História da Educação
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Lista de Vídeos de História da Educação

Palavra do professor-autor

Olá caros estudantes,

Teremos a oportunidade de estudar as formas de educar desde a antiguidade até os dias atuais, com amplo destaque para as instituições, processos e costumes educativos. Sublinhamos, de um lado, o aspecto social da educação e, de outro, as descontinuidades e as rupturas dentro do processo histórico.

Este material didático, uma síntese interpretativa da prática educativa ao longo do tempo, baseada em pesquisas originais, não deve servir apenas como instrumento de consulta e informação. Deve, fundamentalmente, estimular a reflexão e a consciência crítica sobre as formas de educar do passado e presente, permitindo a comparação e a percepção das permanências e mudanças.

Conscientes dos propósitos de nossos estudos, convidamos para uma grande viagem pela história da educação, começando pelas civilizações do oriente próximo, na antiguidade, passando pela Grécia, Roma, até chegar aos dias atuais.

Todos estão prontos? É hora, pois, de zarpar!

Autor

Antônio Vitorino Farias Filho, Possui graduação e bacharelado em História pela Universidade Federal Fluminense (2002), especialização em Teoria e Metodologia da História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (Sobral-Ceará,) e Mestrado em História e Culturas pela Universidade Estadual do Ceará (2009). É doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2013). Atualmente é professor na Faculdade Princesa do Oeste, do Instituto Kairós (Ipu-Ce) e da rede estadual de ensino do Estado do Ceará. Ainda, é professor colaborador dos cursos de História do Instituto de Pesquisas Vale do Acaraú, Instituto de Formação e Educação Teológica e dos cursos de Pós-graduação em História ofertados pelas Faculdades INTA-Sobral.

Ambientação

A história da educação sofreu fortemente com as transformações econômicas, sociais e políticas de cada época. Tais transformações também influenciaram o cenário educacional brasileiro. Com resultado, a sociedade passou a ter certas necessidades no âmbito educacional, o que acabou por modificar o currículo.

Visando esclarecer melhor sobre o currículo, indicamos a leitura do livro “Sociedade, educação e currículo no Brasil – dos jesuítas aos anos de 1980”. O livro traz um recorte sobre os currículos no Brasil, desde a educação jesuítica até a década de 80, falando das necessidades da sociedade que foram amparadas pelas políticas educacionais e se transformaram em normas a serem cumpridas pelas instituições escolares.

Trocando ideias com os autores

Agora é o momento de você trocar ideias com os autores das obras indicadas.

Propomos a leitura de algumas obras.

História da Educação e da Pedagogia

História da educação no Brasil

Guia de Estudo

Considerando as obras acima relacionadas faça uma reflexão sobre a educação, escolha uma delas e faça uma resenha. Desse modo você terá uma compreensão mais clara do desenvolvimento educacional brasileiro, podendo desenvolver competências para sua atuação profissional docente.

(ARANHA, 2010)

Caro estudante, convidamos você a ler o livro de Maria Lúcia de Arruda Aranha, História da Educação e da Pedagogia, o qual irá possibilitá-lo compreender as relações entre educação e seu desenvolvimento no Brasil. Trata-se de uma obra que auxilia na interpretação de fatos nos contextos histórico, educacional e pedagógico.

Diante das dificuldades que são explícitas na educação, a autora reitera a esperança de que um mundo mais justo e menos violento depende de políticas voltadas para a democratização das oportunidades de acesso à escola e à cultura.

(ROMANELLI, 2010)

Sugerimos também a leitura da obra História da educação no Brasil, que faz um levantamento factual dos principais aspectos da educação brasileira, principalmente após 1930, e procura mostrar que a evolução do ensino brasileiro, tanto em relação à sua expansão quanto em seu modelo formal, respondeu a determinações de ordem econômica, social e política.

Problematizando

Ao focarmos na história da educação verificamos que esta vem passando por várias transformações, mas ainda falta muito para tornar-se adequada, haja vista nela implicarem fatores sociais, econômicos e políticos.

Sabemos que o Brasil é um país detentor de muitas riquezas em se tratando de energia, alimentos, água potável, dentre outros recursos. Pensemos então: tendo o Brasil um enorme potencial e recursos suficientes, por que historicamente a nossa educação foi carente de investimentos? Suponhamos que você fosse o Ministro da Educação e tivesse poder de decisão, quais procedimentos tomariam para melhorá-la? Você acredita que o fato de a educação não ser considerada prioridade é intencional? Por quê?

Após a leitura dos questionamentos, reflita e faça uma resenha crítica e comente com seus colegas.

A Educação Tradicionalista

1

Conhecimentos

  • Compreender a prática educativa adotada entre os povos da Antiguidade oriental.
  • Habilidades

  • Posicionar-se criticamente em relação às formas de educação adotadas pelos povos da Antiguidade oriental;
  • Identificar semelhanças e particularidades entre as práticas educativas adotadas pelas primeiras civilizações e suas relações com o contexto histórico.
  • Atitudes

  • Ser capaz de analisar como a educação foi transformada em estratégia de dominação.
  • Unidade 1

    A Educação Tradicionalista

    A chamada Educação Tradicionalista corresponde à concepção de educação “elaborada” pelos povos da Antiguidade oriental, aqueles que antecederam os gregos e romanos do período clássico. Esses povos se desenvolveram num período marcado pelo crescimento da técnica e da especialização das funções, do incremento da agricultura, surgimento e desenvolvimento da pecuária e de excedentes comerciais.

    A sociedade tornou-se mais complexa em função de uma rígida divisão de classes e da religião organizada pelo Estado centralizador. As civilizações que se desenvolveram no norte da África e na Ásia (Oriente Próximo, Oriente Médio e Extremo Oriente) construíram as primeiras cidades com templos, palácios e monumentos, além de inventarem a escrita.

    O que há de semelhante entre todos esses povos, do ponto de vista da educação, é o seu caráter estático, com mudanças muitos lentas. O seu forte componente religioso contribuiu decisivamente para isso. A educação exigiu a criação de escolas, mas estas não estavam abertas apenas a classe dominante.

    Cenário Histórico

    As primeiras civilizações

    O processo de hominização percorreu um longo período que vai desde o surgimento de nossos ancestrais até a chamada Revolução Neolítica, por volta de 10.000 a.C., momento que inaugura o domínio do homem sobre o meio ambiente. Colocando a natureza a seu serviço, o homem, através do trabalho, passou a produzir seus meios materiais de existência. O surgimento da economia produtora, que caracteriza o período, é chamado por Gordon Childe 1986) de Revolução Neolítica, cujas principais características foram o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais.

    Além disso, o desenvolvimento da tecelagem e da cerâmica, juntamente com a agricultura e a pecuária, levou a uma nova divisão e especialização do trabalho que, por sua vez, deu origem a uma economia de troca, anunciando o aparecimento do comércio.

    Unidade 1

    A Revolução Neolítica levou à produção de excedentes alimentares, cujas consequências foram a normatização das condições de reprodução da vida humana e um significativo aumento demográfico. Ao lado disso, ocorreu também a transição do nomadismo para o sedentarismo, como consequência do desenvolvimento da agricultura. Data dessa época o surgimento de instituições como a família, a propriedade privada, as classes sociais e a religião.

    Por volta de 5.000 a.C., as transformações levaram ao surgimento de civilizações complexas nas regiões banhadas por rios. São os casos do Egito (rio Nilo), da Mesopotâmia (rios Tigre e Eufrates), da Índia (rios Indo e Ganges) e da China (rios Yangté e Hoang-Ho). Desta forma, as condições naturais favoreceram o aparecimento de civilizações agrícolas-sedentárias.

    A despeito das diferenças entre elas, todas desenvolveram Estados centralizados, assumindo a forma de governos teocráticos (cujo poder baseia-se na religião) e despóticos (o poder do governante sustentava-se na crença de sua origem divina).

    No que se refere à propriedade, as sociedades orientais se distinguiam tanto das comunidades tribais quanto das civilizações grega e romana, pois a terra não pertencia a todos, como nas tribos, nem a particulares, mas era propriedade estatal.

    O Estado, com seu corpo de funcionários, controlava a produção, arrecadava impostos, recrutava a mão de obra necessária à produção agrícola e às grandes construções como templos, palácios e monumentos. Com o crescimento do poder burocrático, centralizado e poderoso, crescia a importância de seus agentes (altos funcionários, sacerdotes e escribas, por exemplo). A essa minoria privilegiada, responsável pela administração “pública” e dos negócios, correspondia uma massa da população que se dedicava à produção, sustentava o Estado era formada por escravos, mercadores, artesãos, soldados e camponeses obrigados à servidão.

    Outros povos que formam as civilizações da Antiguidade oriental, como os hebreus, os persas e os fenícios, embora com suas especificidades próprias, assemelhavam-se em muitos pontos às “civilizações hidráulicas”, aquelas que se desenvolveram em torno dos rios e tinham na agricultura sua principal atividade econômica.

    Unidade 1

    Educação nas primeiras civilizações

    Vimos que, com as transformações a partir da chamada Revolução Neolítica, as sociedades humanas tornaram-se mais complexas. Houve uma divisão sexual do trabalho e as mulheres, confinadas ao lar, tornaram-se dependentes dos homens. Da mesma forma, os seguimentos sociais se especializaram entre governantes, sacerdotes, mercadores, produtores e escravos, estabelecendo-se uma hierarquia de riqueza e poder. Tais mudanças foram seguidas de uma transformação na educação. Esta deixou de ser “igualitária”, isto é, acessível a todos, como nas comunidades tribais. Alguns poucos grupos privilegiados tinham acesso à educação e aos cargos burocráticos. À grande maioria da população eram negados não apenas o acesso aos cargos, mas também, e principalmente, o saber e a educação “formal”. Teve início o dualismo escolar, que, segundo Maria Lúcia de A. Aranha(2006:45),“destinava um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos nobres e altos funcionários”. Portanto, a grande massa que compunha a população era excluída da escola.

    Parece unânime entre os autores que estudam a educação numa perspectiva temporal defender que nas civilizações orientais não havia uma reflexão predominantemente pedagógica, restringindo-se a orientações de como educar, presentes nos escritos sagrados.

    Estes ofereciam regras e modelos de conduta, seguindo valores religiosos e morais, com a finalidade, por um lado, de perpetuar os costumes e, portanto, as hierarquias de poder e sociais, e, por outro, evitar a transgressão das normas defendidas ou estabelecidas.O conhecimento da escrita era, por exemplo, bastante restrito em função de seu caráter sagrado e esotérico.

    Embora ao longo do tempo o número daqueles que procuravam a instrução tenha aumentado, apenas aqueles saídos da classe dominante chegavam aos graus superiores.

    Unidade 1

    Egito

    O rio Nilo foi o berço de uma das mais brilhantes civilizações do Oriente Antigo. Sob o governo teocrático dos faraós, o antigo Egito construiu sistemas de canais de irrigação, edificou templos, mumificou os mortos, desenvolveu a escrita hieroglífica, a astronomia, a medicina e a matemática, ainda que estas últimas tivessem um caráter prático. Desta forma, o desenvolvimento das ciências no Egito antigo estava relacionado, em grande parte, com a necessidade de aumentar o domínio da sociedade sobre a natureza. Devia solucionar problemas como o controle das inundações do rio Nilo, a construção de sistema hidráulico, a preparação da terra para a semeadura, o combate às doenças endêmicas e epidêmicas.

    As ciências que mais se desenvolveram foram a astronomia, a matemática e a medicina. As pesquisas no campo da astronomia procuravam estabelecer relações entre o movimento dos astros e o fluxo das águas do Nilo. Os egípcios desenvolveram um calendário solar que substituiu o calendário lunar, dividiram o ano em 365 dias e o dia em 24 horas. Na matemática, desenvolveram-se a aritmética e a geometria.

    O progresso desta última pode ser avaliado pela construção dos templos e pirâmides.Por fim, o estudo do corpo humano e o aperfeiçoamento das técnicas de mumificação impulsionaram o desenvolvimento da anatomia.

    O desenvolvimento da ciência e do conhecimento de um modo geral não eram acompanhados de uma reflexão teórica, nem de princípios ou leis científicas, algo que coube aos gregos. Estas atividades exigiam um esforço muito grande do Estado, o que explica, em parte, o fato do conhecimento estar restrito a poucos, como os sacerdotes, que submetiam os alunos a práticas de iniciação.

    As escolas, como demonstra Aranha (2006),eram frequentadas por pouco mais de vinte alunos cada uma. Embora já se perceba a institucionalização das escolas, elas não funcionavam em locais especializados, construídos com esta finalidade, mas em templos e em algumas casas. O professor sentava-se em uma esteira e ao redor dele ficavam os estudantes, geralmente ao ar livre. Os textos eram lidos em voz alta e em conjunto com o objetivo de que fossem memorizados. O ensino autoritário tinha por objetivo levar à obediência. Numa sociedade autocrática, a educação devia ensinar aos alunos o valor da obediência, da subordinação, haja vista a punição ter um papel pedagógico.

    A finalidade da educação, no entanto, não era apenas ensinar a obedecer. Era sua função também contribuir para que o estudante adquirisse a arte de falar bem e do convencimento, pelo menos para aqueles que faziam parte de conselhos ou deviam discursar para as multidões. Nesse sentido, os egípcios antecedem os sofistas, pelo menos, nestes dois pontos.

    Unidade 1

    A educação física não era negligenciada. Destinava-se aos nobres e guerreiros, centrando-se inicialmente na natação. Mais tarde, as atividades de tiro com arco, corrida, caça e pesca foram incorporadas ao ensino.

    Na educação dos escribas, enfatizava-se a arte de escrever bem, uma vez que eles eram os encarregados dos registros de atos oficiais e, em menor escala, dos registros comerciais.

    Além disso, a sua função era escrever, registrar dados numéricos, redigir leis, copiar e arquivar informações. No Egito eram funcionários reais e gozavam de condição privilegiada, sobretudo por volta do final do terceiro milênio a.C. e começo do segundo.

    Segundo Aranha (2006), o ensino formava não apenas funcionários que assumiriam postos na burocracia estatal, mas também preparava médicos, engenheiros e arquitetos.Havia ainda outro tipo de ensino voltado para os ofícios especializados, para formar artesãos e para o treinamento dos guerreiros, o que separava a escola nos seus objetivos “intelectuais” ou “práticos”. A despeito disso, a grande maioria da população estava excluída da escola “formal”.

    Mesopotâmia

    A estreita faixa de terra entre os rios Tigre e Eufrates foi chamada pelos gregos, na Antiguidade, de Mesopotâmia. A partir da segunda metade do quarto milênio a.C., a região foi invadida por diversos povos, entre os principais estão os sumérios, acádios, babilônios, assírios e caldeus.

    A cultura dos sumérios (religião, arte, leis e literatura) serviu de base para o desenvolvimento da civilização mesopotâmica e permaneceu por milênios com pequenas alterações.

    À semelhança do Egito antigo, desenvolveu-se ali uma civilização baseada na agricultura e no regadio. Essa atividade estava apoiada numa vasta rede de canais e aquedutos, utilizados para sanear os pântanos, fertilizar a terra e controlar a distribuição da água.

    Uma economia agrícola, apoiada num complexo sistema de drenagem e irrigação, serviu de base para o surgimento de uma sociedade de castas, extremamente hierarquizada, portanto, que se organizou em impérios teocráticos e desenvolveu uma brilhante cultura. A escrita cuneiforme, os templos e os palácios, o Código de Hamurabi e os Jardins Suspensos da Babilônia são exemplos das realizações dos povos mesopotâmicos.

    Como no Egito, as ciências eram dominadas pela religião. Muito tênue era a fronteira que separava a medicina da magia, a matemática da cabala e a astronomia da astrologia. A matemática foi desenvolvida pelos caldeus nos campos da álgebra e da geometria.

    A astronomia foi a ciência que alcançou maior progresso; praticada pelos sacerdotes, estes utilizavam as torres dos templos como observatórios. Em suas pesquisas chegaram a prever eclipses e estabelecer o movimento dos astros.

    Unidade 1

    No segundo milênio a.C., Hamurabi, rei do Primeiro Império Babilônico, foi o responsável pelo primeiro código de leis escrito na história do Oriente Antigo, considerado o maior legado mesopotâmico no plano das leis. Legislava sobre questões penais, direito de propriedade,relações familiares, religião e comércio. Segundo a tradição, considerava-se que as leis resultavam da autoridade divina e, como tal, não podiam ser transgredidas, o que supunha castigos severos.

    Dispondo de amplos conhecimentos, os mesopotâmios construíram bibliotecas e no campo da ciência tiveram progressos significativos. No entanto, como vimos, estes saberes não conseguiram se desvincular do misticismo. Para os estudiosos, por exemplo, as doenças seriam causadas por demônios e a posição dos astros revelava a vontade dos deuses.

    Quanto à educação, não dispomos de grandes informações. Sabe-se, no entanto, que predominava uma educação doméstica em que os conhecimentos, crenças e habilidades eram transmitidos de pai para filho. Com os assírios (1300-612 a.C.), os quais formam um imenso império que se estendeu para toda a Mesopotâmia e extrapolou os seus limites geográficos, foram criadas escolas públicas objetivando impor os valores dos conquistadores.

    Mais tarde, fundaram-se instâncias de educação superior (centro de estudos de história natural, astronomia e matemática) criadas nos palácios reais. Os assírios ergueram ricas bibliotecas no interior dos templos.

    A cultura dominante era formada por uma poderosa classe sacerdotal, detentora do saber e encarregada da educação. A escola formava os escribas, encarregados de ler e copiar os textos religiosos e, ainda, registrara transações comerciais. O aprendizado era longo, minucioso e voltado para a preservação da cultura.

    Índia

    Por volta do terceiro milênio a.C., começou a desenvolver-se, às margens dos rios Indo e Ganges, a civilização indiana. No decorrer do segundo milênio a.C., de forma lenta, com imigrações e invasões, o sul da Índia registra a chegada de povos seminômades indo-europeus, chamados de ário ou arianos.

    Ariano é a forma genérica pela qual são chamadas as pessoas de pele clara originárias de algumas das cerca de cinquenta tribos nômades que habitavam a região do Cáucaso – área que abrange parte dos territórios atuais de Rússia, Geórgia, Azerbaijão e Arménia.Dominando a escrita, os ários descreveram sangrentos conflitos por meio dos quais teriam se instalado no vale do rio Indo. Estes textos, que foram escritos em sânscrito, são conhecidos como vedas, que significa “conhecimento”. Por isso, a civilização que surge nesse momento é chamada de védica. Mais tarde, avançaram em direção ao vale do Ganges.

    Unidade 1

    A civilização védica está na base histórica da Índia como a conhecemos. Sua cultura foi compilada pelos diversos reinos que se formaram na região.Caracteriza-se pela religião – o hinduísmo e, posteriormente, o bramanismo – e pela forma de organização social – o sistema de castas.

    O hinduísmo fundamentava-se nas crenças descritas nos Vedas, com a adoração de várias divindades, e mesmo animais, e a crença na reencarnação. Seus seguidores tinham como objetivo principal a plena purificação (o chamado nirvana), que poria fim ao eterno ciclo do nascimento, a morte e a reencarnação. Com o passar do tempo, o hinduísmo sofreu transformações, incorporou novas divindades, dando origem a uma religião mais complexa, conhecida como bramanismo. Entre as principais divindades do bramanismo estão Brahma, criador do universo, Vishnu, deus da conservação e Shiva, deus da destruição.

    O domínio dos guerreiros (xátrias) e dos sacerdotes (brâmanes) sobre os demais grupos sociais indianos fundamenta o sistema de castas. Castas são grupos sociais fechados, compostos de pessoas que exercem a mesma posição. Nesse sistema não se pode passar de uma casta a outra. As mais importantes castas eram formadas pelos árias. Os sacerdotes ficavam no topo da hierarquia social, na casta dos bramares.

    Em seguida, estavam os xátrias (nobres, guerreiros e administradores), os vaixás, ou comerciantes, e os sudras, artesãos e trabalhadores manuais não arianos. Na base da hierarquia social estavam os párias, pessoas excluídas da sociedade, sem direito à instrução, ouvir os hinos védicos e viver nas cidades.

    Nessa sociedade a educação era privilégio das castas superiores, embora não fossem comuns as escolas. Geralmente os pais eram responsáveis pela educação dos filhos, como base nos textos Vedas, livro sagrado compostos por hinos e preces.

    Havia nesta sociedade hierarquizada,portanto, uma extrema discriminação. A educação, também discriminatória, privilegiava os brâmanes. Com a orientação dos professores, eram estudados os textos sagrados dos Vedas e dos Upanishards; estes, textos mais recentes, datam do período entre 1500 e 500 a.C.

    As aulas ocorriam, geralmente, ao ar livre, sob árvores e dependiam da iniciativa privada. O mestre era muito respeitado e havia uma disciplina, mas que não abusava dos castigos. Predominava o ensino religioso com destaque para os preceitos morais. O aprendizado caracterizava-se pela memorização. Por isso, não havia grande interesse pela educação física. Inicialmente apenas os brâmanes atingiam os estudos superiores.

    Unidade 1

    Nestes, estudavam não apenas a religião, mas também gramática, literatura, astronomia, matemática, filosofia,

    direito e medicina. Com o tempo, outros grupos sociais passaram a ter acesso a esse tipo superior de educação, enquanto outros seguimentos apenas recebiam educação elementar, da qual estavam excluídos os sudras e os párias.

    China

    Por volta de 7000 a.C., surgiram as primeiras aldeias às margens dos rios na região que hoje forma a China. Foi no vale do rio Huang Ho (rio Amarelo), no norte da China, que a agricultura mais se desenvolveu, o que levou à formação de muitas comunidades.

    Com o passar do tempo, esses povoados se transformaram em pequenos Estados governados por chefes cujo poder era transmitido por meio de laços familiares. Estes pequenos Estados foram unificados formando um império, governado por várias dinastias. Após certo período, o império se expandiupor extensas áreas, tornando a sociedade e as relações econômicas e políticas mais complexas.

    Durante os sete séculos governados pela dinastia Shang, que reinou até o século XI a.C., a China viveu uma era de florescimento cultural, com a criação de uma escrita primitiva (Yinxu), que originou a atual escrita chinesa, feita com ideogramas, símbolos gráficos ou desenhos que representam ideias, sentimentos ou conceitos.

    Ainda durante a dinastia Shang, foi desenvolvido um calendário com 365 dias, o uso de conchas como dinheiro, a criação de instrumentos musicais, como tambores e sinos, e o descobrimento da técnica de fabricar tecidos de seda com base nos casulos do bicho-da-seda. Durante esse período, os chineses acreditavam em vários deuses, consultavam oráculos e realizavam sacrifícios de humanos e animais em nome dos deuses.

    Com o fim da dinastia Shang, segue-se uma disputa pelo poder, dando início a um período de lutas que acabou levando a uma crise estrutural da sociedade. Essa crise provocou reflexões a respeito do papel do Estado, das leis e dos governantes. Da mesma forma, estimulou o nascimento de teorias filosóficas, como o taoísmo e o confucionismo.

    Unidade 1

    Esta última, ainda hoje influente na China, foi elaborada por Koung Fou Tseu (551-479 a.C.), conhecido no ocidente como Confúcio, que se dedicou a pensar como o Estado, os governantes e os indivíduos poderiam viver em uma sociedade harmônica e feliz. O confucionismo sustenta os princípios de altruísmo, cortesia ritual, conhecimento ou sabedoria moral, integridade, fidelidade e justiça, retidão e honradez.

    O taoísmo, por sua vez, foi fundado por LaoTsé (cerca de 570-490 a.C.). Defendia o abandono das vaidades do mundo, o retiro da vida pública e a dedicação à meditação solitária, que seria o caminho (tao) para uma integração íntima com o universo.

    Uma característica marcante da sociedade e da cultura chinesas é o tradicionalismo. Isso acabou refletindo na educação que reproduziu esse conservadorismo era voltada para a transmissão da sabedoria contida nos livros clássicos.

    Talvez o livro canônico, ou clássico, mais antigo seja o I Ching (Livro das mutações), cuja origem não é possível datar. Trata-se de um tipo de oráculo que até hoje é consultado pelos orientais. LaoTsé e Confúcio, que viveram no século VI a.C., buscaram inspiração nesse livro.

    Ao contrário de outras sociedades, cujo saber estava nas mãos da classe sacerdotal, na China o poder estava com os letrados, os mandarins, altos funcionários e responsáveis pela burocracia do Estado, da confiança do imperador.

    Havia um rigoroso sistema de seleção para o ensino superior, baseado em exames oficiais direcionados às diversas atividades administrativas. Os cursos restringiam-se à classe dominante, enquanto as oficinas eram reservadas para os artesãos e camponeses.

    De acordo com Aranha (2006),a educação elementar tinha por objetivo o ensino do cálculo e a alfabetização. Devido à complexidade da escrita chinesa, esse processo era difícil e demorado. A formação moral baseava-se na transmissão dos valores dos ancestrais. O ensino era caracterizado por ser rigoroso e dogmático, com ênfase na memorização.

    Hebreus

    No início do segundo milênio a.C., os hebreus estavam estabelecidos nas imediações da cidade de Ur, na Mesopotâmia. Vivendo do pastoreio, organizavam-se em clãs ou tribos, grupos familiares dirigidos pelos homens mais idosos, a quem chamavam patriarcas.

    Unidade 1

    Segundo a primeira parte da Bíblia, coube a Abraão, primeiro dos patriarcas, obedecendo a uma ordem divina, partir com o seu povo em direção à Terra Prometida, chamada depois de Canaã ou Palestina.

    Mais tarde, pressionados pela escassez de alimentos, deixaram a Palestina e migraram para o Egito, onde depois de viverem bem, foram escravizados. Tempos depois, conduzidos por um novo chefe, Moisés, eles fugiram do vale do Nilo e retornaram à Palestina (Êxodo).

    Os hebreus não se destacaram nos campos da arte ou da ciência e sim por suas realizações no direito e na literatura. No entanto, a sua mais importante e original realização foi no plano religioso ao elaborarem o judaísmo. Este se baseia na existência de um único Deus e no culto de Iavé (Jeová), Deus indivisível e incorpóreo, cuja imagem não deveria ser reproduzida em pinturas ou estátuas. Os hebreus, povo escolhido, não poderiam adorar outros deuses e deviam respeitar os Dez Mandamentos que Moisés gravou nas Tábuas da Lei.

    Os hebreus foram os primeiros povos a estabelecer um monoteísmo ético, isto é, a exigência de que os seguidores do judaísmo tivessem um comportamento moral baseado no respeito ao próximo.

    A educação era prerrogativa dos profetas que, acreditava-se, eram os mensageiros de Deus e os escolhidos para “educar o povo” com rigor e disciplina na interpretação da Lei e castigar repreendendo com violência aqueles que não seguirem os seus ensinamentos, estes organizados em torno da interpretação da Lei divina.

    De início, as sinagogas também se transformavam em escolas ou locais para a instrução religiosa e não apenas centros de oração e de vida religiosa e civil, pela qual se transmitiam as verdades bíblicas.

    A educação tinha um caráter religioso, voltada tanto para a “palavra” quanto para os costumes. Os conteúdos de ensinamentos eram trechos escolhidos da Torá, que significa “ensinamento” ou “instrução”, formada por cinco livros sagrados.

    Antiguidade Primeira Parte

    Neste vídeo de introdução são apresentados os primórdios da Educação e do desenvolvimento do homem enquanto agente histórico. O surgimento da escrita e as primeiras civilizações do dito Crescente Fértil, região onde o homem se tornou sedentário e pode desenvolver técnicas que tornaram possíveis a criação de caracteres que exprimiam suas ideias, dando-se assim, um suporte de aprendizado às futuras gerações.

