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Créditos

Diretor Presidente das Faculdades Inta

  • Dr. Oscar Rodrigues Júnior

Pró Diretor de Inovação Pedagógica

  • Prof. Pós Doutor João José Saraiva da Fonseca

Coordenadora Pedagógica e de Avaliação

  • Prof. Sônia Henrique Pereira da Fonseca

Equipe de Pesquisa e Desenvolvimento de Projetos Tecnológico e Inovadores para Educação

Coordenador

  • Anderson Barbosa Rodrigues

Analista de Sistemas Mobile

  • Francisco Danilo da Silva Lima

Analista de Sistemas Front End

  • André Alves Bezerra

Analista de Sistemas Back End

  • Luis Neylor da Silva Oliveira

Técnico de Informática / Ambiente Virtual

  • Luiz Henrique Barbosa Lima
  • Rhomelio Anderson Sousa Albuquerque

Equipe de Produção Audiovisual

Roteiristas

  • Anaísa Alves de Moura
  • Francisco Carlos Ferreira Pereira

Gerente de Produção de Vídeos

  • Francisco Sidney Souza Almeida

Edição de Áudio e Vídeo

  • Francisco Sidney Souza Almeida
  • José Alves Castro Braga

Gerente de Filmagem/Fotografia

  • José Alves Castro Braga

Operador de Câmera/Iluminação e Áudio

  • José Alves Castro Braga

Desenhista/Ilustrador

  • Juliardy Rodrigues de Souza

Designer Gráfico

  • Márcio Alessandro Furlani
  • Cícero Romário Rodrigues

Assesoria Pedagógica/Equipe de Revisores

  • Sônia Henrique Pereira da Fonseca
  • Anaisa Alves de Moura
  • Evaneide Dourado Martins

Gerente de Execução de Projetos

  • Anaisa Alves de Moura

Sumário

Guia do Estudante

O estudante deverá analisar o tema da disciplina em estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-autor do material didático.
É uma síntese dos temas abordados com a intenção de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem.
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o estudante aprendeu durante a disciplina.
Indicação de livros e sites que foram usados para a constituição do material didático da disciplina.

O estudante virtual

O que é ser estudante virtual? É ser uma pessoa que está inserida na sociedade contemporânea, no espaço real, utilizando os recursos das novas tecnologias em seu cotidiano. O fato de permanecer conectado em diversas redes, nas quais estão milhões de pessoas conectadas, principalmente através dos recursos das tecnologias digitais, transpõe a ideia de que habitamos num mesmo espaço físico, isto é, confunde o real e o virtual. Este fenômeno é denominado realidade aumentada.

Um curso a distância exige que o estudante vá além de saber navegar. As conexões do curso, ou de uma disciplina, estão vinculadas por um roteiro de estudo multilinear que se caracteriza pela narração, sobretudo em formato digital, a qual procura usar múltiplas linhas para registrar a produção do texto a partir das escolhas do autor. O hipertexto, ou seja, o texto em formato digital, é adequado ao ambiente hipermídia, que se configura como um leque de prováveis textos interligados, sem uma hierarquia de leitura preestabelecida.

O estudante virtual, diante da tela do computador, assume a função de leitor decodificador da linguagem não verbal, que está nas figuras, desenhos, fotos de pessoas, objetos, animais e outros. Esses elementos presentes no material didático são chamados de ícones, ou seja, tudo que está além dos códigos da linguagem verbal. Por esse motivo, a habilidade de leitura do estudante de ensino a distância deve ser a aquisição daquele “olhar com olhos de ver”, ou seja, compreender o texto e o contexto da informação do material didático na intenção de entender as informações textuais e construir novos conhecimentos. É desse modo que se caracteriza a aprendizagem colaborativa e a sociointeracionista na educação a distância.

Biografias

Bruna Vieira Gomes
Bruna Vieira

Mestranda em Saúde da Família pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista em Saúde Pública e Saúde da Família pela Universidade Castelo Branco (2006). Especialista em Educação a Distância pelas Faculdades INTA (2012). Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2004). Experiência na área de Enfermagem, atuando principalmente nos seguintes seguimentos: saúde pública, saúde coletiva, saúde da família e saúde mental. No campo da Saúde Mental trabalhei como enfermeira assistente da Unidade Psiquiátrica em Hospital Geral e no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) de Sobral. Na Educação trabalhei na produção de material didático e multimídia para Cursos de Enfermagem, como Coordenadora de Curso Técnico em Enfermagem, Docente e como preceptora de estágios do Curso de Graduação em Enfermagem das Faculdades INTA. Atualmente na Assessoria da Coordenação do Curso de Medicina das Faculdades INTA e coordenadora do Curso Técnico em Vigilância em Saúde da Escola de Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia - EFSFVS.

Otávia Cassimiro Aragão
Otávia Aragão

Enfermeira, Especialista em Saúde Pública e Saúde da Família e em Obstetrícia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA (2001). Especialista em Educação a Distância pelas Faculdades INTA. Mestre em Ciências da Educação na área em Educação em Saúde, em curso nas Especializações de Gestão da Economia em Saúde e Gestão da Qualidade Hospitalar. Exerceu a função de Coordenadora do Curso Técnico de Enfermagem em EAD e foi revisora científica da produção de material didático da enfermagem, em EAD do NITEAD/INTEC/INTA. Atuou como docente responsável pelas Disciplinas de Introdução à Enfermagem e Primeiros Socorros do Curso Técnico de Enfermagem do INTEC. Publicou 14 livros e 06 trabalhos em anais. Colaborou com o Estudo Multicentro Assent 4 TCI da Boehringer Inglelhein LTDA, Estados Unidos de 2004 a 2005. Atualmente é Coordenadora do Ambulatório, do Centro de Imagem e da Central de Transporte do Hospital Regional Norte/ISGH e Coordenadora de Projetos e Políticas Inovadoras em Saúde Pública/PMF. Possui um histórico de doze anos de experiência em Instituições Hospitalares de Grande Porte.

José Jeová Mourão Netto
José Jeová

Enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família (Sobral/CE). Especialista em Saúde do Adolescente (UVA) e em Saúde da Família (UFC). Mestrando em Saúde da Família (FIOCRUZ/UVA). Experiência profissional nos níveis de atenção primária, secundária e terciária bem como na docência em nível técnico, graduação e pós-graduação na área de Enfermagem e Saúde da Família.

Michelle Alves Vasconcelos Ponte
Michelle Alves

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (1998), especialista em Educação Profissão e Enfermagem Clínico-Cirúrgica, mestrado em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (2012), Doutoranda em Ciências da Educação na linha de Educação e Saúde pela UTAD/ Portugal. Na área da Docência atua há 11 anos, destacando-se as atividades de professora dos cursos de graduação em enfermagem na Universidade Estadual Vale do Acaraú e Faculdades INTA, ocupando atualmente o cargo de Pró-diretora do Instituto Superior de Teologia Aplicada - Faculdades INTA, na assistência desempenha atividades nas áreas de urgência/emergência e hemoterapia, como enfermeira. Orienta e desenvolve pesquisas nas áreas da Saúde Pública, Enfermagem e Tecnologias da Saúde, com ênfase em uso de substâncias psicoativas: CRACK , Urgência/ Emergência e hemoterapia. Participa do grupo de pesquisa em Violência e acidentes: ação pela paz (diretório dos grupos - CNPq) e coordena o grupo de pesquisa em substâncias psicoativas (Faculdades INTA).

Apresentação

Seja bem vindo à disciplina de PRIMEIROS SOCORROS.

Para início de conversa

Os primeiros socorros são os primeiros cuidados prestados ao paciente logo após ter sofrido um acidente. São procedimentos simples que visam manter as funções vitais do acidentado e evitar complicações até a chegada da assistência especializada.

Mesmo sabendo que os primeiros socorros são procedimentos simples, é necessário um mínimo de treinamento para realizar um atendimento seguro para o socorrista e para o socorrido. Caso uma pessoa despreparada realize os primeiros socorros em uma situação de emergência, pode agravar a situação do paciente e até mesmo colocar-lhe a vida em risco.

Como resultado desta aprendizagem você estará apto a realizar uma abordagem adequada, rápida e com segurança, em situações de primeiros socorros.

O nosso livro é composto de duas unidades de estudo. Na primeira, abordaremos as habilidades e atitudes necessárias a um socorrista, como realizar a observação do cenário do acidente, e como agir de forma segura, evitando assim agravamento da situação do acidentado. A segunda unidade discorre sobre a realização da avaliação primária, como o transporte do paciente pode ser realizado de forma segura para uma unidade de pronto atendimento, tendo em vista sua gravidade e o número de socorristas disponíveis e sobre as principais situações em que há necessidade de primeiros socorros como: acidentes automobilísticos, afogamentos, queimaduras, corpo estranho, convulsões, ferimentos.

Ao finalizar o estudo dessa disciplina, o estudante estará apto a realizar uma abordagem adequada, rápida e com segurança em situações que exigem primeiros socorros.

É importante todas as pessoas terem o mínimo de conhecimento em primeiros socorros, pois qualquer um pode passar por situações adversas e necessitar prestar primeiros socorros a alguma pessoa. Com conhecimento e segurança poderemos prestar um socorro adequado.

Bons estudos!

Os autores.

1
Etapas Básicas em Primeiros Socorros

CONHECIMENTOS

Compreender os fundamentos teóricos de Primeiros Socorros e as medidas de biossegurança.

HABILIDADES

Identificar os processos de atendimento em situação de urgência e emergência.

ATITUDES

Realizar uma abordagem adequada, rápida e segura em situações de Primeiros Socorros;

Ter ética, domínio dos conteúdos, habilidade manual, equilíbrio emocional e agilidade.

Primeiros Socorros

São uma série de procedimentos simples e imediatos que devem ser prestados rápida e adequadamente a uma vítima de acidente ou mal súbito. Tais cuidados têm como finalidade manter as funções vitais em situações de emergência e evitar o agravamento das condições da vítima, podendo ser aplicados por pessoas treinadas para esta finalidade, até a chegada de assistência especializada.

Habitualmente os primeiros socorros são aplicados às vítimas de acidentes de trânsito, de afogamentos, de incêndios, de acidentes com armas, de mal súbito (ataques cardíacos, epilépticos, convulsivos, etc.) ou de tentativas de suicídio.

Acidente

As inúmeras situações de perigo às quais estamos expostos poderiam ser minimizadas se a primeira pessoa a ter contato com o paciente tivesse bons conhecimentos em primeiros socorros. Muitas vezes essa provisão é decisiva para o futuro e a sobrevivência da vítima.

Qualquer pessoa habilitada poderá ser socorrista, devendo proceder com serenidade e confiança. Além de conservar o domínio próprio, é igualmente importante, durante o socorro, ajudar as pessoas a manter o autocontrole. Em virtude das circunstâncias de cada acidente, devem-se evitar o pânico e a confusão, procurar a colaboração de outros, dar ordens claras e objetivas, manter afastados os curiosos e ampliar o espaço para atuação.

Habilidades e atitudes do socorrista

Os requisitos básicos para ser um socorrista são: a iniciativa, o dinamismo, o poder de liderança, o fácil discernimento, rapidez, sentimento de segurança e atitudes eficazes. É sua função evitar erros na prestação da assistência e assegurar qualidade no atendimento, através de etapas que incluem a observação e avaliação de riscos potenciais, a obtenção de dados de interesse diagnóstico, a neutralização de riscos, a promoção da segurança para a remoção da vítima, a determinação de prioridades de cuidados, o acionamento de serviços se necessário, a correção ou redução da gravidade de lesões na vítima e a sua condução ao tratamento especializado. Considera-se atribuição de um socorrista a aptidão para ministrar atendimentos de emergência, estabelecendo um tratamento imediato e eficiente às vítimas.

Dentre os princípios básicos deste tipo de atendimento destacam-se:

• A agilidade do socorrista, o reconhecimento e a reparação das lesões do acidentado;

• A assistência pode ser dividida em etapas que permitam maior organização e resultados mais eficazes;

• Recomenda-se a quem presta assistência que procure conhecer a história do acidente, solicite ou mande solicitar um resgate especializado enquanto executa os procedimentos básicos, sinalize e isole o local do acidente (quando no trânsito) e durante o atendimento utilize Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Em situações de emergência as ações dispensadas à vítima devem promover tranquilidade. A calma do acidentado é de grande importância. Suas condições podem se agravar se ele estiver com medo, ansioso e desconfiado do cuidador. Um tom de voz confortante, produzido pelo socorrista, estimula na vítima a sensação de confiança.

O profissional deve estar focado na relevância de uma assistência eficiente, mantendo o paciente com vida até a chegada do socorro especializado ou até a sua remoção para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Nunca tente transportar um acidentado ou medicá-lo sem suporte especializado e prescrição médica.

São procedimentos indispensáveis em primeiros socorros: avaliação da cena, exame primário, exame secundário, monitorização e reavaliação. Vamos agora conhecer um pouco mais sobre cada um desses procedimentos:

Avaliação da cena do acidente

A avaliação do local do acidente é a etapa inicial em prestação de socorro. Ao chegar ao local onde se encontra um acidentado, deve-se realizar uma rápida e acautelada avaliação da ocorrência e tentar obter o máximo de elementos possíveis sobre o acidente.

A coleta de informações inclui a observação de familiares e testemunhas e a aparência do local do incidente (a impressão criada influencia a avaliação do socorrista). Há uma abundância de dados a serem coletados olhando, ouvindo e listando o maior número de informações sobre o ambiente, os mecanismos do trauma, a situação pré-incidente e as condições gerais de segurança.

Ao se aproximar do paciente, o socorrista deve ser ágil e objetivo, observando rapidamente se existem perigos para o acidentado e/ou para a equipe nas proximidades da ocorrência, primando sempre pela segurança de ambos. A segurança da equipe é prioridade na aproximação de toda cena. Não deve tentar um salvamento sem estar habilitado, sob pena de tornar-se uma nova vítima. Se a cena está insegura, o socorrista se manterá resguardado até a chegada de equipes apropriadas que garantam a proteção de todos.

O socorrista deve retirar a vítima em condição de perigo para um local garantido antes de começar sua avaliação e o tratamento. Deve-se impedir que testemunhas ou pessoas com autocontrole afetado, prejudiquem a assistência, desloquem ou manejem o acidentado, causando novas lesões ou agravando as já existentes.

