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Créditos

Diretor Presidente das Faculdades Inta

  • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

Pró Diretor de Inovação Pedagógica

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Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos Tecnológico e Inovadores para Educação

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  • Anaisa Alves de Moura

Sumário

Guia do Estudante

O estudante deverá analisar o tema da disciplina em estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-autor do material didático.
É uma síntese dos temas abordados com a intenção de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem.
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o estudante aprendeu durante a disciplina.
Indicação de livros e sites que foram usados para a constituição do material didático da disciplina.

Biografias dos autores

Gérison Kézio Fernandes Lopes

Gérison Kézio Fernandes Lopes

Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, é especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional - pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, formado em Professor Tutor para Educação à Distância pelo Centro FAPAZ de Ensino e Formação de Professores - CEFOP e cursista do Curso de Extensão de Formação em Tutores Bilíngues pela UFC Virtual, possui o Exame Nacional para Certificação de Proficiência no Uso e no Ensino da LIBRAS e na Tradução e Interpretação da LIBRAS/Português/LIBRAS - PROLIBRAS, Bacharel em Letras LIBRAS pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC com pólo na Universidade Federal do Ceará - UFC. Atualmente é professor da Graduação, Pós-Graduação e da Extensão do Instituto Superior de Teologia Aplicada - INTA, professor substituto da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, em Sobral-Ce e Mestrando em Ciências da Educação.

Antônia Karina Mota Simplício

Antônia Karina Mota Simplício

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, é especialista em Educação Inclusiva e Gestão Educacional pela Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA, formada em Atendimento Educacional Especializado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e curso em LIBRAS e Braile pela SEDUC. Atualmente é professora na SEDUC – CE na sala de Recursos Multifuncional e defensora da Educação Especial, é professora da Graduação na Faculdade de Educação Teológica – IFETE e no Instituto de Estudos e Pesquisas do Vale do Acaraú – IVA.

Apresentação

Olá estudantes!

Você perceberá no decorrer de nossos estudos que os surdos eram vistos pela sociedade como pessoas incapazes, eram tratadas com piedade, compaixão, como pessoas castigadas pelos deuses, como seres enfeitiçados e discriminados.

A história cultural das pessoas surdas não era reconhecida, essas pessoas eram vistas como deficientes, anormais, doentes ou marginais. Sua história de luta e conquista só veio a ser reconhecida após o reconhecimento da Língua de Sinais como língua natural das comunidades surdas. Os estudos sobre a identidade surda e sua subjetividade são caracterizados por posições político-culturais que revelam manifestos e ideais de poder e imposição da comunidade surda, que busca a concretização de suas conquistas.

Conhecer a história dos surdos lhe proporcionará além de conhecimento o auxilio na reflexão de diversos fatos que ocorreram, relacionados à educação dos surdos.

Você poderá se perguntar por que apesar de todo trabalho realizado sobre inclusão ainda existe pessoas surdas excluídas da sociedade?

A educação de surdos, hoje em dia, advoga a solidariedade e o respeito mútuo às diferenças individuais, cujo ponto central está na relevância da sociedade aprender a conviver com as diferenças.

Contudo, muitos problemas são enfrentados na implementação desta proposta, já que a pessoa surda é considerada como sendo diferente, incapaz de realizar atividades do dia a dia e o atendimento às suas características particulares implica formação, cuidados individualizados e revisões curriculares que não ocorrem apenas pelo empenho do professor, mas que dependem de um trabalho de discussão e formação que envolve custos e que tem sido muito pouco realizado.

Autores!

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Marcos na história educacional dos surdos

CONHECIMENTOS

Conhecer os fundamentos históricos educacionais dos surdos, bem como as metodologias aplicadas nesse processo.

HABILIDADES

Identificar as características do processo histórico educacional dos surdos; Reconhecer o surdo dentro da sociedade como cidadão consciente de sua identidade.

ATITUDES

Desenvolver o poder de conscientização no que diz respeito ao processo educacional dos surdos.

A importância de conhecer a História da Educação dos Surdos.

Nesta unidade de estudo você terá a oportunidade de entender a importância da Educação dos Surdos, como eram encaradas pela sociedade, quais as transformações que passaram até os dias de hoje, quem são eles e como a comunidade surda surgiu.

Você já teve a curiosidade de saber sobre a história dos surdos? A história dos surdos lhe dará prazer.

Estudar história em geral é importante, pois através desta conhecemos o passado de uma sociedade, como os homens se organizam e se relacionam, no caso, estudar a história dos surdos nos dará a oportunidade de conhecer o povo surdo, quais as transformações que enfrentaram e o surgimento das comunidades surdas.

A educação do surdo só pode ser compreendida a partir de uma perspectiva mais ampla que abranja a sua história e que mostre quais as fundamentações teóricas, filosóficas, políticas e ideológicas que a embasaram desde o seu início. Você é convidado a partir de agora a viajar nas raízes da história dos surdos.

A História dos Surdos na Idade Antiga

Na história dos surdos, vários povos como os gregos, os egípcios, chineses e romanos os viam com um olhar diferente um dos outros. Vamos elencar cada um deles com suas respectivas visões:

Os gregos viam os surdos como animais, pois para eles o pensamento se dava mediante a fala. Sem a audição eles na época ficavam fora dos ensinamentos e com isso, não adquiriam o conhecimento, por isso eram lançados do alto dos rochedos.

No Egito eram vistos como deuses, pois serviam de mediadores entre os deuses e os Faraós, sendo temidos e respeitados pela população. Mas essa admiração e respeito se limitavam apenas ao Egito, na cultura dos chineses eles deviam ser lançados ao mar. O conjunto de populações celtas que viviam na Gália lançava os surdos ao mar em sacrifício aos deuses Teutates.

Os Romanos privavam os surdos de direitos legais, eles não se casavam, não herdavam os bens da família eram vistos como imperfeitos, sem direito de pertencer à sociedade e diante da religião, a igreja católica considerava os surdos sem salvação, ou seja, não iriam para o reino de Deus após a morte.

Na Roma, o surdo, as pessoas com déficit intelectual e os cegos exerciam tarefas a serviço da corte, tais tarefas eram praticamente iguais, eram serviçais e bobos da corte que eram mantidos nas vilas ou nas propriedades das famílias patrícias como protegidos do pater, que vem do Latim e significa “pai da família”, termo este que se refere a um território ou jurisdição governada por um patriarca.

Pode-se dizer que a condição do sujeito surdo era a mais miserável de todas, pois a sociedade os considerava como imbecis, anormais, incompetentes.

Você pode perceber que a sociedade pregava o homem como um ser forte, sadio e que não cedia à pressão, por tal razão, agia dessa forma, pois acreditavam não ser bom nem para a criança e nem para a República que ela vivesse, já que desde o parto mostrava-se fraca e má constituída e essa seria assim por toda a sua vida. Conforme Carus, poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C., era comum lançarem as crianças surdas ao rio Tibre, para serem cuidadas pelas Ninfas, deusas-espíritos naturais femininos, em especial as crianças pobres.

Aristoteles
Aristoteles

Alguns dos grandes filósofos da Antiguidade também estavam em sintonia com estes procedimentos, em Atenas. Segundo Platão (428 - 348 a.C.), afirma que os que recebiam um corpo com qualquer deformidade eram levados a um paradeiro desconhecido. (PLATÃO apud SILVA 1986, p.124).

Aristóteles (384 - 322 a.C.), dizia que "quanto, a saber, quais as crianças que se deve abandonar ou educar, deve haver uma lei que proíba alimentar toda criança disforme". (ARISTÓTELES apud SILVA, 1986, p.124).

Pessoas cegas, surdas, deficientes intelectuais, deficientes físicos e outros tipos de pessoas nascidas com “má formação,” às vezes, também, eram ligadas a casas comerciais como as tavernas, bordéis, desenvolvendo atividades em circos romanos, em alguns casos serviços simples e em outros humilhantes. Esse costume foi adotado por muitos séculos na História da Humanidade.

Na Idade Média

A Igreja Católica na Idade Média era a principal organização política e econômica da época, a qual mantinha muitas instituições como asilos, hospitais, hospícios, entre outros. Algumas dessas instituições também eram mantidas por ricos senhores, ambos mantinham nos aposentos das instituições pessoas idosas, doentes que não foram agraciados com boas condições de vida, algumas pessoas deficientes eram retiradas do convívio social e também eram mantidas nesses estabelecimentos, passando a viver junto com doentes e moribundos.

Acreditava-se que a pessoa com deficiência tinha que ser conservada e cuidada, transformando a rejeição numa duvidosa proteção discriminatória que estava dividida entre a caridade e o castigo. Para a organização social e cultural, o castigo vinha com o desconforto das algemas, da promiscuidade, a caridade era dizer a estes, que no asilo que estavam, tinha direito a um teto, a uma alimentação. Para os cristãos o castigo é a caridade, pois o melhor meio de salvar a alma de um cristão das garras do demônio era livrando a sociedade de suas condutas indecorosas ou antissocial que o “monstruoso” apresentava.

Santo Agostinho (354-430 d.C) foi um filósofo, escritor, teólogo, responsável pela filosofia patrística e pelo pensamento cristão medieval. Aderiu o pensamento maniqueísta que pregava o bem e o mal.

A ideia defendida por Santo Agostinho era de que os pais de filhos surdos estavam a pagar por algum pecado que haviam cometido. A Igreja Católica, até meados da Idade Média, acreditava que os surdos não possuíam uma alma imortal, uma vez que eram incapazes de proferir os sacramentos. Conforme Silva, (2008: 19), “na Antiguidade, passando pelos gregos, pelos romanos e pela igreja, de Santo Agostino até a Idade Média, os surdos eram considerados seres inferiores e, portanto, não tinham chance de salvação”.

Durante um longo período, no mundo todo, as pessoas deficientes estavam situadas à margem da educação. Estudantes com deficiência eram atendidos separadamente ou exclusos do processo educacional, pois esses não se enquadravam nos padrões de normalidade.

Na história encontramos uma situação que é pouco citada em obras publicadas sobre a história do processo educativo dos surdos. Trata-se de um fato ocorrido antes do Século XVI. Assim como muitas metodologias e técnicas de ensino aprendizagem foram sucumbidas, com o tempo as estratégias educacionais utilizadas pelo Bispo John of Bervely em meados de 700 a 637 d.C., ficaram desconhecidas. Ele conseguiu fazer um surdo falar de forma clara e a igreja considera esse feito como um milagre tomando para si a autoria do fato.

A Idade Moderna

A mudança dessa situação só começou a ser remediada a partir do século XVI, pois nobres que tinham filhos surdos passaram a querer que estes recebessem suas heranças, a nobreza então passou a se preocupar em educá-los para que quando morressem não fosse negado aos seus próprios filhos, o que a eles pertenciam. Surgiu, nessa época, vários educadores como o Monge Beneditino Pedro Ponce de Léon e o Abade Charles Michael de L’Epée .

Dentre os demais educadores e pesquisadores da surdez se destacam o espanhol Juan Pablo Bonet (1579-1629), o alemão Samuel Heinicke (1727- 1790), fundador da primeira escola oral de surdos na Alemanha, o francês Sicard (1742-1822), sucessor de L’Epée, na direção do Instituto Nacional de Surdos-Mudos, o médico cirurgião francês Jean Marc Itard (1774-1838), o americano Thomas Gallaudet (1787-1851), que juntamente com o professor surdo francês, Laurent Clerc (1785 – 1869), fundaram a primeira escola pública para surdos em Hartford, o escocês Alexander Graham Bell (1847-1922), criador do telefone que casou-se com Mabel, surda oralizada.

Pedro Ponce de Leon
Pedro Ponce de Leon

No Século XVI, na Espanha, foi registrado um fato realizado por um monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1520-1584), que dedicou a sua vida a ensinar surdos dos filhos de nobres para que pudessem ter acesso aos bens familiares e a herança continuar no seio da família. Ensinou a falar diversas línguas como grego, latim e italiano, além de conceitos de Física e Astronomia, desenvolvendo métodos para a educação de pessoas surdas, incluindo a datilologia (representação manual das letras do alfabeto), a escrita e a oralização, criando uma escola de professores surdos, com atendimento individualizado e particular.

Juan Pablo Bonet
Juan Pablo Bonet

No período de 1620, na Espanha, Juan Pablo Bonet, segue os passos de Leon e escreve sobre a deficiência auditiva e os problemas de comunicação e em seu livro Reduction de Las Letras y Arte para Ensenar a Hablarlos Mudos, condena os métodos brutais utilizados para o ensino de surdos e apresenta o alfabeto manual, pela primeira vez. Em seu trabalho com surdos proibia os gestos e optava pelo método oral.

Charles Michel de L’Epée
Charles Michel de L’Epée

No século XVIII, surgiram as primeiras iniciativas de educação coletiva para surdos e os primeiros educadores: o abade francês, Charles Michel de L’Epée, o alemão, Samuel Heinicke, e o inglês, Thomas Braidwood, que por intermédio de suas pesquisas, desenvolveram métodos para que a educação de surdos acontecesse. No ano de 1750, na França, o Abade L’Epée se destacou bastante na educação de surdos, ensinou e apoiou os surdos, criando uma escola pública, o Instituto Nacional de Jovens Surdos-Mudos, em Paris, educando os surdos através do método combinado ou sinais metódicos.

Além disso, proporcionou a passagem da educação individual para a educação coletiva. Aprendeu a Língua Gestual utilizada pelos surdos parisienses, à chamada “Antiga Língua Gestual Francesa” e utilizava-a nas aulas adicionando outros gestos que inventou e que lhe permitiram “cunhar” conceitos do francês escrito para os quais, aparentemente, não existiam equivalentes em Língua Gestual. Esta situação deve destacar-se porque durante muito tempo, em todo mundo e mesmo na França, a comunidade surda atribuía a L’Épée a criação da “Langue dês Signes Françaises”.

Nascido por volta de 1712, Charles Michel de L’Epée, ensinava os surdos, por motivos religiosos, através do método manualista ou gestualista, reconhecendo que a Língua de Sinais realmente existia e que ela se desenvolvia, embora não a considerasse uma língua com aspectos gramaticais.