    A Educação Clássica: Grécia e Roma

    2

    Conhecimentos

  • Compreender o modelo de formação humanística adotado pela civilização clássica (greco-romana) e seus desdobramentos.
  • Habilidades

  • Reconhecer o desenvolvimento do modelo de educação nas sociedades da chamada Antiguidade clássica.
  • Atitudes

  • Perceber e analisar como a educação, nas civilizações clássicas, passa a ser encarada como um problema essencial da humanidade.
  • Unidade 2

    Educação Clássica: o caso da Grécia Antiga

    Chamamos de educação clássica o ensino desenvolvido no Ocidente, entre os gregos e romanos, durante o século V a.C e o século V d.C.

    Enquanto parte das civilizações da Antiguidade Oriental surgiram em torno de rios, as civilizações da Antiguidade Clássica surgiram nas penínsulas (balcânica e itálica) da bacia do Mediterrâneo. As primeiras foram agrícolas-sedentárias, enquanto as civilizações peninsular-mediterrânicas da Antiguidade Clássica foram mercantis-escravistas.

    A civilização grega surgiu no extremo-sul da península balcânica (Hélade), cujos povoadores, os indo-europeus, deram origem aos gregos ou helenos.Estes se organizavam em Cidades-Estado (póleis, em grego), fundaram colônias no mediterrâneo e eram um povo de navegadores e comerciantes. A cultura clássica (helenismo) atingiu seu apogeu no chamado “Século de Péricles” (século V a.C.) e logo depois a Grécia foi dominada pelos Macedônios. Os principais legados da cultura grega para o ocidente foram a filosofia, a ciência e a democracia.

    Os valores gregos foram expandidos pelos macedônios para o mundo até então conhecido, conquistado por Felipe da Macedônia, no processo de helenização do Oriente.

    O declínio grego-macedônio coincidiu com a ascensão de Roma, cidade surgida na Itália central. Em sua evolução política, Roma conheceu, sucessivamente, a Monarquia, a República e o Império. Após a conquista da Itália, Roma realizou a conquista do Mediterrâneo e unificou o mundo de sua época.

    Em sua expansão para o Oriente, incorporou a cultura grega, que se fundiu com a latina e deu origem a cultura greco-latina. Além do papel de intermediária entre a Grécia e o Ocidente, Roma transmitiu-nos um legado cultural próprio, cujas contribuições mais importantes foram o Direito Romano, a literatura, a língua latina e o Cristianismo.

    Unidade 2

    Cenário Histórico

    O Período Homérico e a Civilização Micênica

    No segundo milênio a.C., a Grécia foi invadida por diversas tribos nômades-pastoris originárias das planícies da Europa Oriental (aqueus, jônios, eólios e dórios) e deram origem à civilização grega. Por volta de 1700 a.C., os aqueus fixaram-se na Península do Peloponeso, ao sul da Grécia. Conquistaram a cidade de Micenas, erguida ali pelos cretenses, e por meio do mar Egeu estabeleceram contato com a ilha de Creta.

    Os contatos entre aqueus e cretenses levaram a formação da civilização micênica ou creto-micênica que, por sua vez, exerceu influência significativa sobre a civilização grega. A disputa pela supremacia no mediterrâneo levou a luta entre aqueus e cretenses, culminando com a destruição destes últimos. Por volta de 1200 a.C., os dórios invadiram a Grécia. A conquista do Peloponeso provocou a fuga de parte dos aqueus para as ilhas do mar Egeu e para as costas da Ásia Menor, cuja consequência foi a colonização dessas regiões pelos gregos.

    Iniciaram-se os tempos homéricos (século XII-VIII a.C.), assim chamados em função de ter supostamente vivido ali, naquela época, o poeta Homero, autor, acredita-se, da Ilíada e da Odisseia, poemas épicos. Estes poemas, obras primas da literatura grega, revelam aspectos fundamentais da vida da Grécia micênica e pós-micênica, cuja organização baseava-se na comunidade gentílica.

    Esta era formada por um grupo de pessoas aparentadas por laços consanguíneos e descendentes de um antepassado comum. A economia gentílica, agrícola e pastoril baseava-se na propriedade comunitária da terra. A sociedade era igualitária e se caracterizava pela inexistência de classes sociais.

    Ao fim do período homérico, o crescimento demográfico e a escassez de terras férteis levaram à desagregação da comunidade gentílica. Data dessa época o início da formação das Cidades-Estado.

    O Período Arcaico (Século XVIII-VI a.C.)

    Esse é um período marcado por grandes transformações econômicas e sociais e caracterizado pelo surgimento e desenvolvimento das Cidades-Estado (póleis). Com o processo de emigração do século VIII que marca o encerramento do Período Homérico, numerosas colônias foram fundadas. O mundo grego, até então restrito à Grécia, as ilhas do mar Egeu e ao litoral da Ásia Menor, estendeu-se para o Oriente e para o Ocidente.

    A colonização e as relações entre a Grécia continental e as novas colônias ocasionaram grandes transformações. Desenvolveram-se a indústria e a construção naval; o comércio marítimo assumiu dimensões internacionais. Como efeito, surgiu na sociedade grega, uma rica classe média de artesãos, armadores e comerciantes.

    Unidade 1

    No entanto, a concorrência dos produtos importados arruinou os pequenos agricultores e concentrou a propriedade da terra nas mãos da aristocracia. As cidades foram atingidas por uma forte crise social e política. Desencadeou-se uma luta entre o povo (demos) e a aristocracia. A situação acarretou o surgimento de tiranos e legisladores. Os primeiros buscaram a solução por meio de reformas e os segundos lideraram insurreições populares e conquistaram o poder pela violência. Nas póleis, onde a vitória coube à nobreza, consolidou-se o regime aristocrático. Naquelas em que o demos foi vitorioso, as reformas conduziram a democracia.

    As muitas transformações levaram ao desenvolvimento de reflexões que culminaram com o surgimento do pensamento racional. Além do surgimento e desenvolvimento da pólis, a introdução da escrita, a utilização da moeda e a lei escrita por legisladores também são realizações desse momento.

    Segundo Jean-Pierre Vernant (2008), a filosofia nasce com a pólis, esta uma criação humana e não divina. A filosofia surge no momento histórico em que se afirma a utilização da razão (logos), em substituição ao mito (alegoria) para resolver os problemas da vida, vinculada ao surgimento da cidade-Estado. A prática constante da discussão política em praça pública (ágora) pelos cidadãos, principalmente em Atenas a partir de Clístenes, teria contribuído para o raciocínio bem formulado e convincente. Com o tempo, teria se tornado o modo adotado para se refletir sobre as coisas. A filosofia, assim, é filha da pólis.

    Período Clássico

    O período clássico grego corresponde, tradicionalmente, aos séculos V e IV a.C. Neste período a Grécia atingiu, ao mesmo tempo, o seu apogeu e decadência. O primeiro caso coincide com o governo de Péricles, em Atenas, que aperfeiçoou a democracia. Péricles, no século V, contratou os melhores arquitetos e escultores da época. Estes ergueram tribunais,templos, teatros e ginásios. O Parthenon, templo dedicado à deusa Palas Atenas, protetora da cidade, é considerado uma das obras mais destacadas.

    O governante de Atenas também estimulou as artes. Foi no século V a.C. que surgiram os primeiros relatos históricos, com as obras de Heródoto e Tucídides que abordaram, respectivamente, as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso. A filosofia ganhou destaque com Sócrates, Platão e Aristóteles, e a medicina se desenvolveu com Hipócrates.

    Foi no “Século de Péricles”, como ficou conhecido o século V a.C., portanto, que a produção nas artes, literatura e filosofia delineou a herança cultural dos gregos para o mundo ocidental.

    O período clássico marca também a decadência da Grécia, assolada por conflitos internos.

    Unidade 2

    Período Helenístico

    Este período inicia-se com a conquista da Grécia pela Macedônia, no século IV a.C., e estende-se até o século II a.C. Inicialmente governados por Felipe II, os macedônios conquistaram a Grécia, enfraquecida pelas lutas internas, e logo partiram para a conquista do Oriente. Coube a Alexandre, o Grande, filho de Felipe II, conquistá-lo.

    Educado por Aristóteles, Alexandre assimilou a cultura grega e foi responsável pela conquista da Ásia Menor, a Pérsia, chegando às margens do rio Indo, na Índia. A sua grande obra, no entanto,deu-se no plano cultural que sobreviveu ao esfacelamento de seu império. A expansão de Alexandre acabou por difundir a cultura grega pelo Oriente. As cidades fundadas por eles (várias delas batizadas com o seu nome) tornaram-se verdadeiros centros de difusão da cultura grega. Denominamos de Helenismo ou cultura helenística a fusão da cultura grega com a cultura oriental.

    Educação Integral ou Paideia

    Segundo Gadotti (2006), a Grécia serviu de berço da cultura, da civilização e da educação ocidental. O desenvolvimento cultural dos gregos, com sua visão universal e reflexão sobre o mundo e a existência, produziu uma maneira original de lidar com a educação, cuja ênfase era dada na formação integral, que consistia na integração entre a cultura e a sociedade.

    Essa concepção gerou o conceito de paideia, palavra que teria surgido por volta do século V a.C., de difícil definição, mas que exprimia um ideal de formação integral, humanística.

    São os gregos que, pela primeira vez, colocam a educação como problema essencial da humanidade, produzindo uma reflexão filosófica sobre sua importância na formação humana. A partir dos sofistas, e com os filósofos socráticos e pós-socráticos, é que o conceito de educação alcança o estatuto de reflexão filosófica.

    Os gregos deram um valor desmedido à arte, à literatura, às ciências e à filosofia. A educação do homem integral deveria dar conta da formação física, do corpo (pela ginástica), da mente (pela filosofia e pelas ciências) e da moral e dos sentimentos (pela música e pelas artes). Portanto, os estudantes deveriam ser submetidos a um programa que atendesse a todos os aspectos da vida humana. Nesse tipo de educação os gregos estudavam literatura, história, geografia, gramática, retórica, ginástica, ciências, música e outros conhecimentos.

    No início, antes da escrita, a educação ficava a cargo da própria família, conforme a tradição religiosa. Com a constituição da aristocracia dos senhores de terra, os jovens da classe dominante eram confiados a preceptores. As escolas somente aparecem com as primeiras póleis, tendo como finalidade atender a procura por instrução. No período clássico a escola já se encontrava estabelecida, sobretudo em Atenas.

    Unidade 2

    O aumento de estabelecimentos escolares na Grécia não representa uma “democratização” do ensino, uma vez que a educação permanecia elitizada, atendendo principalmente aqueles jovens oriundos das famílias tradicionais da antiga nobreza ou das famílias de enriquecidos mercadores.

    A educação era reservada aos homens livres. Ser livre, como esclarece Gadotti (2006) significava não ter preocupações materiais, com o comércio ou com a guerra, atividades reservadas às classes inferiores. O chamado ócio digno significava dispor de tempo livre, prerrogativa daqueles que não precisavam se preocupar com a subsistência. Lembramos que a sociedade grega clássica era escravista e, dependendo do período, existiam dezessete escravos para cada homem livre.

    Para este mesmo autor, o caráter da educação grega aparecia na exigência de que o ensino estimulasse não apenas a competição e as virtudes guerreiras para manter a superioridade militar sobre as classes subalternas e submetidas, mas também ser capaz de permitir-lhes mandar e ser obedecido.

    A educação física, que no início teve um caráter predominantemente militar e guerreiro, passa a ser orientada para os esportes. Nas escolas onde a formação física teve papel destacado, o ensino das letras e cálculos demorou para se difundir, sendo, no entanto, uma realidade em quase todo lugar por volta do século VI a.C., ou mesmo depois, no século V a.C. Ao poucos, a formação espiritual suplantará, em quase toda a Grécia, com exceções, como é o caso de Esparta, a formação física.

    Modelos de educação: Esparta e Atenas

    A Grécia nunca formou um estado unificado, como vimos. A sua unidade era dada pela cultura. No entanto, no que diz respeito à educação, havia divergências para além dos pontos semelhantes que uniam os gregos. As Cidades-Estado eram politicamente autônomas e o modo de educar variou entre elas. Os exemplos sempre destacados apontam para os casos de Atenas e Esparta, cujas formas de educação singulares correspondem ao processo histórico particular de cada cidade e a forma como estas sociedades se organizaram.

    Esparta

    Esparta constituiu um caso excepcional entre as póleis gregas, cuja evolução se assemelhou mais à de Atenas. Fundada pelos dórios no interior do Peloponeso, organizou-se como uma fortaleza erguida em solo inimigo. Os espartanos (ou esparciatas, classe dominante, descendentes dos guerreiros dórios) eram educados como cidadãos-soldados, mobilizados permanentemente para a Guerra. A cidade-estado era militarista, aristocrática e conservadora.

    Unidade 2

    Em Esparta, ao contrário do que ocorreu em Atenas, a educação priorizou sempre a formação física e militar sobre a formação do espírito e do intelecto. A educação espartana submetia totalmente o indivíduo ao interesse do Estado, subordinando a vida familiar ao convívio coletivo e incutindo no cidadão-soldado um cego amor à pátria. A educação dada pelo Estado começava aos sete anos, quando as crianças eram tiradas de suas famílias e iam para comunidades constituídas por grupos de acordo com a idade. Eram supervisionadas por aqueles responsáveis pela instrução.

    Nesta fase, as crianças estudavam, como todo grego que tinha acesso à educação, música, canto e dança. Aos doze anos iam viver em acampamentos, dedicados ao treinamento físico e à formação militar. Os jovens aprendiam os segredos da luta corporal e do manejo das armas. Aprendiam a suportar a fome, o frio e a controlar seus sentimentos diante de castigos físicos, sobretudo a raiva, essencial na luta contra os inimigos.

    A educação moral valorizava a obediência, a aceitação dos castigos físicos, o respeito aos mais velhos e privilegiava a vida comunitária. Aos vinte anos, após se submeter ao teste da Krypteia, o indivíduo estava preparado para ingressar no exército. Em estado de mobilização permanente, o cidadão-soldado servia no exército até os sessenta anos quando, se pertencesse a uma família notável, poderia integrar as instituições políticas responsáveis pela administração da pólis.

    Por valorizar a formação militar, os espartanos não eram dados aos refinamentos intelectuais, nem apreciavam os debates e os discursos longos, como em Atenas.No entanto, em Esparta se oferecia uma maior atenção às mulheres, cuja função essencial era gerar filhos robustos e saudáveis. Por isso, elas participavam das atividades físicas.É preciso esclarecer que apenas a classe dominante, formada por aqueles que acreditavam ser descendentes dos dórios, tinha o direito à educação estatal.

    Atenas

    A educação em Atenas pautava-se por outros valores. Em suas escolas, mesmo aristocráticas, ao lado da formação física, destacava-se a formação intelectual, necessária para participar dos destinos da cidade. Buscava-se o conhecimento da verdade, do belo e do bem. Com a ascensão da classe dos comerciantes e o crescimento da cidade, em oposição à aristocracia, que tradicionalmente teve o poder em suas mãos, impôs-se outra forma do exercício do poder e, por conseguinte, uma nova educação.

    Se no início a educação fora aristocrática, sob a tutela da família, com o passar do tempo surgiram as escolas, já no século VI a.C. Embora o Estado já perceba a importância da educação, ela não se tornou obrigatória nem gratuita, predominando pois a iniciativa particular.

    Unidade 2

    A educação começava aos sete anos. As meninas permaneciam em casa e se dedicavam aos afazeres domésticos, enquanto os meninos desligavam-se da autoridade da mãe para iniciar a alfabetização e a educação física e musical.

    O estudo primário, ou elementar, destinava-se a ensinar a leitura do alfabeto, escrita e cálculo, enquanto os estudos secundários compreendiam a educação física (corrida a pé, salto em distância, lançamento do disco e do dardo, luta, ginástica, etc.), a artística, que incluía o desenho, o domínio da lira, o canto e o coral, os estudos literários, compreendendo o estudo das obras clássicas, sobretudo, de Homero, a filologia (leitura, recitação e interpretação de textos) e científicos, que compreendiam o estudo da matemática, da geometria, da aritmética e da astronomia.

    De acordo com Gadotti (2006), no ensino superior prevalecia o estudo da retórica (a arte do bem falar) e da filosofia. Os estudos filosóficos compreendiam, geralmente, seis tratados: a lógica, a cosmologia (estudo dos astros), a metafísica, a ética, a política e a teodiceia.

    A educação elementar completava-se aos treze anos. Os mais pobres saíam em busca de um ofício, enquanto os jovens de família rica prosseguiam nos estudos. Dos dezesseis aos dezoito anos a educação assumiu uma dimensão cívica de preparação militar, instituição criada no século VI a.C., conhecida como efebia (efebo = jovem). Com a abolição do serviço militar em Atenas, a efebia passou a constituir a escola em que se ensinava filosofia e literatura.

    Somente no século V a.C., com os sofistas, é que teve início uma espécie de educação superior. Segundo alguns estudiosos, as lições dos sofistas tinham como principal objetivo o desenvolvimento do poder da argumentação, a habilidade retórica, bem como o conhecimento de doutrinas divergentes.

    Dessa forma, eles transmitiam todo um jogo de palavras, raciocínios e concepções úteis para driblar as teses dos adversários e convencer as pessoas. A democracia ateniense proporcionou um número maior de habitantes na discussão sobre temas práticos e públicos, favorecendo também o desenvolvimento de uma cultura que valorizava o uso da palavra e da razão. As habilidades argumentativas e dialéticas dos cidadãos tornaram-se um bem cada vez mais apreciado. Foi nesse contexto que apareceram os sofistas. Seus ensinamentos foram valorizados, pois a política precisava de cidadãos que soubessem convencer pela palavra.

    Finalmente, é preciso esclarecer que a educação formal atendia aos interesses da classe dominante, excluindo assim a maior parte da população do saber ministrado nas escolas.

    Unidade 2

    A educação clássica - O caso de Roma: a humanitas

    Por intermédio do Império Romano, espalhou-se a língua latina, os seus costumes, transmitindo também a cultura grega, da qual era depositária. Em contato com os gregos, os romanos adotam o seu modelo de educação, apresentando, neste campo, algumas particularidades, como veremos adiante.

    Cenário Histórico

    A cidade de Roma surgiu de um pequeno povoado nas terras férteis do Lácio, no centro da Península Itálica, recebendo influência de diversos povos indo-europeus que se fixaram na região desde o século X a.C., como os latinos e sabinos. Desde a fundação de Roma, no século VIII a.C., os romanos conheceram a Monarquia, a República e o Império como formas de governo.

    Monarquia ou Realeza (753-509 a.C.)

    A Monarquia ou Realeza foi a primeira forma de governo adotada em Roma. Nesta época, com o desenvolvimento da agricultura, a economia deixou de basear-se no pastoreio. Mais tarde, Roma, com o desenvolvimento do comércio, transformou-se numa grande cidade para os padrões daquela época. Com a substituição da posse comum da terra pela propriedade privada, estabeleceu-se uma divisão de classe bem delineada, entre patrícios, que se consideravam descendentes dos fundadores de Roma

    e detentores do poder, formados pelos grandes proprietários de terra, plebeus, grupo composto de mercadores, artesãos e pequenos proprietários, sem acesso aos cargos públicos, clientes, geralmente ex-escravos ou filhos de escravos que tinham com os patrícios uma relação de completa dependência, e escravos, formados pelos prisioneiros de guerra ou por plebeus que não conseguiam pagar suas dívidas, em pequeno número antes e no início do período republicano.

    As lutas entre os patrícios e os últimos reis etruscos, povo que vivia ao norte de Roma e havia dominando-a, levou à formação da República, sob o domínio patrício.

    República

    Com a passagem da Monarquia para a República ocorreu a transferência do poder dos etruscos para os patrícios, que se transformaram na classe dominante de Roma. Criou-se um sistema político mais complexo, com inúmeras instituições sob seu domínio, cuja principal era o Senado, para onde iam os cidadãos mais destacados e as famílias mais influentes.

    Controlado pelos patrícios, o sistema político tinha um caráter oligárquico. Os plebeus, em número cada vez mais crescente, marginalizados e descontentes com sua situação, eram fonte de crescente tensão, e a Roma republicana vivia sempre a possibilidade de uma convulsão social.

    Unidade 2

    As lutas entre patrícios e plebeus foram uma característica marcante deste período que se estendeu por dois séculos. Data desse período uma série de conquistas plebeias, dentre elas destacam-se o direito de eleger seus próprios magistrados, os chamados Tribunos da Plebe, impondo aos patrícios a transformação das leis orais numa legislação escrita, a igualdade civil, ao autorizar o casamento entre patrícios e plebeus, antes proibido.

    Outras características marcantes deste período, a despeito das lutas entre patrícios e plebeus, foi, em primeiro lugar, a expansão territorial interna que, por meio de guerras e conquistas, culminou com o domínio romano sobre toda a Península Itálica e, em segundo lugar, a expansão externa, que levou ao domínio do mediterrâneo. Esta última provocou grandes transformações sociais e econômicas.

    Uma das consequências das guerras de expansão foi a redução de imensos contingentes de prisioneiros de guerra à condição de escravos e a sua utilização como mão de obra na economia romana. A transformação de uma economia baseada na pequena propriedade agrária e no trabalho livre em um sistema escravista de produção provocou a ruína dos camponeses, concentração de terras nas mãos da aristocracia e na transformação de uma massa de desempregados que migrou dos campos para a cidade.As transformações desencadearam um novo período de lutas sociais que assinalaram a crise da República e o início do Império.

    Império

    Com o Império, chegaram ao fim as crises político-sociais que assinaram a passagem da República para o Império. Durante o Alto Império (séculos I a.C.– III d.C.), Roma atingiu o apogeu e a pax romana (período de estabilidade) foi estendida do Ocidente ao Oriente. O governo de Otávio Augusto (27 a.C. – 14 d.C.), oficialmente primeiro imperador romano, foi caracterizado pela ampliação do comércio entre as províncias, construção de grandes obras (estradas, pontes, aquedutos) e grandes realizações culturais.

    Com o incentivo dado às artes, a literatura floresceu, destacando-se a atuação do ministro Mecenas, que apoiou financeiramente artistas e escritores como os poetas Virgílio, Horácio e Ovídio. Esse período, considerado o mais rico da civilização romana em termos culturais, foi denominado de Século de Augusto.

    Um fato marcante do período foi o surgimento do cristianismo que, após sangrentas perseguições, transformou-se em religião do Estado na fase do Baixo Império Romano (Séculos III – V d.C.) e teria influência marcante na história ocidental.

    Unidade 2

    No chamado Alto Império, o Império Romano mergulhou em sucessivas crises. A expansão territorial, base de toda sua riqueza e estabilidade política e social, foi se esgotando. Mais importante que expandir o território era manter e fortalecer suas fronteiras. Sem novas conquistas não havia captura de escravos e a mão de obra começou a tornar-se escassa. A economia romana, baseada no braço escravo, entrou em crise. Os elevados custos para manter as estruturas imperiais, militares e administrativas abalaram o poder romano, reativando as disputas entre chefes militares. As dificuldades para resguardar as fronteiras facilitaram as invasões que, associadas a outros fatores, iriam pôr fim ao Império Romano.

    A Educação no Império Romano

    São características da civilização romana a sua expansão territorial e a construção de um império unificado, o que a diferenciava dos gregos; era formada por inúmeras Cidades-Estado, politicamente autônomas. Apesar das diferenças entre os inúmeros povos que viveram dentro das fronteiras do Império Romano, não havia discriminação sobre os vencidos.

    Em troca do pagamento dos impostos, eram-lhes conferidos títulos de cidadania. Ao conquistar a Grécia, os romanos não lhe impuseram o latim, mas assimilaram seus padrões culturais.

    Os romanos, como os gregos, não valorizavam o trabalho manual. Seus estudos são essencialmente humanistas, algo equivalente à Paidéia grega, como aquela cultura geral que transcende os interesses locais e nacionais no sentido de educação, cultura do

    espírito. No entanto, a humanitas distingue-se da Paideia por se tratar de uma cultura predominantemente humanística e, principalmente, cosmopolita e universal, buscando aquilo que caracteriza o ser humano, em todos os tempos e lugares.

    Os romanos pretendiam universalizar, levar a todos os povos a sua humanitas, o que acabou conseguindo por meio do cristianismo. Segundo Aranha (2006), com o tempo essa maneira de entender a educação degenerou, restringindo-se ao estudo das letras e negligenciando as ciências. Para a autora, pode-se distinguir três fases na educação romana: a educação latina original, de natureza patriarcal; a influência do helenismo, criticada pelos defensores da tradição e, finalmente, a fusão entre a cultura romana e a helenística.

    Unidade 2

    A educação latina

    Desde o início, a civilização romana sofreu influência do helenismo. Mas não se fez sem resistência, tentando manter a tradição dos ancestrais. Na educação tradicional latina, o objetivo do ensino era prático, proporcionando à criança o saber necessário para o exercício de uma profissão e incutindo uma ética que subordinasse o indivíduo a um ideal superior.

    No século II a.C., era responsabilidade da mãe educar seus filhos durante a primeira infância, até os sete anos. Somente a partir dessa idade é que a educação passava a ser responsabilidade do pater famílias (o chefe da família) ou, na sua ausência, do tio. Cabia ao chefe da família a responsabilidade de proporcionar aos filhos a educação cívica e moral. As meninas permaneciam restritas ao lar, aprendendo, a partir dos sete anos, os serviços domésticos.

    A educação dos meninos passava pela aprendizagem de memorização de preceitos jurídicos e de conceitos com base nas Leis das Doze Tábuas, cujo objetivo era, em parte, desenvolver a consciência histórica e o patriotismo. A base dessa forma de educação era a preocupação natural em associar valores culturais ao ideal coletivo. Exaltava-se o respeito pelos antepassados (pietas) que, entre as famílias patrícias, representavam o orgulho dos modelos de comportamento, repetidos de geração a geração.

    Vivendo numa sociedade essencialmente agrícola, o jovem era iniciado na arte de cuidar da terra, colocando lado a lado o senhor e o escravo. De um lado, a criança aprendia a ler, escrever e contar e, de outro, desenvolvia a habilidade no manejo das armas, na natação e na equitação. Mais do que esportes desinteressados, os exercícios físicos tinham como finalidade principal preparar o guerreiro.

    Por volta dos quinze ou dezesseis anos tinha início a aprendizagem da vida pública. O jovem era iniciado na sociedade pelo pai ou por outro homem influente, amigo da família e bem posicionado no mundo social. Devia ser levado à praça central para conhecer o comércio e o local onde eram tratados os assuntos públicos e privados (fórum). Era em torno do fórum que se erguiam os principais monumentos da cidade, com destaque para o tribunal. Antes de atingir a idade militar, o jovem devia adquirir conhecimentos de Direito, traquejo social e a “arte de dizer”, concepção romana de eloquência.

    Logo depois, por volta ainda dos dezesseis anos, o jovem era encaminhado para a função militar ou política. A educação era mais voltada para a formação moral do que para as atividades intelectuais; era baseada em modelos de retidão que deveriam ser imitados.

    Unidade 2

    A influência grega e as primeiras escolas

    Como vimos, durante a República a sociedade romana tornou-se mais complexa. Isso se deveu ao processo de expansão territorial, ao desenvolvimento do comércio e ao enriquecimento de uma certa camada de plebeus. Tudo isso exigiria um modo diferente de educar.

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    Surge, dessa forma, já no século IV a.C., escolas particulares de ensino elementar que se disseminarão no século seguinte. Nelas, dos sete aos doze anos, aprendia-se a ler, escrever e contar. Os professores eram mal pagos e usavam, para desempenhar sua tarefa, qualquer espaço: edifício público, uma tenda ou templo.

    A expansão do comércio e das incursões militares, por volta dos séculos III e II a.C., colocaram os romanos em contato direto com os povos de cultura helênica. A cultura grega exercerá uma influência marcante entre os romanos que adotarão sua cultura e a forma de educar.

