Introdução aos Estudos Históricos

Introdução aos Estudos Históricos

Guia de Navegação

Direciona para o início do arquivo.

Direciona para página anterior.

Direciona para próxima página.

Direciona para o sumário.

Busca por páginas ou palavras.

Ferramentas

Aciona os recursos de acessibilidade.

Direciona para ajuda com a navegação.

Direciona para a avaliação do material didático.

Ícones

Identifica videos.

Identifica atividades.

Identifica textos que ampliam o conceito destacado.

Identifica a biografia do autor.

Identifica imagens.

Identifica aúdios.

Identifica um livro sugerido para leitura.

Identifica datas.

LINKS :Sempre que uma parte do texto aparecer na cor azul, há um link que leva você para página relacionada com o assunto.

Lista de Vídeos de Introdução aos Estudos Históricos

Palavra do Professor-autor

Olá,

Caro estudante, ao iniciarmos uma Introdução aos Estudos Históricos, buscaremos compreender a multipluralidade que, orbita em torno da chamada ciência histórica.

Quando nos deparamos com um mundo em profusas transformações milenares influenciando gerações após gerações, devemos nos reiterar da importância que está contida neste processo. O homem enquanto agente de sua própria trajetória criou civilizações, sociedades e instituições que foram estabelecendo novas relações, aliás, ampliando, modificando ou permanecendo com os resquícios delas ao longo dos tempos, por isso, as transformações e as dinâmicas sociais, em vários aspectos da vida humana, apenas reafirmam o caráter de uma ciência viva e não repetitiva, mas, que se interpreta conforme as novas fontes, descobertas, abordagens e detalhes do passado refletido em um presente com uma transformação não menos lenta.

Desde a Grécia Antiga, por volta do Século VI a.C. o historiador e a própria noção de História vem se modificando. A cada local que o homem ocupa a superfície do planeta e realiza suas interações de modificação da paisagem, uso de sistema de moedas, construções de cidades, entre outras, o papel da investigação histórica se faz basilar para um entendimento sobre cada sociedade, seus valores e, em suas respectivas épocas, sendo abrangida também noções importantes, como por exemplo, a educação, a economia, as manifestações religiosas, guerras, movimentos populacionais, entre tantos aspectos que compunham a formação de um dado povo em uma dada marcação histórica.

Como compreender o período Medieval sem uma ampla visão de tantas questões em torno do comércio e do discurso da fé que já não são mais fatores exatamente iguais e, nem por isso, deixaram de existir? Se não for pela interpretação histórica não poderemos entender o episódio do tão falado 11 de Setembro nos EUA ou a Primavera dos Povos Árabes, ambos na atualidade.

Temos ainda que contemplar as diversas correntes históricas e suas respectivas abordagens, focos e métodos científicos. Para que possamos entender fatores como o surgimento das classes dominantes, ideologias, concepções das mais diversas formas, bem como, os preconceitos e suas implicações no presente.

Bons Estudos!

Os autores!

Carlos Rafael Vieira Caxile, Doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP. Mestre em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP. Graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal do Ceará- UFC. Pesquisador do Núcleo de História e Memória da Educação (NHIME) da Faculdade de Educação (FACED-UFC). Colaborador da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA (professor horista); Faculdade da Aldeia de Carapicuiba-FALC (professor horista); Faculdade Vale do Jaguaribe-FVJ e Universidade Federal do Ceará (UFC).

Alexandre Alves da Silva , Alexandre Alves é graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal de Pernambuco e, é especialista em Teoria e Metodologia em História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, onde inclusive foi Professor Substituto. Atualmente é Professor efetivo da rede pública do Ceará há dez anos, lecionando também em algumas universidades, faculdades e institutos de nível superior tanto no Ceará quanto em Estados vizinhos.

Ambientação

No estudo da História, quando você compreender o que ocorreu no passado, você entenderá os eventos que ocorrem no presente e também os que ocorrerão no futuro. O que o Historiador utiliza no seu trabalho?

Pense o seguinte: para fazer pão, o padeiro usa a farinha. Para fazer uma parede, o pedreiro precisa de tijolos e cimento. E o historiador o que ele utiliza? Há milhares de anos, os seres humanos vêm deixando sinais de sua existência. São restos de esqueletos e de construções, objetos, calçados, cartas, jornais entre outros. Esses sinais são chamados de “fontes históricas”. As fontes históricas podem ser: Documentos Escritos – certidões, cartas, testamentos, livros, jornais, revistas, entre outros; Relatos Orais – entrevistas; Fontes Materiais – pedras, cerâmicas, objetos, entre outros; Fontes Audiovisuais e Musicais – cinema e televisão; Fontes Visuais – imagens, pinturas, fotografias, anúncios de publicidade, entre outros.

Como o historiador pode saber se a interpretação que fez do passado corresponde à verdade? Até mesmo sobre uma simples partida de futebol que aconteceu no dia anterior é difícil estabelecer uma verdade. Com certeza, a partida será contada de forma diferente pelos torcedores de um ou de outro time. E nem por isso alguém estará mentindo. O juiz, os jogadores, os torcedores, cada um tem a sua visão da partida. Mas alguns fatos são incontestáveis, como o dia, a hora, o lugar e o placar oficial do jogo. Assim, dizemos que o historiador elabora uma interpretação do passado (Teoria) a partir de certezas reais (Verdade).

O anacronismo ou anticronismo consiste basicamente em utilizar os conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Em outras palavras, o anacronismo é uma forma equivocada onde tentamos avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não pertencem a esse mesmo tempo histórico. Por mais que isso pareça um erro banal ou facilmente perceptível, devemos estar atentos sobre como o anacronismo interfere no nosso estudo da História.

Sugerimos que você faça a leitura deste livro História e Teoria: Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade no qual tem o objetivo de estimular a pesquisa empírica, inspirando problemáticas e caminhos metodológicos, orientando as opções e decisões de critério e valor. Nele você encontrará temas como: História da história; civilização ocidental e sentido histórico; Da história global à história em migalhas; o que se ganha, o que se perde?; A especificidade lógica da história; História e verdade; posições; O conceito de tempo histórico em Ricoeur, Koselleck e nos Annales; uma articulação possível; Dilthey e o historicismo, a redescoberta da história.

Trocando ideias com os autores

Caro estudante, agora é o momento em que você vai trocar ideias com os autores das obras indicadas.

Propomos a leitura de algumas obras.

O que é História

Domínios da História

Após a leitura das obras, escolha uma e faça uma resenha.

Sugerimos a leitura desta obra O que é História na qual o autor aborda a história na amplitude que o conceito merece. Há muito tempo que a História está, no Brasil, confinada à prisão das escolas e universidades. Encontra-se, pois, afastada de sua principal finalidade: levar o ser humano a refletir sobre as formas de vida e de organização social em todos os tempos e espaços, procurando compreender e explicar suas causas e implicações. E uma vez que presente e passado estão indissociavelmente ligados na História, o ensino e o estudo desta disciplina se tornam imprescindíveis para o perfeito entendimento dos tempos modernos.

BORGES, Vavy Pacheco. O que é história. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.

Propomos que leia esta obra, Domínios da História na qual o autor objetiva traçar um panorama dos vários campos de investigação da História, expondo conceitos e polêmicas que se fizeram presentes na história das disciplinas e da pesquisa indicando caminhos e dilemas do saber historiográfico.

VAIFAS, Ronaldo; CARDOSO, Ciro Flamarion. Domínios da História. São Paulo: ed. Campus, 1997.

Problematizando

Quando a Filosofia e outras ciências auxiliares da História se unem à pesquisa metodológica da História, ela ganha ares de verdade, no entanto, ainda plausível sempre de novas interpretações e contribuições ao entendimento de um todo do qual o próprio aluno se identifica com o passado de seu povo. Isto é, a História ajuda a compreendermos quem somos nós mesmos.

No entanto, faz-se salutar uma análise ao papel do historiador. Esta pessoa que reflete sobre a História e que, ocupa uma profissão de procurar o homem enquanto sendo o sujeito do processo histórico e seu interacionista dos diversos tipos de relações humanas com o passado e suas peculiaridades.

Vejamos a seguinte situação, suponhamos que você está em sala de aula falando sobre o historiador e seus alunos fazem questionamentos como:

Qual o papel do historiador? Onde o historiador busca suas fontes? Quais as relações entre o historiador e suas fontes de pesquisas? Como devo ensinar História de forma que os discentes sintam prazer em aprender?

Após estes questionamentos como você responderia seus alunos?

O Sentido da História

1

Conhecimentos

  • Compreender a sociedade na sua complexidade, uma história que dialoga com outras áreas do conhecimento;
  • Conhecer a relação intrínseca entre a História e a Sociedade.
  • Habilidades

  • Identificar e comparar as múltiplas nuances que dão dinâmica a relação entre a História e a Sociedade;
  • Perceber os múltiplos métodos e técnicas responsáveis pelo grande desenvolvimento do conhecimento histórico reconhecendo a história na sua multiplicidade de abordagens.
  • Atitudes

  • Categorizar História e desenvolver o senso crítico entre História e Sociedade.
  • Unidade 1

    História e Sociedade

    A palavra História é de origem grega e significa informação, investigação. Ela surgiu no século VI, antes de Cristo. Porém, antes disso, os homens sempre sentiram necessidade de encontrar uma explicação sobre sua origem e sua vida.

    O mito foi a primeira forma de explicação para suas vidas e surgiu nas sociedades primitivas, sempre transmitido oralmente. Eram explicações mágicas e religiosas da realidade.

    “O mito é sempre uma história com personagens sobrenaturais, os deuses. Nos mitos os homens são objetos passivos da ação dos deuses estes são responsáveis pela criação do mundo (cosmos), da natureza, pelo aparecimento dos homens e pelo seu destino.” (BORGES, 2005, p. 12)

    Geralmente, o mito é sempre uma história sagrada e se insere num tempo sagrado. Referindo-se, na maioria das vezes, ao “princípio de todas as coisas”. Esse tempo não é real, pois a sua datação não se dá de acordo com uma realidade concreta. É um tempo circular, da repetição, do eterno retorno. A explicação mítica ainda hoje é aplicada em algumas sociedades como uma forma de explicação da realidade, juntamente com outras, como por exemplo, a História.

    A História, enquanto explicação de determinada realidade, nasceu com a Filosofia. Desde o início elas estão bem próximas. Foram os gregos quem descobriram a importância da explicação histórica. O principal historiador grego, chamado Heródoto, foi o primeiro a adotar a palavra no sentido de explicação, investigação, pesquisa. Tinha como principal objetivo fazer com que as ações realizadas pelos homens não se apagassem com o tempo.

    Os cidadãos gregos querem conhecer a organização de suas cidades-estados, as transformações que elas sofrem. Percebe-se que em geral os historiadores buscam explicações para os momentos e situações que atravessam as sociedades nas quais vivem. Heródoto, por exemplo, estuda a guerra entre os gregos e os persas (490-479 a.C), grande confronto entre o Leste e o Oeste que marca o século V, no qual ele escreve; nessa guerra, os gregos, indo contra a expansão imperialista persa, garantem sua independência, o que vai permitir seu grande desenvolvimento posterior. Tucídides, outro historiador grego, estrategista de Atenas, que vive entre os séculos V e IV a.C., vai estudar as guerras do Peloponeso, entre Esparta e Atenas. (BORGES, 2005, p. 19-20)

    Os historiadores da antiguidade estavam preocupados com sua realidade mais imediata, atentando para questões do momento. Não há mais uma preocupação com uma origem remota, atemporal, mas sim, a necessidade de compreender o momento histórico a partir de uma realidade concreta, presente ou passada.

    Com os gregos nasceu uma certa concepção de história que privilegiava uma narrativa de determinados tipos de ações heroicas ou humanas dignas de serem lembradas. Os impérios, a cidade-estado, monarquias, a República ou o Estado, foi que polarizaram as narrativas históricas, e, nestas, a função dos políticos ou autoridades, as teorias filosóficas, jurídicas e teológicas acerca das origens, instituições e fins da República. Surgiu e assim se consolidou, ao longo de muitos séculos, a história dos historiadores, ou, apenas, a história. (FALCON, 1997, p. 61).