São exemplos de perigos potenciais: fogo, fios elétricos soltos e desencapados, explosivos, armas, inundações, condições ambientais desfavoráveis, tráfego de veículos, andaimes, vazamento de gás, máquinas funcionando, dentre outros. Observar se familiares ou outras pessoas presentes são os possíveis agressores, portanto, um risco potencial.

O socorrista deve, ainda, identificar pessoas que possam ajudar a desligar a corrente elétrica, evitar chamas, faíscas e fagulhas, retirar a vítima, evacuar área em risco iminente de explosão ou desmoronamento, entre outras providências.

Há vários questionamentos que poderão ajudar na abordagem da situação.

O que verdadeiramente ocorreu?

Por que foi solicitado socorro?

Qual o mecanismo do trauma?

Quais as forças e energias que causaram as lesões no paciente?

Quantas pessoas estão envolvidas e suas faixas etárias?

São necessários outros recursos (ambulância, polícia, bombeiro, companhia elétrica, equipamento especial para retirada de ferragens, transporte aéreo)?

Precisa-se de um médico para colaborar na triagem ou na assistência das vítimas?

Às vezes um problema clínico como um ataque cardíaco ou um desmaio pode resultar numa colisão.

Todas as informações sobre o local do acidente devem ser verificadas anteriormente à avaliação individual da vítima, sabendo-se que a avaliação da cena redunda em benefício da avaliação do acidentado.

A avaliação do acidentado

O conhecimento das condições do traumatizado é a base para as decisões de atendimento e transporte. Busca-se prioritariamente avaliar seu estado geral e a funcionalidade dos seus sistemas vitais: respiratório, circulatório e neurológico. Devem ser imediatamente assistidas quaisquer condições que mereçam atenção anterior à remoção para a Unidade de Pronto Socorro.

A avaliação deve ocorrer na posição em que o acidentado for achado. As mobilizações devem ser realizadas com segurança, sem aumentar o trauma e os riscos. Manter o acidentado deitado de costas, sempre que possível, até que seja examinado e se saiba quais os agravos sofridos. Não fazer quaisquer alterações na postura da vítima, sem antes definir cautelosamente a melhor conduta para o caso.

A vítima com traumatismo em vários órgãos e sistemas corpóreos é considerada grave. A máxima prioridade, neste caso, é a identificação e a assistência urgente às necessidades que ponham em risco a vida. Para esses acidentados o socorrista deve realizar apenas o exame primário. O foco está na avaliação rápida, começando em seguida a reanimação e o transporte para o hospital, prestando o atendimento pré-hospitalar no percurso.

A avaliação geral do paciente consiste em: verificar o estado respiratório, circulatório e neurológico do doente para constatar se há problemas exteriores evidentes e significativos, ligados a deficiência na oxigenação e presença de hemorragias ou deformidades óbvias.

Ao abordar a vítima pode-se verificar:

• Se ela tem uma respiração ajustada ou forçada (movimentos torácicos e abdominais com entrada e saída de ar pelas narinas ou boca);

• O estado de consciência (se alerta ou inconsciente, a coerência das respostas às indagações);

• Consegue se movimentar espontaneamente;

• Se o pulso está presente, qual a qualidade e frequência cardíaca; enchimento capilar; temperatura (observação e sensação de tato na face e extremidades);

• Cor e umidade da pele.

Perguntar a vítima “o que aconteceu e onde dói”. A resposta indica se o paciente pode localizar a dor e identificar os pontos mais prováveis de lesão. A verbalização do paciente fornece ao socorrista informações sobre o estado das vias aéreas, a atividade mental, a urgência da situação e sobre as pessoas envolvidas.

Na sequência, examina-se com atenção a vítima no sentido cefalocaudal (da cabeça aos pés), buscando sinais e sintomas de sangramento ou hemorragia (se presente, avaliar o volume e a qualidade do sangue que se perde, se arterial ou venoso), e coletando todos os dados necessários ao exame primário.

Em seguida realizar uma breve análise das diversas partes do corpo, evitando exposição desnecessária do acidentado. Neste momento verificar se há ferimento, cuidando para não movimentá-lo demasiadamente. Os elementos do exame primário e secundário devem ser memorizados na sua sequência lógica a fim de tornar ágil a assistência.

No exame secundário, aborda-se o histórico e o exame físico da cabeça aos pés, como complemento do exame primário, identificando e tratando todas as lesões potencialmente fatais.

É imprescindível, em primeiros socorros, ter domínio da aferição dos sinais vitais por serem úteis na avaliação do estado físico de uma pessoa. São eles: temperatura, pulso, respiração e pressão arterial.

Vejamos agora cada um dos sinais vitais e o que observar no paciente em casos de emergência:

Temperatura

A variação térmica humana ideal oscila entre 35,9 e 37,2ºC, porém em algumas situações de emergências a temperatura pode se alterar subitamente. A seguir tem-se a Tabela 1 com as variações normais de temperatura por região do corpo verificada.

Tabela 1: Valores esperados para temperatura do corpo humano por região examinada.
Região Temperatura em graus Celsius (ºC)

Axilar

36 a 36,8

Inguinal

36 a 36,8

Bucal

36,2 a 37

Retal

36,4 a 37,2

Verifica-se a temperatura nas regiões axilar, inguinal, bucal e retal. Contraindica-se a verificação da temperatura quando está sendo influenciada por agentes externos ou quando, para sua aferição são necessárias mobilizações que possam agravar a condição do paciente ou causar alguma lesão. Eis algumas dessas situações: após ingestão de líquidos quentes ou frios, principalmente em crianças; pacientes inconscientes; queimaduras nas áreas de verificação; fratura dos membros; exposição a calor intenso ou a ambientes excessivamente frios. A temperatura também pode ser afetada por infecções, pela presença de tumores, em casos de acidente vascular e traumático ou por qualquer mecanismo que desajuste a regulação térmica do corpo.

Os extremos de temperatura corpórea, por longo período de tempo, podem causar danos irreversíveis.

Segue, na Tabela 2, a nomenclatura usada para as variações de temperatura que o corpo humano pode apresentar.

Tabela 2: Correlação entre o estado térmico e a temperatura corporal verificada.
Estado Temperatura (°C)

Hipotérmico

34-36

Normotérmico

36-37

Febril

37-38

Febre

38-39

Pirexia

39-40

Hiperpirexia

40-41

Na condução da hipertermia, devem ser colocadas compressas úmidas em áreas de maior calor, como testa, axilas, virilhas, mãos e pés ou coberta fria no corpo todo; pode, ainda, ser dado um banho frio. Na hipotermia, utilizar compressas quentes e infusão de soluções cristaloides (soro) aquecidas, se prescrito. Em primeiros socorros devemos nos ocupar em tratar a sintomatologia da febre e suas complicações, pois não há tempo suficiente para atender as suas causas.

Pulso

Onda gerada pela pressão do sangue sobre uma artéria, regularmente ritmada pelos batimentos cardíacos, sendo de fácil palpação. Ele pode sofrer alterações conforme a idade, como veremos na Tabela 3.

Tabela 3: Variações da frequência cardíaca do pulso, conforme a idade.
Variação de Pulso por Idade (PPM)

Crianças Lactentes

110 a 130

Crianças menores de 7 anos

80 a 120

Crianças maiores de 7 anos

70 a 90

Puberdade

80 a 85

Homem

60 a 70

Mulher

65 a 80

Adultos maiores de 60 anos

60 a 70

Além da variação esperada da frequência, o pulso pode sofrer alterações quanto ao ritmo e volume.

Quanto ao ritmo classifica-se em:

• Taquicárdico (acelerado);

• Normal;

• Bradicárdico (lento);

• Sinusal (regular);

• Arrítmico (irregular).

Quanto ao volume pode ser considerado cheio ou filiforme.

A técnica para verificar o pulso do paciente consiste em, com o dedo indicador e médio, palpar a artéria desejada, acomodando o membro escolhido em posição adequada. Em casos emergenciais, verificar preferencialmente as artérias carótida e radial. Imprimir uma pressão suficiente para sentir a pulsação sob os dedos sem causar restrição do fluxo sanguíneo no local. Identificar, além da frequência, outros parâmetros citados na tabela anterior. O dedo polegar, por apresentar pulsação própria, pode confundir o examinador e deve ser evitado ao se palpar uma artéria. A frequência do pulso deve ser contada em minuto. São permitidas verificações em frações de tempo menores para pacientes com ritmo regular. A regularidade pode ser verificada de 5 em 5 segundos, ou seja, contar quantas vezes o pulso é sentido neste período para determinar se a cada 5 segundos o paciente apresenta o mesmo número de batidas. Exemplificando uma pessoa que apresenta em 5 segundos 8 pulsações, nos 5 segundos seguintes mais 8, nos seguintes mais 8, mostra uma regularidade de ritmo.

Veja nas figuras que seguem os locais para verificação de pulso.

Pulso
Artérias

Respiração

A conduta basal em primeiros socorros, durante o exame físico do paciente, é averiguar seu padrão respiratório. A respiração varia quanto ao tipo e frequência (veja Tabela 4) e é facilmente alterada por doenças, acidentes, vias aéreas obstruídas pela língua da própria vítima, ou pela presença de secreções, corpos estranhos, edema (inchaço) e vômito aspirado. A asfixia produzida por obstrução da passagem de ar, quando prolongada, poderá evoluir para uma parada cardiorrespiratória, se não revertida a tempo.

Tabela 4: Variações da frequência respiratória conforme a idade.
Idade Frequência Respiratória (RPM)

Lactentes

30 a 40

Criança

20 a 25

Homem

16 a 18

Mulher

18 a 20


RPM: respirações por minuto

mmHg: milímetro de mercúrio

Conta-se a frequência respiratória observando a elevação do tórax e abdome ou verificando as saídas de ar das narinas. São fatores que alteram o ritmo respiratório: atividade física, frio, calor, sono, doenças nervosas, coma diabético, problemas cardíacos, estresse emocional e drogas depressoras.

A respiração pode ser classificada quanto a sua frequência em:

• Bradpneia (diminuída);

• Eupneia (regular);

• Taquipneia (acelerada);

• Hiperpneia (acelerada e profunda);

• Dispneia (irregular);

• Apneia (ausente).

Pressão Arterial

É conceituada como a força que o sangue impulsionado pelo coração exerce sobre as paredes dos vasos.

A pressão arterial (PA) varia normalmente, conforme a Tabela 5 a seguir:

Tabela 5: Valores médios normais de pressão arterial por idade.
Idade em anos Pressão arterial em mmHg

4

85 x 60

6

95 x 62

10

100 x 65

12

108 x 67

16

118 x 75

Adulto

120 x 80

Idoso

140 x 90

A PA pode sofrer alterações pela ingestão de alimentos ricos em sal, período menstrual, gravidez, emoção, sono, convulsão, hipotireoidismo e hipertireoidismo, hemorragia, arteriosclerose e anemia. É prudente investigar os antecedentes pessoais e familiares para hipertensão. Em caso de pico hipertensivo (PA elevada) manter o paciente com a cabeça elevada, calmo, restringir o consumo de sal e líquidos e observá-lo rigorosamente até o atendimento especializado ou transporte para unidade de referência. Se o paciente estiver hipotenso (PA baixa), incentivar o consumo de líquido salgado, mantê-lo com a cabeça em um nível mais baixo que os membros inferiores e transportá-lo para unidade de referência. A medição da pressão arterial pode ser realizada com o paciente sentado, deitado ou em pé.

Continue verificando frequentemente o nível de consciência e a respiração da vítima, palpe com cautela o crânio a procura de fratura, sangramento ou depressão óssea. Continuar pelo pescoço, buscando verificar o pulso na artéria carótida, observando frequência, ritmo e amplitude. Passar os dedos pela coluna cervical, da base do crânio aos ombros, procurando alguma anormalidade. Solicitar que o acidentado mova o pescoço lentamente, de um lado para o outro, se houver dor nessa região, parar qualquer movimentação. Considerando a natureza do acidente, verificar a sensibilidade e a capacidade de movimentação dos membros inferiores e superiores do corpo para confirmar ou descartar suspeita de fratura na coluna cervical.

Correr a mão pela espinha dorsal do acidentado, da região da nuca à região sacral. Perguntar-lhe se apresenta dorsalgia, que pode indicar lesão. Averiguar se existem lesões no tórax, se dói ao respirar ou quando o tórax é comprimido levemente. Verificar no abdome se há algum tipo de ferimento ou dor. Ferimentos de bala são comumente pequenos, profundos, não sangram e têm graves consequências. Apertar com cuidado ambos os lados da bacia para sondar se há lesões. Estimular o acidentado a movimentar vagarosamente os braços e pernas e expressar a presença de dor ou incapacidade funcional. Localizar a dor e buscar deformidades, edema e marcas. Manter imóvel o acidentado de choque elétrico ou traumatismo violento, para um rápido exame. A vítima deve ficar em posição dorsal ou na que achar mais confortável.

No exame do acidentado inconsciente os cuidados devem ser maiores, pois a resposta a estímulos verbais e dolorosos são parâmetros que poderão estar diminuídos ou inexistentes. Além das limitações dos dados sobre o seu estado, a própria inconsciência pode gerar complicações. Manter as vias respiratórias superiores (VAS) desimpedidas é o principal cuidado. Deve-se limpar a cavidade bucal e fazer estender a cabeça ou mantê-la lateralizada para prevenir aspiração de vômito. A mobilização deverá ser mínima. A observação das seguintes situações deve ter prioridade acima de qualquer outra iniciativa: parada cardiorrespiratória, hemorragia abundante, envenenamento, estado de choque, comas, convulsões, infarto do miocárdio e queimaduras extensas do corpo.

Revisando

Para executar os primeiros socorros é imprescindível que o socorrista assuma a situação e mantenha a tranquilidade. Avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos para o acidentado, para os espectadores e para si, antecede qualquer procedimento. Quem oferece socorro não pode tornar-se uma vítima a mais. Nunca seja precipitado. Utilize luvas descartáveis e evite o contato direto com sangue, secreções, excreções ou outros fluidos que podem transmitir doenças.