    A partir de então, muitos preceptores gregos passaram a apoiar a educação familiar dos jovens romanos. Atraídos pela rica clientela romana, muitos gramáticos, mestres da retórica e filósofos dirigiram-se para Roma. Eles seriam responsáveis pelo ensino de jovens e adultos.

    Muito cedo os políticos romanos descobriram a importância dos conhecimentos de retórica e que seriam necessários para melhorar a oratória e a eloquência dos discursos públicos.

    Datam dessa época as escolas dos gramáticos, na quais os jovens entre doze e dezesseis anos entravam em contato com os clássicos gregos, ampliando seus conhecimentos em literatura, geografia, aritmética, geometria e astronomia. Nessas escolas estudava-se também a retórica.

    Dessa forma, os romanos adotam o modelo de educação grega que proporcionava aos estudantes uma ampla gama de conhecimentos necessários para a formação integral da pessoa culta. Paralelamente, no seio das grandes famílias, surge o ensino público da língua grega, ministrado em escolas, seja por escravos gregos, que assumem o papel de mestres, ou por mestres gregos qualificados. O modelo de educação grega passa a ser perseguido a ponto de muitos jovens romanos se deslocarem para a Grécia com a intenção de completarem os seus estudos. A influência grega sobre a educação romana, e em particular no desenvolvimento do ensino, pode ser atestada pelo fato de Roma buscar no helenismo o termo Paedagougo para designar o escravo incumbido de acompanhar a criança na escola.

    Unidade 2

    Apesar da influência grega, o ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas em relação ao modelo helênico e novidades na institucionalização de um sistema de ensino. O ensino da música, do canto e da dança, por exemplo, foram combatidos por setores mais tradicionais da sociedade romana. O mesmo repúdio se dá com o atletismo, elemento fundamental da paideia. Os romanos ficavam chocados com a nudez do atleta e condenavam a pederastia. Portanto, a educação romana privilegiava a aprendizagem, sobretudo literária, em detrimento da ciência, da educação musical e do atletismo.

    No entanto, devemos aos romanos o primeiro sistema de ensino de que se tem conhecimento, formado por um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. Constitui uma novidade importante o caráter oficial das escolas e sua estreita dependência ao Estado.

    Deve-se notar que essa crescente intervenção do Estado nos assuntos educacionais era levada a cabo porque a administração do Império necessitava de uma bem montada máquina burocrática com funcionários que deveriam ter um mínimo de instrução.

    É bem verdade que no início, embora o Estado se interessasse pela educação, pouco interferia, colocando-se apenas como inspetor, algo que muda ao longo do tempo. Primeiro, passou a subvencioná-la, depois a exercer seu controle por meio de uma legislação e, por último, tomou para si a inteira responsabilidade.

    Pouco antes do advento do Império, o Estado já estimulava a criação de escolas municipais em todo o território sob sua jurisdição.

    Ao contrário do que possa parecer, esse sistema privilegiava apenas uma minoria, que se consolidava como elite e com uma elevada formação literária e retórica. Mesmo assim, havia uma preocupação em fornecer à imensidão de escravos, sobretudo aos mais jovens, ensinamentos necessários à prática de seus serviços. Em muitas casas de senhores reuniam-se escravos entregues a um ou mais pedagogos que lhes ensinavam as boas maneiras e, em alguns casos, iniciavam-lhes na leitura, escrita e aritmética. Sabe-se que as casas dos grandes senhores dispunham de um ou mais escravos letrados que desempenhavam funções de secretários ou leitores.

    Na Roma imperial os professores gregos são protegidos por Otávio Augusto, a exemplo do que havia feito Júlio César. Otávio desenvolveu uma política imperial de cultura responsável pela criação de bibliotecas como a do Templo de Apolo, no Paladino, e a do Pórtico de Otávio. Delineia-se no Estado romano um conjunto de políticas escolares inovadoras, cuja primeira iniciativa é da autoria de Vespasiano, que intervém a favor dos professores, reconhecendo-lhes uma utilidade social.

    Unidade 2

    Com ele inicia-se uma extensa série de retribuições e de imunidades fiscais, atribuídas a gramáticos e retóricos. Segue-se a criação de cátedras de retórica nas grandes cidades, bem como o favorecimento e promoção de escolas públicas municipais de gramática e de retórica nas províncias.

    As escolas romanas, inspiradas na educação grega, como vimos, passaram a ser organizadas em três graus distintos e crescentes: instrução primária ou ludi-magister, que ministrava a educação elementar, secundária ou do gramático, e superior, que iniciava com o estudo da retórica e seguia com os estudos do Direito e da Filosofia, constituindo-se numa espécie de universidade. Vale lembrar que as universidades somente surgiram na Idade Média. As primeiras datam dos séculos VII e VI a.C., as secundárias do século III a.C., mas somente adquiriram forma definitiva no século I a.C, no tempo de Otávio Augusto, e as de ensino superior datam, pelo que sabemos hoje, do século I a.C., com um ensino predominantemente retórico.

    Antiguidade Clássica

    Nesta etapa do vídeo, consideramos uma abordagem fundamental ao desenvolvimento de uma educação, até mesmo ao que convencionamos chamar na atualidade de escola. A Paideia, a forma de educação tradicional grega evoluída em relação aos demais povos, devido ao uso de uma razão em que o Estado é forte, e a pólis (Cidade-Estado) se torna o coração pulsante dessas relações que culminaram na ascensão grega, bem como, na participação das artes e da política na formação do cidadão grego.

    Antiguidade Roma

    Este vídeo está relacionado ao império mais influente no Ocidente e, sua capacidade de desenvolver uma educação que perpassa de uma simples etapa acurada da educação adicionalista grega e se torna, ainda mais, observadora das questões da educação do homem enquanto ser que reflete suas próprias ações: criam-se perspectivas de humanidade (Humanitas) e, um aprimoramento no discurso e na retórica, enquanto forma que parte da arte de falar bem para um ato de cidadania (Eloquência).

    A Educação Clássica: Grécia e Roma

    3

    Conhecimentos

  • Compreender os diversos modelos de educação adotados durante o período medieval, permitindo a comparação.
  • Habilidades

  • Identificar as permanências e mudanças nas práticas educativas adotadas em diversos lugares e momentos distintos.
  • Atitudes

  • Perceber as relações entre contexto histórico e práticas educativas.
  • Unidade 3

    Educação no Período Medieval

    Pela tradicional divisão histórica, a Idade Média compreende um período de quase mil anos, cujos marcos definidores são a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e a tomada da capital do Império Bizantino, em 1453, pelos turcos otamanos. Esse longo período não apresenta as mesmas características, variando segundo as transformações operadas em locais diversos. Da mesma forma, não houve, em todo lugar e em todo o período, um mesmo e único modelo de educação. Estes variaram muito.

    Num determinado momento, no Império Bizantino, assim como no Ocidente Medieval, dava-se ênfase à vida religiosa. Cristã, a civilização bizantina manteve a tradição do humanismo antigo. Na educação islâmica, havia um nítido interesse pela pesquisa e experimentação, em contraste com as restrições que a Igreja cristã ocidental fazia a essa orientação intelectual, contribuindo para o avanço em muitas áreas da ciência.

    Na Europa cristã, da mesma forma, não se pode apontar um modelo de educação. Ela variou conforme o período, o lugar e o grupo social aos quais se destinava. No entanto, não seria exagero defender que a busca pelo monopólio do saber por parte da Igreja Católica se fez sentir na educação dispensada aos jovens durante boa parte da Idade Média, mais acentuada em determinado lugar e tempo singulares, imprimindo nela um caráter eminentemente religioso.

    A Educação Bizantina

    A civilização bizantina espalhou em torno de si a herança cultural greco-romana. Embora cristã ortodoxa, legou-nos não apenas os valores da cultura clássica, da qual foi depositária, mas também uma boa quantidade de obras. Isso se fez refletir na educação dispensada aos estudiosos, de caráter humanista, seguindo a meta estabelecida pela educação greco-romana.

    Unidade 3

    Cenário Histórico

    Como vimos, a partir do século II da era cristã, o Império Romano foi abalado por guerras civis, disputas internas pelo poder e invasões estrangeiras. Tentando controlar a crise, em 395 o imperador Teodósio dividiu o Império em dois: Império Romano do Ocidente, com capital em Milão, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, onde outrora existira a colônia grega de Bizâncio. Esta cidade foi construída por ordem do imperador Constantino, no estreito de Bósforo, a meio caminho entre o Oriente e o Ocidente, no cruzamento entre importantes rotas comerciais, e inaugurada em 330. Constantinopla logo se transformou numa cidade cosmopolita devido ao grande número de pessoas que nela se instalaram, vindas de diversos locais.

    Enquanto o Império Romano do Ocidente se esfacelava com as inúmeras invasões germânicas, dando origem à formação de inúmeros “Reinos Bárbaros”, o Império do Oriente manteve-se de pé e consolidou-se como uma das principais potências da Ásia e do mundo mediterrâneo.

    No decorrer da Idade Média, o Império Bizantino procurou manter-se herdeiro e depositário da tradição romana, cujo fundamento era a existência de um império universal e cristão, o que não impediu que a cultura bizantina fosse muito mais oriental do que a Europa latina.

    No início, o Império Bizantino manteve nítidas influências romanas. O latim foi preservado como língua oficial do Estado e as instituições político-administrativas romanas foram conservadas em sua estrutura e denominações. Somente a partir do século VII é que começariam a prevalecer a cultura e as características étnicas gregas e asiáticas. A língua grega passa a predominar, enquanto as tradições literárias, artísticas e científicas helenísticas passaram a ser determinantes.

    Isso pode explicar, em parte, porque o Cristianismo ali diferenciou-se daquele que empolgara a Europa Ocidental, apresentando caracteres mais místicos, abstratos e pessimistas, sujeitando-se, por completo, ao controle político.

    Quanto à organização política, o Império Bizantino assumiu a forma de autocracia absoluta. O imperador, considerado sagrado, tinha amplos poderes: podia nomear ou demitir quem quisesse e era o comandante das forças militares. Era ainda, o chefe da Igreja, sustentáculo do poder, e como tal convocava concílios, nomeava bispos e promulgava regras e disposições religiosas.

    A sociedade era fortemente hierarquizada, tendo no seu topo o imperador e sua família e, envolta deste, a nobreza urbana - composta de comerciantes, donos de oficina, banqueiros, altos funcionários públicos - e rural, constituída pelos grandes proprietários de terra. Na base da sociedade ficavam os trabalhadores livres, abaixo dos quais estavam os servos presos à terra e os escravos.

    Unidade 3

    Uma das grandes contribuições bizantinas, talvez a de maior destaque, esteja no campo do Direito, quando o imperador Justiniano determinou a sistematização do Direito Romano, realizada por seus juristas na elaboração do Corpus Juris Civilis, cuja influência é ainda hoje sentida no Ocidente.

    Depois disso, podemos dizer que outra grande contribuição bizantina está na compilação e conservação das grandes obras dos gregos e romanos. Graças a essa preocupação, hoje o mundo conhece boa parte dessas obras.

    A Educação no Império Bizantino

    Segundo Marrou (1973), no Império Bizantino, assim como no Ocidente Medieval, dava-se ênfase à vida religiosa. Profundamente cristã, a civilização bizantina continuou obstinadamente fiel às tradições do humanismo antigo.

    Nos ensinos primário e secundário, ainda que pouco conhecidos em função da escassez de fontes, pode-se dizer que nas escolas não predominava o ensino religioso e os livros clássicos pagãos eram estudados sem restrições.

    O objetivo da educação permanecia o mesmo do estabelecido na Antiguidade Clássica, centrado, portanto, na formação humanista e na preparação de pessoal qualificado para assumir funções na burocracia estatal.

    Se há uma escassez de informações que nos permitam conhecer mais sobre a educação elementar e secundária, o mesmo não pode ser dito para o ensino superior. Nesse campo dispomos de informações mais detalhadas e abundantes, com destaque para a Universidade de Constantinopla, importante centro cultural desde sua fundação em 425, no século V, até o fim da Idade Média, marco estabelecido convencionalmente no século XV (1453). A sua importância central reside no fato de ter acolhido as obras antigas, orientando os estudos de filosofia e ciência, e ter ainda preservado o Direito Romano, compilado e sistematizado, como vimos, por iniciativa do imperador Justiniano.

    O estudo religioso cabia à escola monástica, onde predominava o interesse espiritual e ascético, hostil ao humanismo pagão. Na escola patriarcal o ensino não ficava restrito à formação religiosa, apesar de ser vigorosa, mas também valorizava a tradição clássica, centrando-se no humanismo cristão.

    Com o declínio do Império Bizantino, este passou a ser alvo de ataques. As disputas religiosas e as constantes ameaças de invasão fizeram com que as crises se instalassem de maneira irreversível. Acelerou-se o empobrecimento das cidades, a produção e o comércio se enfraqueceram e o Império perdeu pouco a pouco alguns de seus mercados em regiões distantes. Finalmente, em 1453, Constantinopla foi tomada pelos turcos otomanos e o Império entrou em colapso.

    Unidade 3

    Educação Islâmica

    Os árabes não se descuidaram da educação e ergueram muitas escolas primárias e de ensino superior. No primeiro caso, ministrava-se uma educação religiosa baseada nos ensinamentos do alcorão, o que não impedia o estudo das ciências. No segundo caso, as instituições contaram com certa autonomia e deram vazão a um ensino que englobava os diversos ramos do saber da época.

    Cenário Histórico

    No início do século VII os habitantes da Península Arábica encontravam-se divididos em várias tribos e clãs, adeptos de uma religião politeísta e sem um poder político centralizado. Em meio a circunstâncias propícias, o profeta Maomé difundiu uma nova fé que, em pouco tempo, unificou o povo árabe em torno de um poder central.

    Baseado na vontade de Deus, justificou sua expansão por grande parte do “mundo civilizado” de então e deixou uma influência que até hoje é marcante em várias regiões do mundo.

    Cem anos após a morte de Maomé, o domínio muçulmano ultrapassou os limites da Arábia e se estendeu por três continentes, controlando quase metade do mundo conhecido. Em torno do Islã, Maomé realizou a unidade política e religiosa dos Árabes, criando as condições internas para uma política de expansão.

    O Estado teocrático, isto é, baseado na religião e na autoridade divina, forneceu a base política e a força ideológica para a expansão muçulmana.

    A doutrina defendida por Maomé encontra-se exposta no Corão ou Alcorão, reunião de notas tomadas por seus discípulos enquanto Maomé falava. O Islamismo é uma religião sincrética, isto é, resulta da transposição de princípios extraídos do Judaísmo, do Cristianismo e, segundo alguns, do Zoroastrismo. O Corão afirma a existência de um único deus, Alá, e prega o combate aos infiéis por meio da Guerra Santa.

    A civilização islâmica assimilou e reelaborou o patrimônio cultural das civilizações com que entrou em contato, enriquecendo-a com contribuições originais, o que se deu com as culturas bizantina, hindu ou chinesa. Muitos desses conhecimentos foram transmitidos para a cultura cristã medieval. Os árabes fizeram grandes progressos no campo científico, sobretudo na astronomia, matemática, química e medicina, legando-os para o Ocidente. Nas artes, desenvolveram a literatura e nos deixaram a mais famosa coleção de contos escrita entre os séculos VIII e IX, As mil e uma noites, que reúne fábulas, anedotas, contos eróticos e aventuras.

    Foi na arquitetura, no campo das artes, no entanto, que mais se destacaram, combinando os estilos bizantino e persa, produzindo grandes obras (palácios, mesquitas e bibliotecas).

    Unidade 3

    A decadência do império começou a partir do século VIII, quando se esfacelou em diversos califados independentes, em virtude de conflitos políticos e religiosos. As pressões externas também tiveram início. No século IX a Guerra de Reconquista da Península Ibérica teve início, de onde, lentamente, os árabes seriam expulsos. No século XI os europeus desencadearam, contra os muçulmanos, as Cruzadas, com o objetivo inicial de tomar regiões que estavam sob o controle árabe. No século XIII foram atacados no Oriente pelos mongóis e, no século XIV, os turcos otomanos conquistaram o que ainda restava do outrora imenso império árabe.

    A educação na cultura islâmica

    Já a partir de Maomé e do papel assumido pelo alcorão, o islã teve um cuidado constante com a educação, a instrução e a formação do homem. Pela tradição xiita, era o imã, autoridade religiosa, quem devia conduzir a formação e o ensino com base na leitura do alcorão, interpretado em vários níveis conforme o grau de iniciação. Mas, pela tradição sunita, devia-se seguir, com rigor, o princípio da autoridade, atendendo-se às interpretações mais antigas e autorizadas, sem assumir nenhuma liberdade crítica.

    Os árabes ergueram escolas de ensino elementar e superior. Na primeira, ensinava-se a leitura e a escrita tendo por base o alcorão, que traz ensinamentos não apenas religiosos, mas também de política, direito, organização social e ideias básicas de ciência.

    Cuidava-se para que a educação se iniciasse aos seis anos de idade, com exceção dos filhos das famílias ricas, instruídos por preceptores. Ensinava-se a recitar de cor o texto religioso, de modo que pudesse ser usado como guia em qualquer ocasião da vida. Essa orientação religiosa da educação islâmica permaneceu sempre central mesmo para os filósofos árabes.

    Ao lado dessas escolas que seguiam os ensinamentos do livro sagrado, existiam também os preceptores particulares e os círculos, nos quais eram ensinados, principalmente, a tradição e o direito. Por volta do século X, segundo Franco Cambi (1999), a cultura islâmica começa a se abrir para a ciência e nasce em Bagdá, criada pelo califa (chefe de Estado), a Casa das Ciências, uma rica biblioteca que se tornaria um centro de estudos e um modelo de escola para outras províncias do Islã. Em muitos lugares, dentro do Império Árabe, são erguidas Casas de Sabedoria, em que se ensinavam – ao lado da teologia e do direito – medicina, astronomia e matemática.

    No século seguinte nasce uma nova instituição intitulada madrasa, uma escola criada pelo poder político com o objetivo de formar os técnicos do Estado e pessoal para a administração.

    Unidade 3

    O ensino era ministrado geralmente na mesquita, centro religioso. Aprender sobre ciência era considerado mais valioso do que se prosternar cem vezes em oração; frequentar a classe de um mestre era considerado mais importante do que orar, como observa Piletti (2013).

    O ensino superior reunia todos os ramos do saber, à despeito de não se descuidar do aspecto religioso. As instituições de ensino superior surgidas nas grandes cidades árabes foram as precursoras das universidades medievais europeias. As escolas superiores tinham certa independência e, ao contrário do que ocorria com o ensino elementar, não tinha como base do ensino a leitura do alcorão. Contavam com professores judeus, muçulmanos e cristãos. Alunos de todos os lugares e do Ocidente estudavam nessas instituições. Lá se estudava filosofia e ciências naturais dos gregos.

    A Educação na Europa Cristã

    Não se pode afirmar que existiu apenas um modelo de educação durante o longo período da Idade Média na Europa cristã, uma vez que ela variou conforme o período e o lugar. No entanto, esquematicamente, podemos dizer que havia uma espécie de monopólio da cultura e do pensamento por parte da Igreja Católica, que procurava sempre estabelecer o que deveria ser ensinado. Boa parte das escolas era associada às instituições religiosas. No entanto, a educação não ficou apenas no campo religioso; abriu espaço para o estudo das ciências e do conhecimento prático, voltados para a nova realidade vivida, sobretudo, a partir da Baixa Idade Média.

    Cenário Histórico

    No século XVI, no auge do chamado Renascimento Cultural, tornou-se comum dividir a história em três grandes períodos: Idade Antiga, Idade Média e Idade Moderna. A concepção renascentista, ao condenar os valores medievais, defendeu que a humanidade teria presenciado duas fases de progresso: a primeira na Antiguidade, com a cultura clássica e a segunda na Idade Moderna, em seu início.

    Boa parte dos renascentistas, ao condenar a Idade Média, caracterizou-a como um momento de ignorância, superstição e miséria, esquecendo-se do conhecimento, preocupada apenas com a vida após a morte. Essa é uma ideia equivocada, baseada na conclusão de que o período medieval possuiu traços culturais idênticos durante os seus quase mil anos, segundo a divisão tradicional da história. Na verdade, as instituições europeias do século VI são fundamentalmente diferentes daquelas posteriores ao século XI. A chamada “Idade das Trevas” não caracteriza mais do que quatro séculos (V ao VIII), abarcando, portanto, apenas uma parcela da Idade Média.

    Essa visão, criada pelos defensores da renascença europeia foi mantida mesmo depois da Revolução Francesa e somente começou a ser repensada com o Romantismo do século XIX.

    Unidade 3

    Mas foi apenas no século XX que historiadores como Henri Pirenne, Marc Bloch e Jacques Le Goff, medievalistas, com pesquisas originais, baseadas em extensas fontes históricas, demonstraram a riqueza e a importância cultural desse período europeu.

    Tradicionalmente, a Idade Média é dividida em duas fases distintas: Alta Idade Média (séculos V ao X) e Baixa Idade Média (séculos XI ao XV). A cultura, nos primeiros séculos da Alta Idade Média, significou, de fato, um retrocesso em termos civilizatórios, em relação à cultura greco-romana. A produção intelectual foi cercada de religiosidade e desprezo pela vida terrena. A atividade econômica reduziu-se aos níveis da troca direta e a produção tornou-se essencialmente rural. Essa situação começou a sofrer transformações no século IX, com a criação do Império Carolíngio, que lançou as bases da França moderna, tendo em Carlos Magno o seu soberano de maior expressão. Seu reinado foi visto por seus contemporâneos como uma ressurreição do Império Romano.

    A Idade Média europeia foi caracterizada pelo aparecimento, apogeu e decadência de um sistema econômico, político e social conhecido com feudalismo. Começou a se estruturar ao final do Império Romano do Ocidente, atingindo seu apogeu no século X e praticamente desapareceu ao final do século XV. Embora não tenha se manifestado de maneira idêntica em todas as regiões da Europa, apresentou, no entanto, algumas características comuns. Esse sistema foi fruto de uma lenta integração entre alguns traços da cultura social romana com outros da estrutura social germânica.

    Do ponto de vista econômico, o feudalismo, em sua formação, era caracterizado pelo predomínio da produção para o consumo local, baseada na agricultura, com um comércio bastante reduzido e ausência ou baixa utilização de moeda.

    O feudo, unidade de produção agrária, pertencia a uma camada de senhores feudais, que eram membros do alto clero ou nobres guerreiros. O trabalho baseava-se na servidão, relação que mantinha os trabalhadores (servos, vilões ou aldeões) presos à terra e subordinados a uma série de obrigações em impostos feudais e serviços. A sociedade baseava-se principalmente na existência de dois grupos sociais: senhores e servos, podendo ser caracterizado como estamental, isto é, na definição clara das categorias sociais e nenhuma ou quase nenhuma possibilidade de mobilidade social.

    A partir do século XI, no início da Baixa Idade Média, a Europa assistiu ao renascimento comercial e urbano. O comércio foi reativado e os centros urbanos existentes cresceram e inúmeros outros surgiram. Apareceram grandes feiras, onde as mercadorias eram comercializadas em atacado. Formou-se uma nova classe social, ligada aos centros urbanos e ao comércio: a chamada burguesia. Caberia a ela liderar as reivindicações que foram substituindo as instituições feudais por outras mais adequadas ao desenvolvimento das transações comerciais.

    Unidade 3

    No que se refere à cultura, a herança greco-romana foi preservada nos mosteiros. Os monges eram os únicos letrados, pois os nobres e os servos, em quase sua totalidade, não sabiam ler. Mesmo assim, a cultura feudal foi caracterizada por uma visão do homem voltado para Deus e para a vida espiritual. A Igreja cristã conseguiu sobreviver às invasões germânicas e logo depois iniciou um processo de conversão dos “bárbaros”.

    Com isso, transformou-se na mais poderosa e influente instituição medieval. Nas artes, predominavam temas de inspiração religiosa. Nas letras, os sábios e eruditos somente escreviam e falavam o idioma oficial da Igreja, o latim. A ciência reproduzia em suas explicações sobre a natureza interpretações feitas a respeito dos escritos bíblicos. Na filosofia, a última palavra cabia aos doutores da Igreja. O monopólio cultural desta instituição somente começaria a desaparecer no século XIV, com o fortalecimento do Humanismo e com a Renascença.

    A educação no sistema monarcal

    Mesmo após a queda do Império Romano, escolas latinas leigas e pagãs continuaram funcionando em algumas cidades, com o clássico programa das sete artes, a saber, gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria, astronomia e música, e tudo indica que continuaram a existir por algum tempo. Com a decadência que caracterizou a sociedade no início da Idade Média, acredita-se que esse tipo de escola tendeu a

    desaparecer, dando lugar às escolas cristãs, ao lado dos mosteiros e catedrais. A instrução passou das mãos dos leigos para religiosos, os únicos que sabiam ler e escrever.

    Surgem então as escolas monacais, mantidas e administradas pelos mosteiros, locais de confinamento dos monges, religiosos que se submetiam a uma rigorosa disciplina e dedicavam-se a uma vida espiritual de meditação, orações e trabalho intelectual. Voltavam-se, principalmente, para a formação de monges.

    Funcionavam como um sistema de internato. Latim, canto gregoriano, estudo dos textos sagrados e filosofia eram os principais temas ali valorizados. O trabalho e a disciplina eram importantes nessa instituição de ensino.

    Os monges assumiram o monopólio da ciência e os mosteiros tornaram-se os principais redutos da cultura medieval. Foram responsáveis por guardar, em suas bibliotecas, as obras da cultura greco-romana, e por traduzi-las para o latim, adaptando algumas e reinterpretando-as com base nos valores cristãos. Os textos clássicos foram pacientemente multiplicados por monges copistas, antes da invenção da imprensa.

    Unidade 3

    Renascimento Carolíngio

    A partir do século VIII, com a expansão dos árabes e o controle do mediterrâneo, o comércio na Europa declinou ainda mais, provocando retração econômica e intensificando o processo de feudalização. O interesse em aprender a ler e escrever declinou e mesmo na Igreja se descuidou da cultura e da formação intelectual. Por outro lado, o Estado carolíngio necessitava do clero culto nas atividades administrativas. Assim, a necessidade de contar com um clero melhor qualificado e de uma nobreza composta de pessoas capazes de garantir uma boa administração, levou Carlos Magno a estimular a criação de escolas em todo o Império, o que acabou provocando uma intensa renovação cultural, frequentemente chamada de Renascimento Carolíngio.

    O imperador criou, ao mesmo tempo, na corte de Aachen e em outros lugares do Império, as chamadas escolas palatinas (assim chamadas porque funcionavam ao lado do palácio).

    Nelas eram reunidos os melhores mestres da época com a missão de instruir jovens da nobreza e preparar aqueles que queriam seguir a carreira religiosa.Para ministrar o ensino, o soberano franco buscou mestres nas duas regiões onde ainda sobreviviam letrados, o norte da Itália e a Inglaterra. Em meio aos monges anglo-saxões, entusiasmou-se com Alcuíno, tornando-o posteriormente seu ministro da instrução pública, encarregado de elaborar os programas de ensino das escolas palatinas.

    O projeto educacional desenvolvido por Alcuíno previa, além do estudo da Bíblia, o ensino de Gramática, Retórica, Dialética (chamado, na Idade Média de trivium, três vias), que correspondiam ao ensino secundário, e de Geometria, Aritmética, Astronomia, Música (chamado quadrivium, quatro vias), correspondente ao ensino superior, ao qual tinha acesso um número menor de pessoas, e, mais tarde, Medicina. As disciplinas tinham por base textos clássicos da Antiguidade como os do pensador romano Cícero (106-43 a.C.) e os do filósofo grego Aristóteles (348-322 a.C.). Preparava-se os caminhos para o surgimento das primeiras universidades europeias.

    Estabeleceu-se ainda um trabalho de transcrição desses e de outros textos clássicos por meio de cópias cuidadosamente elaboradas por monges copistas, garantindo-se assim sua preservação para a posteridade.

