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Créditos

  • Diretor Geral
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  • Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca
  • Diretor Admistrativo
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  • Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca
  • Design Institucional
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  • Gerente do Projeto
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  • Transposição Didática
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  • Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico
  • Anderson Barbosa Rodrigues
  • André Alves Bezerra
  • Lucas Ponte Teixeira
  • Luís Neylor da Silva Oliveira
  • Rhomélio Anderson Sousa Albuquerque

Sumário

Guia do Estudante

Aqui o estudante irá observar que todo o texto do material didático tem um ícone que servirá de orientação para seu estudo, onde poderá ter uma visão panorâmica sobre o conteúdo a ser estudado.
A intenção é que seja feita a leitura de obras indicadas pelo professor-autor numa perspectiva de dialogar com os autores de relevo nacional e/ou mundial.
É apresentada uma situação problema onde será feito um texto expondo uma solução para o problema abordado, articulando a teoria e a prática profissional.
O estudante deverá analisar o tema da disciplina em estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-autor do material didático.
Este momento torna-se indispensável , porque o professor sugere a leitura de pesquisas científicas, artigos, teses e dissertações, com a intenção de desenvolver a percepção sobre o conhecimento científico.
Este ícone apresenta uma obra indicada pelo professor-autor que será indispensável para a formação profissional do estudante.
O espaço virtual é um dos maiores repositórios de informações em diversos temas científicos. Portanto, o estudante deverá buscar na internet uma investigação científica em sites acadêmicos relacionados ao tema em estudo.
Neste ícone será encontrado sugestões de aprofundamento da disciplina em outro espaço. Pesquisas divulgadas, em formato de entrevistas, com o próprio autor da investigação.
A finalidade deste ícone é apresentar um vídeo ou um filme, conforme a indicação do professor-autor do conteúdo, com o objetivo de contextualizar a linguagem cênica com a linguagem escrita (audiovisual).
É uma síntese dos temas abordados com a intenção de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem.
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o estudante aprendeu durante a disciplina.
Indicação de livros e sites que foram usados para a constituição do material didático da disciplina.

O estudante virtual

O que é ser estudante virtual? É ser uma pessoa que utiliza, de forma consistente, os recursos da Internet. É o leitor contemporâneo que navega no mundo cibernético onde todos aqueles que têm acesso às tecnologias digitais ficam conectados em redes de comunicação e informação.

O estudante de um curso a distância precisa saber navegar entre as conexões vinculadas por um roteiro de estudo multilinear, que se caracteriza pela narração, sobretudo em formato digital, a qual procura usar múltiplas linhas para registrar a produção do texto a partir das escolhas do autor. O hipertexto, ou seja, o texto em formato digital, é adequado ao ambiente hipermídia, que se configura como um leque de prováveis textos interligados, sem uma hierarquia de leitura pré-estabelecida.

O estudante virtual, diante da tela do computador, assume a função de leitor decodificador da linguagem não verbal, que está nas figuras, desenhos, fotos de pessoas, objetos, animais e outros. Esses elementos presentes no material didático são chamados de ícones, ou seja, tudo que está além dos códigos da linguagem verbal. Por isso, a habilidade de leitura do estudante de ensino a distância deve ser a aquisição daquele “olhar com olhos de ver”, ou seja, compreender o texto e o contexto da informação do material didático na intenção de entender as informações textuais e construir novos conhecimentos. É desse modo que se caracteriza a aprendizagem colaborativa e a sociointeracionista na educação a distância.

Biografias dos autores

Talita Silva Bezerra

Talita Silva Bezerra

Mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará-UFC, bolsista CNPq. Tem experiência na área de Sociologia e Antropologia, com ênfase em Sociologia da Juventude, Sociologia Rural, Cidade e Práticas Culturais, atuando principalmente nos seguintes temas: mobilidade e processos de subjetivação, sociologia rural, grupos de idade e formas de sociabilidade. Atualmente é membro do Grupo de Pesquisa sobre Culturas Juvenis (GEPECJU - UVA/CE) vinculado ao Diretório dos Grupos de Pesquisas do CNPq, professora da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA e da Faculdade Luciano Feijão - FLF.

Francisco Stenio Nogueira Júnior

Francisco Stenio Nogueira Júnior

Possui graduação em Ciências Sociais (Licenciatura) pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2011). Participou do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Tem experiência nas áreas de Antropologia e Sociologia.

João José Saraiva da Fonseca

João José Saraiva da Fonseca

É Pós-Doutor em Educação pela Universidade de Aveiro em Portugal, Doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2008), Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1999) (validado no Brasil pela Universidade Federal do Ceará), Especialista em Educação Multicultural pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1994). Graduou-se em Ensino de Matemática e Ciências pela Escola Superior de Educação de Lisboa (validado no Brasil pela Universidade Estadual do Ceará). É pesquisador na área da produção de conteúdo para educação a distância. Atualmente desempenha a função de Pró-Diretor de Inovação Pedagógica das Faculdades INTA - Sobral CE.

Ambientação

A Sociologia é uma ciência que estuda a sociedade, sua organização social e os processos que ligam os indivíduos aos grupos. A sociedade atual exige que o indivíduo tenha acesso às questões sociais para exercer, com consciência e responsabilidade, a cidadania.

O homem, ao nascer, adquire a natureza social através da interação com outros seres humanos e desenvolve sua personalidade e cultura, pois a família é que inicia o processo de socialização e permite que seus membros adquiram personalidade. Esse processo, posteriormente, irá ajudá-lo a conviver em grupo.

Prezado estudante, com a intenção de aprofundar seus conhecimentos sobre a sociologia, convidamos você à leitura da obra Sociologia: Consensos e Conflitos, da autora Rita de Cássia da Silva Oliveira (org).

Sociologia: Consensos e Conflitos
Sociologia:
Consensos e Conflitos
(OLIVEIRA, 2001)

Destinado aos acadêmicos das licenciaturas, o primeiro livro recomendado discute conceitos da sociologia e temas relevantes da realidade social, entre os quais destacamos: a formação do ser social, cultura e sociedade, a ideologia na concepção marxista, movimentos sociais, Estado, política e o desenvolvimento do capitalismo no Brasil e seus efeitos sociais.

O que é sociologia
O que é sociologia
(MARTINS, 2006)

Propomos também a leitura da obra de Carlos Benedito Martins, intitulada O que é sociologia. Neste livro o autor afirma que o surgimento da sociologia ocorreu no contexto da decadência do sistema feudal e da consolidação da sociedade capitalista. A história sociológica tem como principais marcos inspiradores as transformações econômicas, políticas e culturais motivadas pela Revolução Francesa e Revolução Industrial que alteraram a organização da vida social da época.

Trocando ideias
com os autores

Caro estudante, considerando as obras abaixo, propomos uma reflexão sobre a ciência enquanto forma de conhecimento diferenciado e sobre o surgimento da sociologia como uma ciência humana que rompe com as abordagens analíticas do senso comum e emprega métodos específicos para entender a vida em sociedade.

Cultura: um conceito antropológico
Cultura: um conceito
antropológico
(LARAIA, 2009)

Nesta obra, Roque de Barros, professor emérito da UnB e antropólogo, vai nos conduzir, por meio de uma linguagem fluente e clara, a um passeio pelos diversos significados acerca do termo cultura, sua origem e suas interpretações. Esta leitura será um ótimo recurso didático a partir do 6º capítulo, no qual veremos o tópico de Sociedade e cultura.

Sociologia: introdução à ciência da sociedade
Sociologia: introdução à
ciência da sociedade
(COSTA, 1997)

Você conhecerá os aspectos fundamentais da constituição da sociologia a partir da obra Sociologia: introdução à ciência da sociedade, da autora Maria Cristina Castilho Costa. A obra leva o leitor a acompanhar o surgimento da ciência que tem por objeto de estudo a sociedade, bem como tomar conhecimento da multifacetada constituição teórica e metodológica da disciplina. Ao “passear” pela história e pelas bases teóricas mais fundamentais da sociologia, a obra propicia ao leitor um entendimento acerca do que é esta ciência e a que ela se propõe. É um caminho para a compreensão das abordagens e tendências conceituais e metodológicas da sociologia.

As regras do método sociológico
As regras do método
sociológico
(DURKHEIM, 2003)

Recomendamos ainda a leitura da obra As regras do método sociológico, a qual aborda conceitos básicos estudados na sociologia como os métodos sociológicos e suas regras para o estudo dos fatos sociais.

"Os fatos sociais devem ser tratados como coisas". Defendendo essa assertiva polêmica, Émile Durkheim orienta, de forma decisiva, uma disciplina que estava se formando. Para este sociólogo francês, existe uma ruptura entre a psicologia e a sociologia como existe entre a biologia e as ciências físico-químicas. O ser coletivo possui uma singularidade e a consciência coletiva é diferente da consciência individual.

O Manifesto do Partido Comunista
O Manifesto do
Partido Comunista
(ENGELS, 2006)

Leia também a obra O Manifesto do Partido Comunista que analisa as relações entre trabalho e capital, a forma como a sociedade se estruturou nesta fase e critica o modo de produção capitalista buscando organizar a classe dos trabalhadores e descrevendo os vários tipos de pensamento comunista.

Seus argumentos desmancham a ideologia capitalista, demonstrando a ilusão à qual esta induz nações inteiras apenas para assegurar e perpetuar a diferença de classes e a má distribuição das riquezas.

Após a leitura destas obras, propomos que você escolha dois livros e faça uma resenha comparando as ideias dos autores. Após concluir, faça a postagem no Blog.

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Problematizando

A obra “O Peixinho arteiro”, de Oranice Franco, conta a história de um peixinho que, não obedecendo à mãe e à professora, é pescado. Ele se salva porque o pescador tropeça e deixa os peixes caírem do cesto para a água.

“- Eu ia convidar você para fugir! – o Lambari riu apesar de sentir muitas dores na sua boquinha. Nunca mais! Chega a lição que aprendemos. Se prestássemos atenção às aulas de Dona Piranha, saberíamos que nadar perto de cachoeira é perigoso por causa da correnteza, das pedras...

- E saberíamos também – completou o Peixinho – o que é anzol e não teríamos sido fisgados. Agora, vou para casa. Se você prometer ser bom peixinho, continuarei sendo seu amigo. Do contrário, não.

- Pode ficar descansado. Nunca mais serei arteiro. Agora, vou também pedir perdão aos meus pais e amanhã cedo, se você concordar, iremos falar com Dona Piranha, contando tudo o que aconteceu.

- Boa ideia – fez o Peixinho todo animado. Então, até amanhã na escola.

- Até amanhã – disse o Lambari, nadando para sua casa.

E o peixinho arteiro nunca mais foi arteiro. Ao contrário, passou a ouvir e a seguir os conselhos de seus pais e, juntamente com o Lambari, foi exemplar no colégio.”

ARANHA, M. A.; MARTINS, Maria. Filosofando, introdução à filosofia. 2ª Ed. São Paulo: Moderna, 1993.

A historinha apresentada encontra-se associada ao estudo das correntes sociológicas, com particular proximidade à de Émile Durkheim. Até que ponto a aceitação das regras sociais pode ser considerada condição fundamental para uma perfeita integração dentro da sociedade? Que consequências terá o desrespeito a essas regras? Poderá ser possível a existência de um indivíduo livre fora das organizações sociais? Haverá condições para alterar as regras sociais?

Faça um paralelo entre a obra “O Peixinho arteiro” e a integração do indivíduo dentro da sociedade e comente no Blog.

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SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA E SEUS OBJETIVOS

CONHECIMENTO

Compreender o contexto histórico que ocasionou o surgimento da Sociologia; Conhecer os objetivos da Sociologia.

HABILIDADES

Posicionar-se criticamente em relação ao conhecimento científico amparado na Sociologia com o intuito de compreender a vida social; Analisar os processos sociais e reconhecer a sociologia enquanto espaço de múltiplos olhares.

ATITUDES

Desenvolver o conhecimento científico, no âmbito sociológico, para análise dos processos sociais.

Aprendendo a pensar... Sociologia

O estudo da sociologia tem como objeto o comportamento humano em sociedade. Esta, por sua vez, trata-se de um corpo orgânico cuja base reúne indivíduos que vivem sob determinado sistema econômico de produção, distribuição e consumo. Sociólogos pesquisam o comportamento do ser humano e as estruturas da sociedade como classes sociais, grupos étnicos, etc.

Todos sabem que vivemos em uma sociedade. Mas o que isso significa? O que é viver em sociedade? Numa primeira instância, podemos dizer que viver em sociedade é ter a consciência de que o indivíduo precisa da sociedade e a sociedade precisa do indivíduo. Os seres humanos não conseguem viver isoladamente, por isso necessitam do convívio em sociedade.

Viver em sociedade significa residir numa região sob as mesmas regras, leis e cultura. A cultura é composta de símbolos, valores e costumes; é, portanto, uma herança social que passa de geração a geração.

A sociologia, enfim, estuda as ações sociais, as interações sociais e, muitas vezes, as mudanças sociais, sendo estas últimas consideradas um dos pontos altos da sociologia.

Por que vivemos numa sociedade repleta de desigualdades? O que a globalização tem a ver com a sociedade? Como os indivíduos se relacionam entre si? Quais os elementos básicos da vida social? Quais são os tipos de sociedade e suas culturas? O que é etnocentrismo? Em que a sociologia contribui para o indivíduo? Questionamentos como estes serão respondidos no decorrer da disciplina e, aliados à outros, auxiliarão à você, estudante, no processo de aquisição de conhecimentos acerca do estudo da sociologia.

Surgimento da sociologia e seus objetivos

Etimologicamente, a sociologia tem a sua origem na palavra latina socius, que significa sócio, ou social, e na palavra grega logos, que significa estudo. A sociologia pode ser entendida como uma área de conhecimento que se preocupa em aplicar o ponto de vista científico à observação e à explicação dos fatos sociais.

O estudo sociológico analisa e problematiza as atividades cotidianas. A simples tarefa de ir ao supermercado pode transformar-se numa experiência de interesse do ponto de vista sociológico. Mas como um sociólogo poderá fazer análise de uma ida ao supermercado?

Apresentamos abaixo alguns pormenores que podem ser problematizados:

• A enorme variedade de produtos dos mais diversos locais e de diferentes países, o que evidencia o processo de globalização em curso;

• Os cereais à venda incluem soja transgênica; isso levanta a discussão sobre os organismos geneticamente modificados;

• No ramo dos cosméticos são apresentados frequentes lançamentos de novos produtos, o que leva à discussão sobre novos hábitos de consumo diferenciados;

• A promoção no preço da carne bovina relembra as disputas internacionais sobre embargos econômicos;

• A apresentação de produtos livres de agrotóxicos levanta a discussão sobre a alimentação saudável, implicando em diferentes estilos de vida;

• O funcionário que trabalha no supermercado tem nível superior completo, mas trabalha ali por não ter outra possibilidade de emprego e isso induz ao pensamento sobre as relações de trabalho hoje em dia.

A sociologia permite-nos entender que muitas das ações aparentemente individuais, na verdade, refletem questões mais amplas. Ela pode ser considerada um projeto intelectual marcado por conflito de ideias, discussões, tensão e contradições, podendo servir como arma que atenda aos interesses dominantes e como expressão teórica dos movimentos revolucionários.

A sociologia é, como qualquer ciência, predominantemente indutiva, isto é, parte da observação sistemática de situações particulares para chegar à formulação de generalizações teóricas a propósito da vida social. A observação sistemática dos fatos é, em último caso, a confirmação ou negação da qualidade científica de qualquer tentativa de explicação da realidade. A sociologia transforma-se, dessa maneira, num meio para a compreensão da realidade social e torna inteligíveis os fenômenos sociais, apreendidos a partir de diferentes pontos de vista.

A partir do texto apresentado, são levantados vários questionamentos tais como:

- Qual o contexto de surgimento da sociologia? Qual a relação entre o surgimento da sociologia e os conflitos de ideias, discussões, tensão vivenciados em períodos marcados por conflito e debates acirrados? Quais as causas das transformações sociais que motivaram o aparecimento da sociologia? Qual a utilidade da sociologia nesse contexto histórico?

A sociologia estuda os fenômenos de natureza social. Contudo, nem todo acontecimento que ocorre no interior de uma sociedade envolve uma natureza social. Por exemplo, os fatos relacionados ao indivíduo, isolado, acontecem dentro de uma sociedade, entretanto, não são fatos de interesse da sociologia, pois esta não considera o indivíduo como objeto de estudo. O indivíduo somente faz parte de um estudo sociológico quando sua ação individual interfere em qualquer grupo social.

A sociologia surge da exigência de uma nova forma de conhecimento e de pensar a natureza e a sociedade, que se fez sentir a partir do século XV, quando ocorreram na Europa transformações sociais significativas, como o fim do Feudalismo e o início do Capitalismo. Até o século XV o povo europeu tinha uma concepção reduzida de mundo e seu conhecimento territorial restringia-se ao espaço local. Com as grandes navegações ocorridas a partir do século XV, o povo europeu percebeu um mundo mais amplo com novas nações e novas culturas. Isso exigiu a reformulação do modo de ver e pensar a natureza e a sociedade.

Outros desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais aconteceram nos séculos seguintes, tais como:

• A Revolução Francesa e a Revolução Industrial ocasionaram o desmoronar das estruturas sociais. Isso foi evidente de tal maneira que essas alterações passaram a ser motivo de preocupação coletiva, sobretudo no que diz respeito às mudanças na sociedade e às possíveis soluções para as desigualdades que se apresentavam nesta;

• Os avanços científicos e tecnológicos;

• O desenvolvimento de uma nova economia industrial na sequência da mudança ocorrida na sociedade, com reflexos sentidos quando: diminuiu-se a terra cultivada; abandonou-se a forma de produção artesanal e passou-se à produção em grandes fábricas; as pessoas deixaram de laborar em suas casas para trabalhar sob as ordens de um supervisor; criou-se uma dissociação, de um lado os trabalhadores, de outro, os consumidores;

• O crescimento das cidades ocasionado pela chegada dos camponeses que abandonaram o campo e se mudaram para a cidade em busca de trabalho, com consequências evidentes, por exemplo, no aglomerado da população, na pobreza, no desemprego e na criminalidade.

As ciências existentes na época mostraram-se insuficientes para explicar os novos fenômenos sociais. Surge então a necessidade de uma ciência que tente explicar essa nova realidade.

A sociologia aparece no século XIX perante a necessidade de compreender os novos problemas sociais que surgiram na sequência do conjunto de causas sociais de caráter complexo. Surge com o objetivo de estudar sistematicamente o comportamento social dos grupos e as interações humanas, assim como os fatos sociais que provocam e sua inter-relação.

Esta ciência procura explicar como as atitudes e os comportamentos das pessoas são influenciados, em geral, pela sociedade e, especificamente, pelos diferentes grupos humanos. Ela também tenta explicar qual a dinâmica social que mantém as sociedades estáveis ou provoca a mudança social.

Segundo Lemos Filho (2004), o trabalho da sociologia tem como suas três grandes preocupações: a separação do social dos demais elementos inerentes à vida humana; a constatação dos efeitos do social e o modo de como estes são produzidos; a restituição do social ao conjunto da vida humana de maneira a possibilitar o entendimento das suas relações com esta.

A ciência como forma específica de conhecimento

Em nossa sociedade, ainda nos primeiros anos do processo educativo, é comum termos acesso à informação de que a principal diferença entre o ser humano e os outros animais é a racionalidade, da qual é dotado o primeiro. Foi através da capacidade de pensar o mundo, de atribuir significado à realidade, que o homem formulou o conhecimento em suas diversas formas.

Com a sua capacidade de raciocínio, o homem busca entender a si mesmo, a sociedade e a natureza, desde o começo da humanidade. Porém, este entendimento do mundo nem sempre foi científico.

As primeiras tentativas de compreender os fenômenos naturais e sociais foram baseadas na fantasia, imaginação e especulação. Deuses e heróis eram acionados para explicar e justificar toda ordem de fenômenos – sejam naturais ou sociais. Como exemplo maior dessa tentativa de explicar o mundo, temos a mitologia grega com seus deuses.

Todavia, foram os gregos os pioneiros que deram formas àquilo que passou a ser chamado de ciência. Foi na Grécia que surgiram os primeiros homens com a curiosidade de descobrir os segredos do universo. Nas obras de filósofos como Platão e Aristóteles podemos encontrar as primeiras sistematizações de ideias sobre a vida do homem em sociedade.

Contudo, é importante ressaltar que na Idade Média (entre os séculos V e XV) a Igreja Católica passou a exercer uma influência grandiosa sobre a sociedade, pois não era dada ao homem a permissão de apresentar qualquer explicação sobre o mundo, a não ser na perspectiva religiosa.

Todos os questionamentos deveriam ser respondidos através da imagem de um “Deus” todo poderoso que tudo criava, modificava e explicava. Apenas as instituições religiosas – como os mosteiros – podiam dispor do acesso às obras sobre o conhecimento da filosofia, astronomia, geometria e literatura. Entre estas existia uma lista proibida chamada Index Librorum Prohibitorum – Índice dos Livros Proibidos.

Segundo a Igreja Católica, estas obras contradiziam seus dogmas, bem como as literaturas e conhecimentos científicos que pudessem ser considerados heresia, má postura política, moralidade desviada, sexualidade explícita, entre outros.

Dessa forma, o conhecimento ficou por muito tempo “retido” nos porões dos mosteiros e muitos corpos arderam em fogueiras por se contrapor às explicações religiosas, ou infringirem as normas morais impostas.

Após a Idade Média, surgiu o Renascimento, período em que os fenômenos sociais passaram a ser analisados de forma mais realista. Havia uma sistematização de valores burgueses que almejavam a constituição de uma sociedade laica e racionalista.

No entanto, vivia-se uma fase de desejo por mudanças econômicas, políticas, culturais e de grande desenvolvimento científico. Foi no fervilhar desse despontar de ideias que surgiu uma ciência nova no século XIX: a Sociologia.

Antes de qualquer coisa, precisamos entender que ciência não é somente a atividade praticada por “homens vestidos de branco” dentro de uma sala chamada laboratório, manipulando fórmulas esfumaçantes ou fazendo experiências com ratinhos.

Contudo, aqui fazemos recorrência à ciência experimental com origem advinda do Renascimento e que vem se formando até os dias atuais. Apesar dos riscos das tentativas de definição, devemos entender que, neste caso, ciência consiste em um método de abordagem do mundo empírico, mundo que pode ser visualizado a partir da experiência humana.

O conhecimento científico somente pode ser compreendido se entendermos o que é senso comum. Este último consiste no conhecimento adquirido no cotidiano sobre as coisas e causas; é toda forma de conhecimento não caracterizado pela investigação. Trata-se de um saber que não se utiliza de métodos e é formulado por sentimentos, opiniões, traduzindo os valores de quem o produz. Logo, o senso comum é um saber não sistematizado que guia o homem em suas atividades diárias.

A partir do que foi citado acima, podemos dizer que do cotidiano é que surge o conhecimento científico, portanto, o senso comum não deve ser rejeitado em detrimento da ciência.

Propomos aqui que você vá além do conhecimento comum sobre as questões referentes ao homem e à sociedade e tenha acesso a um saber elaborado, investigativo e controlado por métodos e técnicas de pesquisa. Para tanto, vamos esclarecer conceituações básicas sobre esse tipo especial de conhecimento que é o científico.

Uma das principais características do conhecimento científico é a utilização sistemática de métodos para analisar os fatos. O uso da palavra método vai ser frequente e desde já veremos o que isso significa: método é o caminho seguido para alcançar um objetivo.

O ato do cientista observar e realizar a coleta de dados com base nas suas hipóteses e teorias é denominado método indutivo. Movimentos de indução envolvem o movimento do particular para o geral. Na abordagem dedutiva, o pesquisador tenta procurar afirmações e reivindicações específicas de um princípio teórico geral.

Método indutivo, ou indução, é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares, conclui uma verdade geral. É importante que a enumeração de dados (que correspondem às experiências feitas) seja suficiente para permitir a passagem do particular para o geral. A indução pressupõe a probabilidade, ou seja, já que tantos se comportam de tal forma, é muito provável que todos se comportem assim.

O resultado dessa situação é que há maior possibilidade de erro nos raciocínios indutivos, uma vez que basta encontrarmos uma exceção para invalidar a regra geral. Por outro lado, é essa procura do provável que torna possível a descoberta e a proposta de novos modos de compreender o mundo.

Essa é uma das justificativas para que a indução seja o tipo de raciocínio mais usado em ciências experimentais.

Existem dois tipos principais de pesquisa em sociologia: o estudo transversal, que visa descobrir as opiniões que os participantes da pesquisa têm sobre algum fenômeno em determinado momento; e o estudo longitudinal que é realizado no mesmo tipo de pessoas durante um longo período de tempo, às vezes de 20 a 30 anos. Fornece-nos uma imagem das mudanças ao longo do tempo.

Geralmente são usados alguns passos para realizar uma pesquisa sociológica. Tais passos não são, no entanto, apenas da sociologia. Também devemos ressaltar que esses passos não são fixos. Alguns podem não ser seguidos em determinados projetos de pesquisa e outros podem não ser seguidos, necessariamente, em ordem sequencial.