O acidentado deve ser conservado a salvo dos curiosos, resguardando sua integridade física e moral. Os indivíduos devem ser afastados do local com calma e educação. Em caso de óbito são necessárias testemunhas do ocorrido. As pessoas são mais bem aproveitadas quando são chamadas a colaborar com o socorro através de ordens claras e concisas, como se encarregar de desviar o trânsito ou erguer uma proteção provisória, contatar o atendimento de emergência, buscar material para auxiliar no atendimento (talas e gazes), avisar a polícia se necessário, etc.

Ferimentos ou doença súbita alteram o ritmo de vida das pessoas, por colocá-las subitamente numa circunstância que foge a seu controle e para a qual não estavam preparadas. Suas respostas e desempenhos se diferem do habitual, dificultando sua avaliação do próprio estado de saúde e as implicações do acidente sofrido. Atuar de maneira tranquila e hábil ajuda o acidentado a sentir-se bem cuidado e reduz o pânico, fator responsável pela piora do quadro. Em todo atendimento comunicar ao acidentado consciente o que será feito antes de executar, para que este tenha confiança em quem lhe presta a assistência.

Em casos de choque violento, pressupor a existência de lesão interna. As vítimas de trauma demandam técnicas peculiares de manipulação, pois qualquer movimento desconforme pode agravar o seu estado. É contraindicado seu manuseio até a chegada do atendimento emergencial. O mesmo se aplica aos acidentados presos em ferragens.

O socorrista necessita de uma série de habilidades para prestar o socorro adequado sem esquecer a segurança da vítima e sua própria segurança, atentando sempre para os princípios da bioética.

É de fundamental importância que o socorrista saiba os parâmetros fisiológicos de pulso periférico, frequência respiratória e cardíaca, temperatura corporal e pressão arterial sistêmica.

Autoavaliação

1. É coerente com o conceito de Primeiros Socorros:

( ) Cuidado mediato que deve ser dado rapidamente a uma vítima de acidentes clínicos ou traumáticos, que representam um perigo a sua vida.

( ) Cuidado imediato que deve ser dado rápida e adequadamente a uma vítima de acidente ou mal súbito, que representam um perigo a sua vida.

( ) Cuidado imediato que deve ser dado adequadamente a uma vítima de acidentes ou mal súbito, que representam um perigo.

( ) Cuidado mediato que deve ser dado rápida e adequadamente a um acidentado sem perigo a sua vida.

2. São finalidades dos cuidados de Primeiros Socorros, exceto:

( ) Manter as funções vitais;

( ) Evitar o agravamento das condições da vítima;

( ) Aplicar medidas e procedimentos até a chegada de assistência especializada;

( ) Treinar qualquer pessoa para prestar os cuidados imediatos.

3. São atitudes necessárias na assistência às vítimas de acidentes:

( ) Informar ao acidentado tudo sobre seu estado;

( ) Tom de voz altivo;

( ) Ser tranquilo e passar confiança;

( ) Demonstrar impaciência com curiosos que atrapalham os procedimentos.

4. Nas opções que seguem, assinale V para verdadeira e F para falsa:

( ) A função de quem está prestando os primeiros socorros é primeiro prestar assistência à vítima e depois contatar o serviço de atendimento emergencial.

( ) Fazer o que deve ser feito no momento certo, a fim de salvar uma vida e prevenir danos maiores.

( ) Manter o acidentado vivo e transportá-lo no primeiro transporte que aparecer.

( ) Saber que o mais importante é salvar a vida, mesmo que suas condições físicas sejam limitadas e seu treinamento seja vago.

5. Imagine-se sendo enviado para um cenário onde uma mulher está caída numa calçada, em um cruzamento movimentado. Ao chegar à cena, você percebe que a paciente sofreu algum tipo de trauma, pois apresenta sangramento intenso na cabeça e está imóvel. Qual deve ser sua primeira ação?

( ) Você busca identificar se a paciente pode falar.

( ) Você procura controlar o sangramento da cabeça.

( ) Você garante a segurança da vítima.

( ) Você investiga como aconteceu o acidente.

6. Uma criança de 12 anos vinha da escola, ao atravessar a linha férrea, que fica próxima a sua escola, foi atropelada pelo trem. O garoto está consciente, porém sua perna esta sob as rodas do trem e há muita perda de sangue. O que você faria ao deparar-se com esta situação? A criança corre risco de vida? Que cuidados tomar ao socorrer a vítima?

7. Ao andar pela rua você presencia uma senhora vítima de atropelamento por bicicleta. Descreva os passos da avaliação primária. E o que faria na avaliação secundária?

8. Como e com quantas pessoas deve ser realizada a imobilização do paciente com suspeita de politraumatismo?

2
Abordagem primária e atendimento pré-hospitalar

CONHECIMENTOS

Conhecer os cuidados de enfermagem na abordagem em primeiros socorros;

Entender os procedimentos que serão feitos na abordagem primária.

HABILIDADES

Identificar os conhecimentos adquiridos nos procedimentos dos cuidados de enfermagem na abordagem primária e atendimento pré-hospitalar.

ATITUDES

Proporcionar uma assistência técnica de enfermagem à vítima de acidente clínico ou traumático.

Abordagem primária

A primeira hora após um acidente é de vital importância para o acidentado, tendo possibilidades de sobrevivência se este tempo for otimizado. Quanto mais precocemente uma vítima for estabilizada, maiores as possibilidades de recuperação. Algumas estatísticas determinam que, para cada minuto perdido, as chances de êxito decrescem 1%. Os primeiros 10 minutos devem ser utilizados para alarme, deslocamento, reconhecimento e estratégias dos socorristas. Os 10 minutos seguintes servem para estabilização da vítima. Os próximos para acesos venosos, se necessários, com reavaliação constante e transporte ao pronto socorro mais próximo.

Maca

Para a abordagem inicial é necessário um acesso seguro à vítima, com identificação rápida das situações de comprometimento, ou seja, vias aéreas e sistema circulatório, com início imediato dos procedimentos.

Daí a importância dos treinamentos em primeiros socorros. Estes treinamentos fundamentam-se no Suporte Básico de Vida (SBV), que se constitui na ordenação e sistematização dos cinco principais itens responsáveis pelo controle da vida do doente acidentado que devem ser continuamente verificados no atendimento e representam:

Abertura das vias aéreas com estabilização da coluna vertebral;

Boa respiração;

Circulação com controle de hemorragias;

Déficit neurológico;

Exposição com controle ambiental.

Abertura das vias aéreas com estabilização da coluna cervical

Respiração
Abertura da VAS com estabilização da coluna cervical.

As vias aéreas devem ser vistas rapidamente para garantir sua permeabilidade. Se necessário for, realizar sua abertura e limpeza. O seu comprometimento por obstrução deve ser evitado através de método manual, ao inclinar cuidadosamente a cabeça para trás e levantar o queixo. Para, além disso, verifique se existem corpos estranhos dentro da cavidade bucal (por exemplo: existência de secreções, sangue, próteses, comida, etc). Se houver tempo e recurso, pode-se progredir para os meios mecânicos, através de cânula orofaríngea e tubo endotraqueal.

O controle da coluna cervical deve ser realizado sempre que houver suspeita de lesão da medula espinhal e mantida imobilizada até a exclusão desta hipótese. O socorrista não pode esquecer que, enquanto tenta permeabilizar as vias aéreas, pode causar uma lesão na coluna cervical ou agravar danos causados pelo acidente, com consequentes complicações neurológicas, devido à compressão óssea (se houver fratura). O ideal é tentar manter o pescoço em posição neutra, durante a abertura das vias aéreas e a oferta de suporte ventilatório necessário.

Boa respiração

Após conseguir a permeabilidade das vias aéreas, verifica-se a qualidade e quantidade da ventilação do acidentado. O socorrista deve proceder com os seguintes passos:

Respiração

Verificar se a vítima está respirando. Se houver apneia, iniciar imediatamente ventilação assistida com ambu. Quando necessário auxiliar a equipe especializada na inserção de uma cânula orofaríngea, entubação traqueal ou outros meios de manutenção do suporte ventilatório.

Se o paciente estiver respirando, verificar a frequência e a profundidade da ventilação, oferecendo oxigênio por máscara, quando necessário.

Observar a elevação torácica (movimentos respiratórios), se o paciente for capaz de falar, observar se apresenta alguma dificuldade.

Na tabela segue a nomenclatura relacionada à frequência respiratória.

Tabela 6: Valores encontrados na frequência respiratória por minuto verificado.
Estado Frequência Ventilatória (RPM)

Apneia

Ausência de respiração

Bradipneia

12 ou menos

Eupneia

12 – 20

Taquipneia

20 – 30

Taquipneia grave

Acima de 30

Dispneia

Ritmo irregular

caricatura

Como a desobstrução das Vias Áreas Superiores é de importância vital, vamos nos deter mais neste tema...

Em algumas situações as vias aéreas podem ficar obstruídas por sangue, vômitos, corpos estranhos (pedaços de dente, próteses dentárias, terra) ou pela queda para trás da própria língua do acidentado, como acontece nos casos de convulsões e inconsciência. Em crianças são comuns obstruções por pedaços de alimento, balas e moedas.

Vias Aéreas
Vias Aéreas Superiores (VAS)

A assistência começa pela desobstrução das vias aéreas, removendo corpos estranhos. O socorrista deve colocar a vítima deitada de lado, com a cabeça e o pescoço alinhados no mesmo plano do corpo. Abrir a boca do paciente com o dedo polegar tracionando o queixo, ao passo que, com o dedo indicador, retira rapidamente a causa da obstrução, tornando a via pérvia novamente.

Boca-a-boca
Criança

Nos casos de crianças pequenas, deve-se pendurá-las de ponta cabeça e bater na região dorsal (entre omoplatas) com a mão espalmada. Em crianças maiores, deitá-las sobre os próprios joelhos, inclinando o tronco e a cabeça para baixo, proceder do mesmo modo indicado no caso anterior. Encerrada esta etapa, centralize a cabeça da vítima inclinando-a para trás, exercendo com as mãos, uma na testa, outra na mandíbula, um tracionamento.

O controle da ventilação e sua manutenção são dirigidos para recuperar a frequência respiratória fisiológica em caso de asfixia ou apneia (equivalente a uma parada respiratória). O que indica essa parada é a ausência dos movimentos diafragmáticos. O diafragma é um músculo responsável pela respiração, que desempenha os movimentos torácicos e abdominais.

Se a respiração não for recobrada em poucos minutos (3 ou 4), o paciente evolui para óbito, porque o oxigênio é indispensável ao cérebro. A inexistência de frequência respiratória, com o coração em funcionamento é conhecida como asfixia, cujas principais causas estão listadas na Tabela 7.

Tabela 7: Classificação da asfixia segundo a causa.
Classificação Causa

Obstrução da entrada de ar

Secreção, ossos, alimento, ou qualquer outro corpo estranho; edema da faringe; estrangulamento, afogamento e soterramento.

Oxigenação insuficiente

Grandes altitudes, locais sem ventilação, incêndios em ambientes fechados, excesso de gases tóxicos, incluindo fumaça de motores.

Traumatismo ou compressão

Crânioencefálico, de face (boca), de pescoço (traqueia) e do tórax (pulmão).

Paralisação do centro respiratório

Acidente Vascular Cerebral, descarga elétrica, envenenamento, abuso de tranquilizantes, psicotrópicos, anestésicos e álcool.

A asfixia tem como sinais e sintomas: respiração arquejante, acelerada ou ofegante, face, lábios e extremidades cianóticos (azulados), dilatação das pupilas, déficit de consciência, agitação psicomotora e até convulsões.

As condutas realizadas visam à recuperação da passagem de ar das vias aéreas superiores (boca e narinas), desobstruindo-as, mantendo-as pérvias e sob observação rigorosa até o restabelecimento do paciente.

É importante afastar a causa, afrouxar roupas (em torno do pescoço, tórax, abdome), manter o socorrido deitado, avaliar nível de consciência, posicioná-lo, se inconsciente, com a cabeça lateralizada. Prevenir hipotermia, evitar ingestão de líquidos (risco para broncoaspiração), evitar o esforço físico imediatamente após o retorno à respiração normal. Se houver necessidade extrema de remoção, realizá-la com o paciente sentado. Solicitar ajuda ainda que haja sucesso nas manobras de recuperação.

Circulação com controle de hemorragias

O socorrista deve tratar hemorragias externas, ainda no exame primário, de acordo com as etapas que seguem:

• Pressão manual direta no local do sangramento, aplicando um curativo com gases ou compressa;

• Se não conseguir controlar o sangramento, elevar a extremidade afetada, tendo o cuidado com fraturas e luxações;

• Aplicar pressão profunda sobre a artéria proximal da lesão;

• Pensar em torniquete em último caso.

Déficit neurológico

Posteriormente à avaliação e correção dos fatores relativos à oxigenação pulmonar e à circulação corpórea, o próximo passo é verificar a função cerebral. A escala de Glasgow é bastante utilizada nessa avaliação.

Se o paciente estiver inconsciente, desorientado e incapacitado para responder a comandos, devem ser avaliadas as pupilas. As pupilas são iguais, arredondas e sensíveis a luz (fotorreagente)?

Veja a seguir a Escala de Coma de Glasgow, muito utilizada para a avaliação neurológica. Você terá oportunidade de vivenciar na prática profissionais de saúde utilizando-a, especialmente nas unidades de urgência e emergência.

ESCALA DE COMA DE GLASGOW

ABERTURA OCULAR

Espontânea

4

À voz

3

À dor

2

Sem abertura

1

RESPOSTA VERBAL

Apropriada

5

Confusa

4

Palvras inapropriadas

3

Sons incompreensíveis

2

Sem resposta

1

RESPOSTA MOTORA

Obedece a comando

6

Localiza estímulo doloroso

5

Retirada à dor

4

Decorticação à dor

3

Descerebração à dor

2

Sem resposta

1

Total

15

As pupilas fornecem indício do estado neurológico.