    As Escolas Seculares

    Como vimos, por volta do século XI a Europa assiste ao que se convencionou chamar de renascimento comercial. O movimento das Cruzadas teve destacado papel nesse processo ao restabelecer parcerias entre o Ocidente e o Oriente, abrindo o mar Mediterrâneo aos mercadores da Europa Ocidental. A esse processo se liga a reurbanização da Europa. À medida que o comércio se ampliava, surgiam cidades na confluência de estradas, na desembocadura de rios ou em regiões de declive elevado.

    Unidade 3

    Estes eram os locais preferidos pelos mercadores. Ali havia sempre uma Igreja ou uma fortificação (burgo) que facilitava a defesa aos comerciantes. Em função do comércio e, como consequência deste, foi se formando uma nova classe social, ligada ao comércio, que passou a ser conhecida como burguesia.

    Com esse processo, a sociedade passa por transformações, o que reflete na demanda de uma outra forma de ensino, fazendo surgir as chamadas escolas seculares, isto é, desligadas do poder da Igreja. Com o desenvolvimento do comércio e o surgimento de uma nova classe social ligada a ele, o sistema de educação, privilégio dos clérigos, realizado nos mosteiros ou nas escolas de formação de leigos, restringindo-se à instrução religiosa, já não dava conta de uma nova realidade. A burguesia buscava um ensino que atendesse aos objetivos da vida prática, dos negócios.

    É assim que, por volta do século XII, surgem pequenas escolas nas cidades mais importantes da Europa, com professores leigos nomeados pela autoridade municipal. Logo o ensino do latim é substituído pelo estudo da língua “nacional”. O estudo das sete artes é substituído pelas noções de história, geografia e ciências naturais.

    Contrapondo ao ensino religioso, muito formal e restrito a poucos, as escolas seculares estabeleceram uma proposta ativa, voltada mais para os interesses da classe mercantil, em plena ascensão econômica.

    Não existia um estabelecimento escolar como hoje onde se pudesse realizar as atividade ligadas ao ensino. As escolas, no início, não dispunham de acomodações adequadas e as atividades eram realizadas em diferentes locais: ao ar livre, na Igreja ou em sua porta, numa casa qualquer, numa sala alugada para isso, etc.

    A partir do século XIII ocorreu, no próprio seio da burguesia, uma diferenciação entre rico patriciado urbano, dedicado às atividades bancárias, e os pequenos burgueses. Os primeiros, em busca de posição social e prestígios, aproximaram-se da nobreza e incorporaram os valores aristocráticos como forma de distinção social, desprezando, portanto, as atividades mecânicas. Desta forma, voltaram-se para uma educação “desinteressada”, prerrogativa da nobreza, deixando para a pequena burguesia as escolas profissionais, voltadas mais para as atividades práticas.

    A educação militar

    Com o surgimento e desenvolvimento do sistema feudal na Europa, estabeleceram-se vínculos de hierarquia entre a nobreza feudal baseados nos laços de suserania e vassalagem. A vassalagem era o juramento de fidelidade que uma pessoa prestava a um chefe guerreiro, comprometendo-se a viver sob suas ordens durante certo tempo em troca de proteção. Seu caráter era claramente militar: aquele que prestava juramento tornava-se vassalo de seu chefe, chamado de suserano, devendo-lhe lealdade e obediência.

    Unidade 3

    O vassalo, senhor feudal com menos posses, passava a ter, dentre outras obrigações, que colocar seu exército à disposição do suserano, senhor feudal mais poderoso. O suserano, por sua vez, devia ao vassalo, dentre outras obrigações, proteção militar.

    Desta forma, as exigências da defesa pessoal dos vassalos, numa Europa assolada por disputas e invasões, as competições e lutas frequentes entre senhores feudais, e o código de honra, que impunha o respeito à palavra jurada, motivaram uma formação física e uma educação moral condizentes com os valores religiosos vigentes e com a função social e militar das grandes famílias.

    Com a fragmentação dos reinos, tornou-se costume recorrer ao cavaleiro, soldado que possuía cavalo, armadura e sabia manejar a espada, para a defesa. A cavalaria era uma instituição da nobreza. Segundo o costume, o filho mais velho herdava as terras e, frequentemente, seus irmãos eram encaminhados para a formação clerical ou para a cavalaria.

    Neste último caso, recebia uma educação cuja aprendizagem seguia um ritual severo, culminando com uma cerimônia de sagração, chamada investidura, isto é, do reconhecimento de que o candidato estava preparado e era digno de fazer parte da sociedade dos cavaleiros. Estes recebiam uma educação religiosa, moral e estética, ao invés de uma educação voltada para o intelecto, científica ou profissional, que favorecia o ânimo e desenvolvia a imaginação, e não a memorização e a capacidade dialética e de abstração.

    A formação do cavaleiro não era feita baseada nos manuais e compêndios usados no trivium e no quadrivium, mas com as canções de gesta e as poesias trovadorescas. Dos preceitos que deviam adquirir, de acordo com o código da cavalaria, os principais eram: a devoção religiosa, fidelidade à palavra jurada e defesa do fraco.

    Pertencer à cavalaria era uma honra que se adquiria e não um dom que vinha do berço. No início somente os filhos dos nobres e de senhores podiam conseguir a investidura, honra máxima na sociedade. A educação do cavaleiro seguia o mesmo caminho. Entre os cinco e sete anos, a criança destinada à cavalaria aprendia, ainda em casa, a montar a cavalo e jogar xadrez. Eventualmente aprendia os rudimentos da leitura, do canto e da escrita. Mas muitos cavaleiros se formavam sem saber ler e escrever.

    Por volta dos doze anos, a criança passava a viver numa casa mais nobre ou de senhor mais poderoso e a educação se tornava doméstica e preparatória para a investidura. Consistia na aprendizagem da equitação, do manejo das armas (espada e lança), no treino da caça, dentre outras obrigações. Dava-se também o aprendizado da civilidade senhorial, quando o pretendente devia adquirir polidez e boas-maneiras e ser iniciado nas sociabilidades cortesãs. Ser cortês significava saber portar-se de forma adequada na corte.

    Unidade 3

    A essa formação seguia-se uma segunda etapa, quando o jovem se tornava escudeiro, pondo-se a serviço de um cavaleiro. Aperfeiçoava a montagem no cavalo, o manejo das armas, exercitava-se nas caçadas e nos torneios, com o objetivo de preparar-se para as guerras, tão comuns naquele período. Ao lado da preparação física, dava-se continuidade à educação social, com a introdução de assuntos políticos e até o traquejo da conquista amorosa. Aprendia a arte dos cantores, além da poesia trovadoresca, que exaltava a beleza feminina. A expansão da cavalaria coincidiu com o desenvolvimento do trovadorismo e da concepção do amor cortês, mudando as atitudes com a figura feminina. Após rigorosas provas de valentia e destemor, o escudeiro recebia a investidura, numa cerimônia pomposa, de caráter civil e religioso. Isso ocorria por volta dos vinte e um anos.

    Pelo exposto, fica evidente que a educação do cavaleiro não dava destaque à formação intelectual e muitos, como vimos, nem sequer sabiam ler e escrever, mas distinguiam-se pelas habilidades de caça e da guerra, bem como pela formação espiritual, tendo em vista as principais virtudes do cavaleiro que consistiam na honra, fidelidade, coragem, fé e cortesia.

    As universidades

    A universidade é uma criação original da Idade Média. Ela representa um modelo novo e singular de educação superior que exerceu importante papel no desenvolvimento e

    difusão da cultura. A palavra “universidade” origina-se do termo latino universitas, que significa agrupamento, corporação, universalidade.

    O fortalecimento do comércio e do meio urbano, a partir do século XI, como vimos, propiciou o surgimento da estrutura universitária. O contato entre a Europa e o mundo bizantino e, principalmente, o mundo árabe, foi fundamental para transformar e construir um novo mundo do saber, caracterizado pela universidade.

    Se num primeiro momento universidade poderia referir-se a qualquer corporação de ofício, inclusive aquela que reunia mestres e alunos, com o decorrer do tempo passou a caracterizar somente a corporação do saber.

    Não sabemos a data certa para o surgimento das primeiras universidades. Os vestígios apontam para sua origem entre fins do século XI e primórdios do século XII. Procurava-se ampliar os estudos de filosofia, teologia, leis e medicina, com o objetivo de atender as exigências de uma sociedade cada vez mais complexa. As nascentes cidades precisavam de pessoal com instrução em vários seguimentos: eclesiástico, jurista, burocrata, funcionários para controlar a contabilidade e outros.

    A ideia de universalidade pode se aplicar, de um lado, ao fato daquela instituição reunir estudantes que vinham de todos os lugares e, de outro, ao fato da comunicação entre eles e os mestres ocorre por meio do latim, sendo também a língua do ensino.

    Unidade 3

    Era uma das condições para ingressar na universidade ter o conhecimento prévio da escrita latina.

    Num primeiro momento, indivíduos de todas as classes podiam ter acesso à universidade, tanto para estudar quanto para lecionar. Figuram entre as primeiras universidades, a Universidade de Paris, especializada em Teologia, Bolonha, na Itália, especializada em Direito, e Oxford, na Inglaterra, com predominante interesse pelos estudos científicos. Ao logo da Idade Média foram fundadas mais de oitenta universidades.

    O ingresso do aluno acontecia entre os doze e quinze anos, iniciando o curso das artes liberais, com as disciplinas do trivium ou ciências da palavra (gramática latina, retórica e dialética) e do quadrivium ou ciência das coisas (aritmética, geometria, astronomia e música).

    A Igreja Católica, tentando controlar a universidade, que tornou-se centro de efervescência cultural e passou a afrontá-la com frequência, instituiu a permissão para ensinar (Licentia Docendi); e isso somente poderia ser concedido por ela mesma. Instituiu também os salários para os mestres, os quais passavam a ser funcionários eclesiásticos ou principescos. Controladas pelas Igrejas, as universidades entraram em crise no século XIV, asfixiadas pelo dogmatismo decorrente da ausência de debate.

    Cristianismo

    Nesta etapa do vídeo, a Educação romana sofre os abalos do conturbado contexto histórico do Império Romano. Não é somente uma questão de conversão ao Cristianismo, mas, uma grande reviravolta histórica, onde a fé entrará em cena com o declínio do referido império. Desde o estilo arquitetônico até os limites e divisão do Império, a nova religião ditará a educação e o Clero se fortalecerá para uma Educação cristã onde, ainda não se atingiria todas as camadas da população, apenas a elite financeira.

    Transição e Renascença

    Este vídeo busca elencar como o Feudalismo influenciou a Educação através da Patrística e da Escolástica. Evoca também uma Educação dentro dos pilares da fé cristã, onde a nobreza e o clero podiam ter acesso a Educação, no entanto, a maior parte da população não tinha acesso a ela. Entretanto, mostra o papel dos mosteiros na compilação e cópia de antigos documentos e livros, pois, sem os monges poderiam ter se perdido ou se deteriorado pelo tempo, é um período marcado também pelo imaginário na Educação proposto pela própria Igreja.

    Do Islamismo ao Ocidente

    Aqui temos uma parcela fundamental para o entendimento da virada do pensamento acadêmico na Educação. O Islã propiciou ao Ocidente, uma nova visão em termos científicos, medicinais e culturais. Se por um lado eram considerados hereges pela Igreja. Por outro, suas invenções propiciaram as trocas comerciais da Europa com o Oriente, as grandes navegações e a descoberta de um Novo Mundo.

    A Igreja e o Medievo

    Neste momento do vídeo, entra em cena a continuação da Idade Média e o questionamento em torno da Educação cristã. Surge o protestantismo e os novos efeitos de se reler e repensar a doutrina cristã. A Europa ainda está centrada na sociedade tripartida, porém, o comércio possibilitará uma nova dinâmica que colocará em xeque os fundamentos do poder em torno da terra e o Império Romano do Oriente, cercado por islâmicos turcos.

    A Cavalaria e o Militarismo

    Aqui temos um momento especial aonde a Educação Feudal irá se unir ao militarismo como uma norma de se educar guerreiros. A Igreja continua com sua educação em clausura, mas, a nobreza tem a obrigação do combate enquanto que os servos só servem de base a um sistema espoliativo, o Feudalismo. Desde os tempos das cruzadas, os cavaleiros continuam aliados a uma ideologia cristã onde valores de honra são enaltecidos, entretanto, o apoio à Igreja será mantido contra o Islamismo.

    A Educação no Período Moderno

    4

    Conhecimentos

  • Compreender como um mundo em profunda transformação produz novas formas de educar.
  • Habilidades

  • Reconhecer e analisar a nova realidade, os modelos de educação adotados e fazer as associações necessárias.
  • Atitudes

  • Analisar as novas propostas de educação e o modo como estão ligadas à nova concepção de mundo, com o advento da era moderna.
  • Unidade 4

    A Educação Moderna: séculos XVI e XVII

    Os historiadores costumam definir como Idade Moderna o período que vai de meados do século XV ao final do século XVIII, cujos marcos históricos são definidos pela tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, em 1453, e o início da Revolução Francesa, em 1789.

    Nesse período o mundo ocidental passou por transformações profundas nos campos econômico, político, social, cultural e religioso. A sociedade se transformou com o surgimento de uma economia de mercado e da burguesia, classe social dinâmica surgida no final da Idade Média, empreendedora e aberta às mudanças e novas ideias.

    A partir de então, o ritmo dos acontecimentos históricos tornou-se gradativamente mais dinâmico. A própria noção de tempo sofreu inflexões com o ritmo das acelerações. Os valores foram transformados. O dinheiro, uma cultura material e - não mais a honra - e a linhagem passaram cada vez mais a ser valores importantes num mundo marcado pelas relações mercantis.

    Um mundo em constante transformação e o advento de novos valores, em disputa com a tradição, influenciaram de forma marcante os modelos de educação e as reflexões pedagógicas.Nesse primeiro momento, estudaremos os séculos XVI e XVII, marcados pelo auge do chamado Renascimento e da Reforma Religiosa.

    Cenário Histórico

    Renascimento Cultural ou Renascença

    Com o crescimento e dinamização do comércio e das cidades europeias entre fins da Idade Média e início da modernidade, a burguesia passou a ter papel de destaque definindo cada vez mais os rumos políticos, religiosos e culturais do velho continente. A hegemonia da nobreza e do clero católico darão lugar, aos poucos, a novos valores, sobretudo nos séculos XV e XVI.

    O movimento artístico e cultural que se desenvolveu na Itália, sobretudo a partir dos séculos XIV, é conhecido como Renascimento Cultural ou Renascença. Pode ser caracterizado como uma tendência laica, isto é, desvinculada da influência da religião, e que se estendeu com vigor até o século XVI.

    Inspirado na cultura greco-romana, rejeitava muitos dos valores feudais a ponto de considerar o período medieval como “uma noite de mil anos”, ou a “Idade das Trevas”, concepção injusta e errônea, conforme discutimos anteriormente. Para boa parte de seus adeptos, a suposta época obscura seria abolida por um “renascimento” cultural posterior.

    Unidade 4

    Como dito acima, uma das características da época é a crescente secularização. Por um lado,em fins da Idade Média, a Igreja se torna menos interventora no que diz respeito à fé e ao indivíduo.Vira algo comum fazer críticas à Igreja. O homem torna-se cada vez mais independente de Deus (da Igreja), defende a noção de que ele, agora, pode transformar a natureza. A Igreja, cada vez mais indiferente aos fiéis, passa a atuar como um Estado e o Papa a comportar-se como um rei. Os reis, ao se fortalecerem, irão “atacar” o papa, que por sua vez, afasta-se da religião, enquanto autoridade da fé.

    Os dogmas da Igreja serão contestados. Para os renascentistas, o indivíduo é o dono de seu destino. A moralidade depende da história de cada um. A verdade é cada vez mais relativizada. Ao contrário da Idade Média, há uma preocupação em se destacar a individualidade. A Igreja afasta-se da moralidade e do papel de manter a ordem. O pecado passa a ser relativizado. Começa, nessa época, a formar-se o deísmo e o ateísmo .

    Para Sevcenko (2006), os humanistas tiveram papel destacado no Renascimento e no ataque a muitos dos valores medievais.Eram formados por um conjunto de indivíduos que desde o século XIV vinha se esforçando para modificar e renovar o padrão de estudos ministrados tradicionalmente nas universidades medievais. Esses centros de formação intelectual e profissional eram dominados pela cultura da Igreja e voltados para as três carreiras tradicionais: direito, medicina e teologia.

    Estavam, portanto, empenhados em transmitir aos seus alunos uma concepção estática, hierárquica e dogmática da sociedade, da nobreza e das coisas sagradas, de forma a preservar a ordem feudal. As transformações históricas foram tão drásticas nesse período, que praticamente dissolveram as condições de existência do feudalismo. E as novas circunstâncias impuseram igualmente aos homens que alterassem suas atitudes com relação ao seu destino, à sociedade, à natureza e ao próprio campo do sagrado.

    Iniciou-se um movimento cujo objetivo era atualizar, dinamizar e relativizar os estudos tradicionais baseados no programa dos studia humanitatis (estudos humanos), que incluíam a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a eloquência, esta última resultante da fusão entre a retórica e a filosofia. Assim, num sentido estrito, os humanistas eram, por definição, os homens empenhados nessa reforma educacional, baseada nos estudos humanísticos.

    Esses studia humanitatis eram indissociáveis da aprendizagem e do perfeito domínio das línguas clássicas (latim e grego) e, mais tarde, do árabe, hebraico e aramaico. Assim, deveriam ser conduzidos, centrados exclusivamente sobre os textos dos autores da Antiguidade Clássica com a completa exclusão dos manuais de textos e uma tentativa de abolir a tradição intelectual medieval, buscando, desta forma, novas raízes para a elaboração de uma cultura renovada.

    Unidade 4

    Os humanistas eram todos cristãos e apenas desejavam reinterpretar a mensagem do evangelho à luz da experiência e dos valores da Antiguidade. Tais valores exaltavam o indivíduo, os feitos históricos, a vontade e a capacidade de ação do homem, sua liberdade de atuação e de participação na vida das cidades, a crença de que o homem é a fonte de energias criativas ilimitadas, possuindo uma disposição inata para a ação, a virtude e a glória. Por isso, a especulação em torno do homem e de suas capacidades físicas e espirituais tornou-se a preocupação fundamental desses pensadores, definindo uma atitude mais condizente com os propósitos da camada burguesa.

    Os teólogos, portanto, tinham toda a preocupação voltada para as almas e para Deus, ou seja, para o mundo transcendente, o mundo dos fenômenos espirituais e imateriais. Os humanistas, por sua vez, voltavam-se para o aqui e o agora, para o mundo concreto dos seres humanos em luta entre si e com a natureza a fim de terem um controle maior sobre o próprio destino.

    Por outro lado, a pregação do clero tradicional reforçava a submissão total do homem, em primeiro lugar, à onipotência divina, em segundo, à orientação do clero, e em terceiro, à tutela da nobreza, exaltando no ser humano, sobretudo, os valores da piedade, da mansidão e da disciplina. A postura do humanista era completamente diferente, valorizava o que de divino havia em cada homem, induzindo-o a expandir o mundo para transformá-lo de acordo com sua vontade e seu interesse.

    Reforma e Contrarreforma

    A Igreja Católica constituiu a principal força na Europa durante a maior parte da Idade Média. Tamanha era sua influência que senhores feudais e reis recorriam ao seu apoio. Para muitos autores, essa soma de poder reunido pela Igreja a distanciou das questões espirituais. A riqueza e os prazeres físicos tornaram-se, para muitos clérigos, mais importantes do que a fé, o que pôs em xeque a credibilidade da instituição.

    Já no século XIV, a Igreja vivia uma crise. Além das disputas políticas envolvendo o alto clero, denúncias de corrupção e desvio de moral pesavam sobre a instituição. Neste cenário, filósofos cristãos influenciados pelo pensamento humanista, então em voga, passaram a condenar os desvios morais e o distanciamento da Igreja das questões relacionadas à fé.

    John Wyclif (1324-1384), sacerdote e professor da Universidade de Oxford, e John Huss (1371-1415), sacerdote e reitor da Universidade de Praga (atual capital da República Tcheca), dedicaram boa parte de suas vidas ao ataque indignado contra a corrupção e arrogância vigentes no clero católico. Ambos, no entanto, foram acusados de heresias e condenados à morte na fogueira pela Igreja.

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    Ao contrário do que se possa imaginar, as críticas ao desvirtuamento da Igreja cresceu continuamente. Quando Lutero deu início ao seu ataque contra o comportamento do alto clero, outras pessoas o seguiram, dando início ao que se convencionou chamar Reforma Religiosa ou Reforma Protestante.

    As causas da Reforma são mais profundas e não se restringem à chamada imoralidade do clero. A burguesia, por exemplo, descontente com a Igreja, sobretudo por condenar a usura (cobrança de juros por empréstimos), em muitos locais, apoiou o movimento. Muitos reis, buscando fortalecer seu poder, com interesses nos bens da Igreja e no controle dos cargos eclesiásticos, também apoiaram os reformadores.

    O resultado foi a perda da unidade da Igreja Católica e o surgimento de várias Igrejas protestantes, dentre as quais se destacam a luterana, no Sacro Império Romano Germânico, hoje Alemanha, calvinista, que se propagou rapidamente por várias regiões da Europa, sobretudo naquelas onde a burguesia era forte, por defender uma ética voltada para o trabalho e o acúmulo de riqueza, e anglicana, na Inglaterra, onde o Rei Henrique VIII, com pretensões políticas, estabeleceu suas bases e tornou-se seu chefe.

    A expansão do protestantismo levou a Igreja Católica a empreender uma reforma interna, que consistiu em moralizar o clero para se fortalecer, tendo como objetivo barrar o avanço das novas igrejas. Esse movimento é conhecido como Reforma Católica ou Contrarreforma.

    As transformações operadas entre fins da Idade Média e primórdios do período moderno, frutos dos movimentos renascentista, humanista e reformista, este de cunho religioso, deram impulso a um novo espírito e a novas propostas de educação, contribuindo, da mesma forma, para o aparecimento de concepções, métodos pedagógicos e novas instituições escolares, com destaque para o crescente número de estabelecimentos escolares leigos, onde os valores humanistas tiveram amplo espaço.

    O reformismo religioso também afirmou concepções pedagógicas próprias e singulares, gerando uma nova organização docente dos colégios, relacionada também, é verdade, com o movimento humanista.

    Do surgimento do colégio ao ensino humanista

    Há uma proliferação de colégios no período do Renascimento, dado o interesse das pessoas, nesse período, pela educação. Isso pode estar ligado ao fato do conhecimento tornar-se moda.

    Se os ricos e nobres continuam a ser educados por preceptores em seus próprios lares, a pequena nobreza e a burguesia mandam seus filhos para os colégios, interessadas com a educação deles. De um lado, havia a preocupação com a distinção, num período em que se dá amplo valor ao saber e, de outro, por uma questão prática: trata-se de

    Unidade 4

    preparar seus filhos para a liderança, para a administração política e para os negócios.A educação dispensada aos seguimentos populares restringia-se à aprendizagem de ofício, dado o pouco interesse neste quesito.

    Segundo Aranha (2006), o surgimento dos colégios, do século XVI ao XVIII, foi um fenômeno que acompanhou a nova imagem da infância. Enquanto na Idade Média misturavam-se adultos e crianças, de idades diversas, na mesma classe, foi no Renascimento, ao contrário, que o cuidado em separá-los e organizá-los por graus de aprendizagem passou a assumir contornos mais nítidos.

    Com a justificativa de proteger as crianças das “más influências”, propôs-se uma nova hierarquia, submetendo-as a uma rígida disciplina, fazendo-se uso de castigos corporais. O objetivo da escola não se limitava à transmissão do conhecimento, havia também a formação moral. O regime de estudo era, até certo ponto, rigoroso e extenso. Persistiu o programa clássico baseado no trivium e quadrivium. O ensino da gramática e da retórica foi mantido, como na Idade Média; também a ênfase no latim permaneceu. Esse tipo de ensino foi fortemente criticado pelos humanistas.

    A implantação da maioria dos colégios dava-se por iniciativa da Igreja, o que contribuía para que o ideal de secularização, defendido pelo humanismo renascentista, nem sempre fosse cumprido. No entanto, por iniciativa de leigos, foram criadas escolas particulares mais de acordo com o espírito humanista. Elas surgem na Alemanha, França, Países Baixos, Inglaterra e Itália.

    Em grande parte dessas escolas, a formação intelectual voltava-se para os ideais renascentistas e para a cultura humanística, tendo destaque o estudo do grego e do latim, valorizados pelo “homem moderno”.

    Como a universidade continuava decadente, surgiram as academias para suprir a deficiência no ensino superior. Em linhas gerais, a formação seguia os valores da cultura humanística. Ofereciam o acesso a uma cultura desinteressada. Algumas tinham um caráter essencialmente literário, outras voltavam-se mais para questões filosóficas. Nessa linha, surgem, também no século XVII, as primeiras academias científicas, época da chamada Revolução Científica e que funda as bases do pensamento racional.

    Educação reformada (protestante)

    Uma das ideias buscadas pelos reformistas foi o retorno às origens, defendendo a consulta direta da Bíblia, sem a interpretação do sacerdote, estabelecida pela tradição cristã. Ao possibilitar a leitura e interpretação dos textos sagrados a todos, a educação passa a ter papel importante como instrumento divulgador dos valores religiosos reformistas.

    Unidade 4

    Ao supor a leitura da Bíblia, os reformistas dão ênfase ao ensino popular, à necessidade de se ensinar todos a ler. Coube a eles o papel de organizar a educação pública e não apenas de grau médio - ampliando, desta forma, a ação dos colégios humanistas da Renascença - mas também a escola primária, algo singular. Em cada país, a Reforma apresentou características próprias, acentuando o caráter nacional da educação. Surgem daí diversos sistemas de educação nacionais. Em todas essas características, no entanto, o emprego do idioma vernáculo, nacional, em vez do latim, como ocorria no ensino anterior, foi levado a efeito.

    A primeira, e talvez mais importante ação dos reformistas, no âmbito da educação, foi a formação de uma educação pública, em reação à educação eclesiástica, tendo, no entanto, caráter religioso. Nos múltiplos Estados que compunham a Alemanha, por influência de Lutero e outros reformadores, foram criados numerosos colégios secundários em substituição às escolas catedrais. Neles, ocorreu um movimento de reforma dos colégios humanistas.

    Não foi suprimido o ensino das humanidades clássicas, mas feito agora sob a inspiração cristã de tendência reformista. Ali foram criados três tipos de escolas: de ensino primário, para o povo, nas aldeias e pequenas localidades, com ênfase no ensino elementar, ministrado em língua alemã por eclesiásticos e com caráter religioso; de ensino secundário, destinadas à burguesia, de caráter humanista, mas igualmente religioso, com preparação para os cargos eclesiásticos e para as profissionais liberais; e de ensino superior e que transformaram o ensino nas escolas superiores e universidades já existentes, seguindo o espírito da religião reformada. Essa estrutura de ensino tripartite manteve-se até os dias atuais, com objetivos e métodos naturalmente diferentes.

    Nas escolas primárias permaneceram as disciplinas tradicionais (leitura, escrita e cálculo), associadas à leitura das Sagradas Escrituras na língua nacional, e cantos religiosos. Os métodos de ensino pouco variaram centrando-se na memorização e na explicação dos textos religiosos. A disciplina continuou tão rigorosa como antes, não faltando, inclusive, os castigos corporais.