    Unidade 1

    História e Cristianismo

    “Da história praticada por gregos e romanos àquela dos eclesiásticos e escribas leigos da Idade Média, há continuidades e diferenças evidentes, a começar pela transformação da natureza do próprio discurso histórico. Sua essência, no entanto, – a retenção de certos eventos e a continuidade narrativa – manteve-se quase intacta. Tratava-se sempre de múltiplas histórias, sobre assuntos eclesiásticos ou seculares. História singular apenas em Santo Agostinho pode encontrá-la: a História do Homem, da Criação ao Juízo Final. Em oposição a ela, a “cidade dos homens” oferece somente a possibilidade de histórias múltiplas, contingentes, desconexas e sujeitas à repetição cíclica.” (FALCON, 1997, p. 63)

    Com a difusão da religião judaico-cristã no final do Império Romano, o processo histórico é unificado em torno de uma concepção do cristianismo como fundamento e justificativa da História. A influência do cristianismo é tão considerável que toda a cronologia do passado é feita tendo por base o nascimento de Cristo. Todo o passado é dividido em “antes de Cristo” (a.C.) e “depois de Cristo” (d.C.)“

    O cristianismo é uma religião eminentemente histórica, pois não prega uma cosmovisão atemporal, mas sim uma concepção que aceita um tempo linear, que se ordena em função de uma intervenção divina real na história. Para a fé cristã, o fato de o próprio filho de Deus se ter feito homem (sua vinda a terra é preparada pelo povo judeu, através de seus profetas, seus reis e seus patriarcas) é um acontecimento histórico, situado de maneira concreta, em determinado lugar e época.” (BORGES, 2005, p. 23)

    A civilização europeia se formou nos primeiros séculos da Idade Média. É um período muito importante para os herdeiros da civilização ocidental. Os registros desse período são principalmente de cunho eclesiástico, pois somente os membros do clero sabiam ler e escrever. Os documentos leigos só vão aparecer nos séculos XII e XIII com o renascimento urbano e comercial.

    A história escrita nesse período não apresentava o mesmo rigor crítico de investigação buscada entre os gregos; ela não procura a compreensão nem a explicação. Ela se propõe somente a relatar fatos, não havendo uma preocupação com a verdade dos mesmos.

    A Erudição e a razão na História

    No século XVI, início da época moderna, o homem torna-se o centro do mundo. Aquela concepção cristã da existência será abalada por uma concepção racional do mundo. Dessa forma, o empirismo será importantíssimo para o conhecimento histórico. A história abordará o passado através de textos antigos, coleções de objetos de arte, inscrições antigas e outros documentos. Novas técnicas são aperfeiçoadas no intuito de preparar e criticar essa tipologia de fontes, de forma a dar maior veracidade aos fatos. Sendo assim, através de técnicas específicas, o historiador selecionava os documentos pertinentes a sua pesquisa, situava-os no tempo e no espaço, classificava-o quanto ao gênero e quanto a sua credibilidade. (BORGES, 2005)

    Unidade 1

    A historiografia humanista e renascentista não introduziu modificações sensíveis na tradicional orientação política da história, mas iniciou duas tendências fundamentais: a da crítica erudita das fontes e a eliminação das lendas, milagres, “fantasias”, em busca dos fatos verdadeiros ou, pelo menos, verossímeis. Na verdade, porém, do século XVI ao XVIII, ao lado desta tendência erudita dos chamados antiquários, ganhou novo alento a dos historiadores oficiais a serviço dos príncipes e repúblicas urbanas, habitantes das primeiras academias de história. Paralelamente, sobretudo nos séculos XVI e XVII, as disputas teológico-políticas resultantes da Reforma, reforçaram a tendência presente nas histórias oficiais: produzir, por intermédio da história política ou religiosa, conforme o caso, os elementos históricos favoráveis à causa defendida pelo historiador. Caberia então à história proporcionar provas e argumentos às partes em litígio. (FALCON, 1997, p 63).


    No século XVIII surgiu o iluminismo, corrente filosófica que entendia a história como sendo o desenvolvimento progressivo e ininterrupto da razão humana. Os iluministas entendiam que a idade que lhes antecedeu, a Idade Média, foi o período das trevas, da ignorância e do atraso cultural, social e político causado pela fé como explicação de todos os fenômenos. Para esses pensadores, a humanidade iria progressivamente e constantemente dominar a natureza numa perspectiva evolutiva. Para os iluministas, o conhecimento histórico devia apropriar-se cada vez mais da “verdade” dos fatos.

    O filósofo Voltaire, um dos maiores pensadores dessa escola entendeu que o conhecimento histórico e filosófico devia preocupar-se com aspectos sociais em seu sentido mais amplo, político, ideológico, cultural. Nesse sentido, o papel da história é conceber o homem inserido numa determinada realidade pautada por valores de uma pretensa civilização. A história seria a responsável por levar o homem a pensar a partir da “verdade” dos fatos, procurando alcançar sempre um progresso contínuo. (BORGES, 2005, p. 30)

    Alguns historiadores desse período vão ser chamados de liberais, responsáveis por criar estratégias políticas para a manutenção do Estado Nacional. Dessa forma suas obras vão ser de cunho eminentemente político. No século XIX, prevalecerá a afirmação dos Estados Nacionais europeus. Nesse sentido, o Estado estimulará o interesse pelo estudo de sua história nacional. Nesse período surgiram inúmeras sociedades de pesquisas, governamentais e particulares.

    Além disso, procurando dentro dessa visão nacionalista, alguns historiadores são classificados como românticos, pois procuram voltar ao passado com certa nostalgia voltando-se para analisar os fatos históricos e partindo de uma visão sentimental da história. Em contraposição a visão nostálgica da história surge na Alemanha historiadores preocupados em transformar a história em ciência; queriam uma história a mais exata possível, buscavam elaborar métodos de trabalho que estabelecessem leis e verdades universais e para isso, centralizam seu trabalho num levantamento criterioso dos fatos. Os maiores expoentes dessa tendência chamada “escola científica alemã” serão Leopold Ranke e B. Niebuhr.

    Essa linha de trabalho irá influenciar o positivismo histórico, iniciado na segunda metade do século XIX. Segundo essa linha de pensamento, o papel da história é, sobretudo, fazer um levantamento científico dos fatos sem procurar interpretá-los. Para esses historiadores, os fatos são mecânicos e respondem a uma lei de causas e consequências. A história escrita por eles é uma sucessão de acontecimentos que relatam os feitos políticos de estadistas, batalhas, tratados diplomáticos, etc. Nas suas pesquisas, esses historiadores estabelecem uma relação neutra com o passado, onde o presente em nada influencia.

    Unidade 1

    Foi na Alemanha, a partir do início do século XX, que se desenvolveu a crítica histórica utilizando os métodos eruditos desenvolvidos pelos franceses nos séculos XVI e XVII. Os maiores expoentes dessa mudança na produção histórica alemã foram L.Von Ranke e B. Niebuhr que exerceram uma considerável influência sobre a historiografia europeia no século XIX. Ranke é autor de uma vasta bibliografia; erudito, apoiava-se principalmente nos documentos diplomáticos para fazer a história do Estado e suas relações exteriores, pois entendia que as relações diplomáticas determinavam as iniciativas internas do Estado. Este ainda se interessava pelas peculiaridades presentes em determinados povos, indivíduos, pela psicologia individual dos grandes homens políticos. Foi tido pelos seus pares como um conservador nacionalista, interessava-se especialmente pelas questões dos Estados e defendia as posições da nobreza alemã. (REIS, 2004, p. 15).

    Ainda no século XIX, aparece uma corrente filosófica chamada “idealismo alemão”. Essa corrente trouxe consideráveis consequências para a História. O maior expoente dessa forma de pensamento será Hegel, para o qual o conhecimento é fruto dos contrários - lei da dialética: tese, antítese e síntese. Para esse pensador, o processo histórico estabelece uma forte relação com a realidade a partir do idealismo – a primazia fundamental das ideias do homem.

    Materialismo Histórico

    Outra corrente filosófica oriunda do século XIX é o “materialismo dialético”. Corrente que buscará transformar a sociedade a partir de reflexões sociais, políticas e econômicas. Os principais nomes dessa corrente foram Karl Marx e Friedrich Engels, os quais estudam as relações capitalistas olhando as formas de sociedade que a precederam. Ao realizarem esse trabalho, aplicam o método do materialismo histórico. Esse método analítico buscará transformar a sociedade capitalista burguesa através de uma revolução oriunda das camadas menos favorecidas da sociedade, chamada proletariado.

    O materialismo histórico demonstra que os seres humanos, para sobreviver, necessitam transformar a natureza, o mundo em que habitam e fazem-no em comunhão, em grupos e sociedade. Estabelecem, para tal, relações que não estão ao alcance de sua vontade, mas do mundo que precisam transformar e dos meios que vão utilizar para isso. Todas as demais relações que os homens estabelecem entre si estão dependentes dessas relações para a produção da vida, não sob a forma da dependência mecânica, direta e determinante, mas sob forma de condicionamento. O conhecimento histórico parte das relações estabelecidas entre os homens com os homens, e os homens com a natureza. Dessa forma, entendem que não são as ideias que vão provocar as transformações, mas as condições materiais e as relações entre os homens (BORGES, 2005, pp. 36-37).

    Para Karl Marx e Engels, a história é, acima de tudo, transformação que se dá a partir de um processo dinâmico e dialético, no qual cada realidade social traz no seu bojo o princípio da contradição. A realidade é dialética e está sempre se transformando pelas suas contradições internas e essas são geradas pela luta entre os diferentes estratos sociais.

    O marxismo, enquanto ciência da história tomará como objeto as estruturas econômico-sociais, invisíveis, abstratas, gerais, mas “chão” concreto das lutas de classes e das iniciativas individuais e coletivas. Para Marx, os indivíduos só podem ser explicados pelas relações sociais que mantêm, isto é, pela organização social a que pertencem e que os constitui como eles são. Cada modo social de produção criaria os indivíduos de que necessita. Não haveria um homem “universal”, mas o concretamente “produzido” pelo conjunto das relações sociais de produção. Para se compreender o processo histórico, o conceito principal deixa de ser o de “consciência”, que supõe a hipótese de ser espiritual da história, e torna-se o de “produção”, que supõe a hipótese materialista do “ser social”, um ser relacional situado em um tempo e em um lugar.” (REIS, 2004, p. 54)

    Unidade 1

    Outras Histórias – Escola dos Annales

    Em 1929, quando da publicação do primeiro número dos Annales d’ Histoire Economique et sociale, sob a direção de Marc Bloch e Lucien Febvre, existiam dois adversários principais a enfrentar – uma certa concepção acerca da natureza do conhecimento histórico e o primado da história política no campo da historiografia. Quanto ao primeiro, os Annales propuseram a ampliação do domínio historiográfico, ou seja, a história como estudo do homem no tempo, ou a totalidade social em última análise, com a consequente redefinição de conceitos fundamentais como documento, fato histórico e tempo. Com relação à história política tradicional, as críticas foram incisivas e definitivas: événementielle, recitativo interminável de eventos políticos e batalhas (...). (FALCON, 1997, p. 68)

    Foi na década de 20 que surgiu na França a denominada “escola francesa”. Essa escola teve como principais expoentes: Marc Bloch e Lucien Febvre. Esses pesquisadores tiveram seus trabalhos publicados na revista Anaes de História Econômica e Social, publicada pela primeira vez em janeiro de 1929, travaram uma luta contra a História Política, narrativa e factual. Utilizando métodos e técnicas de outras disciplinas foram responsáveis por um grande desenvolvimento no conhecimento histórico.

    Ainda buscaram destacar nos seus estudos, em vez dos fatos singulares, aspectos estruturais (econômicos, políticos, culturais, religiosos, etc.), atentando para o seu desenvolvimento e funcionamento. Privilegiaram uma história total que entendia os grupos humanos na sua complexidade e, para tal, uma história aberta às outras áreas do conhecimento como sociologia, economia, política, etc.

    A Escola dos Annales foi formada por um grupo de historiadores liderados por Marc Bloch e Lucien Febvre, se constituiu, antes de tudo, como um movimento, uma sensibilidade, um conjunto de estratégias voltadas para combater o tipo de histórias que se constituiu, antes de qualquer coisa, como um movimento, uma contestação, um conjunto de concepções que combatiam um tipo de história que prevalecia na França e dominava as universidades no início do século XX. A essa história os “fundadores” dos Annales chamavam de historicizante ou événementielle. Febvre e Bloch eram contra, pois, uma história que se preocupava somente com os fatos singulares, sobretudo, com os de natureza política, diplomática e militar.