A História Educacional de Surdos mostra que nas ruas da cidade de Paris, perambulavam surdos, foi então que L’Epée se aproximou dos surdos e com eles aprendeu a Língua de Sinais, criando os “sinais metódicos”, uma combinação de Língua de Sinais com gramática francesa. Com o imenso sucesso na educação de surdos, o Abade transformou sua casa em escola pública, que de 1771 a 1785 passou a atender 75 estudantes, número bastante elevado na época.

Roch-Ambroise Cucurron Sicard
Roch-Ambroise Cucurron Sicard

Charles de L’Epée acreditava que os surdos, independentemente de seu nível social, deveriam ter direito a educação de qualidade e que a mesma deveria ser gratuita. Pensamento que também foi adotado por Roch-Ambroise Cucurron Sicard foi um abade francês, seguidor dos pensamentos de Abade L’Épée, ficou conhecido pelo seu trabalho em educar surdos, fundando a escola de surdos de Bordéus, no ano de 1782, e depois sucedeu L’Epée em seu instituto, como diretor.

Também no período de 1750, Samuel Heinicke, na Alemanha, através de suas pesquisas deu os primeiros passos da Filosofia Educacional Oralista, que tem como objetivo principal o ensino de língua oral sem auxílio da língua de sinais, sendo ele precursor e fundador de escolas de orientação oralista que em sua maioria contavam com pequenas quantidades de estudantes (de 9 a 10).

A Idade Contemporânea

O século XVIII é considerado por muitos estudiosos na área da surdez como o período mais fértil da educação dos surdos. Este século foi marcado pelo grande impulso, no sentido de quantidade, com o aumento de escolas para surdos, e qualidade, já que através de sinais, surdos podiam aprender e dominar diversos assuntos e exercer várias profissões. A educação de surdos ficou mais vista pela sociedade, a partir de ações do Abade e seus seguidores que lutavam para o progresso da educação dessa comunidade, surgindo novas perspectivas educacionais para surdos.

Por outro lado, o Abade era considerado como bom educador, pois conseguia educar com qualidade os surdos, sendo a sua escola escolhida pelo governo para poder receber subsídios e então poder expandir-se em outras fontes, foi responsável por ocasionar o sucesso de numerosos professores educadores de surdos. Antes de sua morte em 1789, Abade já havia fundado 21 escolas para pessoas surdas na França e em outros lugares da Europa.

No ano de 1815, Thomas Hopkins Gallaudet (1787 – 1851), professor americano interessado em obter informações sobre a educação de surdos, seguiu para Inglaterra e encontrou-se com a família Braidwood. Eles utilizavam apenas a língua oral na educação de pessoas surdas, sendo que a informação dessa técnica foi negada, fazendo com que fosse então buscar esses subsídios nas escolas gestualistas, que passou a conhecer a língua dos surdos franceses e os métodos de trabalho da escola.

Conhecendo Laurent Clerc, um surdo, professor de surdos, decidiu viajar aos Estados Unidos com Gallaudet, para ajudá-lo em seu projeto. Ao acompanhar Thomas Hopkins Gallaudet aos EUA, Laurent Clerc abriu uma escola para surdos em abril de 1817, a Escola de Hartford. Gallaudet instituiu a Língua Gestual Americana que, ainda, passou a ser usado o inglês escrito e o alfabeto manual. A partir de meados de 1821, as escolas americanas nortearam suas ações com direção a American Sign Languagem – ASL, sendo que neste período houve uma elevação no grau de escolarização dos surdos que podiam aprender com facilidade as disciplinas ministradas em língua de sinais.

Todavia, como os avanços tecnológicos facilitaram a aprendizagem da fala, isso fez com que em 1860 o enfoque oralista se difundisse ganhando forças, motivando os profissionais a tentarem investir na oralização de surdos, sendo o oralismo um método que, ainda hoje em dia, alguns profissionais defendem, sustentando a ideia de que a língua de sinais é prejudicial para aprendizagem de um estudante surdo.

A filosofia oralista se difundiu proclamando a importância da língua oral e a não importância da língua de sinais. A abolição dos sinais na educação de surdos pela filosofia oralista, baseava-se na concepção de língua, pela maioria dos linguístas, como sendo exclusivamente a língua oral, reconhecendo os sinais como meras “mímicas”, sem qualquer valor linguístico, e precisam ser evitados a todo custo, a fim de que o aprendizado da língua oral, por parte do surdo, não fosse estorvado.

A abordagem oral dominou os educadores por muitos anos. Esse era o método mais natural para os ouvintes e como os professores geralmente faziam parte desse grupo usava a fala em sala de aula não conhecendo e nem adotando a competência dos sinais.

Decadência na Educação dos Surdos

Em 1880 no Congresso de Milão representou um momento obscuro na história dos surdos, uma vez que lá um grupo de ouvintes tomou a decisão de excluir a língua gestual do ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo (método de ensino para surdos, no qual se defende que a maneira mais eficaz de ensinar o surdo é através da língua oral, ou falada). Em consequência disso, o oralismo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX.

Essa decisão causou um retrocesso, pois se esses estudantes utilizassem a língua gestual eram punidos. Essas punições consistiam em amarrar as mãos, trancá-los em porões, armários e até mesmo serem castigados fisicamente ou ridicularizados em público.

Contudo, o problema estava bem mais além das severas punições e da distância de familiares, que por consequência da falta de comunicação se afastavam desses estudantes. A privação da língua nos surdos na infância levou a níveis bastante altos de doenças mentais na faixa etária de 30 e poucos anos.

Alexander Graham Bell
Alexander Graham Bell

A partir da morte de Laurent Clerc, forte defensor da Língua de Sinais, o Oralismo ganhou forças, através de Alexander Graham Bell (inventor do telefone e do audiômetro), um dos maiores defensores do Oralismo. Graham Bell era casado com uma surda que se chamava Mabel, ele acreditava que os surdos não deveriam casar entre si, pois se acomodariam e não iriam aprender a língua oral. Ele caracterizava a Língua de Sinais inferior a fala e que só deveria ser usada como um apoio.

No início do século XX todas as escolas deixaram de utilizar a língua de sinais passando a oralizar todos os estudantes surdos, pois o aprendizado da língua oral passa a ser o grande objetivo dos educadores de surdos. Acreditavam que poderiam desenvolver-se como os ouvintes no aprendizado da fala.

Emmanuelle Laboritt
Emmanuelle Laboritt

Mesmo com o Congresso de Milão proibindo, por muito tempo, as pessoas surdas de usarem a língua de sinais, ela resistiu devido à obstinação de seu povo. Dentro das escolas de surdos, muitas crianças a praticava às escondidas entre si, de forma que não fossem percebidos. A atriz francesa Emmanuelle Laboritt (com surdez profunda e congênita recebeu o prêmio Moliéri do teatro).

Em sua obra autobiográfica diz que: “Quando o professor se virava para escrever no quadro-negro, tínhamos hábito de trocar informações na língua de sinais, persuadidos de que ele não nos escutava, já que não nos via. Ora, no começo, ele se voltava todas às vezes, era estranho, não compreendíamos imediatamente por quê. Com o passar do tempo, dei-me conta de que, ao falar com as mãos, sem saber, emitimos ruídos com a boca. A partir daí cuidamos de não mais emitir nenhum som e, desde aquele dia, trocamos nossas lições o mais tranquilamente possível” (LABORITT, 1994:84).

O ensino das disciplinas como História, Geografia, Matemática, entre outras, foi deixado em segundo plano ocorrendo então uma queda nos aperfeiçoamentos desses surdos. Ficando resistente até 1970, o oralismo dominou todo o ensino do mundo, até que William Stokoe publicou o artigo “Sign Language Structure: Na Out line of the visual Comunication System of the American Deaf,” demonstrando que American Sign Language (língua de sinais americana) é uma língua com características iguais às das línguas orais.

William C. Stokoe Jr
William C. Stokoe Jr

William C. Stokoe Jr. (1919 - 2000), foi um estudioso que em seus estudos pesquisou extensivamente a Língua de Sinais Americana – ASL, enquanto trabalhava na Universidade Gallaudet, como professor e chefe do departamento de Inglês, em meados de 1955 a 1970. Dentre suas obras podemos citar a publicação da Estrutura da Língua Gestual e a coautoria do Dicionário de Língua Gestual Americana, que ao abordar seus princípios linguísticos, dava prestígio a ASL nos círculos acadêmicos e pedagógicos.

A publicação de suas obras foi fundamental na mudança da percepção da ASL, que partiu de uma versão simplificada ou incompleta do Inglês para uma complexa e próspera língua natural, com fonética, fonologia, morfologia e sintaxe independente como qualquer língua falada no mundo.

Logo em seguida apareceram diversas pesquisas baseadas na publicação de Stokoe, a qual mostrava a língua de sinais e a sua aplicação na educação e vida de pessoas surdas.

Dorothy Schifflet, professora e mãe de surdos, começou a utilizar e divulgar um método onde a língua de sinais e a língua oral, leitura labial, alfabeto manual (datilologia), treino auditivo estavam presentes na educação de pessoas surdas, fazendo surgir e denominando assim, o seu trabalho de Total Approach, ou seja, abordagem total.

Ainda na década de 60, Ray Hoolean adotou o método de ensino total “approach”, mudando seu nome para total “comunication”, originando a filosofia Comunicação Total. Uma filosofia que utiliza variadas formas possíveis de comunicação para que ocorra sucesso na educação de surdos, acredita nas totais formas de comunicação possíveis na educação escolar do surdo, acreditando que a Comunicação Total não é língua e sim uma Filosofia Educacional.

Já utilizando o inglês sinalizado, a Universidade Gallaudet adotou a Comunicação Total, tornando-se o maior centro de pesquisa da área. Na década de 1970, alguns países tais como Inglaterra e Suécia, perceberam que a Língua de Sinais deveria ser utilizada independentemente de uma língua oral, onde em algumas ocasiões, a língua oral deveria ser utilizada e em outros momentos a Língua de Sinais, e não as duas em igual momento como já estavam sendo desenvolvidas em algumas entidades.

Em meados de 1980 a 1990, surge então a filosofia Bilíngue, afirmando que o surdo deve adquirir sua língua materna, a Língua de Sinais. Essa filosofia a cada dia vem ganhando mais adeptos em todos os lugares do mundo.

Hoje em dia os estudos sobre as Línguas de Sinais, possibilitam que crianças surdas tenham acesso a esta língua como a primeira, o mais cedo possível, tendo como a língua oral de seus pais, a segunda, ou seja, uma abordagem bilíngue para a educação de surdos.

Oralismo

A modalidade oralista baseia-se na crença de que é a única forma desejável de comunicação para o sujeito surdo, e a Língua de Sinais deve ser evitada a todo custo porque atrapalha o desenvolvimento da oralização. Essa técnica de leitura labial: ”ler” a posição dos lábios e captar os movimentos dos lábios de alguém que está falando é só útil quando o interlocutor formula as palavras de frente com clareza e devagar.

Quando médicos, professores e um grupo de ouvintes tomaram a decisão de excluir a língua gestual do ensino de surdos, o oralismo ganhou força e desse modo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX. Ao abolir a Língua de Sinais na Educação de Surdos, se deu a concepção de que os sinais não tinham valores linguísticos, não passavam de mímicas, e que essa necessitava ser evitada, estabelecendo então, que todas as disciplinas escolares fossem repassadas através da Língua Oral.

Para o Oralismo, surdez é uma deficiência que necessita ser minimizada, visando que o surdo viva e seja igual ao ouvinte. A fim de atingir sua meta os oralistas trabalham com um conjunto de especialistas médicos e terapêuticos, tais como neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e otorrinolaringologistas, aproveitando resíduos auditivos caso existam (por meio do aparelho).

O Método Oralista tornou-se dominante e, consequentemente, a Educação Oral apoderou-se, expulsando do meio educacional os professores surdos e banindo a Língua de Sinais que fora considerada uma ameaça para a oralização. Essa metodologia busca o ensino de palavras respaldadas na afirmação de que o surdo tem dificuldade de abstração. O aprendizado da fala se torna mais importante que a aquisição da leitura e da escrita considerando o surdo como um deficiente que precisa ser curado, corrigido, recuperado.

Repercutindo a valorização do Método Oral, as línguas de sinais eram consideradas como método tradicional e essa visão acomodou o surdo, o desmotivou a falar, passando a viver numa “subcultura”. Os surdos eram vistos unicamente como deficientes, e não como um povo, com cultura própria. Com a ênfase dessa filosofia, os surdos eram rotulados como: “surdos-mudos”. Entretanto, a Educação de Surdos com o Método Oral não obteve bons resultados.

Pesquisas revelam resultados esmagadores no requisito da vida acadêmica desses estudantes, foi observado um rebaixamento significativo no desempenho cognitivo dos surdos. Uma pesquisa realizada pelo colégio Gallaudetno no ano de 1972 mostra que o nível de leitura entre os graduados de dezoito anos nas escolas secundárias nos EUA equivalia ao quarto ano do Ensino Fundamental.

O psicólogo R. Conrado, em suas pesquisas evidencia que na Inglaterra o nível dos estudantes surdos de graduação liam a nível de crianças de nove anos de idade. Foi observado, também, que estudantes surdos de 15 a 16 anos que participavam do ensino oral, apenas 25% (vinte e cinco por cento) conseguiam articular a fala de modo compreensível. No quesito leitura e escrita menos de 10% (dez por cento) apresentava um nível de leitura apropriado para a sua idade e 30% (trinta por cento) eram analfabetos. As habilidades de leitura labial eram insatisfatórias.

O processo educacional de surdos norteados pela filosofia oralista não era suficiente para o bom aprendizado da leitura e da escrita de estudantes surdos. Conforme a trajetória educacional dos surdos a língua oral não deu conta das necessidades da comunidade surda e muitos aspectos importantes para o desenvolvimento foram deixados de lado. Quando as línguas de sinais passaram a ser disseminadas, as pessoas surdas puderam se desenvolver intelectualmente, profissionalmente e socialmente.

O Método Oral enfatizou a escrita de forma mecânica, onde o estudante era condicionado à repetição sucessiva de textos, o ensino de surdos através desse método não deu conta da demanda de necessidades por eles apresentadas, formando discentes com baixa compreensão na leitura e na escrita, devido ao vocabulário reduzido, a maioria teve um processo de fala ilegível.