Para cada ramificação do conhecimento, são aplicados métodos diferenciados, pois cada ciência possui um objeto de estudo. O objeto da ciência é constituído pela realidade que ela se propõe a estudar (exemplos: a biologia estuda o conjunto de seres vivos e a sociologia estuda o homem enquanto ser social). Logo, podemos entender que se o objeto da sociologia é o homem em sua vida social, o caminho que trilharemos para avaliar este fator será diferente do caminho dos cientistas que se interessam pelos fenômenos naturais, mas isso veremos detalhadamente mais adiante.

O que é necessário saber neste momento é que estamos adentrando numa forma de conhecimento científico, cujo objeto é o homem em sociedade. E para entender esse conhecimento, é necessário compreendermos em que contexto ele surgiu.

Organização Social: Fundamentos históricos e epistemológicos

A sociologia é uma ciência relativamente nova, nasceu na Europa, no século XIX, com a chegada da modernidade. Surgiu após a constituição das ciências naturais e de diversas outras ciências sociais.

Não devemos desconsiderar que a curiosidade em entender a sociedade data de centenas de anos antes de Cristo com as expressões da filosofia sofista que, por exemplo, tinha nos escritos de Platão e Aristóteles algumas ideias sobre a concepção do homem vivendo em sociedade.

Contudo, o estudo científico da sociedade foi instituído no meio acadêmico através da sociologia que se constituiu reclamando para si objeto e método específico a fim de diferenciar seus estudos dos que competem às ciências da natureza.

Como forma de conhecimento e saber, a sociologia acaba por refletir as preocupações dos homens de seu tempo. Mas, considerando que seu surgimento ocorreu nos últimos momentos da desagregação da sociedade feudal e consolidação da sociedade capitalista, quais eram essas preocupações?

Revisitando a história, podemos lembrar que o século XIX foi palco de grandes transformações que vinham acontecendo gradualmente desde séculos anteriores. Para pensar a formação de uma ciência social encarregada de analisar a sociedade, dois processos revolucionários são frequentemente associados à necessidade de fundar a sociologia: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.

A Revolução Industrial

A exploração do trabalho infantil na Revolução Industrial
A exploração do trabalho infantil
na Revolução Industrial

Durante o século XIX houve a passagem da atividade artesanal, passando pela atividade manufatureira até chegar ao mecanismo industrial. A partir de 1750, a máquina a vapor e demais máquinas fabris esfumaçavam o céu da Inglaterra e, consequentemente, os sistemas de produção passavam por um processo de mecanização. O sistema de transportes avançou, facilitando a travessia de pessoas e mercadorias.

Tanto a mecanização da produção como a possibilidade de transportar mercadoria num tempo mais curto e com menores custos trouxeram modificações não apenas no campo econômico, mas também sociocultural. Desse modo, a sociedade assistia ao triunfo do capitalismo industrial.

As cidades europeias, aos poucos, transformavam-se em centros urbanos e comerciais que abrigavam grande parcela da população. O empresário passou a concentrar terras, máquinas e ferramentas e transformou seres humanos em meros trabalhadores necessitados de bens materiais e saberes tradicionais.

Foram estabelecidas relações desiguais de trabalho: homens, mulheres e crianças saiam do campo em busca de oportunidades na cidade e eram explorados em jornadas de trabalho que, pensadas atualmente, poderíamos classificar como “desumanas”.

Entretanto, trabalhava-se entre doze e dezesseis horas e com a descoberta da iluminação a gás, a jornada de trabalho chegou a ser ampliada para dezoito horas, com salários baixos que variavam de acordo com sexo e idade, sendo as mulheres e as crianças a parcela de trabalhadores mais explorada. Aos poucos, as formas de interação humana foram alteradas, propiciando o aparecimento de duas classes distintas – a burguesia e o proletariado.

Toda essa modificação no modo de vida dos homens fez com que emergissem fenômenos sociais inéditos, tais como: crescimento demográfico desordenado por conta do deslocamento em massa da população do campo para as cidades; falta de estrutura em termos de moradia, saúde e saneamento básico; aumento da prostituição e criminalidade; aumento do alcoolismo e suicídio.

As cidades passavam a ser “epicentros de desordenamento” cada vez mais inchados e uma ordem de costumes era completamente modificada; como exemplo, citamos a família, tanto no que concerne ao status dos membros em relação ao sexo – lembremos que neste período predominava um modelo de família patriarcal – quanto às relações pessoais entre os membros familiares.

O esforço para entender tal realidade impulsionou os questionamentos que mais tarde iriam consolidar-se na sociologia.

A Revolução Francesa

Revolução Francesa
Revolução Francesa

O mesmo século que assistiu a Revolução Industrial lançada na Inglaterra e com alcance mundial, assistiu também a uma série de fatos políticos que agitaram a França. O regime absolutista estava estabilizado, tendo como particularidade principal a forma concentrada de poder nas mãos do rei que era o soberano, o representante maior do homem.

A população do país sofria com os abusos de poder exercidos pela autoridade monárquica (o rei). As críticas ao regime absolutista e à desigualdade promovida por este foram intensificadas no fim da década de 80 do século XVIII.

Após uma série de atos contra o autoritarismo monárquico, a população composta por membros do terceiro estado (formado pelo campesinato e pela burguesia comercial – classe menos favorecida naquele período histórico) avança em direção à prisão política da época – Bastilha – destruindo-a. Isso ocorreu em julho de 1789, data que marca historicamente a Revolução Francesa.

Com o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, os revolucionários tinham como objetivo promover transformações culturais, econômicas e políticas através da mudança na estrutura do Estado. Pretendiam derrubar o regime monárquico e instaurar a democracia; assim o fizeram. Em agosto de 1789, através da Assembleia Constituinte, o terceiro estado cancelou os absurdos direitos feudais e foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Durante a Revolução Francesa, principalmente, intensificou-se um movimento, chamado Iluminismo, iniciado no século XVI. Consistia numa nova forma de pensar e entender filosoficamente o mundo. As formas de conceber a natureza e a cultura (através do uso sistemático da razão) passaram do sobrenatural ao racional, ou seja, o pensamento começava a libertar-se do controle teológico e o Teocentrismo deu lugar ao Antropocentrismo.

Através dessa atitude de dessacralização da natureza, o homem passou a trabalhar a racionalidade como objeto científico de pesquisa acreditando que pelo uso da razão a humanidade chegaria a um alto patamar de progresso.

Essas revoluções, somadas a outras de menor visibilidade, marcam a transição da Idade Média para a Idade Contemporânea. A partir delas, os pilares que sustentam a modernidade foram construídos e assim o conjunto de transformações emergentes precisava ser explicado e entendido pela razão humana. O mundo parecia estar em crise e algo precisava ser feito. Assim surge a ideia de uma ciência para pensar os fenômenos sociais.

Sociedade e Cultura

O conceito de sociedade

O termo significa associação, união, gregário, ou, simplesmente, vida em grupo. O conceito de sociedade refere-se a um agrupamento autônomo de pessoas que habitam um território comum, têm uma cultura comum (conjunto compartilhado de valores, crenças, costumes e assim por diante) e estão ligadas umas às outras através das interações sociais rotineiras, status e funções interdependentes.

Recursos básicos de uma sociedade

Uma sociedade, em geral, é um agrupamento, relativamente grande, de pessoas em termos de tamanho. Ela pode ser considerada o maior e o mais complexo grupo social estudado pelos sociólogos.

É também definida como um espaço limitado ou território. As populações que compõem uma sociedade são, portanto, localizáveis em uma área geográfica.

Outro recurso básico de uma sociedade corresponde às pessoas. Estas apresentam um sentimento de identidade e pertencimento. Essa identidade emana do padrão das interações sociais que existem entre as pessoas e os diversos grupos que compõem a sociedade.

Os membros de uma sociedade são considerados portadores de origem e experiência históricas comuns. Podem também falar uma língua-mãe ou ter uma língua dominante que serve, possivelmente, como uma herança nacional.

No entanto, a coisa mais importante sobre a sociedade é que seus membros compartilham, simultaneamente, uma cultura comum e distinta. Isso é que diferencia os grupos populacionais.

A sociedade é autônoma e independente no sentido de que ela tem todas as instituições sociais e arranjos organizacionais necessários para sustentar o sistema. No entanto, uma sociedade não é uma ilha no sentido de que sociedades são interdependentes, as pessoas interagem social, economica e politicamente.

É importante você notar que as características de uma sociedade não são exaustivas e não podem ser aplicadas a todas as sociedades. Por exemplo, o nível de desenvolvimento econômico e tecnológico de uma sociedade e seu tipo de economia ou sistema de subsistência podem criar algumas variações entre as sociedades no tocante às características básicas referidas.

O conceito de Sociedade considerando diversos níveis

De modo geral, e considerando um nível abstrato, todos os povos da terra podem ser tidos como sociedade. Eles partilham uma origem comum, habitam um mundo comum, têm uma unidade biopsicológica comum, exibem interesses, desejos e medos comuns e estão caminhando para um destino comum.

Em outro nível, cada continente pode ser visto como uma sociedade. Assim, podemos falar da sociedade europeia, da sociedade africana, da sociedade asiática, da sociedade norte-americana e latina. Cada um desses continentes compartilha seu próprio território, experiências históricas, cultura e assim por diante.

Cada estado-nação, ou país, é considerado uma sociedade, podendo haver grupos etnolinguisticamente distintos de pessoas que tenham um território e o consideram como seu.

Você sabe como as sociedades são classificadas? Vejamos.

Tipos e categorias de sociedades

Os sociólogos classificam as sociedades em várias categorias dependendo de certos critérios. Um critério é o nível de desenvolvimento econômico e tecnológico alcançado pelos países. Assim, os países são classificados em: Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo.

Países do Primeiro Mundo são aqueles industrialmente avançados e economicamente ricos como os EUA, Japão, Grã-Bretanha, França, Itália, Alemanha, Canadá e assim por diante.

Os países do Segundo Mundo são também industrialmente avançados, mas não tanto como a primeira categoria. São países detentores de economias emergentes. Atualmente são denominados de países em desenvolvimento como China, Rússia, Brasil, Argentina, México e Índia.

As sociedades do Terceiro Mundo correspondem aos países que possuem economia subdesenvolvida, ou em desenvolvimento. Alguns autores como Küng & Schmidt (2001) e Castells (1999) acrescentam uma quarta categoria, ou seja, Quarto Mundo. Estes países são considerados os mais pobres.

Quanto ao tipo de sociedade, podemos citar a mais antiga que é a caça, a sociedade pastoral e hortícola e sociedades agrícolas.

A sociedade da caça depende da caçada para sua sobrevivência, já as sociedades pastorais são aquelas cuja subsistência baseia-se em pastoreio de animais, tais como gado bovino, camelos, ovinos e caprinos. Sociedades hortícolas são aquelas cuja economia baseia-se no cultivo de plantas com o uso de ferramentas simples, como a escavação com paus, enxadas e machados.

A sociedade agrícola é dominante na maior parte do mundo; baseia-se na agricultura de grande escala que depende de arados usando o trabalho animal.

A Revolução Industrial que começou na Grã-Bretanha durante o século XVIII deu origem ao aparecimento de um quarto tipo de sociedade chamada Sociedade Industrial. É aquela em que os bens eram produzidos por máquinas movidas a combustível em vez de animais e energia humana.

Por fim, há outro tipo de sociedade denominada pós-industrial. Esta é baseada na informação, serviços e alta tecnologia, em vez de matérias-primas e fabricação.

Conceito de cultura

É importante notar que as pessoas comuns fazem, muitas vezes, mau uso do conceito de cultura. Veremos alguns equívocos sobre a cultura:

• Muitas pessoas no mundo ocidental usam o termo cultura quando referem-se às pessoas que são mais "cultas" do que outras. Isso basicamente emana da ideia associada à raiz da palavra cultura: Kultura, em alemão refere-se à "cultura". Assim, quando se diz que alguém é "culto" significa dizer que é civilizado. Para sociólogos e antropólogos, a cultura inclui muito mais do que requinte, bom gosto, sofisticação, educação e valorização das artes plásticas.

• Muitas pessoas passaram a pensar a cultura em termos de costumes, música, dança, roupas, joias e penteados.

• Muitas pessoas pensam na cultura associada às coisas materiais do passado. De acordo com este ponto de vista, o cultural não pode incluir coisas (materiais ou não) que sejam modernas, comuns do dia a dia. Aqui, o comum é considerado não cultural ou "menos cultural”.

O conceito de cultura é um dos mais utilizados na sociologia. Refere-se a todos os modos de vida dos membros de uma sociedade. Ele inclui o vestir, seus costumes, vida familiar, arte e padrões de trabalho, cerimônias religiosas, atividades de lazer e assim por diante. Este conceito também inclui os bens materiais que produzem: arcos e flechas, arados, fábricas e máquinas, computadores, livros, edifícios, aviões, etc.

O conceito de cultura foi definido centenas de vezes por sociólogos e antropólogos, enfatizando diferentes dimensões. No entanto, na maioria das vezes os estudiosos focaram a dimensão simbólica da cultura. Ela está sempre se desenvolvendo, pois é influenciada pela maneira de pensar o desenvolvimento do ser humano no decorrer dos anos.

Características básicas da cultura

As características da cultura são denominadas em várias culturas. Vamos enumerar cada uma delas:

Cultura orgânica e supraorgânica: é orgânica quando consideramos o fato de que não existe uma cultura sem uma sociedade humana. É supraorgânica porque vai muito além de qualquer vida individual (os indivíduos vêm e vão); a cultura permanece e persiste.

Cultura aberta e encoberta: é geralmente dividida em material e não-material. A cultura material consiste de quaisquer objetos tangíveis feitos pelos humanos tais como ferramentas, automóveis, edifícios, etc. A não-material corresponde a todos os aspectos não físicos como a linguagem, crenças, ideias, conhecimentos, atitudes, valores, etc.

Cultura explícita e implícita: é explícita quando considera as ações que podem ser explicadas e descritas facilmente por aqueles que as executam. É implícita quando consideramos as coisas que fazemos sem sermos capazes de explicá-las, porém acreditamos que elas sejam assim.

Cultura ideal e manifesta (real): cultura ideal envolve a maneira como as pessoas devem comportar-se ou o que elas devem fazer. A cultura manifesta envolve o que as pessoas realmente fazem.

Cultura estável: é estável quando consideramos o que as pessoas têm de valor e estão entregando para a próxima geração a fim de manter suas normas e valores. No entanto, quando uma cultura entra em contato com outras, ela pode mudar, não somente através de contato direto ou indireto, mas também através da inovação e adaptação às novas circunstâncias.

Cultura compartilhada e aprendida: é propriedade de um grupo social de pessoas (compartilhado). Os indivíduos obtêm conhecimento cultural do grupo através da socialização. No entanto, devemos notar que as coisas compartilhadas entre as pessoas podem não ser culturais, uma vez que existem muitos atributos biológicos que as pessoas compartilham entre si.

Elementos da cultura

A cultura inclui dentro de si elementos que compõem a essência de uma sociedade ou um grupo social. Os mais importantes incluem: símbolos, valores, normas e linguagem.

• Símbolos: são os componentes centrais da cultura; referem-se a qualquer coisa para as quais as pessoas atribuem significado e usam para comunicar-se com os outros. Mais especificamente, os símbolos são palavras, objetos, gestos, sons ou imagens que representam algo maior do que eles.

• Linguagem: definida como um sistema de símbolos verbais e, em muitos casos, escritos que podem ser organizados juntos para transmitir significados complexos; é a capacidade distintiva dos seres humanos e um elemento-chave da cultura. Cultura engloba linguagem e através da linguagem a cultura é comunicada e transmitida. Sem linguagem seria impossível desenvolver, elaborar e transmitir cultura para as gerações futuras.

• Valores: Os valores são elementos essenciais da cultura não-material. Eles podem ser definidos como diretrizes abstratas para nossas vidas, decisões, objetivos, escolhas e ações. Eles compartilham as ideias de um grupo ou de uma sociedade sobre o que é certo ou errado, correto ou incorreto, desejável ou indesejável, aceitável ou inaceitável, ético ou antiético, etc. Os valores são, em geral, roteiros para nossas vidas. Os valores são compartilhados e aprendidos em grupo. Eles podem ser positivos ou negativos.

Os valores são dinâmicos, ou seja, eles mudam ao longo do tempo. Eles também são estáticos, o que significa que tendem a persistir sem qualquer modificação significativa. São também diversificados, o que significa que variam de lugar para lugar e de cultura para cultura. Alguns valores são universais porque há unidade biopsicológica entre as pessoas em todos os lugares e em todos os tempos.

• Normas: são elementos essenciais da cultura. Elas são princípios implícitos para a vida social, relacionamento e interação. As normas são regras detalhadas e específicas para situações determinadas. Elas nos dizem como fazer algo, o que fazer, o que não fazer, quando fazer, por que fazer, etc. Normas são derivadas de valores. Isso significa que, para cada norma específica, existe um valor geral que determina seu conteúdo.

As normas fortes são consideradas as leis formais de uma sociedade ou grupo. Leis formais são escritas e codificam as normas sociais.

As pessoas não podem agir de acordo com os valores definidos e as normas do grupo. As normas sociais podem ser divididas em: costumes e comportamentos.

Costumes são regras importantes, que em geral ocorrem automaticamente sem qualquer base de suporte nacional e inspiram-se nos hábitos passados de geração em geração. Eles não são impostos por lei, mas por controle social informal e sua violação não é gravemente sancionada.

Já o comportamento é regido por convenções, isto é, regras estabelecidas e geralmente aceitas pela sociedade. Alguns comportamentos excepcionais são considerados excêntricos.

Variabilidade Cultural

Como você já viu, variabilidade cultural refere-se à diversidade de culturas nas sociedades e lugares. Como existem diferentes sociedades, existem diferentes culturas. A diversidade de cultura humana é notável. Valores e normas de comportamento variam muito de cultura para cultura, muitas vezes contrastando de forma radical. Por exemplo, os judeus não comem carne de porco, enquanto os hindus sim, mas evitam carne de gado. Se considerarmos sociedades como a Etiópia e a Índia, notamos que há entre elas grandes diversidades culturais. Por outro lado, dentro de ambas as sociedades, há também uma notável variabilidade cultural.

Nós usamos o conceito de subcultura para chamar a variabilidade da cultura dentro de determinada sociedade. Subcultura é uma cultura distinta partilhada por um grupo dentro de uma sociedade.

Etnocentrismo, relativismo cultural e choque cultural

Nós, muitas vezes, tendemos a julgar outras culturas comparando-as com a nossa. Não é logicamente apropriado subestimar, ou julgar, outras culturas na base de um padrão de cultura. O Etnocentrismo, em geral, é a atitude de tomar a sua própria cultura e modos de vida como os melhores. É a tendência para aplicar os próprios valores culturais a fim de julgar o comportamento e as crenças de pessoas de outras culturas. As pessoas consideram um comportamento diferente como estranho ou selvagem.

No Relativismo Cultural cada sociedade tem sua própria cultura, que é mais ou menos única. Cada cultura possui seu padrão único de comportamento que pode parecer estranho para as pessoas de outras origens culturais. Nós não podemos compreender suas práticas e crenças separadamente da cultura mais ampla da qual faz parte. A cultura tem que ser estudada em termos de seus próprios significados e valores.

O relativismo cultural descreve uma situação onde existe uma atitude de respeito às diferenças culturais em vez de condenar a cultura de outras pessoas como não civilizada ou atrasada. O respeito pelas diferenças culturais envolve:

• Valorizar a diversidade cultural;

• Aceitar e respeitar outras culturas;

• Tentar entender cada cultura e seus elementos em termos do seu próprio contexto e lógica;

• Aceitar que cada costume tem uma dignidade e significado inerente às formas de vida de um grupo que trabalha num determinado meio ambiente para satisfazer as necessidades biológicas dos seus membros e as relações grupais;

• Saber que a cultura própria de uma pessoa é apenas uma entre muitas;

• Reconhecer o que é imoral, ético e aceitável numa cultura.

Relativismo cultural pode ser considerado o oposto do etnocentrismo. Contudo, há algum problema com o argumento de que o comportamento de determinada cultura não deve ser julgado pelos padrões do outro. Isso ocorre porque considerando uma situação extrema, é possível afirmar, por exemplo, que não existe um limite superior no que se refere à moralidade em termos da internacional ou universal.

O choque cultural (Culture Shock) é o psicológico e social desajuste no nível micro ou macro que é experimentado pela primeira vez quando as pessoas encontram novos elementos culturais, como coisas novas, ideias, conceitos, crenças e práticas aparentemente estranhas.

Nenhuma pessoa está protegida de um choque cultural. No entanto, indivíduos variam em sua capacidade de adaptar-se e superar a influência do choque cultural. Pessoas altamente etnocêntricas estão mais suscetíveis ao choque cultural. Por outro lado, os relativistas culturais podem achar que é fácil adaptar-se a novas situações e superar o choque cultural.

Socialização

A socialização é um processo através do qual as pessoas aprendem e são treinadas nas normas básicas, valores, crenças, habilidades, atitudes, modos de fazer e agir de acordo com um grupo social ou sociedade específica. O indivíduo passa por várias fases de socialização, desde o nascimento até a morte. Assim, precisamos de socialização enquanto crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Do ponto de vista das pessoas individuais, especialmente um bebê recém-nascido, a socialização é um processo pelo qual um ser biológico ou organismo é transformado em um bem-estar social.

Em termos de grupo, sociedade ou qualquer organização profissional, a socialização é um processo pelo qual as organizações, grupos sociais, a estrutura da sociedade e o bem-estar são mantidos e sustentados. É o processo em que a cultura, as habilidades, as normas, as tradições, os costumes, etc., são transmitidos de geração em geração – ou de uma sociedade para outra.

Socialização pode ser formal ou informal: torna-se formal quando é conduzida por grupos e instituições sociais formalmente organizados, como escolas, centros religiosos, universidades, meios de comunicação, locais de trabalho, etc. É informal quando é realizada através de interações interpessoais ou interações informais em pequenos grupos sociais.

A socialização mais importante para nós é a que temos através de agentes informais como a família, pais, vizinhança e influências do grupo de pares. Ela tem uma influência muito poderosa, negativa ou positiva, em nossas vidas.

O processo de socialização, seja ele formal ou informal, é de vital importância para os indivíduos e sociedade. Sem algum tipo de socialização, a sociedade deixaria de existir. A socialização, portanto, pode ser rotulada como a maneira pela qual a cultura é transmitida e os indivíduos são instalados de acordo com os modos de vida da sociedade.

As metas de socialização

Em termos de pessoas individuais, o objetivo da socialização é equipar o indivíduo com os valores básicos, as normas, as competências, etc., de modo que elas se comportem e atuem corretamente no grupo social ao qual pertencem. Socialização tem também os seguintes objetivos específicos:

* incutir aspirações;

* ensinar papéis sociais;

* ensinar habilidades;

* ensinar conformidade com as normas e construir as identidades pessoais.

Apesar da importância da inculcação de valores e normas no processo de integração social, precisamos observar também que os valores sociais não são igualmente absorvidos por todos os membros de uma sociedade ou grupo. A integradora função de socialização também não é igualmente benéfica para todas as pessoas.

Padrões de socialização

Existem dois padrões amplamente classificados de socialização. São eles: a socialização repressiva e socialização participativa. Socialização repressiva é orientada para ganhar a obediência, enquanto a socialização participativa é orientada para ganhar a participação da criança.

Principais tipos de socialização

Existem diferentes tipos de socialização: tradicionais (primária ou socialização na infância, secundária ou socialização na idade adulta, dessocialização e ressocialização); socialização antecipatória e socialização reversa.

Socialização primária ou socialização na infância

É também chamada de socialização básica ou precoce. Os termos "primário", "base" ou "cedo" significam a importância do período da infância para a socialização. Muito da personalidade dos indivíduos é forjada neste período da vida. Socialização nesta fase da vida é um marco, sem ela, estaríamos longe de nos tornarmos seres sociais. Por isso, as crianças devem ser devidamente socializadas desde o nascimento até cinco anos de idade, haja vista este período ser básico e crucial.

Uma criança que não seja apropriadamente socializada nesta fase provavelmente será deficiente no âmbito do desenvolvimento social, moral, intelectual e de personalidade.

A socialização secundária ou socialização na idade adulta

A socialização secundária, ou socialização na idade adulta, é necessária quando o indivíduo assume novos papéis, reorientando-se de acordo com sua mudança, status e papéis sociais, como quando inicia a vida matrimonial. O processo de socialização nesta fase pode, às vezes, ser intenso. Por exemplo, os licenciados que entram no mundo do trabalho para começar seu primeiro posto de trabalho têm novos papéis a serem executados.

A socialização de adultos pode também ocorrer entre imigrantes. Quando eles vão para outros países, precisam aprender a língua, valores, normas e uma série de outros costumes.

Ressocialização e Dessocialização

Na vida dos indivíduos que passam por diferentes estágios e experiências não existe a necessidade de ressocialização e dessocialização. Ressocialização significa a adoção, por parte dos adultos, de estilos de vida radicalmente diferentes e que são mais ou menos diferentes com as normas e os valores anteriores. São alterações rápidas e básicas na vida adulta. A mudança pode exigir o abandono de um estilo de vida por outro, completamente diferente e incompatível com o primeiro.

Ela acontece frequentemente quando nas sociedades modernas, e na vida adulta, exige-se dos indivíduos transições nítidas e mudanças. Dessocialização normalmente precede a ressocialização. Refere-se a indivíduos que mudaram seus estilos de vida, crenças, valores e atitudes e passaram a ocupar novos estilos, parcial ou totalmente, a fim de tornar-se parte do novo grupo social.