    Era desfavorável a uma história que, pretendendo ser científica, tomava como critério à cientificidade a verdade dos fatos, à qual se poderia chegar por meio da análise de documentos tidos como verdadeiros e autênticos. Combatiam, enfim, uma história que se furtava ao diálogo com as demais ciências humanas, tais como a antropologia, psicologia, linguística, geografia e economia e, sobretudo, a sociologia. (VAIFAS,1997, p.130)

    História Demográfica

    História demográfica refere-se, sobretudo, aos estudos das populações: as suas variações quantitativas e qualitativas, ao crescimento e declínio populacional, aos movimentos migratórios, e assim por diante. A história demográfica busca analisar os aspectos mais específicos relacionados às categorias populacionais, na maioria das vezes obtidos através de métodos estatísticos e da abordagem quantitativa, para perceber, dessa forma, aspectos da vida social de uma determinada comunidade. O historiador da demografia deve atentar para o cuidado de não fazer uma história simplesmente informativa ou descritiva, mas também problematizadora.

    Unidade 1

    A demografia histórica atravessa hoje alguns dilemas. Já inexiste aquela novidade da estatística histórica que justificava na década de 1950 a feitura de teses mais descritivas – meras coletoras de informação sobre a mortalidade, a natalidade ou a nupcialidade. Hoje se espera que o historiador “problematize” a morte, o nascimento ou o casamento; que não apenas contabilize os movimentos migratórios, mas que também fale sobre as expectativas culturais e sociais dos migrantes, que recupere um pouco da sua vida da aparente aridez a partir de uma documentação que, não trará para os leitores de história mais do que um número, verdadeiro, mas abstrato, preciso mais patético, matematicamente desencarnado. (BARROS, 2004, p. 25)

    O historiador demográfico precisa tomar o cuidado de não ser apenas um mero recenseador. É preciso que mesmo partindo de fatos numéricos, ele contemple nas suas análises fatos da cultura, fatos econômicos, fatos políticos, as ideologias e os aspectos antropológicos. Atentando para os cuidados expostos acima, os historiadores demográficos têm contribuído bastante para a compreensão das múltiplas dimensões do conhecimento humano.

    A História da Cultura Material

    A História da Cultura Material se propõe a estudar os objetos materiais e sua relação com os múltiplos aspectos da vida humana. Debruça-se por domínios históricos que vão desde o estudo dos utensílios ao estudo da alimentação, do vestuário, da moradia e das condições materiais do trabalho humano. O historiador da cultura material tem como foco das suas análises a noção da “matéria” que pode ser tanto do tipo durável, como do tipo perecível. Contudo, nesse caso deve-se examinar não o objeto material segundo sua natureza, mas sim os seus usos, as suas apropriações sociais, as técnicas envolvidas na sua manipulação, a sua importância econômica e a sua necessidade social e cultural.

    Desta forma, o historiador da cultura material não estará atento apenas aos tecidos e objetos da indumentária, mas também aos modos de vestir, ás oscilações da moda, às suas variações conforme os grupos sociais, às demarcações políticas que por vezes se colam a uma determinada roupa que os indivíduos de certas minorias podem ser obrigados a utilizar em sociedades que aproximam os critérios da “diferença” e da “desigualdade”. Com relação aos alimentos, o historiador buscará não um exaustivo inventário dos vários gêneros alimentares que predominam nos diversificados grupos sociais e profissionais, das expectativas simbólicas de cada alimento; das formas de armazenamento e intercambio dos gêneros alimentícios. Da variedade de habitações, procurará extrair uma compreensão da vida familiar, das relações entre público e privado, da segregação social que pode ser estabelecida a partir de determinadas configurações de espaço, dos regimes imaginários que podem estar associados a certos padrões habitacionais, da correlação entre os vários tipos de bens imóveis e os grupos sociais a que pertencem os seus possuidores. (BARROS, 2004, pp. 30-31)

    O historiador da cultura material ao perceber a materialidade de um espaço rural ou urbano, os seus monumentos e a sua circularidade compreenderá as vivências e experiências da sociedade que a habita, as expectativas de seus habitantes. Tudo aquilo que é utilizado pela população estudada: móveis, objetos decorativos, ferramentas, máquinas, objetos manufaturados etc., tudo pode ser objeto de uma história da cultura material.

    A História das Mentalidades

    A História das Mentalidades capta a dimensão social que está relacionada ao mundo das ideias e ao modo de sentir. Os historiadores das mentalidades foram responsáveis por explorar determinados temas ainda pouco convencionais nas pesquisas de historiadores de outros campos.

    Unidade 1

    Assim, Robert Mandrou na sua obra, Magistrados e Feiticeiros na França do século XVII, estudou a prática da feitiçaria e certos modos de sentir; Jean Delumeau, na obra, História do Medo no Ocidente, buscou compreender o homem europeu e seu complexo de medos; Philippe Ariès e Michel Vovelle pesquisaram o medo do homem diante da morte.Num primeiro momento os temas pesquisados pelos historiadores das mentalidades causaram certa estranheza no meio acadêmico, principalmente quanto à abordagem teórica e metodologia.

    Para resumir três ordens de tratamentos metodológicos que os historiadores das mentalidades têm empregado na sua ânsia de captar os modos coletivos de pensar e de sentir, poderemos registrar: a abordagem serial, (2) a eleição de um recorte privilegiado que funcione como lugar de projeção das atitudes coletivas (uma aldeia, uma prática cultural, uma vida), ou finalmente (3) uma abordagem extensiva de fontes de naturezas diversas. Neste último caso enquadra-se a obra O Homem diante da Morte, de Philippe Ariès. Nesta ambiciosa obra, lança-se mão dos mais diversos tipos de fontes – desde os escritos de todos os tipos (obras literárias, textos hagiográficos, poemas, canções, crônicas oficiais, testemunhos anônimos) até as fontes iconográficas e os objetos da cultura material (...)” (BARROS, 2004, p. 40)

    Quanto à metodologia empregada em suas pesquisas, os historiadores das mentalidades buscam fazer um recorte que funcione como lugar privilegiado que dê visibilidade a ações e sensibilidades coletivas. Esse recorte na maioria das vezes é feito a partir de um microcosmo social.

    História do Imaginário

    A História do Imaginário detém-se principalmente nas imagens produzidas por uma sociedade, incluindo as imagens verbais e mentais. Os principais teóricos responsáveis pela elaboração do conceito de imaginário foi Cornelius Castoriadis, cuja obra de referência é A Instituição Imaginária da Sociedade, Jaques Le Goff Georges Duby e Gilbert Durand. O imaginário pode ser entendido como um complexo sistema que abrange imagens verbais, visuais e mentais, assimilando diversos elementos simbólicos e agindo na construção de múltiplas representações. Possibilitando assim uma ampla relação do campo imaginário não apenas com as representações, mas também com os símbolos.

    A História do Imaginário não se ocupa propriamente de longas durações nos modos de pensar e de sentir, mas sim da articulação das imagens visuais, verbais, mentais com a própria vida que flui em uma determinada sociedade (...) a História do Imaginário volta-se para objetos mais definidos: um determinado padrão de representações, um repertório de símbolos e imagens com a sua correspondente interação na vida social e política, o papel político ou social de certas cerimônias ou rituais, a recorrência de hierarquias e interditos sociais nos modos de vestir, a teatralização do poder. (BARROS, 2004, pp. 94-95).

    A História do Imaginário muitas vezes apreende seu objeto através da análise mais direta de um discurso, seja este verbal ou visual; e para isso utiliza elementos topológicos e recursos semióticos.

    Unidade 1

    História das Mentalidades

    Nesta vídeoaula o Professor Alexandre Alves fala das principais características das Escolas dos Annales. Enfatiza porque os historiadores da história demográfica devem estar cientes do papel das novas técnicas e das matérias a serem contempladas por essa etapa.

    Ele ainda explica porque o historiador da história da cultura deve estudar um único assunto com diversos tratamentos. Ele aborda outras correntes como o estudo das mentalidades e história do imaginário. O professor faz menção ao livro de Michel Foucault “Vigiar e Punir”, onde faz uma comparação dos presos com os operários das fábricas.

    Mais Vídeos

    Unidade 1

    Ciências Auxiliares da História

    Nesta vídeoaula o professor Alexandre Alves fala das ciências que auxiliam a História, aborda assuntos tais como: Arqueologia, História da Estratificação, Paleografia, Paleontologia, Numismática, o surgimento do papel, Imprensa de Gutenberg, metal, moedas patacões, moedas obsidionais, Heráldica e Brasão.

    Mais Vídeos

    Unidade 1

    Cultura e Patrimônio

    Nesta videoaula o professor Alexandre Alves aborda o conceito de cultura, e a sua divisão no Brasil. Ele explana as três etapas da Cultura Brasileira como: Cultura Popular, Cultura Erudita e Cultura de Massa e suas características. É abordado o significado de Patrimônio e suas três modalidades: Patrimônio Histórico Material, Patrimônio Cultural Imaterial e Patrimônio Ambiental. E ainda questiona porque o historiador deve se preocupar com o Patrimônio?

    Mais Vídeos

    O Historiador e o Seu Ofício

    2

    Conhecimentos

  • Compreender a história enquanto conjunto de acontecimentos que se passaram bem como sua análise.
  • Entender qual o papel do historiador e as ferramentas que ele utiliza para seu ofício.
  • Habilidades

  • Perceber a história enquanto construção dos homens, mas, sobretudo, das condições reais que se encontram estabelecidas.
  • Atitudes

  • Desenvolver a atuação do homem como sujeito do processo histórico.
  • Unidade 2

    O historiador e seu ofício

    (...) No meio da poeira de documentos antigos, na lama das escavações ou no manuseio de instrumentos muito desenvolvidos tecnicamente, é sempre o homem vivo que o historiador procura encontrar, é a sociedade na qual esse homem viveu, trabalhou, amou, procriou, guerreou, divertiu-se, que o historiador quer decifrar. (BORGES, 2005, p. 05)

    O termo história significa tanto os acontecimentos que se passaram como o estudo desses acontecimentos.

    A história é a história do homem, visto como um ser social, vivendo em sociedade. É a história das transformações humanas, desde o seu aparecimento na terra até os dias em que estamos vivendo. Desde o início, portanto, pode-se tirar uma conclusão fundamental: quer saibamos ou não, quer aceitemos ou não, somos parte da história e todos desempenhamos nela um papel e temos então, desde que nascemos, uma ação concreta ao realizar tal papel. E temos então todos, desde que nascemos, uma ação concreta a desempenhar nela. (BORGES, 2005, p. 48)

    Como afirma Vavy Pacheco Borges, são os homens que fazem a história; mas dependem, sobretudo, das condições reais que se encontram estabelecidas. A principal razão de ser da história é proporcionar o entendimento das condições da realidade vivida, tendo em vista a atuação do homem como sujeito do processo histórico.

    O conhecimento histórico serve para nos fazer entender, junto com outras formas de conhecimento, as condições de nossa realidade, tendo em vista o delineamento de nossa atuação na história. (BORGES, 2005, p. 48).

    O principal objetivo do conhecimento histórico é entender as transformações dos homens num determinado tempo, espaço e cultura.

    A história procura especificamente ver as transformações pelas quais passaram as sociedades humanas. A transformação é a essência da história; quem olhar para trás, na história e na sua própria vida, compreenderá isso facilmente. Nós mudamos constantemente; isso é valido para o indivíduo e também para a sociedade. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem as mudanças. (BORGES, 2005, p. 50).

    Durante muito tempo, historiadores entenderam as transformações como momentos de crise e ruptura. Mas hoje se compreende que as mudanças acontecem lentamente – “de forma voluntária ou involuntária, por diferentes circunstâncias”. As revoluções não mudam totalmente as estruturas das sociedades onde aconteceram. Dessa forma, atualmente, cada vez mais os historiadores preocupam-se com as permanências do que com as mudanças.

    O tempo é a principal dimensão de análise do historiador. O tempo da história não é o mesmo tempo cronológico do relógio e dos calendários, é onde se analisam os acontecimentos cotidianos, onde se dão as mudanças rápidas como também as transformações lentas.

    Todos percebemos, por experiência, a ligação básica implícita dentro da ideia geral de tempo: passado-presente-futuro. Fazer uma história do presente não é escrever sobre ele, mas sobre indagações e problemas contemporâneos ao historiador. É preciso conhecer o presente e, em história, nós o fazemos, sobretudo, através do passado, remoto ou bem próximo.

    Unidade 2

    “A história é filha de seu tempo”. Essa afirmativa é em função de um presente, pois conforme o presente em que vivem, os historiadores olham para o passado. As perguntas que eles fazem para o passado e as diferentes projeções de interesses, perspectiva e valores derivam das suas experiências cotidianas. Na maioria das vezes, a história nos é apresentada como sendo a evolução da sociedade europeia ocidental – tomada como modelo de desenvolvimento.