Uma criança só pode construir uma língua se participar inteiramente de uma sociedade, compartilhando seus conceitos, não apenas da aprendizagem imposta da língua oral, que é proposta pelo Oralismo. Essa aprendizagem não pode ser comparada a aquisição espontânea, pois não garante a formação de um sistema que alcance níveis abstratos, já que a aprendizagem da língua oral pela criança surda ocorre de forma sistemática.

Raríssimo são os surdos, que apenas, oralizados conseguem ter bom desempenho em Língua Portuguesa, a não ser aqueles que adquiriram a surdez quando já haviam iniciado o processo de aquisição do Português ou que apresentam surdez leve. Mas mesmo esses apresentam dificuldade na produção de um texto escrito, entretanto no Brasil, assim como em outros países, foram evidenciados no sujeito surdo oralizado dificuldades na aquisição e desenvolvimentos da linguagem e da escrita, assim como um vocabulário limitado.

O surdo sofre atraso na linguagem e sem contato com uma língua natural, não tem condições de adquirir pelo ensino formal, conceitos científicos. O oralismo parece ignorar essas dificuldades que o atraso da linguagem proporciona e continua a posicionar a necessidade do surdo em ser oralizado.

Mesmo alcançando sua meta, o oralismo é insuficiente, pois parte de uma noção de língua e linguagem, que provoca nos surdos um atraso de linguagem e suas consequências, não considera os aspectos cognitivos determinados pela linguagem e pela cultura, prendendo-se ao canal auditivo para a transmissão de conteúdos. Os surdos que não obtêm o sucesso determinado são considerados fracassados, incapazes e perdedores.

Surdos, oralizados ou não, sentem a necessidade de conviver com outros surdos. Essa necessidade de se integrar é uma razão de extrema importância para que a LIBRAS lhes seja oferecida desde cedo. Ao conhecermos a comunidade surda percebemos que muitos, mesmo na idade adulta, sentem a necessidade de aprender LIBRAS e fazer parte da comunidade surda, gerando uma mudança nas atitudes de surdos e educadores perante a Língua de Sinais e suas condições particulares diante a linguística.

Comunicação Total

Comunicação Total

Nos anos Setenta e Oitenta, a Comunicação Total foi utilizada por muitos países. Utilizando de vários artifícios, essa Filosofia Educacional, tem como objetivo integrar o surdo na sociedade ouvinte, acreditando que ele terá uma boa comunicação seja através da fala, sinais ou escrita. E quando comparada ao Oralismo, por meio de estudos e avaliações, chegaram à conclusão de que os surdos obtiveram melhor desempenho na compreensão e comunicação, apesar das dificuldades em expressar os sentimentos e ideias.

Acredita-se que para o surdo obter uma leitura e uma escrita satisfatória, necessitará de diversos artifícios para chegar a uma boa comunicação na língua de seu país. Preocupada com a comunicação de surdos com surdos, surdos com ouvintes e com a aprendizagem da língua oral, que é considerada por esta Filosofia, de grande relevância para o desenvolvimento dos aspectos sociais, cognitivos e emocionais, defende também, a utilização de recursos viso manuais.

Essa visão postula a valorização de abordagens alternativas que permitam ao surdo trocar ideias, sentimentos e informações com ouvintes. A Comunicação Total possui objetivos básicos, o de facilitar a integração do surdo com o meio, e fornecer condições adequadas para o bom desenvolvimento psicolinguístico. Seja pela linguagem oral, por meio dos sinais, datilologia ou pela combinação de todos os métodos, a Comunicação Total permite uma aproximação entre as pessoas envolvidas na educação dos surdos.

Na Comunicação Total se utiliza muito o alfabeto manual para chegar a uma comunicação com os ouvintes, também conhecido como datilologia. A sua difusão gera, entre muitos ouvintes, a pressuposição de que o alfabeto é a própria Língua de Sinais, mas esse é apenas um suplemento dessa língua, sua função é a soletração de nomes, siglas, aqui no Brasil, este possui 27 (vinte e sete) configurações, incluindo as letras k, w, y, e também o ç.

Veja abaixo a representação do alfabeto:

Alfabeto em LIBRAS

O Alfabeto Manual é um sistema gestual e cada letra do alfabeto escrita corresponde a uma configuração específica da mão, é um sistema de escrita no espaço. Ao fazermos a datilologia de um nome, a mão realiza diversas configurações e cada uma representa uma letra da sequência do nome.

Os seguidores dessa filosofia vêem o surdo de forma diferente do oralismo, não como um portador de uma patologia de ordem médica que deveria ser eliminada e sim como uma pessoa normal, permitido assim a aquisição e o desenvolvimento normais da linguagem, afirmando que tudo e qualquer meio que façam o surdo aprender é de suma importância, inclusive, os sinais. Essa filosofia relata que o uso de todos os meios que possam facilitar a comunicação é necessário, desde a fala, passando por todos os sistemas artificiais, até a Língua de Sinais, abrindo canais para comunicações diversas.

A Comunicação Total trabalha simultaneamente com a língua oral e a sinalizada, denominando essa forma comunicativa de bimodalismo, um dos recursos utilizados por essa filosofia no processo de aquisição da linguagem pela criança e na facilitação da comunicação entre surdos e ouvintes. Acredita-se que essa forma de ensino permitirá o estudante surdo decodificar as regras da língua falada na escrita, que deverá aprender por intermédio da língua de sinais. Embora a comunicação entre surdos e ouvintes estivesse melhorando, foi observado que as habilidades de escrita e leitura ainda continuavam abaixo do esperado.

O surdo enfrenta dificuldades em aprender significados, quando ouvintes se comunicam com ele por meio do bimodalismo, uso dos sinais e da fala de forma simultânea. A visão do surdo se sobrecarrega ao tentar ler os lábios do interlocutor, a fim de perceber palavras, e ao mesmo tempo, olhar os formatos das configurações das mãos.

Essa combinação de língua oral com língua de sinais impede o surdo de perceber e distinguir a estrutura sintática da língua oral e de sinais. Por esse motivo, o aprendizado da leitura e da escrita fica prejudicado, consequentemente, os surdos não sabem ler, nem mesmo textos breves e simples e ao escreverem na língua oral de seu país transportam para essa língua a estrutura sintática da Língua de Sinais.

É interessante observar que, mesmo utilizando a Língua de Sinais, a Comunicação Total continuou apresentando dificuldades de aprendizagem no quesito leitura e escrita. Pode-se então, concluir que isso aconteça em virtude de que, a Língua de Sinais, ao ser usado nas práticas dessa filosofia, suas características linguísticas não tenham sido respeitadas como uma verdadeira língua, sendo então utilizada apenas como um subsídio para aprendizagem e não como um elemento principal para o acontecimento da aprendizagem.

Procurando descobrir se o ensino oral e sinalizado estava acontecendo, com efeito, na produção da leitura e escrita, os pesquisadores decidiram filmar os professores no ato da ministração da sua aula, percebendo que a educação não acontecia de forma perfeita.

Com essa filosofia, os surdos despertaram para a valorização da Língua de Sinais, pois o ensino com sinalização não era de forma plena como era para ser, logo emergiu a posição em que a Filosofia da Comunicação Total deveria ser substituída pelo bilinguismo para surdos, o qual afirma que a Língua de Sinais e a língua falada podem viver lado a lado, mas não simultaneamente.

Foi então a partir dessa prática, que a língua de sinais passou a ocupar certo destaque como meio de comunicação efetivo nas Comunidades Surdas. Em alguns países como Suécia e Inglaterra, perceberam que essa língua deveria ser utilizada independentemente da língua oral, e não as duas em momentos iguais, como eram utilizadas. Surge então, a Filosofia Bilíngue, que, ao contrário do Oralismo e da Comunicação Total, defende o respeito e o valor que deve ser dado à Língua de Sinais.

A Comunicação Total admitia na escola o uso dos sinais, não como uma língua de direito do surdo, mas para auxiliar a aquisição da língua oral escrita e falada, mas com o passar do tempo, a língua falada não parecia mais suprir as necessidades da comunidade surda, professores ouvintes de surdos começaram a abrir os olhos para a riqueza das línguas de sinais. As experiências práticas forneceram questionamentos metodológicos para considerar uma nova metodologia, o bilinguismo para surdos.

A combinação Língua Oral e Língua de Sinais foi um obstáculo para o surdo discernir as estruturas de uma língua para a outra, tendo como consequência o aprendizado da leitura e da escrita prejudicado, tornando o surdo um leitor não competente e um escritor limitado a textos pequenos.

A Comunicação Total tem aspectos positivos e negativos, ela ampliou a visão do surdo e da surdez, deslocando a necessidade do surdo ser oralizado e ajudou o processo da utilização dos sinais, mas não a viabilizou suficientemente. Essa filosofia considerou o surdo uma pessoa capaz e a surdez repercutiu nas relações sociais e no desenvolvimento afetivo e cognitivo do surdo.

Bilinguismo para Surdos

Bilinguismo Surdo
Bilinguismo para Surdos

Na Comunicação Total ocorre a utilização simultânea da linguagem oral e gestual, empregando todas as formas possíveis de comunicação, usando a fala, leitura labial, língua oral sinalizada, alfabeto manual, audição residual, e outros, diferenciando-se do bilinguismo que aborda as duas línguas, de forma que, elas sejam usadas sem que uma interfira ou prejudique no aprendizado da outra. Portanto, as línguas seriam usadas em momentos diferentes.

O bilinguismo percebe o surdo de forma diferente do Oralismo e da Comunicação Total, pois nessa filosofia o surdo não necessita almejar uma vida igual a do ouvinte, podendo assumir sua surdez formando uma comunidade, com cultura e língua.

A origem do bilinguismo se dá pela insatisfação de surdos com a proibição da Língua de Sinais e a mobilização de diversas comunidades em prol do uso dessa língua, aliado aos estudos linguísticos, comprovando o status dessa língua. Utilizando, neste viés, a surdez para denominar um grupo linguístico e cultural, e para denominar um grupo por condição física e falta de audição. O bilinguismo tem como foco principal os surdos atendendo-os em sua língua, cultura e aceitando sua forma de agir e pensar.

Quando se fala de bilinguismo no campo da educação de surdos, relata-se à existência de duas línguas nesse ambiente, ou seja, a Língua Oral dos ouvintes, no caso do Brasil, o Português Brasileiro e a Língua de Sinais no caso dos surdos do Brasil, a LIBRAS.

A escrita da língua oral pode ser adquirida de forma plena pela pessoa surda, a metodologia para a aquisição da escrita precisa ser visual, evidenciando a LIBRAS sem focar a relação letra-som, sendo similares às abordadas no ensino de segunda língua. A fala apresenta um papel fundamental na aquisição da escrita, no que se refere aos conceitos e ideias, podendo ser substituído pelos sinais que é a “fala” das línguas de sinais, língua de modalidade gestual visual.

Essa tendência traz como objetivo uma educação que permite aos indivíduos um acesso completo a uma língua natural, que seria a língua de sinais. Após a aquisição desta, seria introduzido a eles a língua escrita de seu país, e seria viabilizada por intermédio da língua de sinais. Na educação de crianças surdas essa abordagem exige um profissional ouvinte, conhecedor da língua de sinais e participante da comunidade surda, que se torna responsável pela transmissão da língua oral e um profissional surdo responsável pela transmissão da língua de sinais.

Educação de Surdos
Educação de Surdos

Esse novo olhar para a Educação de Surdos vem superando muitas dificuldades provenientes dos antigos planos educacionais, sendo apoiado por sua comunidade que pressupõe o reconhecimento de expressão da língua de sinais como ponto central para o desenvolvimento educacional.

Considerando a língua de sinais como a primeira língua dos surdos e a língua da sociedade em que está inserida sua segunda língua, a leitura e a escrita da segunda língua seria uma forma de integração de surdos com ouvintes e essa como já falada será repassada pela Língua de Sinais.

Ao adquirir a língua de sinais, essa língua assume um papel fundamental na aquisição da segunda, a língua oral, possibilitando a construção do conhecimento de mundo, compreendendo o significado da leitura e da escrita, deixando de ser apenas decodificador da escrita que pode ser totalmente acessível à visão, considerada necessária para a construção das habilidades de língua.

O bilinguismo relata que se o surdo não adquirir logo nos primeiros anos de vida a língua de sinais, eles sofrerão consequências como a perda da oportunidade de usar a linguagem. Como o surdo não pode fazer uma leitura do mundo pela fala, então é imprescindível que a outra forma de se comunicar com o mundo seja pela Língua de Sinais. Assim, ele ficará inteirado do mundo. A Língua de Sinais, para os surdos, assim como a língua oral, para os ouvintes, fornece um aparato linguístico cognitivo.

A aquisição de uma primeira língua deve ser assegurada a uma criança, sendo ela surda ou ouvinte, se ela não puder ter uma participação ativa em sua situação comunicativa não poderá contar com um desenvolvimento normal dessa primeira língua, que deverá ser de fácil acesso.

O passo mais importante para concretizar o bilinguismo foi dado na Suécia, o primeiro país a reconhecer, politicamente, o sujeito surdo como uma minoria linguística, com seus direitos políticos assegurando a educação na língua de sinais e na língua falada.

O bilinguismo foi constatado com sucesso na Dinamarca, onde pesquisadores acompanharam durante oito anos, nove crianças surdas, de seis aos quatorze anos de idade, obtendo bons resultados na leitura e escrita. O primeiro ano foi dedicado, exclusivamente, ao desenvolvimento da Língua de Sinais usando inicialmente descrições de desenhos animados. Depois de dois anos constataram que sete das nove já se comunicavam fluentemente em sinais, mostrando um vocábulo elevado correspondente a sua idade.

A partir do segundo ano de pesquisa, a língua dinamarquesa falada e escrita foi introduzida como primeira língua estrangeira, alguns já tinham grandes habilidades devido os programas de leitura precoce. Neste ensino de leitura e escrita foram usados vários recursos entre esses, está à sinalização, a língua falada e os textos escritos.