AVALIAÇÃO DAS PUPILAS

TIPO

MOTIVO DAS ALTERAÇÕES

Midríase paralítica

Morte cerebral

Miose

Uso de alguns tipos de drogas

Anisocoria

Lesão cerebral localizada devido a TCE, AVC

Pupila é a abertura central na íris (olhos), contraindo-se e dilatando-se conforme a exposição à luz. Sua dilatação total indica hipóxia cerebral, exceção nos casos de envenenamento e utilização de colírios midriáticos. Outros fatores que causam reações nas pupilas são: vivências estressantes, conflito, atemorização, pré-choque, parada cardiorrespiratória, traumatismo craniano. As pupilas devem ser examinadas colocando-se uma fonte de luz na lateral do olho para avaliar sua dilatação, reatividade e simetria.

Pupila

A miose é a contração da pupila reagindo à luminosidade (fotorreagente).

A midríase é a dilatação da pupila, se completa em torno de 1 min e 45 segundos após a PCR.

Exposição com controle ambiental

Realizadas as primeiras quatro etapas do ABCDE, prosseguimos agora com a exposição do corpo da vítima, tendo sempre em mente o risco da evolução do quadro para hipotermia, principalmente se a vítima estiver com hemorragia importante. É nesta etapa que analisamos todo o corpo da vítima, identificando áreas lesionadas e possíveis lesões internas. Observamos a presença de escoriações, perfurações, hematomas, fraturas expostas, edemas, equimoses e qualquer tipo de outro sinal que possa indicar trauma. Atente para o risco de hipotermia: desligue condicionadores de ar e ventiladores, evite lugares frios ou líquidos gelados em contato com a vítima.

Tirar as roupas do paciente é fundamental para a avaliação de lesões. A quantidade de roupa a ser tirada vai depender das condições e das lesões encontradas. Em alguns casos esta etapa é desnecessária. O socorrista não deve ter receio de remover as roupas da vítima se esta for a única maneira de realizar uma completa avaliação.

Transporte

Nos casos em que se evidencia risco de morte, logo após o começo das atividades na cena, ainda no exame primário, deve-se transportar o paciente para uma Unidade de Pronto Atendimento mais próxima. No entanto, é necessário averiguar se o paciente respira e tem pulso, se ausentes iniciar as manobras de reanimação; identificar a presença de hemorragia externa, devendo ser contida; prevenir estado de choque; se há evidências de lesões, fraturas ou traumatismo, que devam ser resguardadas; e se está inconsciente ou consciente, mas impossibilitado de deambular. O socorrido deve ser reavaliado continuamente até a chegada na unidade de destino e sanadas suas necessidades na medida do possível.

O transporte exige um grau elevado de atenção, discernimento, criatividade e praticidade, por ser crucial para a sobrevivência das vítimas em ocorrências graves. Quando bem realizado, com metodologia e cientificamente compatível com cada caso, pode evitar danos ou agravos irreversíveis à integridade física das vítimas. Exige na sua realização: prática, destreza e quase sempre o auxílio de outras pessoas, orientadas pelo socorrista, adotando como princípio a segurança e proteção do acidentado. Outra característica valiosa para o socorrista é a capacidade de improvisar materiais indispensáveis para sua ação utilizando como fonte o próprio local do acidente. Veja a seguir os modelos de macas improvisadas para transporte da vítima.

Maca 01 – Com varas e duas camisas.

As mangas deverão ser viradas ao avesso. As camisas deverão ser abotoadas.

Maca 1

Maca 02 – Cordas de tamanho adequado poderão ser traçadas entre duas varas para formar uma rede flexível e esticada.

Maca 2

Maca 03 – Manta dobrada em duas varas

Maca 3

Maca 04 – Manta sem bastões

Maca 4

O transporte do paciente é uma ação na qual devemos ter o máximo de cautela. Recomenda-se a transferência para o hospital das vítimas que estejam inconscientes, em estado de choque, eletrocutadas, com queimaduras de terceiro grau (grande queimado), com hemorragia profusa, envenenadas, picadas por animal peçonhento, com fratura da coluna vertebral, bacia ou membros inferiores.

O motorista deve ser habilitado e evitar manobras bruscas, além do excesso de velocidade. Não se dispensa o cinto de segurança sempre que possível. Fazer o registro (em papel) dos sinais e sintomas verificados e da assistência prestada e passá-lo para a equipe que irá receber o paciente.

O número indicado de socorristas necessários ao transporte varia conforme as circunstâncias locais, o tipo de incidente, o número de profissionais ou expectadores disponíveis para ajudar e a complexidade das lesões.

Veja nas tabelas abaixo os tipos de transporte de vítima e sua relação com o número de socorristas. Estas informações são baseadas no Curso de Formação de Monitores de Primeiros Socorros, Cruz Vermelha Brasileira, Caderno nº 2, Capítulo 10, 1973.

Transporte com um socorrista

Tipo

Indicação

Técnica

Apoio
Apoio

Vertigem;

Desmaio;

Ferimentos leves;

Pequenas perturbações sem prejuízo da locomoção.

Dispor o braço da vítima na nuca do socorrista;

Segurá-la num abraço lateral.

Colo
Colo

Envenenamento;

Picada de animal peçonhento;

Fratura (exceto coluna vertebral);

Colocar um braço debaixo dos joelhos da vítima e o outro em suas costas.

Costas
Costas

Envenenamento;

Entorses e luxações de membros inferiores (MMII) já imobilizados;

A vítima apoia a região axilar sobre os ombros do socorrista por trás;

O socorrista segura os braços do acidentado e o carrega em posição de arco inclinado para frente.

Bombeiro

Casos sem fraturas e lesões graves.

Exige rapidez e energia física.

Com a vítima em decúbito ventral, o socorrista firma um de seus joelhos ao chão, passa as mãos sob as axilas do acidentado, o levanta e fica de pé.

Arrasto
Arrasto

Pessoas obesas;

Socorrista único;

Inconsciência sem suspeita de lesão na coluna.

Deitar o paciente sobre um lençol, segurar na extremidade onde está a cabeça da vítima, erguer sutilmente e arrastar o acidentado.

Retirada de veículo

Extrema urgência.

O socorrista se põe por trás passando as mãos por baixo das axilas da vítima, põe um de seus braços no seu tórax e o retira do veículo, apoiando suas costas nas coxas.

Transporte com dois socorrista

Tipo

Indicação

Técnica

Apoio
Apoio

Vítimas obesas;

Vertigem;

Desmaio;

Lesões leves;

Vítima consciente.

A vítima coloca seus braços sobre a nuca dos socorristas, que a seguram passando um dos braços pelo seu dorso em diagonal.

Cadeirinha
Cadeirinha

Os socorristas se ajoelham ao lado da vítima, passam um braço sob o dorso e outro abaixo das coxas da vítima. Os dois erguem-se simultaneamente, com a vítima sentada na cadeira improvisada.

Extremidades
Extremidades

Um dos socorristas segura com os braços o tronco da vítima, passando-os por baixo das suas axilas. O outro socorrista, segura as pernas da vítima.

Cadeira
Cadeira

Um socorrista ampara a cadeira pela frente, o outro segura a parte posterior, inclinada-a para trás.

Maca
Maca

Se fratura de coluna vertebral (acolchoar as curvaturas da coluna). Se a vítima tem vias aéreas pérvias e sinais vitais presentes, colocá-la em decúbito ventral.

Como visto o número de socorristas para transportar um paciente acidentado depende principalmente da gravidade da ocorrência. Para transportar, por exemplo, um acidentado inconsciente por conta de afogamento, asfixia e envenenamento, o número ideal é de um a dois socorristas. Já a imobilização de pacientes com suspeita de politraumatismo deve ser realizada com o auxílio de três pessoas, agindo simultaneamente e movimentando a vítima em três blocos:

Primeiro bloco: um socorrista mantém firme cabeça e pescoço do acidentado;

Segundo bloco: outro apoia a região da bacia;

Terceiro bloco: o último segura os membros inferiores, evitando que o socorrido dobre as pernas.

Movimento
Movimento

Realizar os três uma movimentação sincronizada tirando o paciente do chão e alocando-o nivelado numa superfície firme. Restringir o movimento do pescoço com colar cervical ou similar, e dos braços e das pernas com contenção, antes de transportá-lo. Na suspeita de fratura da coluna cervical só transportar com orientação médica, exceto em urgência extrema ou perigo iminente para a vítima e socorrista. Nos veículos, observar se cabeça e corpo do paciente estão alinhados e seguros, em superfície firme e acolchoada.

Transporte com três ou mais socorristas

Tipo

Indicação

Técnica

Lençol
Lençol (pontas)

Contraindicado para lesões de coluna.

Quatro socorristas, cada um segurando as pontas da manta.

Lençol
Lençol (bordas)

Contraindicado para lesões de coluna.

Com a vítima no centro de uma manta, enrolam-se as margens. É necessário pôr a manta sob o acidentado. Dobre uma das margens laterais do tecido, várias vezes e coloque-a debaixo da vítima. Enrole as bordas laterais para levantar e carregá-la.

Colo
Colo

Colo

Colo

Fratura ou luxação de ombro.

Os três socorristas se enfileiram ao lado da vítima (em decúbito dorsal). Abaixam-se apoiados num dos joelhos e com seus braços a levantam até a altura do outro joelho. A vítima é abraçada e levantada, de lado, até a altura do tórax das pessoas que a estão socorrendo.

Se durante a reavaliação da vítima, for percebida alteração no sistema cardiovascular, como má perfusão associada à hipovolemia, levando em consideração que tipagem sanguínea e hemoderivados não estão disponíveis, em geral, no ambiente pré-hospitalar, dar preferência à reposição volêmica por infusão de ringer lactato aquecido (quando possível) durante o transporte. Puncionar acesso periférico na cena só retarda o processo.

Em primeiros socorros há dois contextos que necessitam de triagem (seleção). O primeiro é quando há insuficiência de recursos para atendimento das vítimas. Quando isso acontece, se dá preferência ao transporte dos pacientes mais graves. O segundo refere-se a acidente com muitas vítimas, as quais são classificadas em categorias para serem atendidas.

Vídeos

Manipulação e Transporte do Acidentado - Elevação a cavaleira

Técnica Rolamento 180

Rolamento da vítima em decúbito ventral

Parada cardiorrespiratória

A parada cardíaca é uma interrupção brusca do bombeamento de sangue promovido pelo coração, evidenciado pelo cessar de suas batidas. A parada cardíaca pode ser verificada pela ausculta (ausência de batimento evidenciada através do estetoscópio ou simplesmente encostando o ouvido na região torácica anterior da vítima), pela palpação do pulso carotídeo (ausente) e pela observação da reatividade das pupilas (dilatadas após 45 segundos). A parada respiratória, por sua vez, é a suspensão total da respiração ou a respiração arquejante, incapaz de promover a troca efetiva de gases, ou seja, a absorção de oxigênio para o sangue e a eliminação do acúmulo de gás carbônico para o meio.

A parada cardiorrespiratória tem como causa fatores que podem atuar isoladamente ou em associação, ou ter causa indeterminada. Estão na sua origem: alterações na condução elétrica do coração (fibrilação ventricular e descargas elétricas), oxigenação insuficiente (por interrupção do fluxo coronário, isquemia, hemorragia grave, estado de choque) ou obstrução de vias aéreas (doenças pulmonares, intoxicação por monóxido de carbono e drogas). Quando identificar que a vítima está imóvel, pálida, inconsciente, arresponsiva aos estímulos verbais, solicitar ajuda especializada imediatamente, pois estes podem ser sinais de PCR. Sempre se certificar se a respiração e o pulso estão ausentes, antes de iniciar as manobras de reanimação. Todo paciente com parada cardiorrespiratória está inconsciente. O contrário, porém, não é verdadeiro.

Para o atendimento de vítimas de parada cardiorrespiratória seguiremos as diretrizes da Sociedade Americana de Cardiologia (American Heart Assosciation – AHA) de 2010.

Veremos a seguir a nova cadeia de sobrevivência e seus elos para atendimento de um adulto.

ACE
Cadeia de sobrevivência de ACE adulto da AHA

1. Reconhecimento imediato da PCR e acionamento do serviço de emergência/urgência;

2. Em seguida inicia-se a ressuscitação cardiorrespiratória (RCP) o mais precocemente possível, com ênfase nas compressões torácicas;

3. Rápida desfibrilação;

4. Atendimento pelo Suporte Avançado de Vida;

5. Cuidados pós-PCR integrados.

A Sociedade Americana de Cardiologia fez algumas modificações na ordem do atendimento do Suporte Básico de Vida visualizando a simplificar o treinamento do profissional de saúde e enfatizar a aplicação da RCP de alta qualidade.

Algoritmo de SBV

Veja a seguir o novo algorítimo de suporte básico de vida para o adulto simplificado.

• O profissional de saúde deve verificar rapidamente se há respiração ou se a mesma é anormal ao mesmo tempo em que avalia a capacidade de resposta da vítima;

• Em seguida, deve acionar o serviço de emergência/urgência e buscar o desfibrilador;

• O profissional não deve levar mais do que 10 segundos verificando o pulso, caso não o sinta deve iniciar RCP e usar o desfibrilador, se este estiver disponível;

• Para a realização de uma RCP de alta qualidade tem-se dado maior ênfase as compressões torácicas que devem ser realizadas com frequência e profundidades adequados conforme veremos a seguir.

O socorrista que atua sozinho deve iniciar as compressões torácicas antes de aplicar ventilações de resgate.

CAB

COMPRESSÕES E VENTILAÇÕES

1. No atendimento utilize a sequência C – A – B. Iniciando pelas compressões torácicas, via área e respiração.

2. Para oferecer compressões torácicas efetivas, deve-se “comprimir com força e velocidade”. O tórax deve ser comprimido por 100 vezes por minuto em todas as vítimas, com exceção dos recém-natos.

3. Deve-se permitir que o tórax recue à sua posição normal após cada compressão, usando igual tempo para compressão e descompressão.

4. Limitar ao máximo as interrupções das compressões, pois toda vez que se param as compressões, o fluxo de sangue cessa.

5. O socorrista que atua sozinho deve iniciar a RCP com 30 compressões para reduzir a demora na aplicação da primeira compressão.

6. A frequência das compressões deve ser de, no mínimo, 100/minuto.

7. A profundidade de compressão, em adultos, deve ser de no mínimo 2 polegadas ou 5 cm e em crianças de 4 cm.

8. A frequência deve ser de 30:2, ou seja, 30 compressões para 2 ventilações para um socorrista e 15:2 em dois socorristas para adultos e crianças.