    Entretanto, cada vez mais pesquisadores estão desconsiderando essa afirmativa. Na verdade não existe essa linha constante, progressiva, de desenvolvimento na história da humanidade. O mundo é habitado por homens que estabelecem relações sociais bastante peculiares, variando no tempo, no espaço e na cultura.

    Dessa forma, entender o processo histórico como sendo linear, contínuo e progressista é algo que deve ser evitado. O desenrolar de cada sociedade é muito característico e único; atualmente estamos cada vez mais receosos de pensar na possibilidade de leis para suas transformações, pois acredita-se que cada uma mude segundo ritmos e formas específicas. (BORGES, 2005, pp. 52-53)

    As transformações advêm das ações dos homens enquanto sujeitos e agentes da história. São os homens organizados socialmente que agem conforme seus interesses e os interesses de outros. Deve-se buscar o sentido dos acontecimentos históricos e dos processos específicos de transformações sociais na vontade do homem – “a trajetória do homem é indeterminada”.

    O historiador quando pesquisa um povo não pode ao mesmo tempo escrever sobre tudo, quando ele escreve se atenta a uma determinada realidade estabelecida em seu tempo e lugar.

    A humanidade está em constante transformação e sendo assim, não existe uma essência humana imutável. Desde o início dos tempos, o homem é diverso em situações diversas. Na verdade, dificilmente o historiador pode tratar, ao mesmo tempo, de toda a humanidade. Ao escrever a história, ele se ocupa especificamente de uma determinada realidade concreta, situada no tempo e no espaço. Estuda-se uma tribo, um povo, um império, uma nação, uma civilização. (BORGES, 2005, pp. 54-55)

    O ser humano é, acima de tudo, um ser histórico, temporal e finito. Por ter consciência de sua historicidade, apresenta um caráter eminentemente histórico. Vivendo em determinado tempo, espaço e cultura agem sempre em relação a natureza e a outros homens.

    A primeira tarefa do historiador é situar no espaço e tempo determinados seu objeto de estudo examinando sempre uma realidade a partir de indícios, provas e testemunhas, buscando encontrar os motivos e razões dos fatos. A maioria da documentação utilizada nos trabalhos históricos é escrita, mas tudo o que se produz, fabrica, vivencia, diz ou escreve pelo homem é um documento histórico.

    Atualmente tem-se consciência de que, entre outros exemplos, uma caderneta de despesas de uma dona de casa, um programa de teatro, um cardápio de restaurante, um folheto de propaganda são documentos históricos significativos e reveladores de seu momento. (BORGES, 2005, p. 61)

    O historiador na prática de seu ofício sempre tem em mente que as fontes ou documentos jamais são um “espelho fiel da realidade”, mas sempre uma representação de determinada realidade ou objeto em questão. Dessa forma sempre analisados enquanto tal.

    Unidade 2

    História Social

    Especialmente nas décadas de 1930 e 1940, a expressão história social era utilizada para ressaltar uma abordagem culturalista, segundo Castro (1997, p. 47), “com ênfase nos costumes e tradições nacionais, em geral ligada ao pensamento conservador e produzida relativamente à margem das posições acadêmicas mais prestigiosas, específicas dos historiadores”. Nesse momento prevalecia uma história que privilegiava nas suas abordagens modelo rankeano, o qual dava ênfase ao campo da diplomacia e da política. Em oposição a uma abordagem que tinha como objeto o “domínio do privado”.

    De acordo com Hebe Castro (1997, p. 47), o avanço das ideias socialistas e o crescimento do movimento operário levou grande parte dos historiadores ocidentais a desenvolverem uma história social do trabalho e do movimento socialista, frequentemente identificada simplesmente como “história social”. Aqui é a oposição entre “individual” e “coletivo” que distingue a história social das abordagens anteriores. A ação política coletiva se constituiria em seu principal objeto.

    Na França, desde a década de 1930, a escola dos Annales vinha desenvolvendo uma “História econômica e social”. Mesmo enfatizando mais aspectos econômicos, destacaram-se abordagens de hierarquias e diferenciações sociais. A oposição à historiografia rankiana e a definição do social constituem-se, assim, a partir de uma prática historiográfica que privilegiava os fenômenos coletivos sobre os indivíduos e das tendências a longo prazo sobre os eventos na explicação histórica, ou seja, que entendia a história como ciência social (CASTRO, 1997, p 47).

    Na França, a grande aceitação por parte dos historiadores quanto à abordagem estrutural e a constante sofisticação metodológica determinaram uma crescente especialização da disciplina História e uma ênfase cada vez maior na longa duração.

    Na tradição francesa, muito influente, as abordagens econômica e social tendiam a separar-se. A história demográfica, a história das mentalidades e a história econômica tenderam a desenvolver metodologias próprias, a se separar como diferentes extratos do real, com temporalidades próprias, entretanto todas inseridas na denominada “longa duração”; se reivindicou a história social como uma especialidade, com metodologias e problemáticas próprias. As preocupações voltavam-se para os meios de constituição dos atores históricos coletivos, “as classes, os grupos sociais, as categorias sócio profissionais”, e as duas relações que constituíam historicamente as estruturas sociais. As relações entre estrutura, conjuntura e comportamento social definiram, desse modo, o campo específico a ser estudado. (CASTRO, 1997, p. 48)

    A historiografia anglo-saxônica, por sua vez, desde pelo menos a década de 1960, dialoga com outras disciplinas das ciências sociais, especialmente, a antropologia social e a sociologia. Nessa região, a história social constituiu-se como campo específico da disciplina História – definindo-se a partir da problemática que formulava:

    “Os grupos sociais e os processos determinantes e resultantes de suas relações também estão no cerne desses problemas, neste caso com uma ênfase ainda mais explícita no estudo dos comportamentos e da dinâmica social”. (CASTRO, 1997, p. 48)

    Desta forma, a história social surgiu como abordagem que pretendeu problematizar historicamente os grupos sociais nos seus comportamentos e relacionamentos. Utilizando para isso metodologias que consistiam no emprego de análises quantitativas de fontes históricas - fontes eleitorais, fiscais, demográficas, cartorárias e judiciais.

    Nuances da Profissão

    3

    Conhecimentos

  • Conhecer a história e a democracia, bem como a escola tradicional e a escola nova;
  • Compreender as transformações sociais e econômicas que as Ciências Naturais trouxeram ao longo de sua constituição histórica.
  • Habilidades

  • Reconhecer a relação entre escola e democracia e seus diferentes aspectos presente na sociedade;
  • Atitudes

  • Desenvolver competências básicas e específicas da área com base em três grandes campos de competências de caráter geral que se aplicam as três áreas da organização curricular e do Ensino Médio, compreendidas a partir de sua essência enquanto campos de conhecimento.
  • Unidade 3

    Refletindo sobre a História da Educação no Brasil *

    Robson Stigar & Neivor Schuck

    Esta unidade de estudo tem por objetivo refletir sobre a história da educação no Brasil, tendo em vista as suas várias concepções de ensino a longo da história, bem como entender a partir do passado a educação da atualidade. Em primeiro momento será apresentado um pequeno contexto histórico, no segundo momento pretende-se refletir sobre os conflitos entre as diferentes posturas de ensino e por fim refletir sobre a teoria da complexidade e a sua relação com a educação contemporânea.

    Contexto Histórico

    A formação do Brasil implica necessariamente na estruturação de nosso modelo de ensino porque desde os primeiros anos de nossa descoberta sofremos da falta de estrutura e investimento nessa área. Contudo, além do componente histórico que parece ser de comum aceitação, aparece o problema do modelo pedagógico adotado. Neste aspecto ocorre uma polarização e até uma divisão tripla se quisermos englobar a escola técnica (anos 70). Ou seja, as posturas mais adotadas em nosso país são justamente a pedagogia tradicional (método fonético) e a escola nova (construtivismo).

    Segundo XAVIER de um lado está a escola tradicional, aquela que dirige que modela, que é ‘comprometida’; de outro está a escola nova, a verdadeira escola, a que não dirige, mas abre ao humano todas as suas possibilidades de ser. É, portanto, ‘descompromissada’. É o produzir contra o deixar ser; é a escola escravizadora contra a escola libertadora; é o compromisso dos tradicionais que deve ceder lugar à neutralidade dos jovens educadores esclarecidos (XAVIER, 1992 p. 13).

    Assim, a classe dominante tinha de ser detentora dos meios de conhecimento e de ensino. Isso implicou no modelo aristocrático de vida presente em nossa sociedade colonial e posteriormente na corte de D. Pedro. Existiram dois fatores fundamentais na formação do modelo educacional brasileiro, ou seja, “a organização social (...) e o conteúdo cultural que foi transportado para a colônia, através da formação dos padres da companhia de Jesus” ( ROMANELLI, 2001 p. 33).

    No primeiro fator aparece com mais intensidade a predominância de uma minoria de donos de terra e senhores de engenho sobre uma massa de agregados e escravos. Apenas àqueles cabia o direito à educação e, mesmo assim, em número restrito, porquanto deveriam estar excluídos dessa minoria as mulheres e os filhos primogênitos. Limitava-se o ensino a uma determinada classe da população, ou seja, apenas a classe dominante. Surge claramente um dos fundamentos da baixa escolaridade de nossa população e da falta de recursos para a eliminação das diferenças entre as classes.

    A segunda contribuição para a formação de nosso sistema educacional deficitário é justamente o conteúdo do ensino dos Jesuítas, “caracterizado sobretudo por uma enérgica reação contra o pensamento crítico” (ROMANELLI, 2001 p. 34), contudo, a maneira como os Jesuítas cultivavam as letras permitiu algum alvorecer em nossa literatura.

    O conflito entre as diferentes posturas de ensino

    A relação entre escola e democracia depende de diferentes aspectos presentes na sociedade. Contudo, parece que o problema aparece realmente nas teorias de educação. Isso se expressa pelo elevado índice de analfabetismo funcional, configurando uma marginalidade desses indivíduos analfabetos. Por outro lado, “no segundo grupo, estão as teorias que entendem ser a educação um instrumento de discriminação social, logo, um fator de marginalização” (SAVIANI, 2003 p. 04).

    Unidade 3

    No período medieval valorizava-se muito a noção de pecado, entre outras, mas a incorporação ao modelo de ensino brasileiro dos conceitos europeus não é ruim em si, mas da forma como foi feita anulou a potencialidade de nossa gente.

    Deste modo, podemos constatar que ambos os grupos explicam a questão da marginalidade a partir de uma determinada concepção da relação entre educação e sociedade. Assim, ambos os grupos destoam partindo de um mesmo referencial, com isso, para os não críticos (primeiro grupo).

    A sociedade é concebida como essencialmente harmoniosa, tendendo a integração de seus membros. A marginalidade é, pois, um fenômeno acidental que afeta individualmente um número maior ou menor de seus membros, o que, no entanto, constitui um desvio, uma distorção que não pode como deve ser corrigida (SAVIANI, 2003 p. 04).

    A superação dessa distorção far-se-ia por intermédio da educação. Tendo por função “reforçar os laços sociais, promover a coesão e garantir a integração de todos os indivíduos no corpo social” (SAVIANI, 2003 p. 04), permitindo a superação da marginalidade.

    Por outro lado, os que defendem uma postura crítica entendem que a sociedade como sendo essencialmente marcada pela divisão entre grupos ou classes antagônicas que se relacionam à base da força, a qual se manifesta fundamentalmente nas condições de produção da vida material. Nesse quadro a marginalidade é entendida como um fenômeno inerente à própria estrutura da sociedade (SAVIANI, 2003 p.4).

    Assim, a educação assume um papel de produtora da marginalização, porque produz a marginalidade cultural e de maneira específica a escolar. No entendimento de SAVIANI existem três modalidades diferentes de configurar os modelos educacionais expressos pelas duas teorias expressas anteriormente, isto é, a tradicional, fundada na relação ensino aprendizagem e na relação professor aluno; a escola nova, que entende como fundamental a necessidade de aprender a aprender e na função de acompanhar o desenvolvimento individual do estudante por parte do professor; e por último aparece a concepção técnica que se funda no fazer e elimina totalmente a relação professor aluno.

    Segundo SAVIANI a concepção critica não apresenta nenhuma proposta para substituir a pedagogia tradicional e por isso não permite ser pensada como uma solução do problema da relação entre escola e marginalidade social. Ao apresentar uma solução possível para a questão Saviani aponta para a definição de prioridades políticas fundadas no principio aristotélico de animal político, tudo englobaria o ato de educar.

    Assim, a educação sempre possui uma dimensão política tenhamos ou não consciência disso, portanto assume-se um caráter educativo e político para a educação e este só cumpre seu papel quando permite a formação integral do indivíduo.