Houve uma expansão excelente, aos doze anos de idade, cinco das nove tinham nível de leitura conforme o das crianças ouvintes, sendo que ao chegarem aos quatorze anos de idade, nove das crianças conseguiam ler com certa fluência. Foi através desse programa que o bilinguismo, hoje em dia, tem grande aceitação na Dinamarca, por todas as escolas e comunidades em geral.

Como esse é um exemplo do resultado mais eficaz no ensino de pessoas surdas, é necessário colocar essa proposta educacional para os surdos o mais cedo possível, pois, em contato com a língua de sinais, o estudante aparecerá com um desenvolvimento rico e pleno da linguagem, assim logo após a linguagem oficial de seu país será ensinada com base nos conhecimentos adquiridos por intermédio da língua de sinais.

Processo de leitura e escrita dos surdos

Nesse bloco a professora Karina faz uma explanação sobre o tratamento e os termos utilizados aos grupos das pessoas com deficiência, diferenças étnicas, linguísticas, sociais e físicas. Ela também explica como funciona o processo de leitura e escrita dos surdos.

Marcos na História Educacional dos Surdos
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LIBRAS e Cultura Surda

CONHECIMENTOS

Compreender a gramática da Língua de Sinais e compreender como ocorre o processo de aquisição da linguagem do sujeito surdo; Conhecer sobre o profissional Tradutor Intérprete de Língua de Sinais.

HABILIDADES

Reconhecer a dimensão real das lutas do povo surdo e sua difusão da cultura e da identidade surda.

ATITUDES

Aplicar os conhecimentos adquiridos no processo de aquisição da criança surda e contribuir para o desenvolvimento como estudante e cidadão nas Línguas Brasileiras de Sinais

Cultura e Identidade do Povo Surdo

Você sabe o que é cultura? A definição de cultura no sentido amplo são comportamentos de um grupo que vivenciam os mesmos valores, regras comportamentais, tradições e uma língua, compartilhando metas, responsabilidades e ideais.

Podemos definir cultura surda como a forma de entender o mundo, e torná-lo apto a viver em sociedade com identidades ajustadas à sua cultura e também a uma língua diferente dos demais que vivem no mesmo ambiente social.

As releituras do sentido constituído de identidade surda envolvem a língua, ideias, crenças, hábitos e costumes do povo surdo. “A cultura surda é então a diferença que contém a prática social dos surdos e que comunica um significado” (PERLIN, 2004, p. 77).

Segundo Perlin, as identidades surdas adotam as definições a seguir:

[...] As identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis da cultura surda, elas moldam-se de acordo com maior ou menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural, também surge aquela luta política ou consciência oposicional pela qual o individuo representa a si mesmo, se defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam corpo menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre os deficientes, de menos valia social. (PERLIN, 2004, p. 77-78)

As identidades surdas dentro dos aspectos da cultura surda se adaptam de acordo com a receptividade cultural. E através de tal receptividade protegem-se contra a inclusão entre os deficientes, e a sensação de serem recebidos como inválidos.

A comunidade surda é formada por surdos membros da família, tradutora intérprete, professores, amigos e demais que compartilham suas ideias. A surdez ultrapassa a condição médica, ser surdo é pertencer a uma cultura, a uma língua gestual, ao seu idioma natural.

Leitura obrigatória

STROBEL, Karin Lilian. As imagens do outro sobre a Cultura Surda.Florianópolis:Editora da UFSC, 2008.

Os surdos, aglutinados em um mesmo espaço escolar têm possibilidades de trocar ideias, experiências. A partir dessa convivência podem ser criados novos valores dentro de um grupo linguístico comum.

A luta pela conscientização

Você conhece algum surdo? Como a família, a sociedade e a escola, o vê?

Conforme visto em nossos estudos, na antiguidade os surdos eram discriminados, e somente após o reconhecimento das línguas de sinais, o povo surdo começou a se destacar e lutar por seus direitos políticos e culturais, através das línguas de sinais o surdo pode construir sua identidade.

Segundo Perlin, o adulto surdo em contato com outro surdo adotam as definições a seguir:

O grupo onde entram os surdos que fazem uso com experiência visual propriamente dita. O adulto Surdo, em contato com outros Surdos, vai construir sua identidade fortemente centrada no ser Surdo (a Cultura Surda), “a identidade política surda”. É a consciência de ser definitivamente diferente e de necessitar de implicações e recursos completamente visuais. (PERLIN, 2004, p. 77-78) )

Muitos surdos, no Brasil, usam e desenvolvem a LIBRAS, alguns vivem isolados ou em locais onde não existe ou não se conhece a comunidade surda, e se comunicam através de mímicas ou gestos soltos que se fazem compreendidos por aqueles que vivem ao seu redor. A construção da identidade da pessoa surda ocorre inicialmente através de sua aceitação, reconhecimento do seu “eu” como surdo, esse processo ocorre de forma gradativa, muitas vezes na infância ou na fase adulta, com contato com surdos e participação na comunidade surda.

Muitos fatores podem contribuir para o andamento desse processo, dentre estes, podemos destacar a família, que dependendo de sua formação e envolvimento, poderá ajudá-lo a se encontrar como sujeito surdo, pois geralmente quando uma família descobre que tem um filho com surdez essa entra em estado de choque e mistura emoções, tristeza, culpa, surpresa, dúvidas, dentre outros fatores.

Essa reação inicial é comum, pois a maioria dos ouvintes não conhece as possibilidades de desenvolvimento do surdo e acredita que em sua família possui um deficiente e não um sujeito diferente, com língua diferente, mas com a mesma capacidade intelectual de qualquer outra pessoa dita “normal”. Muitas famílias superprotegem seus filhos não os deixando ser independentes ou não acreditando que são capazes de levar uma vida comum, sem a presença de outra pessoa para acompanhá-lo à escola, trabalho, associações, lazeres...

Podemos destacar outro ponto importante para nossa discussão que é a forma como é repassada essa informação para a família pelos profissionais da saúde, pois muitos dizem que o surdo precisa urgente de treinamento de voz, para que esse se ajuste a sociedade através da correção da fala, dos exercícios terapêuticos, leitura labial. É preciso que os profissionais da área da saúde estejam também conscientes da cultura surda, em orientar a família de forma adequada e não criando mitos como: a LIBRAS prejudica a capacidade intelectual, cognitiva da pessoa surda e a desestimula a falar.

O sujeito surdo pode perfeitamente fazer treinamento auditivo, impostação de voz e usar LIBRAS como sua língua natural, mas se este for o seu desejo e de sua família, pois a língua de sinais não impede o desenvolvimento da fala do surdo.

Mas existem fatores que podem dificultar o desenvolvimento do surdo, podemos citar:

• Período em que a surdez é descoberta;

• Encaminhamentos equivocados;

• Filosofias, pensamentos educacionais equivocadas;

• O envolvimento da família com a educação do filho;

• Metodologia educacional escolhida, entre outros.

O processo de conscientização e esclarecimento é demorado, mas precisamos trabalhar para fazer a diferença na vida de pessoas surdas, pois muitas vezes a própria família acha ‘feia’ a LIBRAS e é nesse momento que a Cultura Surda faz a diferença juntamente com os ouvintes da família do surdo, amigos, até mesmo a sociedade, somente a partir desses elementos envolvidos a Educação dos Surdos pode avançar.

Conhecendo a Surdez e suas Causas

Estima-se que pelo menos uma em cada mil crianças nasce profundamente surda. Muitas pessoas desenvolvem problemas auditivos ao longo da vida, por causa de acidentes ou doenças.

Existem dois tipos principais de problemas auditivos. O primeiro afeta o ouvido externo ou médio e provoca dificuldades auditivas "condutivas" (também denominadas de "transmissão"), normalmente tratáveis e curáveis. O outro tipo envolve o ouvido interno ou o nervo auditivo. Chama-se surdez neurossensorial.

Surdez: Graus e Perdas

Em média noventa por cento das pessoas com surdez nascem de famílias ouvintes, ou seja, que ouvem, sem restrições auditivas e noventa por cento das pessoas surdas tem filhos ouvintes, por isso devemos realçar o papel fundamental das escolas, que atendem crianças surdas, a transmissão da língua e da cultura da comunidade surda.

Caros estudantes, para começarmos nossa unidade que aborda assuntos relacionados à cultura, linguagem, o significado e a importância da LIBRAS para a comunidade surda é preciso conhecer e entender os tipos de surdez, sabendo que para a educação de pessoas surdas, o enfoque central é a LIBRAS, independente de seu grau de perda auditiva, ela visa socializar e integrar o surdo à sociedade.

Veja o quadro, a seguir, e conheça a Surdez Condutiva, Sensório-Neural, Mista e Central:

ouvido
Surdez Condutiva Interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo à orelha interna, conhecida como cóclea. A cóclea possui sua capacidade funcional normal, mas não é estimulada pela vibração sonora, que poderá ocorrer com o aumento da intensidade do estímulo sonoro.
Surdez Sensório-Neural Impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da cóclea ou nervo auditivo.
Surdez Mista Ocorrida pela alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associado à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo.
Surdez Central Esse tipo de surdez não, necessariamente, acompanha uma diminuição da sensitividade auditiva, mas se manifesta por graus diversos de dificuldade de compreensão de informações sonoras devido às alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no sistema nervoso central.

Surdez e perdas auditivas:

• Surdez leve: perda auditiva entre 25db e 40db;

• Surdez moderada: perda auditiva entre 41db e 55db;

• Surdez acentuada: perda auditiva entre 56db e 70db;

• Surdez severa: perda auditiva entre 71db e 90db;

• Surdez profunda: perda auditiva acima de 91db.

Podemos definir essa classificação, basicamente assim:

• Surdez Leve: Distinção da linguagem falada;

• Surdez Média: Distingue barulhos;

• Surdez Profunda: Não percebe nem os grandes ruídos.

Linguagem e Surdez

Conforme a teoria de Vygotsky a linguagem surge inicialmente como um meio de comunicação entre a criança e as pessoas em seu ambiente. Sabe-se que essa linguagem está presente no comportamento dos homens. A linguagem é o meio de comunicação dos homens, sendo o modo de se comunicar natural ou artificial.

A criança surda não nasce muda, nasce chorando como qualquer outra, por isso não podemos dizer que existem surdos-mudos. Assim como uma criança ouvinte, a surda possui suas cordas vocais em perfeito estado. Ao nascer, a criança busca imitar todas as ações do adulto, inclusive a fala, mas se essa não recebe estímulo auditivo, logo não conseguirá imitar, produzir a fala igual a dos adultos ouvintes, enquanto a criança ouvinte automaticamente, sem esforços, reproduzirá.

As crianças surdas passam por um período inicial que se assemelham ao balbucio das crianças ouvintes. É nessa fase que produz sequências que, fonologicamente, assemelham-se a sinais do mesmo modo de desenvolvimento. Período apresentado desde o nascimento, até por volta dos quatorze meses de idade. O balbucio é fruto da capacidade inata da linguagem, manifestada não só através de sons, mas também por sinais, bebês surdos possuem balbucios manuais: silábicos e gesticulação. Os silábicos apresentam combinações fonéticas das LS, enquanto que as gesticulações não apresentam organizações internas.

O surdo aprende a nomear e unir o sinal ao objeto, produzindo suas primeiras “palavras”. Assim como a criança ouvinte não pronuncia corretamente as palavras nesta fase, as crianças surdas também fazem os sinais com erros nos parâmetros, alterando a configuração das mãos, o ponto de articulação ou o movimento, mas o adulto surdo, assim como o ouvinte, compreende o que está sendo falado.

Em torno dos dois anos e meio, a criança começa a produzir frases de dois sinais, essa fase continua até os cinco anos quando já produz frases maiores e mais complexas. Pode-se perceber que o processo de aquisição da língua de sinais é semelhante ao da língua oral-auditiva e quanto mais cedo ela entrar nesse processo, mais “natural” será. A leitura e a escrita da Língua Portuguesa para o surdo deve ser ensinada como uma segunda língua e o estudante necessita ter domínio de sua língua “natural” para que este processo ocorra de forma eficaz.

O processo aquisitivo da língua de sinais é igual ao da língua oral-auditiva. À medida que a criança se desenvolve e interage de forma contextualizada e “natural” com os usuários da língua, ela vai se apropriando e desenvolvendo a compreensão e expressão desse sistema.

A criança ouvinte percebe através da audição o que está acontecendo ao seu redor e vai desenvolvendo sua personalidade conforme as experiências vividas. Mas a linguagem não se desenvolve unicamente através da audição, mas sim da oportunidade de comunicação. O uso das LS não nega o surdo o direito de integração na sociedade, pelo contrário, quanto mais cedo o seu uso, mais rápido se desenvolverá cognitivamente e emocionalmente.

Bilinguismo, Linguagem, Língua de Sinais e Educação

Podemos definir língua como uma linguagem, sistema abstrato e repleto de regras e conceitos indicando uma estrutura em diversos planos. Para que isso ocorra, ela deve ser acessível, eficaz e praticável. A língua de sinais é estruturada pelo o processo visual do cérebro que processa estímulos eficientes. Através dessa língua o surdo pode comunicar-se livremente, pois, novas informações são processadas e compreendidas, sendo capaz de receber e decodificar significados. Essas estruturas e significados tornam a língua possível.

Portanto, a língua é uma forma de linguagem, pois, está dentre os diversos meios de comunicação. Como a língua oral, a Língua de Sinais Brasileira possui gramática própria, sua estrutura é diferenciada da Língua Portuguesa Brasileira, sendo enfatizada como natural, ou seja, não artificial, por possuir equivalência a qualquer outra língua natural conhecida.

Como não existe apenas uma língua oral no mundo, também não há uma só Língua de Sinais, mas existem várias comunidades linguísticas, conforme a língua oral. Muitas pessoas pensam que a Língua de Sinais é o Português nas mãos, no qual os sinais substituem as palavras, crendo que é limitada, expressando apenas situações concretas, não sendo capaz de transmitir ideias abstratas.

A língua de sinais não é uma decodificação da língua oral, pelo contrário, tem a sua própria estrutura gramatical que deve ser aprendida igual a todas as outras línguas, diferencia-se da língua oral, pois, seu canal comunicativo é a visão e não a audição como na língua oral utilizada por ouvintes.