Dessocialização e Ressocialização ocorrem frequentemente no que é chamado de instituições totais, o que inclui, por exemplo: hospitais psiquiátricos, prisões e unidades militares. Em cada caso, as pessoas que se juntam à nova definição têm primeiro de ser dessocializadas antes de serem ressocializadas.

Ressocialização também pode significar socialização dos indivíduos novamente em seus valores e normas anteriores, depois de reunir seus antigos modos de vida, gastando relativamente longo período de tempo em instituições. Isso ocorre porque eles podem ter esquecido a maior parte dos valores básicos e habilidades do ex-grupo ou sociedade.

Esse tipo de ressocialização também pode ser considerado como a reintegração, ajudar os ex-membros da comunidade a renovar seus antigos modos de vida, habilidades, conhecimentos, etc.

Socialização antecipatória

Socialização antecipatória refere-se ao processo de ajuste e adaptação em que os indivíduos tentam aprender e internalizar os papéis, valores, atitudes e habilidades de um status social ou profissão para a qual são prováveis recrutas no futuro. Eles fazem isso antecipando a socialização próxima na vida real.

Socialização reversa

Está associada ao fato da socialização ser um processo de mão dupla. Ela envolve as influências e pressões das socializações que direta, ou indiretamente, induzem a mudar atitudes e comportamentos dos próprios socializadores.

Na socialização reversa, as crianças, por exemplo, podem socializar seus pais em alguns papéis, habilidades e atitudes que faltam a estes.

Agentes e componentes de socialização

Agentes de socialização são os diferentes grupos de pessoas e arranjos institucionais responsáveis pelo treinamento de novos membros da sociedade. Alguns deles poderão ser formais, enquanto outros são informais. Eles ajudam os membros a entrar nas atividades gerais da sua sociedade. Algumas das agências de socialização são: a família, relacionamentos com seus pares, escolas, bairros (da comunidade), a massa da mídia, etc.

A instituição família é geralmente considerada o mais importante agente de socialização. No processo de socialização, os contatos mais importantes ocorrem entre uma criança, seus pais e irmãos. Os contatos também poderiam ser entre a criança e os pais substitutos quando os pais reais não estão disponíveis.

Além dos pais, há outros agentes de socialização (em sociedades modernas), como creches-centros, creches e infância, escolas e universidades. Parece que esses vários agentes de socialização assumiram parcialmente a função dos pais, particularmente nas sociedades modernas onde as mulheres estão cada vez mais deixando a sua tradicional responsabilidade domiciliar para exercer uma atividade fora de casa.

Além de pais e escolas, grupos de pares são muito importantes no processo de socialização. Às vezes, a influência do grupo de pares pode ser negativa ou positiva, e ser tão poderosa como a dos pais. Os grupos de pares (grupo de amigos) podem transmitir valores sociais vigentes ou desenvolver novas e distintas culturas próprias, com valores peculiares.

Os meios de comunicação de massa como televisão, rádio, cinema, vídeos, fitas, livros, revistas e jornais são também importantes agentes de socialização.

Múltiplas e contraditórias influências de socialização

Até agora, o quadro de socialização apresentado pode parecer inclinado para uma visão funcionalista e estrutural da sociedade e de socialização. Assim, seria útil adicionar algumas ideias que podem ajudar a equilibrar a imagem. Numa conceituação crítica de socialização, influências contraditórias e ambíguas de socialização precisam ser destacadas.

Se tomarmos o exemplo do consumo de álcool e tabaco veremos que há processos subjacentes e contraditórios de socialização por trás desse fenômeno. Influências conflitantes surgem quando, por um lado, as famílias, escolas e instituições médicas advertem os jovens para não consumirem estes produtos e, por outro lado, as empresas que produzem esses produtos estão travando uma guerra para vendê-los aos jovens através da atração da propaganda.

Este exemplo nos mostra que, muitas vezes, mensagens conflitantes competem a partir das várias fontes de socialização. As empresas internacionais promovem a cultura do consumismo com o auxílio dos meios de comunicação global. Estes tendem a desempenhar papéis dominantes na influência das atitudes e estilos de vida dos jovens.

Aprendendo a Pensar

O professor Stenio Nogueira recebe o sociólogo e antropólogo Ronaldo Santiago Lopes para um bate-papo acerca das contribuições que a Sociologia e os sociólogos podem oferecer para a área do conhecimento científico. Conversando sobre experiências e perspectivas, os sociólogos apresentam um panorama da Sociologia e seus estudos.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

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CORRENTES SOCIOLÓGICAS

CONHECIMENTO

Compreender os pressupostos das correntes sociológicas.

HABILIDADES

Analisar a sociedade atual a partir das ideias propostas pelas correntes sociológicas.

ATITUDES

Desenvolver a percepção das diferentes posturas teóricas face à mesma realidade social.

A contribuição de Auguste Comte

Auguste Comte
Auguste Comte

A sociologia oportuniza diferentes estudos e caminhos para a explicação da realidade social, não se constituindo enquanto ciência de apenas uma orientação teórica e metodológica dominante. Atendendo ao que foi afirmado, observamos na sociologia três linhas principais: a positivista-funcionalista, de Auguste Comte e Durkheim; a sociologia compreensiva iniciada por Max Weber e a linha de explicação sociológica dialética iniciada por Karl Marx.

Comte idealizou uma sociologia de inspiração positivista, a qual considera que a sociedade destina-se inevitavelmente ao progresso, todavia, este deve vir junto com a ordem nas instituições sociais: família, escola, empresa, religião e estado. A ordem é indispensável para manter o equilíbrio social. Nesse sentido a sociologia deve abster-se de qualquer discussão crítica sobre a realidade existente.

Para compreendermos a extensão do raciocínio positivista, é importante lembrar que, de acordo com Comte, nessa época a Europa passava por uma crise econômica e social, resultante de uma nova forma de pensar a natureza e a sociedade. Tal forma desenvolveu-se a partir do século XV em resultado do conflito histórico entre a antiga ordem feudal e a nova ordem capitalista.

Para Comte, a desordem e a anarquia dominavam devido aos princípios metafísicos e teológicos do passado não poderem mais ajustar-se à sociedade em transformação acelerada. Para superar esse estado, Comte propõe a construção de uma nova ordem social por intermédio da reforma intelectual do homem cujo fundamento é o uso da razão.

Nesse ponto surge a sociologia ou “física social”, que se propõe reformar a prática das instituições sociais através da análise de seus processos e estruturas.

A sociologia representa, para Comte, o apogeu da evolução do conhecimento, recorrendo aos mesmos métodos de outras ciências, pois todas elas procuram conhecer os fenômenos constantes e repetitivos da natureza. A sociologia, como as ciências naturais, deve procurar a reconciliação entre os aspectos estáticos e os dinâmicos do mundo natural, o que, em termos da sociedade humana, significa entre a ordem e o progresso.

A ciência deveria ser um instrumento para a análise da sociedade no sentido de torná-la melhor; o mesmo é dizer que o conhecimento deve existir para fazer previsões do que acontecerá e também para dar a solução dos possíveis problemas que possam existir.

O positivismo de Comte procura encontrar uma forma de estudar a sociedade de modo que essa pesquisa ofereça credibilidade na busca de respostas consideradas essenciais para a mudança social em diversos âmbitos, tais como: a organização da sociedade, o comportamento dos indivíduos e das instituições; a necessidade de regras e de normas; o planejamento de uma sociedade equilibrada e a resolução de conflitos. Para isso, defende uma unidade metodológica regida por leis invariáveis, cujos fundamentos para a investigação partem da análise da sociedade baseada nas ciências naturais. Como um organismo, a sociedade deve ser estudada em duas dimensões: a que Comte designa por estática social (análise de suas condições de existência; de sua ordem) e a da dinâmica social (análise de seu movimento; de seu progresso).

Para o autor, ordem e progresso relacionam-se estreitamente. A sociedade evolui com base em dois movimentos, buscando a ordem e o progresso:

• o primeiro movimento propõe a evolução das sociedades de modo linear, das sociedades mais simples para as mais complexas, das menos avançadas à mais evoluídas;

• o segundo movimento procura adequar os indivíduos às condições estabelecidas para garantir o melhor funcionamento da sociedade, o bem-comum e os anseios da maioria da população;

• Segundo Costa (1997), os conflitos, as contradições e as revoltas devem ser contidos, se tais movimentos colocarem em risco a ordem estabelecida ou inibirem o progresso.

A concepção de uma evolução linear das sociedades influenciou a perspectiva etnocêntrica dos antropólogos dos séculos XIX e XX que consideravam atrasadas e inferiores as sociedades diferentes das sociedades europeias.

Essa proposta eurocêntrica foi reforçada pela ideia de Comte. Este considera que, na sua evolução, as concepções intelectuais da humanidade envolvem três estágios que se excluem mutuamente:

• o estágio teológico: é o ponto de partida necessário à inteligência humana na qual o pensamento sobre o mundo é dominado pelas considerações do sobrenatural;

• o estágio metafísico: predomina o pensamento filosófico sobre a essência dos fenômenos e o desenvolvimento da matemática e da lógica, servindo de transição para o estágio positivo;

• o estágio positivo: de acordo com Comte (1996), apresenta-se fixo e definitivo e nele o conhecimento passa a ter utilidade prática porque se baseia na ciência, ou seja, na observação cuidadosa dos fatos empíricos.

O progresso do conhecimento do homem aconteceu de acordo com o positivismo comteano. Veja no quadro abaixo a explicação das leis dos três estados:

Estado Teológico

Explica os diversos fenômenos por meio de causas primeiras, em geral personificadas nos deuses. Subdivide-se em:

a) Fetichismo: o homem confere vida, ação e poder sobrenaturais a seres inanimados e a animais.

b) Politeísmo: quando se desenvolve a crença em mais de um Deus.

c) Monoteísmo: quando se desenvolve a crença em um Deus único.

Estado Metafísico

As causas primeiras são substituídas por causas mais gerais - as entidades metafísicas -, buscando nessas entidades abstratas (ideias) explicações sobre a natureza das coisas e a causa dos acontecimentos.

Estado Positivo

O homem tenta compreender as relações entre as coisas e os acontecimentos por meio da observação científica e do raciocínio, formulando leis. Portanto, não procura mais conhecer a natureza íntima das coisas e as causas absolutas.

Fonte: Lakatos (1990, p. 43)

Era um posicionamento de caráter evolucionista, o qual acreditava que a sociedade passaria por uma sucessão de estágios menos evoluídos aos mais evoluídos, chegando à “perfeição” através do industrialismo e da ciência. Estes seriam os propulsores de uma ordem encaminhada ao progresso social. Tais ideias exerceram influência por todos os lugares do mundo, inclusive na formação da república brasileira que adotou em sua bandeira nacional a máxima positivista Ordem e Progresso.

O positivismo não admite outra realidade a não ser os fatos passíveis de observação. Constitui tarefa do cientista social descobrir as relações entre os fatos, por intermédio de instrumentos específicos, na busca da objetividade científica. Não são consideradas de interesse as causas dos fenômenos, nem o conhecimento das suas consequências porque isso não é considerado tarefa da ciência.

Como forma de aproximar as ciências sociais do modelo mecanicista, as pesquisas de orientação positivista assumem uma postura de neutralidade diante do objeto da pesquisa e de seus resultados.

Além disso, tais pesquisas buscam a quantificação e repudiam a pesquisa qualitativa. Os dados empíricos são coletados e trabalhados com objetividade e neutralidade. A partir de um referencial teórico, o pesquisador levanta hipóteses e procura a sua comprovação. Os dados são processados quantitativamente.

Comte defende que o pesquisador não pode estar simultaneamente na janela e vendo-se passar na rua. No teatro, não se pode ser, ao mesmo tempo, ator no palco e espectador sentado na poltrona. Para evitar a influência do subjetivo, o cientista deve manter-se neutro com relação ao seu objeto de pesquisa.

A palavra objeto é simbólica, pois mostra que as pessoas seriam encaradas como peças de um jogo e não como indivíduos capazes de ter livre-arbítrio. Do mesmo modo, o pesquisador não deve manter qualquer tipo de relacionamento ou proximidade com os indivíduos que estão sendo observados.

A sociologia de Comte não saiu do plano das ideias. Não houve uma viabilização desta por parte do autor, porém, os primeiros sociólogos inspiraram-se em sua filosofia positivista. A sociologia existia como um embrião que ainda não gozava de reputação científica e foi através de Émile Durkheim que ela, finalmente, foi institucionalizada no meio acadêmico.

Mas afinal, quem é Émile Durkheim e o que ele propôs como teoria e prática sociológica?

Contribuição de Émile Durkheim

Emile Durkheim
Emile Durkheim

Émile Durkheim é o mais importante precursor do funcionalismo. Ele concebe a sociedade semelhante a um organismo vivo, cujos órgãos funcionam de maneira interdependente para manter sua sobrevivência e equilíbrio. Cada parte existe em função do todo. Quando um órgão fica doente, todo o corpo sofre as consequências.

Durkheim compara a sociedade ao modelo de funcionamento de um organismo vivo como, por exemplo, o corpo humano. Assim você deve, primeiramente, compreender o funcionamento deste organismo humano.

Cada um de nós é constituído por uma unidade com diferentes partes que, juntas, funcionam de forma harmoniosa no que diz respeito à nossa saúde. Basta um órgão deixar de funcionar, ou funcionar parcialmente, para termos esta saúde afetada. Se você perder o rim ou ele não funcionar corretamente, logo sofrerá com os sintomas que podem ir desde a administração de uma medicação até o caso de hemodiálise ou morte. Desse modo funciona o corpo humano, cada parte desempenha funções específicas: rins, coração, fígado, pulmões e assim por diante.

Representação da sociedade como um todo
Representação da sociedade
como um todo

No entanto, cada órgão do corpo humano trabalha de forma independente e complementar para o bom funcionamento do todo. Usando um pensamento simplório, afirmar-se-ia que o todo é a soma das partes, mas se você montar um quebra-cabeça ou tiver peças diferentes para montar uma bicicleta, o resultado final apresentará características não contidas nas peças do quebra-cabeça que se transformou em uma bela paisagem ou nas peças do que se tornou uma bicicleta. Daí, concluímos que o “todo” tem qualidades que as partes não têm.

A ideia de totalidade pressupõe que as partes não estejam somente amontoadas umas ao lado das outras, mas que haja diferença, integração, interdependência e complementaridade entre elas.

Assim decorre o funcionamento da sociedade para Durkheim:

• O todo prevalece sobre as partes; o mesmo é dizer que o coletivo prevalece sobre o indivíduo;

• As partes (os fatos sociais) existem em função do todo (a sociedade); o mesmo é dizer que os indivíduos agem de acordo com o coletivo;

• A ligação entre as partes e o todo é assegurada pela função social, o que pode ser associado ao fato de cada instituição cumprir um papel para o bom desempenho da sociedade.

A sociedade busca manter seu equilíbrio e coesão por meio das instituições e das interações sociais.

Para Durkheim, a sociedade é um conjunto de normas coletivas, pensamento e sentimento que não existem apenas na consciência dos indivíduos, mas que são construídos exteriormente, isto é, fora das consciências individuais.

Os homens em sociedade defrontam-se com regras de conduta, regras essas conhecidas por leis, códigos, decretos, constituições.

No funcionalismo destaca-se a concepção de fato social, entendido enquanto conjunto de regras e normas coletivas permanentes, ou não, que orientam a vida dos indivíduos em sociedade, exercendo alguma forma de coerção externa ao indivíduo. Os fatos sociais estão associados às maneiras padronizadas como o indivíduo age na sociedade, por exemplo: o modo de agir, de vestir-se, a língua, o sistema monetário, a religião, as leis.

Durkheim propõe também uma reflexão sobre os fatos sociais que cumprem uma função integradora [fatos sociais normais]; defende que tais fatos sociais fragilizam os grupos sociais em virtude de os desagregarem [fatos sociais patológicos]. Quando numa sociedade prevalecem os fatos sociais normais, esta encontra-se em estado de integração, ordem e harmonia. Mas se os fatos sociais patológicos estão em destaque, a sociedade encontra-se em crise, apelidada pelo autor de anomia (estado social na ausência de normas).

Para o funcionalismo, a tarefa da sociologia é estudar os fatos sociais construídos pelo conjunto da sociedade (exteriores); estes são coercitivos (normativos) e gerais (coletivos) e por isso são independentes da escolha pessoal, subjetiva ou consciente dos indivíduos isoladamente.

O conhecimento individual representa a capacidade de compreensão e de interiorização da realidade ou da cultura socialmente construída. Isso somente é possível porque o que o sujeito sente, pensa e faz depende do conjunto de valores, crenças, dados ou leis exteriores a ele que lhe servem de parâmetro e com os quais foi educado no grupo social em que nasceu.

Para conhecer mais sobre conceitos de fatos sociais, propomos a leitura de um trecho adaptado do livro As regras do método sociológico de Émile Durkheim (1987):

Chegamos assim a compreender, de maneira precisa, o domínio da sociologia, o qual engloba um grupo determinado de fenômenos. O fato social é identificável pelo poder de pressão externa que tem ou é apto a fazer sobre os sujeitos. A presença deste poder é identificável, por sua vez, seja pela existência de alguma penalidade pré-definida, seja pela oposição que o fato realiza a qualquer iniciativa individual que procure violentá-lo.

Todavia, podemos defini-lo também pela difusão que apresenta no interior do grupo, desde que, de acordo com as observações anteriores, tenha-se o cuidado de acrescentar como característica segunda e essencial que ele existe independentemente das formas individuais que toma ao difundir-se.

Em alguns casos, este último critério consegue ser de mais fácil aplicação do que o anterior. Em consequência, a coerção é fácil de identificar quando ela se traduz no exterior por qualquer reação direta da sociedade, como é o caso do direito, da moral, das crenças, dos usos e mesmo das modas. Mas, quando não é senão indireta, como a que exerce uma organização econômica, não se deixa observar com tanta facilidade.

De fato, quando se deseja saber como uma sociedade está dividida politicamente, como se compõem estas divisões, não é com o auxílio de uma investigação material e por meio de observações geográficas que poderemos alcançá-lo, pois estas divisões são morais, ainda quando apresentam algum ponto de apoio na natureza física.

Através do direito público faz-se possível estudar tal organização, pois é ele que a determina, bem como determina nossas relações familiares e cívicas. No entanto, isso não torna a organização menos obrigatória do que outros fatos da vida social. A aglomeração das pessoas nos centros urbanos, ao invés do campo, deve-se a uma corrente de opinião que as leva a esta concentração. Essa corrente de opinião manifesta-se como uma pressão coletiva, que é apresentada, às vezes de maneira imperiosa, obrigando os indivíduos a agir de tal maneira, determinando um sentido para a realização de migrações interiores e as trocas e condicionando até mesmo a intensidade na qual essas trocas e migrações devem ocorrer.

A estrutura política de uma sociedade é formada a partir da maneira como os diferentes segmentos que dela participam habituaram-se a conviver uns com os outros. Se as relações sociais apresentam-se tradicionalmente estreitas, os segmentos tendem a distinguir-se. Nem mesmo é dado a nós o direito de escolher a forma de nossas casas. O tipo de habitação imposta ao indivíduo é resultante da maneira pela qual as pessoas a nossa volta, bem como as gerações anteriores, habituaram-se a construir suas casas.

O conteúdo apresentado por Durkheim compreenderá o todo definido, ao afirmar-se que fato social é toda maneira de agir, seja fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que se possa ter.

Durkheim afirma que há uma especialização das funções entre os indivíduos nomeada por ele de “divisão do trabalho social”. Essa divisão não diz respeito somente às atividades econômicas, mas é o fato fundante da coesão social, da união, da solidariedade. É importante que você entenda o conceito de solidariedade de Durkheim.

Solidariedade mecânica e solidariedade orgânica

Nas sociedades tradicionais, ou seja, pré-capitalistas, não havia um grande número de especializações quando comparadas à sociedade capitalista. Um profissional era capaz de realizar seu processo de produção de forma completa, realizando todas as etapas. Dessa forma, o que unia as pessoas não era o fato de uma depender do trabalho da outra, mas o fato de haver semelhança em termos de tradição, crenças e sentimentos. Há uma regulação moral das condutas que decorrem da tradição, ou seja, da consciência coletiva. A esse tipo de união Durkheim nomeia solidariedade mecânica.

Nas sociedades capitalistas assistimos a um grande número de especializações; há uma maior divisão do trabalho. Os indivíduos tornam-se interdependentes na medida em que há uma valorização da contribuição de cada indivíduo no processo de cooperação social. Um precisa da especialização do outro e isso garante a união social, a coesão. Daí emana a moralidade.

É importante ressaltar que você não nasce sabendo da existência desses papéis e, muito menos, quais as atividades que são destinadas a cada um deles. É através do processo de aprendizagem que o ser humano passa a entender como deve comportar-se e agir.

Os sociólogos dão o nome de socialização ao processo de aprendizagem dos papéis sociais do indivíduo. É através desse processo que se internalizam os modos de agir, pensar e sentir, modos estes que os levam a conviver em sociedade. Os indivíduos não param para pensar nessas internalizações e elas passam despercebidamente, sendo confundidas com a vontade própria de cada um.

Na perspectiva funcionalista, a sociedade somente consegue manter-se parcialmente coesa porque indivíduos compartilham valores e regras. Vamos recorrer ao exemplo explanado por Haguette (2003): o que seria passear nas ruas se os motoristas e pedestres não compartilhassem o mesmo código de trânsito? Certamente não haveria trânsito, não é mesmo?

O funcionalismo entende que existem formas diferenciadas de viver, porém, a socialização e internalização provocadas pelo processo de aprendizagem tornam possível a convivência do homem. Há um conjunto de representações que são compartilhadas pelos membros de uma sociedade. Vamos entender melhor?

Consciência individual e consciência coletiva

Cada indivíduo tem uma forma específica de pensar, sentir e entender o mundo. Cada ser humano é dotado de uma personalidade que lhe é própria, onde se manifesta o que Durkheim nomeia de consciência individual. De acordo com o autor, existe outra forma de consciência constituída por ideias comuns, partilhadas pelos membros de uma sociedade. São ideias que estão presentes em todas (ou quase todas) as consciências individuais de uma sociedade, portanto, são consciências coletivas.

A consciência coletiva manifesta-se objetivamente, ou seja, de forma exterior ao indivíduo. Ela pode ser expressa pelo conjunto de normas que obedecemos no nosso dia a dia, as quais não foram criadas por nós, mas já existiam na sociedade antes de nascermos.

Cada sociedade ensina aos seus indivíduos o que é considerado certo e errado. Através do aprendizado, socializa seus homens ensinando o que é ou não permitido e atribui sanções negativas ou positivas a fim de controlar o comportamento.

As sanções positivas são as formas de reconhecer que o indivíduo está se comportando de acordo com as perspectivas sociais e podem ser representadas através de uma boa reputação, respeito, recompensas em dinheiro, dentre outros.

As sanções negativas são o reconhecimento de que o indivíduo não atendeu às expectativas sociais e podem ser expressas por fofoca, má fama, exclusão do grupo, condenação, violência moral ou física, dentre outros.

A pena dada ao criminoso não objetiva somente castigá-lo, mas constitui a tentativa de restabelecer a norma social. A impunidade enfraquece a percepção de valores e a noção de dever para com os outros.

Para o funcionalismo, os indivíduos não têm a potencialidade de modificar a sociedade, uma vez que o todo é muito mais forte do que a parte. São as instituições como a Igreja, a família, a escola, as leis, que moldam o indivíduo e este aparece como um agente passivo que em nada pode intervir.

Uma das críticas à concepção funcionalista da sociedade é que ela não consegue dar conta das transformações sociais e não reconhece o indivíduo como agente transformador, sujeito da história. Essa é a forma como Durkheim e a corrente funcionalista concebem a realidade social, mas é importante sabermos o que Durkheim toma como objeto de estudos da sociologia.

O objeto de estudos da sociologia

Partindo do pressuposto que é a sociedade que explica o indivíduo, de acordo com Durkheim (2003), o que a sociologia deve ocupar-se em estudar são os fatos sociais.

O que este sociólogo denomina de fato social possui em si características fundamentais que descreverão o objeto de estudo sociológico. É importante explicitarmos as três peculiaridades dos fatos sociais e entendermos através de exemplos cada uma delas.

• Coerção: consiste na força que os fenômenos exercem sobre os indivíduos que, independente de suas escolhas, acabam por conformar-se com as regras que estão postas na sociedade. Caso o indivíduo não cumpra tais imposições, logo será punido. As punições podem ser legais, no sentido de serem sustentadas por uma legislação, ou “espontâneas”, que são aquelas reprimidas moralmente pelo grupo ao qual o indivíduo pertence. Ex.: Se um dia você estranhar porque as pessoas andam com roupas e decidir andar sem elas, certamente você será punido, pois aqui no Brasil, andar sem roupas constitui um crime de atentado ao pudor.