    Mas o desafio permanece, como podemos falar em educação global se vivemos em uma sociedade fragmentada, imbuída de diferentes conceitos de razão, educação, ética, política, marginalidade, sociedade e cultura?

    Unidade 3

    Na concepção de SAVIANI existem onze teses acerca da educação que precisam ser consideradas como fundamentais no engajamento político. Isto é, o agir educativo sempre cumpre um papel fundamental na estruturação da sociedade. O modelo desorganizado de nosso sistema educacional gera absurdos como as que vemos nas instituições de ensino público superior. Ou seja, os que deveriam ter acesso a escola pública superior não conseguem e os que podem pagar adentram as portas das universidades públicas.

    A teoria da complexidade e sua relação com a educação contemporânea

    Segundo Morin a sociedade contemporânea possui elementos diversificados e complexos, isto significa que o ensino precisa estar atento a complexidade da vida contemporânea. Desta forma, a incorporação dos sete saberes como fundamentos para desenvolver o homem moderno. Dentro deste cenário a sociedade se preocupa cada vez mais com a realidade escolar e com a formação dos indivíduos, sobretudo precisa-se de criatividade para mudar a

    realidade brasileira. Contudo, “O conhecimento disciplinar, e consequentemente a educação, têm priorizado a defesa de saberes concluídos, inibindo a criação de novos saberes e determinando um comportamento social a eles subordinado” (AMBROSIO, 2007).

    Por isso, a interdisciplinaridade entre os diferentes saberes seria essencial para resolver esse problema. Segundo MORIN,

    O conhecimento na complexidade é a viagem em busca de um modo de pensamento capaz de respeitar a multidimensionalidade, a riqueza, o mistério do real; e de saber que as determinações – cerebral, cultural, social, histórica – que impõem a todo o pensamento, codeterminam sempre o objeto de conhecimento. É isto que eu designo por pensamento complexo. (MORIN apud PETRAGLIA, 1998 p. 46).

    Trata-se de um pensamento desprovido de certezas e verdades científicas, que considera a diversidade e a incompatibilidade de ideias, crenças e percepções, integrando-as à sua complementaridade. “A consciência nunca tem a certeza de transpor a ambiguidade e a incerteza” (MORIN, 1973, p. 134).

    Morim refere-se ao princípio da incerteza tal como formulado por Werner Heisenberg, físico, um dos precursores da mecânica quântica. Esse princípio baseia-se na falibilidade lógica, no surgimento da contradição presente na realidade física e na indeterminabilidade da verdade científica.

    Assim, o conceito de lógica tradicional fundado em Aristóteles não pode mais responder aos anseios da sociedade moderna, a lógica da complexidade assume novas probabilidades e possibilidades. Com efeito, promover, pois, a qualidade ética em educação, componente indispensável da qualidade total, e reformular o modo de se relacionar de todos os atores na escola, educadores e educandos, de acordo com as diferentes características do agir humano radicado na liberdade e voltado para o bem. Portanto, a complexidade como teoria de ação precisa levar em conta a ética na conduta prática do profissional da educação.

    *Fonte: STIGAR, Robson; SCHUCH, Neivor. Refletindo sobre a história da Educação no Brasil.

    Unidade 3

    O sentido do aprendizado na área – História e Ciências Humanas

    Desde os primórdios da Educação e do desenvolvimento do homem enquanto agente histórico que, o homem busca evoluir. O surgimento da escrita e as primeiras civilizações do dito Crescente Fértil, região onde o homem se tornou sedentário e pôde desenvolver técnicas que tornaram possíveis a criação de caracteres que exprimiam suas ideias, dando-se assim, um suporte de aprendizado às futuras gerações foi o suficiente para o início de sua longa empreitada por várias partes do planeta ao longo do processo histórico.

    Surgiu a Paidéia, a forma de educação tradicional grega evoluída em relação aos demais povos, devido ao uso de uma razão em que o Estado é forte, e a polis (Cidade-Estado) se torna o coração pulsante dessas relações que culminaram na ascensão grega, bem como, na participação das artes

    e da política na formação do cidadão grego. Dando-se sequência ao império mais influente no Ocidente e, sua capacidade de desenvolver uma educação que perpassa de uma simples etapa acurada da educação tradicionalista grega e se torna, ainda mais, observadora das questões da educação do homem enquanto ser que reflete suas próprias ações: criam-se perspectivas de humanidade (Humanitas) e, um aprimoramento no discurso e na retórica, enquanto forma que parte da arte de falar bem para um ato de cidadania (Eloquência).

    Mas a Educação romana sofreu os abalos do conturbado contexto histórico dos dias do Império Romano. Não foi somente uma questão de conversão ao Cristianismo, mas, uma grande reviravolta histórica, onde a fé entrará em cena com o declínio do referido império. Desde o estilo arquitetônico até os limites e divisão do Império, a nova religião ditará a educação e o clero se fortalecerá para uma Educação cristã onde, ainda não se atingiria todas as camadas da população, apenas a elite financeira.

    E veio o Feudalismo influenciando a Educação através da Patrística e da Escolástica. Evocando também uma Educação dentro dos pilares da fé cristã, onde a nobreza e o clero podiam ter acesso a Educação, no entanto, a maior parte da população não tinha acesso a ela.

    Entretanto, mostra o papel dos mosteiros na compilação e cópia de antigos documentos e livros, pois, sem os monges poderiam ter se perdido ou se deteriorado pelo tempo, é um período marcado também pelo imaginário na Educação proposto pela própria Igreja.

    Da mesma forma, ocorreram mudanças no Oriente. O Islã propiciou ao Ocidente, uma nova visão em termos científicos, medicinais e culturais. Se por um lado eram considerados hereges pela Igreja, por outro, suas invenções propiciaram as trocas comerciais da Europa com o Oriente, as grandes navegações e a descoberta de um Novo Mundo.

    No entanto, a Igreja continua com sua educação em clausura, mas, a nobreza tem a obrigação do combate enquanto que os servos só servem de base a um sistema espoliativo, o Feudalismo. Desde os tempos das cruzadas, os cavaleiros continuam aliados a uma ideologia cristã onde valores de honra são enaltecidos, entretanto, o apoio à Igreja será mantido contra o Islamismo.

    Temos, porém, mais uma fase de transição, a do Medievo para a Idade Moderna. Nessa etapa, veremos como os fortalecimentos do mercado, através da revolução comercial e do desenvolvimento tecnológico das ferramentas rurais trarão ao novo cenário europeu, ainda que timidamente, a nova classe, a burguesia. Através dos portos italianos, novas ideias mudarão o pensamento de gerações; patrocinados pela própria Igreja, os renascentistas mudarão a Educação para um retorno à filosofia greco-romana.

    Unidade 3

    A seguir é a vez do Capitalismo enquanto fator de criação protestante e, a relação disso com o pensamento feudal católico. Abordaremos também uma nova etapa da Educação, o Iluminismo, onde a Renascença será ratificada e a filosofia greco-romana repensada e contextualizada nas novas relações de dimensões político-econômicas e sociais, bem como, o papel da escola e da universidade. Observamos a continuação do Iluminismo e seus Déspotas Esclarecidos, bem como, a Educação nacionalista empregada por tais déspotas (imperadores e reis). A Educação a serviço da máquina burocrática do Estado Europeu e do desenvolvimento industrial e formador de profissionais para o trabalho em grandes fábricas. Temos igualmente a questão do Marquês de Pombal e o desenvolvimento do Brasil Colônia e das primeiras instituições educacionais do Brasil Império.

    Ao longo do período republicano e em suas longas nuances e mudanças de contextos históricos começaram, porém, nosso olhar pelos tempos ainda da Guerra do Paraguai e do final da escravidão, onde ainda só a elite financeira e o clero conseguiam acesso à escola. Em seguida, abordamos a Educação desde os primórdios da República até a realidade mais próxima de nós na atualidade. Sendo indispensável este vídeo para o aprendizado da Educação desde os tempos de Vargas, passando pela Ditadura Militar de 1964, chegando-se a Paulo Freire, indo-se também às Diretas Já! E também, a nova república até o fim do governo Lula entrando também em questões recentes do primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff.

    A partir dos anos 30 e 40 do Século XX, as Ciências Humanas no Brasil encontraram enorme renovação, com os trabalhos de Gilberto Freire, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Fernando de Azevedo. Com a fundação da Universidade de São Paulo e a vinda de pesquisadores es-trangeiros do porte de Roger Bastide, Claude Lévi Strauss, Femand Braudel,

    Jacques Lambert, Jean Tricart, dentre outros, tais estudos encontraram um campo fértil, dando origem a seguidas gerações de sociólogos, economistas, historiadores, antropólogos e cientistas políticos que se dedicaram ao estudo da sociedade brasileira, em uma perspectiva de forte engajamento político, que acabaria esbarrando no enrijecimento da reação, no período que se seguiu a 1964.

    Ao longo desse processo de desenvolvimento das Ciências Humanas, as humanidades foram progressivamente superadas na cultura escolar. Mas não foi só no Brasil que isso se deu. A História, a Sociologia, a Ciência Política, o Direito, a Economia, a Psicologia, a Antropologia e a Geografia - esta última, a meio caminho entre as Ciências Humanas e as Naturais - contribuíram por toda a parte para a superação das humanidades clássicas. Em constituição, voltaram-se para o homem, não com a preocupação de formá-lo, mas de compreendê-lo. Assim fazendo, passaram a circundar em torno de um mesmo objeto principal: o humano, explorado em todas as suas vertentes.

    A caracterização desses estudos como ciências está intimamente ligada às transformações sofridas pelas sociedades modernas, a partir das chamadas “Revoluções Burguesas” dos séculos XVIII e XIX, que introduziram novos paradigmas no campo da produção – a indústria – e do convívio social – a democracia representativa.

    As Ciências Naturais, ao longo de sua constituição histórica, vêm atuando como indutoras de transformações sociais e econômicas, idealizando e construindo mecanismos de controle da natureza. Esse esforço de controle teve grande importância para o nascimento, desde a segunda metade do século XVIII, das sociedades capitalistas amparadas na indústria e na técnica. Por sua vez, as Ciências Humanas, locadas pelo mesmo sopro, e, em decorrência das importantes transformações políticas e sociais ocorridas no século XIX, desenvolveram-se inicialmente para criar instrumentos de controle social. Seguindo a inspiração positivista, transpunham para o campo da cultura os mesmos pressupostos aplicáveis ao estudo da natureza.

    Unidade 3

    Vejamos a seguir cada área incorporando as determinações que as fizeram se desenvolver como ciências autônomas:

    • A História cumpriu a tarefa de construir uma identidade e uma memória coletiva, a fim de glorificar e legitimar os feitos dos Estados nacionais;
    • A Sociologia traçou estratégias para ordenar e reordenar as novas relações sociais;
    • A Ciência Política ocupou-se do poder, de como constituí-lo e regrá-lo;
    • O Direito encarregou-se de construir um aparato legal e processos jurídicos para a conservação ou renovação da ordem social;
    • A Economia voltou-se para a otimização e o controle da produção e das trocas de bens;
    • A Psicologia procurou compreender e amenizar o impacto das transformações sobre os comportamentos humanos;
    • A Antropologia, em sua vertente etnográfica, lançou-se à descrição dos povos "exóticos", que a expansão econômica e política das grandes potências capitalistas necessitavam submeter;
    • A Geografia serviu para mapear as potencialidades dos territórios nacionais ou daqueles a serem conquistados, além de exaltar as riquezas de cada "solo pátrio".

    No século XX, a progressiva penetração dos pressupostos teóricos de Marx e Engels nas pesquisas da área instituiu ricos debates, cruzando perspectivas diferentes e antagônicas. O marxismo fez aumentar, embora sob enfoque diferente, as responsabilidades das Ciências Humanas perante o social. Os novos estudos, tão engajados na ação política quanto os outros, também visavam a dotar os homens de instrumentais de controle sobre a vida em sociedade, na perspectiva de se direcionar a própria história.

    Amparadas em quadros referenciais de diferentes inspirações, as Ciências Humanas buscaram cumprir as tarefas que lhes foram designadas. No século XX, sem que desaparecessem as concepções anteriores novas perspectivas teórica têm procurado minar as certezas positivas, incorporando orientação mais relativista às análises.

    A crise de confiança gerada pelo desastre da Primeira Guerra Mundial e pelas crises econômicas que a ela se seguiram deu origem nos anos 30, a um esforço de revisão dos pressupostos positivistas, como o da fragmentação dos estudos.

