido de colonização não objetivou benefícios e progressos as colônias. Tratava-se de um empreendimento que visou à exploração dos territórios “conquistados” com interesses econômicos do Estado Absolutista e da burguesia europeia. É importante ressaltar que naquele período seria necessário não apenas explorar, mas produzir riquezas para serem vendidas abaixo custo à metrópole, no intuito de fortalecer a autoridade do Estado Nacional.

    O território da América foi ocupado pelos espanhóis no decorrer de 21 anos, tendo iniciado em 1519 e se estendido até 1540. É preciso levar em consideração que a “conquista” já havia começado no período em que Colombo realizou suas primeiras expedições. Os focos de “conquistas” teriam se dado pelas Antilhas, através do território de Cuba em 1516 e 1518 e no México em 1519 a 1522. A “conquista” do México implicou na destruição dos grupos astecas, estendendo-se para o Planalto Central mexicano. Vale ressaltar que o processo de ocupação do território mexicano se daria de forma lenta, é tanto que os espanhóis chegariam a Yucatán vinte anos após o início dessa ocupação. Em 1524, tal expansão dos territórios se estenderia para a Guatemala e El salvador. Ao longo da primeira metade do século XV, muitos dos territórios onde existiram os grandes impérios maia, inca e asteca foram apossados pelos conquistadores espanhóis como, por exemplo, ao longo do sul do Pacífico, onde estava localizado o império inca, ocorreu em 1531-1533.

    Bem antes das “conquistas” territoriais do século XVI, o genovês Cristóvão Colombo, no final do século XV, já havia se deparado com terras americanas através das expedições financiadas pelo rei Fernando de Aragão e a rainha Isabel de Castela (monarcas espanhóis e católicos). O objetivo de Colombo era chegar a Catai na China e a regiões que contemplavam o continente asiático, porém, suas expedições se depararam com um novo continente, posteriormente denominado de América em homenagem a Américo Vespúcio por ter chegado à conclusão de ter se deparado com um novo continente. Nas cartas escritas pelo navegante estão registradas as percepções sobre a descoberta do Novo Mundo. Veja os relatos das cartas no quadro abaixo.

    Unidade 5

    TRECHO DO RELATO DE AMÉRICO VESPÚCIO - Relato 1

    “Estas regiões podemos certamente denominá-las novo mundo porque não as conheceram nossos ancestrais, sendo algo inteiramente novíssimo para aqueles que delas agora ouvem falar”. (Trecho do relato de Américo Vespúcio) (AQUINO, 1990, p. 50).

    TRECHO DAS CARTAS DE AMÉRICO VESPÚCIO DENOMINADAS MINDUS NOVUS: AS CARTAS QUE BATIZAM A AMÉRICA - Relato 2

    .. Vivem ao mesmo tempo sem rei e sem comando, e cada um é seu senhor de si mesmo. Tomam tantas mulheres quantas querem: O filho copula com a mãe; o irmão, com a irmã; e o primo, com a prima; o transeunte e os que cruzam com ele. Quantas vezes querem, desfazem os casamentos, nos quais não observam nenhuma ordem. Além do mais, não têm nenhum templo, não têm nenhuma lei, nem são idólatras. Que mais direi? Vivem segundo a natureza e podem ser considerados antes epicuristas do que estóicos. Entre eles não há mercadores nem comércio das coisas.

    Os povos geram guerras entre si sem arte nem ordem. Os mais velhos, com certos discursos, dobram os jovens para aquilo que querem e incitam para as guerras, nas quais matam cruelmente e mutuamente.E, aqueles que conduzem cativos de guerra, conservam não por causa da vida deles, mas para matá-los por causa de sua alimentação. Com efeito, uns aos outros, os vencedores comem os vencidos. Dentre as carnes, a humana é para eles alimento comum. Dessa coisa, na verdade, ficais certo, porque já se viu pai comer os filhos e a mulher. Conheci um homem, com o qual falei, do qual se dizia ter comido mais de 300 corpos humanos. Também estive 27 dias em certa cidade onde vi carne humana salgada suspensa nas vigas das casas, como é de costume entre nós pendurar toucinho e carne suína. Digo mais: eles se admiram de não comermos nossos inimigos e de não usarmos a carne deles nos alimentos, a qual dizem, é saborosíssima. As armas deles são arcos e flechas. E, quando se preparam para as guerras, não cobrem nenhuma parte do corpo para se proteger, de modo que nisso são semelhantes a bestas.

    Fonte: (BAYONA, Yobenj Aucardo Chicangana. Visões de terras canibais e gentios prodigiosos. ArtCultura, Uberlândia, v. 12, n. 21, p. 35-53, jul.-dez. 2010 Disponível em: . Acesso em 26 maio 2016).

    Unidade 5

    Os relatos do navegante Américo Vespúcio demonstram surpresa e estranhamento com o chamado mundo novo. Para Vespúcio tal denominação, conforme relato 1, caracteriza a “descoberta de terras que traziam elementos diferenciados onde podiam ser percebidos através da fauna, da flora, do clima, bem como dos costumes. Tratava-se de algo que ninguém jamais havia ouvido falar.

    O relato 2 traz a visão eurocêntrica com base no olhar de Américo Vespúcio. Nela o navegante destaca admirado dos modos de vida dos aborígenes que habitavam as terras das Américas. O referido trecho não destaca o exato lugar onde haveria observado os costumes dos povos nativos, porém, é evidente que os trata com inferioridade. Considerava-os povos sem lei e rei, estendendo sua crítica aos costumes matrimoniais e aos hábitos alimentares, pois era comum comer carne humana dos inimigos capturados. Essa prática antropofágica levou os europeus a considerá-los selvagens. Outro fato também criticado por Vespúcio é o fato de andarem nus e de estimularem as guerras.