Ao aprender a língua de sinais, a criança surda desenvolve de forma mais rápida a língua oral na modalidade escrita, além de compreender o mundo em que está inserido. A escola deve proporcionar oportunidades na qual a criança possa desenvolver também sua identidade pessoal.

A imensa quantidade de surdos que não tem direito de se educar com qualidade ou até mesmo de não se educar, no sentido literal, vem revelando um quadro apavorante. A esses surdos são privadas a possibilidade de exercerem sua cidadania e identidade como uma pessoa normal. De acordo com dados oferecidos pela Comissão de Direitos Humanos da Federação Mundial dos Surdos (World Federation of the Deaf, WFD), no ano de 1995, aproximadamente 80% das pessoas surdas do terceiro mundo não recebem nenhuma educação básica.

O bilinguismo defende que a língua de sinais e a língua oral sejam utilizadas pelos surdos sem que uma prejudique a outra, tendo como objetivo principal do enfoque bilíngue, que o surdo aprenda comunicar-se pelas duas línguas. Acredita-se que, por intermédio da língua materna do surdo (língua de sinais), este possa desenvolver-se linguisticamente e cognitivamente sem enfrentar tantas dificuldades. Essa ideologia é de postura política, cultural, social e educacional, não se resumindo apenas à aquisição de duas línguas.

É necessário que os profissionais percebam a importância da Língua de Sinais para o desenvolvimento do surdo. Pois, essa é a língua que pode ser adquirida de forma espontânea através das relações sociais e diálogos do cotidiano. O bilinguismo é simples e eficaz, pois o surdo adquire a Língua de Sinais na mesma rapidez que o ouvinte adquire a língua oral. Sua origem se dá pela insatisfação dos surdos com a proibição da língua de sinais e através das mobilizações em busca das conquistas de direitos linguísticos.

A proposta bilíngue para surdos é definida como uma oposição às práticas características da educação e da escolarização dos surdos nas últimas décadas. Todos os que compõem o estabelecimento de ensino necessitam preparar-se melhor para atender esses estudantes. Esses profissionais devem utilizar-se da língua de sinais para que o discente possa melhor aprender, percebendo que essa língua é visual, podendo desenvolver através do ver, tocar, descobrir o mundo a sua volta, trazendo o meio social em que ele está inserido para as práticas de ensino.

Como um estabelecimento de ensino, a escola deve estar preparada para atender os estudantes surdos, disponibilizando professores, administradores e profissionais preparados e capacitados para adequar-se a essa realidade.

Familia

A escola tem que estar preparada para o repasse de conteúdos, incentivando os familiares a compartilharem da vida escolar de seus filhos, participando também no processo de ensino de LIBRAS, (no caso de pais ouvintes não conhecedores da Língua de Sinais) e conhecer mais da Cultura Surda para haver uma melhor interação na comunicação familiar. Este incentivo e estímulo são um grande apoio por parte da família para com esses estudantes.

O grupo de educadores de surdos, por sua vez, deve repassar aos familiares a importância da língua de sinais para o estudante surdo, explicando que este poderá aprender a língua oral, assim como o estudante ouvinte, pois existe uma comunicação visual (a língua de sinais), que ao ser utilizada pelo surdo permite o desenvolvimento da linguagem, podendo descobrir o mundo de diversos sentidos que está ao seu redor.

A escola tem um papel importante para o estudante surdo e seus familiares; o de propagar que uma pessoa surda não tem um mundo de tragédias pela frente, pelo fato desta não se comunicar como a pessoa ouvinte, mas sim com um mundo de possibilidades, pois estão à frente de uma forma diferente de comunicação que envolve uma cultura e uma língua visual-espacial.

Nessa proposta de ensino, a língua oral deve ser baseada em técnicas de aprendizagem de segunda língua, enfatizando a leitura e a escrita como modalidades de acesso a língua majoritária (em oposição ao acesso através da metodologia oral).

A língua oral deve ser ensinada em momentos específicos das aulas e os estudantes deverão saber que estão trabalhando com o objetivo de desenvolvê-la, trabalhando a leitura e a escrita.

A proposta bilíngue concebe o seu desenvolvimento, baseando-se em técnicas de ensino de segunda língua, ou seja, o ensino da língua oral deverá ser ministrado enfatizando a escrita, considerando que o canal de aprendizagem do estudante surdo é o visual, podendo este ter acesso ao processo de aprendizagem e do desenvolvimento linguístico e cognitivo. Essa técnica parte das habilidades interativas e cognitivas já adquiridas pela criança ao longo de suas experiências naturais com a língua de sinais, que é considerada como primeira língua. A língua de seu país será considerada como segunda língua.

A escola precisa atender o surdo como um membro pertencente a sua comunidade cultural, social e linguística, ou seja, precisa haver interação entre a criança surda e a escola, um surdo adulto ou um Intérprete/Tradutor de Língua de Sinais. Essa presença terá grande valor no desenvolvimento do estudante, possibilitando que ele construa sua própria identidade e consequentemente desenvolva a sua língua natural.

Interação Adulto/Criança

Por meio da interação, adulto / criança ou criança / criança, o sujeito reage, constrói e organiza seu conhecimento. Ao transmitir seus conhecimentos para as crianças, o adulto acaba por interferir no desenvolvimento da cognição e propicia o desenvolvimento linguístico da mesma. Na situação de interação com o outro, a linguagem é construída em conjunto, e, por intermédio de alguns processos dialógicos, a criança se torna um ser na linguagem.

O principal propósito de uma língua é a transferência de informações entre duas ou mais pessoas. Através da interação, a criança aprende com o adulto a sua língua. Na vida das crianças surdas é crucial esse entrosamento entre o adulto e a criança para obter a aprendizagem dessa língua de modalidade gesto visual, que traz movimentos expressivos que, por sua vez, são interpretados pela visão.

Não se pode negar a importância da língua de sinais, pois esta é um dos principais elementos adquiridos pelas comunidades surdas, sendo um elemento importante no processo de desenvolvimento da Identidade Surda. Assim como a identidade, a língua é uma atividade em processo de evolução por envolver uma cultura. O uso da língua de sinais é uma característica identitária de maior importância nas Comunidades Surdas.

Para que o estudante possa desenvolver a linguagem e o seu pensamento, a escola deve proporcionar a ele um ambiente favorável que o levará ao ensino da segunda língua, esse ensino deve ser específico, sempre mostrando o que está sendo trabalhado e sua finalidade, tendo como objetivo principal desenvolver a língua oral. A língua de sinais é capaz de fazer com que o surdo possa perceber um mundo repleto de aprendizagens que por ele pode ser conquistado.

Observa-se que a maioria dos surdos é exposta à língua oral e não à língua de sinais e, por eles não dominarem a língua oral e nem terem experiências linguísticas ricas na língua de sinais, acabam por adquirir a escrita de maneira insatisfatória, trazendo para esta última alguns aspectos característicos da LS (Língua de Sinais), além das inadequações linguísticas vivenciadas na língua oral.

A Língua de Sinais é a única língua na qual um surdo tem condições para poder aprender e garantir um desenvolvimento sem atraso. A LS é indispensável à apropriação da linguagem pela criança surda. Somente a língua de sinais permite que seja estabelecida, para a criança surda, as condições naturais de apropriação da linguagem devendo, portanto, ser a linguagem materna de todos os indivíduos surdos.

A Escola e o ensino de LIBRAS

Educação Bilíngue para surdos deve se manifestar nos espaços escolares, nas descrições formais e metodológicas situadas dentro e fora da proposta pedagógica. As Escolas de Surdos possuem naturalmente responsabilidades extras no desenvolvimento da primeira língua de seus estudantes, já que a maioria não possui a língua de sinais como sua língua materna no sentido mais exato.

Atualmente na Educação de Surdos, é comum professores não acreditarem que o surdo possa ser dispensado do processo tradicional de aprender a língua oral. LIBRAS, por sua vez, sendo abordada como primeira língua em casa e na escola, originam grandes benefícios para surdos brasileiros. Podemos mencionar, neste caso específico, o fato de as informações poderem ser facilmente assimiladas, sem esforços, fazendo com que as crianças surdas desenvolvam a língua de sinais da mesma forma que as crianças ouvintes desenvolvem a língua oral.

Entende-se que o professor tem um papel importante nessa proposta, como também se acredita que um professor não é formado por uma única pessoa e sim por uma equipe de docentes que procura partir de um trabalho constante de investigação e revisão de sua própria prática em confronto com as percepções dos outros membros da equipe procurando o melhor método de ensinar.

O componente metodológico tem uma função essencial, a visão bilíngue de aprendizagem envolve tanto o conhecimento de línguas quanto a capacidade de usá-la em qualquer contexto social. Ao estudante precisa ser apresentado, em sala de aula, diversas situações de construção de significados para que ele possa desenvolver suas habilidades, ativar seu conhecimento de língua e fazer sentido a leitura e o texto que produzir.

O objetivo final dessa proposta é levar o estudante a continuar a aprender por si mesmo, fora da escola e fora da sala de aula. Com essa proposta, bem fundamentada, é possível reverter o quadro de apatia e fracasso em que parece estar mergulhada a educação de nossos surdos.

Gramática da Língua de Sinais

A língua de sinais para o surdo pode ser adquirida espontaneamente. Ela é composta de uma gramática construída de fonética, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica que apresentam especificidades e princípios básicos, possibilitando a produção de uma infinidade de construções a partir de um número finito de regras.

Nas Línguas de Sinais podemos encontrar os seguintes parâmetros:

Configuração de Mãos

Formas exercidas pela mão na sinalização. Podem ser usadas as configurações do alfabeto, números ou pelas duas mãos (dependendo do significado do sinal). Sinais com a mesma configuração pode ter significado diferente, conforme a produção dos movimentos e demais parâmetros.

Sinais

FERREIRA, Brito, 1995

Movimentos Os sinais podem ou não apresentar esse parâmetro.
Ponto de Articulação Local no espaço neutro ou no corpo que o sinal é desenvolvido.
Orientação – Direção Os sinais precisam ter uma orientação em relação aos demais parâmetros.
Expressões Faciais e Corporais É de fundamental importância para a compreensão do sentido real do sinal e é comparada a entonação da voz na língua oral.

A configuração das mãos é a forma que as mãos assumem ao sinalizar movimento, orientação direcional, ponto de articulação, localização do sinal no eixo corporal e as expressões faciais. Um simples movimento de sobrancelha, duração do olhar, pode expressar ideias totalmente diferentes, assim como os ouvintes mudam a entonação de voz indicando na frase pronunciada elogio, desprezo, alegria ou até mesmo tristeza, o surdo também pode através do olhar, expressar o mesmo.

A comunicação pode ocorrer de diversas maneiras, nem sempre recorremos à linguagem falada ou sinalizada para nos expressarmos. Quando duas pessoas não falam a mesma língua elas buscam meios que facilitem a sua comunicação seja apontando, desenhando ou até mesmo fazendo gestos e mímicas para expressar suas ideias.

As expressões faciais e corporais fazem parte da comunicação humana, através destas, podemos revelar emoções, sentimentos e nossas intenções para o receptor da imagem. No caso da língua de sinais essas desempenham um papel de suma importância e são chamadas de marcadores não manuais.

Em libras os marcadores não manuais, ou expressões faciais podem ser separados em dois grupos:

Expressões Afetivas Usadas para expressão de sentimentos como alegria, tristeza, raiva, angústia, entre outros, podendo ou não ocorrer simultaneamente com um ou mais item lexical.
Expressões Gramaticais Relacionam-se com estruturas específicas, tanto na morfologia quanto na sintaxe. São obrigatórias nas línguas de sinais em contextos específicos.

BRECAILO, 2012 apud QUADROS e PIMENTA, 2006

Assim como as línguas orais auditivas apresentam um sistema de estrutura, formação das palavras e divisão em classes, a língua de sinais, também, apresenta essa estrutura como morfologia que seria o espaço central, a forma semântica que seria as expressões corporais e a sintática, as configurações de mãos. Nomes são situados em pontos arbitrários em frente ao corpo do sinalizador e a referência subsequente é expressa pelo movimento de apontar o lugar previamente estabelecido no espaço.

As classes de palavras (substantivos, adjetivos, verbos e advérbios) são determinadas pelo contexto linguístico, alguns verbos são flexionados, marcando o sujeito e o objeto, pela direção, ponto inicial e final do movimento do sinal. Os graus aumentativos e diminutivos podem ser obtidos por expressões faciais acompanhadas por sinais, a direcionalidade estabelece as relações características das preposições e conjunções.

Fazendo parte do conjunto dos marcadores não manuais as expressões faciais são acompanhadas de determinadas estruturas. Quando falamos sobre o nível morfológico, algumas marcações não manuais são relacionadas ao grau, apresentando estrutura padrão nos sinais que estão sendo produzidos.

Podendo assumir a função de adjetivo, as expressões faciais, podem incorporar o substantivo independentemente da produção de um adjetivo, incorporando o grau de tamanho, nos substantivos. A marcação de grau apresenta um padrão, uma variação gradual de intensidade ou de tamanho.

• Podemos citar como exemplo de intensidade: amor, amorzinho e amorzão.

• Podemos citar como exemplo de tamanho: carro, carrinho e carrão.

As marcações não manuais são graduais, isto é, não são fixas, são produzidas com diferentes intensidades, demonstrando tamanhos diversos, ou seja, pode modificar a produção do sinal, quanto ao grau ou tamanho. Como exemplo, podemos citar as modificações na configuração da mão.

Quanto à sintaxe, essas são responsáveis pela indicação das construções das sentenças:

• Sentenças Afirmativas;

• Sentenças Negativas;

• Sentenças Interrogativas;

• Sentenças de Condição;

• Sentença de Relação, entre outras.

Dentro dessas expressões podemos citar os movimentos:

Movimentos da cabeça quando a sentença é afirmativa ou negativa, elevação ou abaixamento da cabeça, franzir da testa, elevação de sobrancelha, direção do olhar, piscar de olhos, movimentação dos lábios diferenciando os tipos de interrogativas, entre outros movimentos.