    Segundo Luzuriaga (1990), o ensino secundário era composto por três classes. Na primeira, devia-se estudar leitura e escrita, tanto em latim quanto em alemão, gramática latina, credos, hinos e orações. Na segunda classe, o ensino era ministrado em latim, liam-se obras latinas e os estudos religiosos tinham continuidade. Finalmente, na terceira classe, aprofundava-se o estudo dos clássicos latinos (Tito Lívio, Salústio, Virgílio, Horácio e Cícero). Estudavam-se também retórica e dialética. O programa, portanto, era puramente humanista, sem referência às ciências.

    Unidade 4

    O programa de ensino proposto por Calvino, que deu início a chamada Reforma Calvinista, na Suíça, consistia na defesa de uma educação elementar que compreendia o ensino da leitura, escrita e aritmética, religião e gramática, na língua nacional. Fundou escolas secundárias, cujo modelo foi seguido pelos colégios e liceus da França. Neles se defendia a formação de funcionários civis e eclesiásticos, por meio dos estudos das humanidades e da instrução religiosa. Essa proposta influenciou reformas pedagógicas em Genebra. Assim como o calvinismo se espalhou pela Europa (França, Holanda, Bélgica, Escócia), as propostas pedagógicas de João Calvino o acompanharam.

    A educação religiosa reformada (Católica)

    O avanço do protestantismo levou a Igreja Católica a uma dupla ação de combate; de um lado, por meio da luta direta, que teve como uma das consequências o reforço do Tribunal da Santa Inquisição e, de outro, a reforma interna da própria Igreja. A pretensão da Reforma Católica era voltar a situação anterior ao humanismo, no sentido de conter o espírito crítico da razão e submeter a religião ao controle da autoridade eclesiástica. O Concílio de Trento e a Companhia de Jesus foram os dois instrumentos criados para isso.

    No que tange à educação, o Concílio de Trento limitou-se a recomendar às autoridades eclesiásticas a criação de escolas, a melhoria daquelas que funcionavam nos mosteiros e o estabelecimento do ensino secundário que oferecesse instrução gratuita a clérigos e estudantes pobres. Os papas também recomendaram a formação de associações para o ensino catequista e para a instrução religiosa.

    No campo mais específico da educação, o principal órgão da Contrarreforma foi a Companhia de Jesus, criada por Inácio de Loyola em 1534 e reconhecida pelo Papa em 1540. Nos países latinos, foi a instituição mais importante na contenção do protestantismo e estava diretamente vinculada à autoridade papal; estabelecia rígida disciplina militar e seu objetivo inicial era propagar a fé. Nesse caminho, fundaram-se inúmeros colégios na Europa e além-mar, cuja ação pedagógica multiplicaria o rebanho de Deus.

    A Educação Realista: século XVII

    O século XVII é considerado por muitos autores um momento em que as contradições são mais gritantes e é quando se manifesta características frequentemente antinômicas: guerras e revoltas ante o desejo pela paz; racionalismo e superstição; classicismo e barroco; absolutismo e sociedade burguesa com seus aspectos de individualismo; conflitos entre o desejo pelo “novo”, “moderno” e o “velho”, tradição. À essa luta entre contrários, alguns autores deram o nome de Modernidade.

    Unidade 4

    Para Cambi (1999), esse contraste e tensão constantes refletiram-se na educação e na pedagogia. Tem-se início uma renovação nas práticas de ensino e nas ideias que lhe dão suporte uma verdadeira refundição da pedagogia e da educação, realizando assim uma real reviravolta na história educativa do Ocidente.

    Ao lado das escolas religiosas que buscam universalizar o ensino elementar e têm o objetivo de difundir a fé religiosa, em oposição ao ensino jesuítico, tradicionalmente centrado no ensino secundário, elitista, e que ainda persiste, surge um outro modelo de instrução renovado, seguindo as transformações econômicas, sociais, políticas e culturais.

    Trata-se da escola moderna, racionalizada na estrutura, nos programas e laica. Ela nasce ao longo do século XVII estimulada não apenas pelas tensões da Reforma e da Contrarreforma e pela crise da tradição escolástica, mas também pela ascensão da burguesia e do Estado centralizado e burocrático, necessitando de técnicos e pessoal especializado. É uma escola organizada e administrada pelo Estado, capaz de formar o intelectual, o técnico e não mais o cristão ou o bom católico.

    Desta forma, nos vários Estados europeus, sobretudo naqueles mais organizados, a escola assume um aspecto mais especializado, como ocorre nos colégios destinados à formação da classe dirigente, submetidos a um controle minucioso e a uma planificação específica, mas também nos colégios para o povo, já que começa a afirmar-se uma educação popular ainda que submetida à Igreja, conforme aconteceu entre os protestantes, empenhados em combater o analfabetismo, como já vimos.

    Embora embrionária, a escola moderna aparece. Suas características centrais já estão presentes: articulação entre a escola elementar, a escola secundária e a instrução superior; organização da vida escolar; métodos didáticos estabelecidos e racionalizados; introdução de línguas estrangeiras e ciências modernas, história dos estados nacionais e sua geografia, dentre outros. Toda a vida escolar foi submetida à rigoroso controle e planificação, com rituais e instrumentos de registros que permanecerão centrais em toda a vida escolar moderna e que exercem um papel disciplinar e formativo. Estabelecem-se classes por idade, onde a rigorosa disciplina é introduzida.

    A escola moderna também introduz o ensino e difusão das novas maneiras, modos, costumes que darão origem ao conceito de civilização ou civilidade, estabelecendo assim as regras de comportamento social ligadas agora ao estilo de vida civil, que procede das classes altas, sobretudo da aristocracia, e se estabelece como modelo a ser seguido por todos, capaz de denotar posição social e distinção.

    Unidade 4

    A Companhia de Jesus continuava atuando e chegaria ao século XVIII com mais de seiscentos colégios espalhados pelo mundo, com base num ensino tradicional, mais conservador e tendo como norte a escolástica medieval e a ciência aristotélica, desprezando, portanto, o ensino das ciências e filosofia modernas, além de sua ênfase no ensino do latim e da retórica.

    Outras ordens religiosas desenvolveram um trabalho mais adequado ao espírito moderno, com destaque para os oratorianos - da Congregação do Oratório, fundada em 1614, ao acolherem as novas ciências e a filosofia cartesiana, racionalista, ensinando o francês e outras línguas modernas, além do latim, história, geografia e ciências – e para os jansenistas, reunidos na abadia de Port-Royal, no entorno de Paris. Inspirados por Jansênio e considerando a natureza humana fundamentalmente má, retomaram os temas agostinianos da graça e do pecado. Fundaram escolas nas quais buscavam, por meio da educação, impedir o desenvolvimento da natureza corruptível do ser humano. Apreciavam a filosofia cartesiana e defendiam que o racionalismo, valorizado como exigência de rigor e clareza de ideia, seria capaz de auxiliar no combate às paixões. Defendiam, no entanto, que a razão sem fé não era nada.

    O século XVII é também o momento em que a procura pelas academias aumentou, justamente no momento em que elas começavam a mudar os seus padrões de ensino, antes conservador e que não atendia mais aos interesses de quem as procurava, em direção a uma formação mais realista.

    Surgiram também, nesse momento, inúmeras academias científicas em vários locais. Os cientistas se associavam a elas para a troca de experiências e publicações. Foram influenciadas pela então revolução científica que se operava e tiveram papel de destaque nela, ante a decadência da universidade. Descartes, Newton e Pascal, por exemplo, participaram da Academia de Ciências. Foram importantes ainda a Real Sociedade de Londres e a Academia de Berlim.

    A educação no Brasil: Catequese

    Cenário Histórico

    A colonização do Brasil, no século XVI, pode ser considerada um capítulo da história da expansão europeia com as grandes navegações e a revolução comercial. A partir do século XVI, deu-se a integração do continente americano à vida política e, principalmente, econômica da Europa. No caso do Brasil, caracterizou-se pelo domínio monopolista, a serviço do Estado e de sua classe mercantil. A ocupação do território deu-se com base na agricultura e a coroa portuguesa recorreu ao cultivo da cana-de-açúcar, já que não foram descobertas, inicialmente, jazidas de metais preciosos. O trabalho era realizado por escravos, trazidos da África pelos traficantes negreiros e introduzidos no Brasil como mercadoria valiosa.

    Unidade 4

    Como esclarecem os historiadores Caio Prado Junior (2000) e Fernando Novais (1995), a economia colonial, de base agrícola, assentava-se sobre o latifúndio monocultor (grandes extensões de terras destinadas à agricultura) e era voltada para o mercado externo, bem de acordo com o mercantilismo, política econômica praticada pelos Estados europeus naquele momento.

    Os responsáveis pela produção açucareira eram os senhores de engenho. Estes tinham enorme prestígio social; eram considerados uma espécie de nobreza da terra, a aristocracia do açúcar. Seu poder expandia-se pelas vilas, dominando as câmaras municipais, órgãos responsáveis pela administração local, e refletia-se no âmbito privado: na casa o senhor de engenho era obedecido e temido como chefes. Na casa grande, sua residência, a administração cabia às mulheres e era onde deveriam permanecer recolhidas, confinadas. Esse tipo de sociedade patriarcal, característica do período colonial, nem sempre vigorou, como mostram novas pesquisas, uma vez que nem toda a América Portuguesa se resumia aos grandes engenhos.

    Prevalecia, nessa sociedade, uma rígida divisão social, com senhores e cativos. A mobilidade não era proibida, era pouco provável. Os homens livres (feitores, capatazes, padres, militares, comerciantes e artesãos) dedicavam-se às atividades complementares. Os escravos formavam não apenas a base da pirâmide social, mas também a base da economia açucareira, sendo responsáveis por quase todo o trabalho na colônia, desde os serviços domésticos na casa dos senhores de engenho até a lavoura e a produção do açúcar.

    No início do século XVII mantinha-se a mesma política e relação econômica da metrópole com sua colônia. No entanto, com a chamada União Ibérica (1580-1640), Portugal esteve sob o domínio espanhol e suas colônias passaram a integrar as posses espanholas, atraindo para o Brasil os inimigos europeus dos castelhanos.

    Esse fato culminou com a invasão holandesa ao nordeste brasileiro para retomar os negócios do açúcar, onde permaneceu por vinte e cinco anos, e a tomada de portos africanos, fornecedores de escravos para o comércio negreiro.

    O século XVII é marcado também pela penetração do interior, com a atividade pecuária, abrindo núcleos urbanos nos sertões, o bandeirantismo e a exploração das drogas do sertão, principalmente na região amazônica, além de conflitos envolvendo os colonos, jesuítas e outros agentes metropolitanos.

    Nesse contexto, a educação não era prioritária, já que o desempenho do trabalho agrícola não exigia formação especial. Não obstante, a metrópole enviou à colônia religiosos para o trabalho missionário e pedagógico com o objetivo de converter o gentio e impedir que os colonos se desviassem da fé católica, conforme os ditames da Contrarreforma.

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    Mas, por outro lado, a intenção dos missionários não se reduzia apenas a difundir a fé. Esse trabalho facilitava a dominação metropolitana e, em tais circunstâncias, a educação se transformava em agente colonizador.

    Dessa forma, a coroa portuguesa e o papado incumbiam à Companhia de Jesus de integrar os nativos da América ao mundo cristão e “civilizado”, a serviço da fé e do Império.

    Embora novos estudos demonstrem a importância de outras ordens religiosas no processo de educação no período colonial, foram os jesuítas que obtiveram resultados mais significativos, empenhados na atividade pedagógica.

    Educação Jesuítica

    Nos séculos XVI e XVII o ensino jesuítico manteve a escola conservadora, alheia à revolução cartesiana, esta representada pelo racionalismo e pela revolução científica. Centrada no ensino secundário, a educação tinha como característica a formação humanística, privilegiando o estudo do latim, dos clássicos e da religião. A educação, voltada para poucos, sobretudo para seguimentos da classe dirigente, era buscada, muitas vezes, como ornamento e erudição.

    Os jesuítas começam a desembarcar no Brasil a partir de 1549, com a fundação do Governo Geral cuja sede ficava em Salvador. Vinham com a tarefa de catequizar e instruir os nativos e de formar sacerdotes necessários para a garantia da continuidade de sua obra. Logo fizeram funcionar uma escola para se ensinar a ler e escrever. Tinha-se início o processo das escolas elementares na colônia portuguesa e que duraria, com franca expansão, até a sua expulsão em 1759 por Marquês de Pombal. Nesse extenso período foram responsáveis pela catequese dos nativos, a educação dos filhos dos colonos, a formação de novos padres, da elite intelectual, além do controle da fé e da moral dos habitantes.

    Os jesuítas estabeleceram escolas, logo que chegaram, e começaram a ensinar a ler, escrever, contar e a cantar. Tais conteúdos deveriam dar a base para a compreensão das Sagradas Escrituras. Os nativos iriam ter acesso aos catecismos, livros e cantos religiosos, entender o cálculo dos dias e das festividades religiosas, bem como acompanhar os ritos e sacramentos. Nos planos jesuíticos, o treinamento para o trabalho era, ou devia ser, secundário.

    Unidade 4

    A preocupação com o ensino missionário tem seu auge no período que vai de 1549 até 1570, conhecido como “fase heroica”, cuja função principal era a catequese e a criação de condições mínimas de vida civilizada para tornar menos penoso o povoamento da colônia. Depois desse início, a catequese crescentemente perde espaço na preocupação e ação dos jesuítas.

    Aos poucos a preocupação voltou-se para a formação de sacerdotes e os seminários foram gradativamente ampliados como instituições de ensino, o que seguiu o crescimento do desejo por instrução, como resultado do desenvolvimento da vida urbana nas vilas onde se encontravam as instituições administrativas.

    Da mesma forma, os seminários se abriram aos alunos externos e os colégios multiplicaram-se para alunos leigos em geral, não interessados na formação sacerdotal. Foi aqui que se deu de forma mais acentuada a ação educacional dos jesuítas, formando os quadros da elite e das lideranças coloniais. Essa era também uma estratégia para fechar os espaços aos avanços do protestantismo.

    Se as primeiras escolas reuniam os indígenas e os filhos dos colonos, agora houve uma separação entre as escolas catequizadoras, em franca decadência, e as escolas dos instruídos, voltadas para a sociedade colonial, sobretudo para a elite. A ação sobre os indígenas se resumia em cristianizar e pacificar, tornando-os dóceis para o trabalho, ainda que este não fosse o objetivo principal. Ao contrário, com os filhos dos colonos a educação podia se estender além das habilidades elementares.

    A tarefa de instruir, agora, destinava-se a formar pessoal qualificado para gerir os negócios e a vida social da colônia. Para isso, os jesuítas montaram no Brasil, nos moldes europeus, um sistema de ensino bastante avançado, universalista, baseado no Ratio Studiorum, que consistia no estudo das letras humanas, de grau médio, com duração de três anos e constituído por gramática, humanidades e retórica; estudo da filosofia e introdução às ciências (cosmologia, psicologia, física aristotélica e filosofia moral), com duração também de três anos; e com duração de quatro anos, estudava-se teologia e ciências sagradas, que coroava os estudos e visava à formação do padre.

    Quanto à didática, os jesuítas foram bastante rigorosos, centrando-se na repetição dos exercícios como forma de memorização. Além disso, estimulavam a competição estabelecendo premiações diversas para aqueles que se destacavam.Após esse período de instrução, aqueles que desejavam completar os estudos seguiam para a Europa, mais frequentemente para Coimbra. As principais obras da cultura clássica eram estudadas voltadas para a formação humanística, procurando adequar o pensamento das obras pagãs aos ideais do cristianismo.

    Embora oferecido ou reforçado nos colégios, o ensino elementar para a elite era adquirido em casa, por meio de parentes ou, principalmente, por meio de preceptores.

    Unidade 4

    A Educação no Século das Luzes

    Conforme Luzuriaga (1990), o século XVIII é, por excelência, o século pedagógico. Em primeiro lugar, a educação tem posição de destaque nas preocupações dos reis, pensadores e políticos e, em segundo lugar, desenvolve-se a educação pública estatal. Tem início também a chamada educação nacional.

    O oitocentos (como era conhecido o século XVIII) é conhecido como século das luzes pela grande fermentação intelectual, com destaque para a fértil produção dos filósofos iluministas. O confronto entre a burguesia, em ascensão, e a aristocracia, que ainda ditava as regras e tinha posição social de destaque, leva a grandes abalos na sociedade da época. No campo educacional, seguindo os valores burgueses defendidos, a tendência liberal e laica se fortalece.

    Contexto Histórico

    O Iluminismo ou Ilustração

    Durante o século XVIII, um conjunto de ideias opostas ao absolutismo dos reis, ao misticismo religioso e à chamada sociedade do Antigo Regime se difundiu, primeiro na Inglaterra e, mais tarde, na França e se espalhou pela Europa, atravessou o Atlântico e chegou à América. São características desse movimento a valorização da ciência e da racionalidade.

    Manifestou-se, sobretudo, no campo da filosofia, mas acabou refletindo-se nos campos político, econômico, artístico e literário.

    No primeiro caso, acreditava-se que o uso da razão era a melhor maneira de vencer a ignorância e construir um mundo baseado na verdade, no progresso e na liberdade.

    No campo político, os ideais iluministas opunham-se ao poder centralizado dos reis, defendendo um governo mais justo e que garantisse as liberdades humanas. As teorias contratualistas de Locke e de Rousseau fizeram adeptos. Na economia, atacava-se a intervenção do Estado nos negócios e defendia-se o liberalismo, um mercado mais livre, o que ia contra aos anseios da burguesia.

    O pensamento iluminista difundiu-se pela Europa, portanto, mas foi na França que teve maior expressão, quando o já decadente absolutismo francês foi fortemente contestado por pensadores como Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Diderot.

    As novas ideias se espalharam pelas academias científicas e de ensino, salões, cafés e clubes literários, principalmente em Paris. Os defensores do Iluminismo buscaram reunir, numa mesma obra, todo o saber científico, daí organizaram a Enciclopédia, por iniciativa de Diderot (1717-1783) e D’Alembert (1713-1784), cujo projeto era popularizar as novas ideias.

    Unidade 4

    Os ideais iluministas acabaram influenciando movimentos revolucionários que levariam à queda das estruturas do Antigo Regime e sua substituição por outras, com destaque para a Revolução Francesa.

    O Despotismo Esclarecido

    Alguns reis absolutos europeus realizaram reformas tendo por base ideias iluministas com o objetivo de modernizar as instituições estatais. Conhecidos como Déspotas Esclarecidos, procuraram racionalizar a cobrança de impostos, a administração e a economia. Incentivaram a produção artística e científica e realizaram reformas judiciárias visando acabar com alguns privilégios da nobreza.

    As reformas procuravam acomodar os interesses da nobreza e da burguesia locais e incentivar novas práticas econômicas de modo que pudessem recuperar suas finanças e enfrentar a concorrência da França e da Inglaterra, consolidadas como potências.

    Os principais déspotas esclarecidos foram os reis da Áustria, José II, da Prússia, Frederico II, de Portugal, Dom José, com seu ministro, o Marquês de Pombal, com repercussões no Brasil, da Espanha, Carlos III, e da Rússia, com a Rainha Catarina II.

    As Revoluções Burguesas

    O século XVIII é marcado por grandes transformações que abalaram a Europa. A burguesia, que ocupara até então posição secundária, frente à nobreza e ao clero que continuavam mantendo privilégios feudais, passa a tentar reverter a situação, liderando movimentos revolucionários.

    A Inglaterra, em meados do século XVIII, com a Revolução Industrial, abriu caminho para o desenvolvimento econômico e tecnológico que consolidou, segundo alguns autores, o sistema capitalista e os valores burgueses.

    Na França, a revolução política foi feita em nome dos valores iluministas de liberdade, igualdade jurídica e direito à propriedade. Segundo Eric Hobsbawm (1977), embora tenha contado com amplo apoio popular, a Revolução Francesa foi essencialmente burguesa, cujos ideais eram os do liberalismo clássico. Para o historiador inglês, as duas revoluções burguesas foram universais porque não ficaram restritas aos seus países de origem, mas extrapolaram suas fronteiras, influenciando o mundo.

    Unidade 4

    A Educação Estatal

    Em primeiro lugar, no plano educacional, é característica do século XVIII a secularização do ensino, processo que teve início nos séculos anteriores. Ele se torna mais forte à medida que o Estado toma para si a responsabilidade pela educação, fundamentando aquilo que chamamos de educação pública estatal. Defende-se que a escola deveria ser leiga, isto é,não religiosa e livre, independente de privilégios de classe, aberta a todos, com ensino elementar obrigatório e gratuito, tendo ênfase nas línguas nacionais em substituição ao latim, com orientação prática, voltada para as ciências, técnicas e ofícios, sem privilegiar, como antes, o estudo exclusivo do humanismo.

    A tendência da educação estatal desenvolve-se principalmente na Alemanha e, particularmente, na Prússia com o rei Frederico Guilherme I e com seu sucessor, Frederico II. Ambos concordam que a educação é uma função do Estado, não com fins pedagógicos, mas com fins puramente políticos, segundo Luzuriaga (1990,p.152), “em vista do engrandecimento do Estado e da necessidade de contar com súditos dóceis, bons soldados e funcionários idôneos”, e baixam decretos determinando a obrigatoriedade do ensino elementar.

    Coube à Alemanha o mérito de dar início ao processo de oposição ao ensino tradicional e exclusivamente humanístico. Além das escolas elementares, criou a Escola Real (Realschule), dedicada ao ensino técnico e científico, com estudo de Matemática, Mecânica, Ciências Naturais e trabalhos manuais.

    Também na França, no século XVIII, tem início a educação pública estatal, até então nas mãos de entidades religiosas, com caráter muito restrito, principalmente nas mãos da Companhia de Jesus, suprimida em 1762, dominando o ensino secundário e superior.

    Em Portugal e em suas colônias, sobretudo no Brasil, a iniciativa nesse sentido coube ao ministro ilustrado de D. José, Marquês de Pombal, que expulsou os jesuítas do Império Português e suas possessões, em 1759. Pombal, que buscou reformar as instituições portuguesas com base nos ideais iluministas, agiu com rigor na reforma do ensino. No mesmo ano da expulsão dos jesuítas, instituiu a educação leiga, com total responsabilidade do Estado, antecedendo a estatização do ensino na Prússia (1763), na Saxônia (1790) e na França, na década de 1790, cujas ideias ainda eram debatidas na Assembleia Legislativa.

    A Educação Nacional

    A educação nacional tem início na França, durante e após a Revolução Francesa, quando sofre modificação radical e se espalha para o mundo. A transformação política ocorrida com o movimento revolucionário transforma a educação estatal, quer dizer, a educação do súdito, própria da monarquia absoluta, dada como dever imposto, de caráter intelectual e instrumental, transforma-se em educação nacional, do cidadão, que busca a participação na política, de caráter cívico e patriótico, exigida como um direito do homem e do cidadão.

    Unidade 4

    Esse processo lançou as bases da nova educação, ainda que tenha se mantido por pouco tempo e pelas próprias dificuldades políticas externas e internas daqueles anos conturbados.

    A defesa da educação nacional centrava-se em algumas ideias básicas que a orientaram, em conformidade com os valores da Revolução Francesa. Em primeiro lugar, defendia a orientação cívica e patriótica, inspirada nos princípios democráticos e de liberdade, seguida da defesa da educação como função do Estado, independente da Igreja, da obrigatoriedade escolar para todas as crianças, da gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário, da educação laica, não religiosa, dentre outros pontos menos importantes.Essas ideias serviram de orientação e guia para a educação no século XIX, uma vez que a Revolução não conseguiu levá-la a termo, embora tenha iniciado.

    A Educação no Brasil no século XVIII

    Cenário Histórico

    A segunda metade do século XVII e as primeiras décadas do século XVIII marcam um período de descontentamento na colônia e que provocou movimentos revoltosos, com destaque para a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão, a “Guerra dos Emboabas”, entre 1707-1709, na região das Gerais, a Revolta dos Mascates, em Olinda

    e Recife, e a Revolta de Filipe dos Santos, em 1720, acontecida em Vila Rica. Embora tais movimentos nunca colocassem em xeque a autoridade da Metrópole em relação à Colônia, passaram a contestar a exploração e a vigência do chamado Pacto Colonial .

    O século XVIII encontra a economia açucareira do nordeste numa crise tremenda, fruto da concorrência estrangeira. Com a descoberta das minas de ouro nas Gerais, o eixo econômico desloca-se do decadente nordeste para essa região. Segue-se um processo de urbanização com o crescimento da população e a diversificação social. Como resultado disso, surge uma pequena burguesia, dedicada aos negócios internos.

    O período também expôs a crise econômica vivida por Portugal, cada vez mais dependente dos ingleses, submetendo-se a tratados desiguais, aliviada com o ouro brasileiro. Atrasado em relação às nações do norte da Europa, cada vez mais dependente do Brasil e sem ter investido na produção manufatureira, Portugal busca modernizar-se em meados do século XVIII com o governo ilustrado de D. José I. O primeiro ministro, Marquês de Pombal, percebendo a extrema dependência econômica do país em relação à Inglaterra, procurou reequilibrar a deficitária balança comercial lusa. Buscou, de um lado, tornar o sistema administrativo e o desenvolvimento econômico mais eficientes e, de outro, buscou reforçar as práticas mercantilistas na América portuguesa.

    Unidade 4

    Enfrentando oposição do clero e da nobreza aos ideais iluministas, Pombal expulsou de Portugal e de suas possessões os jesuítas, rompendo a autonomia de que desfrutava essa ordem religiosa. Confiscou-lhes os bens e transferiu para o Estado a responsabilidade sobre o ensino, até então praticamente monopólio da Companhia de Jesus.

    O aumento do controle da Coroa em relação ao Brasil, associado ao descontentamento e a influência das ideias liberais que sopravam da Europa e chegavam à Colônia levou parte da população de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e da Bahia a organizar movimentos, que não chegaram a ocorrer, mas buscavam o desligamento com a coroa, dando início ao processo de Independência do Brasil, somente concretizado no século seguinte.

    Educação – A Reforma Pombalina

    As características da colonização e a relação de domínio estabelecida por Portugal sobre o Brasil não favoreceram o desenvolvimento de um sistema de ensino público e popular. Numa população composta de aproximadamente 2/3 de escravos, de base econômica agrícola, rudimentar, numa situação política de dominação e que exigia um aparelho administrativo reduzido e pouco sofisticado, a cultura e o ensino eram um luxo dispensável. Mesmo a elite não encarava o ensino como prioritário ou com especial cuidado.

    É nesse cenário que tem início, em meados do século XVIII, a chamada Reforma Pombalina, em Portugal e suas colônias, atingindo a administração, a economia e a educação. Com a expulsão dos jesuítas, desmantelou-se o sistema de ensino até então implantado no Brasil.

    Criou-se, como solução paliativa, as Aulas Régias de disciplinas isoladas, modificando o curso de humanidades, conforme ocorria na Metrópole, sustentadas com um novo imposto chamado “subsídio literário”, em substituição ao ensino secundário. As aulas deveriam suprir as disciplinas antes oferecidas nos extintos colégios. Institui-se aula de gramática latina, grego e retórica. Criou-se o cargo de Diretor de Estudos, um órgão administrativo que deveria orientar e fiscalizar o ensino, e realizou-se concurso para a escola de mestres. O poder metropolitano nomeou professores e estabeleceu planos de ensino e inspeção.O novo ensino oferecia aulas de línguas modernas como o francês, além de desenho, aritmética, geometria, ciências naturais, bem de acordo com os novos valores.

    A reforma educacional pombalina, inspirada em alguns ideais iluministas, bem de acordo com as condições sociais daquele tempo, substituiu a metodologia eclesiástica do ensino jesuítico pelo pensamento pedagógico da escola pública e laica. Em lugar de um sistema único de ensino, estabeleceram-se duas escolas, uma leiga e outra para a formação profissional. O ensino fundamentalmente clássico, literário, foi substituído pelo ensino científico.

    Unidade 4

    Para boa parte dos estudiosos, Pombal desmantelou o sistema de ensino existente e não conseguiu, pelo menos de imediato, reconstruí-lo, introduzindo inovações, provocando, desta forma, um retrocesso nesse campo.