• Exterioridade: significa que os fatos sociais existem e atuam sobre o indivíduo independente de sua vontade ou de sua aceitação consciente. Antes de nascermos, já existe um conjunto de regras sociais às quais teremos que nos adequar. Não sentimos, de maneira brusca, o caráter coercitivo e exterior desta adequação porque as normas e regras sociais são inculcadas no indivíduo através do processo educativo. Ex.: Quando você nasceu já existia “pronto” um sistema monetário ao qual, posteriormente, você teve que aderir, pois caso precise comprar um caderno em um estabelecimento comercial, terá que pagar por ele em “real” que é a moeda vigente no Brasil. Se você sair sem dinheiro ou com cédulas da moeda econômica usada na Argentina, o peso argentino, você ficará sem o caderno.

• Generalidade: esta característica pressupõe que para ser social, o fato não pode ser observado individualmente. Ele deve repetir-se em todos os indivíduos de uma sociedade ou grupo social, ou na maior parte deles. Os exemplos citados acima podem demonstrar bem isso: é comum a todos os membros da sociedade brasileira (e de outras sociedades também) a proibição de sair sem roupas pelas ruas; todos os membros da sociedade brasileira devem utilizar o real para fazer transações comerciais (com exceção das comunidades que praticam a lógica da economia solidária e adotam uma moeda própria para transações em uma pequena comunidade ou um bairro, como é o caso do Conjunto Palmeiras em Fortaleza- CE, que tem um banco próprio e adota uma moeda própria).

Levando em consideração as características acima descritas, Durkheim formulou um modelo para explicar a ocorrência dos fatos sociais. Seguindo a tendência de que a sociologia deveria adotar os mesmos procedimentos de pesquisa das ciências naturais, o autor declara que “a primeira regra e mais fundamental é a de considerar os fatos sociais como coisas” (DURKHEIM, 2003, p. 94).

Mas, como vamos “coisificar” fatos sociais? Essa será uma discussão para o próximo tópico.

Método de estudo: a coisificação do fato social

Na concepção de Durkheim, os principais fenômenos sociais como a religião, o direito, a moral, a economia ou a educação são sistemas de valores e se o investigador estiver impregnado com os valores que esses fenômenos expressam, não terá a isenção necessária para entendê-los. É necessário suspeitar das primeiras impressões e disso surge a necessidade de abordar os fatos sociais como coisas, ou seja, como objetos.

Para Durkheim (2003), coisa é todo objeto do conhecimento que a inteligência não alcança de maneira natural; corresponde ao que o espírito não pode chegar a compreender, a não ser sob o viés da condição da fuga de si, mesmo através da observação e da experimentação.

O cientista social teria que colocar-se num estado de espírito semelhante ao dos físicos, químicos, fisiologistas, olhando o objeto de estudo como algo que não pertence ainda ao seu conhecimento e exercendo a prática cartesiana da dúvida metódica.

O fato e a análise
O fato e a análise

É importante ter em mente que a regra de tratar fatos sociais como coisa é uma postura metodológica intelectual e não significa dizer que são coisas materiais. Significa a pretensão de uma objetividade científica e a separação radical entre senso comum e conhecimento científico. O sociólogo deve ser imparcial e neutro, deve mostrar como as coisas são e não como deveriam ser e deve afastar das pesquisas qualquer sentimento, qualquer subjetividade.

Quando Durkheim afirma que os fatos sociais devem guardar a característica de serem comuns a todos os membros de um grupo, quer demonstrar que, ao nascer, o indivíduo já encontra uma sociedade constituída. Os costumes, o direito, as crenças religiosas, o sistema financeiro do qual ele faz parte foram criados pelas gerações passadas, sendo transmitidos às novas gerações através de educação.

O fato social guarda a característica de ser uma representação coletiva. Na concepção do autor, existem duas dimensões em cada um de nós: uma individual, que está referenciada por estados mentais relacionados somente à nossa pessoa; e, ao mesmo tempo, uma social ou coletiva, que é referenciada por coisas adquiridas socialmente como as crenças, os valores, etc.

Nas palavras de Durkheim (1999, p. 50), a consciência coletiva é o “conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria”. Portanto, essa dimensão coletiva significa o quanto há dos outros em nós, seja da família, dos amigos, dos ensinamentos que tivemos na escola ou até mesmo das tradições que as gerações passadas deixaram de herança.

Quando nascemos, somos instruídos a agir de determinada maneira pelo conjunto de regras elaboradas em um meio moral compartilhado. Nós naturalizamos estas regras que acabamos por nem percebê-las em nosso cotidiano, porém, se não agirmos de acordo com as expectativas, sofreremos algum tipo de penalidade, seja ela física ou moral.

Como já foi mencionado, se um indivíduo experimentar andar sem roupas pela rua é certo que será preso; se o menino arrotar à mesa durante a refeição, logo será chamado de mal educado por aqueles que o observam; se o homem tiver mais de uma namorada será acusado por traição e chamado de “sem vergonha”. Apesar de parecerem proibições óbvias, basta olharmos outras culturas para entender que não são tão óbvias assim, antes são apenas construções de determinada cultura. Em tribos indígenas é comum andar sem roupa; para certas culturas árabes arrotar após a refeição é sinônimo de gentileza, pois significa que a comida está de bom gosto; no Islã o homem pode ter mais de uma mulher oficialmente.

O certo é que cada indivíduo é ensinado a viver de acordo com as regras estabelecidas em sua sociedade. Esse processo de ensino-aprendizagem é nomeado por cada “modelo” de educação. Não se trata aqui de uma educação escolar, mas de educação da vida cotidiana. Para Durkheim, educação é o meio pelo qual aprendemos a ser membros da sociedade, portanto, educação é sociabilidade.

Então, é objetivo da educação formar esse ser social que constitui cada um de nós. Nas ideias do autor, há a concepção de que é a sociedade que nos molda. Apesar de deixar explícito que cada sociedade educa suas crianças de forma diferente de outra, ou seja, que a educação coloca a criança em contato com determinada sociedade e não com a sociedade in genere, é interessante refletir se as concepções de Durkheim conseguem explicar o caráter de mudança que vem se apresentando desde o início da modernidade.

Aprendendo a Pensar

O vídeo apresenta o pensador francês Émile Durkheim, compreendendo suas categorias de análise em uma perspectiva histórica. Entendendo que a sociedade atua como um "corpo social" em que as células são os indivíduos, as instituições são os órgãos e o corpo é a sociedade por completo, o vídeo busca apresentar as teorias do pensador francês através da experiência da Escola de Música de Sobral.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Aprendendo a Pensar

O vídeo apresenta o pensador francês Émile Durkheim, compreendendo suas categorias de análise em uma perspectiva histórica. Entendendo que a sociedade atua como um "corpo social" em que as células são os indivíduos, as instituições são os órgãos e o corpo é a sociedade por completo, o vídeo busca apresentar as teorias do pensador francês através da experiência da Escola de Música de Sobral.

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Contribuição de Max Weber

Max Weber
Max Weber

Weber, influenciado pelo idealismo alemão (uma corrente filosófica), leva em consideração a importância da pesquisa histórica para a compreensão das sociedades. Esta perspectiva opõe-se ao positivismo na medida em que a corrente filosófica e científica deste toma a história como um processo universal onde a sociedade evolui em estágios que somente podem ser percebidos pelo método comparativo.

Tal posicionamento invalida a importância dos processos históricos particulares, homogeneizando as diferentes formações sociais. Essa foi a corrente seguida por Durkheim. Opondo-se a tal, Weber defende que não é possível entender o mundo social considerando somente os fatores externos aos seres humanos; é necessário entender também as ações individuais e levar em consideração o sentido que os indivíduos atribuem às ações e aos seus valores. O caráter particular e específico de cada formação sócio-histórica deve ser levado em consideração.

Para Max Weber, a sociologia deve concentrar-se na análise da conduta social, procurando compreender o sentido das interações significativas de indivíduos que formam uma teia de relações sociais. Assim, segundo Weber, a conduta social somente vai existir quando o indivíduo tentar estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações, com os demais. De acordo com este, a conduta social pode ser representada em quatro categorias.

Conduta Tradicional

Relativa às antigas tradições

Conduta Emocional

Reação habitual ou comportamento dos outros, expressando-se em termos de lealdade ou antagonismo.

Conduta Valorizadora

Agindo de acordo com o que os outros indivíduos esperam de nós.

Conduta Racional-Objetiva

Consiste em agir segundo um plano concebido em relação à conduta que se espera dos demais.

Fonte: Lakatos (1990, p. 51)

A ação social ocorre quando o sentido pensado pelo indivíduo considera a conduta dos outros no momento em que uma ação é praticada. Desse modo, o sentido é que dá à ação social seu caráter específico. Pelo que foi afirmado, o ponto de partida da sociologia de Weber não se encontra nas entidades coletivas, grupos ou instituições. Seu objeto de investigação é a ação social, a conduta humana dotada de sentido.

Assim, o homem na teoria weberiana passou a ter enquanto indivíduo, significado e especificidade. É ele que dá sentido à sua ação social, estabelecendo a conexão entre o motivo da ação, a ação propriamente dita e seus efeitos.

Para Weber, as normas sociais somente tornam-se concretas quando são manifestadas em cada indivíduo sob a forma de motivação. Desse modo, cada indivíduo age levado por um motivo que é dado pela tradição.

Weber argumenta que a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais, estas compreendidas como todo tipo de ação que o indivíduo pratica, orientando-se pela ação de outros. Desse modo, a ciência explica o fenômeno social a partir da investigação do comportamento subjetivo, que vincula o indivíduo a seus atos.

Haguete (2003) coloca ao leitor o exemplo da abolição da escravatura para que seja compreensível o fato de uma realidade social não poder ser explicada levando em consideração fatores isolados.

O autor parte das seguintes perguntas: “Como explicar a abolição dos escravos no século XIX?”. “Houve somente uma causa ou várias condições estavam presentes para torná-la possível?”

Como resposta, o autor afirma que alguns livros de História justificam a abolição pelo bom coração da Princesa Isabel que tomou a atitude de libertar os escravos, outros justificam que a escravidão acabou porque não comportava mais o caro uso da mão de obra escrava, outros destacam a luta dos abolicionistas e assim existem muitas versões para justificar este fato histórico. Pensemos: será necessário escolher uma causa?

Se Weber fosse explicar a abolição da escravatura, diria que foi uma confluência de fatores que tornaram a prática escravocrata inviável. Nenhuma das explicações deve ser desconsiderada, mas considerá-las isoladamente é um erro. Além de entender que múltiplos fatores forjaram a abolição da escravatura, Weber diria ainda ser necessário entender cada um deles e explicá-los.

Portanto, é preciso entender a proposta de Max Weber para o qual o pesquisador deve fazer um esforço visando compreender e interpretar o passado e as repercussões deste nas características peculiares das sociedades contemporâneas. Essa proposta foi denominada “método compreensivo”. Enquanto ciência das atividades sociais, a sociologia deve compreender e explicar a ação dos indivíduos, assim como os valores pelos quais estes se pautam.

A sociologia de Weber não considera os fenômenos sociais como a pura expressão de causas exteriores que se impõem aos indivíduos. A ação social é produto das atitudes dos indivíduos de carne e osso que dão um sentido à sua ação.

Quando falamos em ação social, estamos tratando do que Weber toma como objeto, por excelência, da sociologia. Ao cientista cabe investigar qual o seu sentido ou significado.

Mas o que é essa ação social?

Ação Social
Ação Social

Nessa questão, é importante ressaltar que o autor diferencia ação de ação social. A primeira é toda conduta humana que traz em si um significado subjetivo atribuído pelo agente que a executa; é o significado subjetivo que orienta a ação. Quando um agente orienta sua ação levando em conta a ação de outro(s) agente(s) que podem ser tanto individualizados e conhecidos, como um conjunto de indivíduos desconhecidos, a ação passa a ser social, ou seja, o indivíduo está agindo levando em consideração outro indivíduo.

Tomando o exemplo dado pelo próprio autor, podemos entender melhor: uma pessoa está na rua e começa a chover, ela tira da bolsa um guarda-chuva e abre sobre sua cabeça para não se molhar. Essa atitude consiste numa ação, pois a pessoa age individualmente, motivada pelo desejo de não ser molhada. Mas, se uma pessoa está na rua, começa a chover, ela abre o guarda-chuva e convida a pessoa que está ao seu lado a compartilhar este objeto para não se molhar, temos o exemplo de uma ação social, pois é evidente que ela está agindo levando em consideração outro indivíduo.

Na diferenciação que Weber faz entre ação social e relação social, temos que a última somente acontece na medida em que uma conduta coletiva é reciprocamente orientada e dotada de conteúdos cujos sentidos podem ser socialmente partilhados pelos diversos agentes sociais. O que caracteriza a relação social é que o sentido das ações sociais a ela associados pode ser compreendido (ainda que parcialmente) pelos diversos agentes de uma sociedade.

Vamos a um exemplo: Um sujeito pede informação a outro estabelecendo uma ação social. Ele tem um motivo e age em relação a outro indivíduo, mas tal motivo não é compartilhado no sentido de que a ação somente é considerada social se acontecer mutuamente. Numa sala de aula, por exemplo, o objetivo da ação dos vários sujeitos é compartilhado, isto é, há a busca coletiva por determinadas informações, existindo, portanto, uma relação social.

Resumindo, para Weber, “somente a ação com sentido pode ser compreendida pela sociologia, a qual constrói tipos ou modelos explicativos” (QUINTANEIRO, 2002, p. 115).

Maria questiona o sentido de estar no mundo. Uma ironia para entender o sentido weberiano.
Maria questiona o sentido de estar no mundo. Uma ironia para entender o sentido weberiano.

Como o cientista deve tratar o objeto de estudo sociológico

Ao discorrer sobre o dever prático de defender os próprios valores, diferente de Durkheim, o qual postulava que a primeira e mais fundamental regra seria tratar os fatos sociais como coisas, Weber acreditava que investigando um tema, o cientista é influenciado pela sua concepção de mundo.

A fim de empreender a análise científica, o sociólogo deve estar devidamente treinado para estabelecer uma distinção entre “reconhecer e julgar”. Ao cientista cabe reconhecer até onde vão seus próprios valores e tentar identificar a verdade dos fatos sem defender tais valores. Isso significa que o sociólogo deve dizer como as coisas são através da observação empreendida e não como as coisas deveriam ser. É necessário diferenciar os juízos de valor do saber empírico que nasce de necessidades e considerações práticas historicamente colocadas.

Na concepção de Weber, a política é uma vocação que deve ser diferenciada da vocação científica. “A ciência é um procedimento altamente racional que procura explicar as consequências de determinados atos, enquanto a posição política prática vincula-se a convicções e deveres” (QUINTANEIRO, 2002, p.109).

Mas, será possível ter objetividade com a presença dos nossos valores na prática científica?

De acordo com Weber, isso é possível sim. Basta que o pesquisador tenha consciência de que está incorporando seus valores na pesquisa e, através de procedimentos rigorosos de análise, tenha controle destes valores que devem ser tomados como “esquemas de explicação condicional”.

Devemos entender que a realidade social é infinita e os problemas sociológicos não estão dados, não existem sozinhos, senão pela abordagem do cientista social. É o cientista que deve atribuir aos aspectos do real e da história uma lógica através da qual procura estabelecer uma relação causal entre determinados fenômenos.

Assim, para atingir uma explicação dos fenômenos sociais, Weber construiu um instrumento de análise que chamou de tipo ideal. Mas o que é isso?

O tipo ideal: um instrumento de pesquisa do saber sociológico

Do ponto de vista de Weber, o pesquisador precisa organizar a realidade de forma lógica no plano do pensamento. Não se trata de traduzir uma estrutura do mundo. Trata-se de desenvolver instrumento por meio do qual o pesquisador não vai utilizar-se de fatos do mundo físico, palpável, mas de fatos teóricos para compará-los com os reais (físicos) e assim formular suas hipóteses, as quais, após isso, poderão ser comprovadas ou refutadas.

Os tipos ideais

“Obtêm-se um tipo ideal mediante a acentuação unilateral de um ou vários pontos de vista e mediante o encadeamento de grande quantidade de fenômenos isolados dados, difusos e discretos, que se podem dar em maior ou menor número ou mesmo faltar por completo, e que se ordenam segundo pontos de vista unilateralmente acentuados a fim de se formar um quadro homogêneo de pensamento.” (WEBER, 1991, p. 106)

“Tais construções (...) permitem-nos ver se, em traços particulares ou em seu caráter total, os fenômenos se aproximam de uma de nossas construções, determinar o grau de aproximação do fenômeno histórico e o tipo construído teoricamente. Sob este aspecto, a construção é simplesmente um recurso técnico que facilita disposição e terminologia mais lúcidas” (WEBER apud QUINTANEIRO, 2002, p. 113)

“O tipo ideal de Max Weber corresponde ao que Florestan Fernandes define como ‘conceitos sociológicos construídos interpretativamente como instrumentos de ordenação da realidade’. O conceito de tipo ideal é previamente construído e testado, depois aplicado a diferentes situações em que o cientista presume que dado fenômeno possa ter ocorrido. Na medida em que o fenômeno se aproxima ou se afasta de sua manifestação típica, o sociólogo pode identificar e selecionar aspectos que tenham interesse à explicação, como por exemplo, os fenômenos típicos ‘capitalismo’ e ‘feudalismo’”. (COSTA, 1997, p. 65)

Se o tipo ideal é uma construção mental elaborada pelo sujeito, certamente será a seleção de um aspecto da realidade que se pretende estudar. Ao selecionar tal aspecto – consideremos que é impossível estudar o mundo social em sua totalidade – o pesquisador levará em conta seus interesses e problemas que ele quer aprofundar. Cada pesquisador tem um motivo, seja ele qual for para realizar determinada pesquisa.

Quando o pesquisador elabora tipos ideais, não está reproduzindo a realidade como ela é. No mundo material não há uma ligação racionalizada dos fatos, somente o intelecto humano é capaz de fazer tais relações. Podemos entender “tipos” como conceitos, portanto, “conceitos ideais” - quer dizer que são conceitos idealizados e não a tradução objetiva de fenômenos. É apenas a maneira encontrada para aproximar pesquisador e realidade.

Weber argumenta ser impossível ao cientista agir com total imparcialidade sobre os fatos, pois sua ação é influenciada pelo seu tempo. O estudo e a pesquisa devem tentar limitar o espaço para as crenças e ideias pessoais do pesquisador perante o fato estudado. Na busca de uma melhor adequação para as análises dos fatos sociais, Weber constrói um modelo para suas análises baseado no que chama de tipo ideal.

Weber apresenta três tipos ideais de legitimidade como base para a dominação:

• Legal/racional: baseia-se na legalidade das instituições e segue regras segundo uma lei, autoridade exercida por essas instituições;

• Tradicional: baseia-se na crença da bondade das tradições que vigoram desde tempos longínquos, onde quem ordena é o senhor e quem obedece são os súditos; predomina a dominação patriarcal cujos costumes estão enraizados;

• Carismática: que se baseia na santidade, heroísmo, devoção de um senhor, busca de líder para solucionar seus problemas.

Os tipos ideais são construções do pesquisador usadas para analisar o mundo, não significando que encontraremos na realidade esses tipos ideais. A utilidade da constituição dos tipos ideais está no fato de que qualquer situação do mundo real pode ser compreendida quando comparada a um tipo ideal.

A ética protestante e o espírito do capitalismo

Uma das obras mais reconhecidas de Weber é A ética protestante e o espírito do capitalismo, na qual o autor investiga as origens do capitalismo moderno empreendendo uma análise da relação entre determinada religião (o protestantismo) e o moderno sistema econômico capitalista industrial. Consiste na aplicação de seus conceitos e de sua metodologia.

Por ética protestante, Weber entende um estilo de vida, um modo de ver e encarar a existência pautado na disciplina ascética, na poupança, no compromisso com o trabalho. O estilo de vida dos protestantes ascéticos contribui para a formação de uma mentalidade que propicia a consolidação do capitalismo.

Porém, Weber não coloca o protestantismo como causa única do capitalismo. Ele reconhece que na formação do capitalismo existem influências econômicas, políticas, culturais, técnicas e jurídicas. Existe um conjunto de fatores interdependentes que dão forma a um fenômeno social: o capitalismo.

Weber não se refere a qualquer capitalismo ou “qualquer” protestantismo. Ele relaciona uma forma determinada de protestantismo, que é o ascético, ou seja, o protestantismo praticado por uma vida regrada e levando em consideração a moral desta religião, mostra que seus adeptos têm uma prática metódica fundamental para a consolidação do capitalismo.

A relação entre a ética protestante e o espírito do capitalismo consiste numa atração entre duas visões de mundo que se reforçam mutuamente. É uma ligação que ocorre a partir de “afinidades eletivas”. Mas o que são afinidades eletivas? Neste caso, significa a existência de elementos convergentes e análogos entre uma ética religiosa e um comportamento econômico.

Mas somente os protestantes estão inseridos no modo de vida capitalista industrial? Não precisa ser um grande teórico para entender que a resposta à pergunta é não. Weber explica que o capitalismo se propagou no Ocidente em decorrência de inúmeros fatores. O primeiro deles foi a contribuição de Martinho Lutero e sua concepção de vocação, que postulava a valorização religiosa do trabalho como uma tarefa ordenada por Deus.

A contribuição de Karl Marx

Karl Max
Karl Max

De acordo com Tomazi (2000), uma das contribuições principais de Marx para a análise da vida social foi o estudo que realizou sobre a indissociável relação entre o indivíduo e a sociedade, incluindo aqui o estudo das condições materiais em que essas relações ocorrem. Para Marx, o fulcro das transformações da sociedade era a existência, em cada momento histórico, de conflitos entre a classe dominante e a classe dominada, definidas a partir das relações que estabelecem com a propriedade dos meios de produção.

Para compreender a obra de Marx, é necessário entender um pouco sobre o que estava acontecendo em meados do século XIX. Desde o começo da Revolução Industrial na Inglaterra, em meados do século XVIII, os trabalhadores viviam em péssimas condições, o que envolvia não somente as condições de trabalho nas fábricas, mas também todos os outros pormenores da vida social.

As dificuldades da vida dos trabalhadores sensibilizaram diversos pensadores da época e apesar da sua origem burguesa e aristocrática, eles tomaram a iniciativa de elaborar projetos de reformas sociais baseados em ideais de justiça social.

Apesar de nunca ter se autonomeado sociólogo, o conjunto de sua obra oferece subsídios para explicar a vida social a partir do modo como os homens produzem sua existência por meio do trabalho problematizando o papel destes como agentes transformadores da sociedade.

Crítico ferrenho das ideias positivistas, Marx demonstra que a fundamentação de uma teoria científica visando a construção de uma ordem social para alcançar o progresso não conseguiria dar conta dos conflitos que emergiam na sociedade industrial. Para ele, o caminho não era identificar os problemas sociais e solucioná-los com a finalidade de estabelecer o bom funcionamento da sociedade, mas contribuir para que fossem realizadas mudanças radicais.

Marx percebia que era a luta de classes e não a harmonia social que constituía a realidade concreta da sociedade capitalista. Portanto, a corrente marxista desperta a vocação crítica da sociologia, unindo explicação e alteração da realidade, ligando-a aos movimentos de transformação da ordem vigente.

De acordo com Martins (2006, p.6), a teoria social elaborada por Marx ofereceu subsídios para posteriores pesquisas no âmbito da sociologia. Forneceu contribuição para “a análise da ideologia, para a compreensão das relações entre classes sociais, para o entendimento da natureza e das relações com o Estado, para a questão da alienação”. Portanto, Marx influenciou decisivamente a formação da sociologia que, em alguns casos, incorporou parte de suas ideias para pensar a sociedade moderna.

Como teórico e militante, Marx foi muito sensível às formas de exploração estabelecidas na sociedade capitalista e para entender esta sociedade fez uso da história, rebuscando os fatos desde o início da civilização até os dias atuais. Chegou à conclusão que a história da humanidade é a história de classes, portanto, uma história de contradições. Essas contradições não eram percebidas pelo intelectual como um estado de anomia, de doença social, mas como a maneira pela qual a realidade se expressava e o homem enxergava no tempo presente o que não é almejado por ele para que possa alterar e construir um futuro diferente. Para Marx, o homem é agente da transformação.

O homem é diferente dos outros animais pela necessidade que tem de transformar a natureza, produzindo o que Marx chama de vida material. Esta transformação da natureza e produção dos bens materiais necessários à existência humana designa-se como trabalho e é o fator fundante do ser social. É a partir dele que surgem os demais momentos da realidade social. Então, na concepção marxista, o modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual.

Marx compara a relação das necessidades políticas, econômicas e ideológicas do homem à estruturação e articulação dos andares de um edifício. O edifício social pensado por Marx tem três andares, sendo que o primeiro, como é de se esperar, constitui o alicerce sobre o qual os outros andares se sobrepõem. Este primeiro andar é denominado “infraestrutura” e consiste na estrutura econômica da sociedade; o segundo depende do primeiro para se sustentar e é composto pelas formas políticas e jurídicas desta sociedade. Já o terceiro andar depende dos dois primeiros e é constituído pela forma de consciência social denominada ideologia.

Edifício Social
Edifício Social

Nesta metáfora formulada por Marx percebemos que a base econômica é que sustenta as relações sociais. Para este intelectual e revolucionário alemão, as formas políticas e ideológicas de convivência social são estabelecidas e transformam-se a partir do modo como os homens atendem às suas necessidades materiais.