Caros estudantes, dentro de uma sentença em libras é possível ter mais de uma marcação não manual e sua ausência a deixa agramatical. Cada expressão associa-se a uma estrutura sintática apresentando uma meta definida. Em relação à sentença negativa esta pode apresentar-se de duas formas:

• Movimento de cabeça – apresenta uma distribuição mais ampla das expressões faciais realizando apenas o “não” junto ao verbo, a sentença completa ou se estende para além do último sinal da sentença;

• Modificações no contorno da boca – abaixamento dos cantos da boca ou arredondamento dos lábios, que está associado ao abaixamento das sobrancelhas com um leve abaixamento da cabeça.

A sintaxe é o movimento de uma localização a outra, indicando a relação sujeito-objeto, produzindo o movimento no sentindo locutor-interlocutor. A combinação dos sinais apresenta suas próprias regras, que caracteriza a língua de sinais como língua. A sintaxe estuda as inter-relações dos elementos estruturais da frase e das regras que regem a combinação das sentenças.

A condição simétrica da sintaxe na língua de sinais estabelece o movimento das duas mãos na produção do sinal, ambas com a mesma configuração, simetria e movimento simultâneo ou alternado. No caso da configuração de mãos serem diferentes, apenas uma das mãos se move, sendo esta considerada ativa, pois a outra servirá de apoio.

Determinados em qualquer língua, quanto ao seu uso pelo contexto, os traços semânticos, todas essas relações contribuem e interferem na relação da significação e do uso, características que ocorrem naturalmente nas línguas de sinais, podendo aparecer através das expressões faciais, manuais (caso o sinal seja feito lento, rápido, suave...) ou corporais.

Abordaremos agora a fonologia que é um sistema de unidades distintivas que constituem os sinais. O nível fonológico apresenta regras e combinações, entre parâmetros de configuração de mão, movimento, localização e orientação das palmas das mãos na formação dos sinais. Os sinais de pontuação como vírgulas, ponto final, de exclamação, interrogação, são realizados através das expressões faciais. Preposições e outras classes de palavras são inseridas na sinalização por meio dos movimentos.

O eixo linearidade e a simultaneidade fazem parte da fonética, fonologia das línguas de sinais. Linearidade são sequências de suspensões e movimentos. Suspensões ocorrem quando os sinais são realizados com a(s) mão(s) parada(s) e os movimentos ocorrem quando os sinais são realizados com a(s) mão(s) em movimento.

Conforme as pesquisas sobre a gramática das línguas de sinais, alguns estudos revelam que na morfologia desta também são encontrados os sufixos e os prefixos, outro exemplo de derivação morfológica é a incorporação do numeral na sentença, como podemos verificar em: UMA-SEMANA, DUAS-HORAS. Um processo morfológico que ocorre na língua oral e, também, ocorre nas línguas de sinais é a reduplicação, ou seja, a repetição do sinal para dar significado a uma expressão, como podemos perceber em: TODO-DIA. Temos ainda, na morfologia, o sinal composto como no sinal de escola: CASA+ESTUDAR=ESCOLA.

Casa
Casa
Estudar
Estudar
Escola
Escola

Podemos dizer que morfema é o menor signo linguístico, ou seja, a função que une um significante a um significado. Uma palavra pode ser dividida em unidades menores e cada unidade corresponde a um significante e um significado, esses ajudam a formar uma nova palavra com um novo significado.

A área que estuda a sentença e sua estrutura chama-se sintaxe, seus estudos estão centrados na ordem das palavras. Nas Línguas de Sinais, as sentenças que mostram alterações da ordem Sujeito-Verbo-Objeto – SVO geralmente estão acompanhadas de uma marcação não manual. A estrutura SVO pode ser alterada na LS, a ordem mais comum diante essa alteração é a OSV. Podemos citar como exemplo a sentença: CASA, MARIA, IR.

As línguas de sinais apresentam várias acepções como o uso de expressões idiomáticas, metafóricas, figurativas, estilísticos e contextualizações que aceitam a pressuposição e implícitos, que dá as LS o status de língua natural, em seu aspecto gramatical e nas manifestações do simbólico. Como qualquer outra língua, a Língua de Sinais vem aumentando o seu vocabulário para acompanhar o mundo atual, mudanças culturais, tecnológicas, entre outras.

Ao aprender uma língua, adquirimos também os hábitos que fazem parte daquela cultura, na cultura surda existem alguns elementos que são importantes, por isso vamos destacá-los e comentá-los:

Sinal Pessoal O sinal pessoal é o seu batismo na comunidade surda, criado por um membro dessa comunidade. Esse sinal representa uma característica forte da pessoa, sua representação visual.
Sinalizador Luminoso É um equipamento que substitui a campainha auditiva por uma visual, ou seja, ao ser acionada produz um sinal luminoso que chama a atenção do surdo para atender o chamado. Sua duração é regulável.
26 de Setembro, Dia do Surdo Comemora o dia que foi inaugurado o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, lembrando todas as conquistas da comunidade surda.

O Tradutor Intérprete de Língua de Sinais

Tradutor Intérprete
Tradutor Intérprete

Tradução, uma das atividades mais antigas do mundo, a origem desta palavra deriva do latim traducere e, segundo o dicionário Aurélio, seu significado expressa “conduzir além”, “transferir”. As discussões sobre o intérprete, enquanto profissional, são relativamente recentes. No Congresso da Federação Mundial de Surdos, realizado na Finlândia em 1987, houve a recomendação para que a formação de intérpretes de língua de sinais contasse com as mesmas exigências daquelas vinculadas aos intérpretes das línguas estrangeiras orais.

No período de 1995, em uma conferência ocorrida na Áustria, organizada pela mesma Federação, foi estabelecida uma Comissão de Interpretação, o que demonstrou um avanço nas discussões da comunidade surda mundial.

Com a Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e do Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005, regularizaram a Língua Brasileira de Sinais como a primeira língua oficial do surdo, o tradutor/intérprete vem conquistando cada dia mais espaço no cenário educacional brasileiro.

É através desse decreto, que considera como tradutor e intérprete da língua de sinais e da língua portuguesa, aquele que interpreta de uma língua fonte para uma língua alvo. Segundo tal decreto, a formação desse intérprete deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em LIBRAS/ língua portuguesa. Essa formação permite que o intérprete em LIBRAS atue na educação infantil, na educação fundamental, ensino médio e na universidade.

Esse decreto evidenciou o papel do profissional intérprete de LIBRAS como meio legal de garantir as propostas de inclusão do surdo previstas nas leis, neste contexto de inclusão socioeducacional, a atuação desse profissional é de suma influência para a pessoa surda e para a sociedade de modo geral.

Assim, a atuação do TILS (Tradutor intérprete de língua de sinais), é citada no Decreto lei 5.296, de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta a Lei 10.048, de 8 de novembro de 2000, que prioriza o atendimento às pessoas com necessidade de mobilidade, idosos, gestantes, e 10.098, de 19 de Dezembro de 2000, idem, expressa no seu artigo Art. 6º, capítulo III - serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, prestado por intérpretes ou pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS e no trato com aquelas que não se comuniquem em LIBRAS, e para pessoas surdas-cegas, prestado por guias-intérpretes ou pessoas capacitadas neste tipo de atendimento.

O intérprete de língua de sinais precisa se familiarizar nos discursos das duas línguas em questão, neste caso, a LIBRAS e a Língua Portuguesa, buscando conhecimento do vocabulário de palavras ou signos que ainda não possuem sinais com significados equivalentes pelo fato de ser novo e desconhecido para uma determinada comunidade surda, em decorrência do não acesso às informações.

Geralmente o não acesso a determinados vocabulários ocorre pelo fato deste não fazer parte do convívio social e cultural, ou devido aos próprios fenômenos linguísticos naturais em todas as línguas orais e de sinais, tornando-se assim, de pouco interesse. Com a aparição de novos signos em virtude da evolução ou surgimento de novas necessidades, sejam de cunho científico, de mercado de trabalho ou tecnológico, o intérprete precisa estar capacitado para poder atender a essa demanda, por isso este deve procurar uma formação.

O profissional tradutor é muito mais do que um especialista competente em duas ou mais línguas, pois a tradução envolve uma aproximação ao texto de partida com conhecimento de causa e sensibilidade, bem como uma percepção do lugar que a tradução pretende ocupar no sistema da língua de chegada.

Quem desconhece o processo de tradução, possivelmente pode vir a tratar o profissional tradutor como mero conhecedor de dois ou mais idiomas, mas traduzir é bem mais complexo, pois além de envolver dois idiomas, as áreas ou tipos de textos traduzidos são variados e nem sempre um bom tradutor de um determinado tema será bom em outro.

Etienne Dolet
Etienne Dolet

Podemos definir tradução/interpretação como uma “transposição de significados” entre textos e falas e/ou sinais de um idioma para outro. Um dos primeiros escritores a desenvolver uma teoria que explicasse as funções, princípios de um tradutor e o que seria a tradução, foi o humanista francês Etienne Dolet (1509-1546), este afirma que tradução é “a maneira de bem traduzir de uma língua para outra”.

Algumas funções e atribuições do Tradutor:

• Deve compreender o sentido e a matéria do que está sendo traduzido;

• Deve conhecer a língua fonte e a língua alvo;

• O tradutor não deve fazer a tradução de palavra por palavra;

• Deve fazer uso de palavras usuais;

• Deve observar a harmonia do discurso.

Entre as funções deste profissional, está à elaboração de versões escritas em livros, documentos e textos em geral, de uma língua para outra. A tradução sempre foi uma atividade humana e esta também pode ser entendida como o ato de mapear um texto, compreendê-lo e transportá-lo de um domínio a outro.

Tradução é uma atividade que abrange a interpretação do significado de um texto em uma língua, o texto fonte, e a produção de um novo texto em outra língua, mas que manifeste, na língua de destino, o mesmo sentido do texto original e da forma mais exata possível. O texto resultante desse processo, também é denominado tradução.

Já a interpretação é uma ação que consiste em estabelecer, simultânea ou consecutivamente, comunicação verbal ou não verbal entre duas comunidades que não usam o mesmo código linguístico. É um termo que pode ter mais de um sentido, tanto podendo referir-se ao processo quanto ao seu resultado.

Portanto, a interpretação consiste na descoberta do sentido e significado de algo geralmente fruto da ação humana. Intérprete é aquela pessoa que interpreta, isto é, que estabelece, simultânea ou consecutivamente, comunicação verbal entre duas ou mais pessoas que não falam ou sinalizam a mesma língua. O intérprete da Língua de Sinais, pode traduzir um discurso tanto oralmente como de forma sinalizada podendo traduzir palestras, discursos, reuniões, videoconferências, entre outras atividades que exija a sua presença.

Para isso, esse especialista precisa dominar o vocabulário, a gramática, as gírias e as expressões coloquiais da língua oral e da língua de sinais oficial de seu país. Também é necessário que este conheça os costumes, as tradições, história e a cultura dos povos surdos assim como a linguística, gramática e compreensão de textos escritos, oralizados ou sinalizados.

Entre todas essas questões teóricas está também, uma questão imprescindível, a prática, dispondo de habilidade metodológica para realizar escolhas lexicais, estruturais e semânticas apropriadas às duas línguas, possibilitando tanto ao emissor quanto ao receptor compreender e ser compreendido nas línguas envolvidas.

No mercado de trabalho a demanda por tradutores/intérpretes de Língua de Sinais cresce a cada dia. Este profissional pode, além de ser tradutor, especializar-se em diversos temas e áreas, como Pedagogia, Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Língua Portuguesa, Direito, Medicina, entre outras áreas em que possa desenvolver junto ao sujeito surdo um trabalho de excelência, lidando com a linguagem e os termos próprios dos vários campos de atuação suprindo a necessidade em várias áreas de atuação: seja em instituições educacionais, jurídica, de saúde, comerciais, científicas ou até mesmo tecnológicas, dentre outras.

Os artigos 2º e 3º da Lei nº 10436, de 24 de Abril de 2002, reconhecida pelo decreto de nº 5626 de 22 de dezembro de 2005, garante o direito à efetivação da comunicação do surdo: “Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil [...]”. As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

A presença deste profissional nas instituições de ensino, principalmente nas salas de aulas, é de suma importância para o aprendizado dos estudantes surdos que têm como primeira língua a Língua de Sinais a utilizam como mediadora do acesso aos conteúdos estudados em sala de aula. O intermédio entre língua de sinais e língua oral contribui para o desenvolvimento e a melhor compreensão dos conteúdos além de atender e respeitar à diversidade linguística e sociocultural desses estudantes.

O conhecimento e o desenvolvimento deste profissional se dá, muitas vezes, através de trabalhos voluntários, ou seja, no acompanhamento do surdo em seu dia a dia.

A legislação é a representação e concretização de uma etapa fundamental na longa estrada pelo processo de reconhecimento e formação do profissional intérprete/tradutor de língua de sinais, assim como, da sua inserção oficial no mercado de trabalho.

Mas mesmo antes de ser respaldado de forma legal, ou seja, do reconhecimento da lei, o intérprete/tradutor já se fazia presente na comunidade surda estabelecendo interação, comunicação e divulgação da língua de sinais, buscando a efetivação da comunicação do surdo entre a língua oral e a língua de sinais.

Esse profissional está diante das pessoas surdas como um representante visual e sonoro compartilhando, muitas vezes, o mesmo espaço e abrindo as cortinas do mundo incógnito. De acordo com Quadros e Stumpf (2008), o intérprete de Língua de Sinais, quando em meio aos surdos deixa de ser vidente para ser visível. Sendo assim percebido tanto pelas pessoas surdas, como pelas não surdas.

As Línguas de Sinais por possuírem uma modalidade visual espacial, torna-se ainda mais complexa a sua interpretação. A interpretação/tradução implica em um processo mental de compreensão e apropriação da mensagem no discurso, além de contar com a agilidade técnica e motora.

O intérprete do idioma oral é reconhecido como profissional proficiente em uma língua estrangeira, ou seja, um profissional realmente capacitado para a realização de um trabalho que exige competência, agilidade, memória e raciocínio rápido, assim como o tradutor de línguas de sinais, sendo que este, ainda, para uma determinada parte da sociedade, não tem sua função firmada, pois este é definido como apoio didático e recurso estratégico de comunicação com o surdo, este que, em muitas situações e por muitas instituições, ainda é rotulado como um portador de uma patologia ou deficiência.