    Embora em alguns locais como na península de Yucatán a “conquista” dos territórios astecas tenha se dado lentamente, é importante salientar que de modo geral a expansão dessa “conquista” ocorreu rapidamente devido há alguns fatores relacionados a superioridade bélica espanhola, pois com relação aos equipamentos bélicos, os espanhóis dispuseram de maior vantagem sobre aborígenes.

    Entre tais equipamentos estavam armas de fogo como: mosquetes, arcabuzes, pistolas e canhões. Através do uso de armamento defensivo estavam as armaduras, as couraças, os capacetes, bem como os escudos e ofensivos; lanças, espadas e punhais. Os espanhóis também depuseram de cavalos para adentrar nos territórios dos nativos.

    Embora estivessem em minoria, os espanhóis apresentaram tais vantagens, pois esses instrumentos inibiam os ameríndios. O uso da vestimenta de aço e do cavalo aterrorizavam os nativos, porque acreditavam serem pessoas associados a crenças antigas de superstições religiosas. As armas eram mais potentes e instantâneas, e também eram associadas a instrumentos mágicos de deuses.

    É importante ressaltar que os indígenas também possuíam suas estratégias para os espanhóis. Desenvolveram um instrumento denominado de boleadeira que ao ser arremessada, prendia as pernas dos cavalos que caiam instantaneamente, isso proporcionava a vulnerabilidade do inimigo. Outra estratégia era a produção de uma fumaça com folhas verdes ou pimentas, isso provocava uma rápida ardência nos olhos e a redução da visão.

    Desse modo, é importante refletir que o processo de “conquista” desses territórios acarretou na dizimação de milhares de aborígenes que foram saqueados e explorados. O comportamento espanhol se manifestava violentamente através de uma dominação econômica, cultural, religiosa e política. Acredito que a palavra “conquista” não se adéqua a tal prática violenta. Invasão seria o termo mais apropriado.

    Unidade 5

    Os ameríndios e a colonização espanhola

    A principal mão de obra da colonização espanhola foram os índios (O termo índio foi erroneamente utilizado pelos europeus, pois acreditavam estarem geograficamente próximos as Índias Orientais. Portanto passou a ser uma designação dada para identificar os povos que ali se encontravam) desse modo, os espanhóis instalaram na colônia o sistema de encomienda e mita. O primeiro consistia em prestação de serviços dos encomendados (silvícolas) aos colonizadores. Tal serviço se convertia em tributos pagos a Coroa, por meio de serviços forçados realizados em terras, minas ou em oficinas de tecelagem. A encomienda significou uma forma de exploração, pois não se recebia pelo trabalho realizado, levando os ameríndios a serem submetidos a condições subumanas. Isso gerou conflitos entre os colonos e as ordens religiosas, principalmente na ordem jesuítica, levando posteriormente a sua extinção.

    A mita, de origem Inca, adaptada aos interesses espanhóis, foi implementada na colônia como forma de trabalho. Os indígenas eram submetidos a trabalhos em determinadas áreas através de sorteio. Esse trabalho ocorria durante alguns meses e costumava ser remunerado, mas com valores inferiores mediante a intensa jornada de trabalho.

    Veja o Trecho da História natural e Moral das índias, de José da Acosta, Cronista do século XVI:

    Foi, portanto como (...) prêmio de vitória que foram dados os índios aos espanhóis (...) Como, depois de ganho o Novo Mundo, ficasse tão distante do Rei, não podia de modo algum mantê-lo em seu poder se os mesmos que o tinham descoberto e conquistado não o guardassem (...) acostumando os índios às nossas leis (...) Segue-se que tratemos do serviço pessoal dos índios, no qual se compreende toda a utilidade que pode obter e encomendar o do trabalho do índio. (AQUINO, 1900, p.64)

    Os povos nativos proporcionavam a sustentação da economia colonial, mesmo diante da proibição da escravização, continuaram trabalhando para os colonos. É importante refletir que essa submissão pode ser configurada num tipo de trabalho escravo, uma vez que eram submetidos às condições precárias em sua própria terra, não tinham direito de realizar seus cultos religiosos e nem de administrar suas tribos conforme sua cultura.

    Paulatinamente, os espanhóis foram se apropriando das terras indígenas, inicialmente tomando posse dos territórios do senhor Inca e Sol. Bethell (2004) coloca que em 1574 os espanhóis já haviam se apropriado dos territórios que correspondia à produção de prata dos ameríndios, rompendo com o reduzido controle que ainda exerciam. Posteriormente, dominaram as plantações de coca e de milho na região dos Andes. Com relação à produção de coca, houve intensificação em seu plantio. Toda a população passou a consumi-la, pois a coca inibia a fome, no caso dos silvícolas que trabalhavam nas minas, o consumo lhes permitia mais resistência, e assim, suportavam longas horas de trabalho.

    Unidade 5

    O consumo pulque (bebida mexicana) e chicha (andina), bebidas de teor alcoólico, somente permitido nas cerimônias de cultos aos deuses também foi intensificado. Desse modo, os hábitos dos nativos foram sendo alterados conforme se intensificava o processo de colonização nas regiões mexicanas e andinas. Bethell (2004) propõe uma reflexão a respeito do processo de aculturação, indagando, por exemplo, até quando se daria o limite de aceitação e de resistência da cultura europeia.

    A introdução de alguns hábitos pode ser percebida com maior evidência, principalmente os de caráter alimentar como laranjas, maçãs, figos, nabos, trigo entre outros gêneros alimentícios que se adaptaram ao clima e ao solo mexicano e andino. O gado também foi inserido na criação de animais, e assim, o consumo de carne passou a ser uma prática comum entre os nativos que estavam habituados a criação e consumo de lhamas. Vale ressaltar que o cultivo do trigo foi introduzido pelos espanhóis no intuito de pagamento de tributo.