Se o sociólogo pretende compreender os homens de sua época a partir das ideias de Marx, ele deve conhecer as suas relações de produção, questionando a atividade econômica praticada por estes, procurando saber quais os membros da sociedade que trabalham e os que não trabalham, como trabalham, para quem trabalham, como ocorre a divisão das atividades de trabalho, entre outros aspectos. Somente com o entendimento destes aspectos é que o pesquisador vai entender como os homens atendem às suas necessidades políticas e o que eles pensam e dizem.

Para Marx, as mudanças sociais não partem de mudanças nas ideias e pensamentos do indivíduo. Não se deve almejar mudanças sociais começando pela cabeça do homem, tentando mudar seus valores, suas crenças, nem a sua organização política. Se uma mudança na sociedade é almejada, a primeira coisa a ser modificada é o seu sistema de produção, as formas de apropriação e as relações de trabalho. Desta forma, as classes sociais mudariam sua atuação e aconteceriam mudanças nas maneiras de sentir, pensar e agir, bem como nos arranjos políticos (seriam como consequência).

Em termos de conceitos, a economia caracterizada pela soma das forças produtivas com as relações de produção é denominada infraestrutura. Já os andares de cima do edifício, as formas jurídicas e políticas e as formas sociais de consciência, são todos denominados superestrutura.

A figura abaixo possibilita uma melhor compreensão:

Esquema de entendimento teórico da organização social pensada por Karl Marx
Esquema de entendimento teórico da organização social pensada por Karl Marx

Alguns conceitos básicos: exploração, expropriação, ideologia, alienação

O processo de trabalho envolve duas dimensões principais: de um lado, a relação do homem com a natureza, e de outro, a relação dos homens com outros homens. Analisando a sociedade moderna capitalista, Marx constata que nesta, a relação entre os homens é de exploração. Ao dominar os meios de produção, os capitalistas subtraíram dos trabalhadores não apenas os meios de produção da vida material, mas também o saber tradicional do qual dependiam para manter-se na condição de artesãos autônomos e, consequentemente, subtraíram também sua posição social. A isso Marx deu o nome de expropriação.

O processo de expropriação tira do trabalhador a consciência das relações sociais e este acaba por naturalizar a ideia de que deve ser um assalariado com condições mínimas para viver. O trabalho que antes era para a manutenção e reprodução da sua própria vida passa a pertencer ao burguês.

Ao processo que coloca o trabalho como algo exterior ao trabalhador, Marx nomeia de alienação. Aqui, a palavra alienação não tem o mesmo sentido que costumamos usar no dia a dia. Geralmente, se uma pessoa é “bitolada” em algo, é comum que seja classificada como alienada. Apesar de ser o mesmo termo usado por Marx, o autor entende alienação de outra forma. Vamos entender melhor a partir do texto de Leôncio Basbaum:

O conceito de alienação

A alienação é uma forma de relação entre os homens e, ao mesmo tempo, entre os homens e determinados objetos ou coisas que lhe são exteriores. Essa forma de relação não é natural. Ela surge em determinado momento, no processo do desenvolvimento histórico das sociedades humanas. Apesar desse desenvolvimento ser criação e exteriorização dele próprio, o homem é profundamente afetado pelo processo: ele aliena-se.

O termo alienação, originalmente – e ainda hoje – era um termo da psiquiatria que designava uma forma de perturbação mental. Como a esquizofrenia – uma perda de consciência ou de identidade pessoal. Do ponto de vista econômico-social, é a perda da consciência de si, em virtude de uma situação concreta. O homem perde sua consciência pessoal, sua identidade e personalidade, isto é, sua vontade é esmagada pela consciência de outro, ou pela consciência social.

Quando o homem deixa de ser seu próprio objeto para tornar-se objeto de outro, diz que ele está alienado. Deixa de ser algo para si mesmo. Sua vontade é assim a vontade do outro: ele é coisificado. Deixa de ser homem, criatura consciente e capaz de tomar decisões.

Com o aparecimento da máquina, o trabalho tornou-se duplamente alienante: à maquina e ao dono da máquina. No período em que vigorava ainda o regime de trocas, o homem, para suprir suas necessidades elementares, deveria produzir não apenas aquilo de que necessitava, mas as necessidades do outro. Era, ao mesmo tempo, sujeito e objeto. Poderíamos dizer que se tratava de uma alienação parcial.

A introdução da máquina no sistema de produção subverteu totalmente esta situação. A máquina tem esta particularidade: substitui com eficiência o esforço físico humano, mas não dispensa o homem: este é sempre necessário para movimentá-la.

O homem torna-se parte dela como um parafuso ou uma engrenagem. Não é o homem que produz, é a máquina. O homem limita-se a fazê-la funcionar. O aperfeiçoamento das máquinas, à medida que reduz o esforço físico do homem, reduz sua participação e, em consequência, reduz sua intervenção consciente no trabalho. A máquina moderna dispensa a inteligência e a consciência humana, anulando o homem. Este se torna uma peça de engrenagem cada vez mais insignificante.

Nesse sistema mecanizado de produção, o homem não produz mais o que quer. Limita-se a fazer a máquina funcionar. Ignora o destino do seu produto, que não lhe pertence e, quase sempre, nem sabe mesmo para que serve. Recebe apenas um salário em troca de sua força de trabalho o qual lhe permite recuperar seu organismo para que amanhã possa novamente vendê-lo aos donos das máquinas. Ele se coisifica nesse processo: é uma máquina ou um apêndice dela; uma estranha máquina cujo óleo combustível é constituído de proteínas. Não é mais um homem com capacidade de pensar, agir, tomar decisões. É apenas uma peça de engrenagem que, quando gasta pelo uso, pode ser substituída.

Fragmento retirado do livro Alienação e Humanismo
(Fragmento retirado do livro Alienação e Humanismo, de Leôncio Basbaum, São Paulo: Símbolo, 1977.)

Como foi observado, o empresário compra do trabalhador a sua força de trabalho. Este pagamento nunca corresponde ao que os trabalhadores realmente produziram, pois o que foi produzido tem um valor muito superior ao que recebem. Esse excedente de valor, no que diz respeito à produção, apropriado pelo dono não é devolvido ao trabalhador; é o que Marx chama de mais-valia, que caracteriza o capital, o sistema capitalista. O empresário enriquece não à custa do seu próprio trabalho, mas à custa do trabalho de seus empregados e as mercadorias vendidas a um mercado consumidor consistem na materialização do trabalho que não foi pago ao empregado.

Vamos entender melhor o que é mais-valia a partir do quadro baixo:

Mais Valia

O trabalho alienado faz com que os homens naturalizem a exploração e sejam passíveis às ideias da classe dominante, ou seja, à sua ideologia. Para Marx, as ideias da sociedade são as ideias da classe dominante economica e politicamente. De acordo com Sell (2009, p. 53), “a ideologia é definida como um conjunto de representações da realidade que servem para legitimar e consolidar o poder das classes dominantes”. Portanto, o conjunto de regras, leis e normas sociais que obrigam os homens a ter determinados comportamentos faz parte da ideologia da classe dominante e a classe dominada age como se estivesse se comportando segundo sua própria vontade.

No decorrer do nosso estudo, falamos, por diversas vezes, sobre empresário versus trabalhador, burguesia versus proletariado, patrão versus empregado. Mas como poderá ser compreendida essa divisão antagônica? Nos termos de Marx, essas duplas que se contradizem estão imersas numa relação entre classes sociais.

Mas o que são classes sociais?

Na sociedade capitalista temos a existência de duas classes sociais: a classe dominante e a classe dominada. Uma pessoa pertence à classe dominante quando detém a propriedade dos meios de produção e compra a força de trabalho de outras pessoas, usufruindo do lucro gerado pela mais-valia. Já a classe dominada comporta a classe dos trabalhadores assalariados. Estes, não possuem nada além da sua capacidade de trabalhar, ou seja, sua força de trabalho que é vendida ao empresário.

Há uma relação de exploração entre os empresários e os trabalhadores. Os últimos não recebem o valor justo pelo tempo trabalhado e pelo produto de seu trabalho. Recebem um salário baixo utilizado para terem acesso a uma alimentação deficiente, a péssimas condições de moradia, péssimas condições de saúde.

Quando os trabalhadores percebem essa condição em que os burgueses gozam de privilégios inacessíveis a eles e se sentem insatisfeitos com suas vidas precárias, organizam-se coletivamente e exigem dos empresários ou do Estado condições dignas de vida. Porém, esta não foi uma exigência vista com bons olhos pelos empresários que teriam seus lucros diminuídos. E tem início o que Marx chama de luta de classes.

Essa luta de classes foi identificada por Marx que nomeou a classe dominada de classe revolucionária. Esta, em prol dos seus direitos, lutaria pela construção de uma sociedade sem exploradores e explorados. Portanto, de acordo com Marx, a superação dos problemas sociais decorrentes da moderna organização capitalista não ocorre, como postulou Durkheim, através da ciência, mas sim da luta política.

A contribuição de Louis Althusser

Louis Althusser
Louis Althusser

Louis Althusser foi um dos pensadores mais importantes do século XX, cujos pensamentos foram influenciados por Karl Max. Para ele, há uma relação recíproca entre a superestrutura (conjunto das representações sociais como políticas, religiões, etc.) e a infraestrutura social (corresponde ao material, cujo centro está no processo do trabalho). Essa última, por ser a base econômica da sociedade, é autônoma e determina a superestrutura.

O autor apresenta o Estado, em geral, como parte da superestrutura, composta pelo governo, a administração, forças militares, polícia, o sistema penal, bem como o sistema judiciário. Esses subconjuntos de fatores legais e administrativos formam o conjunto estatal de mecanismos repressivos, ou seja, aqueles aparatos que podem e devem usar da força moral, psicológica ou física para reprimir resistências ou oposições, quando for necessário.

Os aparelhos ideológicos do Estado seriam aqueles aparelhos (jurídicos, políticos, religiosos, sindicais, culturais e escolares) que sob a forma de instituições distintas e especializadas complementam o sistema estatal de dominação, por meio da ideologia. Têm a função ativa da reprodução das relações de produção, que devem ser criadas em sua ‘naturalidade’. Assim, a reprodução das relações sociais deveria dar-se no contexto da produção material, mas também na (re) produção ideológica.

Althusser, como teórico crítico-reprodutivista, condena uma escola reprodutora porque ela oferece às distintas classes sociais formas de conhecimento e capacidades que não somente validam a cultura dominante, mas direcionam os estudantes para caminhos diferentes na força de trabalho.

Contribuição de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron

Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron
Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron

Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron partem do pressuposto de que a escola, na sociedade capitalista, produz e reproduz a sociedade. A sociedade de classes mantém seus privilégios no sistema escolar. A suposta igualdade de ensino para todos os estudantes não se sustenta. Não somente o sistema de ensino particular é desigual conforme a escola e a clientela que o frequenta, mas também o ensino público é diferenciado e desigual, segundo a localidade, o corpo docente e a clientela.

O Ensino Superior transmite privilégios, gera status e incute respeito. Entretanto, a maioria das vagas acaba sendo destinada aos estudantes oriundos de escolas particulares em razão destas ofertarem um ensino mais seletivo. Os autores elaboraram a noção de violência simbólica, desenvolvida pelas instituições e por seus agentes.

O sistema de ensino gera a violência simbólica; esta faz com que os indivíduos vejam como naturais as representações ou as ideias sociais dominantes que disseminam valores culturais igualmente dominantes em toda a sociedade. Manifesta-se por intermédio da mídia, da pregação religiosa, da propaganda, da moda e da educação.

Mas afinal, o que é violência simbólica? Vejamos.

Para a compreensão do significado de violência simbólica, Bourdieu distingue dois tipos de violência: a física e a simbólica. A primeira é exercida pela força física (bater em uma criança, ataques de policiais). A segunda significa repassar para as pessoas e grupos sociais valores que devem ser assimilados, caso contrário, serão punidos.

Os estudos de Bourdieu, além da ideia de habitus e de campos, têm no conceito de violência simbólica uma importante referência para compreender também a sociedade capitalista e suas formas de reprodução.

Vamos entender os conceitos de habitus e campos:

Habitus - denomina um conjunto de capacidades que permitem aos indivíduos agirem dentro de uma estrutura social.

Campos – determina espaços espaciais onde as ações se dão dentro de uma normatização.

A partir da compreensão marxista de que a sociedade é dividida em classe dos dominantes e classe dos dominados, Bourdieu concebe a sociedade capitalista marcada por profundas desigualdades.

No entanto, a violência simbólica é repassada ideologicamente quando são incutidas nas pessoas normas ou valores que devem seguir por serem considerados “os melhores”, quando na verdade não o são. A dimensão simbólica tem a ver com as maneiras de pensar formas de dominação social. Considerando essa situação, Bourdieu trabalha com a noção de violência simbólica, que implica formas de dominação legitimadas pela maioria da sociedade.

Para Bourdieu e Jean-Claude Passeron, através da educação o indivíduo é capaz de reconhecer quando está sendo vítima de violência simbólica e tornar-se um ator social que vá contra a sua legitimação.

Aprendendo a Pensar

Fazendo analogias entre o cinema e a realidade presente no advento da revolução industrial no início do século XX, o professor Stenio Nogueira apresenta o pensamento do intelectual alemão Karl Heinrich Marx e desnuda as relações de trabalho presentes na ótica capitalista. Buscando uma interação com a contemporaneidade, realizamos um bate-papo com um importante sindicalista da cidade de Sobral.

Clique acima para assistir o bloco desejado.

Aprendendo a Pensar

Fazendo analogias entre o cinema e a realidade presente no advento da revolução industrial no início do século XX, o professor Stenio Nogueira apresenta o pensamento do intelectual alemão Karl Heinrich Marx e desnuda as relações de trabalho presentes na ótica capitalista. Buscando uma interação com a contemporaneidade, realizamos um bate-papo com um importante sindicalista da cidade de Sobral.

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SOCIOLOGIA: CONCEITOS E DISCIPLINAS AGREGADAS

CONHECIMENTO

Apreender conceitos teóricos da sociologia em outros campos das ciências sociais e suas relações dentro das instituições.

HABILIDADES

Incluir análise das instituições e suas relações sociais articulando teoria e prática em sala de aula.

ATITUDES

Relacionar a sociologia no campo das ciências sociais a outras disciplinas da área do conhecimento.

Sociologia

Disciplinas agregadas

A sociologia trabalha inserida no âmbito das ciências sociais, tendo agregadas outras disciplinas desta área do conhecimento. Embora não exista unanimidade entre os autores sobre essa temática, segue-se a proposta de Lakatos (1990, p. 21-23).

Vejamos no quadro abaixo outras disciplinas desta área do conhecimento:
Antropologia Cultural

Estuda as semelhanças e diferenças culturais, origem e história das culturas do homem, sua evolução e desenvolvimento, estrutura e funcionamento, em qualquer lugar e tempo. Como exemplo de objetos de estudo dessa ciência apontamos: (i) ritos de passagem (comportamentos de indivíduos mediante o nascimento de um filho, formalidades que cercam o rito do casamento entre outros) (...)

Direito

Estuda as normas de Direito que possuem observância obrigatória a todos e que regulam o comportamento social, estabelecendo direitos e obrigações entre as partes.

Economia

Estuda as atividades humanas no campo da organização de recursos, isto é, produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços.

Política

Estuda a distribuição do poder nas sociedades humanas. Sistematiza o conhecimento dos fenômenos políticos, isto é, do Estado, e investiga o conjunto de processos e métodos empregados para que determinado grupo alcance, conserve e exerça o poder.

Psicologia Social

Estuda o comportamento e a motivação do indivíduo, que são determinados pela sociedade e seus valores. O indivíduo recebe estímulo do grupo e as influências que os contatos sociais exercem sobre a sua personalidade constituem o campo de interesse da Psicologia Social.

Sociologia

Estudo científico das relações sociais, das formas de associação, destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos sociais, fenômenos que se produzem nas relações de grupos entre seres humanos. Estuda o homem e o meio em suas interações recíprocas.

Conceitos

A sociologia recorre a alguns conceitos considerados fundamentais para seu entendimento. Apresentamos nesta unidade alguns conceitos considerados mais relevantes para o estudo da disciplina.

Estrutura Social

Estrutura Social
Estrutura Social

A estrutura social é a forma como uma organização integra os indivíduos dentro de uma ordem e define, por exemplo, o papel de cada um dos seus membros. A estrutura social funciona também como uma orientação teórica de acordo com um sistema de crenças e interesses que medeia as relações sociais. Os membros de uma sociedade tendem geralmente a compartilhar a crença na importância dos valores definidos consensualmente.

A estrutura social inclui grandes grupos, como as sociedades, comunidades, e pequenos grupos, como as famílias e os amigos. Mas o conceito de estrutura social inclui também os modelos de interação social e relações sociais. Inclui fenômenos que são tangíveis, ou visíveis, como se relaciona e com quem; ideias ou crenças e objetivos ou interesses; podem ser observadas as relações sociais, as ideias que os indivíduos sustentam em comum e qualquer coisa que apreciem ou estimem. A estrutura não é estática, ela está em mudança constante (LAKATOS; MARCONI, 1999).

Vamos compreender os elementos básicos da estrutura social que são status e papéis, relações sociais, grupos, instituições e organizações.

Status e papéis

Status e papéis são elementos opostos e complementares; um não pode existir sem o outro. Um papel é a coleção de direitos culturalmente definidos, obrigações e expectativas que acompanham um status num sistema social. O conceito de papel explica os direitos e deveres esperados por uma pessoa que ocupa uma posição de destaque na sociedade.

A posição ocupada pelo indivíduo no grupo social denomina-se status social. O status pode ser atribuído ou adquirido.

E o que seria então status atribuído ou adquirido?

Status atribuído trata-se daquele que não é escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações e qualidades. Já o status adquirido é obtido de acordo com as qualidades pessoais do indivíduo. Esse status confere ao indivíduo uma posição de destaque entre os membros do grupo de pertencimento, pois seu status é fruto do reconhecimento de sua capacidade.

O status adquirido está associado à capacidade profissional, intelectual e de liderança do indivíduo na sociedade. Nas sociedades mais antigas, o status era, quase sempre, atribuído. Na sociedade contemporânea predomina o status adquirido pelo destaque intelectual, liderança e habilidades pessoais.

Relações sociais

O indivíduo não consegue viver isoladamente, pois desde seu nascimento convive com seus familiares, escola e trabalho, por isso, no decorrer de sua vida, ele vai desenvolvendo aptidões para relacionar-se com outros indivíduos.

O status e os papéis dão as bases para as relações sociais; as relações tomam muitas formas diferentes. Algumas relações sociais são multifacetadas: duas pessoas que vivem no mesmo bairro trabalham para a mesma companhia e têm os mesmos amigos. Outras são simples propósitos: um paciente portador de uma doença grave encontra-se periodicamente com seu médico para realizar as sessões do tratamento.

As relações sociais geram mudanças e movimentos dentro de uma sociedade e dentro de cada sociedade existem diferenças culturais.

Cada interação social é uma situação em que o comportamento de um participante influi no do outro; os indivíduos definem e negociam suas relações, algumas envolvem a relação direta cara a cara, outras são indiretas.

Grupo social

Grupo social é a reunião de duas ou mais pessoas, ligadas por interesses e objetivos comuns.

Ao longo da vida, o indivíduo participa de vários grupos sociais entre os quais, destacamos:

Grupo Social
Grupo Social

• Grupo Educativo – escola;

• Grupo Religioso – Igreja;

• Grupo Familial – família;

• Grupo Profissional – empresa;

• Grupo Político – partidos políticos;

• Grupo Sindical – sindicatos.

Em cada fase da vida, um desses grupos estará presente na vida do indivíduo. Para melhor compreendê-los, podemos dividi-los em três grupos:

Grupo Primário: predomina os contatos pessoais, isto é, com a família e os vizinhos. Os contatos são estabelecidos mais diretamente sem formalidade.

Grupo Secundário: são grupos mais complexos, como a Igreja e o Estado. Os contatos aqui são mediados pela formalidade, respeitando-se a liturgia do cargo e da ocasião.

Grupo Intermediário: são aqueles que se complementam tanto no primário quanto no secundário, como por exemplo, a escola.

As principais características de um grupo social

• Pluralidade de indivíduos: quando há mais de um indivíduo em um grupo, coletivismo;

• Organização: ordem interna no grupo;

• Objetividade: quando o indivíduo entra no grupo que já existe e quando ele sai continua existindo; grupo estável;

• Objetivo comum: atingir os mesmos objetivos, com pensamentos e ideias;

• Objetivo grupal: pensamentos e ideias compartilhados pelos indivíduos do grupo;

• Continuidade: durabilidade, não pode desaparecer com facilidade;

• Interação social: comunicação entre os grupos.

Instituições sociais

As instituições sociais são o elemento estrutural mais importante dos elementos reunidos. São conjuntos estáveis e perduráveis de normas e valores, status, papéis, grupos e organizações com uma estrutura para a conduta social numa área particular da vida.

Todas as sociedades de grande escala têm cinco instituições sociais principais:

• Familiar: responsável pelo crescimento e cuidado para com as crianças;

• Educacional: assegura que as normas e valores culturais passem de uma geração para outra e que as pessoas jovens tenham conhecimento e habilidade para realizar papéis dentro da sociedade;

• Religiosa: reforça os valores, dá significado e propósito à vida;

• Política: mantém a ordem social e protege os membros da sociedade das invasões, controla os delitos e desordens internas, resolve conflitos de interesse;

• Econômica: organiza a produção e distribuição de bens e serviços.

A ciência, as artes, o cuidado com a saúde, o sistema legal, o exercício e o tempo livre são elementos que também foram institucionalizados nas sociedades modernas.

A constituição familiar é o primeiro grupo com o qual nos relacionamos, a religião é encontrada em todo o mundo desempenhando sua função social, a educação permite-nos transmitir normas, valores e símbolos e repassá-los aos nossos sucessores, a política mantém a ordem, procura resolver problemas baseados nos seus interesses e, por fim, a economia faz com que indivíduos, dentro da sociedade, fabriquem produtos para o consumo gerando um fluxo monetário.

Organizações formais

Organização formal é um grupo planejado e criado para seguir suas metas e manter-se unido por regras explícitas e regulamentos. Diferenciam-se os grupos pelo equilíbrio, escala, estrutura e ênfase em fazer as coisas ou nas orientações de suas metas.

Leis sociais

De acordo com Lemos Filho (2004), as leis sociais são os regulamentos que regem a conduta do indivíduo dentro da sociedade. Vejamos:

• Lei: é uma norma jurídica de observância geral por parte da população de um Estado; num regime de direito, é ditada, promulgada e sancionada pela autoridade pública e tem como fim regular a conduta externa dos homens.

• Costume: são normas de conduta criadas por uma comunidade que, surgindo pela necessidade de uniformidade do comportamento, vão sendo aceitas de forma obrigatória e terminam sendo consideradas juridicamente obrigatórias.

• Jurisprudência: consiste em resoluções que interpretam e uniformizam leis. Tais resoluções são elaboradas pelos Ministros da Suprema Corte de Justiça Plena ou pelos Magistrados dos Tribunais Colegiados da nação que têm a faculdade de interpretação das normas jurídicas de um Estado. Havendo vários casos concretos, sem objeções, acaba por converter-se em obrigatória.

• Doutrina: é o conjunto de estudos e opiniões sobre temas de direito, realizados pelos pesquisadores do direito, munidos de propósitos teóricos e metodológicos sistematizados com a finalidade de interpretar suas normas e assinalar as regras de aplicação.

• Princípios gerais do direito: são axiomas ditados pela razão e pela sabedoria que servem de inspiração e fundamento ao direito positivo, como por exemplo, as seguintes frases doutrinárias: “Ninguém deve ser condenado somente por suspeitas”; “É preferível absolver um culpado a condenar um inocente”; “A boa fé presume-se, a má fé prova-se”.

• Equidade: é considerada por alguns autores também como fonte formal do Direito.

4
ABORDAGEM TEMÁTICA DA SOCIOLOGIA E GLOBALIZAÇÃO

CONHECIMENTO

Entender os problemas conceituais em torno da caracterização da globalização.

HABILIDADES

Identificar os padrões de mudança das culturas nacionais;Reconhecer os pontos convergentes e divergentes da globalização.

ATITUDES

Posicionar-se criticamente frente à repercussão das tecnologias na sociedade através da globalização, bem como as desigualdades causadas por ela.

GLOBALIZAÇÃO

Comecemos pelo seguinte questionamento: O que vem a ser Globalização? É um processo de relação cultural, social, econômica e política que tornou o mundo conectado. É a quebra de fronteiras, o modo como os comércios de vários países aproximam pessoas e mercadorias e a possibilidade de realização de transações financeiras.

Globalização
Globalização

Através da globalização é possível a ocorrência de grandes avanços tecnológicos, o que repercute nos meios de comunicação. Ao estudar a globalização, a sociologia pesquisa as transformações sociais pelas quais o mundo moderno vem passando. Tais transformações geram mudanças rápidas na vida social das pessoas e comprometem as sociedades em nível social, econômico, político e cultural.

A globalização pode ser vista como o esvaziamento de culturas locais em benefício de culturas globais. Neste cenário, imitar a cultura hegemônica é uma meta a ser alcançada pelas culturas regionais.

A cultura regional perde, no mundo globalizado, sua influência na vida das pessoas e a participação na vida dos indivíduos e no mercado mundial; descaracteriza-se e cede espaço para uma cultura cada vez mais estranha à realidade local, porém vendável e lucrativa.