    Com isso deu-se, importante experiência interdisciplinar, unindo-se historiadores, economistas, geógrafos e sociólogos, no esforço de tentar entender as razões da crise. É rico de lições perceber que, no momento mesmo em que atingiam sua maturidade, as Ciências Humanas buscassem a alternativa interdisciplinar como solução para seus impasses. Desse enriquecimento, surgiram abordagens diversas e inovadoras em antropohistória, geo-história, sociolinguística, história e geografia econômica etc.

    Em todo esse percurso histórico, as Ciências Humanas alcançaram ampla significação e prestígio nas sociedades de nosso século e seus pesquisadores passaram a ocupar postos-chave na vida política e nos órgãos da administração pública, em diversas partes do mundo.

    No Brasil, entretanto, os anos de autoritarismo institucionalizado, pós-64, tornaram as Ciências Humanas suspeitas e baniram do "ensino de Iº grau" a História e a Geografia, dissolvidas nos "Estudos Sociais", que incluíam a "Educação Moral e Cívica", tentativa de atualização para as massas de uma educação de caráter moral sem o componente cultural próprio às humanidades. No Ensino Médio. História e Geografia sobreviveram ao lado da "Organização Social e Política do Brasil”, espécie de Geopolítica aplicada a noções básicas de Sociologia, Política e Direito.

    Unidade 3

    A "área" podia enriquecer-se ora pela Filosofia, ora pela Sociologia, ora pela Psicologia, com conteúdos diversificados, mas não obrigatórios. O estudo da Filosofia fundamental na formação dos jovens, mas incômodo pelas questões que suscita foi relegado ao exílio, juntamente com as artes e o latim. Sepultava-se assim, e por completo, a educação de caráter humanista.

    Nesta passagem de século e de milênio em meio aos enormes avanços trazidos pela ciência e pela tecnologia, mas também em meio às angústias e incertezas, a sociedade brasileira representada por seus educadores dos mais variados níveis escolares, em diálogo com o poder público, constrói a oportunidade de atualizar sua educação escolar, dotando-a de recursos para lidar com os imperativos da sociedade tecnológica sem descuidar do necessário resgate da tradição humanista.

    Sem perder de vista a dimensão histórica e fugindo à pretensão de uma volta ao século XV ou ao XIX esse resgate se dá através do ideal possível de uma síntese entre humanismo e tecnologia em que a mão do homem e o teclado do computador estejam ambos a serviço da construção de uma sociedade mais justa e solidária.

    Outro não é o imperativo que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 20 de dezembro de 1996 nos obriga a respeitar, ao estabelecer como finalidade da educação "o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Art. 2º). E como finalidades do Ensino Médio, “a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos”; “a preparação básica para o trabalho e a cidadania”; “o aprimoramento como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e dos pensamento crítico”; e a “compreensão dos fundamentos científico-tecnológico dos processos produtivos” “Art. 35).

    Por sua vez, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, aprovadas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação e homologadas pelo Ministério da Educação, asseguram a retomada e a atualização da educação humanista, quando preveem uma organização escolar e curricular baseada em princípios estéticos, políticos e éticos.

    Ao fazê-lo, o documento reinterpreta os princípios propostos pela Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da UNESCO, amparados no aprender a conhecer, no aprender a fazer, no aprender a conviver e no aprender a ser. A estética da sensibilidade, que supera a padronização e estimula a criatividade e o espírito inventivo, está presente no aprender a conhecer e no aprender a fazer, como dois momentos da mesma experiência humana, superando-se a falsa divisão entre teoria e prática. A política da igualdade, que consagra o Estado de Direito e a democracia, está cor-porificada no aprender a conviver, na construção de uma sociedade solidária através da ação cooperativa e não individualista. A ética da identidade, exigida pelo desafio de uma educação voltada para a constituição de identidades responsáveis e solidárias, compromissadas com a inserção em seu tempo e em seu espaço, pressupõe o aprender a ser objetivo máximo da ação que educa e não se limita apenas a transmitir conhecimentos prontos.

    Tais princípios são a base que dá sentido a área de Ciências Humanas e suas Tecnologias. O trabalho e a produção, a organização e o convívio social, a construção do "eu" e do "outro" são temas clássicos permanentes das Ciências Humanas e da Filosofia. Constituem objetos de conhecimentos de caráter histórico, geográfico, econômico político, jurídico, sociológico, antropológico, psicológico e, sobretudo, filosófico. Já apontam, por sua própria natureza, uma organização interdisciplinar.

    Unidade 3

    Agrupados e reagrupados, a critério da escola, em disciplinas específicas ou em projetos, programa e atividades que superem a fragmentação disciplinar, tais temas e objetos, ao invés de uma lista infindável de conteúdos a serem transmitidos e memorizados, constituem a razão de ser do estudo das Ciências Humanas no Ensino Médio.

    Sintetizando e coroando essas preocupações, retomam ao currículo os conteúdos filosóficos. Em referência à tradição do estudo das humanidades, é na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias que eles vêm se situar. Entretanto, deve-se ter em conta o caráter transdisciplinar de que se reveste a Filosofia, quer enquanto Filosofia da Linguagem ou enquanto Filosofia da Ciência. Da mesma forma, a História, que deverá estar presente também enquanto História das Linguagens e História das Ciências e das Técnicas, não na perspectiva tradicional da História Intelectual que se limita a narrar biografias de dentistas e listar suas invenções e descobertas, mas da nova História Cultural, que enquadra o pensamento e o conhecimento nas negociações e conflitos da ação social. Filosofia e História, assim, tomam-se instrumentais para a compreensão do significado social e cultural das linguagens, das ciências - naturais e humanas - e da tecnologia.

    A presença das tecnologias na área de Ciências Humanas dá-se a partir do alargamento do entendimento da própria tecnologia, tanto como produto quanto como processo. Se, enquanto produto as tecnologias apontam mais diretamente as Ciências da Natureza e a Matemática, enquanto processo, remetem ao uso e às reflexões que sobre elas fazem as três áreas de conhecimento.

    Entretanto, uma compreensão mais ampla da tecnologia como fenômeno social permite verificar o desenvolvimento de processos tecnológicos diversos, amparados nos conhecimentos das Ciências Humanas, É preciso, antes de tudo, distinguir as tecnologias das Ciências Humanas em especificidade ante as das Ciências da Natureza. Enquanto estas últimas produzem tecnologias "duras", configuradas em ferramentas e instrumentos materiais, as Ciências Humanas produzem tecnologias ideais, isto é referidas mais diretamente aos pensamentos e as ideias, tais como as que envolvem processos de gestão e seleção e tratamento de informações, embasados em recortes sociológicos.

    Outro aspecto que permite associar as tecnologias às Ciências Humanas diz respeito ao uso que estas fazem das tecnologias originárias de outros campos de conhecimento, como o recurso aos satélites e à fotografia aérea na cartografia. E, por fim, cabe ainda a área de Ciências Humanas a construção da reflexão sobre as relações entre a tecnologia e a totalidade cultural, redimensionando tanto a produção quanto a vivência cotidiana dos homens.

    Inclui-se aqui o papel da tecnologia nos processos econômicos e sociais e os impactos causados pelas tecnologias sobre os homens, exemplo da percepção de um tempo fugidio ou eternamente presente, em decorrência da aceleração do fluxo de informações.

    Sem dúvida, é através da referência a contextos concretos e não abstratamente que se pode atribuir sentido às tecnologias na área de Ciências Humanas. Na organização curricular das escolas a tecnologia, enquanto tema ou aplicação, produto ou processo, poderá constituir um excelente recurso para o tratamento contextualizado aos conhecimentos da área.

    A presença de uma educação tecnológica no Ensino Médio como um todo e, em particular, na área de Ciências Humanas, propicia aos estudantes a construção e a apropriação de um significativo instrumental tanto de análise quando de ação sobre os diversos aspectos da vida em sociedade. Os conhecimentos humanistas agem no sentido de despir as novas tecnologias de sua aparente artificialidade e distanciamento diante do humano. Evitam-se, com isso, os riscos de uma naturalização das tecnologias e promove-se a culturalização de sua compreensão. E, desta, forma, assegura-se um papel novo para a aprendizagem em Ciências Humanas na escola básica: o de humanizar o uso das novas tecnologias, recolocando o homem no centro dos processos produtivos e sociais.

    Unidade 3

    Procuramos agrupar as competências básicas e específicas da área, que foram acima descritas, com base em três grandes campos de competências de caráter geral que se aplicam às três áreas da organização curricular e do Ensino Médio, compreendidas a partir de sua essência enquanto campos de conhecimento. O objetivo desse rearranjo é auxiliar as equipes escolares na tarefa de construir uma proposta curricular de caráter efetivamente interdisciplinar, cruzando os diversos conhecimentos específicos. Assim temos competências ligadas a representação e comunicação, investigação e compreensão e contextualização sociocultural.

    As competências de representação e comunicação apontam as linguagens como instrumento de produção de sentido e, ainda, de acesso ao próprio conhecimento, sua organização e sistematização.

    As competências de investigação e compreensão apontam os conhecimentos científicos, seus diferentes procedimentos, métodos e conceitos, como instrumentos de intervenção no real e da solução de problemas.

    As competências de contextualização sociocultural apontam a relação da sociedade e da cultura, em sua diversidade, na constituição do significado para os diferentes saberes.

    Competências e habilidades a serem desenvolvidas em História.

    Representação e comunicação
  • Criticar, analisar e interpretar fontes documentais de natureza diversa, reconhecendo o papel das diferentes linguagens, dos diferentes agentes sociais e dos diferentes contextos envolvidos em sua produção.
  • Produzir textos analíticos e interpretativos sobre os processos históricos, a partir das categorias e procedimentos próprios do discurso historiográfico.
  • Investigação e compreensão
  • Relativizar as diversas concepções de tempo e as diversas formas de periodização do tempo cronológico, reconhecendo-as como construções culturais e históricas.
  • Estabelecer relações entre continuidade/permanência e ruptura/transformação nos processos históricos.
  • Construir a identidade pessoal e social na dimensão histórica, a partir do reconhecimento do papel do indivíduo nos processos históricos simultaneamente como sujeito e como produto das mesmas.
  • Atuar sobre os processos de construção da memória social, partindo da crítica dos diversos “lugares de memória” socialmente instituídos.
  • Contextualização sociocultural
  • Situar as diversas produções da cultura – as linguagens, as artes, a filosofia, a religião, as ciências, as tecnologias e outras manifestações sociais – nos contextos históricos de sua constituição e significação.
  • Situar os momentos históricos nos diversos ritmos da duração e nas relações de sucessão e/ou de simultaneidade.
  • Comparar problemas atuais e de outros momentos históricos.
  • Posicionar-se diante de fatos presentes a partir da interpretação de suas relações com o passado
  • Representação e comunicação
  • Entender a importância das tecnologias contemporâneas de comunicação e informação para planejamento, gestão, organização e fortalecimento do trabalho de equipe.
  • Investigação e compreensão
  • Compreender os elementos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e a dos outros.
  • Compreender a sociedade, sua gênese e transformação, e os múltiplos fatores que nela intervêm, com produtos da ação humana; a si mesmo como agente social; e os processos sociais como orientadores da dinâmica dos diferentes grupos de indivíduos.
  • Entender os princípios das tecnologias associadas ao conhecimento do indivíduo, da sociedade e da cultura, entre as quais as de planejamento, organização, gestão, trabalho de equipe, e associá-las aos problemas que se propõem resolver.
  • Contextualização sociocultural
  • Compreender o desenvolvimento da sociedade como processo de ocupação de espaços físicos e as relações da vida humana com a paisagem em seus desdobramentos políticos, culturais, econômicos e humanos.
  • Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas associando-as às práticas dos diferentes grupos a atores sociais, aos princípios que regulam a convivência em sociedade, aos direitos e deveres da cidadania, à justiça e à distribuição dos benefícios econômicos.
  • Traduzir os conhecimentos sobre a pessoa, a sociedade, a economia, as práticas sociais e culturais em condutas de indagação, análise, problematização e protagonismo diante de situações novas, problemas ou questões da vida pessoal, social, política, econômica e cultural.
  • Entender o impacto das tecnologias associadas às Ciências Humanas sobre sua vida pessoal, os processos de produção, o desenvolvimento do conhecimento e a vida social.
    Aplicar as tecnologias das Ciências Humanas e Sociais na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.
  • Fonte: BEZERRA, Holin Gonçalves. Orientações Curriculares – Ensino Médio – História, 2005.