    As técnicas tradicionais de cultivo do solo continuaram a fazer parte da cultura dos povos nativos. É importante salientar também a introdução da linguagem, onde ocorreu com maior rapidez no México e no Peru isso porque havia o interesse da hispanização de determinados grupos privilegiados de nativos com o intuito de servirem aos espanhóis. Sendo assim, fundaram-se alguns colégios franciscanos, sendo que essa educação se estenderia não apenas na maneira de falar, mas de se vestir. (BETHELL, 2004).

    É importante salientar que a efetivação religiosa não resultou na fidelidade dos ameríndios à fé católica. Isso se deve ao fato de muitos ameríndios continuarem praticando rituais clandestinamente. No Peru, por exemplo, a resistência à fé católica se deu de maneira mais intensa que no México, mesmo havendo uma mistura de culturas, os nativos continuaram a adorar seus deuses a partir das imagens dos santos católicos.

    A Igreja Católica, além de instituição religiosa atuava como uma estrutura administrativa, difundindo a fé católica através de cultos fundamentados numa educação voltada ao controle espiritual, tendo como instrumentos de disseminação da fé: as missões e a Santa Inquisição. No quadro abaixo, Pierre Chaunu aponta algumas questões relacionadas a atuação do Clero secular.

    Não se pode separar o estudo da administração do clero que foi um dos seus melhores agentes. A coroa gozava de fato, em virtude da bula de Alexandre VI, de um direito de proteção que colocou toda a administração da Igreja das Índias nas mãos do rei. Este fazia as nomeações para os cargos eclesiásticos por intermédio do Conselho das Índias e fixava os limites das dioceses; com a sua própria autoridade levantava, em nome do clero, o dízimo que lhe era devido em virtude de uma bula de 1501.

    Unidade 5

    Agente da autoridade real, a Igreja o era duplamente: ajudava o rei a conservar na mão a população espanhola por intermédio da Inquisição, instaurada nas Índias por decreto real de 26 de janeiro de 1509. O primeiro tribunal de Inquisição entrou em funcionamento em Lima em 1570 e no México em 1571. A Inquisição tratava de afastar todos os traços de heresia; o governo teve sempre a preocupação de manter longe do Novo Mundo os colonos de cuja fé se poderia suspeitar: mouros, judeus ou marranos. Talvez mais eficaz pelo terror que espalhava do que propriamente pela sua ação real, a Inquisição não inquietava os índios, tidos como crianças grandes, incapazes de heresia. Mas a obra capital da Igreja foi, antes de mais, a conversão dos índios a um cristianismo sumário, primeiro e decisivo passo no sentido da europeização (CHAUNU, 1983, p. 35).

    Era de competência da Igreja, eliminar as disseminações religiosas constituídas por outros povos. Como representante máxima da fé cristã e da figura do rei, deveria estar atenta a qualquer vestígio de heresia. Para isso, a realização dos ensinamentos católicos se fizeram fervorosamente presentes através das ordens religiosas seculares: franciscanas, dominicanas e agostinianas. A participação dos jesuítas, por exemplo, ocorreria na América latina por volta dos séculos XVII e XVIII.

    Durante as missões, essas ordens religiosas pretenderam abolir o trabalho escravo, inicialmente proposto no processo de colonização. Alguns religiosos se manifestaram contrários a tal escravidão como o frei Antônio de Montesinos e o dominicano Bartolomeu de las Casas. Mas é importante ressaltar, que embora tenham defendido os ameríndios, consideravam a necessidade de civilizá-los. Isso, implicava na efetivação de uma educação religiosa que os retirassem do estado de “selvageria” no qual se encontravam.

    As cartas e as imagens produzidas a partir do olhar de Américo Vespúcio apontam para essa “selvageria” indígena, como já mencionado, a prática do canibalismo era comum entre os nativos da região. As mulheres ganharam destaque nesses documentos, sempre apresentadas com atitudes de perversão e ferocidade. O ritual antropofágico contemplava etapas até se consumar o esquartejamento e a exibição de pedaços das vítimas. Suas cartas retratavam duas imagens de mulher: a de bom selvagem, dedicada a família e maternal e a de fera devoradora de carne humana.

    Desse modo, ao refletir sobre o processo de colonização espanhola nas regiões mexicanas e Andinas, é importante levar em consideração que esse processo se deu de forma imposta a partir de um povo que se considerava superior aos demais povos nativos. A imposição dos costumes europeus não significou a extinção das culturas tradicionais dos mexicanos e andinos. Ocorreu uma aculturação na qual implicou posteriormente como Bethel (2004) chama de processo de reintegração social, econômico, político e ideológico.

    A colonização da América pelos portugueses

    6

    Conhecimentos

  • Conhecer a História dos primeiros povos americanos durante o processo de “conquista” e colonização da América pelos portugueses, compreender a reconstrução da identidade desses povos a partir da mistura de culturas, a imposição da cultura europeia como dominante e as contribuições deixadas às sociedades posteriores.
  • Habilidades

  • Analisar os embates entre os portugueses e os povos nativos, as primeiras impressões e o processo de colonização, bem como exploração do território brasileiro.
  • Atitudes

  • Estimular o pensamento crítico no estudante sobre a miscigenação, valorizando a diversidade cultural dos povos da América e a imposição da cultura europeia.
  • Unidade 6

    As primeiras impressões e a exploração do território brasileiro

    Os primeiros contatos realizados com os habitantes do território brasileiro deixaram impressões que podem ser constatadas na carta escrita por Pero Vaz de Caminha em 1 de maio de 1500. Capistrano de Abreu, historiador e estudioso dos estudos brasileiros e da linguística indígena, considerou este documento de suma importância, pois acreditava ser a “certidão de nascimento” do Brasil, pois revela os primeiros olhares sobre a fauna, à flora e a geografia local, bem como as características e o comportamento dos habitantes do território brasileiro.