9. Recomenda-se que ao final de 5 ciclos de compressões e ventilações os socorristas troquem de posição em razão do cansaço.

Associação Americana de Cardiologia
(American Heart Association), 2010.

As manobras de reanimação podem determinar a vida ou a morte de uma vítima, no entanto são incapazes de evitar uma lesão cerebral se a parada se estender por período prolongado.

As compressões torácicas são enfatizadas para os todos os socorristas, sejam eles treinados ou não. Caso o socorrista não seja treinado, ele deverá aplicar a RCP somente com as mãos com compressões rápidas e fortes até a chegada e preparação de um desfibrilador ou a chegada de profissionais do Serviço Móvel de Emergência que assumam o cuidado com a vítima.

Na massagem cardíaca por compressão externa do tórax, a vítima é colocada em decúbito dorsal (posição em que o dorso fica para baixo) sobre uma superfície plana. Inicie sempre com as manobras para desobstrução das VAS e ventilação apropriada. Palpe a região mediastinal do tórax, localizando o osso esterno. Ponha a palma de uma das mãos sobre o dorso da outra espalmada e pressione a porção inferior do externo, mantendo os seus braços hiperestendidos (dobrar os braços, durante a massagem cardíaca, equivale ao efeito de uma dobradiça que reduz a força imprimida), siga comprimindo o tórax da vítima, impondo-lhe a pressão de seu peso.

Em recém-nascidos, a compressão torácica deve ser realizada com a força de um único dedo polegar. Em criança maior, comprimir com dois dedos. A proporção entre ventilação e massagem cardíaca varia conforme o número de socorristas.

Observe as figuras abaixo que demonstram a técnica correta de posicionamento das mãos para a realização das compressões torácicas.

Tórax
Compressão
Compressão
Compressão
Compressão

Para proceder com a ventilação boca a boca, posicione a cabeça da vítima corretamente (decúbito dorsal). Remova prótese dentária ou qualquer outro objeto que possa causar obstrução das vias aéreas superiores (VAS). Ponha uma mão debaixo da nuca da vítima e a outra sobre a testa, fazendo uma inclinação para trás (o queixo mais elevado que o nariz evita a queda da língua e a obstrução da passagem de ar).

Como já foi mencionado anteriormente, aperte (com os dedos da mão que foi posicionada na testa) as narinas do paciente para impedir que o ar saia e não chegue aos pulmões. Coloque sua boca sobre a boca do paciente, vedando-a completamente (em crianças pequenas, abarcar o nariz e a boca) e sopre verificando a elevação do tórax. Em seguida, iniciar novo ciclo de ventilação (08 a 10/min). Repetir o processo até a recuperação da vítima ou até receber assistência hospitalar.

Trauma de tórax e abdome

Traumas do tórax são lesões, fechadas ou abertas, situadas na região torácica e geralmente ocasionadas por acidentes de trânsito ou por máquinas pesadas, como as industriais.

A gravidade do trauma irá depender da profundidade e das estruturas lesionadas, já que no tórax se localizam coração, pulmões, timo e vasos sanguíneos importantes. Um atendimento inadequado ou utilização de técnicas erradas pode levar o paciente à morte. Estes tipos de acidentes devem ser sempre considerados como em estados graves, mesmo sem sinais clínicos que o justifiquem.

Os traumas de tórax podem ser fechados ou abertos. Os traumas fechados ocorrem sem rompimento da pele, mas é comum estarem associados a hematomas que indicam o local do trauma na parede abdominal e podem provocar lesões graves em órgãos internos, com risco de choque hemorrágico devido ao sangramento interno. A vítima deve ser levada com rapidez para serviço especializado. Os traumas abertos ocorrem de forma simples, como um ferimento de pequeno sangramento no abdome, ou de forma mais complexa levando até uma evisceração, que ocorre quando órgãos abdominais entram em contato com o meio externo.

Estas perfurações podem atingir a caixa torácica e levar a complicações respiratórias e do metabolismo.

Nos casos de evisceração, não se deve tocar a víscera ou tentar colocá-la para dentro da cavidade. Deve-se providenciar a ida imediata da vítima ao serviço especializado. A víscera deve ser coberta com material estéril ou pano limpo e umedecido com soro fisiológico a 0,9% ou água limpa. Não se recomenda oferecer comida ou água à vítima.

Um atendimento inadequado pode aumentar a gravidade do quadro e por isso a seguinte orientação deve ser seguida:

Conduta no trauma

• É necessário agir com cautela, rapidez e estar calmo;

• Realiza-se curativo com pano limpo ou gaze estéril. Este curativo tem o propósito de evitar a entrada de ar e deve ser fixo firmemente ao redor do tórax, mas sem apertar;

• A vítima deve ser encaminhada rapidamente para serviço adequado.

Trauma abdominal
Trauma abdominal posição do acidentado

Ferimentos

Os ferimentos constituem-se em locais onde a continuidade da pele foi interrompida, sofrendo rompimento, e são ocasionados por traumas contra o corpo. Classificam-se em:

Incisos

Ferimentos geralmente em forma reta e tem como característica as bordas regulares e são causados por objetos cortantes.

Contusos ou Lacerações

Ferimentos são ocasionados por objetos de formato arredondado, ou seja, não apresentam pontas, gerando assim lesões com bordas irregulares.

Ferimentos perfurantes

Ferimentos provocados por objetos pontiagudos e sua gravidade depende da profundidade da lesão. Muitas vezes ferimentos pequenos podem estender-se a grandes profundidades, lesionando órgãos internos.

Transfixantes

Ferimentos que atravessam a estrutura acometida pela lesão, por exemplo, os ferimentos causados por arma de fogo.

Puntiformes

Ferimentos de pequena extensão e tem pouco sangramento.

Avulsões

Ferimentos ocasionads quando a pele é puxada com grande força e podem apresentar sangramento intenso.

Ferimentos

ESCORIAÇÕES - São lesões simples da camada superficial da pele ou mucosas que apresentam solução de continuidade do tecido, sem que ocorra perda ou destruição do mesmo. Geralmente o sangramento é discreto, no entanto são ferimentos bastante dolorosos. Não representam risco à vítima quando isoladas. As escoriações, também chamadas de arranhões, são causadas em sua maioria por instrumento cortante ou contundente. A conduta neste tipo de ferimento é a assepsia com água e sabão.

ESMAGAMENTOS - São lesões comuns em acidentes de trabalho, desabamentos e acidentes automobilísticos. Podem resultar em ferimentos fechados ou abertos. Os esmagamentos de tórax e abdome causam graves distúrbios circulatórios e respiratórios, por isso é importante considerar esse fato em vítimas de acidentes com trauma de tórax ou abdome.

AMPUTAÇÃO - Lesões em que há a separação de um membro ou de uma estrutura protuberante do corpo. Podem ser causadas por objetos cortantes, por esmagamentos ou por forças de tração. Acontecem na grande maioria das vezes no trabalho e em acidentes automobilísticos. O tratamento inicial deve ser rápido, pois dependendo do local afetado pode levar a morte por hemorragia. Existe também a possibilidade de reimplantar o membro amputado. O controle da hemorragia é decisivo na primeira fase do atendimento de primeiros socorros.

Amputação

O membro amputado deve ser preservado sempre que possível, porém a maior prioridade é a manutenção da vida.

Vejamos os três tipos de amputação:

Amputação completa ou total Amputação parcial Desluvamento

O segmento é totalmente separado do corpo.

O segmento tem 50% ou mais de área de solução de continuidade com o corpo.

Quando a pele e o tecido adiposo são arrancados sem lesão do tecido subjacente.

Durante a assistência é importante que não se toque no ferimento diretamente com a mão sem proteção. Estes ferimentos devem ser cobertos e comprimidos com panos limpos ou estéreis, para não correr o risco de infeccionar.

Conduta no ferimento

• Lavar as mãos com água e sabão;

• Deitar o acidentado de costas (em caso de inconsciência ou inquietação);

• Afrouxar as roupas do acidentado;

• Colocar compressa ou pano limpo sobre o ferimento (em caso de hemorragia);

• Prender a compressa com esparadrapo ou tira de pano;

• Se superficial, lavar abundantemente a ferida com água e sabão;

• Realizar tricotomia (corte dos cabelos e pelos), se necessário;

• Cuidado ao retirar as sujidades, não esfregar os ferimentos e não remover coágulos existentes;

Caricatura

• Utilizar gaze estéril para secar, realizando a assepsia no sentido de dentro para fora, para não trazer microrganismos para dentro do ferimento e não utilizar algodão, pois este se prende ao ferimento;

• Não retirar corpos estranhos, pois isto pode piorar a dor e provocar sangramentos;

• Proteger o ferimento com atadura, curativo estéril ou pano limpo.

Bandagens
Recurso de grande emprego pela praticidade facilidade de confeccionar. Suas dimensões devem ser de 100 x 60 cm. É utilizada na proteção de ferimentos, com o cuidado de usar apenas panos bem limpos.

Vamos aprender como fazer uma bandagem:

• Proteja a ferida com pano limpo (ou compressa), cobrindo até ao redor do ferimento;

• Permita que a extremidade do membro ferido fique descoberta, verifique coloração;

• Garanta a firme fixação da bandagem e o ajustamento do curativo;

• O curativo não deve ser muito apertado para permitir a circulação; nem frouxa demais, pelo risco de se soltar;

• Evite o atrito da pele com qualquer superfície,

• Posicione corretamente a vítima dependendo do tipo de lesão;

• Proteja a ferida (ou saliências) com gaze;

• Imobilize a parte do corpo onde está o ferimento.

Bandagem
Bandagem


Bandagem

Bandagem


Bandagem

Entorses, luxações e Fraturas

Quadro clínico diferencial

Tipo Aspecto Deformidade Movimentação Sensibilidade Dolorosa

Entorse

Avermelhado

Edemaciado

Não evidenciada

Presente

Presente (a palpação)

Distensão

Difícil distinção

Edemaciado

Não evidenciada

Pouca

Presente (queimação)

Luxação

Evidente

Ausente

Presente

Fratura

Crepitação com ou sem exposição óssea

Evidente

Incapacidade

Presente

Entorses

As entorses, também conhecidas como torcedura ou mau jeito, são lesões dos ligamentos das articulações e acontecem quando as articulações se esticam de sua amplitude normal rompendo-se.

Quando ocorre entorse há uma distensão dos ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação.

As causas mais frequentes de entorses são:

• Violências como puxões ou rotações, que forçam a articulação;

• Uso de calçados altos;

• No ambiente de trabalho a entorse pode ocorrer em qualquer ramo de atividade.

Em suas formas graves produzem perda da estabilidade da articulação às vezes acompanhada por luxação.

Conduta nas entorses

• Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas. Após este tempo aplicar compressas mornas.

• Mobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição que for mais cômoda para o acidentado.

Luxações

São lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é deslocada de seu lugar. O dano a tecidos moles pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos, nervos e cápsula articular.

Nas luxações ocorre o deslocamento e perda de contato total ou parcial dos ossos que compõe a articulação afetada. Acontecem geralmente devido a traumatismos, golpes indiretos, movimentos articulares violentos. Mas, somente uma contração muscular é suficiente para causar a luxação.

As articulações mais atingidas são o ombro, cotovelo, articulação dos dedos e mandíbula.

Conduta nas luxações

• Imobilizar o local como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição que for mais cômoda para o acidentado.

• Não se deve fazer aplicações de compressas quentes nem massagens no local afetado.

Fraturas

Fratura é um tipo de lesão em que ocorre a quebra de um osso. Ela pode ser fechada (interna) ou aberta (externa).

A fratura é considerada fechada quando não ocorre o rompimento da pele. Suspeita-se desse tipo de fratura quando a vítima apresenta:

• Dor intensa;

• Deformação no local afetado;

• Limitação ou incapacidade de movimento;

• Edema e/ou hematomas no local;

• Crepitação que é a sensação que se tem ao tocar o local afetado percebe-se um atrito entre os ossos fraturados.

A fratura aberta ou exposta se caracteriza pela exposição do osso externamente.

Como imobilizar

• Importante frisar que sob nenhuma justificativa deve-se tentar recolocar o osso fraturado de volta no seu eixo. As manobras de redução de qualquer tipo de fratura só podem ser feitas por pessoal médico especializado. A imobilização deve ser feita dentro dos limites do conforto e da dor do acidentado;

Quando se tratar de fratura de clavícula, omoplata ou braço, bem como lesões em cotovelo recomenda-se imobilizar o osso afetado colocando o braço na frente do peito e sustentando-o com uma atadura triangular dobrada;

• Observar o estado geral do acidentado, procurando lesões mais graves com ferimento e hemorragia;

• Ficar atento para prevenir o choque hipovolêmico;

• Controlar eventual hemorragia e cuidar de qualquer ferimento com curativo, antes de proceder a imobilização do membro afetado;

• Usar talas, caso seja necessário. As talas irão auxiliar na sustentação do membro atingido;

• As talas têm que ser de tamanho suficiente para ultrapassar as articulações acima e abaixo da fratura;

• O membro deve ser mantido numa posição o mais natural possível, não causando desconforto a vítima;

• Improvise talas com material disponível no momento: revista grossa, papelão, jornal grosso;

• Acolchoe as talas com panos ou algo macio para não ferir a pele;

• Amarre as talas com tiras de pano em torno do membro fraturado com cuidado para não provocar insuficiência circulatória.

• A vítima não deve ser deslocada, removida ou transportada sem que o membro ou o local da fratura esteja devidamente imobilizado. A única exceção é para os casos em que o acidentado corre perigo iminente de vida. Mas, mesmo nestes casos, é necessário manter a calma, promover uma rápida e precisa análise da situação, e realizar a remoção provisória com o máximo de cuidado possível, atentando para as partes do acidentado.

Tipos de fraturas: transversa, em galho verde, em espiral, cominutiva, oblíqua e impactada.

Fraturas

Vídeos

Avaliação Inicial da vítima

Saiba como agir em caso de fratura

Choque

O choque é emergência médica grave e exige um atendimento rápido e imediato. Veja no quadro os vários tipos de choque:

Choque Hipovolêmico

É o choque que ocorre devido à redução do volume intravascular por causa da perda de sangue, de plasma ou de água perdida em diarréia e vômito.