As diferentes localidades moldadas por transformações sociais que ultrapassam as fronteiras de convivência regional se aproximam e são semelhantes. Outro exemplo emblemático dessa situação é a presença das multinacionais no mundo que contribuíram para reordenar o modo de ser e viver do indivíduo nessas localidades. No centro da vida cotidiana, que exige dos indivíduos novas e constantes identidades sociais, o encontro com a uniformização cultural é uma saída cômoda, já que permite ao indivíduo despir-se de sua cultura (considerada inferior) para associar-se a uma cultura (considerada superior) de “todos”.

A emergência da indústria cultural nos países do capitalismo central e popularização dos novos meios de comunicação e informação contribuíram decisivamente para a consolidação desse fenômeno.

A indústria cultural teve, entre outros, o mérito de difundir para o mundo as inovações tecnológicas. Essas novas técnicas foram incorporadas pelos jovens como forma cotidiana de interferência em um mundo social para eles, cada vez mais amplificado.

Dentro dessa indústria cultural, conforme Guarechi (1985), a publicidade fez emergir e proliferar um novo estilo de vida, impulsionado pela música, pelos filmes e pela publicidade, sobretudo de língua inglesa. Há, em tudo isso, uma face legitimadora da cultura hegemônica que consegue impor para os países periféricos a sua visão de mundo. Tendo uma infraestrutura de dependência, os países periféricos passam também a ter uma cultura dependente.

A abordagem da temática Sociologia e Globalização será realizada levando-se em conta as ideias de três teóricos, considerados referências: Anthony Giddens (1993), Octavio Ianni (1996) e Boaventura de Sousa Santos (s/d).

O aparecimento do dinheiro começou a mover os indivíduos dos contextos locais aos globais e estes puderam então estabelecer relações sociais através do tempo e do espaço.

Com a modernização, surgiu a noção de uma moeda nacional que eliminou as diferenças locais dentro de uma fronteira nacional. A globalização varreu todas as diferenças entre moedas nacionais como meio de troca universal possibilitando a realização de transações entre indivíduos separados no tempo e no espaço. Na atualidade, o dinheiro tornou-se independente de suporte físico e de sua referência material.

A globalização é um desafio para os indivíduos durante suas vidas, quer vivam numa remota aldeia chinesa ou estejam trabalhando com um computador numa empresa da Califórnia nos Estados Unidos da América.

Para Giddens (1993), na globalização é possível identificar o protagonismo de quatro espaços institucionais de poder: o sistema de estados-nação; a economia capitalista mundial; a ordem militar mundial e a divisão global do trabalho.

Vamos agora compreender estes espaços institucionais de poder mencionados por Giddens (1993).

Os sistemas de estados-nação: É a unidade política que organiza o espaço e a população no sistema capitalista. Os estados-nação estão baseados em formas racionais e burocráticas de administração da sua população, bem como da lei e da ordem. A influência dos estados na ordem política global está intrinsecamente associada à sua riqueza. Os estados-nação desenvolvidos baseiam seus ganhos na produção industrial.

O desenvolvimento de relações sociais globalizadas serve, provavelmente, para diminuir alguns aspectos de sentimento nacionalista ligado aos estados-nação, mas pode estar casualmente envolvido com a intensificação de sentimentos nacionalistas mais localizados.

A economia capitalista mundial: O capitalismo e a industrialização aparecem relacionados a novas formas de produção suportadas e focalizadas na produção fabril e industrial, bem como em novas formas de cálculo econômico, o que atribui particular relevo ao lucro, substituindo as tradicionais formas de produção suportadas essencialmente pela agricultura.

Os estados-nação são os atores principais dentro da ordem política global. As corporações são os agentes mais influentes no âmbito da economia mundial. As companhias estão dependentes da produção; para ter lucro e expandir a sua influência, é fundamental a extensão global dos mercados de bens e capitais. Esse processo, para além do mercado de bens e serviços, contempla também a transformação da força de trabalho em mercadoria.

A ordem militar mundial - Para analisar a ordem militar mundial é necessário ponderar sobre: as conexões entre a industrialização da guerra; o fluxo de armamentos e técnicas de organização militar de umas regiões do globo para outras; as alianças que os estados estabelecem entre si e a guerra enquanto envolvimento global, da qual é exemplo a transformação de conflitos locais em questões de envolvimento mundial. O processo de industrialização militar possibilitou aos estados modernos a conquista de sociedades tribais e de impérios absolutistas.

Divisão global do trabalho - A divisão total do trabalho considera a separação tanto entre áreas mais e menos industrializadas do mundo, como no que se diz respeito à especialização regional, concernente ao tipo de indústria, às capacitações e à produção de matérias-primas.

Já para Octavio Ianni (1996), a globalização é o resultado do progresso do capitalismo não somente como um modo de produção, mas também enquanto um processo de civilização, resultando no aparecimento de uma complexa e antagônica sociedade apelidada de global.

Por intermédio da globalização aconteceu um processo através do qual os povos foram incorporados a uma sociedade global simultaneamente mundial e uniforme, onde as relações sociais, políticas, culturais e econômicas encontram-se interligadas umas às outras.

A globalização permite a ocorrência de um processo de internacionalização das economias, implicando numa destruição da soberania nacional de países menos desenvolvidos e uma desconstrução do Estado-nação.

Num momento de mudança de um paradigma clássico, fundado na sociedade nacional, para um novo padrão fundado na sociedade global, a sociedade nacional não comporta toda a realidade na qual se inserem indivíduos e nações. A sociedade nacional continua a ser fundamental e necessária; é uma nova realidade nunca vivida anteriormente.

É um fenômeno que motiva sentimentos fortes nos indivíduos, pois invade fronteiras, modifica costumes, possibilita a abertura de novos mercados e dificulta o controle dos estados. Também restringe a sua autonomia, altera as relações de posto, produção, distância, tempo, redireciona o fluxo de capitais, oportuniza novos espaços para o conhecimento.

A sequência da globalização da economia, política e cultura ressalta desafios associados a outros pormenores diversos da sociedade, tais como: proteção ambiental, fontes de energia, terrorismo, tráfico de drogas, racismo, mercados, telecomunicações, produção e difusão de informações. A globalização, ao mesmo tempo em que integra e articula, desagrega e ocasiona tensões, reproduzindo e acentuando desigualdades e antagonismos entre grupos, classes, minorias e outros setores da sociedade em âmbito nacional e global.

A globalização divulga a ampliação do capitalismo, não apenas como modo de produção, mas também enquanto processo civilizatório, impulsionado com apoio em novas tecnologias, invenção de novos produtos, recriação da divisão internacional do trabalho e mundialização dos mercados.

Assim ela obriga a definição de novas regras e exigências de ordenamento mundial. O mapa do mundo revelou-se movediço e quebradiço, refletindo uma espécie de mega terremoto, simultaneamente geo-histórico, econômico, político e cultural. Assim são abalados mais ou menos drasticamente os territórios e as fronteiras de todos os tipos, compreendendo os quadros sociais e mentais de referência de uns e outros, indivíduos e coletividades ou povos, tribos, nações e nacionalidades, em todo o mundo.

O processo de globalização é acompanhado pelo aparecimento de diversas metáforas, entre elas: “aldeia global”, “fábrica global”, “nave espacial”.

Adiante, você verá que essas designações procuram explicar o real sentido e a complexidade dos processos contraditórios que se manifestam na sociedade global.

A expressão aldeia global implica na ideia de comunidade global, mundo sem fronteiras. Vem mostrar a formação de uma comunidade mundial, concretizada nas realizações e nas possibilidades de informação e comunicação abertas pela eletrônica.

Parte do pressuposto que está em curso uma harmonização e homogeneização progressivas; baseia-se principalmente na convicção de que a organização, o funcionamento e a mudança da vida social, em sentido amplo, compreendem a globalização e são originados pela tecnologia.

As províncias, nações e regiões, assim como as culturas e civilizações, são permeadas e articuladas pelos sistemas de informação e comunicação agilizados pela eletrônica. É possível identificar ainda na aldeia global, além dos bens convencionais, a possibilidade de fabricação e comercialização, em escala mundial, de informações enquanto bens.

A expressão fábrica global sugere uma transformação quantitativa e qualitativa do capitalismo em que toda economia nacional, seja qual for, integra-se na economia global. No entanto, o mercado, a produtividade e a nova divisão internacional do trabalho desenvolvem-se em escala mundial.

A fábrica global instala-se além de qualquer perímetro, articulando capital, tecnologia, força de trabalho, divisão do trabalho social e outras forças produtivas. Dessa forma, acompanhada pela publicidade, pelos meios impressos e pela eletrônica, a indústria cultural, mesclada em periódicos, revistas, livros, programas de rádio, redes de computadores e outros meios de comunicação e informação, agiliza os mercados e generaliza o consumismo.

Ianni (1996) apresenta a terceira metáfora como “nave espacial”. De acordo com o autor, a decadência do indivíduo é uma conotação da modernidade em épocas de globalização. A tecnicidade das relações sociais, em todos os níveis, universaliza-se, tornando as relações técnicas sem muito contato pessoal, isto é, relações técnicas.

A globalização é uma tendência tangível das desigualdades internacionais, promovida pelos Estados mais potentes para atingir seus fins. Assim expandiu-se com maior rapidez e desenvoltura em três macrorregiões do mundo: a América do Norte, a Europa Ocidental e o Japão, a partir dos anos oitenta do século passado. Entretanto, ao tempo em que produz uma rede mundial de conexões sociais gera efeitos paralelos de concentração espacial e seleção restritiva – isso explica seu caráter setorial, quer sob o aspecto geopolítico quer sob o aspecto geoeconômico.

É possível dividir a globalização em três etapas, sendo a primeira conhecida como a globalização do colonialismo, fortemente marcada pela ocupação territorial; a segunda fase é a da fragmentação dos territórios, a qual obteve destaque no final do século XIX e início do século XX e em consequência desse fato ocorreu o desemprego, a pobreza e a exclusão social; e, finalmente, a globalização do século XX, popularmente conhecido como o período das revoluções tecnológicas, fator que marcou profundamente o desenvolvimento da globalização nos dias contemporâneos.

Agora você compreenderá os tipos de globalização mencionados por Santos (s/d).

Para Boaventura de Sousa Santos (s/d), nos últimos trintas anos as interações transnacionais tiveram um forte incremento, envolvendo a globalização dos sistemas de produção e das transferências financeiras; a disseminação em escala mundial da informação através dos meios de comunicação social; os deslocamentos em massa de populações sob a forma de turistas, trabalhadores migrantes ou refugiados.

A globalização surge enquanto um fenômeno multifacetado, envolvendo dimensões econômicas, sociais, políticas, culturais, religiosas e jurídicas. Envolve um vasto e intenso campo de conflitos entre grupos sociais, estados e interesses hegemônicos por um lado, e grupos sociais, estados e interesses subalternos por outro. Santos (s/d) refere-se a alguns tipos de globalização:

A globalização econômica – Encontra subsídios no neoliberalismo e em seus pressupostos visando: a restrição violenta da regulação pelos estados da economia; promover os direitos de propriedade internacional para investimentos estrangeiros; estimular a subordinação dos estados nacionais às agências internacionais, tais como o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio.

A globalização social e as desigualdades – O sistema mundial foi construído enquanto sistema de classes. Com a globalização, desponta a classe capitalista transnacional, cujo campo de reprodução social trespassa as organizações nacionais de trabalhadores, promovendo sociedades economicamente desiguais.

A globalização política e o estado-nação – O estado-nação perdeu seu tradicional protagonismo enquanto unidade privilegiada de iniciativa econômica, social e política. As crescentes interações dos estados-nação além das fronteiras e o incremento das práticas transnacionais limitam a possibilidade do estado-nação de controlar o fluxo de pessoas, bens, capitais e ideias.

A globalização abriu as portas para o papel crescente das formas de governo supraestatal. Aconteceu também a globalização da cultura visando possibilitar a interligação entre todas as culturas, perdendo-se parte da identidade regional de cada país.

A globalização adquire dois graus de intensidade: globalização de alta intensidade tende a dominar nos momentos em que as relações se apresentam muito desiguais e as diferenças de poder são grandes. A globalização de baixa intensidade está presente nas situações em que as interações são menos desiguais, ou seja, quando as diferenças de poder entre países, interesses ou práticas se apresentam pequenas.

Existe uma diferença entre localismo globalizado e globalismo localizado. O primeiro refere-se à globalização exitosa de um fenômeno local, como a atividade mundial de empresas multinacionais, a transformação da língua inglesa no idioma mundial, a globalização da música popular ou do fast food americano e a adoção mundial das leis americanas de proteção autoral sobre os programas de computador. O globalismo localizado, por sua vez, diz respeito ao impacto específico de práticas supranacionais sobre condições locais que se desestruturaram ou se reestruturaram para obedecer aos referenciais transnacionais.

Estão nessas circunstâncias as medidas definidoras do livre comércio, o desmatamento e a destruição de recursos naturais enquanto forma de pagamento da dívida externa dos países, o uso turístico de sítios históricos e ecológicos, a conversão da agricultura sustentável em agricultura de exportação para corresponder, por exemplo, aos desígnios do Fundo Monetário Internacional.

A globalização reflete-se em vários aspectos da vida das pessoas e afeta a sociedade contemporânea. Ela é responsável pelas modificações sociais que o mundo vem passando. Possui efeitos positivos e negativos, apresenta reflexos na economia, na cultura e na política das sociedades contemporâneas e mostra o impacto que as tecnologias da comunicação têm na vida da sociedade.

Explicando melhor com a pesquisa

Caro estudante, sugerimos a leitura do artigo intitulado August Comte e o Positivismo Redescobertos, de Gustavo Biscaia de Lacerda, no qual ele aborda a análise de algumas pesquisas que, nos últimos dez anos ou mais, têm recuperado a obra do fundador do Positivismo, Auguste Comte. Essa recuperação consiste em perceber os trabalhos de Comte em sua inteireza e a partir de sua lógica interna, enfatizando, em particular, a sua segunda grande obra, o Système de Politique Positive (1851-1854), e as suas contribuições para a reflexão social e política contemporânea.

A fim de tornar inteligível a novidade dessas novas pesquisas, Gustavo Lacerda apresenta uma das narrativas-padrão a respeito de Comte e do Positivismo – no caso, a partir dos escritos de Anthony Giddens (1993) –; além disso, faz uma discussão sobre o significado da palavra "Positivismo" e as várias correntes teóricas aplicadas em tal expressão.

Sugerimos também a leitura do artigo exposto na sessão “Dossiê” da Revista CULT: Durkheim e a vida social como essencialmente moral.

A matéria de Alexandre Braga Massella, professor da Universidade de São Paulo – USP, discute aspectos como a preponderância do coletivo em detrimento do individual na concepção de sociedade elaborada por Durkheim, bem como a relação que o clássico faz entre ciência e metodologia – uma sendo produto e condição da outra.

A matéria mostra como o empenho de Durkheim em defesa da sociologia foi além dos aspectos teóricos e metodológicos e como o autor apontou a relevância prática da disciplina e sua inserção institucional, o seu ensino na universidade francesa. Vale a pena conferir!

Propomos a leitura do texto Paradigmas sociológicos na análise da vida quotidiana, do autor José Machado Pais, o qual parte da verificação de que a vida quotidiana pode representar um espaço privilegiado da análise sociológica na medida em que constitui-se enquanto lugar revelador de alguns processos do funcionamento e da transformação das sociedades e de determinados conflitos que opõem os agentes sociais. Contudo, se ao nível do senso comum há uma percepção elementar do significado do termo quotidiano, é mais difícil pensar o que se deve entender por sociologia da vida quotidiana enquanto ciência normal.

Indicamos também o artigo Sociologia na terceira onda e o fim da ciência pura, no qual o autor aborda as três ondas do capitalismo. Segundo ele, a sociedade vive hoje na terceira onda, intitulada mercantilização; nesta os Estados e os mercados aliaram-se para enfrentar os direitos trabalhistas e sociais conquistados. Esse novo avanço do capitalismo requer novas abordagens da sociologia, assumindo a visão da sociedade civil e da defesa dos direitos humanos.

Leitura Obrigatória

Sociologia Critica
Sociologia Critica
(GUARESCHI, 1986)

Caro estudante, sugerimos a leitura da obra de Pedrinho Guareschi, Sociologia crítica: alternativas de mudanças. Nesta o autor defende que a sociologia é o estudo de grupos de pessoas do meio social e existem duas teorias que subsidiam as outras que regem a sociedade.

A teoria positivista-funcionalista aceita que nas sociedades as leis sempre existiram assim e assim sempre serão. É estática, não questiona como as leis surgiram. Ao contrário da teoria positivista-funcionalista, que busca apenas que a sociedade mantenha-se funcionando como está, a teoria histórico-crítica incorpora, dentro do conceito de realidade, o projeto, o futuro que defende mudanças.

A miséria do mundo
A miséria do mundo
(BOURDIEU, 2003)

A seguir propomos que você leia a obra de Pierre Bourdieu, A miséria do mundo, na qual o sociólogo detectou mecanismos de defesa e reprodução na área educacional. Ele propõe um modo melhor de enfrentar a política social e conhecer os problemas sociais de vários grupos. O livro traz vários relatos e depoimentos que indicam que o ambiente social é a reprodução de certos conflitos.

Após a leitura das obras, escolha uma, faça uma síntese e poste no Blog.

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Pesquisando na Internet

Prezado estudante, você é convidado a buscar na Internet uma investigação referente o assunto estudado nesta disciplina para ampliar seu conhecimento. Faça uma pesquisa norteada pela seguinte pergunta: Qual a relação de Karl Max com a sociologia?

Após sua pesquisa, faça uma síntese do assunto proposto e poste no Blog.

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Você é convidado também a buscar na Internet informações referentes a Max Weber, uma vez que ele é o autor mais importante e notório no âmbito das ciências sociais. Não apenas a sociologia e a ciência política moderna o têm como autor fundamental e referência constante, mas também o direito, a economia, a administração de empresas e até a filosofia mobilizam várias de suas interpretações e ideias. Na sua concepção, o que explica tamanha influência?

Após sua pesquisa, faça uma síntese do assunto proposto e poste no Blog.

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Saiba mais

Sugerimos a você, estudante, a leitura da entrevista com Eric Hobsbawm, na qual o historiador analisa a atualidade da obra de Karl Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos. O historiador fala sobre a necessidade de retomar a leitura das obras do intelectual alemão baseado na seguinte assertiva: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser discutidos como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.

Propomos também a leitura da entrevista de José de Souza Martins, Da roça para o mundo. Nesta o sociólogo revela não considerar que a sociologia passe por dificuldades. As dificuldades dos sociólogos surgem em função das dificuldades da própria sociedade que, no mundo contemporâneo, enfrenta uma sucessão de crises sociais. O desencontro mais discutido entre os sociólogos e a sociedade, nos dias atuais, particularmente no Brasil, encontra-se no posicionamento político e militante que, por vezes, adotam quando utilizam a sociologia. Esta é, ocasionalmente, confundida com trabalho missionário de difusão de ideias partidárias.

Para José de Souza Martins, no futuro, a sociologia terá que ser menos engajada no partidário e mais engajada no propriamente social no sentido de oferecer ao homem comum um conjunto de informações sociológicas que lhe permitam administrar no dia a dia suas possibilidades de intervenção nos processos sociais para não sucumbir à impotência política e ao conformismo social.

Vendo com olhos de ver

Assista ao filme Tempos Modernos (Modern Times), com direção de Charles Chaplin, EUA, 1936.

O filme é uma comédia clássica do cinema mudo e retrata bem a condição do homem na sociedade capitalista industrial. Mostra-nos as relações em uma fábrica onde o trabalhador é explorado pelo empresário capitalista que tenta utilizar-se de todos os meios para aumentar a produção e, consequentemente, o lucro. A lúcida análise de Chaplin mostra-nos a situação do trabalhador desesperado, angustiado por conta das relações de trabalho e a cidade como um lugar caótico de desigualdades. Temos a demonstração da situação de desemprego, fome, falta de moradia digna e, neste contexto, a atuação de algumas instituições repressoras (como a polícia) que controlam qualquer tipo de conduta na qual o indivíduo se manifeste contra a ordem vigente.

Assista ao filme A história das coisas (The Story of Stuff), dirigido por Annie Leonard, EUA.

A história das coisas é um curta que vai direto ao ponto: como colaboramos diariamente para destruir o planeta por meio da nossa forma de produzir e consumir. Mostra, passo a passo, a cadeia de eventos que vai da exploração dos recursos naturais, passando pelo produto manufaturado, a compra e o descarte, até chegar ao lixão. Mas o diferencial aqui é o vídeo, explicado com desenhos animados disformes e por meio de uma linguagem simples, interessante e compreensível.

Sugerimos que você assista ao vídeo sobre o documentário Milton Santos - Globalização, no qual o geógrafo discute os problemas acerca da globalização. Milton Santos não se opõe à globalização, mas ao seu modelo na contemporaneidade.

Ainda na mesma linha de filmes sugerimos, Nós que aqui estamos por vós esperamos é um filme brasileiro que foi dirigido, produzido e editado por Marcelo Masagão. Esta película é um recorte de vários acontecimentos históricos importantes na virada do século XIX para o século XX e leva o telespectador a uma viagem temporal. Os recortes são precisos e a sequência das imagens é empolgantes. Todos esses recursos acabam por contar os impactos da modernidade na vida cotidiana do homem ocidental na virada do século XX.

Sugerimos que você assista este Documentário sobre a Revolução Francesa.

Este documentário mostra, passo a passo, como a situação na França, no final do século XVIII, culminou no maior evento político que foi símbolo da Era Moderna. Um ótimo material para se ambientar acerca deste grande momento da história.

Já neste documentário, o antropólogo Darcy Ribeiro vai fazer um estudo sobre a história da formação do povo brasileiro a partir de suas culturas matrizes. O autor estabeleceu cinco brasis distintos: o Brasil sertanejo, o Brasil crioulo, o Brasil caboclo, o Brasil caipira e o Brasil sulino. Um ótimo documentário para refletirmos acerca dos choques culturais que aconteceram para formar um país de dimensões continentais e de diversas etnias.

Outra dica de filme é A Vila, que fala de uma pequena cidade isolada e tranquila. Porém, no desenrolar dos fatos, esta pacata cidade vai mostrando outras faces que não são tão agradáveis. Esse filme é um ótimo exemplo para entender como as relações sociais são providas também por coerção, assim como Durkheim já tinha percebido em suas análises sobre a sociedade.

Assista também ao documentário Utopia e barbárie de Sílvio Tendler, o qual faz uma recapitulação dos principais eventos políticos e econômicos desde a 2ª Guerra e mostra a história a partir de uma perspectiva em que os conflitos sociais vão modificando o mundo. Uma série de personagens de nossa história brasileira e da história mundial encontra-se presente neste documentário.

Após assistir aos filmes, escolha um e teça seus comentários no Blog.

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Revisando

No decorrer desta disciplina, discutimos a condição do homem enquanto ser dotado da capacidade de pensar e formular conhecimentos, diferindo dos outros animais.

Vimos a ciência como uma forma especial de conhecimento que desenvolveu-se historicamente e diferencia-se do conhecimento prático da vida cotidiana, o senso comum, o qual tem como principal característica o uso sistemático de métodos que variam de acordo com o objeto de estudo de cada ramo da ciência.

A sociologia procura explicar e conhecer os fenômenos sociais, propondo-se a desenvolver o autoconhecimento, ao mesmo tempo em que contribui para a formação de uma consciência social. A sociologia aparece no século XIX em decorrência de uma série de acontecimentos históricos, econômicos e sociais que sucederam ao longo de vários séculos, sobretudo com a tentativa de compreender as situações sociais novas, surgidas em resultado do aparecimento da sociedade capitalista.

Os processos históricos e epistemológicos que forjam a modificação nas formas de organização social como a Revolução Industrial, Revolução Francesa e o pensamento iluminista são os fatores que impulsionam o homem a sentir necessidade de pensar, cientificamente, a sociedade apresentada a partir de uma nova ordem social.

Comte idealizou uma sociologia de inspiração positivista que considera que a sociedade destina-se ao progresso; este deve vir junto com a ordem nas instituições sociais: família, escola, empresa, religião e estado. A ordem é essencial para manter o equilíbrio social. Nesse sentido a sociologia deve abster-se de qualquer discussão crítica sobre a realidade existente.

Há a consolidação de uma filosofia que prioriza as formas racionais de explicação do mundo. Teoriza-se sobre o estudo científico da sociedade como forma de explicar e ordenar este mundo. O positivismo preconiza um caminho para estudar os fenômenos sociais e apresenta à humanidade a ciência responsável pela compreensão dos fenômenos sociais: a Sociologia.

No decorrer do texto discutimos a institucionalização da sociologia no mundo acadêmico através de Émile Durkheim. Apresentamos uma compreensão da sociedade numa perspectiva “funcionalista” explicada por meio da metáfora do organismo vivo: as partes funcionam de forma interdependente para a harmonia do todo. No corpo humano, as partes dizem respeito aos órgãos que funcionam em conjunto para tornar possível a saúde do corpo. Na sociedade, as instituições são análogas aos órgãos do corpo humano, desempenhando um papel em conjunto para que a sociedade funcione de modo eficaz.