    Trecho 01: Carta de Pero Vaz de Caminha

    Esta terra senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos até á outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos ― terra que nos parecia muito extensa.

    Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lhes vimos. Contudo a terra em si é de muitos bons ares frescos e temperados como os de Entre – Douro-e-Minho, porque neste tempo d’ agora assim os achávamos como os de lá.Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!

    Fonte: Baseado em Carta a El Rei D. Manuel (São Paulo, Dominus, 1963). Disponível em: . Acesso em 29 maio de 2016

    Os relatos contidos na carta de Caminha revelavam suas primeiras impressões carregadas de um olhar de superioridade. Ao descrever a geografia do lugar, o escrivão evidenciava as possibilidades de exploração, bem como os desafios propostos como o de “salvar” os povos que habitavam a região mediante a forma em que viviam, pois para os portugueses os costumes dos aborígenes lhes causavam estranhamento.

    Unidade 6

    Entre 1500-1502, ocorreu à fase inicial da descoberta, após esse período Portugal planejou estratégias a fim de realizar a exploração do território. Nesse primeiro momento os portugueses não se empenharam num projeto de colonização, suas pretensões iniciais estiveram voltadas a implantar um sistema de feitorias comerciais. Produtos como madeira para tintura como a do pau-brasil era constantemente o produto mais explorado e comercializado pelos portugueses. Animais como macacos, papagaios e escravos também contemplavam essa lista de exploração.

    Devido à comercialização desses produtos, esse Novo Mundo passou a ser conhecida por terra dos papagaios, terra de Vera Cruz e Santa Cruz, mas seria devido a grande concentração de madeira de pau-brasil que designaria esse território o nome de Brasil. Capistrano de Abreu coloca que o pau-brasil inicialmente encontrado no litoral da Paraíba, Pernambuco, Cabo Frio e Rio de Janeiro constituíram durante algum tempo a principal rota de exploração portuguesa. Posteriormente outros lugares fariam parte da referida rota.

    Os carregamentos eram armazenados nas feitorias que serviam como ponto de apoio de gêneros alimentícios e de animais. Instaladas em ilhas como Porto Seguro, Bahia, Pernambuco e Cabo Frio, durariam até 1534, pois em 1930 se iniciaria na história do Brasil uma nova fase, a colonização. Esse sistema de comercialização em longo prazo não significou benefícios para a coroa portuguesa, pois se tornaram vulneráveis a ataques de navios franceses, espanhóis e holandeses que também disputavam espaços em território brasileiro. (BETHELL, 2004)

    A disputa pela exploração do território brasileiro entre portugueses e franceses se tornou cada vez mais acirrada, isso porque “[...] os franceses consideravam seus navios e comerciantes livres para comercializar com qualquer região do Brasil não ocupada efetivamente pelos portugueses [...]”. (BETHELL, 2004, p. 242). Esses entraves levaram o rei Dom João III a executar em 1530 um sistema de colônia de caráter permanente, isso inibiria a presença de outros países, principalmente da França de comercializar com povos nativos, bem como daria maior estabilidade a Portugal sobre a posse e exploração do território.

    Para o processo de colonização ser efetivado a coroa portuguesa enviou ao Brasil uma expedição costeira chefiada por Martim Afonso de Sousa, no intuito tanto de colonizar como de proteger as costas brasileiras dos navios franceses. Para isso, coube a esta expedição expulsar qualquer navio não autorizado que viesse a penetrar o litoral brasileiro. È importante ressaltar que o estabelecimento de colônias portuguesas extinguiria a possibilidade do governo francês de reivindicar direito as terras mediante bulas papais.

    Com a realização do processo de colonização, as terras brasílicas passaram a serem administradas por capitães-mores, responsáveis por lotes de terras concedidos pela coroa portuguesa. As capitanias hereditárias representadas por um capitão que também exercia o papel de governador foram divididas em doze lotes de terras a serem povoadas por colonos vindos de Portugal.

    Unidade 6

    Houve dificuldade em conseguir colonos aptos e dispostos a povoar o Novo Mundo, para isso, a coroa portuguesa decretava aqueles a serem enviados ao Brasil. Desse modo, os primeiros povoamentos foram constituídos por condenados ao exílio, prisioneiros políticos, criminosos, prostitutas, entre outros que eram considerados indesejáveis na corte portuguesa.

    Diante de todas essas questões, como poderíamos compreender o processo de exploração a partir dos métodos estabelecidos pela coroa portuguesa?

    Sergio Buarque de Holanda acredita que esse processo de exploração dos trópicos se deu com “desleixo e certo abandono”. (HOLANDA, 1995 p. 43). Contudo, para explicar tal colocação parte do princípio da formação social predominante na época, dos dois tipos humanos que habitavam as fronteiras. Sendo assim, o trabalhador e o aventureiro seriam para Holanda os dois tipos que representavam da miscigenação dos povos lusitanos e nativos.

    A colonização dos trópicos ocorreu através de uma nação considerada por Holanda aventureira e preguiçosa. Mas havia a necessidade de mão de obra, para isso, os portugueses buscaram inicialmente a exploração dos povos aborígenes, porém, não obtiveram sucesso nesta investidura. Desse modo, como os portugueses não tinham aptidão pelo trabalho, então a saída para a investidura nas lavouras de cana de açúcar seria trazer mão de obra de outro lugar, neste caso, os portugueses passaram a investir no tráfico de negros que trazidos da África, passaram a serem os braços trabalhadores do Novo Mundo.