    Mercado e Renascença

    Neste vídeo, temos mais uma fase de transição, a do Medievo para a Idade Moderna. Nessa etapa, veremos o fortalecimento do mercado, através da revolução comercial e do desenvolvimento tecnológico das ferramentas rurais. Tais elementos trarão ao novo cenário europeu, ainda que timidamente, a nova classe, a burguesia. Através dos portos italianos, novas ideias mudarão o pensamento de gerações; patrocinados pela própria Igreja, os renascentistas mudarão a Educação para um retorno à filosofia greco-romana.

    Novo Mundo e Modernidade

    Neste vídeo, temos a continuação do debate sobre as guerras religiosas, agora em um Novo Mundo trazido à tona pelos grandes navegantes. Veremos mais uma vez a Educação ser levado a ficar entre a cruz e a espada de católicos e protestantes desde a Europa até os povos pré-colombianos e indígenas rasileiros. Uma Educação pautada na catequização e apoio à colonização. Da mesma forma, os conceitos de heresia e guerra justa serão trazidos ao Novo Mundo com as recém-chegadas do imaginário europeu: bruxas, monstros, superstições, etc.

    De Tordesilhas até Pombal

    Nesta etapa do vídeo, iremos abordar questões de corso e de pirataria ao longo do extenso mar das Américas. É debatido também o Capitalismo enquanto fator de criação protestante e, a relação disso com o pensamento feudal católico. Abordaremos também uma nova etapa da Educação, o Iluminismo, onde a Renascença será ratificada e a filosofia greco-romana repensada e contextualizada nas novas relações de dimensões político-econômicas e sociais, bem como, o papel da escola e da universidade.

    Do Iluminismo até o fim do Século XIX no Brasil

    Temos neste vídeo, a continuação do Iluminismo e seus Déspotas Esclarecidos, bem como, a Educação nacionalista empregada por tais déspotas (imperadores e reis). A Educação a serviço da máquina burocrática do Estado Europeu e do desenvolvimento industrial e formador de profissionais para o trabalho em grandes fábricas. Temos igualmente a questão do Marquês de Pombal e o desenvolvimento do Brasil Colônia e das primeiras instituições educacionais do Brasil Império.

    A Educação Contemporânea

    5

    Conhecimentos

  • Compreender a riqueza das propostas educacionais e as rupturas operadas.
  • Habilidades

  • Identificar as transformações no campo educacional no Brasil e no mundo.
  • Atitudes

  • Analisar as transformações operadas no mundo, com especial atenção para o Brasil, e que foram capazes de produzir, com o passar do tempo, práticas educativas mais democráticas.
  • Unidade 5

    Século XIX: Consolidação da educação nacional

    Embora preconizado no século XVII e colocado em prática no século XVIII, é somente no século XIX que o projeto de uma educação universal, para todos, começa a se concretizar, com intervenção cada vez maior do Estado no sentido de estabelecer a escola primária universal, laica, gratuita e obrigatória. O contexto histórico do século XIX favoreceu o processo, uma vez que o fenômeno da urbanização acelerada, decorrente do capitalismo industrial exigia uma educação mais eficiente e mão de obra mais qualificada.

    Cenário Histórico

    As revoluções liberais de fins do século XVIII contribuíram para alterar a fisionomia de diversos campos. O impacto das mudanças serão percebidos com mais nitidez no século seguinte.

    A Revolução Industrial, por exemplo, ao mesmo tempo que contribuiu para consolidar, no campo econômico, os valores burgueses, transformou o mundo do trabalho. O processo produtivo, com a mecanização e o estabelecimento do sistema fabril, num primeiro momento, levou à pauperização da nascente classe operária que, para conter a exploração do trabalho, criou formas de lutas nem sempre pacíficas no caminho de melhorar as condições de trabalho, de salário e de vida.

    Contexto que contribuiu para o surgimento e desenvolvimento de ideologias que defendiam a classe trabalhadora e condenavam o capitalismo, com destaque para o Anarquismo e o Socialismo.

    O século XIX marca, por assim dizer, uma luta entre o capital e o trabalho e entre ciclos de crise e expansão; é o momento de consolidação de uma economia industrial e capitalista e, na concepção de Eric Hobsbawm (1996), é a era do Capital.

    Ainda no plano econômico, após um início de crise e de convulsão social, a economia avança a ponto de conter as agitações e os descontentamentos das primeiras décadas do século. Após um curto período de nova crise, agora de superprodução, o capitalismo liberal ou concorrencial cedeu lugar aos grandes monopólios e ao capitalismo financeiro, que induziram as disputas entre as grandes potências europeias por mercador, matérias-primas e territórios, e que culminaram com as duas grandes Guerras Mundiais na primeira metade do século XX.

    O século XIX é, portanto, o período de consolidação dos valores materiais e burgueses que, até então, estiveram em constante luta contra os valores aristocráticos e feudais, vencidos lentamente. Este mesmo século é, também, a época dos nacionalismos. Nele ocorreu a unificação da Alemanha e da Itália, cujo processo se completou no início da década de 1870.

    Unidade 5

    Todas essas transformações contribuíram para o fortalecimento dos Estados nacionais, que tiveram papel central no estabelecimento e consolidação de uma política de educação elementar obrigatória, universal e gratuita.

    O cenário educacional do século XIX

    Segundo Cambi (1999), no século XIX há diversos modelos de ensino e pedagogia com orientações diversas um tanto conservadoras, progressistas e revolucionárias, mas sempre fortemente ideologizadas.

    Para Manacorda (2001), o cenário do século XIX, momento de consolidação dos valores burgueses, é marcado pelo embate político e social entre a classe burguesa e o proletariado. Esse cenário se reproduz no campo da educação e da pedagogia entre iniciativas conservadoras (burguesas) e os anseios por mudanças (proletariado). Essa batalha influencia todas as esferas e níveis da educação, indo da educação infantil, elementar ou primária, até a secundária.

    O século XIX marca uma grande expansão da rede de ensino. Há uma ampliação do número de estabelecimentos entre todos os níveis, uma expansão do ensino elementar e o aparecimento da pré-escola. Na reorganização da rede secundária, manteve-se a dicotomia entre aquela destinada à elite burguesa, com uma formação clássica e propedêutica e outra voltada para a classe trabalhadora, com uma instrução técnica. O ensino secundário foi também ampliado e reformulado e fundaram-se as escolas politécnicas para atender a demanda gerada pelo avanço da tecnologia. O interesse pela educação também atingiu as escolas normais, aquelas destinadas à formação de professores.

    O momento marca ainda uma preocupação mais acentuada com a metodologia em virtude das novas ciências humanas, com destaque para a psicologia.

    Outra característica central da educação desenvolvida no oitocentos é a grande atenção dispensada à formação da consciência nacional e patriótica do cidadão em substituição àquela de caráter mais geral e universal, com grande ênfase na formação cívica, em razão das rivalidades entre os Estados e das tendências nacionalistas do período.

    A reformulação da educação expressou-se em vários estados europeus, com destaque para a Alemanha, França e Inglaterra. No primeiro caso, a escola elementar sofreu influência do suíço-alemão Pestalozzi, enquanto a escola secundária manteve seu caráter nitidamente erudito e humanista. A reformulação da educação completou-se com a criação da Universidade de Berlim em 1810. Grandes pensadores como Fichte e Schleiermacher imprimiram ao ensino superior uma forte tendência para a discussão filosófica e a cultura geral.

    No que se refere ao ensino profissional, a oferta de vagas aumentou com o surgimento de novos estabelecimentos. O objetivo do ensino era preparar os alunos para as tarefas da oficina, do comércio e da agricultura. Como mostra Aranha (2006, p.201), esse período culminou com a unificação dos estados alemães, partindo da Prússia.

    Unidade 5

    Assim, “até o final do século XIX, inúmeras e efetivas reformas conduziram a Alemanha a um ensino secundário e eficiente, rigoroso e disciplinado, com baixo nível de analfabetismo e invejável posição de progresso técnico e administrativo”, ainda que se trate de uma educação autoritária e disciplinar que sofreu críticas dos liberais.

    Na França, no início, Napoleão adotou também uma política autoritária e centralizadora no ensino, com suas atenções voltadas principalmente para a universidade e o ensino secundário, deixando sob a responsabilidade das ordens religiosas o ensino elementar e sem gratuidade. Com a sua queda e a reaproximação da Inglaterra, a França estabeleceu um ensino elementar voltado para a educação das crianças saídas do seio da classe trabalhadora, com momentos de avanços e recuos, aumentando enormemente a sua oferta, mas que se extinguiu depois de 1870. Antes disso, nessa mesma linha, em 1865, o industrial francês Godin, inspirado nas ideias de Fourier, havia fundado uma escola ao lado de um núcleo habitacional para atendimento aos filhos dos operários.

    Após a derrota para a Alemanha na guerra Franco-Prussiana, retomam-se as discussões sobre a necessidade da escola pública. Institui-se a escola laica, gratuita e obrigatória, copiando o modelo alemão. O ensino técnico é reorganizado e é dada atenção para a formação de professores. Há também mudanças na universidade, com sensíveis transformações pedagógicas.Ao contrário dos exemplos da Alemanha e da França, a educação na Inglaterra continuou como função da sociedade civil, com pouca intervenção do Estado, e subvencionada por igrejas e fundações particulares. No entanto, a partir de 1830, o Estado implantou uma série de medidas para exercer maior controle sobre o ensino público, criando as publicschools, frequentadas inicialmente por crianças das classes ricas.

    Em meados do século XIX o Estado defendeu a obrigatoriedade do ensino e a sua gratuidade. Ainda assim, não havia grande interferência, cabendo ao Estado dar apoio econômico e supervisionar as atividades pedagógicas. Finalmente, Robert Owen, um “socialista utópico”, fundou escolas para os filhos dos trabalhadores, impressionado com as suas condições de vida.

    A Educação Brasileira no Século XIX

    Cenário Histórico

    No início do século XIX a colônia portuguesa na América era muito diferente daquela que os portugueses encontraram três séculos antes. No litoral existiam muitas vilas e cidades; mesmo no interior era possível encontrar núcleos urbanos importantes. As atividades econômicas foram diversificadas e expandidas, contribuindo para a lenta integração da colônia. O comércio interno havia crescido tanto que fugia ao controle da Coroa portuguesa. O Rio de Janeiro, por exemplo, elevado à capital da colônia em 1763, tinha em seu porto um intenso fluxo de mercadorias.

    Unidade 5

    A maior circulação de pessoas e mercadorias levava, lentamente, a economia colonial a se monetizar, quando os negócios deixavam de ser efetuados à base de produtos para serem feitos por meio de moedas. Nesse processo, a economia colonial tornara-se mais forte e importante do que a economia metropolitana. A atividade manufatureira, no entanto, continuava inibida pela política mercantilista portuguesa que a proibia na colônia.

    Essa situação mudaria completamente logo no início do século XIX, quando a família real portuguesa, devido a atritos com a política do Bloqueio Continental decretada por Napoleão, mudou-se para o Brasil, escoltada pela marinha inglesa e sob a proteção da Inglaterra. Alguns autores chegam a defender que embarcaram para o Brasil, entre altos funcionários, magistrados, sacerdotes, militares de alta patente, dentre outros, juntamente com a família real, cerca de 15 mil pessoas, cifra considerada por outros estudiosos exagerada.

    Desde então as transformações foram consideráveis. Com a abertura dos portos, decretada seis dias após a chegada do príncipe regente, D. João VI, o Brasil perdia, de fato, o seu estatuto de colônia. A presença da Corte imprimiu uma nova dinâmica a até então acanhada cidade do Rio de Janeiro, que passou por uma reforma urbanística destinada a transformá-la numa cidade digna de abrigar a corte: ruas foram pavimentadas e equipadas com iluminação pública, novos prédios, praças e chafarizes foram erguidos.

    Além disso, D. João VI tomou medidas que afetaram diretamente a vida econômica, política, administrativa e cultural do Brasil. Para montar a nova máquina do Estado foram criados diversos órgãos. Foram fundados, ainda, o Banco do Brasil, o Real Hospital Militar e o Jardim Botânico, o Museu Nacional, a Academia de Belas Artes, o Observatório Astronômico e a Academia Militar.

    Juntamente com outras medidas, o Período Joanino transformou a cara da antiga colônia e deu-lhe estatuto de sede política do Império Colonial Português, situação confirmada com a sua elevação à categoria de Reino Unido, em 1815. No entanto, com a derrota de Napoleão na Europa e a Revolução do Porto em 1820 que determinava a volta do rei para o Reino e a pronta recolonização do Brasil, o que significava o retorno do estatuto anterior, precipitaram o processo de Independência, sob o controle da aristocracia rural, beneficiada pelas medidas liberais joaninas.

    Com a Independência começa o processo de construção do Estado Nacional. Os anos que vão de 1822, ano da emancipação, a 1831, ano da abdicação de D. Pedro I, foram turbulentos e de disputas entre os grupos dominantes para fazer valer seus interesses. O período que se segue, até a maioridade de D. Pedro II, quando é coroado rei, é de agitação em toda a nova “nação”, colocando em risco a sua unidade.

    Com o Segundo Reinado (1840-1889), tem início um momento de calmaria. Representa o começo da consolidação das instituições imperiais. Os grupos dominantes puderam, portanto, construir uma ordem política e social estável, baseada na supremacia do imperador sobre todos os outros poderes do Estado, na grande propriedade monocultora e no trabalho escravo. A estabilidade era garantida pelo crescimento econômico, assegurada pela expansão da produção cafeeira, no Sudeste.

    Nesse momento, começa a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado, com a vinda de grandes contingentes de imigrantes para o trabalho nos cafezais e na nascente indústria.

    Unidade 5

    A partir de 1870, assistiu-se ao crescimento da campanha abolicionista, que culminaria oficialmente com o fim da escravidão em 1888, e do movimento em defesa da República.

    O fim da escravidão, um dos pilares de sustentação do Império, as mudanças econômicas e sociais, permitindo o surgimento do movimento em defesa da República, os conflitos sociais que marcam o período após o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), a insatisfação do Exército e os conflitos do Estado com a Igreja Católica, contribuíram para a queda do Império e a proclamação da República em 15 de novembro de 1889.

    No início, a preocupação fundamental do governo, no campo educacional, foi a formação das elites dirigentes. Não houve preocupação em montar um sistema nacional de ensino, integrado em seus graus, mas em criar algumas escolas superiores e em regular as formas de acesso a seus cursos.

    Período Joanino

    A chegada da Família Real portuguesa e a Independência do Brasil contribuíram para modificar a educação brasileira. Colocou-se em prática a política iniciada com as reformas pombalinas de criar escolas úteis aos fins do Estado, algo que acorreu apenas no nível do ensino superior. O objetivo central era formar no Brasil a elite dirigente.

    Assim, D. João VI criou diversos cursos com destaque para aqueles erguidos no Rio de Janeiro, como a Academia da Marinha (1808), Academia Real Militar (1810), cursos de Anatomia e Cirurgia (1808), laboratório de Química (1812), curso de Agricultura (1814), Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816). Na Bahia foram criados o curso de Cirurgia

    (1808), curso de Agricultura (1812), curso de Química (1817) e curso de Desenho Técnico (1817).

    A criação dessas escolas de nível superior visava também atender as necessidades de defesa do momento, isto é, formar oficiais do exército e da marinha, além de engenheiros militares e médicos. Faculdades de ensino jurídico foram criadas também após a Independência, no Primeiro Reinado.

    A educação no Período Imperial

    Ao longo do Período Imperial o ensino foi estabelecido em três níveis: educação primária ou elementar, educação secundária e superior. O primeiro e o segundo níveis foram pouco difundidos devido ao desinteresse da elite com a educação dispensada para a maioria da população. O ensino elementar, deixado a cargo das províncias, pouco se difundiu, uma vez que não era entendido como prioritário. Os orçamentos eram escassos e os escravos eram proibidos de frequentar a escola.

    O curso primário nem era exigido para o ingresso no nível secundário, o que levava a elite a educar seus filhos em casa, com preceptores. Embora em 1827 uma lei tenha determinado a criação de escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugarejos, e escola de meninas nas cidades mais populosas, nunca foi, de fato, cumprida. A tentativa de construção de um sistema nacional de educação, nesse momento, fracassou.

    Unidade 5

    Eram poucas as escolas voltadas para os demais seguimentos da população, cujo ensino se restringia à instrução elementar: ler, escrever e contar. Dados de 1867 apontam que apenas 10% da população em idade escolar matriculava-se nessas escolas.

    Em 1854, o ensino primário foi divido em ensino elementar e superior. No primeiro, ensinava-se leitura, escrita e formação moral e religiosa, noções iniciais de gramática, princípios elementares de aritmética e o sistema de pesos e medida. No segundo caso, incluíam-se dez disciplinas, desdobradas do ensino elementar. No período imperial pouco ou quase nada se fez em relação ao ensino técnico-profissional, sendo amplamente negligenciado.

    Entre o ensino primário e secundário não havia articulações, o que era prejudicial à educação. Da mesma forma que o ensino primário, o secundário carecia de organização e era de qualidade duvidosa, dada a escassez de recursos e de professores qualificados, frequentemente improvisados e com salários irrisórios, levando-os a se dedicarem a outras atividades. Nesse nível não se pode dizer que havia um currículo, em razão da escolha aleatória de disciplinas. No entanto, sua principal função era preparar os estudantes para o ingresso nos cursos superiores, formados por escolas isoladas de formação profissional.

    Em 1834, com o ato adicional, conferiu-se às províncias o direito de legislar sobre o ensino primário e secundário, atribuindo à Coroa a responsabilidade pelo ensino superior, o que acabou por piorar a já precária situação do ensino. A educação para a elite ficava a cargo do governo central, enquanto a educação voltada para as classes mais baixas ficava sob a responsabilidade das províncias, com exceção do Colégio Pedro II, a partir de 1837, ano de sua fundação, destinado ao ensino secundário, e que ficou a cargo da Coroa.

    Após o ato adicional, as províncias começaram a criar os liceus provinciais que se constituíram mais em ajuntamento das aulas avulsas, antes dispersas, do que em uma estruturação organizada. Sua principal preocupação era fornecer aos alunos as disciplinas exigidas nos exames para o ingresso no ensino superior.

    Em 1837, por decreto imperial, foi criado o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Com os estudos organizados de forma seriada, e conferindo aos concludentes o grau de Bacharel em Letras, dando o direito de ingresso em qualquer curso superior sem a exigência de outros exames, o colégio foi a primeira tentativa de organização do ensino secundário regular no Brasil. Deveria também servir de modelo para os demais estabelecimentos secundários.

    Sobre os cursos superiores, alguns foram criados ainda no período joanino, como vimos, ligados, no entanto, à defesa militar. Somente depois da independência, em 1827, é que foram criados dois cursos jurídicos, um em São Paulo e outro em Recife, transformados em faculdades em 1854. A atenção dada ao ensino superior expõe o caráter elitista e aristocrático da educação brasileira. Os cursos jurídicos foram os mais concorridos entre os jovens na segunda metade do século XIX, cujo prestígio advinha do uso da tribuna. Os bacharéis formados nesses cursos engrossavam as fileiras da administração, muitos seguindo a carreira política ou o jornalismo. O diploma exercia uma certa função de “enobrecimento”, de distinção social.

    Unidade 5

    Quanto à formação dos professores, nada ou quase nada foi feito no Período Imperial. Segundo o decreto de 1827, eram vitalícios os provimentos dos professores e mestres e os que não estivessem capacitados deveriam instruir-se em curto prazo e à custa dos seus ordenados, nas escolas das capitais (BRASIL, 1827). No entanto, para melhorar a formação dos professores, foram criadas as escolas normais. A primeira delas em Niterói (1835), então capital da província do Rio de Janeiro. Funcionou precariamente e pouco mais de uma década depois foi fechada, retomando mais tarde suas atividades.

    Diversas escolas normais foram fundadas em outras províncias, mas, em sua maioria, duraram pouco tempo, dado o descaso com a formação dos mestres, numa sociedade pouco preocupada com a educação elementar. Somente por volta da década de 1860, com o recrudescimento do interesse pela educação, novas escolas normais foram fundadas.

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    Educação no século XX

    O século XX foi bastante rico em experiências educacionais e na diversidade de teorias pedagógicas. Por isso, apresentaremos apenas, num resumo didático, os principais aspectos e propostas da educação no mundo, indicando, no entanto, leituras complementares para aprofundamento, que constam na bibliografia no final do trabalho. Também apresentamos apenas as linhas gerais dos acontecimentos e mudanças mais significativos operados no período em questão.

    Pode-se dizer que o século anterior foi aquele que operou rupturas - sob a égide dos valores iluministas, burgueses, em busca da emancipação humana, do cidadão com autonomia no pensar e agir - sustentadas pelas conquistas levadas a cabo com os valores liberais, no caminho de produzir uma sociedade mais justa e democrática. Entre lutas e disputas, de um jeito ou de outro, podemos dizer, de forma bastante esquemática e com risco de excessiva simplificação, que o século XX foi aquele em que, lentamente, o projeto de uma sociedade mais justa e democrática foi implementado.

    Em boa parte do mundo hoje, a democracia é uma realidade, garantindo amplos direitos aos cidadãos. Como esclarece Cambi (1999), ainda que muitos projetos tenham fracassado, o século XX é, também, o período das revoluções socialistas, que pensou numa sociedade igualitária, ainda que tenha descambado para regimes ditatoriais, totalitários. Foi também o século da oposição ao apartheid, da luta contra a discriminação racial e em defesa dos direitos das minorias, do avanço da ciência e das tecnologias, da escolaridade em boa parte do mundo, do fenômeno da sociedade de massa e, igualmente, de seus mecanismos de controle.

    Cenário Histórico

    No final do século XIX, com a chamada Segunda Revolução Industrial, que segundo Eric Hobsbawm (1988) e David Lands (2005), foi um aperfeiçoamento da tecnologia da Revolução Industrial inglesa, houve um avanço desmedido da produção industrial que acabou, não obstante, gerando uma crise de superprodução. A saída foi a busca de mercados consumidores fora das fronteiras dos estados nacionais, por áreas de investimentos e fornecedoras de matéria-prima. Esse processo, lentamente, levou à disputas entre as potências industriais europeias pelo controle de territórios e mercados. O resultado disso foi as duas guerras mundiais que, vistas em conjunto, tiveram como fator central, portanto, as disputas imperialistas.

    Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Rússia czarista passou por uma revolução, instaurando um regime de inspiração socialista, contrário ao sistema capitalista. Ao mesmo tempo que na Rússia, cujo nome é mudado para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), começa um processo de expansão que a transformaria numa potência, os Estados Unidos (EUA) consolidam-se como superpotência após o término da Primeira Grande Guerra, cuja influência marcante no mundo não cessou de crescer, abalada com a Crise de 1929, cujas consequências para o mundo capitalista foram catastróficas.

    Unidade 5

    A gravidade da depressão econômica, sobretudo nos países europeus, favoreceu a ascensão de regimes totalitários, fascistas, apoiados pelos capitalistas, dado o temor de revoluções socialistas. Neste momento o modelo soviético incitava a classe trabalhadora a lutar contra a burguesia.

    Os Estados Unidos, por seu turno, para combater a crise, mudou sua política econômica, no caminho de maior intervenção na economia, criando o chamado Estado de bem-estar social (Welfarestate).

    Por outro lado, o avanço do fascismo na Europa, sobretudo na Itália, com Mussolini, e na Alemanha, com Hitler, e sua ânsia imperialista-expansionista, levaria o mundo à sua pior guerra, deixando um saldo de quase 60 milhões de mortos, em sua maioria de civis.

    No pós-guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo principal de manter a paz e a segurança internacionais e de promover a cooperação entre os povos na busca de soluções para os problemas econômicos, sociais, culturais e humanitários, fomentando o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

    Na nova ordem que se estabelecia, os EUA e a URSS consolidaram-se como as duas maiores potências do mundo em torno dos quais formaram-se dois blocos antagônicos: o capitalista e o socialista, dando origem a um conflito político, econômico, social e ideológico que ficou conhecido como Guerra Fria, e que se estenderia até o final do século.

    Também ao final da Segunda Guerra, os impérios coloniais, resultados do Imperialismo, começaram a desmoronar, dando início ao processo de independência nas nações africanas, solidificados por ideais nacionalistas e, muitas vezes, com a eclosão de conflitos sangrentos. Apesar disso, os traumas das décadas de humilhação e pilhagem deixaram marcas profundas no continente, como a miséria e os conflitos étnicos.

    Com o desmoronamento da União Soviética, no início da década de 1990, e o fim do conflito entre capitalistas e socialistas, teve início uma nova ordem, multipolar, marcada pelo avanço da globalização, com a expansão do capitalismo, a intensificação do comércio internacional, facilitados pelas inovações no campo das telecomunicações. O rápido crescimento da tecnologia da informação colocou em uso o computador, o telefone celular e a internet, no início da década de 1990. A velocidade da informação e da comunicação nos dá a sensação de vivermos num mundo menor e interligado.

    A politização da Educação

    A educação cada vez mais, desde o processo de sua laicização, a partir do século XVIII, e sob responsabilidade do Estado, assumiu um caráter político, em função de seu papel na sociedade como instrumento de transmissão da cultura e formação da cidadania.

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    Se, de um lado, a escola foi usada como instrumento de inculcação das ideias da classe dominante e como instrumento de doutrinação a serviço do Estado, como ocorreu nos regimes totalitários (fascismos e stalinismo), ela também buscou, no século XX, a ação emancipadora, abrindo espaço para a desmistificação da ideologia. Atualmente a escola ainda procura um meio-termo entre a educação voltada para o trabalho, numa sociedade cada vez mais tecnocrata, e a formação humanística.

    Uma característica da educação contemporânea é o seu caráter democrático, buscando atingir todos, sem distinção. Se no início, desde a Antiguidade, apenas uma parcela muito pequena da população tinha acesso à educação, seja ela pública ou particular, hoje os governos dos diversos estados buscam manter sistemas públicos de ensino que atinjam toda a população, uma vez que a educação passou a ser entendida como um direito do cidadão, obrigatória, e um dever dos Estados nos países democráticos.

    A Escola Nova

    As propostas de uma escola pública, laica, gratuita e obrigatória, do século XIX, são reafirmadas no século seguinte, como resultado do crescimento industrial e a explosão demográfica. Houve uma ampliação significativa dos três níveis de ensino (fundamental, médio e superior) da rede escolar, dada a demanda de emprego criada pelos mercados em expansão e que necessitavam de pessoal minimamente qualificado. Logo surgiram discussões que defendiam a educação como instrumento de garantia da mobilidade social e o sucesso profissional. Papel de destaque tiveram os adeptos da chamada Escola Nova ao defender o ensino como instrumento de democratização da sociedade.

    Os pensadores da Escola Nova, movimento de renovação do ensino, forte na Europa, nos EUA e no Brasil na primeira metade do século XX, buscavam superar a escola tradicional, centrada no professor e voltada para a memorização dos conteúdos. Defendiam uma educação ativista, com a renovação da pesquisa pedagógica e a busca de uma prática educativa mais eficaz. Também tinham como um de seus princípios uma atenção especial na formação do cidadão e o empenho para desenvolver a individualidade e a autonomia, algo que somente seria alcançado numa escola não-autoritária que permitisse ao aluno aprender por si mesmo. Com esse ideário, muitas escolas foram fundadas na Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Itália e EUA. Em alguns casos, os métodos foram adotados nas escolas públicas. As experiências de educadores e pedagogos como Maria Montessori, na Itália, e Decroly, na Bélgica, foram significativas e influenciaram projetos em outros países.