Choque Cardiogênico

Ocorre na incapacidade de o coração bombear um volume de sangue suficiente para atender às necessidades metabólicas dos tecidos.

Choque Septicêmico

Condição anormal e grave causada por uma infecção generalizada decorrente da septicemia (infecção que ocorre no sangue causado pela proliferação de bactérias e toxinas/ou sangue venoso).

Choque Anafilático

É uma reação de hipersensibilidade sistêmica, que ocorre quando um indivíduo é exposto a uma substância à qual é extremamente alérgico.

Choque Neurogênico

Choque decorrente de uma lesão medular, levando à perda do tônus simpático,interrompendo o estímulo vasomotor ocasionando intensa vasodilatação periférica e, subsequente, uma diminuição do retorno venoso com queda do débito cardíaco.

O reconhecimento da iminência de choque é extremamente importante para o salvamento da vítima, mesmo que não pouco possamos fazer para reverter a síndrome. Vejamos a seguir os sinais e sintomas do choque:


Choque

Existem inúmeras razões que poderão conduzir ao estado de choque. Dentre as principais causas temos:

• Hemorragias intensas (internas ou externas)

• Infarto

• Taquicardias

• Bradicardias

• Queimaduras graves

• Processos inflamatórios do coração

• Traumatismos do crânio e traumatismos graves de tórax e abdômen

• Envenenamentos

• Afogamento

• Choque elétrico

• Picadas de animais peçonhentos

• Exposição a extremos de calor e frio

• Septicemia

Na maioria das vezes o choque é de difícil reconhecimento, mas podemos em algumas situações adotar condutas para evitá-lo ou retardá-lo. Veja a seguir como prestar atendimento às vítimas de choque.

Vídeo

Sangramento no nariz

Condutas no Choque

• Deitar a vítima de costas;

• Afrouxar as roupas da vítima no pescoço, peito e cintura;

• Verificar presença de prótese dentária, objetos ou alimento na boca e retirá-los;

Choque

• Verificar pulso e respiração, iniciando as técnicas necessárias para o reestabelecimento caso estejam ausentes;

• No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou nariz, deitá-la na posição lateral de segurança (PLS), para evitar asfixia;

• Manter a temperatura corporal, evitando hipotermia;

• Elevar membros inferiores em relação ao corpo, para levar o máximo de oxigênio ao cérebro, isto se não houver fraturas desses membros;

• Não oferecer líquidos a vítima, podendo molhar levemente os lábios;

• Dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura, a vítima deverá ser deitada da melhor maneira possível;

• Tranquilizar a vítima, mantendo-a calma sem demonstrar apreensão quanto ao seu estado;

• Permanecer em vigilância junto à vítima oferecendo-lhe segurança e monitorando possíveis alterações em seu estado físico e de consciência.

Hemorragias

Hemorragia é uma perda copiosa de sangue devido à ruptura de vasos sanguíneos, que pode ser revertida com procedimentos básicos. A hemorragia é nomeada de acordo com a origem de suas manifestações:

• Otorragia (ouvido);

• Epistaxe (nariz);

• Estomatorragia (cavidade oral);

• Hemoptise (pulmões);

• Hematêmese (estômago);

• Metrorragia (vagina);

• Hematúria (aparelho urinário);

• Melena (aparelho digestivo alto);

• Enterorragia (aparelho digestivo baixo).

Podem ser classificadas como arteriais (sangramento em jato pulsátil de cor vermelho vivo), venosas (o sangramento escorre da lesão continuamente, de cor vermelho escuro), espontânea (doença grave), traumática (acidente), externa (extravasa para o exterior do organismo) e interna (sangue no interior do corpo).

A gravidade da hemorragia depende do tipo de vaso atingido (mais sério nas artérias), do calibre do vaso (quanto mais calibroso pior) e da velocidade do sangramento (quanto mais rápido maior a probabilidade de levar ao choque irreversível, parada cardiorrespiratória e morte). Podem ser de origem traumática ou clínica.

Principais causas de hemorragias

Órgão Trauma Clínica

Ouvido

Ferimento no ouvido externo, contusão por corpo estranho e trauma local e craniano.

Doença infecciosa.

Nariz

Lesão por unha ou corpo estranho, traumatismo craniano, contusão, diminuição da pressão atmosférica (locais altos, mergulho), temperaturas elevadas.

Crise hipertensiva, distúrbio nasal, desordem sistêmica, causa desconhecida.

Boca

Lesões por corpo estranho, extração dentária.

Úlceras.

Pulmão

Lesão no tórax.

Abscesso, alergia, bronquiectasia, estenose mitral, embolia pulmonar, tuberculose e tumor.

Estômago

Lesões mecânicas, corpo estranho, ingestão de substâncias tóxicas ou inflamatórias.

Úlcera gástrica, ruptura de varizes esofagianas, cirrose e esquistossomose.

Aparelho Digestivo

Perfuração intestinal.

Doença gástrica, varizes esofagogástricas rompidas, cirrose hepática, febre tifoide, gastrite hemorrágica, retocolite ulcerativa inespecífica, tumores malignos do intestino e reto, hemorroidas.

Vagina

Abortamento provocado, estupro e traumatismo.

Abortamento espontâneo, gravidez ectópica, tumores malignos do útero ou da vulva, hemorragia pós-parto, distúrbio menstrual.

Aparelho Urinário

Traumatismo de rins, ureter, uretra e bexiga.

Nefropatia, cálculo, infecção, tumor, processo obstrutivo ou congestivo após intervenção cirúrgica no trato urinário.

No caso de trauma, os órgãos que produzem sangramentos mais graves são fígado, baço, bacia e fêmur. É sempre bom suspeitar de hemorragia interna quando é uma vítima de acidente violento, de queda de altura, de queda de objetos pesados sobre ela. As hemorragias espontâneas, por problemas clínicos, comumente estão associadas a uma doença grave, sendo a hemoptise a mais crítica.

Sua sintomatologia envolve a anemia, ansiedade, sede, taquicardia, pulso radial fraco ou inexistente, sudorese fria, palidez, taquipneia, enchimento capilar lento, hipotensão, alterações mentais, agitação, confusão ou inconsciência, estado de choque, parada cardiorrespiratória e morte.

A conduta varia conforme a área afetada. Vamos fixar as principais condutas nas hemorragias.

Conduta na hemorragia

GERAL:

• Acalmar o paciente;

• Aplicar compressão direta na própria ferida, ou artéria lesada, e curativo compressivo;

• Expor o paciente para que roupas não ocultem algum sangramento;

• Averiguar a quantidade de sangue perdida;

• Observar presença de feridas penetrantes, equimoses (sangue pisado) ou lesões na pele sobre estruturas vitais;

• Em hemoptise, hematêmese e melena, prestar suporte básico de vida e encaminhar ao hospital;

• Manter a vítima protegida com cobertas, evitando relação direta com chão frio.

• Negar líquidos se inconsciente ou suspeita de ferimento no abdome;

• Conservar a vítima deitada com as pernas mais elevadas que a cabeça, exceto se lesão no cérebro ou crânio ou se dispneia;

• Sobrepor compressas frias no local onde há possibilidade de hemorragia interna.

Hematêmese: vômitos com sangue.

Hemoptise: expectoração sanguinolenta através da tosse

Melena: fezes pastosas de cor escura e cheiro fétido.

SE OTORRAGIA (sangramento no ouvido)

• Como os traumas de crânio (TC) podem originar sangramento que escorrem pelo ouvido, se estiver com líquor, evite estancar e procure um pronto socorro;

• Se descartado TC, utilize um pedaço de gaze, fixando-o até que estanque.

SE EPISTAXE (sangramento do nariz)

• Afrouxar a roupa ao redor do pescoço ou tórax;

• Manter a vítima sentada (tórax encostado e cabeça erguida) em ambiente arejado;

• Verificar o pulso;

• Exercer compressão com os dedos sobre a área externa das narinas;

• Deixar a boca da vítima aberta;

• Colocar compressas frias (testa e nuca);

• Se necessário, por gaze ou similar na narina afetada;

• Advertir a vítima a evitar assuar por duas horas.

SE HEMOPTISE

• Deitá-la em posição lateralizada em repouso;

• Aconselhar que evite falar e se esforçar;

• Fornecer transporte urgente para unidade especializada.

SE HEMATÊMESE

• Manter o acidentado em repouso em decúbito dorsal (ou lateral se estiver inconsciente), não utilizar travesseiros;

• Suspender a ingestão de líquidos e alimentos;

• Aplicar bolsa de gelo ou compressas frias na área do estômago;

• Encaminhar o acidentado para atendimento especializado.

SE MELENA E ENTERORRAGIA

• Deitar a vítima em decúbito dorsal;

• Colocar bolsa de gelo no abdômen (sobre estômago e intestino) ou na região anal (se hemorroidas);

• Transferi-la com urgência para atendimento especializado.

SE METRORRAGIA (sangramento uterino abundante fora do período menstrual)

• Manter a paciente deitada e agasalhada;

• Prevenir qualquer esforço físico;

• Conservar, se possível, a quantidade abolida de sangue e resultados da expulsão uterina (expor ao médico);

• Prevenir o estado de choque;

• Descartar uma possível gravidez;

• Oferecer absorvente íntimo;

• Concentrar bolsa de gelo no baixo ventre.

SE HEMATÚRIA (presença de sangue na urina)

• Encaminhar ao pronto atendimento especializado.

Os Torniquetes

São utilizados somente para controlar hemorragias nos casos em que a vítima teve o braço ou a perna amputados traumaticamente ou esmagados e onde procedimentos normais de estancamento não obtiveram êxito.

Torniquete

Torniquete

Hipertermia

É a elevação da temperatura corporal superior a 40ºC, tendo como possíveis causas: infecção orgânica por doença febril, tumores, traumatismo craniano, acidente vascular cerebral, ou qualquer problema que afete o centro regulador térmico. Outras causas estão associadas à permanência excessiva em locais quentes e úmidos, viroses, lesões em tecidos, dermatites generalizadas, doenças infecciosas parasitárias, câncer e desidratação (infantil).

Conduta na hipertermia

• Enrolar a vítima com tecido umedecido em água fria;

• Como alternativa dar uma banho com água na temperatura ambiente;

• Se houver convulsão ou delírio, não banhar;

• Usar panos (com gelo) na testa;

• Transportar para hospital com urgência.

Insolação

Incidente que acomete pessoas em exposição demasiada a locais excessivamente quentes.

Os principais sintomas são: perda da consciência (ou não), insuficiência do sistema regulador de temperatura do corpo, lesões múltiplas de tecidos, morbidez, insuficiência de órgãos nobres (fígado, rins, coração, cérebro) e óbito. Apresentação lenta de cefaleia, alterações na visão, tontura, confusão mental, náusea, pele sem suor, taquicardia e elevação da temperatura. Apresentação súbita de dificuldade para respirar ou taquipneia (com hiperventilação), palidez, desmaio, elevação da temperatura, cianose de extremidades.

Conduta na insolação

• Enrolar a vítima com tecido umedecido em água fria.

• Como alternativa dar um banho com água na temperatura ambiente. Se houver convulsão ou delírio não banhar.

• Usar panos (com gelo) na testa.

• Transportar para hospital com urgência.

• Diminuir gradativamente a temperatura corporal.

• Encaminhar a vítima para um ambiente arejado e sombreado;

• Livrá-la de roupas, evitando exposição que possa constrangê-lo.

• Se consciente, permanecer em repouso com elevação da cabeça.

• Proporcionar ingestão de líquidos frios (exceto bebidas alcoólicas).

• Umedecer a pele da vítima com água fria, sobrepor compressas frias na fronte e em regiões mais aquecidas do corpo como, pescoço, axilas e região inguinal (virilhas).

• Imergir o paciente em água fria ou cobri-lo com mantas encharcadas.

• Verificar sinais vitais.

• Se houver parada cardiorrespiratória, iniciar as manobras de reanimação.

Queimaduras

As queimaduras são deformações corriqueiras responsáveis pela quarta causa de morte por trauma. Mesmo quando não levam ao óbito, as lesões trazem muito sofrimento físico e incapacidades. As crianças são as vítimas mais comumente acometidas.

Maior órgão do corpo humano, a pele desempenha as funções de proteção contra infecção ou lesão, prevenção contra a perda de líquidos corporais, regulação da temperatura do corpo e captação de estímulos sensoriais do ambiente. Está dividida em duas camadas: epiderme e derme.

Pele
Camadas da pele

As queimaduras são classificadas de acordo com o grau de comprometimento das camadas da pele, ou seja, profundidade e a extensão da superfície corporal atingida. Ressalta-se que a gravidade da queimadura está mais relacionada com a extensão do que com a profundidade.

As queimaduras podem ser classificadas quanto à profundidade e extensão.

a) Profundidade

1° grau: atinge a epiderme e caracteriza-se por vermelhidão e dor;

2° grau: alcança a epiderme e a derme. Além da vermelhidão e da dor, se diferencia pela formação de bolhas;

3° grau: chega a camadas profundas da pele, podendo atingir os ossos.

Queimaduras

Classificação das queimaduras quanto à profundidade.

Grau Agente Aspecto Camada Atingida Vascularização Sensibilidade Dolorosa
Primeiro

Luz solar;

Chamuscação de baixa intensa;

Avermelhado (eritema)

Epiderme

Presente

Presente

Segundo

Líquidos ferventes;

Chamuscação de média intensidade;

Avermelhado (eritema) e com bolhas

Epiderme e derme

Presente

Presente

Terceiro

Chama direta

Esbranquiçada, preta ou marrom

Epiderme, derme e subcutâneo

Ausente

Ausente

b) Extensão. Para determinar a área corporal atingida por uma queimadura utiliza-se a regra dos nove, na qual é atribuída uma porcentagem para cada região do corpo, como vemos na tabela a seguir:

Tabela: Relação percentual da extensão das partes do corpo.
Região do Corpo Porcentagem

Cabeça

9%

Membro superior 9% cada

18%

Tórax anterior e posterior 9% cada

18%

Abdome anterior e posterior 9% cada

18%

Região do períneo

1%

Membro inferior 18% cada

36%

Total

100%

Considera-se como grande queimado as crianças menores de 10 anos e adultos com mais de 55 anos com 10% de área corporal atingida, e as demais faixas etárias se 20% de área corporal sofrer lesões.