    O sistema de capitanias hereditárias não teve êxito. Tais razões estão associadas ao desinteresse ou falta de experiência administrativa, ao isolamento entre as capitanias, bem como aos constantes ataques indígenas motivados pela resistência a ocupação territorial. Diante disso, para que a coroa portuguesa pudesse ter uma centralização do domínio das terras colonizadas, resolveu implantar outro sistema administrativo, chefiado por um governador geral que deveria fiscalizar as demais capitanias, evitando os ataques ameríndios e a aproximação de franceses, pois a vulnerabilidade de algumas delas poderiam proporcionar a colonização francesa.

    Bethell (2004) coloca que a preocupação de Dom João III estava centralizada principalmente no aumento das rendas reais, pois com o fracasso das capitanias, tais rendas haviam decaído. Desse modo, ao governador geral estava incumbido também o papel de estabelecer uma política geral como os nativos. A estratégia utilizada pela coroa portuguesa para proteger à colônia foi de intensificar o poder militar nas capitanias e elaborar uma política que pudesse estar condizente com a convivência dos aborígenes, pois “[...] a organização social dos tupis não se encaixava em qualquer das categorias que os portugueses pudessem compreender [...]”. (BETHELL, 2004, p.263).

    Durante os anos que se estenderam ao processo de colonização, desde as feitorias, as capitanias hereditárias e a implantação de uma estrutura administrativa mais centralizadora como do governo geral, podemos perceber que Portugal se deparou com situações desafiadoras a permanência desse país da Europa em solo brasileiro. Sendo assim, embora Portugal tenha sido negligente com o Brasil, o mais surpreendente é como conseguiu manter posse de tal território se seu empenho maior era chegar ao Extremo Oriente. Eis uma questão digna de atenção e que muitos historiadores tem se perguntado.

    Unidade 6

    Idolatria e atuação dos jesuítas na América Portuguesa

    Pensar na idolatria dos povos nativos requer compreender como seus costumes, suas crenças religiosas eram percebidas pelos colonizadores europeus, bem como pelos jesuítas. Desse modo, coube a esses últimos, missionários cristãos, levar a fé católica aos povos que habitavam as Américas.

    Mas afinal, o que caracterizava essa idolatria?

    Ronaldo Vainfas ao tratar a respeito dos idólatras da América Espanhola coloca que “[...] os principais “idólatras”, a saber, os homens que dirigiam semelhantes cultos, ou faziam pregações, eram considerados “dogmatizadores” e feiticeiros, reservando-se lhes naturalmente os piores castigos [...]”. (VAINFAS, 1990, p101-124). Outros aspectos eram caracterizados também como idolatrias, como destaca Vainfas ao e referir aos povos nativos do Brasil, onde a prática da antropofagia (É uma prática que se configura no ritual de comer uma parte ou várias partes do corpo humano.) as pinturas corporais, a nudez, a prática de ingerir cauim até provocar vômito e o curandeirismo são alguns exemplos dessas práticas de idolatria.

    Na América Espanhola, os idólatras chegavam a ser severamente punidos. Cabiam aos jesuítas presidirem os castigos estipulados pelo Tribunal de Inquisição da Igreja Católica. Dentre os castigos estavam os açoites, os trabalhos forçados e a fogueira. Para os jesuítas, entre eles o padre José de Anchieta, tratava-se de demônios. A partir dessa concepção, muitos dos povos ameríndios que habitavam nas Américas, especificamente no Brasil, no México e no Peru, sofreram punições que acarretaram em extermínio de milhares desses povos. Embora as punições realizadas pela Santa Inquisição posteriormente tenham sido suspensas, é importante pensar que o extermínio desses povos caracterizou o desrespeito a uma cultura, isso porque era diferente e considerada inferior a dos povos europeus. Outro fator que acarretou no extermínio de muitos desses povos foi o processo de colonização ocorrido na maioria das vezes por meio de imposição.

    Os principais objetivos que motivaram as missões jesuíticas foram: a conversão, a pacificação e aculturação. É importante ressaltar que nas descrições realizadas pelos jesuítas, nem todos demonstravam amor e respeito aos indígenas. Las Casas, por exemplo, respeitava e demonstrava amor aos povos da América espanhola, já Padre Manoel da Nóbrega, ao descrever os índios tupis, dizia que pareciam cães e porcos. José de Anchieta “dizia que mais se pareciam com animais do que com homens [...]”. (BETHELL, 2004, p. 264).

    As descrições acerca dos nativos sempre foram carregadas em tom de estranhamento, porém, nos romances de José de Alencar e nos poemas de Gonçalves Dias, a construção da figura do “bom selvagem”, do herói da nação brasileira era constantemente enfatizada. De acordo com Bethell, para a corte portuguesa sempre foram percebidos com olhar preconceituoso, por isso não eram tidos como súditos da coroa. Desde os primeiros relatos, como na carta de Caminha, já se construía um olhar de estranhamento sobre tais povos mediante seus costumes. A esse olhar estava atrelado à impressão de criaturas ingênuas que precisavam de salvação. Para isso a saída seria educá-los na fé cristã.

    Trecho 02: Carta de Pero Vaz de Caminha

    Pardos, nus, sem coisa alguma que cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhes um barrete e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio.

    Unidade 6

    E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar. [...] Ambos traziam no beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe esforço no falar, nem no comer e beber. Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobrepente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira tal que a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavarem para a levantar.

    Fonte: Baseado em Carta a El Rei D. Manuel (São Paulo, Dominus, 1963). Disponível em: . Acesso em 29 de maio de2016.

    Caminha descreve os povos nativos com perplexidade, demonstrando estranhamento com relação a suas aparências. Em seus relatos, destaca certa inocência, como se tudo que fizessem estivesse ligado ao seu desconhecimento de povo civilizado, aliás, eram percebidos como povos sem cultura e desprovidos de qualquer entendimento sobre civilidade.