    Clique aqui para ampliar
    Representação e comunicação
  • Criticar, analisar e interpretar fontes documentais de natureza diversa, reconhecendo o papel das diferentes linguagens, dos diferentes agentes sociais e dos diferentes contextos envolvidos em sua produção.
  • Produzir textos analíticos e interpretativos sobre os processos históricos, a partir das categorias e procedimentos próprios do discurso historiográfico.
  • Investigação e compreensão
  • Relativizar as diversas concepções de tempo e as diversas formas de periodização do tempo cronológico, reconhecendo-as como construções culturais e históricas.
  • Estabelecer relações entre continuidade/permanência e ruptura/transformação nos processos históricos.
  • Construir a identidade pessoal e social na dimensão histórica, a partir do reconhecimento do papel do indivíduo nos processos históricos simultaneamente como sujeito e como produto das mesmas.
  • Atuar sobre os processos de construção da memória social, partindo da crítica dos diversos “lugares de memória” socialmente instituídos.
  • Contextualização sociocultural
  • Situar as diversas produções da cultura – as linguagens, as artes, a filosofia, a religião, as ciências, as tecnologias e outras manifestações sociais – nos contextos históricos de sua constituição e significação.
  • Situar os momentos históricos nos diversos ritmos da duração e nas relações de sucessão e/ou de simultaneidade.
  • Comparar problemas atuais e de outros momentos históricos.
  • Posicionar-se diante de fatos presentes a partir da interpretação de suas relações com o passado
  • Representação e comunicação
  • Entender a importância das tecnologias contemporâneas de comunicação e informação para planejamento, gestão, organização e fortalecimento do trabalho de equipe.
  • Investigação e compreensão
  • Compreender os elementos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e a dos outros.
  • Compreender a sociedade, sua gênese e transformação, e os múltiplos fatores que nela intervêm, com produtos da ação humana; a si mesmo como agente social; e os processos sociais como orientadores da dinâmica dos diferentes grupos de indivíduos.
  • Entender os princípios das tecnologias associadas ao conhecimento do indivíduo, da sociedade e da cultura, entre as quais as de planejamento, organização, gestão, trabalho de equipe, e associá-las aos problemas que se propõem resolver.
  • Contextualização sociocultural
  • Compreender o desenvolvimento da sociedade como processo de ocupação de espaços físicos e as relações da vida humana com a paisagem em seus desdobramentos políticos, culturais, econômicos e humanos.
  • Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas associando-as às práticas dos diferentes grupos a atores sociais, aos princípios que regulam a convivência em sociedade, aos direitos e deveres da cidadania, à justiça e à distribuição dos benefícios econômicos.
  • Traduzir os conhecimentos sobre a pessoa, a sociedade, a economia, as práticas sociais e culturais em condutas de indagação, análise, problematização e protagonismo diante de situações novas, problemas ou questões da vida pessoal, social, política, econômica e cultural.
  • Entender o impacto das tecnologias associadas às Ciências Humanas sobre sua vida pessoal, os processos de produção, o desenvolvimento do conhecimento e a vida social.
    Aplicar as tecnologias das Ciências Humanas e Sociais na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.
  • Fonte: BEZERRA, Holin Gonçalves. Orientações Curriculares – Ensino Médio – História, 2005.

    Explicando melhor com a pesquisa

    Sugerimos que leia o artigo História sem causa:” A história cultural, a grande narrativa e o dilema pós-colonial” no qual examina o declínio das grandes narrativas historiográficas norte-americanas, associado ao auge da nova história cultural. A influência da antropologia cultural, com destaque para Clifford Geertz, resultou no privilegiamento da micro-história e no eclipse dos processos de causação e explicação. Ao mesmo tempo, muitos historiadores pós-modernos continuam referendando, ainda que não explicitamente, narrativas eurocêntricas da transição à modernidade.

    Portanto, as críticas do eurocentrismo — o impulso para "provincializar a Europa" — vêm de duas tendências: a nova história mundial, cujos seguidores estão repensando as grandes narrativas, ainda que utilizem métodos históricos bastante tradicionais; e a teoria pós-colonial, com destaque para Dipesh Chakrabarty. Este autor, um crítico incisivo da historiografia eurocêntrica, não consegue oferecer alternativas justamente por rejeitar toda narrativa "historicista". Em contraste, o historiador da África, Steven Feierman, defende a necessidade de reconstruir grandes narrativas, que propiciem pontos de referência e permitam superar o dilema pós-colonial.

    O indivíduo que detém o conhecimento teórico e metodológico de escrever e estudar a história denomina-se historiador, é considerado a autoridade do assunto. Esses profissionais preocupam-se com a narrativa metódica e contínua, mas também com a narrativa que pode ser subjetiva e descontínua, bem como também com a pesquisa dos acontecimentos passados relacionados com os homens, e também com o estudo dos eventos que ocorreram ao longo do tempo e também no espaço.

    Embora o termo historiador refira-se para descrever tanto os profissionais quanto os amadores, geralmente costuma ser empregado para aqueles que obtiveram uma graduação acadêmica na disciplina. Então caro estudante você que será um futuro historiador é imprescindível ler sobre Teoria da História, de Pedro Paulo Abreu Funari e Glaydson José da Silva. O texto faz um retrospecto da visão histórica que começou por ser mera reflexão sobre o passado e evoluiu de tal forma que mesmo o conceito de ‘passado’ se modificou, dada a continuidade que este implica. Fala de Heródoto, o ‘pai da História’ assim denominado por Cícero, para quem História era testemunho se possível ocular, mas era especialmente memória - essa que depois foi posta sob suspeita pelos historiadores.

    Leitura Obrigatória

    BACELLAR(2011)

    Sugerimos a leitura da obra Fontes Históricas indicado tanto para quem já coloca quanto para quem pensa em colocar as "mãos na massa", penetrar em arquivos, ouvir depoimentos, manusear documentos, escarafunchar vestígios da cultura material ou simbólica, decifrar impressos ou audiovisuais em busca das experiências de nossos antepassados. Ao abordar os "usos e abusos das fontes", os métodos e as técnicas utilizados pelos pesquisadores em seu contato com vestígios e testemunhos do passado humano, este livro, escrito por especialistas experientes, dialoga diretamente com historiadores e aspirantes no contexto da realidade brasileira.

    Após a leitura da obra faça uma abordagem dos métodos e técnicas utilizados pelos pesquisadores.


    Pesquisando na Internet

    Para aperfeiçoar mais seus conhecimentos sugerimos que você busque na internet o seguinte tema: “Quais as competências e habilidades que o aluno deve adquirir no ensino de História?”.

    Após a sua pesquisa faça um texto comentando sobre o assunto.

    Para aperfeiçoar mais seus conhecimentos sugerimos que você busque na internet o seguinte tema: “Porque existe conflito entre as diferentes posturas de Ensino?”.

    Após a sua pesquisa expresse sua opinião argumentativa.

    Saiba mais

    Sugerimos que leia a entrevista com Peter Burke, com o tema A função do historiador no século XXI, poliglota e um dos historiadores mais renomados do mundo, doutor Honoris Causa pelas Universidades de Lund, Copenhague e Bucareste. Mesmop. Uma pessoa simples e serena sua produção científica inclui mais de 23 livros, entre os quais se ressaltam importantes trabalhos sobre a Idade Moderna e o Renascimento, e pesquisas sobre teoria e metodologia da história cultural. Um entusiasta ilustrado que evita repetir paisagens e procura levar suas ideias a todos os lugares possíveis. Este foi um dos motivos que o trouxe ao Brasil, país de nascimento de sua esposa, a também historiadora Maria Lucia Pallares-Burke. Vale a pena conferir!

    Vendo com os olhos de ver

    Para aprimorar seus conhecimentos sugerimos que assista aos seguintes vídeos:

    Neste vídeo Introdução aos Estudos Históricos – Unidade 1, o professor Paulo César dos Santos abordará assuntos como: O que é História, Dimensões mitológicas, as primeiras formulações conceituais de História, o nome que se dá a escrita de História, a Escola dos Annales e sobre a corrente historiográfica Marxista.

    No vídeo Introdução aos Estudos Históricos – Unidade 2, o professor abordará o profissional de História, fontes históricas, fontes escritas, fontes não escritas, fontes primárias e secundárias.

    No próximo vídeo Introdução aos Estudos Históricos – Unidade 3, o professor abordará como construir o conhecimento histórico, como ensinar história, qual a responsabilidade do historiador, funções sociais de historiadores, o sentido da história no tempo contemporâneo, a relação entre tempo e a História, as principais concepções de tempo na atualidade, uma rápida explicação do Positivismo, Marxismo e os Annales, temporalidade e duração e a temporalidade no ensino de História.

    Neste vídeo de Introdução ao Estudo Histórico, na qual professora Silva Meira da equipe de História do Projeto Nota Máxima de Educação Digital abordará assuntos como: O tempo e a História, Fontes históricas, conceito de História e Evolução da Historiografia.

    Após assistir aos vídeos faça um resumo geral sobre o tema Introdução aos Estudos Históricos.

    Revisando

    Vimos nesta disciplina que a palavra História é de origem grega e significa informação, investigação. A História, enquanto explicação de determinada realidade, nasceu com a filosofia. Desde o início elas estão bem próximas. As duas disciplinas buscam entender, investigar, interpretar e analisar o homem na sociedade.

    Na antiguidade, os historiadores preocupavam-se com a realidade mais próxima, atentando para o presente. Deixaram de preocupar-se com questões de origem, principalmente aquelas atemporais, e buscaram entender o momento a partir de explicações reais no presente e no passado.

    Com a queda do império romano e o advento do cristianismo, a história sofreu bastante influência cristã. O processo histórico fundamentou-se e justificou-se em torno da concepção de mundo cristã, principalmente, a marcação do tempo.

    Com o fim da Idade Média e o predomínio do cristianismo no início da modernidade, século XVI, o homem passou a ser o centro do mundo. E assim, uma concepção racional do mundo substituiu o dogmatismo cristão. Do século XVI ao XIX, técnicas são aperfeiçoadas no intuito de preparar, abordar e criticar novas fontes para a interpretação histórica.

    Também vimos a história na sua multiplicidade de abordagens: A Escola dos Annales que surgiu na França e foi denominada “escola francesa”. Seus principais representantes foram Marc Bloch e Lucien Febvre. Esses pesquisadores publicaram seus trabalhos na revista intitulada: História Econômica e Social. Esses autores contestaram a história política, narrativa e factual e foram responsáveis por consideráveis mudanças no conhecimento histórico, pois utilizaram nas suas pesquisas métodos e técnicas de outras disciplinas.

    No entanto, objetivaram nas suas pesquisas privilegiar aspectos estruturais (econômicos, políticos, culturais, religiosos, etc.) Buscaram entender os grupos humanos na sua complexidade e, para isso, dialogaram com outras disciplinas como sociologia, economia, política, etc.

    A História Demográfica que privilegia nos seus estudos as populações nas suas variações quantitativas e qualitativas buscando compreender os aspectos mais comprometidos com as categorias populacionais, obtidos, em grande parte, por meio de métodos estatísticos e da abordagem quantitativa.

    Dessa forma, possibilita perceber elementos presentes no cotidiano social de uma determinada sociedade. A História da Cultura Material que estuda a relação dos objetos materiais com os múltiplos aspectos vivenciados pelos seres humanos. O historiador da cultura material se detém em analisar nos seus estudos, principalmente, o material que pode ser durável ou perecível, sendo que no segundo caso privilegiará os usos, apropriações sociais, técnicas, importância econômica e a necessidade social e cultural dos objetos.

    A História das Mentalidades que busca compreender o social e sua relação com o pensamento e com o modo de sentir. Historiadores dessa área privilegiam nas suas pesquisas temas considerados pouco convencionais como, por exemplo, práticas de feitiçaria e o sentimento do medo no homem ocidental.

    A História Cultural que privilegia nas suas abordagens as múltiplas manifestações presentes na cultura popular. Os historiadores culturais compreendem que toda produção humana é objeto de estudo da história. Tanto faz ser material como imaterial: artefatos, culinária, linguagens, experiências, práticas, todos esses elementos formam a teia da vida social.

    A História do Imaginário que por sua vez busca compreender as imagens produzidas por uma sociedade, sejam elas imagens verbais ou mentais, procurando captar os elementos simbólicos e construir representações. Desse modo, possibilita a formação de uma relação do campo imaginário tanto com as representações como também com os símbolos.

    Podemos observar que o historiador tem como intenção estudar a presença do homem no espaço, cultura e tempo determinado. Atualmente, cada vez mais os historiadores destacam nas suas pesquisas o tempo do processo histórico no qual analisam os acontecimentos do cotidiano e onde se dão as mudanças rápidas como também as lentas.