A análise da modernidade é desenvolvida pelo autor com base na divisão social do trabalho e na explicação dos conceitos de solidariedade (orgânica e mecânica) para a compreensão desta divisão em dois tipos diferentes de sociedade: a “tradicional” e a “moderna”.

Discutimos a contribuição de Marx para a sociologia com base na análise crítica que o autor tece acerca da modernidade. Buscamos um entendimento da concepção de sociedade elaborada por Karl Marx a partir da metáfora do edifício. Esta metáfora aponta para o alicerce do edifício social, composto pela estrutura econômica da sociedade denominada infraestrutura. É esse alicerce que sustenta as formas de consciência e as formas jurídicas e políticas.

Abordamos a forma como Marx entende a organização capitalista e como ocorrem os processos sociais nesta. Falamos da expropriação dos trabalhadores, que sem a posse dos meios de produção e sujeitos às condições impostas pelo capitalismo, passaram a ser meros trabalhadores despossuídos. No processo de alienação, a mais-valia, o conceito de ideologia e a luta de classes é decorrente da insatisfação com as condições de exploração impostas pelo capitalista.

O marxismo propõe a deposição da classe dominante (a burguesia) por uma revolução do proletariado (os trabalhadores), de modo a possibilitar que os meios de produção sejam de toda a coletividade, com a distribuição igualitária de riqueza produzida. A existência de relações de dominação em toda e qualquer sociedade contribui para que elas sejam socialmente construídas. Desse modo, não precisam manter-se indefinidamente, pois o homem pode construir outros tipos de relações sem a dominação de uma classe sobre outra.

Para Max Weber, a sociologia deve concentrar-se na análise da conduta social, procurando compreender o significado das interações significativas de indivíduos que formam uma teia de relações sociais. Assim, de acordo com o autor, a conduta social somente ocorrerá quando o indivíduo tentar estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações, com os demais. A ação social ocorre quando o sentido pensado pelo indivíduo considera a conduta dos outros no momento em que uma ação é praticada. Desse modo, o sentido é que dá à ação social seu caráter específico. O ponto de partida da sociologia de Weber não encontra-se nas entidades coletivas, grupos ou instituições. Seu objeto de investigação é a ação social, a conduta humana dotada de sentido.

Para Weber, as normas sociais somente tornam-se concretas quando são manifestadas em cada indivíduo sob a forma de motivação. Desse modo, cada indivíduo age levado por um motivo que é dado pela tradição. O autor argumenta que a sociedade pode ser compreendida tomando por referência o conjunto das ações individuais, orientando-se pelas ações de outros. Assim, é praticamente impossível ao cientista atuar com imparcialidade sobre os fatos, pois sua ação é influenciada pelo seu tempo.

Os fatos sociais não podem ser vistos enquanto coisas, pois apresentam-se carregados de sentimentos e emoções que influenciam as intervenções dos cientistas. A pesquisa deve tentar limitar o espaço para as crenças e ideias pessoais do pesquisador perante o fato estudado. Na busca de uma adequação para as análises dos fatos sociais, Weber constrói um modelo baseado no que chama de tipo ideal. Tipo ideal consiste em modelos conceituais ou analíticos, usados para a compreensão do mundo, tendo como ponto de partida suas características gerais e mais relevantes.

A esse propósito, mencionado acima, apresenta-se como exemplo o questionamento seguinte: Será que o capitalismo tem propriedades gerais? Os tipos ideais são construções do pesquisador usadas para analisar o mundo, não significando que encontraremos na realidade esses tipos ideais. A utilidade da constituição dos tipos ideais encontra-se em qualquer situação do mundo real e pode ser entendida quando comparada a um tipo ideal.

A análise que Weber faz da sociedade capitalista permite que ele reconheça uma luta latente entre os indivíduos pela existência. No contexto desse conflito aconteceria na sociedade uma seleção social associada a diferentes tipos de dominação elaborados pelo autor. A denominação está vinculada, por um lado, ao desejo de obedecer, e, por outro, a uma crença em sua legitimidade.

Weber apresenta três tipos de ideais de legitimidade como base para a dominação: legal/racional, que se norteia na legalidade das instituições e dos direitos de poder dos designados por essas instituições para exercer a autoridade; tradicional, que se associa à crença na bondade das tradições existentes desde tempos imemoriais e na legitimidade dos que são instituídos por essa tradição para exercer a autoridade; carismática, que se vincula à santidade, heroísmo ou exemplaridade de uma pessoa e das instituições por elas criadas e reveladas.

Louis Althusser foi um dos pensadores mais importantes do século XX. Seus pensamentos foram influenciados por Karl Marx. Para ele, há uma relação recíproca entre a superestrutura e a infraestrutura social, cujo centro está no processo do trabalho. Essa, por ser a base econômica da sociedade, é autônoma e determina a superestrutura.

Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron partem do pressuposto de que a escola, na sociedade capitalista, produz e reproduz a sociedade. A sociedade de classes mantém seus privilégios no sistema escolar. A igualdade de ensino para todos os estudantes não se sustenta. O sistema de ensino privado é diferente conforme a escola e os que a frequentam, mas também o ensino público é diferenciado e desigual, segundo a localidade, o corpo docente e os frequentadores.

Estudamos também o conceito de sociedade e cultura, sendo que a primeira corresponde a um grupo relativo de pessoas que é estudado pelos sociólogos. Na sociedade são apresentados diversos tipos e categoriais de cultura.

Um dos critérios adotados pelos sociólogos para classificar as categorias (Primeiro Mundo, Segundo Mundo, Terceiro Mundo e Quarto Mundo) é o desenvolvimento econômico. Quanto aos tipos, são citadas as seguintes sociedades: caça, sociedade pastoral e hortícola e sociedades agrícolas.

Vimos vários conceitos errôneos de culturas bem como suas características básicas e seus elementos como símbolos, linguagem, valores, normas. A variabilidade cultural refere-se à diversidade de culturas nas sociedades e lugares. Assim como existem diversos tipos diferentes de sociedades, existem diversas culturas.

Muitas vezes, tentamos julgar outras culturas comparando-as com a nossa; a isto denominamos etnocentrismo. Cada sociedade tem sua própria cultura, possui seu próprio comportamento, apesar de nenhum indivíduo estar livre de um choque cultural.

Dentro da sociedade há socialização. E o que seria socialização? Como vimos, trata-se de um processo através do qual as pessoas individuais aprendem e são treinadas nas normas básicas, valores, crenças, habilidades, atitudes, modos de fazer e agir da forma adequada em um grupo social ou sociedade específica.

Observamos, no decorrer deste estudo, o objetivo da socialização, a qual dedica-se a equipar o indivíduo com valores básicos, normas e competências que permitam sua atuação corretamente no grupo social em que está inserido. Nesse ponto, é importante relembrar que existem dois padrões classificados de socialização: repressiva e orientada. Ademais, estudamos os diferentes tipos de socialização. Vamos então rever cada um deles:

• Socialização primária ou socialização na infância: período em que boa parte da personalidade do indivíduo é forjada.

• Socialização secundária ou socialização na idade adulta: é necessária quando o indivíduo assume novos papéis sociais.

• Ressocialização e Dessocialização: ocorrem frequentemente em instituições, como por exemplo, hospitais psiquiátricos, prisões e unidades militares.

• Socialização antecipatória: processo de ajuste e adaptação em que os indivíduos tentam aprender e internalizar papéis, valores, atitudes e habilidades de um status social.

Por fim, estudamos a globalização, que, segundo Giddens (1993), pode ser definida como a intensificação das relações sociais em nível mundial, ligando espaços distantes de forma que acontecimentos locais sofrem a influência de eventos que acontecem em locais distantes e vice-versa. A abordagem dessa temática, Sociologia e Globalização, foi realizada levando-se em conta as ideias de três teóricos, considerados referências: Anthony Giddens (1993), Octavio Ianni (1996) e Boaventura de Sousa Santos (s.d).

Vimos que para entender a globalização, será necessário compreender suas raízes no processo de modernização. A globalização surge enquanto sequência de tendências originadas pelo processo de modernização iniciada em algumas regiões da Europa no século XVIII. Tais tendências, posteriormente, transformaram-se em influências mundiais.

A modernização envolve um gradual deslocamento das relações sociais de interação, de contextos locais e de espaços reduzidos, para extensões indefinidas no que diz respeito ao tempo e ao espaço.

Autoavaliação

1 - Disserte sobre a diferença entre senso comum e conhecimento científico.

2 - Aponte os fatores históricos e epistemológicos que contribuíram para a emergência, tanto de uma nova ordem social, quanto para o surgimento da sociologia.

3 - Levando em consideração as teorias formuladas pelo positivismo, indique a relação entre ciência, ordem e progresso.

4 - Faça uma relação do filme Tempos Modernos com os fatores históricos que forjaram a necessidade de fundar uma ciência para pensar o mundo social.

5 - Levando em consideração a metáfora do organismo, disserte sobre a concepção funcionalista de Durkheim.

6 - O que você entendeu por consciência individual e consciência coletiva?

7 - Constituída por um conjunto de regras e normas que existem fora das nossas consciências individuais, a sociologia, para Émile Durkheim, tem como objeto de estudo os fatos sociais. Indique as principais características destes, conceituando cada uma.

8 - Faça um comentário crítico sobre a seguinte citação:

“O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral”. (MARX, 1977, p.23)

9 – Explique, com suas palavras, o que significa alienação para Karl Marx.

10 - Como Marx concebe as classes sociais e as relações entre elas?

11 - De acordo com Marx, de onde provém o lucro capitalista?

12 - Para Max Weber, qual a diferença entre ação e ação social?

13 - Como o tipo ideal pode ser pensado em se tratando da realidade concreta?

14 - Qual a relação entre a ética protestante e o espírito do capitalismo? Explique a pergunta levando em consideração as condutas do protestantismo e sua adequação ao capitalismo.

15 - Disserte sobre a diferença que Weber faz entre ciência e política.

16 - Considerando as ideias dos três autores, Giddens (1993), Ianni (1996) e Santos (s/d), responda:

a) A quais mudanças o termo globalização se refere?

b) Qual o cenário futuro que a globalização deseja alcançar?

c) Será a globalização algo radicalmente novo? Em que consiste a novidade das mudanças que são observadas em resultado da globalização?

d) Possibilitará a globalização as condições para uma nova era destinada à humanidade?

17 - Escolha entre Durkheim, Weber ou Marx e faça um comentário sobre as suas ideias, justificando a escolha do teórico.

18 - Escolha entre Anthony Giddens, Octavio Ianni e Boaventura de Sousa Santos e faça um comentário sobre suas ideias, justificando a escolha do teórico.

19 - Quais os impactos provocados pelas Revoluções Francesa e Industrial na sociedade europeia e quais deles estiveram presentes na origem da sociologia?

20 - Cite os tipos e as categorias de sociedade.

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WEBER, Max. Sobre a teoria das ciências sociais. São Paulo: Moraes, 1991.

Bibliografias da web

BURAWOY, Michael. Sociologia na terceira onda e o fim da ciência pura. v. 13. Nº 24, 2008. Disponível em http://seer.fclar.unesp.br/estudos/article/view/865/720. Acessado em 05/08/2013.

LACERDA, Gustavo Biscaia. Augusto Comte e o positivismo Redescobertos. In: Revista Sociol. Polit. Vol 17 no. 34 Curitiba. Oct. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010444782009000300021&script=sci_arttext. Acessado em 08/08/2013.

MARTINS, José de S.. Entrevista a José de Souza Martins: da roça para o mundo, In: Revista Sociologia Ciência & Vida. Ano IV - Edição 34 - Abril-Maio/2011. Disponível em: http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/20/artigo119591-1.asp Acessado em 27/07/2013.

MASSELLA, Alexandre Braga. Durkheim e a vida social como essencialmente social. “Dossiê” da Revista CULT. Disponível em : http://revistacult.uol.com.br/home/2011/01/durkheim-e-a-vida-social-como-essencialmente-moral/ Acessado em 07/08/2013.

PAIS, José Machado. Paradigmas sociológicos na análise da vida quotidiana. In: Análise Social, vol. XXII (90), 1986-1.°, 7-57. Disponível em: http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223483009Y6mRF5kx1Ge77VO8.pdf>. Acessado em 27/07//2013

HOBSBAWM,Eric. Carta Maior, 2008. Entrevista a Marcello Musto. Disponível em http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15253 Acesso em 08/08/2013.

Filmes

A VILA. Direção de M. Night Shyamalan. Estados Unidos, 2004. Filme online (108 min.): sonoro.

NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS (1999) – Diretor e produtor: Marcelo Masagão. Brasil,1936. Filme online (79 min.): sonoro.

O POVO BRASILEIRO: E O SENTIDO DO BRASIL. Ribeiro Darcy. São Paulo. Companhia das Letras,1995 e 1996. Filme online (4:21:24): sonoro.

REVOLUÇÃO FRANCESA. Diretor: Doug Shultz. Estados Unidos, 2005. Filme online (90 min.): sonoro. Legendado.

TEMPOS MODERNOS. Direção de Charlie Chaplim, 1936. Filme online (01 h e 22 min. e 44 seg.): mudo.

UTOPIA E BARBÁRIE. Direção: Sílvio Tendler. Brasil, 2010. (120 min.): Legendado.

Vídeos

A HISTÓRIA DAS COISAS (The Story of Stuff). Direção de Annie Leonard. EUA. Vídeos online (10 min. e 25 seg.): sonoros, dublados em português. Parte I. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=ZpkxCpxKilI. Parte II. (10 min. e 53 seg.)

MILTON SANTOS. GLOBALIZAÇÃO. Produzido por Sílvio Tendler. Filme online. Vídeo online (09 min. e 59 min.): sonoro.

Sociedade Capitalista

Vivemos em um mundo capitalista!. Certamente, esta frase foi dita ou ouvida pela maioria das pessoas, porém muitos ainda não sabem o que significa viver em um mundo capitalista.

Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono.

Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos. O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que este sistema se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo, cooperaram para o surgimento do capitalismo.

Os proprietários dos meios de produção (burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho.

Características do Capitalismo

• Toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal

• O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho

• Toda negociação é feita com dinheiro

• O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade)

Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/capitalismo/

Globalização

Um conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial visíveis desde o final do século XX. Trata-se de um fenômeno que criou pontos em comum na vertente econômica, social, cultural e política, e que consequentemente tornou o mundo interligado, uma Aldeia Global.

O processo de globalização é a forma como os mercados de diferentes países interagem e aproximam pessoas e mercadorias. A quebra de fronteiras gerou uma expansão capitalista onde foi possível realizar transações financeiras e expandir os negócios - até então restritos ao mercado interno - para mercados distantes e emergentes.

Soja Transgênica

Todos os seres vivos carregam em suas células uma espécie de carteira de identidade – o DNA. A engenharia genética trabalha com a manipulação do DNA, criando novas características para o ser vivo – seja trocando a ordem dos genes ou introduzindo um novo gene, alheio à composição original. O gene modificado é chamado de transgene, daí o termo 'transgênico' para definir o novo ser vivo que é gerado desta manipulação. Ela também é conhecida como GM, geneticamente modificada.

Mudando a 'identidade' do animal ou planta, pode-se obter praticamente qualquer coisa. As experiências com manipulação de genes já criaram desde ratos que brilham no escuro até plantas com genes de doenças em seu DNA que podem funcionar como vacinas. Na agricultura, no entanto, o cultivo de plantas modificadas sempre veio acompanhado de polêmica. Os EUA são um dos maiores produtores de soja e milho transgênico no mundo, mas o mercado não é receptivo – a maioria dos países da Europa e da Ásia não compram as safras, com medos de danos biológicos.

Disponível em: http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC354950-1641,00.html

Agrotóxicos

O alimento deve cumprir o seu papel de nutrição, levando ao organismo os nutrientes que este precisa para ter saúde. Alimentos contaminados por agrotóxicos são considerados impróprios para o consumo, pois trazem risco à saúde. É incoerência falar em alimentação saudável quando se trata de alimentos contaminados por agrotóxicos.

Existe uma legislação que define os padrões de limites de tolerância do organismo aos resíduos de agrotóxicos, mas além de não se realizar inspeção sistemáticas dos alimentos, o grande perigo para o consumidor é que muito desses resíduos se acumulam no organismo, e são, inclusive, cancerígenos.

Os sintomas de intoxicação causada por agrotóxicos são náuseas, vômitos, diarréia, febre e dor de cabeça, mas é muito difícil o registro desse tipo de intoxicação devido à dificuldade de identificar estes casos.

A pressão dos consumidores sobre as autoridades para que se posicionem e definam políticas agrícolas a produção de alimentos orgânicos que são mais nutritivos, saborosos, seguros e realmente saudáveis. Que estas políticas sejam operacionalizadas. Hoje, já temos uma sociedade preocupada em consumir alimentos sem agrotóxicos e essas pessoas, precisam se organizar para exigir das autoridades medidas adequadas para incrementar essa produção.

Acreditamos que, caso haja demanda, fiscalização e pressão da sociedade, teremos garantida mais saúde na mesa do consumidor brasileiro. Havendo demanda os agricultores, com certeza, se organizarão para produzir alimentos orgânicos.

fonte: Jornal da AEASE – Órgão informativo da Assoc. Eng. Agr. de Sergipe – Nov-Dez/01.

Disponível em : http://www.agrisustentavel.com/san/ausente.htm

Indutivo

Método indutivo é um processo mental que, para chegar ao conhecimento ou demonstração da verdade, parte de fatos particulares, comprovados, e tira uma conclusão genérica.

É um método baseado na indução, ou seja, numa operação mental que consiste em se estabelecer uma verdade universal ou uma referência geral com base no conhecimento de certo número de dados singulares.

Feudalismo

O feudalismo consiste em um conjunto de práticas envolvendo questões de ordem econômica, social e política. Entre os séculos V e X, a Europa Ocidental sofreu uma série de transformações que possibilitaram o surgimento dessas novas maneiras de se pensar, agir e relacionar. De modo geral, a configuração do mundo feudal está vinculada a duas experiências históricas concomitantes: a crise do Império Romano e as Invasões Bárbaras.

A economia sofreu uma retração das atividades comerciais, as moedas perderam seu espaço de circulação e a produção agrícola ganhara caráter subsistente. Nesse período, a crise do Império Romano tinha favorecido um processo de ruralização das populações que não mais podiam empreender atividades comerciais. Isso ocorreu em razão das constantes guerras promovidas pelas invasões bárbaras e a crise dos centros urbanos constituídos durante o auge da civilização clássica.

A ruralização da economia também atingiu diretamente as classes sociais instituídas no interior de Roma. A antes abrangente classe de escravos e plebeus veio a compor, junto com os povos germânicos, uma classe campesina consolidada enquanto a principal força de trabalho dos feudos. Trabalhando em regime de servidão, um camponês estaria atrelado à vida rural devido às ameaças dos conflitos da Alta Idade Média e a relação pessoal instituída com a classe proprietária, ali representada pelo senhor feudal.

O senhor feudal representaria a classe nobiliárquica detentora de terras. Divididos por diferentes títulos, um nobre poderia ser responsável desde a administração de um feudo até pela cobrança de taxas ou a proteção militar de uma determinada propriedade. A autoridade exercida pelo senhor feudal, na prática, era superior a dos reis, que não tinham poder de interferência direta sobre as regras e imposições de um senhor feudal no interior de suas propriedades. Portanto, assinalamos o feudalismo como um modelo promotor de um poder político descentralizado.

Disponível : http://www.brasilescola.com/historiag/feudalismo.htm

Capitalismo

Vivemos em um mundo capitalista. Certamente, esta frase foi dita ou ouvida pela maioria das pessoas, porém muitos ainda não sabem o que significa viver em um mundo capitalista.

Capitalismo é o sistema sócio-econômico em que os meios de produção (terras, fábricas, máquinas, edifícios) e o capital (dinheiro) são propriedade privada, ou seja, tem um dono.

Antes do capitalismo, o sistema predominante era o Feudalismo, cuja riqueza vinha da exploração de terras e também do trabalho dos servos. O progresso e as importantes mudanças na sociedade (novas técnicas agrícolas, urbanização, etc) fizeram com que este sistema se rompesse. Estas mesmas mudanças que contribuíram para a decadência do Feudalismo, cooperaram para o surgimento do capitalismo.

Os proprietários dos meios de produção (burgueses ou capitalistas) são a minoria da população e os não-proprietários (proletários ou trabalhadores – maioria) vivem dos salários pagos em troca de sua força de trabalho.

Características do Capitalismo

• Toda mercadoria é destinada para a venda e não para o uso pessoal

• O trabalhador recebe um salário em troca do seu trabalho

• Toda negociação é feita com dinheiro

• O capitalista pode admitir ou demitir trabalhadores, já que é dono de tudo (o capital e a propriedade)

Revolução Francesa

A situação da França no século XVIII era de extrema injustiça social na época do Antigo Regime. O Terceiro Estado era formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia comercial. Os impostos eram pagos somente por este segmento social com o objetivo de manter os luxos da nobreza.

A França era um país absolutista nesta época. O rei governava com poderes absolutos, controlando a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos. Havia a falta de democracia, pois os trabalhadores não podiam votar, nem mesmo dar opiniões na forma de governo. Os oposicionistas eram presos na Bastilha (prisão política da monarquia) ou condenados à morte.

A sociedade francesa do século XVIII era estratificada e hierarquizada. No topo da pirâmide social, estava o clero que também tinha o privilégio de não pagar impostos. Abaixo do clero, estava a nobreza formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte. A base da sociedade era formada pelo terceiro estado (trabalhadores, camponeses e burguesia) que, como já dissemos, sustentava toda a sociedade com seu trabalho e com o pagamento de altos impostos. Pior era a condição de vida dos desempregados que aumentavam em larga escala nas cidades francesas.

A vida dos trabalhadores e camponeses era de extrema miséria, portanto, desejavam melhorias na qualidade de vida e de trabalho. A burguesia, mesmo tendo uma condição social melhor, desejava uma participação política maior e mais liberdade econômica em seu trabalho.

A situação social era tão grave e o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o objetivo de tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão política era o símbolo da monarquia francesa.

O lema dos revolucionários era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade ", pois ele resumia muito bem os desejos do terceiro estado francês.

Durante o processo revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja foram confiscados durante a revolução.

Disponível em : http://www.suapesquisa.com/francesa/

Revolução Industrial

Esse termo remete-nos às profundas transformações na produção material verificadas a partir do século XVIII. Inicialmente surgida na Inglaterra, após mudanças na organização do trabalho manufatureiro e na utilização de máquinas, a Revolução Industrial possibilitou ao capitalismo expandir-se para todos os continentes do mundo, desintegrando as demais formações econômico-sociais existentes nesses locais.

Com a Revolução Industrial, houve um grande aumento da produtividade dos trabalhadores e ampliação de escala na acumulação de capital. As relações sociais entre os homens alteraram-se, bem como sua relação com a natureza. Novas matérias-primas passaram a ser utilizadas e uma grande quantidade de produtos passou a ser fabricada. O estímulo ao consumo das pessoas intensificou-se. A sociedade urbana ganhou um impulso ainda maior em seu desenvolvimento.

Entretanto, a exploração do trabalho, realizada por uma pequena minoria sobre a grande maioria da população, também se fez sentir. Milhões de operários conheceram a miséria, enquanto uma pequena parcela de capitalistas enriquecia-se. Estados foram edificados para garantir a existência de condições gerais de produção industrial.

Os avanços tecnológicos verificados a partir do século XVIII foram grandes, conhecendo ainda etapas em que houve saltos no desenvolvimento de novas tecnologias. Tais saltos foram utilizados como marcos de divisão da Revolução Industrial: a Primeira Revolução Industrial, iniciada no século XVIII; a Segunda Revolução Industrial, a partir da metade do século XIX; e a Terceira Revolução Industrial, que muitos historiados apontam como tendo início na década de 1970 do século XX.

É em virtude da importância desse fenômeno histórico que o site Brasil Escola dedica um canal especial de textos sobre o assunto dentro da disciplina de História Geral. Com esses textos, será possível ao leitor conhecer mais sobre esse tema que está na origem da sociedade contemporânea.

Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao-industrial.htm

Racionalidade

Particularidade ou característica do que é racional; qualidade daquilo que se baseia na razão.

Que se encontra em conformidade com a razão; compreensível logicamente.

Capacidade de raciocinar ou de praticar a própria razão.

Tendência para entender (compreender) os fatos e/ou ideias tendo em conta a razão.

Mitologia Grega

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos.

Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias de hoje e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos, políticos e culturais.

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.

Disponível: http://www.suapesquisa.com/mitologiagrega/

Idade Média

A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano. A Idade Média caracteriza-se pela economia ruralizada, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada.

Estrutura Política: Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso.

Todo os poderes jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos).

Sociedade Medieval: A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).

Economia Medieval: A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado puxado por bois era muito utilizado na agricultura.

Religião na Idade Média: Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia.

Disponível em: http://www.suapesquisa.com/idademedia/

Renascimento

Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença.

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Características Principais:

- Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;

- As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;

- Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo);

- A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, passaram a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes, conhecidos como mecenas, começaram a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França, Polônia e Países Baixos.

Disponível: http://www.suapesquisa.com/renascimento/

Campesinato

Conjunto de agricultores de uma região, de um Estado.

Condição dos camponeses.