    Ao se reportar aos povos americanos, Salvio Alexandre Muller coloca que embora a Europa tenha se refletido na América através de seus processos civilizatórios, não se pode tomar essa influência como predominante entre os americanos. Temos uma América moldada pelos processos migratórios, uma América como diz Muller “de muitas faces”. Contudo, é importante refletir que “ [...] não somos hoje criaturas à imagem e semelhança dos europeus[...]”. (MULLER, 1990, p. 200).

    A catequese dos silvícolas propostas pelos jesuítas se deparou com alguns entraves, pois ao serem catequizados, os nativos estariam sobre os cuidados dos jesuítas, na justificativa de que eram “seres sem alma”, precisavam de auxílio, com isso, os silvícolas não podiam ser escravizados. As aldeias jesuítas eram vistas como um incômodo ao projeto português de escravização dos nativos para mão de obra. Dentre aqueles que se colocaram contra as ações missionárias jesuíticas estavam o primeiro Bispo do Brasil Dom Fernando Sardinha. De caráter moralista, Sardinha contestava o comportamento dos jesuítas perante a aceitação das crenças dos aborígenes, contestava também tal conversão, pois os consideravam povos pagãos.

    A rotina de um missionário descrita por Capistrano de Abreu se constituía em: rezar a missa pela manhã antes dos silvícolas partirem para a lida no campo, os meninos iam as escolas a fim de aprenderem a ler e escrever, bem como os costumes europeus. No período da tarde os padres realizavam visitas aos enfermos acompanhados de alguns nativos. (ABREU, 1988, p.95).

    Como podemos entender essa relação estabelecida do ameríndio com sua condição diante da colonização portuguesa? Podemos considerá-lo livre?

    Unidade 6

    Holanda aponta que a liberdade dos nativos diante dessa colonização estava atrelada a uma liberdade “tutelada”, sendo assim, sob a proteção dos jesuítas estariam distantes do destino da escravização. Mas, se olharmos por outro ângulo, tal liberdade estava limitada, pois embora pudessem cultuar seus deuses, não poderiam ser totalmente livres, isso se deve ao fato de estarem sendo educados dentro de uma cultura que não lhes pertenciam.

    Sobre os casamentos mistos de aborígenes com brancos atentemos nas palavras de Holanda a respeito dessa união no quadro abaixo:

    Longe de condenar os casamentos mistos de indígenas e brancos, o governo português tratou, em mais de uma ocasião, de estimulá-los, e é conhecido o alvará de 1755, determinando que os cônjuges, nesses casos, “não fiquem com infâmias alguma, antes muito hábeis para os cargos dos lugares onde residirem não menos que seus filhos descendentes, os quais até terão preferência para qualquer emprego, honra ou dignidade, sem dependência de dispensa alguma ficando outrossim proibido, sob pena de procedimento, dar-se lhes o nome de caboclos, ou outros semelhantes, que se possam reputar injuriosos”. Os pretos e descendentes de pretos, esses continuaram relegados, ao menos em certos textos oficiais, a trabalhos de baixa reputação, os negros Jobs, que tanto degradam o indivíduo que os exerce como sua geração.

    Assim é que, em portaria de 6 de agosto de 1771, o vice-rei do Brasil mandou dar baixa do posto de capitão-mor a um índio, porque “ se mostrara de tão baixos sentimentos que casou com uma preta, manchando o seu sangue com esta aliança, e tornando-se assim indigno de exercer o referido posto”. (HOLANDA, 1995, p.56).

    É evidente, que a mestiçagem tinha suas restrições e isso implicou na exclusão dos negros. O texto evidencia o olhar preconceituoso do europeu para com aqueles que eram considerados apenas força de trabalho nas plantações de cana de açúcar e posteriormente de café. Aqueles que serviam de ama de leite para os filhos das sinhazinhas, que elevava a produção das fazendas dos senhores e que satisfazia os desejos mais ardentes dos prazeres carnais dos donos da casa grande, não eram dignos de constituir família com os brancos lusitanos. Um aborígene seria tolerável, mas um negro ou preto como chama Holanda seria uma afronta, e aquele, como retrata o documento acima citado, legitimasse tal união seria um ser de “baixos sentimentos”.

    De idolatras a “bom selvagem”, temos um cenário configurado por povos que se encontraram em circunstâncias que proporcionaram vantagens para uns e desvantagens para outros. A imposição da cultura europeia acarretou na mistura de costumes e na miscigenação de povos considerados inferiores aos olhos dos colonizadores, porém dessa mistura de etnias surgiu uma nação rica em diversidade cultural.

    Guia de estudo

    Guia de estudo

    A Missão: Dirigido por Rolland Joffé, com roteiro de Robert Bolt, o filme “A Missão” (1986) retrata os conflitos entre os jesuítas, a Coroa Ibérica e o Papa. Tais conflitos culminariam na expulsão dos missionários em meados do século XVIII. A trama se passa na região onde predominaram os sete povos das Missões, onde havia as disputas entre portugueses e espanhóis.

    Explicando melhor com a pesquisa

    Propomos que você realize a leitura do artigo “A civilização Maia: contextualização historiográfica e arqueológica”. O autor tem o intuito de traçar um perfil das primeiras explorações nos sítios arqueológicos, observar a construção do conhecimento criada acerca das primeiras informações obtidas pela Arqueologia, além das diversas vinculações das pesquisas empreendidas em relação aos contextos históricos de sua época e as teorias utilizadas atualmente pelos maístas.

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    Para ampliar mais seus conhecimentos faça a leitura do texto A conquista e colonização Espanhola da América. Neste texto você terá a oportunidade de entender o que a conquista da América representou na história da humanidade, o papel da igreja e muito mais. Vale a pena conferir!

    Após a leitura dos artigos escolha um e faça um resumo sobre o que você entendeu e poste na sala virtual.