    A escola socialista

    O século XX é marcado também pelo avanço da ideologia socialista e por revoluções que buscam destruir o capitalismo. O primeiro caso concreto é o da Rússia, no início do século, onde é adotado o socialismo após uma revolução vitoriosa em 1917 e consolidada depois. Logo, muitos países seguiriam o seu exemplo, sobretudo aqueles do leste europeu. Neles nasce uma experiência educacional singular, centrada na educação popular e na garantia da universalização da escola elementar, gratuita e obrigatória. Logo, o esforço pela alfabetização foi levado a efeito. Nas escolas, valorizou-se o trabalho coletivo, a auto-organização dos estudantes e a ligação entre escola e vida e entre trabalho manual e intelectual.

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    Na União Soviética (URSS), logo no início, a pedagogia ligou-se a uma estratégia política que visava, de um lado, não desprezar as conquistas da ciência e tecnologia e, de outro, reforçar a consciência de classes e priorizar a instrução politécnica, voltada para o trabalho. Depois, no período stalinista (1924-1953), a relação entre educação e trabalho foi negligenciada em detrimento da formação cultural e científica, voltando a prevalecer o dualismo escolar entre um ensino profissional e a formação mais geral.

    Os países socialistas do leste europeu seguiram de início as orientações da URSS na área educacional. China e Cuba também deram especial atenção à educação. Em todos esses países a busca por erradicar o analfabetismo foi uma realidade com sucessos impressionantes.

    A escola totalitária

    Datam dessa época as experiências educacionais desenvolvidas nos países fascistas, sobretudo no período entre as duas grandes guerras, principalmente na Itália, Alemanha, Espanha e Portugal. Se uma das características fascistas era o totalitarismo, quer dizer, a obediência ao Estado, este passou a intervir na vida das pessoas, com o objetivo de doutriná-las, discipliná-las e torná-las obedientes. Nesse sentido, a educação assumiu a função de difundir a ideologia oficial do Estado. Nas escolas valorizavam-se as disciplinas de moral e cívica com o objetivo de incutir o amor desmedido à pátria, especial atenção à educação física e evidente desprezo pelas atividades intelectuais e por qualquer teoria.

    A educação na segunda metade do século

    Na segunda metade do século XX, pós-guerra, nos países mais desenvolvidos a escola caracterizou-se por seu papel social cada vez mais central e pela organização mais aberta. Segundo Franco Cambi (1999, p.625-626), no pós-Segunda Guerra a escola, nos países centrais:

    caracterizou-se: 1. pelo seu crescimento no sentido social; 2. pelo seu papel no desenvolvimento econômico; 3. pela função exercida na ordem democrática; 4. pelas fortes tensões reformadoras, inclusive nas formas mais radicais, como aquelas expressas em 1968.

    O crescimento da escola manifestou-se por meio da alfabetização de massa, da obrigatoriedade escolar em quase toda parte e a adoção de seu papel fundamental na mobilidade social. Somente depois de 1945 foi que as massas em quase toda a Europa tiveram acesso à escola. E esta passou a ter um importante papel no desenvolvimento socioeconômico, onde até mesmo a mão de obra operária devia dispor de cultura, de modo a ser capaz de operar máquinas mais sofisticadas.

    Unidade 5

    A escola básica passa a ter um duplo papel: de um lado, difundir uma cultura desinteressada, nutrindo a inteligência, de outro, criar perfis profissionais, o que não era, absolutamente, uma novidade. A escola passa a ter o papel não apenas de formar o cidadão, mais consciente e capaz de participar da “coisa pública”, mas também de prepará-lo para o exercício da democracia, difundindo práticas de discussão, de diálogo, de confronto coletivo. Foi nesse momento de consciência democrática que se condenou o papel ideológico que teve a escola até então.

    A escola contemporânea parece estar dividida, segundo Cambi (1999, p.628), por quatro problemas:

    a oposição entre escola de massa e escola de elite, entre escola de todos e escola seletiva; a oposição entre escola de cultura (desinteressada) e escola profissionalizante (orientada para um objetivo); a oposição entre escola livre (caracterizada pela liberdade de ensino, como quer uma instância de verdadeira cultura na escola) e escola conformativa (a papéis sociais, a papéis produtivos).

    Muitas dessas questões permeiam as propostas e práticas educativas em boa parte do mundo democrático, apesar das muitas singularidades, aqui negligenciadas em função do nosso objetivo buscado, que consistiu apenas em apresentar um panorama resumido, com as linhas mais gerais da educação ao longo século XX, cabendo a você, estudante, caso se interesse, aprofundar os temas valendo-se, para isso, da bibliografia que apresentamos ao final.

    O Brasil e a Educação Contemporânea

    Desde as últimas décadas do século XIX, novas ideias permeavam as propostas de mudanças e conflitos de interesses, acompanhando as transformações econômicas e sociais no Brasil. É o momento do fim do escravismo, de um primeiro surto industrial, do crescimento urbano e da transição para o trabalho livre e assalariado.

    As ideias liberais, de tendências mesmo democráticas, encontraram um terreno propício para o seu desenvolvimento. Essa realidade acabou por influenciar as transformações no campo educacional.

    No Brasil contemporâneo as propostas para um novo ensino foram uma realidade. Dependendo do período prevaleceram modelos diferenciados. Aos poucos, no entanto, cada vez mais se defendeu uma educação como um direito do cidadão, acompanhando o processo de estabelecimento da democracia e um dever do Estado.

    Apesar dos avanços, da busca pela universalização do ensino e do combate ao analfabetismo, os desafios da educação atual são muitos, como veremos adiante.

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    Cenário Histórico

    Primeira República

    A derrubada da Monarquia e a proclamação da República em 15 de novembro de 1889 foi resultado de um movimento de cúpula, controlado desde o primeiro momento pelos militares e pelas elites agrárias. De 1889 até 1930, na chamada República Velha ou Primeira República, o país esteve quase todo o tempo nas mãos das elites oligárquicas do Sudeste e nada foi feito para promover mudanças econômicas ou sociais que atendessem às necessidades da população mais carente.

    À despeito do crescimento da indústria, a base da economia continuava sendo a grande propriedade rural, produtora de artigos voltados para o mercado externo. O período também foi marcado por fraudes eleitorais e por forte repressão aos movimentos populares.

    A constituição de 1891, a primeira republicana, assegurou um governo representativo, o presidencialismo, o federalismo e estabeleceu a divisão dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Além disso, instituiu também o voto universal masculino, mas com regras bem restritas: podiam votar os maiores de 21 anos e alfabetizados, num país em que cerca de 80 % da população era analfabeta. Além disso, mendigos, soldados e membros de ordens religiosas não podiam votar.

    No entanto, não prevalecia a democracia no sistema eleitoral. Montou-se um esquema político viciado, controlado por grupos influentes, as oligarquias, cujo poder assentava-se nos municípios, com o apoio dos coronéis, em geral grandes fazendeiros ou comerciantes, que, de fato, controlavam o processo eleitoral em cada região, e que tinham influência determinante sobre a nomeação do delegado e do juiz e sobre a eleição do prefeito. Como o voto era aberto e não secreto, os coronéis, às vezes usando da força, garantiam os votos necessários para os seus candidatos.

    No campo econômico, o período é marcado por ascendente crescimento industrial, sobretudo no Rio de Janeiro e, mais ainda, em São Paulo, e fez surgir uma classe operária. Com a sua organização e a influência das ideias socialistas e anarquistas, teve início uma luta entre patrões e empregados.

    Somente após muitos embates é que a classe trabalhadora conseguiu obter algumas conquistas.

    O período também é marcado por movimentos de contestação, sobretudo, na década de 1920, com destaque para o movimento tenentista que, descontente com os rumos tomados pelo governo, tentou derrubá-lo.

    Unidade 5

    A década de 1920 marca também a crise do modelo republicano adotado. A sociedade brasileira estava em plena ebulição, passando por constantes mudanças. Nas cidades, por exemplo, entre a população, era crescente a rejeição às práticas políticas das oligarquias. A contestação popular ao poder dos coronéis manifestou-se, sobretudo, na luta dos trabalhadores por melhores condições de vida e de trabalho e nas ações militares dos tenentes, que expressavam a indignação dos grupos sociais urbanos contra o domínio das oligarquias. As crises políticas do período contribuíram para enfraquecer o regime que não se sustentou à crise econômica de 1929; ocorreu um duro golpe que contribuiu para a ascensão de Getúlio Vargas ao poder em 1930.

    Após um rápido período de governo provisório marcado por lutas ideológicas entre os movimentos que defendiam a revolução socialista no Brasil ou um governo ditatorial, fascista, reproduzindo o embate mundial, Getúlio Vargas, por meio de um golpe, fecha o regime e dá início a um período de exceção, influenciado pelo totalitarismo europeu.

    Tinha início o Estado Novo (1937-1945). Nesse período, a criação de um conjunto de leis trabalhistas, de um lado, beneficiou os trabalhadores, e, de outro, criou mecanismos para o seu controle. No plano econômico, houve um crescimento industrial acentuado, com forte investimento na indústria de base.

    A Redemocratização

    Com a queda de Getúlio Vargas em 1945, tem início um período democrático que se estendeu até 1964. Nele o Brasil passou por profundas transformações; consolidou seu processo industrial e tornou-se, definitivamente, um país com fortes características urbanas. Nos governos de Getúlio Vargas (1950-1954) e de Juscelino Kubitschek (1955-1960), adotou-se uma política desenvolvimentista arrojada. O primeiro com restrições ao capital estrangeiro e o segundo, com ampla abertura. Ambos, no entanto, deram impulso ao desenvolvimento econômico do país, apesar dos problemas como a alta da inflação e o agravamento das desigualdades sociais que os governos seguintes, de Jânio Quadros e João Goulart, tentaram resolver. As agitações levaram, no entanto, à crise da democracia, abrindo caminho para o golpe militar de 1964.

    A Ditadura Militar

    Com os militares no poder implantou-se no Brasil uma ditadura (1964-1985) com amplo apoio da classe média urbana. No período, os direitos constitucionais foram suspensos e substituídos por uma série de medidas de exceção.

    Embora os golpistas tenham buscado definir o golpe como uma revolução, tratou-se, na verdade, apenas de uma estratégia para justificar e legitimar o golpe e a ditadura imposta a todo o país.

    Unidade 5

    Nos 25 anos que se seguiram a 1964, a direita e as elites conservadoras acabaram triunfando e impuseram o seu projeto à nação: uma proposta de modernização pela via conservadora e autoritária. Assistiu-se com perplexidade ao ferrenho combate contra as liberdades civis e aos movimentos sociais organizados, não faltando requintes de crueldade, como a tortura, assassinatos e perseguições aos opositores.

    A República Nova

    Com o fim da ditadura em 1985 tem início a chamada Nova República. No entanto, a herança do período anterior era muito forte. No plano econômico, a crise era grande, com alta inflação, dívida externa galopando, arrocho salarial e crescente pauperização da classe média. Vários planos de estabilidade foram criados, sem sucesso.

    Com Fernando Collor de Melo, tem-se início um programa neoliberal, que Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) deu continuidade, com o Plano Real, que consistia em privatizar as empresas estatais, buscar o equilíbrio das contas públicas, o controle cambial e a abertura ao mercado internacional, com a diminuição dos impostos de importação.

    As medidas obtiveram êxito, porém geraram outros problemas como o aumento do desemprego e recessão. Mesmo com ligeira queda da mortalidade infantil e do analfabetismo, os problemas sociais do país se agravaram ao longo do período do governo de Fernando Henrique Cardoso. O desemprego e a violência urbana cresceram, sobretudo nas grandes cidades, e o salário continuou muito baixo, insuficiente para o sustento de uma família.

    A crise e o clima de insatisfação contribuíram para a eleição do candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). No entanto, seu governo procurou seguir, em muitos aspectos, a política econômica neoliberal de seu antecessor. Ao mesmo tempo, pôs em prática uma política voltada para uma melhor distribuição de renda, com o objetivo de diminuir as desigualdades sociais (aumento do salário mínimo, reajustado com base na inflação, implantação do Bolsa Família, programa de transferência de renda para famílias em situação de pobreza ou miséria). Apesar da diminuição da pobreza, as desigualdades sociais permanecem.

    A Educação na Primeira República

    Na Primeira República, o modelo de educação herdado do Império, que privilegiava os grupos dominantes em detrimento da educação popular e profissional, foi colocado em questão. Tal sistema, bastante precário, legou algumas escolas isoladas de ensino secundário e superior e algumas de ensino primário a ponto de iniciar-se o período republicano e o país não contar com um sistema nacional articulado de educação pública.

    Segundo Antunha (1973), coube ao período republicano, com destaque para os anos a partir de 1930, construir um sistema de educação nacional, elaborado com base em alguns princípios discutidos ao longo da Primeira República e inscrito na constituição, como a gratuidade do ensino de 1º grau, direito à educação, por exemplo, ainda que, muitas vezes, não seguidos na prática.

    Unidade 5

    A Constituição de 1891 nada disse sobre a gratuidade do ensino, já presente na Carta de 1824, deixando aos estados, antigas províncias, a responsabilidade pelo ensino primário. Apenas a Constituição de 1934 garante a obrigatoriedade e gratuidade do ensino primário, sempre presente nas Cartas Magnas posteriores, além de entender que a educação é um direito de todos, não se tornando, porém, uma realidade.

    Com a separação entre Igreja e Estado, na República, instituiu-se o ensino leigo nas escolas públicas, acabando com a sua obrigatoriedade, levada a cabo durante o Império, cuja religião oficial era o catolicismo. A constituição de 1934 reintroduziu o ensino religioso, mas de caráter facultativo.

    Manteve-se, nesse período, a dualidade de sistemas e competências: um sistema federal, com a preocupação central de formar as elites, por meio dos cursos secundário e superior, e outro estadual, limitando-se a organizar e manter a educação das camadas populares.

    O curso secundário existia em função do curso superior, funcionando mais como um nível preparatório para a continuação nos estudos, mais tarde. A sua duração variava entre 4 e 7 anos, dependendo do período. Houve uma redução da carga horária destinada às humanidades e aos Estudos Sociais, em detrimento dos estudos de Matemática e Ciências, dentre outras atividades.

    Quanto ao Ensino Superior, manteve as mesmas características do período anterior, com escolas superiores isoladas, em pequeno número e subordinadas à legislação federal, com predomínio do ensino profissionalizante.

    Cresceu o interesse pela formação de professores e surgiram escolas normais nos grandes centros, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, que serviram de modelos de institucionalização de novos cursos em outras cidades do Brasil.

    As reformas pretendidas não se implementaram devido à falta de infraestrutura adequada, apesar do esforço de construção de prédios e formação de professores. À despeito de alguns esforços, a educação não foi democratizada, as vagas nas escolas eram limitadas e disputadas pela classe média, enquanto boa parte da elite continuava pagando preceptores para a educação de seus filhos em casa.

    A Educação na Era Vargas

    Com a chamada “Revolução de 1930”, Getúlio Vargas, por meio de um movimento armado, chega ao poder. No Governo Provisório (1930-1934) é criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, órgão importante para o planejamento das reformas e para a estruturação das universidades, tendo como chefe da pasta Francisco Campo, adepto da Escola Nova, proposta nascida na Europa e nos EUA. Partia da crítica à educação tradicional, defendendo, com base num pensamento liberal democrático, a escola pública para todos, com o objetivo de se atingir uma sociedade mais igualitária e sem privilégios. Várias reformas escolares baseadas nesse ideário foram realizadas no Brasil, dentre elas, aquela levada a cabo em Minas Gerais por Francisco Campos e Mário Casassanta, em 1927.

    Unidade 5

    Francisco Campos empreende uma reforma no ensino, a primeira ação planejada com o objetivo da organização da educação nacional, por meio de decretos. Criou-se o Conselho Nacional de Educação, deu-se a organização do ensino superior no Brasil, do ensino secundário e do comercial. Por outro lado, a reforma foi omissa em relação ao ensino primário, o que representou um obstáculo à democratização da educação, tão defendida pelos adeptos da Escola Nova.

    No ensino secundário, a reforma pretendia evitar que este permanecesse meramente propedêutico, isto é, apenas como um meio para atingir o ensino superior. Passou a ter dois ciclos: um fundamental, com duração de 5 anos, e outro complementar, com duração de 2 anos, visando à preparação para o curso superior.

    Todas as escolas tiveram que se equipar e foram estabelecidas normas para a admissão de professores e de inspeção do ensino ministrado.

    Apesar dos avanços, pode-se apontar como pontos negativos da reforma a já citada negligência com o ensino primário, a falta de articulação entre o curso secundário e o comercial e o enciclopedismo do programa de estudo, com rigorosa avaliação. Isso tornou o ensino muito seletivo e elitizante.

    Quanto ao ensino superior, a reforma destacou-se pela organização universitária, imprimindo nova orientação baseada na maior autonomia didática e administrativa, com ênfase na pesquisa e na difusão da cultura.

    O processo de reformas iniciado com Francisco Campo teve continuidade com Gustavo Capanema, que o substituiu no Ministério da Educação e Saúde Pública em 1934. Em 1942, já na ditadura do Estado Novo, implementa-se uma abrangente reforma nos ensinos industrial, secundário, comercial, normal, primário e agrícola. Cria-se o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e, em 1946, o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

    O ensino secundário, reestruturado, era formado pelo ginásio (quatro anos), e o colegial (três anos), dividido em estudo clássico, com os estudos de humanidade, e científico. A reforma do ensino primário somente foi regulamentada em 1946, com a introdução de muitas modificações.

    A criação do ensino supletivo, com duração de dois anos, foi importante para diminuir o elevado índice de analfabetismo.

    A estruturação da carreira docente também foi tema importante com destaque para a remuneração da classe. No entanto, o número de professores leigos, sem formação, continuou a crescer.

    A Educação entre 1946-1964

    O período inicia com a volta das eleições para todos os níveis e a esperança de dias melhores toma conta da população, horrorizada com as consequências da Segunda Guerra e o controle das liberdades durante o Estado Novo.

    Unidade 5

    Na educação, há um período marcado por debates, tendo como pano de fundo o projeto da Lei de Diretrizes e Base (LDB), aprovado em 1961 após treze anos de discussões no Congresso Nacional, ao contrário dos projetos anteriores, impostos pelo executivo.

    A Constituição de 1946, que estabeleceu o regime democrático para o país, defende os princípios de uma educação como direito de todos, a escola primária como obrigatória, assistência aos estudantes e gratuidade do ensino oficial para todos os níveis, quando comprovada a insuficiência de recursos.

    Manteve o ensino religioso obrigatório para os estabelecimentos. Apesar da mudança do regime, a legislação educacional herdada do período anterior manteve-se em vigor até 1961, quando teve início a vigência da LDB.

    Esta foi a primeira lei brasileira a estabelecer as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em todos os níveis, desde o pré-primário ao superior. Não houve alteração na estrutura de ensino, mantendo os avanços da Reforma Capanema, apenas com a vantagem de permitir a equivalência dos cursos. O ensino secundário tornava-se menos enciclopédico, com significativa redução do número de disciplinas. Em âmbito federal, permitiu-se a pluralização de currículos.

    Aranha (2006) demonstra que inúmeras desvantagens decorriam da lei, apontando, dentre outras, o fato do Estado destinar recurso, também, para a iniciativa privada; com a criação do Conselho Federal de Educação (CFE) e dos Conselhos Estaduais de Educação (CEE), que permitiam a representação das escolas particulares, tornaram-se inevitáveis a pressão e o jogo de influência para obter recursos. O ensino técnico continuou negligenciado, isto é, sem merecer atenção especial.

    Para a autora, a lei nascia ultrapassada, também por não acompanhar as transformações, o crescimento econômico e a urbanização, situações enfrentadas pelo Brasil desde 1946, quando o projeto de lei passou a ser debatido.

    Ao mesmo tempo em que se discutiam as diretrizes da educação, movimentos em defesa de uma educação popular surgiram, engrossaram o debate, e tiveram grande atuação, principalmente no âmbito da alfabetização de adultos e patrocinados pelo Governo Federal, com destaque para o movimento Campanha de Educação de Adultos, o Movimento de Educação de Base, o Programa Nacional de Alfabetização e os Movimentos de Cultura Popular (MCP), cujo primeiro, ligado à prefeitura de Recife (PE), teve como integrante, Paulo Freire, que criou um método inovador de educação de adultos, baseado nas características do meio social em que viviam os alunos.

    A Educação durante a Ditadura Militar

    O regime militar instaurado no país em 1964 criou um caráter de exceção. No plano político-administrativo, muitos políticos foram perseguidos e tiveram seus mandatos cassados. Inúmeros funcionários públicos foram destituídos de seus cargos. As eleições diretas para presidente foram canceladas. No plano econômico, o governo optou pelo aproveitamento do capital estrangeiro e liquidou o modelo do nacional-desenvolvimentismo do período anterior. Ao mesmo tempo em que houve uma concentração de renda em poucas mãos, as distâncias entre ricos e pobres aumentaram.

    Unidade 5

    Estabeleceu-se a censura aos meios de comunicação e os opositores do regime foram perseguidos, inclusive estudantes. A União Nacional dos Estudantes foi posta na clandestinidade, considerada subversiva pelo regime.

    Nesse período, a educação sofreu com o autoritarismo que se instalou no país. O governo impôs reformas em todos os níveis de ensino, sem a participação da comunidade. Os resultados foram desastrosos, contribuindo para uma escola com altos índices de repetência e evasão escolar, escolas precárias de recursos materiais e humanos e professores desvalorizados.

    Os avanços populares na área da educação foram contidos, numerosas escolas foram invadidas pela polícia e professores e alunos foram presos e exilados. Muitas escolas passaram a ser vigiadas por agentes dos órgãos de informação do governo sob o controle do Serviço Nacional de Informação (SNI).

    Os três níveis de ensino passaram por reformas. O primeiro e o segundo graus foram reformados por uma lei de 1971. O antigo curso primário e o ginásio foram unificados num curso de primeiro grau, com duração de 8 anos, destinado à educação geral, sendo excluída a formação profissional, industrial e agrícola, até então presentes.

    Todo o segundo grau tornou-se profissionalizante. Com três anos de estudo, o aluno recebia um diploma de auxiliar técnico e com quatro anos de estudo, o diploma de técnico. Para ingressar num curso superior, bastava a conclusão do terceiro ano e a classificação em concurso de vestibular. Vale destacar que todas as escolas eram obrigadas a implantar habilitações profissionais, mesmo sem as condições para tanto, ocasionando um verdadeiro

    caos nesse nível de ensino. Muitas vezes o aluno terminava o ensino sem adquirir a formação desejada.

    Buscava-se adequar assim a educação secundária à formação tecnicista, isto é, às exigências da sociedade industrial e tecnológica, com economia de tempo e recursos. Através de acordos com o governo norte-americano, o governo brasileiro passou a receber assistência técnica e cooperação financeira para implantar a reforma. Desenvolveu-se, portanto, uma reforma autoritária, vertical, que buscava atrelar o sistema educacional ao modelo econômico dependente e para formar mão de obra minimamente qualificada para o mercado.

    Os conteúdos ministrados também sofreram modificações. A base comum (obrigatória) passou a abranger dez conteúdos específicos, sem contar o ensino religioso, facultativo: um de Comunicação e Expressão (Língua Portuguesa); três de Estudos Sociais (Geografia, História e Organização Social e Política do Brasil; dois de Ciências (Matemática e Ciências Físicas e Biológicas) e quatro de Práticas Educativas (Educação Física, Educação Artística, Educação Moral e Cívica e Programa de Saúde). Disciplinas como Filosofia e Sociologia, mais reflexivas, não tiveram espaço.

    A reforma das universidades públicas ocorreu antes, em 1968, por meio de uma lei aprovada em novembro, possibilitando seu maior controle pelo governo. As reivindicações pela ampliação de vagas, do corpo docente, aumento de verbas, recursos e outras, foram negligenciadas.

    Unidade 5

    Introduziu-se uma gama de diversas modificações na LDB de 1961: foi extinta a cátedra (cargo de professor universitário, titular em dada disciplina), substituindo-a pelo departamento, flexibilizou-se os currículos com a criação de cursos parcelados, semestrais, introduzindo assim o sistema de créditos, foram criados os exames vestibulares unificados e os ciclos básicos para suprir as deficiências da formação secundária e cursos de pós-graduação regular, bem como cursos de curta duração foram instituídos.

    Pode-se dizer que houve um retrocesso no sistema educacional brasileiro com as reformas empreendidas pelos governos militares.

    A Educação na Nova República

    A década de 1980 marca um período de transição entre a ditadura e a construção da democracia. O primeiro passo para a redemocratização foi a eleição, ainda que indireta, de Tancredo Neves em março de 1985. A partir daí, apesar dos problemas econômicos, passou-se a viver um período de liberdades, logo mentido pela aprovação da Constituição de 1988, a mais democrática de todas, e ainda em vigor. A carta garantia ao Brasil uma democracia liberal, com a separação dos três poderes, voto obrigatório para as pessoas entre 18 e 70 anos, fim da censura, direito de greve, liberdade sindical, amplo assistencialismo social, garantindo-se os direitos trabalhistas, dentre muitos outros pontos importantes.A reformulação do sistema educacional brasileiro foi tema de muitos debates no período entre os constituintes.

    Garantiu-se, pela Constituição de 1988, que a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família, com o objetivo de desenvolver plenamente a pessoa para o exercício da cidadania e qualificá-la para o trabalho; a gratuidade do ensino público; ensino fundamental obrigatório, extensivo progressivamente ao ensino médio; valorização dos profissionais da educação, com planos de carreira para o magistério público; autonomia universitária; aplicação anual pela União de, no mínimo, 18%, e pelos estados, Distrito Federal e municípios, de 25% da receita resultante de impostos, na manutenção e desenvolvimento do ensino; plano nacional de educação visando articulação e desenvolvimento do ensino em todos os níveis e às integrações do poder público, etc.

    Com base nos fundamentos da nova Carta Magna foi estabelecida a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996. Estabelece o ensino em dois níveis: básico - formado por educação infantil (0 a 6 anos), ensino fundamental (7 a 14 anos, com 8 anos de duração, modificado em 2006 para nove anos, e ensino médio (15 a 17 anos). As duas últimas modalidades eram chamadas pela LDB de 1961, de 1º e 2º graus – e superior.

    Quanto aos currículos do ensino fundamental e médio, devem, obrigatoriamente, abranger, estudos da Língua Portuguesa, Matemática, conhecimento do mundo físico e natural e a realidade social e política, especialmente a brasileira, Educação Física e Artística.

    A Educação Ambiental deve ser considerada em todos os conteúdos escolares, sem constituir disciplina específica. O ensino religioso é facultativo.O ensino fundamental tem por finalidade o domínio progressivo da leitura, da escrita e do cálculo.

    Unidade 5

    A partir da 6º ano, é obrigatório o ensino de uma língua estrangeira moderna. Já o ensino médio tem por objetivo o aprofundamento e a consolidação dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, isto é, preparar o aluno para continuar aprendendo. Foram instituídos também os Cursos Supletivos para aqueles impossibilitados de seguir a educação regular.O ensino superior passa a abranger três modalidades de cursos e programas: cursos de graduação; programas de pós-graduação e programas de pós-doutorado. Objetiva o exercício da reflexão crítica, participação na produção por meio de profissão específica, sistematização e avanço do conhecimento teórico e prático. A LDB prevê a duração de 200 dias letivos anuais para a graduação e para o ensino básico.

    Quando à formação de professores para o ensino básico, houve avanços ao exigir, para o seu exercício, diploma de curso superior, de graduação plena em universidades e institutos superiores de educação para substituir o curso de magistério de nível médio, mas há uma ressalva que autoriza o exercício do magistério na educação infantil àqueles com diploma de curso na modalidade normal, de nível médio.

    É competência prioritária do município a oferta de educação infantil e, principalmente, a educação fundamental. Aos estados cabe o ensino médio e a garantia de sua oferta, em conjunto com os municípios, enquanto a União deve prestar assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino. A educação superior envolve responsabilidades e incumbências dos estados e da União, podendo ser oferecida tanto pelo setor público quanto privado.