    Dessa forma, o objetivo principal da história é possibilitar a compreensão da realidade experimentada, tendo em vista a prática do homem como sujeito do processo histórico. Vimos que especialmente a partir da década de 1930, com o avanço das ideias socialistas e o crescimento do movimento operário, grande parte dos historiadores ocidentais desenvolveu uma história social do trabalho e do movimento socialista.

    Desta forma, a história social surgiu como abordagem que buscou estudar os grupos sociais nos seus comportamentos e relacionamentos utilizando para isso metodologias que empregavam análises quantitativas de fontes históricas - fontes eleitorais, fiscais, demográficas, cartorárias e judiciais.

    Sendo que com a crise dos estruturalismos, os métodos quantitativos deixaram de ser priorizados e buscou-se problematizar as identidades sociais e suas relações, aproximando-se da noção de comunidade, termo muito usado na antropologia. Essa aproximação com a antropologia permitiu a história social privilegiar nas suas abordagens aspectos socioculturais, dando ênfase, principalmente, na cultura.

    Neste material tivemos a oportunidade de refletir sobre a história da educação no Brasil, tendo em vista as suas várias concepções de ensino a longo da história, bem como entender a partir do passado a educação da atualidade.Foi apresentado um pequeno contexto histórico, e uma reflexão sobre os conflitos entre as diferentes posturas de ensino e por fim refletir sobre a teoria da complexidade e a sua relação com a educação contemporânea.

    A formação do Brasil implica necessariamente na estruturação de nosso modelo de ensino porque desde os primeiros anos de nossa descoberta sofremos da falta de estrutura e investimento nessa área. Surge claramente um dos fundamentos da baixa escolaridade de nossa população e da falta de recursos para a eliminação das diferenças entre as classes.

    A História, a Sociologia, a Ciência Política, o Direito, a Economia, a Psicologia, a Antropologia e a Geografia - esta última, a meio caminho entre as Ciências Humanas e as Naturais - contribuíram por toda a parte para a superação das humanidades clássicas.

    As Ciências Humanas alcançaram ampla significação e prestígio nas sociedades de nosso século e seus pesquisadores passaram a ocupar postos de grande relevância na vida política e nos órgãos da administração pública, em diversas partes do mundo.

    Podemos observar que a presença de uma educação tecnológica no Ensino Médio como um todo e, em particular, na área de Ciências Humanas, propicia aos estudantes a construção e a apropriação de um significativo instrumental tanto de análise quando de ação sobre os diversos aspectos da vida em sociedade.

    O modelo desorganizado de nosso sistema educacional gera absurdos como as que vemos nas instituições de ensino público superior. Ou seja, os que deveriam ter acesso a escola pública superior não conseguem e os que podem pagar adentram as portas das universidades públicas.

    Vimos de forma rápida desde os primórdios da Educação, e que a partir dos anos 30 e 40 do Século XX, as Ciências Humanas no Brasil encontraram enorme renovação. Ao longo desse processo de desenvolvimento das Ciências Humanas,as humanidades foram progressivamente superadas na cultura escolar. Mas não foi só no Brasil que isso se deu.

    Ao longo desse processo de desenvolvimento das Ciências Humanas, as humanidades foram progressivamente superadas na cultura escolar. Mas não foi só no Brasil que isso se deu. A História, a Sociologia, a Ciência Política, o Direito, a Economia, a Psicologia, a Antropologia e a Geografia - esta última, a meio caminho entre as Ciências Humanas e as Naturais - contribuíram por toda a parte para a superação das humanidades clássicas.

    As Ciências Humanas alcançaram ampla significação e prestígio nas sociedades de nosso século e seus pesquisadores passaram a ocupar postos de grande relevância na vida política e nos órgãos da administração pública, em diversas partes do mundo.

    Podemos observar que a presença de uma educação tecnológica no Ensino Médio como um todo e, em particular, na área de Ciências Humanas, propicia aos estudantes a construção e a apropriação de um significativo instrumental tanto de análise quando de ação sobre os diversos aspectos da vida em sociedade.

    Autoavaliação

    1. Qual a origem da palavra História? O que ela significa?
    2. Antes da história como os homens explicavam sua origem e sua vida?
    3. Qual a relação entre a história e a filosofia?
    4. Comente a influencia exercida pelo cristianismo na história ocidental.
    5. Qual a relação estabelecida a partir do século XIX entre erudição e a razão histórica?
    6. O que significa materialismo histórico?
    7. O que foi a Escola dos Annales? Os historiadores dessa escola eram desfavoráveis a que abordagens históricas? Quais métodos e técnicas utilizavam nas suas pesquisas?
    8. O que significa História Demográfica? Os historiadores demográficos analisam quais aspectos da sociedade? E como abordam esses aspectos?
    9. A que se propõem a História da Cultura Material? E qual seu campo de ação?
    10. A História das Mentalidades aborda quais dimensões do social?
    11. A partir da Educação do passado como podemos entender a educação da atualidade?
    12. A História do Imaginário detém-se em analisar, principalmente, as imagens pela sociedade. Que imagens são essas. Teça seu comentário.
    13. Qual o principal objetivo do conhecimento histórico?
    14. Escreva algumas linhas sobre o oficio do historiador.
    15. Por que o tempo é a principal dimensão de análise do historiador?
    16. O que você entende por história social?
    17. Segundo Xavier como ele define escola tradicional e escola nova?
    18. Quais as competências e habilidade que devem ser desenvolvidas em História?

    Bibliografia

    BARROS, J. d'A. Os Campos da História: uma introdução às especialidades da História. Revista HISTEDBR on-line, v. 16, p. 17-35, 2004.

    BEZERRA, Holin Gonçalves. Orientações Curriculares – Ensino Médio – História, 2005.

    BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2002.

    BORGES, Vavy Pacheco. O que é história. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005.

    BOURDÉ, Guy; MARTIN, Hervé. As escolas históricas. Portugal: Editora Mira-Sintra, 1983.

    BURKER, Peter. A Escrita da História: Novas Perspectivas. São Paulo: UNESP, 2001.

    ______________ A Escola dos Annales (1929-1989): a Revolução Francesa da Historiografia. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1997.

    CARDOSO, Ciro F. VAINFAS, Ronaldo (Orgs).Domínios da História. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.

    CASTRO, Hebe. História social. Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, p. 46, 1997.

    FALCON, Francisco; CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. História e poder. 1997.

    FEBVRE, Lucien. Combates pela História. 3.ed. Lisboa: Presença, 1989.

    FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 9.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005.

    FUNARI, Pedro Paulo Abreu; SILVA, Glaydson José da. Teoria da História. São Paulo: Braziliense, 2008.

    HOBSBAWM, Eric. História Social do Jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.

    _________________ Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

    __________________. Tempos interessantes: uma vida no século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

    HUNT, Lynn Avery. Nova História Cultural. São Paulo: Martins Editora, São Paulo, 2001

    LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. História Novos Problemas. Rio de Janeiro: Ed Francisco Alves, 1995.

    ________________________ História Novas Abordagens. Rio de Janeiro: Ed Francisco Alves, 1995.

    _________________________ História Novos Objetos. Rio de Janeiro: Ed Francisco Alves, 1995.

    MORIN, Edgar. O paradigma perdido: a natureza humana. 1973.

    PETRAGLIA, I.C.; MORIN, E. A Educação e a Complexidade do Ser e do Saber. Rio de Janeiro: Vozes, 1998.

    REIS, José Carlos. A História: entre a filosofia e a ciência. 3.ed. Belo Horizonte: Autentica, 2006.

    REIS, José Carlos. A História: entre a filosofia e a ciência. 3.ed. Belo Horizonte: Autentica, 2000.

    REIS, José, Carlos. História e Teoria: Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

    REIS, Daniel Aarão; RIDENTI, Marcelo; MOTTA, Rodrigo Patto Sá. O golpe e a ditadura militar 40 anos depois (1964-2004). Bauru. SP: Edusc, 2004.

    ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2001.

    SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia: teorias da educação, curvatura da vara. 32ª edição – Campinas, Autores Associados, 2003.

    THOMPSON, E.P. Costumes em Comum: Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

    ______________. A Formação da Classe Operária Inglesa. São Paulo: Paz Terra, 1988.

    ______________. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. São Paulo: UNICAMP, 2001.

    VAIFAS, Ronaldo; CARDOSO, Ciro Flamarion. Domínios da História. São Paulo: ed. Campus, 1997.

    VEYNE, Paul. Como se escreve a história: Foucault revoluciona a História. 4 ed. Brasilia: UNB, 1998.

    XAVIER, Antonio Carlos da R. Reflexões sobre a qualidade da educação e a gestão da qualidade total nas escolas. Antunes, Ana Maria de C. e outros. Estado e educação. Campinas, Papirus, p. 223-230, 1992.

    Bibliografia Web

    BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/cienciah.pdf

    BURKE, Peter. A função do historiador no século XX, 2003. Entrevista a Globo Universidade. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/noticia/2013/08/em-entrevista-peter-burke-comenta-funcao-do-historiador-no-seculo-xxi.html

    FUNARI, Pedro Paulo; SILVA, Glaydson José da. Teoria da História. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/103946674/Teoria-Da-Historia-Funari-e-Silva#scribd

    REIS, José Carlos. História & Teoria: Historicismo, Modernidade, Temporalidade, Verdade. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Editora FGV , 2005. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=0RUhFWcxKegC&printsec=frontcover&dq=Hist%C3%B
    3ria+e+Teoria:+Historicismo,+Modernidade,+Temporalidade+e+Verdade&hl=pt- BR&sa=X&ei=
    vapTVeGPB4bHsQTQm4DoBA&ved=0CB0Q6AEwAA#v=onepage&q=Hist%C3%B3ria%20e%20
    Teoria%3A%20Historicismo%2C%20Modernidade%2C%20Temporalidade%20e%20Verdade&
    f=false

    SCHUCK Neivor. O problema da Educação no Brasil. Disponível em: http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_3630/artigo_sobre_o-problema-da-educacao-no-brasil

    STIGAR, Robson; SCHUCK Neivor. Refletindo sobre a História da Educação no Brasil. Disponível em: http://www.opet.com.br/site/pdf/artigos/EDUCACAO-refletindo-sobre-a-historia-da-educacao-no-Brasil.pdf

    WEINSTEIN, Barbara. História sem causa? A nova história cultural, a grande narrativa e o dilema pós-colonial. História vol. 22 no.2 Franca, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-90742003000200011&script=sci_arttext

    Iluminismo:

    Foi um movimento intelectual que ocorreu na Europa do século XVIII, e teve sua maior expressão na França, palco de grande desenvolvimento da Ciência e da Filosofia. Teve grande influência a nível cultural, social, político e espiritual.

    Vídeos

    Introdução aos Estudos Históricos - Unidade 1. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qSUysC_Y9Q4

    Introdução aos Estudos Históricos – Unidade 2. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bgijOBp_wow

    Introdução aso Estudos Históricos – Unidade 3. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zqxY8ef2_mo

    Vídeo Aula – História – Introdução ao Estudo da História. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SrUDvZwxa0s&list=PL7Xw67hY81JNt9UzrZgVyBFOyi1LtAHQ0

    Créditos

    Diretor Presidente das Faculdades Inta

    • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

    Pró Diretor de Inovação Pedagógica

    • Prof. Pós Doutor João José Saraiva da Fonseca

    Coordenadora Pedagógica e de Avaliação

    • Profª. Sônia Henrique Pereira da Fonseca

    Gerente de Projetos, Avaliação e Pesquisa

    • Éder Jacques Porfírio Farias

    Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos Tecnológico e Inovadores para Educação

    Coordenador

    • Anderson Barbosa Rodrigues

    Analista de Sistemas Mobile

    • Francisco Danilo da Silva Lima

    Analista de Sistemas Front End

    • André Alves Bezerra

    Analista de Sistemas Back End

    • Luis Neylor da Silva Oliveira

    Diagramador Web

    • Luiz Henrique Barbosa Lima

    Técnico de Informática / Ambiente Virtual

    • Luiz Henrique Barbosa Lima
    • Rhomelio Anderson Sousa Albuquerque

    Equipe de Produção Audiovisual

    Roteirista

    • Alexandre Alves da Silva

    Gerente de Produção de Vídeos

    • Francisco Sidney Souza Almeida

    Edição de Áudio e Vídeo

    • Francisco Sidney Souza Almeida
    • José Alves Castro Braga

    Gerente de Filmagem/Fotografia

    • José Alves Castro Braga

    Operador de Câmera/Iluminação e Áudio

    • José Alves Castro Braga

    Designer Editorial

    • Márcio Alessandro Furlani

    Assessoria Pedagógica/Equipe de Revisores

    • Sônia Henrique Pereira da Fonseca
    • Evaneide Dourado Martins

    Avalie nosso material didático