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    Leitura Obrigatória

    Sugerimos que leia a obra História da América Latina: América Latina Colonial. Esta coleção busca percorrer os cinco séculos de história política, econômica, social e cultural da América Latina. Este primeiro volume dedicado ao período colonial inicia-se com um exame das civilizações e povos americanos nativos, às vésperas da invasão europeia, seguindo com a conquista e o início da colonização pelos europeus, e as estruturas políticas e econômicas dos impérios espanhol e português no decurso de três séculos.

    BETHELL, LESLIE (ORG.). História da América Latina: América Latina Colonial. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2004. 1 v.

    Após a leitura da obra, realize uma resenha crítica e faça uma postagem na sala virtual.

    Pesquisando na Internet

    Para que você possa ampliar mais seus conhecimentos sugerimos que você faça uma pesquisa na internet sobre os povos astecas, maias e incas. Nesta pesquisa aborde sobre a cultura, religião, economia e culinária.

    Após sua pesquisa faça um texto elencando a cultura, religião, economia e culinária de cada povo e realize uma postagem na sala virtual.

    Saiba mais

    Propomos que leia a entrevista com Serge Gruzinski, diretor de Pesquisa da CNRS e Diretor de Estudos da École des Hautes Études em Sciences Sociales – França. A entrevista enfatiza a História dos índios na América: abordagens interdisciplinares e comparativas.

    Após a leitura da entrevista faça um texto tecendo seus comentários e realize uma postagem na sala virtual.

    Vendo com os olhos de ver

    Sugerimos que assista ao vídeo Construíndo um Império – Astecas.

    Não houve império mais poderoso no Novo Mundo do que o império Asteca. Eles superaram os maiores desafios da engenharia e construíram a incrível cidade de Tenochtitlán no meio de um lago. Este apoteótico império fará você acreditar que sonha da mesma forma como aconteceu com seus conquistadores.

    Propomos também o filme A conquista do Paraíso. Dirigido por Ridlley Scott, o filme retrata os vintes anos da vida do Genovês Cristóvão Colombo, bem como empenho em conseguir apoio financeiro da Coroa espanhola para realizar as expedições que o levariam a descoberta de um Novo Mundo que posteriormente se tornaria o Continente americano. O filme retrata também o comportamento dos espanhóis diante do Novo Mundo e o início das colonizações

    Indicamos o filme Brava Gente Brasileira. Dirigido por Lúcia Murat ( 2000), o filme se passa na região de Mato Grosso do Sul, no final do século XVIII. Nesse período portugueses chegavam a região do Pantanal para fazer um levantamento topográfico das terras colonizadas. O eixo central do filme é o conflito cultural entre brancos e nativos.

    Após assistir os filmes, escolha um e procure destacar aspectos que mais lhe chamaram atenção.

    Revisando

    Este material está dividido em seis unidades. A primeira unidade de estudo intitulada, Mesoamérica, contempla os povos mesoamericanos que viveram no continente americano. Geograficamente está situada entre o Norte e Sul da América, na região onde se localiza o México. Esta unidade chama atenção para essas civilizações existentes e anteriores a chegada dos europeus. Consideradas evoluídas culturalmente para a época em que viveram, é construída uma discussão em torno de sua organização política, econômica e social.

    Na segunda unidade de estudo é abordada a civilização Maia. Considerados uma civilização de alta cultura, destacaram-se pela elaboração de calendários como: o solar e um calendário anual, sistema matemático, bem como pela escrita fonética.

    Na terceira unidade de estudo é abordado a civilização Asteca. Conhecidos como os eleitos do sol, este povo possuía uma organização política e militar, também tidos como povo de alta cultura. Os astecas se destacaram não somente por sua estrutura monumental, mas por organização urbana.

    Na quarta unidade de estudo é explanado sobre os povos Incas que viveram no vale de Cuzco ao Norte do Equador e Sul do Chile. Essa civilização se expandiu territorialmente, construindo um grande império. Dedicados à produção de artesanato se destacaram também no quesito urbano e arquitetônico.

    Na quinta unidade de estudo é abordado a “conquista” e a colonização da América pelos espanhóis. O processo de “conquista” e colonização dos povos nativos pelos espanhóis que acarretou na dizimação de milhares de aborígenes.

    Na sexta e última unidade, que tem por título, a colonização da América pelos portugueses, é apontado o processo de exploração do território brasileiro pelos portugueses e por outros povos que também disputavam esse território com espanhóis, holandeses e franceses, percebendo também o processo de catequização realizada pelos jesuítas na América portuguesa.

    Contudo, este módulo contempla uma discussão em torno de povos milenares e evoluídos que construíram sua identidade ao longo dos séculos, trazendo contribuições às posteriores sociedades americanas. É percebido também o processo de aculturação realizado a partir da imposição de uma cultura sobre a outra, o processo de colonização e os embates entre nativos e europeus mediante a resistência sobre a tomada de seus territórios.

    Autoavaliação

    1. Sobre os povos mesoamericanos cada povo deixou um legado para as civilizações posteriores. Descreva de que forma essas contribuições refletem em nosso modo de vida. Justifique sua resposta.
    2. Realize uma pesquisa mais aprofundada a respeito do calendário maia e sua relação com a astronomia e o sistema matemático.
    3. Reflita o texto sobre o sentido do termo pré-colombiano. Teriam esses povos uma história anterior à chegada dos europeus? Descreva essa questão com suas palavras.
    4. Como você percebe o processo de “conquista” e colonização dos espanhóis? Exponha sua opinião e discuta com os colegas.
    5. Descreva a atuação dos jesuítas na América Portuguesa.

    Bibliografia

    ABREU, Capistrano de. Capítulos da história colonial, 1500 – 1800. 7 ed., São Paulo, editora da Universidade de São Paulo, 1988.

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    BETHELL, Leslie. História da América latina: América Latina Colonial. v. 1, 2 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília, DF: Fundação Alexandre de Gusmão, 2004.