Libras Cultura e identidade Surda
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Prática de libras

CONHECIMENTOS

Conhecer a Língua de Sinais na prática e compreender como alguns sinais são semelhantes; Entender a importância da prática de LIBRAS para os sujeitos surdos e ouvintes; Compreender os diversos contextos em que a Língua de Sinais pode ser usada e as diferentes situações que um sinal pode ser empregado.

HABILIDADES

Reconhecer a importante repercussão que a LIBRAS representa para a Comunidade Surda e ouvintes; Identificar a importância de LIBRAS para o processo de escolarização do estudante com surdez.

ATITUDES

Praticar os sinais aprendidos e se comunicar com os sujeitos surdos da sociedade; Levar o estudante a ser um profissional diferenciado, capacitado e conhecedor da prática e teoria da Língua de Sinais; Despertar no estudante o interesse em conhecer mais sobre a prática da Língua de Sinais, mostrando que, hoje em dia, saber sinalizar é uma necessidade.

Iremos a partir de agora visualizar a libras na prática!

Vamos aprender? O alfabeto, saudações, semana, meses, números de 0 a 9, verbos na LIBRAS, família, boas maneiras (por favor, obrigada, licença), adjetivos, alimentos, frutas e estados.

Vamos iniciar essa unidade de ensino falando da importância da datilologia, pois significa: soletração de uma palavra usando o alfabeto manual de LIBRAS. É realizado por diferentes formatos das mãos que representam as letras do alfabeto e é utilizado para escrever no ar, soletrar no espaço neutro palavras que não possuem sinal.

Alfabeto

Alfabeto em LIBRAS

Porém a soletração de uma palavra em português pode ocorrer em pelo menos dois casos:

Na LIBRAS existem palavras que não tem o sinal, tais como acontece em:

M A I O

Maio em LIBRAS

Agora é a hora de treinar seu nome! Observe todas as letras e pratique seu nome e ensine as pessoas o que você aprendeu!

KARINA

Karina em LIBRAS

Saudações

O movimento envolve uma alargada rede de formas e direções, envolvendo os movimentos internos da mão, os movimentos do pulso, os movimentos direcionais no espaço e os conjuntos de movimentos no mesmo sinal. O movimento que as mãos descrevem no espaço ou sobre o corpo pode acontecer em linhas retas, curvas sinuosas ou circulares em várias direções e posições (FERREIRA BRITO, 1995).

No que diz respeito à direcionalidade os movimentos durante a realização de um sinal, podem ser:

• Unidirecional: movimento em uma direção no espaço;

• Bidirecional: movimento realizado por uma ou ambas as mãos, em duas direções diferentes;

• Multidirecional: movimentos que exploram várias direções no espaço.

Observe agora as saudações:

Bom Dia!

Bom dia em LIBRAS

Boa Tarde!

Boa tarde em LIBRAS

Boa Noite!

Boa Noite em LIBRAS

Tudo bem?

Tudo bem em LIBRAS

Obrigado!

Obrigado em LIBRAS

Com licença

Com licença em LIBRAS

Por favor!

Por Favor em LIBRAS

Dias da semana e meses.

Vamos conhecer os sinais de dias da semana e mês em LIBRAS? Depois pratique com seus colegas!

Segunda-feira em LIBRAS
Segunda-feira
terca-feira em LIBRAS
Terça-feira
quarta-feira em LIBRAS
Quarta-feira
quinta-feira em LIBRAS
Quinta-feira
sexta-feira em LIBRAS
Sexta-feira
Sábado em LIBRAS
Sábado
Domingo em LIBRAS
Domingo
Janeiro em LIBRAS
Janeiro
Fevereiro em LIBRAS
Fevereiro
Março em LIBRAS
Março
Abril em LIBRAS
Abril
Maio em LIBRAS
Maio
Junho em LIBRAS
Junho
Julho em LIBRAS
Julho
Agosto em LIBRAS
Agosto
Setembro em LIBRAS
Setembro
Outubro em LIBRAS
Outubro
Novembro em LIBRAS
Novembro
Dezembro em LIBRAS
Dezembro

Números

Conheça agora os números quando os relacionamos a quantidades:

Numeros em LIBRAS

Membros da família

Para aprofundar mais o seu conhecimento, você vai aprender os sinais dos principais membros da família em LIBRAS!

Familia em LIBRAS
Familia
Irmão em LIBRAS
Irmão
Mãe em LIBRAS
Mãe
Pai em LIBRAS
Pai
Vovó em LIBRAS
Vovó
Vovô em LIBRAS
Vovô

Adjetivos

Aprendendo os adjetivos em LIBRAS! Você verá alguns dos mais importantes, tais como alto, baixo, bonito, feio, gordo e magro. Vamos ver como os surdos reconhecem a característica de algumas pessoas? Fiquem atentos para aprender!

Materiais escolares

Apresentaremos os materiais escolares em LIBRAS, para que você aprenda todos eles!

Apontador em LIBRAS
Apontador
Borracha em LIBRAS
Borracha
Caderno em LIBRAS
Caderno
Caneta em LIBRAS
Caneta
Cola em LIBRAS
Cola
Lápis em LIBRAS
Lápis
Livros em LIBRAS
Livros
Papel em LIBRAS
Papel
Tesoura em LIBRAS
Tesoura

Expressões faciais e movimentos com o corpo

As expressões faciais têm fundamental importância para o entendimento real do sinal. Muitos sinais apresentam também como elemento diferenciador a expressão facial e corporal, traduzindo sentimentos e atribuindo desse modo mais sentido ao enunciado e em muitas situações determinando o significado do sinal. As expressões faciais são muito importantes para os surdos, pois facilitam a comunicação dos mesmos e o entendimento das palavras.

Faces
Expressões Faciais

Ela pode também expressar as diferenças entre sentenças afirmativas, interrogativas, exclamativas e negativas. Agora vocês irão conhecer vários tipos de frases (interrogativas, afirmativas, negativas).

Alimentos

Você conhecerá alguns sinais de alimentos e aprenderá!

Arroz em LIBRAS
Arroz
Batata em LIBRAS
Batata

Frutas

Depois de ter aprendido alguns alimentos em LIBRAS, vamos conhecer as frutas?

Abacate em LIBRAS
Abacate
Banana em LIBRAS
Banana
Caju em LIBRAS
Caju
Laranja em LIBRAS
Laranja
Melancia em LIBRAS
Melancia
Maça em LIBRAS
Maça
Melão em LIBRAS
Melão

Animais

Você conhecerá alguns animais e seus sinais em LIBRAS. Então atenção e pratique!

Gato em LIBRAS
Gato
Girafa em LIBRAS
Girafa
Leão em LIBRAS
Leão

Verbos

Você aprenderá alguns verbos e seus respectivos sinais!

Amar em LIBRAS
Amar
Andar em LIBRAS
Andar
Cantar em LIBRAS
Cantar
Ler em LIBRAS
Ler
Correr em LIBRAS
Correr

Condições climáticas

Você irá conhecer alguns sinais de condições climáticas.

Chover em LIBRAS
Chover
Tempestade em LIBRAS
Tempestade
Relâmpago em LIBRAS
Relâmpago
Nevar em LIBRAS
Nevar

Cores

Vamos aprender as cores em LIBRAS? Então vamos lá e atenção!

Laranja em LIBRAS
Laranja
Amarelo em LIBRAS
Amarelo
Branco em LIBRAS
Branco
Azul em LIBRAS
Azul
Preto em LIBRAS
Preto
Rosa em LIBRAS
Rosa
Vermelho em LIBRAS
Vermelho

Profissões

Agora verá algumas profissões em LIBRAS, vamos exercitar.

Advogado em LIBRAS
Advogado
Dentista em LIBRAS
Dentista
Engenheiro em LIBRAS
Engenheiro
Fonoaudióloga em LIBRAS
Fonoaudióloga
Médico em LIBRAS
Médico

Estados Brasileiros

Agora vamos viajar pelos Estados brasileiros e conhecer o nome de todos eles em LIBRAS?

Acre – Rio Branco em LIBRAS
Acre – Rio Branco
Amapá – Macapá em LIBRAS
Amapá – Macapá
Alagoas- Maceió em LIBRAS
Alagoas- Maceió
Amazonas- Manaus em LIBRAS
Amazonas- Manaus
Belém – Pará em LIBRAS
Belém – Pará
DF - Brasília em LIBRAS
DF - Brasília
Espírito Santo – Vitória em LIBRAS
Espírito Santo – Vitória
Fortaleza – Ceará em LIBRAS
Fortaleza – Ceará
Goiás  – Goiânia  em LIBRAS
Goiás – Goiânia
Maranhão – São Luís em LIBRAS
Maranhão – São Luís
Mato Grosso do Sul – Campo Grande em LIBRAS
Mato Grosso do Sul – Campo Grande
Mato Grosso – Cuiabá em LIBRAS
Mato Grosso – Cuiabá
Minas Gerais – Belo Horizonte em LIBRAS
Minas Gerais – Belo Horizonte
Paraíba- João Pessoa em LIBRAS
Paraíba- João Pessoa
Paraná – Curitiba em LIBRAS
Paraná – Curitiba
Piauí – Teresina em LIBRAS
Piauí – Teresina
Porto Alegre – Rio Grande do Sul em LIBRAS
Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro em LIBRAS
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
Natal – Rio Grande do Norte em LIBRAS
Natal – Rio Grande do Norte
Rondônia – Porto Velho em LIBRAS
Rondônia – Porto Velho
Roraima – Porto Velho em LIBRAS
Roraima – Boa Vista
Salvador – Bahia em LIBRAS
Salvador – Bahia
São Paulo – São Paulo em LIBRAS
São Paulo – São Paulo
Sergipe – Aracajú em LIBRAS
Sergipe – Aracajú
Recife – Pernambuco em LIBRAS
Recife – Pernambuco
Santa Catarina – Florianópolis em LIBRAS
Santa Catarina – Florianópolis
Tocantins – Palmas em LIBRAS
Tocantins – Palmas
Professora Karina

A professora Karina no Bloco 01 realiza a representação de alguns sinais em LIBRAS, como: o Alfabeto, números, dias da semana, meses do ano, ano, membros da família, expressões faciais, verbos e condições climáticas. Assista ao vídeo e pratique.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Professora Karina

No bloco 02 a professora Karina faz menção sobre o batismo dos surdos e realiza a representação de outros sinais em LIBRAS, como: cores, animais domésticos, animais selvagens, alimentação, frutas, objetos escolares, adjetivos, profissões e fenômenos da natureza.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Professora Karina

A LIBRAS é uma língua como qualquer outra com todas as estruturas, a única diferença é que necessita de imagem para que a ocorra a comunicação. Nesse bloco você vai aprender com a professora Karina os sinais dos Estados Brasileiros, meio de transporte,ambientes e lugares. Fique atento e pratique.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Prática de LIBRAS

Revisando

Vimos nessa unidade de ensino que na história dos surdos eles eram vistos com olhares diferentes, pois eram rotulados como uma aberração, inatos, isolados, não casavam, não herdavam a herança da família e a igreja os considerava sem salvação.

No Egito eram vistos como mediadores entre os deuses e os Faraós, os romanos privavam dos direitos legais, os gregos os lançavam do alto dos rochedos. Alguns filósofos antigos como Platão e Aristóteles estavam também em sintonia com eles. Santo Agostinho tinha a ideia de que os pais dos surdos haviam cometido algum pecado e estavam pagando por isso.

Ao longo do período da história, os estudantes eram exclusos da educação. A partir do século XVI, os nobres que tinham filhos surdos passaram a se preocupar com a educação, pois tinham receio de que quando morressem seus filhos não herdassem o direito dos seus bens.

A partir daí, surgiram vários educadores e pesquisadores da surdez que se destacaram. Podemos citar Pedro Ponce de Leon que se dedicou a ensinar os surdos filhos dos nobres, ensinando-os a falar diversas línguas inclusive a datilologia.

Abade L’Epée se destacou bastante na educação de surdos, ensinou e os apoiou , criando uma escola pública, o Instituto Nacional de Jovens Surdos-Mudos, em Paris, educando os surdos através do método combinado ou sinais metódicos.

Ele aprendeu a língua gestual pelos franceses e utilizava em suas aulas acrescentando gestos que ele mesmo criava. Acreditava na Língua de Sinais, embora não considerasse a língua com aspectos gramaticais. Ele se aproximou dos surdos criando sinais metódicos, uma mistura da Língua de Sinais com a gramática francesa.

O século XVIII foi um período que houve um grande aumento nas escolas de surdos, e através de sinais podiam se comunicar e se integrar a sociedade dominando diversos assuntos e exercer várias profissões.

Na Alemanha, por volta de 1750 Samuel Heinicke inseriu a Filosofia Educacional Oralista, que tinha como objetivo a sua utilização sem o uso da Língua de Sinais.

Com os avanços tecnológicos, a oralização ganhou força motivando profissionais a investir neste método, pois muitos achavam e ainda acham que a Língua de Sinais é prejudicial ao estudante surdo.

A Oralização dominou por muito tempo, mas foi a partir de 1880 no Congresso em Milão que um grupo de ouvintes decidiu excluir a Língua de Sinais e adotar somente a Oralização. Os estudantes que eram vistos utilizando a Língua de Sinais eram castigados.

O método da oralização rebaixou o nível acadêmico desses estudantes, pois essa língua não era o suficiente para o aprendizado da escrita e da leitura devido ao vocabulário reduzido.

O ensino das outras disciplinas foi deixado de lado e houve uma queda no aproveitamento dos estudantes surdos. William C. Stokoe Jr. pesquisador da Língua de Sinais enfatizou que essa é uma língua com características iguais às das línguas orais.

Na década de 60, Ray Hoolean adotou a Comunicação Total, na qual eram utilizadas várias formas de comunicação. Alguns países perceberam que a Língua de Sinais não deveria ser utilizada junto com a língua oral.

A Comunicação Total possui objetivos básicos, o de facilitar a integração do surdo com o meio, e fornecer condições adequadas para o bom desenvolvimento psicolinguístico. Seja pela linguagem oral, por meio dos sinais, datilologia ou pela combinação de todos os métodos, a Comunicação Total permite uma aproximação entre as pessoas envolvidas na educação dos surdos.