Regra dos nove para crianças e adultos.

As queimaduras podem ser ocasionadas por calor, por frio intenso, por agentes químicos e por eletricidade. Dependendo do agente causador da queimadura, serão adotados os procedimentos específicos para cada caso.

Condutas nas queimaduras

Térmicas:

• Interromper o contato;

• Resfriar a área;

• Não passar nenhum tipo de pomada ou solução;

• Retirar roupas que não estejam aderidas;

• Retirar pulseiras e anéis das extremidades queimadas.

Químicas:

• Lavar abundantemente com água corrente por no mínimo cinco minutos;

• Pós químicos devem ter seu excesso retirado manualmente após a lavagem.

Elétricas:

• Interromper o contato com a fonte de energia.

Vídeos

Como agir a queimaduras

Palestra sobre queimaduras

Convulsão

Contração muscular, aguda e forte, com ou sem perda de consciência. Suas causas estão associadas a antecedentes pessoais para convulsão, exposição a produtos químicos, pirexia, hipoglicemia, baixa dosagem de cálcio na circulação sanguínea, traumatismo craniano, acidente vascular cerebral hemorrágico, trauma ou edema cerebral, tumores, intoxicações, epilepsia e doenças do SNC.

Os sintomas incluem inconsciência, queda da própria altura, olhar perdido (ou revirado), sudorese, dilatação da pupila, cianose labial, secreção da cavidade oral espumosa, mordedura da língua (ou lábios), contrações da face, rigidez física, palidez cutânea, contrações desordenadas, relaxamento dos esfíncteres anal e urinário.

Conduta nas crises convulsivas:

• Prevenir queda desamparada da vítima;

• Retirar dentaduras ou pontes;

• Afastar objetos perigosos;

• Não inibir as contrações, porém certificar-se da segurança da vítima;

• Afrouxar suas roupas;

• Manter a cabeça lateralizada;

• Evitar objeto rígido na boca do paciente colocar um pano enrolado entre os dentes;

• Deixar a vítima deitada até que recobre o nível de consciência;

• Se a vítima sentir sono, estimulá-la a dormir;

• Observar seu estado geral, verificar se há ferimentos e sangramento;

• Ficar próximo à vítima até sua plena recuperação.

Convulsão

Afogamento

Considera-se afogamento a morte por sufocação em consequência de submersão, geralmente em água. Cerca de 150 mil pessoas morrem por ano de afogamentos. É a terceira causa mais comum de morte acidental, sendo que 40% desses acidentes ocorrem com crianças abaixo de quatro anos de idade, frequentemente em banheiras e piscinas.

O mecanismo da lesão compreende a falta de oxigênio no cérebro (ver hipóxia e anóxia). Inicialmente, a vítima em contato com a água prende a respiração e faz movimentos com todo o corpo tentando nadar ou agarrar-se em alguma coisa. Nessa fase, pode haver aspiração de pequena quantidade de água, que em contato com a laringe provoca a contrição das vias aéreas superiores. Se não ocorrer salvamento até essa fase, ocorre inundação total dos pulmões, apneia e consequente morte.

Afogamento

Conduta em casos de afogamento:

• Jogar objetos flutuantes para a vítima se apoiar, como boia, colete salva-vidas ou tábuas de dimensão proporcional ao tamanho da vítima;

• Rebocar com um cabo fixado a um objeto flutuante;

• Remar, usando um barco a motor ou a remo, certificando-se de sua segurança;

• Nadar somente quando não forem possíveis os passos anteriores. É preciso ser bom nadador e estar preparado para vítimas em pânico;

• O atendimento à vítima deve se concentrar em retirá-la da água;

• A partir daí realizar a abordagem primária, garantindo uma via aérea permeável e ventilação adequada;

• Realizar manobras de reanimação cardiopulmonar, se necessário;

• Não tentar extrair a água dos pulmões da vítima;

• Transportá-la em decúbito lateral (evitar broncoaspiração), a menos que esteja em parada cardiorrespiratória.

Vídeos

Técnicas de salvamento aquático

Salvamento Aquático

Corpo estranho

Corpo estranho é qualquer partícula de variado tamanho, origem e constituição física, capaz de penetrar nas vias aéreas, esofágicas, faringianas, oculares e auditivas, causando algum dano ou moléstia importante. Eis alguns exemplos: penetração de areia, grãos, insetos, pedaços de espinha de peixe, de ossos, de plástico, de metal e de vidro, farpas de madeira, espinhos e produtos químicos.

Classifica-se pelo local atingido:

• No olho: Órgão mais ameaçado de acidente com corpos estranhos, com alto risco para lesões dolorosas e flagelantes da córnea, conjuntiva e esclerótica, exigindo um manuseio cauteloso.

• Nos ouvidos: A área mais afetada é o conduto auditivo externo, principalmente em crianças.

• No nariz: Mais frequente em crianças, produzindo dor, espirro e coriza. Pode irritar se não for retirado rapidamente.

• Na garganta: Sua obstrução estabelece um risco muito grave.

Condutas na remoção de corpos estranhos

A conduta varia conforme o local afetado.

OLHOS:

• Visualizar no olho o corpo estranho;

• Solicitar que o paciente pisque repetidas vezes para estimular as glândulas lagrimais a lavarem os olhos (o pestanejar por si só poderá remover o objeto), a menos que seja desconfortável lacrimejar devido à dor intensa ou lesão na córnea;

• Lavar o olho com água corrente limpa ou soro fisiológico, evitando friccioná-lo. Corpos estranhos não removidos desse modo devem ser preservados. Cobre-se o olho com um curativo oclusivo (tampão), até o atendimento oftalmológico ou do médico do Pronto Atendimento mais próximo;

• Objetos alojados na córnea não devem ser removidos e seu manuseio é contra-indicado, devendo o paciente ser inibido ao tentar fazê-lo. O curativo, nestes casos, deve ser fixado sem compressão;

• Outra opção é a vítima manter o olho protegido com a ajuda de um lenço (ou similar) segurando-o com a própria mão;

• Na pálpebra inferior, pode-se retirar o corpo estranho com a ajuda das lágrimas ou com água corrente. Se necessário, puxar a pálpebra para baixo e removê-lo com lenço limpo. Com o mesmo artifício remover o objeto na pálpebra superior, após levantá-la e dobrá-la sobre um palito sem ponta para facilitar a visualização.

Olhos

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O olho deve ser sempre lavado, em movimentos de abre-fecha, por no mínimo quinze minutos, com água corrente, imediatamente após ser atingido por alguma substância química. Após, cobrir com gaze e encaminhar ao serviço de saúde.

OUVIDOS:

• Determinar o tipo de corpo estranho;

• Evitar usar qualquer instrumento na remoção;

• Aplicar compressas com bandagens;

• Deitar de lado (o ouvido prejudicado para cima) e retirar;

• Retirar o objeto, se visível;

• Nos casos em que o objeto permanecer ou tiver chance de adentrar mais, procurar socorro especializado;

• Se insetos vivos, em ambiente escuro, acender uma lanterna próximo ao ouvido para atraí-los;

• Encaminhar para atendimento especializado.

NARIZ:

• Comprimir a narina livre com o dedo e pedir ao acidentado para assuar pela narina interrompida. Evitar assuar com força;

• Procurar auxílio médico imediatamente;

• Promover a tranquilidade da vítima (para não inalar);

• Orientar a aspiração pela boca.

GARGANTA:

• Tranquilizar o acidentado;

• Incentivá-lo a respirar;

• Identificar o tipo de corpo estranho;

• Aplicar a tapotagem, compressão torácica e compressão abdominal.

Cólica renal

É um problema de saúde que causa dores intensas e súbitas com espasmos. Ocorre em consequência de alterações renais, principalmente cálculos e de infecções do trato urinário.

Manifesta-se como peso na região dorsal, especificamente na lombar (acima da cintura), do tipo pontadas, ferroadas, cólica ou latejamento, com irradiação para hipogástrio (sobre a bexiga) e flanco (direito ou esquerdo), mais intensamente durante a passagem do cálculo do rim para a bexiga. Pode haver hipersensibilidade do testículo ou irradiação para vagina. A dor às vezes é tão intensa que a vítima pode manifestar palidez, sudorese fria, náuseas, vômitos e temperatura elevada.

Conduta na cólica renal

• Promover conforto à vítima;

• Acalmar e tranquilizá-la;

• Deitá-la em local confortável;

• Afrouxar-lhe as roupas;

• Removê-la imediatamente para um hospital.

Coma diabético

O diabetes sem tratamento adequado ou descompensado pode levar a vítima ao coma, por conta de elevação abrupta e crescente de glicose no sangue (hiperglicemia). As taxas de glicose variam conforme a alimentação e o tipo de alimento. Veja na tabela abaixo os valores normais de glicemia em jejum e pós-prandial (alimentado). A verificação da glicemia capilar só é possível com glicosímetros ou exame laboratorial, nem sempre disponível na ocasião.

Variação Taxa de glicemia capilar mg/dl

Jejum

60 - 110

Após as refeições (1 hora)

Inferior ou igual a 140

Após as refeições (2 horas)

Inferior ou igual a 120

O coma diabético é causado por irregularidade no tratamento hipoglicemiante ou na dieta e infecções. Manifesta-se tanto pela elevação nas taxas de açúcar no sangue, como pela sua redução acentuada.

Perguntar ao paciente, caso esteja consciente, se ele se alimentou e se faz uso de insulina. Alimento sem insulina recomendada pode indicar coma hiperglicêmico; insulina sem alimento é causa provável de coma hipoglicêmico.

SINAIS E SINTOMAS

HIPOGLICEMIA HIPERGLICEMIA

Asfixia, respiração irregular e profunda, pele seca, elevação de temperatura, olhos fundos, odor cetônico, pulso filiforme, taquicardia, pressão arterial inalterada ou mais baixa, alterações na respostas aos estímulos, coma e óbito

Respiração inalterada, palidez, pele úmida, confusão mental, cefaleia (dor de cabeça), recusa a ajuda, pulso cheio, taquicardia, desmaio, convulsões, coma e óbito.

A respiração é o principal sintoma de diferenciação entre a hipo e hiperglicemia.

Condução no coma diabético

• Se coma hiperglicêmico, necessário uso de insulina ou outros medicamentos, que só devem ser administrados com prescrição médica. Transferir a vítima ao hospital mais próximo urgentemente.

• Se coma hipoglicêmico, necessário a ingestão de glicose.

O paciente deve ter sempre em fácil acesso seu cartão do diabético para facilitar a identificação dos medicamentos utilizados, bem como do andamento de seu tratamento.

Descarga elétrica

Descarga

Caracterizada por contrações musculares intensas devido à passagem de corrente elétrica pelo organismo. Os problemas dela decorrentes vão depender da amperagem ou voltagem do choque, da duração do contato e das condições prévias do acidentado. Quanto maior o tempo de contato com a eletricidade maior o risco de morte. Todo cuidado deve ser tomado ao salvar uma vítima de descarga elétrica devido ao perigo iminente para o socorrista.

A vítima tende a apresentar mal-estar, angústia, náusea, cãimbras musculares, dormência, ardor da pele ou falta de sensibilidade, visão de pontos luminosos, cefaleia, ritmo cardíaco irregular e dispneia. Pode evoluir para complicações, como espasmos musculares, queimaduras, necrose, escaras, trauma de crânio, ruptura de órgãos internos, paralisia do bulbo (no Sistema Nervoso Central) com consequente parada cardiorrespiratória e óbito.

As causas são falha nas instalações e equipamentos, despreparo e imprudência da vítima.

Conduta nos acidentes por descarga elétrica

• Antes de prestar auxílio à vítima, desligar corrente elétrica;

• Evitar contato com a vítima até que a condução elétrica seja cortada;

• Enrolar a vítima com tecido umedecido em água fria;

• Em caso de parada cardiorrespiratória, iniciar manobras de reanimação, sem cessar até a chegada do atendimento especializado;

• Se reanimado, realizar o exame físico identificando se há hemorragias, fraturas e queimaduras, prestando atendimento nesta mesma ordem de importância.

Desmaio

É definido como a perda repentina e transitória da consciência, por conta da redução da oxigenação cerebral.

Pode ser causado por baixos níveis de glicose na circulação, dor excessiva, mudança brusca de posição (deitado para em pé), locais sem ventilação, bradicardia, cansaço em demasia, ansiedade, estresse emocional, medo, sangramento intenso. Dentre seus sintomas destacam-se a astenia (fraqueza), diaforese (sudorese fria e exagerada), ânsia de vômito, palidez importante, pulso filiforme, hipotensão, bradipneia, mãos e pés frios, tontura, visão turva (escurecida), perda da consciência e queda.

Condutas no desmaio

Desmaio

Clique aqui e veja o vídeo sobre condutas no desmaio

• Se início de desfalecimento, sentar a vítima numa cadeira, conforme figura que segue, abaixando a sua cabeça, entre as próprias pernas, numa posição inferior ao nível do joelho;

• Incentivar a respiração profunda até melhora do estado geral;

• Se desmaio, deitá-la, com a cabeça lateralizada, elevando os membros inferiores para facilitar o retorno sanguíneo para o cérebro;

Desmaio

• Afrouxar sua roupa;

• Deslocá-la para um local arejado.

Embriaguez

Define-se como o estado alterado devido ao excesso de álcool etílico na circulação sanguínea. Dentre os principais sintomas esperados temos: agressividade, confusão mental, agitação, odor típico, olhar perdido e olhos avermelhados, problemas com a fala, marcha irregular, tontura, sono, náusea, vômito, delírio, insônia, cefaleia intensa, visão turva e coma.

Conduta na embriaguez

• Evitar que a vítima ingira mais bebida alcoólica;

• Se tiver sono, deitá-la com a cabeça lateralizada;

• Oferecer água morna com sal (gerar vômito);

• Verificar sinais vitais;

• Se PCR, reanimar.

Acidentes com animais

Caricatura

Você sabe a diferença entre animais peçonhentos e venenosos? Você conhece na sua região algum animal que cause envenenamento ao entrar em contato com a pele, ao ser ingerido ou, ainda, ao ser comprimido?