Assembleia Constituinte

A mobilização de toda França em torno das mudanças, com a convocação dos Estados-gerais, abriu portas para o início das reformas políticas. A resistência monárquica acabou radicalizando esse processo com a queda da Bastilha e as diversas revoltas que se espalharam pelo território francês. O amplo apoio popular deu condições para que uma nova constituição fosse redigida por uma Assembleia Nacional.

A Assembleia Nacional, estabelecida entre 1789 e 1792, aboliu o voto por estamento e deu condições para que novas práticas fossem fixadas ao contexto político francês. Contando com a intensa participação da burguesia e dos camponeses, a Revolução ganhava força nas ruas, campos e instituições francesas. As leis que garantiam os privilégios nobiliárquicos foram abolidas, trazendo maior igualdade de direitos entre os franceses.

Em 26 de agosto de 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão deu fim a qualquer dispositivo legal que diferenciava juridicamente as classes sociais francesas. Inspirada na Declaração de Independência dos Estados Unidos, o documento francês primava pela defesa da igualdade e da fraternidade. Apesar disso, a declaração ainda assegurava o direito de propriedade que preservou as posses da nobreza provincial.

Em 1791, uma nova constituição começou a vigorar na França. De acordo com seus termos, o governo passaria a ser comandado por uma monarquia constitucional. O poder passou a ser exercido pelos três poderes: legislativo, executivo e judiciário. Apesar de limitar os poderes reais e abolir os privilégios, o novo governo foi dominado por um processo de aburguesamento das instituições, garantido por meio do voto censtário. A antiga união de interesses do Terceiro Estado agora não seria mais a mesma.

Leia mais, disponível em: http://www.brasilescola.com/historiag/revolucao-francesa-assembleia-nacional.htm

Declaração Dos Direitos Do Homem E Do Cidadão

Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos.

Em razão disto, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:

Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.

Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.

Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.

Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.

Art. 11º. A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.

Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.

Disponível em.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3: http://www.direitoshumanos %A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html

Iluminismo

O iluminismo foi um movimento global, ou seja, filosófico, político, social, econômico e cultural, que defendia o uso da razão como o melhor caminho para se alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação. O centro das ideias e pensadores Iluministas foi a cidade de Paris.

Os iluministas defendiam a criação de escolas para que o povo fosse educado e a liberdade religiosa. Para divulgar o conhecimento, os iluministas idealizaram e concretizaram a ideia da Enciclopédia (impressa entre 1751 e 1780), uma obra composta por 35 volumes, na qual estava resumido todo o conhecimento existente até então.

O iluminismo foi um movimento de reação ao absolutismo europeu, que tinha como características as estruturas feudais, a influencia cultural da Igreja Católica, o monopólio comercial e a censura das “ideias perigosas”. O nome “iluminismo” fez uma alusão ao período vivido até então, desde a Idade Média, período este de trevas, no qual o poder e o controle da Igreja regravam a cultura e a sociedade.

O movimento iluminista utilizou da razão no combate a fé na Igreja e a ideia de liberdade para combater o poder centralizado da monarquia. Com essa essência transformou a concepção de homem e de mundo. A partir do iluminismo surgiu outro movimento, de cunho mais econômico e político: o liberalismo.

Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/iluminismo/

Teocentrismo

Crença ou doutrina que entende ser Deus o centro do universo: "(...) já realizava um questionamento ao teocentrismo, fato que foi apenas aprofundado pelo humanismo e pelo renascimento.

Antropocentrismo

Concepção ou doutrina segundo a qual o ser humano é o centro ou a razão da existência do universo

Dessacralização

Ato ou efeito de dessacralizar, deixar de sacralizar(-se), ter ou atribuir caráter sagrado a; SECULARIZAÇÃO.

Gregário

'Que faz parte de grei; que vive sempre em bando. Que tende a viver em sociedade.

Etnocentrismo

Concepção do mundo característica de quem considera os valores de sua própria sociedade como os únicos parâmetros válidos para julgar outras culturas e sociedades.

Auguste Comte (1798-1857)

Foi um filósofo francês. Criou a corrente de pensamento chamada "Positivismo".

Auguste Comte (1798-1857) nasceu em Montpellier, França, onde fez os seus primeiros estudos. Em 1814 ingressa no curso de medicina na Escola Politécnica de Paris. Ficou conhecido da intelectualidade francesa depois que foi secretário do socialista Saint-Simon, de quem mas tarde viria a romper a amizade, por divergências ideológicas.

Importante ressaltar que as idéias do positivismo inspiraram até a inscrição da bandeira brasileira "Ordem e Progresso", inspirada no lema de Auguste Comte que diz: "Amor como princípio, ordem como base e progresso como objetivo". Suas ideias inspiraram o exército brasileiro e a proclamação da República do Brasil em 1889.

O pensamento positivista pregava um modelo de sociedade organizada, onde o poder espiritual não teria mais importância, sendo os sábios e cientistas a primazia nas decisões. Entre seus lemas destaca-se: "Não há problema que não possa em última instância ser reduzido a números".

Disponível em: http://www.e-biografias.net/auguste_comte/

Etnocentrismo

Etnocentrismo é um conceito da Antropologia definido como a visão demonstrada por alguém que considera o seu grupo étnico ou cultura o centro de tudo, portanto, num plano mais importante que as outras culturas e sociedades.

Eurocentrismo é uma ideia que coloca os interesses e a cultura Europeia como sendo as mais importantes e avançadas do mundo. Este conceito foi muito utilizado no período das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos (séculos XV e XVI). Nesta fase da história, os europeus, principalmente portugueses e espanhóis, descobriram novas terras na África e Ásia e implantaram suas culturas (religião, língua, modos, costumes) entre os povos conquistados. Fizeram isso, pois acreditavam que a cultura europeia era mais desenvolvida do que a dos indígenas e africanos. Durante o período neocolonial (século XIX) este conceito voltou a ser usado durante o processo de ocupação e partilha da África e Ásia pelos europeus.

Na atualidade

O eurocentrismo é um conceito que não é mais aplicado, pois atualmente sabemos que não há uma cultura superior à outra, elas são apenas diferentes e devem ser respeitadas como tal.

Disponível em: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/eurocentrismo.htm

Émile Durkheim (1858-1917)

Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo francês. É considerado o pai da sociologia moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa. É o criador da teoria da coesão social. Junto com Karl Marx e Max Weber, formam um dos pilares dos estudos sociológicos.

Émile Durkheim (1858-1917) nasceu na região de Lorraine, na França, no dia 15 de abril de 1858. Descendente de família judia, estudou filosofia na Escola Normal Superior de Paris. O fato de Durkheim não ter seguido os preceitos da cultura judaica pode ter influenciado o teor de seus estudos e suas preocupações religiosas, preferindo analisá-las desde o ponto de vista social. Estudou as teorias de Auguste Comte e Herbert Spencer, o que fez com que conferisse uma matriz científica às suas teorias.

Émile Durkheim foi professor de Ciências Sociais e Pedagogia na Universidade de Bordeaux. Em 1902, é nomeado professor de Sociologia e Pedagogia na Sorbonne. Formou grande número de discípulos que por sua vez forneceram contribuições à pesquisa sociológica. A teoria dos fatos sociais de Durkheim influiu decisivamente sobre o desenvolvimento da Sociologia Científica.

Durkheim escreveu obras que foram definitivas nos rumos dos estudos sociológicos. No livro "Da Divisão do Trabalho Social" (1893), ele estabeleceu as bases da sociedade comparando a um organismo vivo, onde cada parte funcionava como um órgão biológico que agiria de forma dependente. Assim, numa sociedade "doente", que ele denominava de anomia, a cura para o melhor funcionamento social seria a solidariedade orgânica.

Disponível em: http://www.e-biografias.net/emile_durkheim/

Banco Próprio

Conjunto Palmeiras é um bairro localizado ao Sul da cidade de Fortaleza no estado Ceará, Brasil. O bairro, com 33 anos de existência, conta com uma população de aproximadamente 32 mil habitantes em uma área de 120 hectares.

O Conjunto Palmeira é uma favela com 30 mil habitantes situada na região sul de Fortaleza-Ce, nordeste do Brasil. Em 1973 chegaram os primeiros habitantes vindos de despejos realizados na região litorânea da cidade. O processo de assentamento do Conjunto Palmeiras resultou do remanejamento de populaçõese residentes em áreas de risco, principalmente retiradas da favela Lagamar, situada no centro da cidade às margens do rio Cocó. Ao todo, foram removidas para o loteamento realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, por intermédio da Fundação do Serviço Social de Fortaleza(FSSF), mil e quinhentas famílias faveladas proveniente, além do Lagamar, da Aldeota, Poço da Draga, Arraial Moura Brasil, Morro das Placas e Verdes Mares. Os moradores foram construindo espontaneamente seus barracos, dando origem a uma grande favela, sem nenhuma rede de saneamento básico, água tratada, energia elétrica, escola ou outro serviço público.

O Conjunto Palmeiras, guarda muita semelhança com bairros pobres das grandes cidades brasileiras, distinguindo-se destes, pelas amplas avenidas e ruas de fácil acesso e circulação. A minoria das vias de ciculação são de terra batida grande parte possuindo asfalto ou pavimentadas com pedra tosca. Depois de deixar de ser favela, continuou com essa demoninação pelo fato de ser afastado do centro da cidade.

A partir de 1981, com a fundação da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeira/ASMOCONP deu-se início o processo de organização das famílias. Em 1997 os moradores do bairro se organizaram e fundaram o que é atualmente uma das instituições mais importantes do bairro: o Banco Palmas.

Disponível em: http://www.bancopalmas.org.br/oktiva.net/1235/nota/75303

A prática cartesiana da dúvida metódica

O Discurso do Método é uma obra sem dúvida mundialmente famosa. Esse título nunca devemos deixar de ter em mente ao lê-la. Ao iniciarmos essa leitura sem ter em mente o título e aonde o autor quer chegar, facilmente nos perderemos pelo caminho, e é isso justamente que Descartes não quer que aconteça e que ajuda a motivá-lo a escrever e publicar o Discurso.

Ora, ao começarmos a ler o Discurso do Método poderemos facilmente ser iludidos a pensar que o assunto sobre o qual trata o autor seja a razão (bom sendo) ou o fato de ela estar bem distribuída entre os seres humanos. Isso não seria algo de outro mundo, pois estamos acostumados a ler e escrever redações guiando-nos desde o começo exatamente pela primeira frase da introdução: o tópico frasal. Entretanto, não podemos proceder assim com o Discurso do Método, pois com uma leitura mais atenta poderemos concluir que, embora o tópico frasal nos proponha a “boa distribuição da razão entre os seres humanos”, essa não é a tese do autor nesse texto. O que será então?

Primeiramente, debrucemo-nos sobre o próprio conceito de razão, que é nossa primeira ilusão a respeito do que venha a ser o tema da obra. Razão, que Descartes identifica com bom senso é “o poder de bem julgar e de distinguir o verdadeiro do falso”, como ele mesmo define. Ora, se esse fosse mesmo o tema do texto seria grande incoerência do autor simplesmente mudar de assunto na metade do parágrafo.

Outro conceito com o qual Descartes trabalha é o de espírito, já no segundo parágrafo. Para ele o espírito é justamente o que nos dar a especificidade entre nós, pois a diferenciação da espécie humana para as demais se dá justamente por termos a razão e os outros não. Então o espírito para ele é o pensamento, a imaginação e a memória.

O método de Descartes é o método da dúvida: a dúvida metódica ou dúvida cartesiana. Para a razão bem funcionar, é necessário limpar o terreno da mente de todo preconceito, é preciso, num primeiro momento duvidar de tudo, principalmente o que já se tem estabelecido como verdade absoluta. A partir de então, devem-se buscar verdades elementares, verdades que se bastem a si, e não precisem de outras verdades precedentes. Pois, duvidando de tudo, aquilo que conseguir se estabelecer como verdade depois disso, ter necessariamente que ser uma verdade absoluta. O que se quer com esse método é a garantia de ideias claras e distintas.

Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.com/filosofia/o-metodo-cartesiano.htm

Max Weber (1864-1920)

Foi sociólogo e economista alemão. Escreveu o livro “A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Max Weber (1864-1920) nasceu em Erfurt, Turíngia, Alemanha, no dia 21 de abril de 1864. Foi nomeado professor de economia da Universidade de Heidelberg. Entre 1900 e 1918, ficou afastado do magistério em consequência de um colapso nervoso. No período que ficou afastado, colaborou em diversos jornais alemães e realizou diversas pesquisas.

Max Weber é considerado um dos fundadores da sociologia moderna, ao lado de Conte, Marx e Durkheim. Suas obras principais são “Economia e Sociedade” e “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Nesse último livro, o sociólogo realizou importante estudo sobre como a religião, especialmente o protestantismo nos EUA, foi um fator importante para a consolidação do capitalismo. Em contrapartida, Weber achava que o catolicismo tradicional poderia ser um fator impeditivo para o desenvolvimento e prosperidade econômica de países que praticavam aquela religião. Isso se devia ao fato do ideário católico pregar a condenação do lucro. Já a religião protestante possuía maior identificação com a produção de riquezas, justamente, por valorizar o mérito pessoal e o trabalho como meios de valorização espiritual.

Disponível em: http://www.e-biografias.net/max_weber/

Martinho Lutero

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Alemanha. Foi criado em Mansfeld. Na sua fase estudantil, foi enviado às escolas de latim de Magdeburg(1497) e Eisenach(1498-1501). Ingressou na Universidade de Erfurt, onde obteve o grau de bacharel em artes (1502) e de mestre em artes (1505). Seu pai, um aldeão bem sucedido pertencente a classe média, queria que fosse advogado. Tendo iniciado seus estudos, abruptamente, os interrompeu entrando no claustro dos eremitas agostinianos em Erfurt. É um fato estranho na sua vida, segundo seus biógrafos. Alguns historiadores dizem que este fato aconteceu devido a um susto que teve quando caminhava de Mansfeld para Erfurt. Em meio a uma tempestade, quase foi atingido por um raio. Foi derrubado por terra e em seu pavor, gritava “Ajuda-me Santa Ana! Eu serei um monge!”. Foi consagrado padre em 1507. Entre 1508 e 1512, fez preleções de filosofia na Universidade de Wurtenberg, onde também ensinou as Escrituras, especializando-se nas Sentenças de Pedro Lombardo. Em 1512 formou-se Doutor em Teologia. Fazia conferências sobre Bíblia, especializando-se em Romanos, Gálatas e Hebreus. Foi durante este período que a teologia paulina o influenciou, percebendo os erros que a Igreja Romana ensinava, à luz dos documentos fundamentais do cristianismo primitivo. Lutero era homem de envergadura intelectual e habilidades pessoais. Em 1515, foi nomeado vigário, responsável por onze mosteiros. Viu-se envolvido em controvérsias com respeito a venda de indulgências.

Disponível em: http://musicaeadoracao.com.br/28876/vida-e-obra-de-martinho-lutero/

Karl Marx (1818–1883)

Foi um filósofo e revolucionário alemão. Criou as bases da doutrina comunista, onde criticou o capitalismo. Sua filosofia exerceu influência em várias áreas do conhecimento, tais como Sociologia, Política, Direito, Teologia, Filosofia, Economia, entre outras.

Karl Marx (1818-1883) nasceu em Trèves, cidade ao sul da Prússia Renana, na fronteira da França, no dia 5 de maio de 1818. Filho de Herschel Marx, advogado e conselheiro da justiça, descendente de judeu, era perseguido pelo governo absolutista de Frederico Guilherme III. Em 1835 concluiu o curso ginasial no Liceu Friedrich Wilhelm. Ainda nesse ano e boa parte de 1836, Karl estudou Direito, História, Filosofia, Arte e Literatura na Universidade de Bonn.

Leia mais, disponível em: http://www.e-biografias.net/karl_marx/

Anomia

Para a psicologia e a sociologia, a anomia é o conjunto de situações que resultam da carência/ausência de normas sociais ou da sua degradação. O conceito também pode fazer referência à ausência de lei ou ao distúrbio da linguagem que impede de chamar as coisas pelo seu nome (dicção patológica).

Noutros termos, a anomia é, para as ciências sociais, a incapacidade da estrutura social em proporcionar a certas pessoas aquilo de que precisam para superarem as metas e os desafios da sociedade. Por isso, a anomia oferece uma explicação sobre a conduta desviante. Em termos concretos, a anomia diz respeito a um desvio ou uma ruptura das normas sociais, mas não das leis: quando alguém desobedece às leis, está a cometer um delito.

Disponível:http://conceito.de/anomia

Louis Althusser

Filósofo francês. Cristão pela sua família e educação, em 1948 ingressa no Partido Comunista. Nesse mesmo ano inicia a sua carreira académica como professor. Trabalha durante vários decénios na École Normale de Paris, onde reside, e onde, num arrebatamento de loucura, mata a esposa. Passa os seus últimos anos recolhido num sanatório. Após a sua morte aparecem textos autobiográficos que dão fé da sua doença mental e insinuam uma dolorosa contradição íntima entre a sua educação cristã e a teoria marxista, de que é eminente estudioso, analista e reformista.

Althusser é um dos principais estudiosos do marxismo. Para desenvolver a teoria marxista utiliza como método de análise o estruturalismo. Num primeiro tempo, as suas preocupações centram-se nos fundamentos e métodos da investigação. Centra os seus estudos em Marx, cuja obra cimeira, O Capital, é em sua opinião um trabalho puramente científico e afastado dos interesses humanistas. Num segundo tempo, ocupa-se do estudo do pensamento de Lenine, e mais concretamente da sua obra Materialismo e Empirocriticismo. A sua conclusão básica é que o discurso teórico desta obra aclara a ciência da ideologia. Althusser serve-se da análise estruturalista, decompõe, para o seu estudo, o pensamento marxista e as leis que, segundo este, regem a vida do homem em sociedade.

Disponível em: http://www.vidaslusofonas.pt/louis_althusser.htm

Pierre Bourdieu

Pierre Bourdieu foi um destacado sociólogo francês do século XX.

Nascido na cidade de Denguin, França, no dia primeiro de agosto de 1930, Pierre Félix Bourdieu era proveniente de uma família campesina. Ao completar seus estudos básicos, mudou-se para Paris, onde estudou na Faculdade de Letras aos 21 anos de idade. Em 1954, Pierre Bourdieu formou-se em Filosofia e iniciou sua vida profissional como professor em Moulins. Sua carreira sofreu uma interrupção em função do serviço militar obrigatório que o enviou para a Argélia. Aproveitando-se do deslocamento, assumiu o cargo de professor na Faculdade de Letras da capital do país, Argel.

De volta a Paris, Pierre Bourdieu foi assistente de Raymond Aron, importante filósofo, sociólogo e comentarista político da França na Faculdade de Letras de Paris. Foi no mesmo, 1960, que se tornou membro do Centro de Sociologia Europeia, no qual ocuparia o cargo de secretário-geral dois anos depois. Seu retorno à França marca também o início de sua volumosa produção científica. Sua publicação entre as décadas de 1960 e 1980 o caracteriza como importante sociólogo do século XX. A repercussão de suas reflexões o leva a lecionar em importantes universidades do mundo. Pierre Bourdieu destacou-se por propor uma crítica sobre a formação do sociólogo, buscando o que ficou identificado como “Sociologia da Sociologia”.

Pierre Bourdieu tornou-se referência na Antropologia e na Sociologia publicando trabalhos sobre educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política. Suas reflexões dialogavam tanto com as esferas de Max Weber, como com as classes de Karl Marx. Adotando a nomenclatura de construtivismo estruturalista ou de estruturalismo construtivista, Bourdieu argumentava que há estruturas objetivas no mundo social que podem coagir a ação dos indivíduos. Todavia essas estruturas são construídas socialmente. Por outro lado, Pierre Bourdieu rejeitava a dicotomia subjetivismo/objetivismo nas ciências humanas, dizendo que as relações sociais estão numa relação dialética.

Partindo do princípio anterior, destaca-se uma das questões mais importantes apresentadas no pensamento de Pierre Bourdieu: a análise de como os indivíduos incorporam a estrutura social, legitimando-a e reproduzindo-a. Seu mundo social era construído sobre três conceitos: campo, habitus e capital. O primeiro representa um espaço simbólico no qual os confrontos legitimam as representações. É o poder simbólico que classifica os símbolos de acordo com a existência ou ausência de um código de valores. O conceito de habitus discorre sobre a capacidade dos sentimentos, dos pensamentos e das ações dos indivíduos de incorporar determinada estrutura social. Já o capital representa o acúmulo de forças que o indivíduo pode alcançar no campo. Pierre Bourdieu é o autor dos subconceitos de capital social, capital cultural, capital econômico e capital simbólico.

Disponível em: http://www.infoescola.com/biografias/pierre-bourdieu/

Medeia

Dividir ao meio; mear. / Tratar ou discutir como mediador. / Estar no meio; distar igualmente. / Ser mediador ou medianeiro.

Axioma

Axiomas são verdades inquestionáveisuniversalmente válidas, muitas vezes utilizadas como princípios na construção de uma teoria ou como base para uma argumentação. A palavra axioma deriva da grega axios, cujo significado é digno ou válido. Em muitos contextos, axioma é sinónimo de postulado, lei ou princípio.

Hegemonia

Hegemonia significa preponderância de alguma coisa sobre outra. É a supremacia de um povo sobre outros povos, ou seja, a superioridade que um país tem sobre os demais, tornando-se assim um Estado soberano.

Globalização

Globalização é um conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial visíveis desde o final do século XX. Trata-se de um fenômeno que criou pontos em comum na vertente econômica, social, cultural e política, e que consequentemente tornou o mundo interligado, uma Aldeia Global.

O processo de globalização é a forma como os mercados de diferentes países interagem e aproximam pessoas e mercadorias. A quebra de fronteiras gerou uma expansão capitalista onde foi possível realizar transações financeiras e expandir os negócios - até então restritos ao mercado interno - para mercados distantes e emergentes.

Disponível em: http://www.significados.com.br/globalizacao/

Sazonal

Sazonal, é uma característica de um evento que ocorre sempre em uma determinada época do ano.

Intrínseco

De maneira intrínseca; de modo íntimo, particular ou próprio: comportamento intrinsecamente desordenado.

Antagonismo

Ação que se desenvolve de modo oposto.

Oposição ou falta de compatibilidade de ideias, pontos de vista, grupos sociais etc.; rivalidade.

Que tende a se comportar de maneira contrária a; ação ou efeito de se opor; manifestação de princípio(s) ou vontade(s) contrários a (alguma coisa); oposição.

Transnacional

Que vai além das fronteiras nacionais, englobando mais de uma nação.

Neoliberalismo

Neoliberalismo é uma redefinição do liberalismo clássico, influenciado pelas teorias econômicasneoclássicas e é entendido como um produto do liberalismo econômico clássico.

O neoliberalismo pode ser uma corrente de pensamento e uma ideologia, ou seja, uma forma de ver e julgar o mundo social ou um movimento intelectual organizado, que realiza reuniões, conferências e congressos.

Jean-Claude Passeron

Em Paris, Jean-Claude Passeron, estudou na École Normale Supérieure e voltas, após a agregação de filosofia, à sociologia. Durante os anos 1960, ele publicou dois livros com a sociologia de Pierre Bourdieu da educação (Os Herdeiros, 1964 Reprodução, 1970). Com Jean-Claude Chamboredon, Bourdieu e Passeron também publicam O ofício do sociólogo, uma metodologia de referência e epistemologia das ciências sociais.

Enquanto isso, ele dirigiu o Departamento de Sociologia da Universidade de Nantes, enquanto ia com frequência para Paris para prosseguir suas investigações. Em 1968, a cooptação de parte do kernel responsável pela fundação do Centro Universitário Experimental de Vincennes, um projeto educacional de vanguarda, hoje se tornou a Universidade de Paris VIII (conhecida como a Universidade de Vincennes em Saint-Denis ), com, entre outros, Robert Castel e Michel Foucault. Mais tarde, no início de 1980, ele abandonou a aderir à EHESS. Posteriormente, ele irá realizar uma "deslocalização" da EHESS, em Marselha, onde ele tentará criar um ensino interdisciplinar de Sociologia, associado à história e antropologia, e em um lugar muito importante será dado aaprendizado de práticas e técnicas de investigação.

Além de sua colaboração com o famoso Bourdieu, com quem ele mantém a sua distância a partir da década de 1970, ele também trabalha com outros sociólogos, como Jean-Claude Chamboredon, Robert Castel, Claude Grignon, Michel Grumbach e François de Singly. Em particular, após esse distanciamento, Passeron continua as suas investigações no campo da sociologia da cultura e das artes. Ela publica e, entre outros, O Olho da página, Artistas. Teste da morfologia social, com o tempo em tabelas.

Em 1991 ele publicou O trabalho Raciocínio sociológico, em parte, de um estado de tese. Este livro teve um profundo impacto sobre as ciências sociais epistemológica. Rompendo com as teses do ofício do sociólogo, que não viu diferença entre as ciências sociais e ciências naturais, Passeron encontrados dualismo epistemológico de Max Weber. Ele afirma que as ciências sociais são ciências históricas e têm, portanto, não o mesmo regime de verdade que as ciências naturais. Em particular, não é refutável no sentido da ciência Karl Popper. Isso não significa que eles não são científicos, mas que as propostas nas ciências sociais nunca são a mesma força probatória da natureza e ciência.

Disponível em: http://passeron123.blogspot.com.br/2011/06/sua-biografia.html