Em meados de 1980 a 1990 surge a Filosofia Bilingue, em que os surdos tenham como sua primeira língua a Língua de Sinais e tendo a língua oral como a segunda língua de seus pais.

Foi percebido que mesmo utilizando a Língua de Sinais a Comunicação Total apresentou dificuldades no quesito escrita e leitura, foi constatado que a utilização das duas línguas, tanto a oral e a Língua de Sinais podiam andar juntas, mas não simultaneamente.

Nesta unidade de estudo podemos conhecer um pouco sobre a aquisição da linguagem pelas pessoas surdas, a estrutura gramatical das línguas de sinais e um pouco sobre a cultura e identidade do povo surdo.

Em nossos estudos percebemos que é importante que seja visto na surdez primeiramente a pessoa surda, ou seja, ver o surdo como pessoa e não como um “deficiente”, ver que este é um sujeito que usa uma comunicação diferente, mas que esta forma diferente de comunicação não o priva de se relacionar, pensar e agir. A comunicação humana faz com que o ser humano se relacione no meio em que vive e com mundo, seja esta comunicação realizada através da fala, mímicas, gestos, desenhos, tanto na área da educação, como nas demais esferas de atividade humana.

Dentre as várias possibilidades de comunicação, destacamos os textos escritos e neste ponto, a leitura destes textos é um dos meios pelo qual se obtém conhecimento das mais diversas áreas, facilitando então a argumentação e o vocabulário para uma posterior produção de um texto escrito.

A obra Diretrizes Nacionais Para a Educação Especial na Educação Básica. Secretaria de Educação Especial , ( 2001) reflete que a educação é o principal alicerce da vida social. Ela conduz amplia a cultura, estende a cidadania, constrói saberes para o trabalho. Mais do que isso, ela é capaz de ampliar as margens da liberdade humana, à medida que a relação pedagógica adote como compromisso e horizonte ético político, a solidariedade e a emancipação.

O aprendizado e a aquisição da linguagem são necessários à vida daquele que busca o conhecimento, através destes, é possível formar um pensamento crítico, ter opinião própria e ter argumentação para se defender nas mais diversas situações impostas pela vida, e no caso da pessoa surda, não são diferentes.

E a escola tem grande parcela de responsabilidade para com o incentivo à leitura, pois promove este hábito nas crianças, estas irão crescer sabendo que a leitura enriquece o conhecimento e exerce fundamental relevância na vida do ser humano, o mesmo acontece com o surdo que aprende a LIBRAS.

É por meio da linguagem que o homem dimensiona o seu mundo interior, o mundo ao seu redor, o mundo pelo qual sonha, criando valores, relações sociais, aspirações de justiça e liberdade, ou seja, a linguagem afirma a pessoa e a humanidade como sujeitos de seu próprio destino. A linguagem permite ir além dos limites individuais saindo do mundo pessoal expressando as individualidades, acolhendo diferenças, descobrindo através das interações, construindo e compartilhando um mundo melhor.

Os estudantes surdos estão inseridos nas instituições de ensino, sejam estas especiais, regulares/inclusivas, na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior e a partir de sua inserção na escola, surgem propostas metodologias, adaptações e mudanças, pois estes possuem direito a apoio tecnológico e humano, no último, caso encontra-se o tradutor/intérprete.

A presença, o trabalho e a função do Intérprete/Tradutor de Língua de Sinais ainda não são bastante conhecidos e reconhecidos no âmbito institucional. No Brasil, ainda há poucos estudos que respaldam esse profissional, assim como profissionais capacitados para atuarem em diversas áreas que precise de sua atuação, exercer essa função vai além da busca de solucionar as lacunas da comunicação.

Na busca de solucionar as dificuldades de comunicação e de ensino aprendizagem apresentadas por seus estudantes surdos, as instituições escolares precisam ir em busca de desenvolver novas propostas de apoio específico, de forma permanente ou temporária, para alcançar as metas educacionais propostas por ela, e uma delas é a presença do TILS, já que participa ativamente da realidade educacional dessa instituição de ensino há vários anos, na construção do processo de ensino aprendizagem de seus estudantes surdos.

Segundo o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, os objetivos da educação é levar o indivíduo ao pleno desenvolvimento pessoal e o seu preparo para o exercício da cidadania, além de sua qualificação para o trabalho, e por isso a gestão desse conhecimento deve ser entendida como um processo de construção e autonomia de todo indivíduo.

A escola deve promover essa construção para que estudantes, professores e gestores possam executar os objetivos da educação, apresentados em lei pela Constituição Federal.

Autoavaliação

1. Você sabe o que significa a sigla LIBRAS?

2. Por que as expressões faciais e corporais são tão importantes para os surdos e sua comunidade?

3. Quais as características principais da comunidade surda?

4. Caros estudantes, aprendemos que a grande maioria das crianças surdas que chegam às escolas são filhas de pais ouvintes não conhecedores da língua de sinais e que não possuem contato com surdos e não sabem o que fazer para se comunicar com seus filhos.

• Como esse surdo conseguirá aprender sua língua?

• Como poderá este obter um ensino eficaz da língua oral?

5. Uma grande realidade são os obstáculos para o ensino da língua oral e a questão do desenvolvimento psicossocial da criança surda, essas dificuldades podem gerar consequências negativas que poderão ser irreversíveis em seu desenvolvimento, se não for oferecido o adequado acesso à aquisição de uma língua de forma natural.

A ausência de qualquer modalidade de linguagem interfere de modo significativo no desenvolvimento do indivíduo, podendo provocar modificações comportamentais com consequências sérias em relação à formação de identidade do surdo... Com referência aos surdos filhos de pais ouvintes, existe uma situação de comunicação muito difícil. Em geral, há defasagem e falta de motivação da criança surda para se comunicar, causando uma situação de frustração, prejudicando e interferindo no desenvolvimento de sua linguagem. Vamos refletir?

• O que deve ser feito para reverter esse quadro?

• Como a escola deve se posicionar diante desse problema?

6. Leia com atenção o depoimento desta surda que iremos chamá-la de F e faça seus comentários:

“Vou dizer-te o que entendo sobre a integração do surdo em nosso Estado. É provável que a educação especial, no sentido como estava sendo efetuado, com uma presença marcante de fonos, médicos, psicólogos, assistência social, assim sendo, o surdo tinha uma assistência totalmente voltada para a oralização: aprendizagem da fala, leitura labial, treinamento auditivo, aprendizagem de português escrito, uso de prótese para captar restos auditivos... Todos os profissionais citados tiveram seu tempo na educação do surdo. E este método educacional era dispendioso. Uma outra opção é a das APAES que possuem atendimento coletivo aos deficientes em suas instituições. Os surdos que saem desta instituição são marcados pelos sinais exteriores que captam no cego, no deficiente mental. Eles parecem não aprender.

Feito isso, se conseguiu ver o surdo como uma pessoa que aprende normalmente e sem gastos maiores ele poderia muito bem estar junto a pessoas consideradas “normais”.

Nós da FENEIS, consideramos que a educação do surdo está muito pobre. Nós intuímos que a educação do surdo não deve ser bimodal ou bilingual (bilingue), deve ter por base a língua de sinais, mesmo que seja para toda e qualquer transmissão de conhecimentos tem de ser na língua de sinais.

Queremos uma educação do surdo dentro da língua de sinais, como língua de base para a aprendizagem, com professor surdo. “O governo, não desce até nós, não lhe interessa nossa proposta (F.).”

7. Quais as vantagens e desvantagens na inclusão dos surdos em escolas comuns e a educação de surdos em escolas de surdos?

8. O ensino bilíngue para surdos realmente ocorre nas escolas regulares?

9. Como podemos definir a educação de surdos na atualidade?

10. Quais os movimentos surdos da atualidade?

11. Quais as marcas do oralismo na educação de surdos hoje?

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VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. 7 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007

Teutates

Teutates, Toutatis ou Tutatis foi um deus celta cultuado na Gália antiga e na Britânia. Com base na etimologia de seu nome, tem sido amplamente interpretado ser um protetor tribal. Hoje, é melhor conhecido sob o nome de Toutatis (pronunciado em gaulês) através do slogan gaulês "Por Toutatis!", inventada pela história em quadrinhos Asterix de Goscinny e Uderzo. A ortografia Toutatis, entretanto, é autêntica e atestada por cerca de dez inscrições antigas. Sob a ortografia Teutates, o deus também é conhecido de uma passagem em Lucano.

Oralização

Ação ou resultado de tornar (língua, tradição etc.) oral.

Subcultura

A noção de subcultura é bastante habitual na sociologia e na antropologia. O conceito é utilizado para fazer referência a um grupo de pessoas, geralmente minoritário, com um conjunto de características próprias (comportamentos e crenças), que representa uma subdivisão dentro de uma cultura dominante da sua comunidade.

Pode-se dizer que a subcultura é um grupo diferenciado dentro de uma cultura. Os seus membros podem reunir-se por diversos motivos, como a idade, a etnia, a identidade sexual, os gostos musicais ou a estética, entre outros.

Bimodalismo

É uma técnica para facilitar o desenvolvimento da fala. A aplicação é desenvolver códigos manuais que obedeçam à estrutura gramatical da língua oral, para que ele seja utilizado simultaneamente como recurso para o processo de aquisição da linguagem.

Existem autores que consideram o Bimodalismo inadequado, tendo em vista que ele desconsidera a língua de sinais (LIBRAS) e sua riqueza estrutural, acabando por desestruturar também a nossa língua portuguesa.

Bilinguismo

O bilinguismo tem como pressuposto básico a necessidade do surdo ser bilíngue, ou seja, este deve adquirir a Língua de Sinais, que é considerada a língua natural dos surdos, como língua materna e como segunda língua, a língua oral utilizada em seu país. Estas duas não devem ser utilizadas simultaneamente para que suas estruturas sejam preservadas

Surdez Neurossensorial

É a perda da audição em função de danos ao ouvido interno, ao nervo que vai do ouvido para o cérebro (nervo auditivo) ou ao cérebro.

Comissão de Direitos Humanos da Federação Mundial dos Surdos

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CONFEDERAÇÃO MUNDIAL DOS SURDOS : A Federação Mundial dos Surdos (FMS), os seus membros e os 2.100 participantes de 125 países no Mundial XVI Congresso da Federação Mundial de Surdos em Durban, África do Sul, 18-24 Julho de 2011.

Recordando a declaração do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos na Cerimônia de Abertura do Congresso Mundial “, a participação é um princípio fundamental dos direitos humanos. No entanto, sem acesso adequado à interpretação em língua de sinais, educação bilíngue e o reconhecimento da língua de sinais como língua, há importantes barreiras para o pleno exercício por pessoas surdas de seus direitos humanos. Reafirmando a importância da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, especificamente:

Artigo 3: o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas surdas como parte da diversidade humana e da humanidade;

Artigo 9: possibilitar às pessoas com deficiência participar plenamente em todos os aspectos da vida, incluindo acesso à informação e comunicação, incluindo fornecimento de intérpretes profissionais de língua de sinais;

Artigo 21: reconhecer e promover o uso de línguas de sinais;

Artigo 24: garantir que a educação de crianças surdas seja ministrada nas línguas mais adequada para o indivíduo e no ambiente que maximiza o desenvolvimento acadêmico e social e empregando professores que são qualificados em língua de sinais;

Artigo 25: garantir às pessoas surdas o direito ao gozo do mais alto nível possível de saúde sem discriminação;

Artigo 30: reconhecer o direito das pessoas surdas a participar em pé de igualdade com os outros na vida cultural, incluindo o reconhecimento e apoio de línguas de sinais e cultura; surda,

Lembrando também que as mulheres surdas e as meninas são frequentemente vítimas de discriminações múltiplas e enfatizando a necessidade de incorporar uma perspectiva de gênero em todos os esforços para promover o pleno gozo dos direitos humanos e liberdades fundamentais pelas pessoas com deficiência.

Leia mais em: http://www.inclusive.org.br/?p=20850

DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto nas Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

§ 1o Considera-se, para os efeitos deste Decreto:

I - pessoa portadora de deficiência, além daquelas previstas na Lei no 10.690, de 16 de junho de 2003, a que possui limitação ou incapacidade para o desempenho de atividade e se enquadra nas seguintes categorias:

a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções;

b) deficiência auditiva: perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz;

c) deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores;

d) deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação; cuidado pessoal; habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer; trabalho;

e) deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências; e

II - pessoa com mobilidade reduzida, aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção.

Leia mais em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm

Etienne Dolet

Pequeno tratado de Dolet é muito curto, pouco mais de 1.000 palavras. Goza a honra de ser o primeiro geral tratado teórico sobre tradução escrita em vernáculo da Europa Ocidental. Há textos anteriores em latim, e há também textos ocasionais, como prefácios, dedicatórias e críticas, em várias línguas vernáculas, mas esta é a primeira reflexão geral sobre a tradução em um vernáculo europeu.

Ele apareceu num momento em que a tradução para as línguas vernáculas estava entrando em um período de aumento espetacular na Europa, parte das momentosas mudanças sociais, econômicas, tecnológicas, intelectuais e outros marcando a transição do medieval ao início dos tempos modernos. Este foi também o período em que os Estados-nação estavam sendo formadas. (Na Inglaterra, França e Espanha, por exemplo). Entre eles, esses dois processos nos fornecer um general contexto e uma causa imediata para nos ajudar a apreciar o tratado de Dolet como pouco mais do que um general declaração sobre a tradução.

Vamos começar com uma leitura rápida, superficial. O que o documento diz? Um resumo

Parece muito fácil, especialmente porque o tratado é muito bem estruturado e sinalizado. O tradutor deve:

1.compreender o objecto do original;

2 estar familiarizado com as duas línguas envolvidas;

3 não traduzir palavra por palavra;

4 Siga uso comum, tanto quanto possível;

5 usar um estilo agradável.

Leia mais em: http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.ucl.ac.uk/translation-studies/translation-in-history/documents/Hermans_pdf&prev=/search%3Fq%3Dbiografia%2Bde%2BEtienne%2BDolet%26newwindow%3D1