Animais peçonhentos são aqueles que têm dentes ocos, ferrões ou agulhões, por onde o veneno passa. Podemos citar como exemplo: serpentes, aranhas, escorpiões e arraias.

Animais venenosos são aqueles que produzem veneno, mas não possuem aparelho inoculador, provocando envenenamento por contato (lagartas), compressão (sapos) ou por ingestão (peixe- baiacu).

Vamos falar sobre acidentes com serpentes e escorpiões.

Serpentes

As serpentes podem ser classificadas em peçonhentas (venenosas) e não peçonhentas (não venenosas). Mas, visualmente não é tão simples diferenciá-las. A picada das não peçonhentas não provoca manifestações gerais, mas pode causar alterações locais, como dor moderada e inchaço. Vamos conhecer algumas diferenças entre as cobras peçonhentas e não peçonhentas.

Principais características das cobras peçonhentas e não peçonhentas
Tipo Peçonhentas Não peçonhentas

Cabeça

Triangular

Arredondada

Pupilas

Em fenda

Redondas ou em fendas

Presas

Grandes, móveis, anteriores, inseridas no maxilar superior, ocas como agulhas de injeção. Deixam marca de 2 presas no local da picada.

Ausentes ou pequenas, inseridas bem posteriormente na boca.

Cauda

Curta,com afilamento súbito, lisa ou com escamas eriçadas, em chocalho.

Lisa e com afilamento em geral progressivo.

Cobra

Para descobrir se a cobra é ou não peçonhenta, há uma regra geral: caso a cobra apresente um orifício situado entre o seu olho e narina, chamado de fosseta loreal, a cobra pode ser considerada peçonhenta, é a chamada “cobra de quatro narinas”. A única exceção a essa regra é a cobra coral, que não apresenta essa peculiaridade, porém é bastante chamativa, pois é bem colorida.

O grau de toxicidade da picada depende da potência, quantidade de veneno injetado e do tamanho da pessoa atingida.

No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos é devido a serpentes dos gêneros:

SINAIS E SINTOMAS

1. Botrópicos: (Urutu, Jararaca, Jararacuçu) - Fortes dores no local, inchaço, vermelhidão ou arroxeamento e aparecimento de bolhas. O sangue torna-se de difícil coagulação e pode-se observar hemorragia no local da picada, bem como na gengiva.

2. Crotálico (Cascavel): Quase não se vê o sinal da picada, e também há pouco inchaço no local. Alguma hora após o acidente se observa a dificuldade que o paciente tem de abrir os olhos, acompanhada de visão “dupla” (vê os objetos duplicados). O paciente fica com “cara de bêbado”. Outro sinal é o escurecimento da urina, após 6 e 12 horas da picada, caracterizando pela cor de coca-cola. É responsável por 9% dos acidentes.

3. Elapídico (Corais): Pequena reação no local da picada. Poucas horas após, ocorre a “visão dupla”, associada à queda das pálpebras; a vítima também fica com “cara de bêbada”. Outro sinal é a falta de ar, que pode, em poucas horas, causar a morte do paciente.

Conduta nos acidentes com cobras

• Deixe a vítima em repouso absoluto;

• Mantenha a parte afetada em posição mais baixa que o corpo, para dificultar a difusão do veneno;

• Lave o local com água e sabão;

• Afrouxe as roupas da vítima, procure retirar os acessórios que possam dificultar a circulação sanguínea da vítima;

• Tranquilize a vítima;

• Se for possível, capture a cobra, viva ou morta, para posterior identificação.

• Dirija-se urgentemente a um serviço médico. Procure socorro, principalmente após trinta minutos em que ocorreu o acidente;

• A vida do acidentado depende da rapidez com que se fizer o tratamento pelo soro no hospital mais próximo.

Medidas preventivas

• Não andar descalço;

• Olhar com atenção para o chão onde há risco da presença desses animais;

• Torniquete, garrote, incisões e sucções na picada NÃO devem, sob nenhuma hipótese, serem realizadas porque bloqueiam a circulação e podem causar infecção, necrose e gangrena na vítima;

• Não movimentar a vítima, pois o veneno se dissemina com maior facilidade;

• Não mexer em buracos no chão ou em paredes;

• Não ataque esses animais, nem procure importuná-los. Eles o atacarão apenas ao sentirem-se ameaçados.

Escorpiões

Escorpião

Os escorpiões são animais que atacam para se defender. Tem hábitos noturnos. Alguns vivem em lugares áridos e pedregosos, enquanto outros preferem matas e campos.

A sua picada é geralmente dolorosa, o veneno é neurotóxico, ou seja, age no sistema nervoso central. A letalidade depende da toxidade da picada, quantidade do veneno e porte da pessoa atingida. Os escorpiões picam com a cauda, causando muita dor local, que se irradia. A vítima pode apresentar sudorese, vômitos e até mesmo choque.

O tratamento consiste na aplicação local de anestésico e, nos casos mais graves, deve ser usado o soro antiescorpiônico ou antiaracnídio.

Medidas preventivas

• Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;

• Examinar os calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;

Vídeos

Mordidas e Picadas de animais peçonhentos

Dicas que salvam

• Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção;

• Manter limpo o domicílio, observando atrás de móveis, cortinas e quadros;

• Evitar deixar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros. Pode utilizar vedantes em portas, janelas e ralos;

• Combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos preferidos dos escorpiões e aranhas;

• Criar aves domésticas, que se alimentam desses animais.

Envenenamento

Veneno

As vítimas de intoxicações não são doentes propriamente ditos. Na maioria dos casos são pessoas saudáveis que desenvolvem sintomas e sinais decorrentes do contato com substâncias tóxicas. As substâncias podem ser de uso industrial, doméstico, automotivo, etc.

As intoxicações correspondem a 10% dos atendimentos nos serviços de emergência e mais de 5% nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Nos adultos são mais comuns as tentativas de suicídio e nas crianças a intoxicação acidental.

Vias de administração

Ingerido Inalado Absorvidos Injetáveis

Medicamentos, Agrotóxico, Raticidas, Formicidas, Plantas e Alimentos contaminados.

Gases Monóxido de carbono, Amônia, Agrotóxico, Cola de sapateiro, gases de cozinha, Acetona, Éter.

Inseticidas, Agrotóxicos, Outras substâncias químicas que penetram na pele ou mucosas.

Toxinas de diversas fontes como aranhas, escorpiões ou drogas injetadas por seringa ou agulha.

SINAIS E SINTOMAS

• Dores de cabeça;

• Alterações no nível de consciência;

• Convulsão;

• Alterações pupilares (midríase e miose);

• Lacrimejamento;

• Queimação nos olhos e mucosas, queimaduras ou manchas ao redor da boca;

• Salivação;

• Dificuldade para engolir;

• Respiração anormal;

• Distensão e dor abdominal;

• Vômitos;

• Sudorese;

• Pulso alterado (rápido, lento ou irregular);

• Choque.

Conduta nas intoxicações exógenas

• Inicialmente avalie se o local é seguro. Aborde a vítima identificando-se como socorrista e faça o atendimento primário (ABCDE);

• Se o veneno for ingerido e a vítima estiver consciente e alerta, ofereça de dois a três copos de água para diluir o veneno;

• Se a ingestão ocorreu há menos de quatro horas, induza o vômito;

• É importante ressaltar que em alguns casos é contraindicado induzir o vômito, quando ocorrer a ingestão de derivados do petróleo (gasolina, querosene, etc.), de corrosivos, como soda caustica e quando a vítima estiver sonolenta ou comatosa, pelo risco de aspiração.

Caricatura

Como suspeitar de envenenamento?!

1. Sinais evidentes, na boca ou na pele, de que a vítima tenha mastigado, engolido, aspirado ou estado em contato com substâncias tóxicas, elaboradas pelo homem ou animais;
2. Hálito com odor estranho (cheiro do agente causal no hálito);
3. Modificação na coloração dos lábios e interior da boca, dependendo do agente causal;
4. Dor, sensação de queimação na boca, garganta ou estômago;
5. Sonolência, confusão mental, torpor ou outras alterações de consciência;
6. Estado de coma alternado com períodos de alucinações e delírio;
7. Vômitos;
8. Lesões cutâneas, queimaduras intensas com limites bem definidos ou bolhas;
9. Depressão da função respiratória;
10. Oligúria ou anúria (diminuição ou ausência de volume urinário);
11. Convulsões;
12. Distúrbios hemorrágicos manifestados por hematêmese (vômito com sangue escuro e brilhoso), melena (sangue escuro brilhoso nas fezes) ou hematúria (sangue na urina);
13. Queda de temperatura, que se mantém abaixo do normal;
14. Evidências de estado de choque eminente;
15. Paralisia.

Fontes: CARDOSO, T.A.O. Manual de Primeiros Socorros do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Ministério da Saúde. Rio de Janeiro, 188p. 1998

Tome nota de algumas plantas venenosas que devem ser evitadas

Sua ingestão provoca alterações nos sistemas circulatórios, gastrointestinal ou nervoso central. São exemplos:

Comigo-ninguém-pode
Lírio-do-vale
Lírio-do-vale
Coração-de-Maria
Coração-de-Maria
Erva-de-passarinho
Erva-de-passarinho
Quatro horas
Quatro horas
Broto de batata
Broto de batata
Maconha
Maconha
Caroço de pêssego, de cereja e de damasco
Caroço de pêssego, de cereja e de damasco

Revisando

O ABCDE é a estratégia mais adequada para prestar socorro à vítima de trauma.

(A) vias aéreas com controle da coluna cervical. A coluna deve estar hiperestendida. Esta manobra garante a imobilização da coluna e abertura da via aérea. A cavidade bucal deve ser inspecionada para garantir que não haja corpos estranhos obstruindo a via aérea.

(B) respiração e ventilação. Deve-se atentar para os movimentos respiratórios, expansão dos pulmões e frequência respiratória.

(C) circulação com controle da hemorragia. Observe a coloração da vítima, perfusão periférica, pulso periférico (ritmo, amplitude e frequência) e, se possível, pressão arterial da vítima.

(D) déficit neurológico. Aplique a escala de coma de Glasgow, observando as alterações motoras, verbais, abertura ocular e fotosensibilidade das pupilas.

(E) exposição da vítima com prevenção da hipotermia. A vítima deve ser despida para a melhor detecção das lesões. Atente para o risco de hipotermia: desligue condicionadores de ar e evite contato da vítima com líquidos e objetos gelados.

Para um atendimento de qualidade lembre-se que primeiro deve-se realizar as compressões torácicas antes das ventilações. Para o socorrista que atende sozinho a escala de compressões/ventilações é de 30:2, com dois socorristas a escala passa a ser de 15:2.

A sequência do atendimento agora é C-A-B (Compressões-Vias aéreas-Respiração).

Prossiga com o exame secundário, tentando encontrar alterações não identificadas no exame primário.

O transporte da vítima é uma fase importante dentro do processo de socorrer e deve ser encarado com seriedade, pois de um transporte mal executado podem resultar em lesões irreversíveis. Existem diversas formas de transporte para cada situação e o socorrista deve conhecê-las para executar a melhor.

Em acidentes com animais peçonhentos a vítima deve ser levada o mais rápido para um serviço de saúde e orientada a manter-se calma e com menor movimentação possível, pois do contrário poderá espalhar o veneno mais rapidamente pelo corpo.

Qualquer corpo estranho deve ser retirado com o maior cuidado possível, de preferência em algum serviço de saúde. Cuidado ao se deparar com corpos estranhos oriundos de trauma: estes não devem ser retirados no local do acidente, pelo risco piorar a condição da vítima, como aumentar o sangramento.

Nos casos de convulsões, proteja o crânio da vítima, realize a manobra de protrusão da mandíbula e afaste móveis e objetos que possam machucar a vítima. Não tente aplicar força contrária aos movimentos da vítima porque poderá resultar em traumas.

Muita atenção no uso de torniquetes, pois se ultrapassarem 15 minutos podem provocar necrose do membro. O torniquete deve ser afrouxado a cada 15 minutos para que o restante do membro seja irrigado com sangue e em seguida apertado. O torniquete só deve ser utilizado em último caso.

Ao se deparar com queimaduras não retire resquícios de tecido ou plástico da pele nem aplique pomadas ou outras substâncias que não seja água corrente até a chegada ao hospital.

Autoavaliação

1. Uma criança de 8 anos sofre um acidente com leite quente. Ao exame observa-se presença de eritema, edema e há de lesões bolhosas. Que tipo de queimadura sofreu a criança?

a) 1° grau

b) 2° grau

c) 3° grau

d) 4° grau

2. Queimaduras podem ser ocasionadas por agentes químicos. Indique as alternativas que caracterizam este tipo de agentes.

a) água quente, raios ultravioletas e corrente elétrica

b) sol, ácido e água quente

c) gás mostarda e corrente elétrica

d) sol, água viva e lagarta de fogo

3. Identifique qual o principal problema enfrentado por uma vítima de afogamento?

a) hipoglicemia

b) hipóxia

c) trauma musculoesquelético

d) hipertermia

4. Colocar o paciente com os braços estendidos entre as pernas, com a cabeça mais baixa em relação ao corpo. Deve-se proceder desta forma para evitar?

a) desmaio

b) hemotórax

c) convulsão

d) pneumotórax

5. Incluem-se na categoria de animais peçonhentos?

a) serpentes, aranhas, escorpiões e vespas.

b) serpentes, aranhas, escorpiões e ratos.

c) serpentes, aranhas, escorpiões e aves.

d) serpentes, aranhas, escorpiões e baratas.

6. Uma criança de 10 anos sofre uma queimadura por água quente e atinge grande parte do membro inferior e superior esquerdos. Que condutas tomar neste caso? Qual porcentagem do corpo da criança foi atingido?

7. Um dia, em uma reunião de família, você observa que seu tio de uma forma súbita começa a tremer e logo em seguida a debater-se com perda de consciência. O que pode ter ocorrido? Que medidas devem ser tomadas neste caso?

8. Em seu trabalho você se depara com um paciente e sua acompanhante. O homem de 30 anos sofreu amputação traumática do terceiro quirodáctilo direito e sua acompanhante recolheu o membro e o colocou em um isopor com gelo. Analise a conduta da acompanhante. Que cuidados devemos ter com membros amputados?

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