    Embora a lei não tenha incorporado dispositivos necessários à transformação da educação e a correção de seu tradicional atraso, a sua aprovação representou um avanço, dado o aspecto conservador que ainda persiste no legislativo.

    Alguns desafios da educação atual

    Apresentamos agora, em resumo, alguns desafios para a educação do Brasil atual, os mais significativos, sem a preocupação de discuti-los, dado os limites deste trabalho didático.

    O censo da educação básica e superior apontam que, em 2001, o Brasil registrou um total de quase 60 milhões de alunos matriculados, assim distribuídos: no ensino básico 50.972.619 e 6.765.540 na educação superior. É fato que nos últimos anos vem ocorrendo um crescente aumento no número de matrículas.

    No entanto, estudos mostram que numa demanda de cerca de 77 milhões de jovens de 0 a 24 anos, o número de matriculados era, em 2010, de cerca de 52 milhões. Portanto, um dos desafios é garantir o acesso de todos à educação.

    Quanto ao índice de analfabetismo, o Brasil, em 2000, encontrava-se entre os 9 países do mundo com mais de 10 milhões de analfabetos. Pelos dados de 2011, a taxa de analfabetismo entre a população de 15 anos ou mais era de 8,6% da população, e a taxa de analfabetismo funcional, quer dizer, aqueles que somente assinam o próprio nome ou que não conseguem interpretar um texto simples, era de 20,4 %, índices muito altos para um país que é hoje a 7ª economia mundial.

    Unidade 5

    Portanto, além das crianças que precisam ser trazidas à escola, há aqueles que, com idade superior aos 15 anos, ainda não foram alfabetizados ou não possuem escolaridade básica completa. Outro grande desafio do ensino fundamental é garantir a alfabetização das crianças na idade adequada. Em 2012 o governo federal estabeleceu o Plano Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, assumidos pelos estados e municípios, com o objetivo de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ao final do 3º ano de ensino.

    Dos muitos desafios da educação brasileira estão aqueles relacionados ao ensino fundamental. Em primeiro lugar, precisa-se garantir a universalização do acesso, combater a defasagem idade-série, ainda alta, a reprovação e a evasão, também elevadas.

    Mas o desafio maior é garantir a qualidade do ensino, alvo de muitos ataques à escola pública, o que somente se consegue com gestão e organização dos sistemas de ensino e a valorização de seus profissionais, e não apenas em termos salariais, melhoria da infraestrutura dos estabelecimentos escolares e das condições de trabalho para professores e alunos.

    Civilização

    De acordo com Vicentino e Dorigo (2010:57), o conceito de civilização é amplo e tem muitos significados. As origens históricas do termo são diversas, podendo referir-se aos bons modos ou hábitos de civilidade, à intelectualidade, a um estágio avançado do desenvolvimento da cultura humana, em oposição ao estado de barbárie ou selvageria. Civilização aqui equivale ao produto material e cultural do trabalho humano e às transformações da natureza, às organizações sociais, políticas e simbólicas construídas pelo homem. Nesse sentido, todas as culturas humanas podem ser consideradas civilizadas.

    Hominização

    O desenvolvimento evolutivo do homem por características que o diferenciam de seus antepassados primatas.

    Pedagógica

    É preciso distinguir os conceitos de Educação e Pedagogia. O primeiro refere-se, em resumo, à prática efetiva de ensino, e o segundo, à ideia ou à filosofia que a norteia.

    Autocrática

    Sociedade detentora de poder.

    Altruísmo

    Amor ao próximo.

    Taoísmo

    Religião popular chinesa, que reúne o culto dos espíritos da natureza e dos ancestrais, as doutrinas de Lao-tseu e crenças diversas.

    Confuncionismo

    Sistema de ideias (políticas, religiosas e éticas) atribuído ao filósofo chinês Confúcio (551 a.C. - 479 a.C.) e seus seguidores, e que se tornou doutrina oficial da China de 136 a.C. até 1912. [Como doutrina, caracteriza-se pela valorização da família e do Estado e pelo exercício, nestes, das virtudes da justiça, da reverência aos antepassados e do amor filial, da sinceridade.]

    Helenização

    Ação de dar características gregas às nações vencidas pelos gregos ou por eles subjugadas.

    Pólis

    Significa cidade-estado. Na Grécia Antiga, a pólis era um pequeno território localizado geograficamente no ponto mais alto da região, e cujas características eram equivalentes a uma cidade. O surgimento da pólis foi um dos mais importantes aspectos no desenvolvimento da civilização grega.

    Dórios

    Os dórios eram um povo de origem indo-europeia que habitava a região central da Europa antes do século XII A.C. A partir deste século, os dórios migraram para a Península Balcânica e participaram da formação de várias cidades-estados da Grécia Antiga, junto com os jônios, eólios e aqueus. Os dórios eram dedicados às atividades militares e praticavam a guerra como forma de obtenção de recursos. Os espartanos eram descendentes dos dórios, fato que explica a belicosidade de Esparta na Antiguidade. Os dórios tinham um dialeto próprio

    Cosmologia

    A cosmologia estuda a estrutura, a evolução e composição do universo.

    Metafísica

    Significa “o que está para além da física”.

    Teodiceia

    Parte da metafísica que trata de Deus , de sua existência e de seus tributos.

    Otamanos

    Relativo à Turquia ou a seus sultões. Habitante da Turquia.

    Prosternar

    Curvar-se ao chão, em sinal de profundo respeito.

    Suserania

    Indivíduo que, no feudalismo, era responsável e tinha o domínio do feudo principal de que dependiam outros feudos e vassalos; senhor feudal. Que se refere a ou próprio da suserania, poderes e funções de suserano.

    Vassalagem

    Estado de submissão ou de sujeição que alguém possui em relação a outra pessoa ou coisa: vassalagem amorosa. História. Relação de obediência que o vassalo deveria manter em relação ao senhor feudal; o imposto, preito, pago pelo vassalo ao senhor feudal, suserano; reunião, grupo ou conjunto de vassalos.

    Trivium

    Trivium significa a articulação entre três caminhos. Trata-se de um de disciplinas que incluía a lógica, a gramática e a retórica.

    Quadrivium

    Já o quadrivium era a articulação de quatro caminhos. Era voltado para o estudo da matéria através das seguintes disciplinas: aritmética, música, geometria e astronomia.

    Deísmo

    Aquele que crê a Deus sem aceitar religião nem culto.

    Ateísmo

    Negação da existência de Deus.

    Escolástica

    Pensamento que busca a harmonia entre fé cristã e a razão. A filosofia escolástica vigorou mais ou menos entre os séculos XI e XV (não há consenso) e buscou uma sistematização da filosofia cristã, sobretudo por meio da interpretação da filosofia de Aristóteles, com destaque para a figura de Santo Tomás de Aquino.

    Região das Gerais

    Como não existia Minas Gerais, a região entre os atuais estados São Paulo, Minas Gerais e outros, era chamada assim.

    Pacto Colonial

    Pode ser definido como um conjunto de regras, leis e normas que as metrópoles impunham às suas colônias durante o período colonial.

    Pauperização

    Ato de tornar-se pobre.

    Propedêutica

    Instrução preliminar.

    Do Século XIX no Brasil aos dias atuais

    Neste vídeo único, apresentamos de maneira clara, sucinta, concisa e objetiva, os caminhos da Educação no Brasil. Ao longo do período republicano e em suas longas nuances e mudanças de contextos históricos. Começamos, porém, nosso olhar pelos tempos ainda da Guerra do Paraguai e do final da escravidão, onde ainda só a elite financeira e o clero conseguiam acesso à escola. Em seguida, abordamos a Educação desde os primórdios da Rep ública até a realidade mais próxima de nós na atualidade. Sendo indispensável este vídeo para o aprendizado da Educação desde os tempos de Vargas, passando pela Ditadura Militar de 1964, chegando-se a Paulo Freire, indo-se também às Diretas Já! E também, a nova república até o fim do governo Lula entrando também em questões recentes do primeiro governo da presidenta Dilma Roussef.

    Debate sobre Paulo Freire

    Neste vídeo você verá um debate sobre as ideias de Paulo Freire no contexto educacional do Brasil. O professor João José como mediador faz várias perguntas que serão respondidas pela professora Nila Mara e o professor Alexandre. Neste debate é explanado sobre qual é a proposta de Paulo Freire para a educação, a ideia da palavra mundo no processo ensino aprendizagem na visão de Paulo Freire.

    E ainda o mediador João José faz alguns questionamentos como: Atualmente no mundo globalizado será que as ideias de Paulo Freire ainda estão sendo vivenciadas por nós? Será que Paulo Freire ainda continua vivo dentro da escola? O professor que deseja trabalhar com as ideias de Paulo Freire, aonde ele encontraria base para uma reflexão e para uma intervenção que pudesse ter algum referencial nas propostas que o educador desenvolveu? Em relação à Psicologia de que maneira é visto uma possível relação entre a psicologia da aprendizagem e alguns dos referenciais de Paulo Freire? Em que aspectos os nossos professores poderiam contextualizar as ideias de Paulo Freire nos dias de hoje? Vale a pena conferir!

    Explicando melhor com a pesquisa

    Caro estudante, sugerimos a leitura do artigo intitulado Educação brasileira contemporânea: desafios do ensino básico, de Moacir Gadotti, quando aborda a educação brasileira desde a chegada dos jesuítas, no século XVI, até os dias atuais, destacando os desafios vividos pela educação básica ao longo de nosso processo histórico, com destaque para a atualidade.

    Leitura Obrigatória

    História da Educação

    Caro estudante, a seguir propomos que você leia a obra “História da Educação: da antiguidade aos nossos dias” de Mário Alighiero Manacorda. O autor analisa o desenvolvimento das práticas pedagógicas no Ocidente, desde a Antiguidade Oriental até os dias atuais. Caracteriza-se por ser não apenas um manual didático para professores e alunos interessados no tema, mas obra fundamental para entender a educação numa perspectiva histórica.

    MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 9.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

    Estudo Guiado

    Após a leitura da obra, responda como o autor organiza a sua narrativa e que relação estabelece entre as práticas educativas e a pedagogia?

    Pesquisando na Internet

    Prezado estudante, você é convidado a buscar na Internet uma investigação referente ao assunto estudado nesta disciplina para ampliar seu conhecimento. Faça uma pesquisa norteada pela seguinte pergunta: quais os desafios atuais da educação brasileira?

    Após a pesquisa faça um resumo e comente com seus colegas.

    Estudo Guiado

    Após a sua pesquisa, faça uma reflexão sobre o assunto abordado e elabore um texto comentando com seus colegas na sala virtual.

    Saiba Mais

    Sugerimos a leitura da entrevista com a professora Maria Malta Campos, uma das principais referências quando o assunto é educação infantil. Na entrevista, fala da educação infantil, dos cursos de graduação em pedagogia, a qualidade do ensino, do currículo, dos desafios da educação infantil no Brasil, dentre outros temas pertinentes.

    Leia a entrevista com António Nóvoa, doutor em Educação, catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e vice-reitor da Universidade de Lisboa. Publicou “Vidas de Professores”, “Os professores e a sua formação” e “Dicionário de educadores portugueses”, entre vários outros livros.

    Em julho de 2003, o CRE Mário Covas/SEE-SP recebeu a visita de vários congressistas estrangeiros e brasileiros que se reuniram em São Paulo para o 25º ISCHE (International Standing Conference for the History of Education). Entre tantos especialistas ilustres, o Prof. António Nóvoa também visitou a casa e a exposição “A escola pública e o saber: trajetória de uma relação”, quando foram apresentados os projetos desenvolvidos pelos núcleos Memorial da Educação, documentação e site. Dada a importância e reconhecimento de seus estudos sobre a profissão docente, exibimos neste link uma entrevista com o Prof. Nóvoa.

    Vendo com os olhos de ver

    Caro estudante, sugerimos que assista ao vídeo de Demerval Saviani, cujo tema é Porque estudar História da Educação? Nele, o educador esclarece por que se deve estudar a história da educação, como foi constituída a escola pública no Brasil e quais os marcos das ideias pedagógicas.

    Sugerimos também o vídeo com o professor Demerval Saviani, uma referência no Brasil quanto se trata da história da educação, exibida pelo programa “Diálogos sem fronteiras”, sobre a relação entre sociedade e educação no Brasil.

    Revisando

    Educação Tradicionalista

    Vimos que, com as transformações a partir da chamada Revolução Neolítica, as sociedades humanas se tornaram mais complexas. Tais mudanças foram seguidas de uma transformação na educação. Esta, entre as civilizações do chamado Oriente Próximo, deixou de ser “igualitária”, isto é, acessível a todos, como nas comunidades tribais. Alguns poucos grupos privilegiados tinham acesso a educação e aos cargos burocráticos. À grande maioria da população eram negados não apenas a acesso aos cargos, mas também e principalmente ao saber e a educação “formal”. Teve início o dualismo escolar, que destinava um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos nobres e altos funcionários. Portanto, a grande massa que compunha a população era excluída da escola.

    Educação na Grécia

    A Grécia serviu de berço da cultura, da civilização e da educação ocidental. O desenvolvimento cultural dos gregos, com sua visão universal e reflexão sobre o mundo e a existência, produziu uma maneira original de lidar com a educação, cuja ênfase era dada na formação integral, que consistia na integração entre a cultura e a sociedade. Essa concepção gerou o conceito de paideia, palavra que teria surgido por volta do século V a.C., de difícil definição, mas que exprimia um ideal de formação integral, total, humanística.

    São os gregos quem pela primeira vez colocam a educação como problema essencial da humanidade, que produz uma reflexão filosófica sobre sua importância na formação humana. A partir dos sofistas e mais ainda com os filósofos socráticos e pós-socráticos é que o conceito de educação alcança o estatuto de reflexão filosófica.

    Educação Romana

    Os romanos, como os gregos, não valorizavam o trabalho manual. Seus estudos são essencialmente humanistas, algo equivalente à paideia grega, como aquela cultura geral que transcende os interesses locais e nacionais, no sentido de educação, cultura do espírito. No entanto, a humanitas se distingue da paideia por se tratar de uma cultura predominantemente humanística e, principalmente, cosmopolita e universal, buscado aquilo que caracteriza o ser humano, em todos os tempos e lugares.

    Os romanos pretendiam universalizar, levar a todos os povos, a sua humanitas, o que acabou por conseguir por meio do cristianismo.

    Com o tempo essa maneira de entender a educação degenerou, restringindo-se ao estudo das letras e negligenciando as ciências. Pode-se distinguir três fases na educação romana: a educação latina original, de natureza patriarcal; a influência do helenismo, criticada pelos defensores da tradição e, finalmente, a fusão entre a cultura romana e a helenística.

    Educação na Idade Média

    Pela tradicional divisão histórica, a Idade Média compreende um período de quase mil anos, cujos marcos definidores são a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e a tomada da capital do Império Bizantino, em 1453, pelos turcos otomanos. Esse longo período não apresenta as mesmas características, variado segundo as transformações operadas em locais diversos. Da mesma forma, não houve, em todo lugar e em todo o período, um mesmo e único modelo de educação. Estes variaram muito.

    Num determinado momento, no Império Bizantino, assim como no Ocidente Medieval, dava-se ênfase à vida religiosa. Cristã, a civilização bizantina manteve a tradição do humanismo antigo. Na educação Islâmica, havia um nítido interesse pela pesquisa e experimentação, em contraste com às restrições que a Igreja cristã ocidental fazia a essa orientação intelectual, contribuindo para o avanço em muitas áreas da ciência.

    Na Europa cristã, da mesma forma, não se pode apontar um modelo de educação. Ele variou conforme o período, o lugar e o grupo social a qual se destinava. No entanto, não seria exagero defender que a busca pelo monopólio do saber por parte da Igreja Católica se fez sentir na educação dispensada aos jovens durante boa parte da Idade Média, mais acentuada em determinado lugar e tempo singulares, imprimindo nela um caráter eminentemente religioso.

    A Educação no período moderno – Séculos XVI e XVII

    As transformações operadas no período, frutos dos movimentos renascentista, humanista e reformista, este de cunho religioso, deram impulso a um novo espírito e a novas propostas de educação, contribuindo, da mesma forma, para o aparecimento de concepções, métodos pedagógicos e novas instituições escolares, com destaque para o crescente número de estabelecidos escolares leigos, onde os valores humanistas tiveram amplo espaço.O reformismo religioso também afirmou concepções pedagógicas próprias e singulares, gerando uma nova organização docente dos colégios, relacionada, também, é verdade, com o movimento humanista.

    A educação Jesuítica no Brasil

    Nos séculos XVI e XVII o ensino jesuítico manteve a escola conservadora, alheia à revolução cartesiana, representada pelo racionalismo e pela revolução científica. Centrada no ensino secundário, a educação tinha como característica a formação humanística, privilegiando o estudo do latim, dos clássicos e da religião. A educação, voltada para poucos, sobretudo para seguimentos da classe dirigente, era buscada, muitas vezes como ornamento e erudição.

    Os jesuítas estabeleceram escolas, logo que chegaram, e começaram a ensinar a ler, escrever, contar e a cantar. Tais conteúdos deveriam dar a base para a compreensão das Sagradas Escrituras.

    Os nativos deveriam ter acesso aos catecismos, livros e cantos religiosos, entender o cálculo dos dias e das festividades religiosas, bem como acompanhar os ritos e sacramentos. Nos planos jesuíticos, o treinamento para o trabalho era ou devia ser secundário.

    A preocupação com o ensino missionário tem seu auge no período que vai de 1549 até 1570, conhecido como “fase heroica”, cuja função principal era a catequese e a criação de condições mínimas de vida civilizada para tornar menos penoso o povoamento da colônia. Depois desse início, a catequese crescentemente perde espaço na preocupação e ação dos jesuítas.

    Aos poucos a preocupação se voltou para a formação de sacerdotes e os seminários foram gradativamente ampliados como instituições de ensino, o que seguiu o crescimento do desejo por instrução, como resultado do desenvolvimento da vida urbana, nas vilas, onde se encontravam as instituições administrativas.

    A Educação no século XVIII

    No plano educacional, é característica do século XVIII a secularização do ensino, processo que teve início nos séculos anteriores. Ele se torna mais forte à medida que o Estado toma para si a responsabilidade pela educação, fundamentando aquilo que chamamos de educação pública estatal. Defende-se que a escola deveria ser leiga, isto é, não religiosa e livre, independente de privilégios de classe, aberta a todos, com ensino elementar obrigatório e gratuito, com ênfase nas línguas nacionais em substituição ao latim, com orientação prática, voltada para as ciências, técnicas e ofícios, sem privilegiar, como antes, o estudo exclusivo do humanismo.

    A tendência da educação estatal desenvolve-se principalmente na Alemanha e particularmente na Prússia com o rei Frederico Guilherme I e com seu sucessor, Frederico II. Ambos concordam que a educação é uma função do Estado, não com fins pedagógicos, mas com fins puramente políticos, em vista do engrandecimento do Estado e da necessidade de contar com súditos dóceis, bons soldados e funcionários idôneos e baixam decretos determinando a obrigatoriedade do ensino elementar.

    Desenvolve-se uma educação nacional, com início na França. A transformação política ocorrida com a Revolução Francesa transforma a educação estatal, quer dizer, a educação do súdito, própria da monarquia absoluta, dada como dever imposto, de caráter intelectual e instrumental, se transforma em educação nacional, do cidadão, que busca a participação na política, de caráter cívico e patriótico, exigida como um direito do homem e do cidadão. Esse processo lançou as base da nova educação, ainda que tenha se mantido por pouco tempo e pelas próprias dificuldades políticas externas e internas daqueles anos conturbados.

    A Educação no Brasil no século XVIII

    As características da colonização e a relação de dominação estabelecida por Portugal sobre o Brasil, não favoreceram o desenvolvimento de um sistema de ensino público e popular. Numa população composta de aproximadamente 2/3 de escravos, de base econômica agrícola, rudimentar, numa situação política de dominação e que exigia um aparelho administrativo reduzido e pouco sofisticado, a cultura e o ensino eram um luxo dispensável. Mesmo a elite não encarava o ensino como prioritário ou com especial cuidado.

    É nesse cenário que tem início, em meados do século XVIII, a chamada Reforma Pombalina, em Portugal e suas colônias, atingindo a administração, a economia e a educação. Com a expulsão dos jesuítas, desmantelou-se o sistema de ensino até então implantado no Brasil. Criou-se, como solução paliativa, as Aulas Régias de disciplinas isoladas, modificando o curso de humanidades, como ocorria na Metrópole, sustentadas com um novo imposto chamado “subsídio literário”, em substituição ao ensino secundário. As aulas deveriam suprir as disciplinas antes oferecidas nos extintos colégios. Institui-se aula de gramática latina, grego e retórica. Criou-se o cargo de Diretor de Estudos, um órgão administrativo que deveria orientar e fiscalizar o ensino, realizou-se concurso para a escola de mestres. O poder metropolitano nomeou professores e estabeleceu planos de ensino e inspeção.

    A Educação no século XIX

    O século XIX marca uma grande expansão da rede de ensino. Há uma ampliação do número de estabelecimentos entre todos os níveis, uma expansão do ensino elementar e o aparecimento da pré-escola.

    Na reorganização da rede secundária, manteve-se a dicotomia entre aquela destinada à elite burguesia, com uma formação clássica e propedêutica, e outra voltada para a classe trabalhadora, com uma instrução técnica. O ensino secundário foi também ampliado e reformulado e fundaram-se as escolas politécnicas para atender a demanda gerada pelo avanço da tecnologia. O interesse pela educação também atingiu as escolas normais, aquelas destinadas à formação de professores. O momento marca ainda uma preocupação mais acentuada com a metodologia em virtude das novas ciências humanas, com destaque para a psicologia.

    Outra característica central da educação desenvolvida no oitocentos é a grande atenção dispensada à formação da consciência nacional e patriótica do cidadão, em substituição àquela de caráter mais geral e universal, com grande ênfase na formação cívica, em razão das rivalidades entre os Estados e das tendências nacionalistas do período.

    No Brasil, no início do século XIX, a preocupação fundamental do governo, no campo educacional, foi a formação das elites dirigentes. Não se preocupou em montar um sistema nacional de ensino, integrado em seus graus, mas em criar algumas escolas superiores e em regular as formas de acesso a seus cursos.

    A Educação contemporânea

    A educação cada vez mais, desde o processo de sua laicização a partir do século XVIII, e sob responsabilidade do Estado, assumiu um caráter político, em função de seu papel na sociedade como instrumento de transmissão da cultura e formação da cidadania. Se, de um lado, a escola foi usada como instrumento de inculcação das ideias da classe dominante e como instrumento de doutrinação a serviço do Estado, como ocorreu nos regimes totalitários (fascismos e stalinismo), ela também buscou, no século XX, a ação emancipadora, abrindo espaço para a desmistificação da ideologia. Também, atualmente a escola procura ainda um meio termo entre a educação voltada para o trabalho, numa sociedade cada vez mais tecnocrata, e a formação humanística.

    Uma característica da educação contemporânea é o seu caráter democrático, buscando atingir todos, sem distinção. Se no início, desde a Antiguidade, apenas uma parcela muito pequena da população tinha acesso à educação, seja ela pública ou particular, hoje os governos dos diversos estados buscam manter sistemas públicos de ensino que atinjam toda a população, uma vez que a educação passou a ser entendida como um direito do cidadão, obrigatória, e um dever dos Estados nos países democráticos.

    Autoavaliação

    1. Com as transformações vividas pelas sociedades da chamada Antiguidade oriental, tornando-as mais complexas em relação às sociedades tribais, estabeleceu-se uma diferenciação nos estudos, fazendo surgir o que chamamos de dualismo escolar. Explique as transformações vividas pelas sociedades da Antiguidade oriental e como se refletiram no dualismo escolar.

    2. Os gregos desenvolveram uma forma de educação conhecida como paideia. Com base em seus conhecimentos sobre a civilização grega, explique as características centrais desse tipo de educação, conhecida pelo nome de paideia.

    3. Roma, em seu processo de expansão territorial, acabou por assimilar boa parte da cultura grega. A cultura universalizada dos romanos pode ser expressa na palavra humanitas, algo equivalente à paideia grega. No que se refere à educação, explique os traços centrais da humanitas romana e em que ela se distingue da paideia grega.

    4. As transformações operadas no período moderno, frutos dos movimentos renascentista, humanista e reformista, deram impulso a um novo espírito e a novas propostas de educação, contribuindo, da mesma forma, para o aparecimento de concepções, métodos pedagógicos e novas instituições escolares, com destaque para o crescente número de estabelecidos escolares leigos, onde os valores humanistas tiveram amplo espaço. Caracterize as diversas formas de educação desenvolvidas no período, isto é, entre os séculos XVI e XVII, na Europa e no Brasil, destacando a chamada pedagogia realista.

    5. O longo período medieval não apresenta as mesmas características, variando segundo as transformações operadas em locais diversos. Da mesma forma, não houve, em todo lugar e em todo o período, um mesmo e único modelo de educação. Estes variaram muito. Sobre as práticas educativas desenvolvidas no período caracterize a educação:

    a) Bizantina;
    b) Islâmica;
    c) Desenvolvida na Europa cristã;
    d) Desenvolvida no Império Carolíngio;
    e) Desenvolvida nas escolas seculares;
    f) Militar;
    g) Nas universidades;

    6. Relacione as transformações operadas no século XVIII, com destaque para o avanço do racionalismo, e as tendências liberal e laica na educação.

    7. Apresente as características gerais da educação nacional desenvolvida na Europa no século XIX.

    8. Como você compreende a educação de nosso país hoje a partir da história da colonização?

    9. Faça alguns comentários a respeito da Educação no período colonial e na Primeira República no Brasil.

    10. Explique a mudança fundamental ocorrida na educação brasileira com a vinda da família real portuguesa em 1808.

    11. Caracterize os dois sistemas de ensino secundário existente durante o Império. Qual deles prevaleceu?

    12. Por que se diz que, ao ter início o regime republicano, o Brasil não dispunha de um sistema articulado de ensino?

    13. Qual a importância da lei nº 4024/61 para a educação brasileira?

    14. Comente os objetivos da educação nacional estabelecidos pela lei de 1961.

    15.Transcreva a relação entre a industrialização e a demanda da escolarização.

    16. Qual era o objetivo da educação jesuítica em relação aos “índios” e filhos dos colonos?

    17. Qual a finalidade da criação do SENAC e SENAI?

    18. Cite alguns exemplos de como a ditadura reverte a expectativa de democratizar o ensino.

    19. Qual a importância da LDB 9394/96?

    20. Na sua concepção, quais são os desafios da educação brasileira na atualidade?

    Bibliografia

    ANTUNHA, Heráldo C. G. A educação brasileira no período republicano. In: Estrutura e funcionamento do ensino de 1º e 2º graus. São Paulo: Pioneira, 1973.

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    NÓVOA, Antônio. Entrevista com o professor António Nóvoa. A Educação assumiu novas tarefas. É o fenômeno da escola transbordante. In Revista Escola. Edição 256, 2012. Disponível em:http://revistaescola.abril.com.br/formacao/entrevista-educador-portugues-antonio-novoa-716412.html.

    ZOTTI, Solange Aparecida. Sociedade, educação e currículo no Brasil: dos jesuítas aos anos de 1980. Campinas: Autores Associados; Brasília: Plano, 2004. Disponível em http://books.google.com.br/books?id=9ZyCdrVMe30C&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false.

    Vídeos

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    SAVIANI, Demerval. Porque estudar História da Educação? In: Nova Escola. Disponível em:https://www.youtube.com/watch?v=qxXk9ZWrXTc. Acesso em: 20/08/2014

    Créditos

    Diretor Presidente das Faculdades Inta

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    Pró Diretor de Inovação Pedagógica

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    Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos Tecnológico e Inovadores para Educação


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