    CHAUNU, Pierre. História da América Latina. São Paulo: Difel, 1983.

    FAVRE, Henri. A Civilização Inca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.

    FERREIRA, Jorge Luiz. Incas e Astecas: culturas pré-colombianas. Série Princípios, 2. ed., São Paulo: Editora Ática,1988.

    HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil . 26 ed., São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

    LOCKHART, James; SCHWARTZ, Stuart B. A América Latina na época colonial. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

    MULLER, Salvio Alexandre. A natureza brasileira segundo dois cronistas no período colonial. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 11, n. 21, p. 199-213, set. 90/ fev. 91.

    MURRA, John. As sociedades andinas anteriores a 1532. In: BETHELL, Leslie (Org.). História da América Latina: América Latina colonial. São Paulo: Edusp, 1997. v. 1.

    POMER, Leon. História da América Hispano-indígena. São Paulo: Global, 1983.

    PORTILLA, Miguel L. A Mesoamérica antes de 1519. In: BETHELL, Leslie (Org.). História da América Latina: América Latina colonial.v.1. São Paulo: Edusp, 1997.

    SAUNDERS, Nicholas J. Américas antigas: as grandes civilizações. São Paulo: Madras, 2005.

    SOUSTELLE, Jacques. Os Astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

    VAINFAS, Ronaldo. Colonialismo e Idolatrias: Cultura e resistência Indígenas no Mundo Colonial Ibérico. Revista Bras. de História. São Paulo, v. 11, n. 21, p. 101-124, set, 90/ fev.91.

    Bibliografia Web

    BAYONA, Yobenj Aucardo Chicangana. Visões de terras canibais e gentios prodigiosos. ArtCultura, Uberlândia, v. 12, n. 21, p. 35-53, jul.-dez. 2010 Disponível em: http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF21/y_bayona.pdf Acesso em 26 maio 2016.

    GRUZINSKI, Serge. História dos índios na América: abordagens interdisciplinares e comparativas. In: Revista Scielo. Tempo vol.12 no.23 Niterói, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-77042007000200011

    Acesso em 19/07/2016.

    NAVARRO, Alexandre Guida. A civilização maia: contextualização historiográfica e arqueológica. História v.27, n.1, Franca, 2008.Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-90742008000100015 Acesso em: 19maio 2016.

    OLIVEIRA, Susane Rodrigues de. As sacerdotisas do sol: imagens sagradas e profanas do feminino nas crônicas espanholas do século XVI. Cad. Pagu n.19, Campinas, 2002.Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010483332002000200007&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em 19/07/2016.

    SOBRINHA, Artemisa Cunha. O povo asteca na véspera da conquista espanhola por Jacques Soustelle. Revista Homem, Espaço e Tempo. Ano IV, n. 1, março de 2010, p. 110-128. Disponível em: http://www.uvanet.br/rhet/artigos_marco_2010/povo_astecas.pdf Acesso em 19/07/2016.

    Vídeos

    1492 A Conquista do Paraíso Dublado HD Completo 1280x720p. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fUIm3z1lcL0

    A Missão. Dirigido por Rolland Joffé, com roteiro de Robert Bolt. Gênero: Drama 1986. ( Duração: 125 minutos)

    Brava Gente Brasileira, 2000 Filme Completo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h2VsYLURrI0

    Construindo um Império - Astecas - Dublado - HD 720p – Documentário. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PbDPx5IKwKY

    História da Mesoamérica Disponível em: http://www.dailymotion.com/video/x1s39k6_historia-da-mesoamerica-discovery-channel_shortfilms

    Mistérios da civilização Olmeca Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=50OGdPUTGO8

    Os Maias: Construindo um Império: Documentário History Channel PT. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hFo2D_Ycz3E

    Perú Eterno parte 1-4 . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Oi08cR99MQ8

    Perú Eterno parte 2-4 . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dwh4RJaycdY

    Perú Eterno parte 3-4 . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kCWoXu1Eauk

    Perú Eterno parte -4 . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zcMcpr09RtQ




    Empreendedor: Que empreende; ativo, arrojado.

    Dicionário Aurélio, (1986).

    "O termo Empreendedor denota pessoa que: inicia, coordena, controla e assume os riscos do negócio". Dicionário de Ciências Sociais (1964);

    Motivação: Espécie de energia psicológica ou tensão que põe em movimento o organismo humano, determinando um dado comportamento.

    Perfil: Escrito em que se salientam os traços característicos de uma pessoa.Gráfico que representa as diversas aptidões de uma pessoa.

    Forma Proativa: Tomar ações de forma proativa é não ficar esperando as coisas acontecerem e sim fazer literalmente as coisas acontecerem, é planejar o que fazer, más não ficar eternamente planejando.

    Predisposição: Disposição antecipada ou tendência natural para; aptidão, vocação, inclinação.

    Perseveranca: Qualidade de quem persevera; constância, firmeza, pertinácia.

    Proficiente: Que executa as coisas com proficiência; competente, conhecedor, destro, hábil.

    Predeterminar: Determinar antecipadamente: "Eu descobri o meio de predeterminar esse futuro" (Monteiro Lobato, ap Francisco Fernandes).

    Oportunidades: Conforme Ávila (1918, p. 424) vem do latim “opportunus”, formado de “ob” + “portus” = que se encontra diante do porto. Saber aproveitar da melhor maneira possível as situações concretas.

    Marketing: é o conjunto de técnicas e métodos destinados ao desenvolvimento das vendas, mediante quatro possibilidades: preço, distribuição, comunicação e produto. Em sentido amplo, é a concepção da política empresarial, na qual o desenvolvimento das vendas desempenha um papel predominante.

    Créditos

    Diretor Presidente das Faculdades Inta

    • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

    Pró Diretor de Inovação Pedagógica

    • Prof. PHD João José Saraiva da Fonseca

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